Notas iniciais
Olá, meninas! As revelações do capítulo passado deixaram a maioria de vocês bem surpresa... Jasper! Quem diria? Kkkkk Bom, mas já voltei com a continuação e algumas explicações. Antes gostaria de agradecer a Gleice Kelly pela recomendação: eu amei e esse capítulo é todo dedicado a você! Espero que gostem, boa leitura ❤

—Você, vá para lá e sente ali. – Jasper apontou para a janela e não tive dúvidas de que teria de obedecer. Pelo menos por enquanto tinha de fazer exatamente o que ele mandava.

Apenas quando o clima acalmou, consegui manter o sangue frio. Pelo olhar insano de Jasper, eu sabia que ele não hesitaria em usar a pistola e, provavelmente, não só em Edward.

Sentindo a cabeça pesada e latejante, caminhei até a janela. Minhas pernas tremiam tanto quanto as minhas mãos.

—Amarre as mãos dela. – Jasper ordenou a Edward entregando-lhe a fita adesiva.

Engoli a seco quando vi Edward encarar Jasper. Seu semblante que antes estava atônito, agora se encontrava bastante raivoso.

—Faz o que ele está mandando, Edward. – disse firme e determinada, pois não queria que a situação fugisse ao controle.

Com relutância, Edward apanhou a fita e amarrou meus pulsos por trás, com suprema delicadeza. Apertou a minha mão, em uma tentativa clara de tentar me tranquilizar e garantir que tudo terminaria bem.

—Agora, ligue para o Emmet. – continuou dando ordens, o semblante estava atordoado, mas exalava certo tipo de divertimento. O suor escorria pela testa.

—Porque está fazendo isso? – Edward vociferou, recusando-se a pegar no telefone, aparentemente indiferente ao perigo que estava correndo. —Como pode fazer isso com seu próprio irmão?

—Você não é meu irmão. – Jasper respondeu entredentes, praticamente cuspindo cada palavra tamanho nojo que sentia. —Você é no máximo um bastardo... fruto de um ato nojento. Tão nojento quanto você.

Prendi o ar nos pulmões diante a fala dura de Jasper. De soslaio vi Edward recuar o corpo em choque, e o tique nervoso em um dos olhos de Jasper se intensificar. A raiva e o ódio distorcendo ainda mais os traços do rosto.

Aquele homem parado a nossa frente estava completamente possuído pela fúria e queria tanto poder dizer a Edward que não o irritasse, que não atiçasse ainda mais a ira do louco... Pois uma palavra poderia ser o suficiente para que ele disparasse a arma.

Mordi os lábios me sentindo completamente impotente. Mentalmente, pedia a Edward que não o enervasse.

Mas, claramente, Edward não parecia particularmente receptivo. Ele olhou Jasper com desdém e ar de superioridade.

—Não sei do que está falando.

—Claro que sabe. – Jasper esboçou um sorriso triunfante ao perceber que havia tocado na ferida de Edward. —Você não é filho do Carlisle. Você é o resultado de um estupro, de uma violência... Você é tão podre quanto o Calvin.

Até então, tinha conseguido me manter calma. Meu corpo era pura adrenalina, o instinto profissional deixando minha mente a mil por hora, tentando controlar o medo. Mas ao ver Edward empalidecendo ao ouvir a resposta, fiquei apavorada. Ver aquele homem imponente e enorme perder a cor, e ver o pânico nos olhos de Edward fez com que eu me desse conta do significado da palavra medo.

Notei, pelo tom da conversa, que o medo de Edward não tinha nada a ver com dinheiro ou interesses políticos. A ameaça era fruto do pior tipo de vingança: um ódio incontrolável e visceral.

—Ligue para o Emmet. – Jasper repetiu a ordem se aproximando de Edward com a arma arqueada. —Diga que vai ficar aqui no quarto com Bella e não quer ser incomodado. Deixe claro que está tudo bem....

—Ele não vão acreditar se. Não depois do que houve com Melissa. – a segurança desapareceu da voz de Edward. Seus olhos relancearam para mim e vi o maxilar se tensionar. Havia um pedido de desculpas nos olhos peculiares, sabia que ele se sentia responsável pelo perigo que eu corria. Ele estava atemorizado não por ele, mas por mim.

—Disse que iríamos embora de madrugada, se eu ligar e disser que não vou sair do quarto, vão saber que algo está errado.

—Então é melhor ser convincente. – Jasper o cortou com impaciência.

—Mesmo que não percebam, Melissa está ficando aqui no quarto conosco... — Edward tentou argumentar, e eu sabia que tinha de agir rápido.

—Diga a Emmet que precisa de um tempo a sós comigo. – disse hesitante e vendo, aliviada, que Jasper concordou com a cabeça. —Que precisamos conversar sobre nosso futuro.

Intercalei os olhos entre Edward e Jasper enquanto ignorava o latejar em minha cabeça. A dor só aumentava, mas não podia ceder a ela. Precisava me manter firme naquele momento de tensão.

Vi o movimento relutante de Edward na direção do telefone e percebi que ele entendera a mensagem. De alguma forma, tinha de fazer com que os colegas ficassem sabendo da situação. Respirei fundo, pensei no perigo se nós dois ficássemos ali sozinhos sem ninguém para ajudar.

—Peça para que subam com uns drinques.

—Ninguém sobe! — gritou Jasper, furioso com a minha sugestão, mas não me intimidei e continuei falando.

—Vai soar mais convincente. Diz que quer uns drinques, mas que não quer ser incomodado. É o que você costuma fazer. Edward, tem de fazer com que acreditem em você. Diz que eu quero um daiquiri de morango como sempre peço.

—Ela tem razão — Jasper proferiu após pensar em silêncio, concordando freneticamente com a cabeça, repetindo a frase várias vezes. —Ela tem razão... mande a mamãe cuidar da Melissa. Diz para trazerem os drinques, mas para deixarem do outro lado da porta. E vai deixar a conversa no viva-voz para eu poder ouvir. – o tom da voz ia aumentando a cada palavra pronunciada. —Para que eu tenha certeza de que não está armando nada! Fale com eles como se fossem lixo, do jeito que você sempre faz! – olhando nos olhos de Edward, Jasper veio em minha direção e apontou a arma em minha cabeça. —Faz o que estou mandando ou vai sobrar para ela!

Senti o coração saltar, enquanto Edward obedecia, falando ao telefone em um tom arrogante e de pouco caso. Ele parecia tão tranquilo que não havia como a suspeitarem do pavor do outro lado da linha. Senti calafrios quando Jasper apertou o cano da arma contra minha cabeça aumentando a dor da pancada que ele mesmo provocara mais cedo.

—Como assim não vai sair do quarto, Edward? O que está acontecendo? – Emmet perguntou e seu tom preocupado não passou despercebido. Jasper embrenhou a mão livre em meu cabelo e empurrou ainda mais a arma contra a minha cabeça. Contive o gemido de dor e Edward arregalou os olhos em pleno desespero.

—Não está acontecendo nada, Emmet. Bella e eu precisamos conversar, só isso. – Edward manteve um tom de descaso digno de aplausos, ele sabia fingir muito bem. —Peça para a minha mãe ficar com a Melissa, depois que nos resolvermos aqui eu mesmo a busco...

—Tudo bem. – Emmet concordou um tanto quanto seco.

—Ah... Já ia esquecendo... Peça para trazerem algo para beber. É só deixar do lado de fora, um vinho... – sentiu falta de ar ao ouvir o erro que Edward cometera, mas logo me recompus, quando ele se corrigiu naturalmente. —Ou melhor, uma taça de vinho e um daiquiri de morango.

—Ok, vou pedir que levem tudo até vocês. – Emmet respondeu neutro e implorei aos céus para que ele tivesse entendido o recado.

—E não quero ser perturbado, ficou claro?

Qualquer que tenha sido a resposta de Emmet, nós não escutamos, Jasper foi até o outro lado do quarto e bateu o telefone no gancho. Com a arma apontada para a cabeça de Edward ele o trouxe até mim e, com brutalidade, o mandou se sentar.

—Ponha a mão para trás. – ordenou.

—Talvez precise abrir a porta — Edward tentou argumentar.

Segurando a arma com uma das mãos, Jasper prendeu os pulsos de Edward com a outra e apenas soltou a arma depois que ele já estava imobilizado. Assegurou-se de que a fita estava bem presa e que Edward não poderia se soltar e, num gesto aterrorizante, golpeou o rosto de Edward com a mão.

Abafei um grito, vendo Edward receber o tapa como se de alguma forma ele tivesse merecido. Arregalei os olhos, tomada pelo horror ao ver o rosto de Edward marcado pelo anel de Jasper, o sangue escorrendo em sua camisa branca.

Jasper abriu um sorriso maligno ao ver os machucados na face de Edward, e sem a menor sensibilidade prendeu meus tornozelos na cadeira.

—Porque está fazendo isso Jasper? — perguntou Edward, cuspindo o sangue que tinha caído em sua boca.

No entanto, Jasper não queria falar. Foi até o sofá, se sentou e apontou a arma para nós dois; o ódio fazia os olhos dele brilharem com mais intensidade.

A espera pelas bebidas parecia uma eternidade, e o silêncio era ameaçador. Milhares de perguntas passaram pela minha cabeça. Como não tínhamos ligado os pontos antes? Como Jasper havia passado em branco? E o mais importante: por que ele odiava tanto Edward?

—Você vai ficar bem. – a voz baixa de Edward chamou minha atenção.

—Cale a boca! – Jasper gritou, mas Edward não se intimidou.

—É a mim que ele quer, não você. – continuou com os olhos nos meus e aquilo não me tranquilizou em nada.

—Já mandei você calar essa boca! – Jasper saltou do sofá e marchou até Edward. Recuei o corpo ao vê-lo receber mais um tapa no rosto. O desespero me corroía por dentro.

—Porque está fazendo isso, Jasper? O que ele te fez para receber tanto ódio? – minha voz entonou toda a aflição que eu sentia e Jasper fora atraído justamente por aquilo.

—O que ele fez? – Jasper perguntou intercalando os olhos entre nós dois. —Vou te contar o que ele fez... – pulou as pernas de Edward e se aproximou lentamente de mim.

Sua face estava contraída pelo ódio, ele estava possuído pela ira, pela vontade de vingança.

—Ele roubou tudo o que eu tinha... Tudo que era para ser meu. – correu a mão pelo rosto tirando os fios de cabelo que haviam caído em sua testa molhada de suor.

—Do que está falando? – nem mesmo Edward conseguia entender os motivos de Jasper.

—Não se faça de desentendido, Edward. – voltou os olhos para o irmão encarando-o duramente. —Você sabe muito bem do que estou falando. – acusou transtornado. —Você roubou o amor do meu pai de mim... Era para ele me amar e não a você!

Engoli a seco ouvindo Jasper externar o que eu já desconfiava desde que liguei os pontos. Era claro que aquele era o motivo, mas parecia tão supérfluo que nem mesmo ouvindo Jasper dizer com todas as letras conseguia acreditar.

—Era para Carlisle ter orgulho de mim, não de você... Nem filho dele você é. – continuou. —Desde que nasceu que minha vida virou um inferno... Papai só sabe me criticar, nada do que eu faço está bom... – a voz de Jasper entoava toda a dor que ele sentia. —Já você é todo perfeito! Ele morre de orgulho do “filho" empresário. – usou os dedos livres para fazer aspas no ar. —E o que mais me deixa irado é saber que você não é filho dele! – repetiu ainda mais irritado com aquele fato.

—Como foi que descobriu sobre a minha paternidade? – Edward perguntou com os olhos atentos em Jasper. Podia ver a decepção mesclada a perplexidade em sua face.

—Encontrei o exame que fez quando Carlisle ficou doente e precisou de transfusão de sangue. – explicou calmamente. —Não faz muito tempo. – deu de ombros. —Nunca gostei de você, mas desde que descobri toda a verdade decidi que você não merecia viver. – as palavras de Jasper saíram encharcadas de crueldade. —Aliás, você nunca mereceu nada... Principalmente o amor do meu pai!

—Então era você que estava por trás disso tudo? É você que está tentando me matar? – Edward perguntou e ficou nítido que sua fixa havia caído naquele instante. Senti uma vontade imensa de abraça-lo ou simplesmente segurar sua mão, mas estava completamente incapacitada.

—Olhe para você, olhe para sua noiva... ainda tinha duvidas? – ele debochou antes de soltar uma risada maligna. —Eu que fiz tudo. Planejei cada detalhe. O atentado na Espanha, em Nova York, na Austrália. – citou se gabando. —Mandei cortar os freios do seu carro, prendi sua namoradinha na sauna...

Não sei exatamente o porque aquilo me chocou, já era de se esperar que tivesse sido Jasper quem me prendera na sauna durante a viagem para Maldivas, mas ouvi-lo dizer aquilo em um tom tão calmo e natural me deixou surpresa.

—Mas... Você me tirou de lá! – minha voz saiu quase inaudível.

—Porque um funcionário do hotel apareceu, e achei que estivesse morta. – respondeu friamente. —Quando te tirei da sauna estava quase sem pulso... Estava tão quente que duvidei que fosse sobreviver..., mas infelizmente você é mais forte do que pensei.

Maneei a cabeça e ignorei a dor que se pronunciou ainda mais forte, para poder unir a imagem daquele homem cruel e perigoso ao irmão sorridente de Edward.

Psicopata não tem cara, já deveria ter aprendido aquilo.

—Continuando, tudo o que aconteceu de ruim com você nos últimos meses foi ideia minha. – Jasper rompeu o silêncio encarando Edward com superioridade. —Inclusive a morte daquela mulherzinha intrometida na sua festa de halloween.

Mais uma informação que me deixara em choque e momentaneamente sem palavras.

—Como assim? Você quem matou Jéssica? – Edward perguntou com os olhos arregalados.

—Claro que não. – Jasper rolou os olhos. —Erick a matou, todo mundo viu... Mas fui eu quem mandou. – sorriu ao se lembrar. —Aliás, ele foi muito eficiente. Não teria chegado até aqui sem sua ajuda.

Erick!

Meu Deus! Era ele o agente duplo! Ele matara Jessica de propósito e não por acidente!

—Porque você mandou matá-la? – Edward prosseguiu com as perguntas.

—Ela viu o que não deveria. – deu de ombros limpando o cano da arma no paletó. —Vou explicar. – arqueou as mãos soltando um risinho. —Sabia que estavam investigando, que estavam armando um esquema de proteção e precisava deixar umas pistas falsas para que seguissem o caminho oposto ao meu. – contou puxando uma cadeira e se sentando. —Foi então que me uni a James.

—James? – Edward perguntou a mesma coisa que viera na minha mente.

—É. Ele também nunca gostou de você. Teria percebido se não se achasse a pessoa mais incrível do mundo. – os olhos de Jasper ficaram um pouco mais duros. —Ele havia descoberto há pouco sobre o caso de Jacob e Victória... então resolveu me ajudar a acusá-la implantando os cartões no escritório e na carteira dela.

Repassei aquelas palavras lentamente e senti uma vontade imensa de gritar. Victória era inocente e aquele era mais um erro que havíamos cometido.

Quando foi que ficamos tão burros, cegos e incompetentes?

—Nesse meio tempo Jessica descobriu, acho que ouviu uma conversa nossa, não sei direito. — deu de ombros em pleno descaso. —Então mandei Erick acabar com ela. – fez uma pausa para sorrir grande. —Mirou bem na cabeça... Nem eu teria feito melhor!

Pisquei algumas vezes só para ter certeza que tudo aquilo que estava acontecendo não era um delírio da concussão, e perceber que era tudo real me deixou ainda mais zonza.

—Você não pode estar falando sério. – Edward declarou em negativa. —Não é possível que faria tudo isso só por ciúme ou inveja...

—Não é por inveja! – Jasper berrou voltando a se desestabilizar. —Não é por inveja... – repetiu. —Só não acho justo você receber todo o amor e orgulho do Carlisle, sendo que nem filho dele você é.

Aqui mexia muito com Jasper, dava para ver em seus olhos, sua postura.

—Pensa que é fácil ser o filho mais velho e viver a sombra de um bastardo? – fez uma pausa para respirar. —Pensa que é fácil viver recebendo críticas e sendo comparado o tempo todo? – perguntou, mas Edward não lhe respondeu. Continuou parado, encarando Jasper. —Para eles você é perfeito! Tem o emprego perfeito, a vida perfeita... Você roubou de mim a chance de dar a eles o primeiro neto!

Quanto mais Jasper falava, mais absurdo parecia aquilo tudo, contudo, era nítido o quanto tudo aquilo o deixara transtornado.

—Sabe que isso não é uma competição, não é? – Edward proferiu em tom irônico.

—Não zombe de mim, seu merda! – Jasper ordenou enfiando o cano da arma dentro da boca de Edward.

Não contive o grito de desespero, me mexendo no chão e tentando me soltar.

Jasper se aproximou de mim, os olhos furiosos, a boca praticamente babando.

—Não machuque ele, Jasper. – pedi erguendo a cabeça para encará-lo. —Ele não tem culpa de nada... Se houve diferença no tratamento entre vocês, q culpa não é do Edward.

—Não pedi sua opinião, sua puta! – vociferou antes de virar um tapa em meu rosto.

O gesto agressivo me deixou desorientada por alguns segundos. Meus olhos ficaram turvos e meus ouvidos estavam presos em um zumbido contínuo.

A dor aumentou consideravelmente.

—Se afaste dela. – Edward gritou entredentes. —É a mim que você quer. Desconte em mim. Nela não.

Jasper estava pronto para bater em Edward mais uma vez, mas a leve batida na porta fez com que nós três pulassemos de susto. Jasper se afastou apressadamente e ficou de pé na frente a port. Senti um grande alívio ao ouvir a voz de Mike pela suíte.

—Os drinques chegaram, senhor Cullen.

—Obrigado! – Jasper sussurrou. —Diz obrigado.

—Obrigado. – Edward obedeceu bastante transtornado.

—Precisa de algo mais, senhor?

—Não. – Jasper ordenou em voz baixa, apontando a arma para o meu rosto.

—Não.

Um silêncio tenso se seguiu. Jasper se manteve a frente, com os ouvidos alerta, até que o som da porta do elevador se abrindo indicou que Mike partira. Pela primeira vez, Jasper pareceu estar mais relaxado. Ligou a televisão e foi até o frigobar. Apanhou um saco de biscoitos. Apenas desejei que ele continuasse com o que estava fazendo; grata por estarem no hotel mais suntuoso de Cancun e pelo frigobar do hotel de Edward não ser como os demais. Estava repleto de licores, cervejas e outras bebidas e, com sorte, ele tomaria o suficiente para ficar anestesiado.

Os segundos passavam como se fossem minutos. Os minutos passavam como se fossem horas.

Jasper deu uma gargalhada, enquanto assistia a um desenho animado. Entre as gargalhadas, sussurrei para Edward.

—Você desconfiava?

—Não. – Edward negou rapidamente. —Nunca pensei que meu irmão fosse capaz disso. – a magoar por trás de seus olhos peculiares me deixou ainda mais sentida.

—Por que ele odeia tanto você? — perguntei baixinho. —Ele sempre se mostrou tão bondoso e feliz!

—Fingiu o tempo todo. Ele mesmo confirmou.

Ele não precisou explicar mais. Só de olhar para o rosto tenso de Edward já confirmei que todo aquele discurso doente de Jasper era real.

Impotente, fitava o homem sentado ao meu lado — que fora esbofetado sem reclamar. Fitei aquele rosto alvo, agora, ferido; os olhos astutos, quase fechados pela fadiga mental. Só pensava em uma maneira de nos tirar dali, de controlar as emoções. A cada olhada ameaçadora de Jasper, Edward dizia baixinho que tudo ia ficar bem.

Havia tantas questões na minha cabeça. Onde Erick? James? E Alice? Ela também fora enganada...

Com muito esforço, pus as questões pessoais de lado, forçando a mente cansada a se concentrar em uma saída para aquele pesadelo, em uma forma de salvar o homem a quem eu fui encarregada de proteger, e agora amava com todo meu ser.

O telefone tocou de repente, e Jasper mandou que Edward atendesse, levando o aparelho até eles e colocando o fone no ouvido do irmão. Meu coração disparou pelo medo de que a reação de Jasper fosse ser intempestiva ao saber que a polícia estava a par de tudo.

—Eles querem falar com você.

—Comigo? – Jasper arrancou o fone de Edward e a fúria irracional retornou. Ele xingou pelo fone e bateu no gancho, em seguida, voltou para o sofá.

—Converse com eles. – implorei. —Eles podem ajudar.

—Como eles sabem? – perguntou Jasper, irado.

—Eles descobriram, Jasper. — disse calmamente. —E agora você tem de encarar os fatos. Converse com eles. Diz o que você quer.

—Não tenho nada para conversar. – Jasper rebateu. —Porque não tenho nada para negociar.

O telefone continuou tocando, e até mesmo eu desejei que parasse. Desejei que as pessoas lá fora fossem embora, que me deixassem dormir, me deixassem fechar os olhos para que acordasse do pesadelo em que estava.

A escuridão invadiu o quarto, mas sabia que logo se dissimularia. Sabia, porque meus olhos estavam fixos na enorme janela, minha cabeça girava devido ao esgotamento e o meu corpo estava prestes a desabar. Fitei a lua ao longe. Aquela mesma lua que havia guiado meus pensamentos na noite anterior, que iria nascer no dia seguinte, indiferente aos perigos de meros mortais. Soó sabia que queria estar viva no dia seguinte para voltar a ver a lua.

—Preciso ir ao banheiro. – minha voz cansada tirou Jasper da apatia em que se encontrava.

—Faça aí mesmo. – replicou com descaso.

—Por favor. – implorei. —Preciso ir ao banheiro.

—Pode fazer aí mesmo. Não precisa sentir vergonha. – disse Edward com delicadeza.

—Por favor. – implorei outra vez, notando aliviada que se Edward tinha acreditado, provavelmente Jasper também acreditaria. —Preciso ir, Jasper, por favor, deixe-me ir. Não pode me deixar aqui assim...

Tentei apelar para o lado cavalheiro de Jasper, dando a entender que estava no período menstrual.

—Você está...? – Edward me encarou sem entender, e arregalou os olhos assim que tudo fez sentido. —Ela esta menstruada, Jasper. Deixe-a ir ao banheiro.

Agradecendo em silêncio, olhei para Edward, enquanto Jasper me soltava. Estava tão esgotada que sequer reclamei pela dor que senti quando a fita foi bruscamente retirada de minha pele. Aproveitando que Jasper não estava olhando, disse por gesto labial, sem emitir som, apenas uma palavra a Edward: "Espere."

Finalmente, no banheiro, sabia que tinha alguns segundos, talvez um minuto para agir. Dei uma olhada nos objetos que havia, ferramentas que poderia usar; abri a torneira e me sentei no vaso sanitário, ciente da porta entreaberta e de que Jasper estava contando o tempo.

Apanhei o barbeador de Edward e raspou os pelos que tinha no pulso. Depois peguei um dos frascos de loção hidratante e passei uma generosa quantidade na área das mãos e braço.

Estava tremendo freneticamente, minha cabeça doía tanto que precisava fazer um esforço grande para manter os olhos abertos.

— Fora! – gritou Jasper, entrando com violência no banheiro, nervoso e impaciente. Ele me arrastou de volta para o quarto, me puxando pelos cabelos e me obrigou a sentar antes de voltar a me prender. Ele fez uma pausa quando o telefone tocou e observei, com alívio, que ele tinha esquecido de prender os meus tornozelos.

—Por que não atende? – sugeri —Mal não vai fazer ouvir o que eles têm a dizer.

—Não me importa o que eles têm a dizer! – Jasper retrucou dando de ombros.

Mentalmente, pedi para que não fosse verdade. Se ele estivesse mesmo falando a verdade, não teria nada a perder, nem a temer. Faria o que havia planejado há meses e não se importaria com nada.

—Se não se importa mesmo, então atenda. – a voz de Edward saiu ríspida.

Jasper ignorou completamente a fala de Edward, puxou o celular do bolso e discou rapidamente na tela.

Aproveitei seu momento de distração para tentar me livrar da fita adesiva. A pele estava escorregadia por causa do creme, afrouxando a fita um pouco.

—Jasper. – a voz de Edward estava surpreendentemente calma. —Por que não deixa Bella ir embora e então conversamos?

—Não temos nada para conversar.

—Temos sim... Podemos reverter isso. Posso te ajudar. – Edward arriscou pacientemente.

—E você acha que eu quero a sua ajuda? – perguntou Jasper com sarcasmo. —Acha que eu preciso da sua ajuda? – ele deu uma coronhada no rosto de Edward e não contive o grito, vendo com horror o metal da arma ferindo a face de Edward e ouvindo o som do ferro chocando-se contra o osso.

—O que você quer de mim? – perguntou Edward, lívido de dor.

—Quero ver você sofrer. – respondeu com frieza. —Quero sinta um pouco da dor que senti todos esses anos, desde que nasceu.

—Então, deixe que ela vá. – a voz continuava calma. Encarei Jasper, tomada pelo medo, esperando pela resposta. Não queria ser libertada, não queria deixar Edward sozinho com aquele louco.

—Ela fica. – a resposta de Jasper foi taxativa, mas Edward exigiu uma explicação.

—Que importância ela tem para você? – o rosto estava pálido como um fantasma e o sangue escorria pela face; a camisa branca estava manchada de vermelho intenso. Ainda assim, ele mantinha a dignidade e o orgulho. Mantinha a atitude autoritária. —Você disse que quer me ver sofrer. O que ganha deixando-a aqui também? A polícia vai ser bem mais compreensiva se soltá-la, e é a mim que você quer, afinal de contas. Então, deixe-a a ir...

—Você não está entendendo. – a voz de Jasper era pura histeria. —Eu disse que quero ver você sofrer.

—Eu ouvi.

—Mas não acho que tenha entendido. – berrou Jasper.

—Estou tentando.

Percebi que Edward mostrava dificuldade para focar os olhos em Jasper. Ele estava lutando contra a dor, a náusea; tentando não se deixar vencer pela fraqueza e pela exaustão. Passou a língua seca pelos lábios ainda mais secos. Gotas de suor se formavam na testa. Não apenas a gola, mas quase todo a camisa, agora, estava banhado com seu próprio sangue e o medo que eu sentia se multiplicou.

Sabia que tinha de fazer algo e que não seria uma simples bala que nos mataria, mas sim tortura lenta e cruel de vários modos: a dor, as feridas, o tipo de tortura que Jasper planejara minuciosamente e que estava pondo em prática.

—Tem de parar o sangramento dele. -disse a Jasper, tentando não transparecer o medo em minha voz. —Tem de pressionar algo contra a face dele, fazer um curativo. Ele está perdendo muito sangue.

—Cale a boca. – um tapa violento feriu meu rosto, mas ela estava exausta demais para registrar a dor. —Você não sabe o que é sofrer, Edward Cullen, então agora vou dizer para você. Sofrer é ser ignorado a vida toda pela pessoa que você mais ama, mover o mundo por uma aprovação que nunca veio...

—Desconte em mim. Bella não tem culpa nenhuma disso. – Edward o interrompeu.

— Por quê? – perguntou Jasper em tom de zombaria enquanto embrenhar os dedos no meu cabelo. —Se machucá-la te causa muito mais dor do que qualquer ferimento que eu possa fazer em sua pele?

—Deixe-a em paz. – Edward voltou a pedir com a voz elevada. Pela primeira vez, desde que o pesadelo começara, pude ver o terror, nua e cruamente, nos olhos dele. —Resolva-se comigo..., porque Bella não tem nada a ver com isso! – gritou completamente atordoado. Sabia que sua preocupação era dobrada por conta do bebê.

— Ah, mas ela tem sim. – disse calmamente puxando mais ainda meu cabelo. —Você gosta dela, mais do que gosta de si mesmo. E como já expliquei antes: quero ver você sofrer.

Contive o gemido de dor para que Edward não se exaltasse ainda mais. Ele não podia perder o controle e eu precisava ser forte.

A arma que havia estado apontada para mim por tantas horas não estava mais ao alcance da vista, mas eu podia sentir o frio metal contra minha nuca. O toque do objeto mortífero contra a minha pele não era nada comparado ao toque virulento de Jasper, que agarrou o meu pescoço a mão, depois passeou pelo rosto, passando os dedos pelos meus lábios.

—Ela é muito bonita.

—Não encoste a mão nela! – Edward tentou gritar, mas já não tinha forças.

Jasper continuou me olhando com e, de repente, se voltou para Edward.

—Se eu tivesse acabado com você antes, talvez hoje ela fosse minha. – engoli a ânsia que amarrou minha garganta quando Jasper vislumbrou aquilo. —Você sempre roubou tudo de mim. O amor e atenção dos meus pais. É o irmão que Rosalie mais gosta. Teve sempre as melhores mulheres....

—Jasper, isso não é verdade ...

—Então, prove. – mandou me soltando com brutalidade. —Prove que estou errado e que nossos pais nunca fez diferença entre nos dois. Prove que nunca recebeu todo o amor e orgulho de Carlisle... Prove, se for capaz!

Um silêncio profundo seguiu os gritos apelativos de Jasper. Respirei fundo tentando me manter firme enquanto lembrava de onde estava a arma mais próxima...

—Não posso... – Edward respondeu com a voz baixa. —Se esta tão magoado assim, deve ter um pouco de razão...

—Eu odeio você, Edward. – Jasper sussurrou cheio de cólera. —Tenho estado atrás de você desde que descobri que não era filho do meu pai, olhando todos os seus movimentos e esperando por esse momento.

— Por que aqui, por que agora? – Edward o encarou.

—Cansei de bater na trave. – deu de ombros. —E já percebi que mesmo que você morra, Carlisle nunca vai me olhar como olha para você. Meu pai nunca vai me amar como ama você. – ele soluçou e lágrimas grossas escorregam por seu rosto. —É por isso que decidi acabar com tudo isso agora. Vamos morrer juntos... Você vai morrer pela minha mão. O filho bastardo e preferido vai morrer pelas mãos do rejeitado!

Jasper narrou como se fosse uma peça de teatro.

—Você está doente. – Edward conseguiu dizer, sem medo. —Jasper, você precisa de ajuda. Não é assim que vai resolver os problemas.

—Ah, é sim. Eu odeio você, Edward. Odeio você há tanto tempo. E hoje vou mostrar o tamanho desse ódio.

—Deixe Bella ir embora. – Edward voltou a pedir após perceber que Jasper não pretendia deixar qualquer um de nós vivos. —Você está errado. Não estou nem aí para ela. Nem é minha namorada. Ela é uma policial...

Prendi o ar nos pulmões diante a revelação de Edward. Ele não podia entregar assim de bandeja a nossa única vantagem.

—Mentiroso! – Jasper o olhou de cima. —Erick teria me dito. Ele me disse sobre Alice. – meu coração pulou uma batida ao ouvir o nome da minha amiga ser pronunciado com tanto ódio. —Aquela vadia nojenta que me usou vai sangrar até a morte...

— Olhe dentro do armário... – Edward murmurou interrompendo. —Tem uma arma. A arma dela. Ela não significa nada para mim. É apenas alguém que foi paga para cuidar da minha segurança. Pode acreditar no que quiser, já não me importo. Já estou morto mesmo. Não dou a mínima para ela! – Edward disse com segurança, o convencimento aparecia em cada palavra.

Jasper ponderou diante a fala de Edward e aquilo me deixou ainda mais desesperada. Ele intercalou os olhos entre Edward, o armário citado e eu.

— Jasper!

A voz estridente que invadia o quarto, vinda de um megafone do lado de fora do quarto, no corredor, apenas ajudou a aumentar a tensão.

A voz era invasora e alta, e Jasper ficou ainda mais nervoso, apontando a arma para nós dois. Eu sabia que ele não aguentaria muito mais tempo.

Com fúria, tentei arrebentar a fita, chegando inclusive a machucar minha pele. Tomei o cuidado de manter o rosto sem qualquer expressão, para não levantar suspeitas.

—Temos uma pessoa que quer falar com você ao telefone. Se não atender, vamos ter de colocá-la no viva-voz.

Jasper começou a berrar frases desconexas e a atuar de forma incoerente, mais assustadora do que em qualquer outro momento.

—Jasper... – a voz embargada pela preocupação o paralisou. —Jasper, não sei o que esta acontecendo com você, meu filho, mas por favor, não cometa nenhuma loucura! – as palavras de Carlisle deixaram Jasper ainda mais inflamado. Agora, andava de um lado para o outro do quarto, gritando para pessoas que estavam do outro lado da porta.

—Filho, ouça o seu pai... Não machuque seu irmão ou a Bella. – a voz de Esme tomou a frente estava completamente desesperada. —Por favor, se acalme... Fale conosco, nós vamos te ajudar querido.

Finalmente, Jasper atendeu ao telefone do outro lado do cômodo. Por um segundo, tive a esperança de que estava tudo terminado. Certamente Carlisle e Esme conseguiriam controlar o filho!

—Eu não quero a ajuda de vocês! – disse alto completamente raivoso. —Só quero acabar com isso logo...

—Não se precipite, Jasper. – Carlisle voltou a pedir. —Não haja por impulso, não faça nenhuma loucura. – implorou.

—Não farei nenhuma loucura, já esta tudo planejado... planejo esse momento desde que chegaram com Edward em casa. – ele cuspiu a resposta. —Eu vou acabar com o filhinho de vocês! – proferiu palavra por palavra antes de bater o telefone no gancho.

O desespero aumentou dentro mim quando ele se virou e caminhou em nossa direção. Os olhos possuídos pela raiva.

—Deixe-a ir, Jasper. Faça o que quiser comigo, mas deixe Bella ir... – Edward pediu mais uma vez estava suplicando.

Jasper intercalou os olhos entre nós dois e abriu um sorrisinho maquiavélico.

—Sinto muito, há poupei Melissa.

A paranoia unida a dor começava a turvar o meu raciocínio ao perceber que Edward estava, não sabia como, ainda sob controle, lúcido, que estava tentando me salvar, tentando que Jasper me deixasse ir embora antes que sucumbisse à loucura. Me deixar livre antes do clímax sangrento e traumático que nós tínhamos certeza que chegaria. Mas não queria a liberdade, não por aquele preço. Minha obrigação era cuidar de Edward e não deixar que ficasse à mercê daquele alucinado. Qualquer que fosse a estratégia que Edward estava usando não era a certa.

—O assunto é comigo, Jasper. – Edward provocou. —Não deixe Bella atrapalhar seu momento de vingança. Vamos fazer isso de homem para homem.

O ar faltou em meus pulmões assim que percebi a hesitação de Jasper.

As duras batidas na porta nos sobressaltaram.

—Jasper o quarto está cercado. Acho melhor repensar no que está fazendo ou as coisas ficarão feias para você! – reconheci a voz de Emmet no mesmo segundo e senti um pouco de alívio.

Vi Jasper entrar em desespero e, apesar de sentir asco por ele, um rastro de dó me sensibilizou ao testemunhar a dor que ele sentia. Vi a confusão nos olhos claros ao perceber que estava cercado.

De repente, consegui soltar as mãos. E soube que, se não fizesse algo naquele instante, não iriam escapar com vida. Me levantei em um impulso e corri para o outro lado do quarto, onde Jasper estava, de costas, e o derrubei no chão.

A dor veio em seguida ao bater minha cabeça no chão, mas não me abalei. Apenas sentia a tensão nas mãos de Jasper enquanto tentava imobilizá-lo.

Ouvi o barulho de tiros e então um grito, meu próprio grito, que me atordoou ao ver Edward caindo no chão.

Não podia fazer nada para socorrê-lo, além de continuar segurando os punhos de Jasper por cima da cabeça, sem deixá-lo escapar. Não o larguei nem quando ouvi a porta sendo arrombada, nem quando meus colegas invadiram o quarto e finalmente tomaram o controle da situação.

Fiquei presa a Jasper, mesmo depois que Mike me segurou nos ombros e disse que estava tudo acabado, que tudo ia ficar bem.

Eu só o larguei quando tudo a minha volta ficou turvo, as vozes ficaram confusas até sumirem e desfaleci inconsciente, um remédio eficaz para dor do corpo e da alma.

Notas finais
Capitulo tenso hahahaha No próximo teremos mais explicações, vocês vão ver que tudo vai fazer sentido! Espero que tenham gostado... Nos vemos ❤❤❤❤❤