Refém da Paixão
34 De volta para Casa
Notas iniciais
—Está tudo bem. – o rosto de Mike olhando fixamente para mim era familiar, mas ao mesmo tempo estranho, e me esforcei para conseguir encontrar o foco, tentando descobrir onde estava, mas em vão.
—Eu levei um tiro? – minha voz saiu fraca e a pontada que senti na cabeça me fez contrair os lábios.
—Não. – Mike balançou a cabeça. —Você desmaiou. Levou umas pancadas violentas na cabeça e o médico disse que vai ficar um pouco confusa por enquanto. Mas, fora isso, não tem nada com que se preocupar. – ele sorriu tentando me passar algum conforto, contudo, a inquietação gritou dentro de mim assim que os flashes do ocorrido foram voltando.
—Onde está o Edward? – minha voz falhou. Morria de medo da resposta que poderia receber. Porém queria saber, assim mesmo. Senti o pânico domar meu corpo ao lembrar dos tiros que ouvi e, pior ainda, o barulho do corpo de Edward caindo no chão, por detrás do meu.
—Ele está bem, ou pelo menos vai ficar em breve. Está levando alguns pontos e vai tomar alguns remédios...
—Ele foi baleado! – minha voz tremulou juntamente do meu corpo.
—Não. – Mike soou irritado. —Foi uma bala de raspão, mal arranhou o braço dele.
Aquilo não me convenceu nem um pouco. Precisava vê-lo com meus próprios olhos para garantir que tudo estava bem. Só assim ficaria mais tranquila.
—Achei que fosse perder você, Bella. – Mike atraiu minha atenção ao apertar minha mão.
—Você já me perdeu há um tempo, Mike. – respondi com certa ironia desvencilhando minha mão da sua.
—Bella... – Mike balançou a cabeça. —Você está exausta, passou por um momento difícil, em poucos dias...
—Não se iluda. – o interrompi. —Não existe a menor chance de voltarmos a ficar juntos. Eu amo o Edward e nós vamos ter um filho juntos. – vi o choque surgir em sua face, mas não me importei, já era hora de Mike entender de uma vez por todas que não existia a menos possibilidade de reatarmos.
—O que?
—Isso mesmo que você ouviu. – rolei os olhos um tanto quanto impaciente. —Agora, pode por favor chamar o meu noivo? Quero vê-lo.
—Ele está bem. – Mike respondeu com certo desdém. —Já disse que foi apenas uma bala de raspão...
—Ele tem razão. – a voz grossa com o sotaque inconfundível ressoou pelo quarto e, mesmo vestindo a camisa manchada de sangue, Edward continuava irresistível. Mesmo com o nariz machucado e manchas roxas pelo rosto ele continuava lindo.
O alívio varreu a angústia para longe assim que ele se aproximou. Tratei de observar cada pedacinho do seu corpo só para garantir que ele estava bem, na medida do possível, é claro.
Forcei o corpo para me levantar, mas Edward rapidamente me impediu ao assumir o lugar de Mike ao lado da maca onde eu estava deitada.
—Você já pode ir. – Edward proferiu entredentes a Mike.
Um clima tenso se formou na sala, mas não tive interesse em acompanhar a batalha que os dois travaram nos olhos, só precisava me certificar que Edward não estava gravemente ferido.
—Bella? – desviei os olhos de Edward quando Mike chamou. —Quer que eu saia?
Ao meu lado, Edward rolou os olhos e bufou alto. A impaciente estava nítida em seus olhos peculiares.
—Por favor, Mike. Quero ficar a sós com Edward. – tomei cuidado para não ser indelicada demais, e vi um sorriso vitorioso aparecer nos lábios de Edward enquanto Mike caminhava para fora da sala em plena frustração. —Você está bem? – por mais que estivesse olhando-o e não tivesse encontrado nenhum ferimentos grave, precisava fazer aquela pergunta.
—Sim. – sorriu com o canto dos lábios. —Graças à você. – seus dedos correram por meu rosto e ele se abaixou para poder beijar minha testa. —Você se arriscou demais por mim...
—Era minha obrigação te defender. E mesmo que não fosse, jamais deixaria que fizessem mal ao homem que eu amo. – aquilo era um fato incontestável para mim e pareceu convencer Edward. —O que aconteceu com Jasper? – perguntei tentando levantar a cabeça.
Apesar de tudo o que armara, Jasper era claramente um homem doente e precisava de ajuda. Apesar do ódio exagerado e do comportamento lamentável, ele era irmão de Edward, que torceu a face em uma careta diante a minha pergunta.
— Preso. É o mínimo que ele merece. – respondeu com amargura abaixando os olhos até nossas mãos que estavam entrelaçadas. —Nunca pensei que meu próprio irmão estaria por trás de tudo isso...
—Eu sinto muito. – era tudo o que eu poderia lhe dizer naquele momento. —Sei que está passando por um momento difícil, mas acho que Jasper não está gozando de suas plenas capacidades mentais.
—Meus pais pensam o mesmo. – soltou o ar pela boca voltando a me olhar nos olhos. —Só quero que ele pague pelo o que fez, independente de como. Quero que ele pague.
Ergui minha mão livre para acariciar seu rosto inchado pelas agressões de Jasper. Nos dois suspiramos juntos.
Depois de todo aquele pesadelo, aquelas ameaças e atentados, tudo tinha acabado... Felizmente Edward não havia sofrido danos intensos. Felizmente ele estava a salvo.
—Então acabou? – a pergunta escapou pela minha boca antes mesmo que eu pudesse processá-la melhor.
—O que? – seus olhos demonstraram certo conflito.
—Nosso namoro de mentira... Acabou?
Edward soltou um riso baixo, mas muito sincero. Se abaixou e beijou meu rosto algumas vezes antes de me olhar ternamente.
—O de mentira sim. – concordou colocando meu cabelo atrás da minha orelha. —Já posso me despedir da Isabella Swan, a designer de joias, para focar nessa mulher incrivelmente forte que salvou a minha vida.
Suas palavras foram tão carinhosas e sinceras que foi impossível não me emocionar. Enquanto olhava, um rápido flash de todos os acontecimentos dos últimos meses passaram por minha mente em um filme rápido e muito nostálgico.
—Obrigado por tudo que fez por mim. – a voz aveludada de Edward me despertou da bolha. —Principalmente por ter aparecido na minha vida. Não sei o que seria de mim sem você.
—Desde quando você é tão romântico? – estreitei os olhos sentindo minhas bochechas queimarem e meu coração bater mais rápido.
—Engraçadinha! – rolou os olhos enquanto ria da minha pergunta. —Eu te amo. – seus dedos voltaram a acariciar meu rosto. —Eu te amo muito.
—Eu também te amo. – minhas palavras saíram mescladas a um suspiro. —Muito. – completei girando a cabeça para poder beijar sua mão que tocava meu rosto. —Como está o nosso bebê? Não aconteceu nada...
—Não, meu amor. – me interrompeu calmamente. —Nosso filho está bem, pode ficar tranquila. – soltei o ar pela boca um tanto quanto aliviada quando ele me transparecer sinceridade. —Aparentemente ele é tão forte quanto a mãe. – me lançou uma piscadela.
—E a Mel?
—Também está ótima e doida para vir te ver. – não contive o sorriso, tudo o que eu mais queria era ver minha menina.
Três batidas na porta romperam a bolha que Edward e eu entramos. Virei a cabeça com cuidado a tempo de ver a silhueta de Emmet aparecer no quarto.
—Posso entrar? – perguntou parado na porta.
—Sim. – Edward e eu respondemos em uníssono.
Emmet se aproximou calmamente após trancar a porta, o semblante estava um tanto quanto aliviado.
—Como você está, Bella?
—Com um pouco de dor, mas bem.
Não sabia o quanto Jasper tinha machucado minha cabeça, mas a mesma se encontrava pesada e extremamente dolorida.
—Que bom, tenho certeza que logo estará cem por cento! – sorriu ao final das palavras. —Estamos muito orgulhosos de você.
—Eu não fiz nada demais. – dei de ombros. —Não me lembro direito o que aconteceu, mas sei que não fiz nada de mais.
Edward voltou a rolar os olhos e a bufar era claro que ele não concordava comigo, assim como Emmet.
—Fez sim. Se não fosse por você, Jasper teria matado Edward. – um arrepio ruim correu toda minha coluna diante aquela hipótese horrorosa. —Ele estava pronto para acabar com a vida de Edward.
Voltei meus olhos para Edward e vi seus ombros pesarem. Sabia que ele estava digerindo a informação e por mais que quisesse se mostrar forte, estava bastante abalado.
—Sabíamos que vocês estavam correndo perigo, mesmo antes de ligarem. Alice conseguiu escapar do quarto que estava dividindo com ele e veio até mim.
Alice!
—Como Alice está? – meus batimentos aceleraram quando pensei o quanto minha amiga deveria estar traumatizada.
—Melhorando. Jasper feriu os pulsos dela e a prendeu, tentou matá-la da forma mais covarde possível. – aquilo me deixou horrorizada. —Mas ela conseguiu escapar e agora está de observação.
—Meu Deus! – foi a única coisa que conseguiu dizer naquele momento.
—Esta tudo bem agora, amor. – Edward proferiu tentando me tranquilizar.
—Estávamos ligando para vocês para avisar e pedindo reforço, quando Edward ligou. – Emmet continuou quando pedi. —Mas felizmente tudo terminou bem. Na medida do possível, mas bem.
—E James? E Erick?
—Presos. – Emmet respondeu de imediato. —James estava tentando sair do país quando foi encontrado e o Erick continuava trabalhando normalmente em Miami.
A raiva explodiu dentro de mim.
Como ele pode nos trair assim?
Matara Jessica friamente e jogara sujo por nossas costas o tempo todo.
—Sua sorte é que ele não contou a Jasper sobre sua identidade. – encarei Emmet sem entender, aquele era um ponto que me deixava bastante confusa. —Pelo o que ele disse, não queria que nada de ruim acontecesse com você.
Rolei os olhos. Como podia ser tão incoerente e mau-caráter?
—O que importa é que tudo está bem! – Edward quebrou o silêncio em tom calmo. —Bella está bem, Alice, eu...
—Sim, é isso que importa. – Emmet concordou. —Agora vai ter suas tão sonhadas férias!
Foi impossível não rir diante a fala de Emmet. Depois de todos aqueles meses de pura aflição e angústia, era até estranho pensar que estava livre daquilo.
—E quando voltar, você vai ser promovida. – garantiu com um sorriso grande o qual correspondi.
No entanto, depois de todos os acontecimentos das últimas horas, não sabia se iria querer voltar. No momento, tinha coisas mais importantes para pensar, como Edward e nossos filhos.
A medição forte para dor me fez dormir pouco tempo depois que Emmet deixou o quarto, e unida ao cansaço que sentia, me fez ter um sono pesado e profundo.
Quando acordei, Edward ainda estava do meu lado, mas já usava roupas limpas e os ferimentos receberam curativos.
Fiquei verdadeiramente surpresa ao ver que haviam me transferido para outro quarto, este era maior e mais aconchegante, e haviam vários arranjos de rosas brancas espalhados pelos aparadores, juntamente de alguns balões coloridos com desejo de melhoras.
—Quando vou poder sair daqui? Não aguento mais ficar deitada nesse cama. – lamuriei de olhos em Edward que não deu muita moral a minha fala.
—Assim que o doutor garantir que está tudo bem. – respondeu com paciência.
—Tenha paciência, querida. – a voz de Esme atraiu minha atenção. —Estamos aguardando os resultados da ressonância. – sua mão afagou a minha e rapidamente retribuí o sorriso que ela me lançara.
Mesmo com o mundo ruindo abaixo de seus pés, ela fizera questão de me visitar para garantir que tudo estava bem comigo e com o bebê.
Esme sempre fora uma querida!
—Nunca gostei de hospitais. – confessei em meio a um suspiro recostando a cabeça no travesseio fofo.
Por mais que aquele quarto fosse aconchegante e luxuoso, não deixava de ser um quarto de hospital... E tudo o que eu mais queria era sair dali para poder descansar de verdade.
Batidas na porta ecoaram pelo quarto atraindo a atenção de nós três, Edward caminhou até a porta e quando a abriu, revelou a figura alta de Carlisle. Ele não estava sozinho, trazia Melissa nos braços e Rosalia o seguia de perto.
—Tia Bella! – Mel abriu um sorriso largo assim que me viu.
Estiquei os braços para recebe-la e Carlisle a deixou em meu colo com cuidado. Fechei os olhos ao receber seu abraço tão amoroso e sincero.
—Fiquei com saudade! – suspirou se afastando para me olhar.
—Eu também estava com muita saudade, meu amor. – afaguei seu rostinho redondo tirando com cuidado a franja que cobria seus olhinhos peculiares. —Você está bem?
—Sim, e você?
—Estou ótima. – respondi abrindo ainda mais o sorriso.
—Ela estava doida para vir te ver. – Carlisle comentou parando ao lado de Esme.
—Eu disse a Bella. – Esme sorriu ao nos olhar. —Trouxe o cartão que fizemos mais cedo?
Melissa abriu ainda mais o sorriso ao afirmar com a cabeça para a pergunta que a avó fizera. Ela estendeu a mãozinha para Rosalie que prontamente lhe entregara o papel branco.
—Fiz para você, para te ajudar a melhorar. – disse ao me dar o cartão.
Encarei a folha alva onde ela havia desenhado com seus traços infantis a nós duas. Havia alguns corações de diversos tamanhos e cores.
—Meu Deus, que lindo! – senti meu coração inflar de amor. —Eu amei, princesa. Obrigada. – inclinei a cabeça para poder beijar sua bochecha rosada.
Era incrível como ela havia conquistado meu coração em tão pouco tempo. Já a amava como se fosse minha filha e queria tê-la por perto o máximo de tempo possível.
—Bella, eu gostaria de te agradecer por tudo o que fez por meu filho. – Carlisle quebrou o silêncio, e quando o olhei, recebi um olhar extremamente grato. —Por tê-lo mantido em segurança e impedido que algo mais grave acontecesse com ele.
—Não precisa agradecer...
—Precisamos sim, Bella. – Esme me interrompeu com o mesmo tom doce de sempre. —Se não fosse por você, poderíamos estar chorando a perda de dois filhos agora.
Engoli a seco diante suas palavras, de soslaio, pude perceber o quão incomodado Edward estava com aquilo. Sabia que seria um processo, que levaria tempo até cair a fixa de que Jasper estava por trás de tudo aquilo.
—Eu também gostaria de agradecer. – Rosalie proferiu baixo, os olhos fixos no chão. —E aproveitar para pedir desculpas pelo modo que andei te tratando. – quando ela me encarou, pude ver o quão envergonhada estava. —Não estava muito bem comigo mesma, mas prometo que não vou ser mais aquela megera com você.
Aquilo realmente me surpreendera e tudo o que consegui fazer foi consentir com a cabeça. Sabia que Rosalie tinha um distúrbio sério e que não vinha tratando-o, mas pensava que sua implicância comigo ia além...
Soltei o ar pela boca resolvendo colocar uma pedra em cima do passado. Talvez ela mudasse comigo e talvez pudéssemos ser amigas.
—Vocês não precisam me agradecer. – proferi acariciando o cabelo de Mel que estava bastante entretida com o curativo em meu braço. —No começo, era meu dever proteger o Edward, mas depois... – prendi o ar nos pulmões virando o rosto para olhá-lo.
Seus olhos peculiares me receberam com amor, o sorriso nasceu em nossas bocas ao mesmo tempo.
—Depois eu me apaixonei e jamais deixaria que algo ruim acontecesse com ele. – completei em meio a um suspiro.
—Fico muito feliz por vocês. – Esme sorriu. —Principalmente porque... Já posso contar? – parou e nos encarou com receio.
Edward e eu nos entreolhamos rapidamente antes de assentir com a cabeça.
—Contar o que? – Rosalie não escondeu a curiosidade.
—Eu estou grávida. – respondi com certa timidez. —Edward e eu vamos ter um filho.
Vi a alegria tomar conta dos Cullen presentes ali na sala. Carlisle e Rosalie abraçaram Edward e depois me cumprimentaram com cuidado por conta da fragilidade da minha cabeça. Rosalie, se mostrara um tanto quanto sem jeito ao me felicitar pelo bebê, e me senti igualmente envergonhada.
Era difícil encará-la com bons olhos, mas iria tentar.
—Ouviu só, Mel? – Edward se aproximou para falar com a filha. —Você vai ter um irmão.
—Um irmão? – Melissa perguntou encarando o pai. —Eu vou ter um irmãozinho? – seus olhinhos brilhosos e peculiares intercalaram-se entre o pai e eu.
—Ou uma irmãzinha. – proferi correndo a mão por seu cabelo macio.
Melissa se mostrou o retrato perfeito da felicidade quando lhe dei a opção de ganhar uma irmã. O sorriso cresceu em seus lábios e o brilho aumentou em seus olhos.
Vê-la daquela maneira só fez com que eu me sentisse mais contente. Tudo finalmente estava se encaixando e podia sentir a paz voltando para a minha vida aos poucos.
A reunião em meu quarto fora interrompida quando o médico aparecera com os resultados dos meus exames. Felizmente nada grave havia acontecido e pude finalmente sair do hospital.
Voltar para aquele hotel fez com que todas as lembranças que achava ter perdido retornarem. Era estranho relembrar o ocorrido, não conseguia me ver na primeira pessoa e sim como um “leitor” que observava tudo de fora.
—Já pegou todas as suas coisas? – a pergunta de Edward me fez sair daqueles pensamentos compulsivos. Olhei-o após manear a cabeça e concordei com um aceno sorrindo com o canto dos lábios. —Está tudo bem? – se aproximou após notar minha postura.
—Está. – soltei o ar pela boca quando ele agachou a minha frente. —Só é estranho voltar aqui... Comecei a me lembrar de tudo o que aconteceu e fiquei um pouco perdida.
Edward respirou fundo, contraiu os lábios por alguns segundos, mas logo suavizou a expressão. Erguendo uma das mãos, ele tocou meu rosto tomando o devido cuidado para não recostar nos ferimentos que Jasper provocara.
—Não fique pensando no que aconteceu. Não quero que fique remoendo aquilo. – pediu com a voz aveludada. —Tente focar no que vai acontecer quando voltarmos para Miami.
—O que vai acontecer quando voltarmos para Miami? – indaguei com os olhos cerrados, Edward abriu um pouco mais o sorriso.
—Vamos nos casar. – decretou. —Depois que eu pedir sua mão para a sua mãe.
—Uh, desde quando você virou esse cavalheiro a moda antiga? – brinquei fazendo-o rir alto.
—Não sei. – deu de ombros ao se levantar. —Acho que você despertou esse lado em mim. – ele me lançou uma piscadela e beijou minha testa carinhosamente.
Fechei os olhos ao receber o gesto amoroso, respirando fundo me deliciei com o aroma do seu perfume. A sensação de que tudo ficaria bem era tão boa quanto aquele perfume.
Edward se afastou ao tempo que bateram na nossa porta, e quando ele abriu, Alice apareceu timidamente na sala.
Ela não precisou uma palavra, seu olhar entristecido e sua postura acuada já diziam tudo. Quando se sentou ao meu lado, a puxei para um abraço no mesmo segundo. Eu tinha a mais absoluta certeza de que tudo aquilo tinha sido extremamente difícil para ela.
Edward seguiu para o quarto onde Melissa assistia a um filme, para nos dar mais privacidade, ele sabia que precisávamos ter uma conversa a sós.
—Como você está? – perguntei segurando suas mãos, sem deixar de reparar no curativo em seus pulsos.
Respirando fundo, ela deu de ombros.
—Um pouco assustada ainda, mas vou ficar bem. – o sorriso que abrira no final me fizera ter certeza que ela iria se reerguer. —E você?
—Me sinto do mesmo jeito. – soltei um suspiro longo. —O importante é que nada grave nos aconteceu....
—Sim. – concordou. —Eu sinto tanto por não ter percebido o que ele era, Bella... Talvez, se eu tivesse notado, tudo isso não teria acontecido.
—Alie, a culpa não é sua. – afaguei seus dedos. —Você é tão vítima quanto Edward. Não carregue esse peso em suas costas.
—Mas é assim que eu me sinto. – confessou com os ombros caídos. —Me relacionei com o cara por dois meses e como não notei a psicopatia em seus olhos?
—Porque ele estava acostumado a fingir ser o que não era. Enganou a todos... Enganou a própria família... Não era sua obrigação identificar esse perfil nele.
—Eu sei. – suspirou profundamente. —Mas é difícil não me sentir culpada.
—Tenho certeza que logo esse sentimento vai passar e você vai estar livre desse tormento. – ela concordou com a cabeça, mas não demonstrou muita certeza. —Você o viu depois de tudo o que aconteceu?
—Sim. E o que mais me feriu foi ver que ele não tem o menor arrependimento. Acho que se tivesse a chance, faria tudo novamente.
Engoli a seco diante seu relato, somente a ideia de passar por todo aquele tormento novamente me deixava tonta.
—Ele é doente. O ciúme que ele sentia o deixou doente. – proferi baixo me lembrando do quanto ele estava transtornado.
—Sim, ele é doente. – Alice concordou. —Mas não quero que isso influencie na justiça. Ele precisa pagar pelo o que fez.
—Ele vai pagar. – minha voz saíra firme. —Só lamento pelas pessoas que o amam...
—Sim. – Alice respirou fundo. —O que me acalenta é o fato de não ter me envolvido demais. Seria muito pior se eu estivesse apaixonada por ele...
—Quando você se apaixonar, vai ser pelo o homem mais maravilhoso do mundo, porque é isso que você merece. – e era exatamente aquilo que eu desejava a ela.
—Obrigada, amiga. – agradeceu me abraçando rapidamente. —Mudando de assunto, Emmet me contou a novidade. – o sorriso cresceu em seus lábios. —Como assim você descobre que está grávida e não me fala?
Encolhi os ombros sentindo meu rosto corar e a culpa pesar em meu peito. Alice era a minha melhor amiga, a irmã que a vida havia me dado, e não ter partilhado aquela notícia com ela me deixara realmente mal... Contudo, diante a atual situação, eu não podia assumir aquele risco. Não por ela, mas pelos outros.
Ela se mostrou verdadeiramente entendida quando lhe expliquei os meus motivos, principalmente porque a pessoa que procurávamos era praticamente o seu namorado. Foi realmente tranquilizante perceber que ela não havia ficado magoada.
—Eu estou muito feliz por você. Muito mesmo. – disse com extrema sinceridade. —Não só por estar gravida, mas também por ter encontrado o amor da sua vida.
Tomei fôlego pela boca enchendo meus pulmões com ar e contentamento. Eu também estava muito feliz, e era impossível esconder. Meus olhos reluziam, quase não conseguia deixar de sorrir... Apesar da decepção com Jasper, sentia que iriamos conseguir superar aquele percalço.
Dentro do avião que nos levaria de volta para casa tentei me conter um pouco. Sabia que todos ali estavam enfrentando um momento complicado e não queria ser indelicada.
—Jacob e Victória estão livres. – Edward me contou assim que se sentou na poltrona ao meu lado. —Preciso me desculpar com Victória... Deveria ter acreditado nela.
Sua postura arrependida me compadeceu de primeira. Não gostava de vê-lo daquele jeito, por mais que se mostrasse forte, sabia que Edward tinha sua fragilidade.
—Ela vai entender, amor. James plantou as provas contra ela, e além disso Victória também errou com você. – afaguei suas costas e apoiei o queixo em seu ombro. —Tudo vai ficar bem, você vai ver.
Edward me olhou e forçou um sorriso antes de beijar minha boca rapidamente.
—É... Espero que tudo fique bem. – proferiu de olhos nos pais que estavam sentados a nossa frente. Carlisle e Esme estavam completamente abalados, nem mesmo Melissa conseguia animá-los por completo.
—Tem alguma notícia do Jasper? – perguntei baixinho para que ninguém ouvisse.
—Sim, ele está voltando para Miami com a polícia... – Edward respondeu em meio a um suspiro pesado. —Emmet descobriu que ele estava seguindo o meu itinerário, comprando um funcionário em cada um dos hotéis onde eu ia me hospedar, uns dois meses antes da minha chegada. E quase sempre ele me seguia.
—Ele estava na Espanha? – franzi a testa.
—E em Nova York. – Edward fez que sim com a cabeça. —E, para minha vergonha, eu nem o vi. Não dei a devida atenção que isso merecia.
Nós dois respiramos fundo plenamente amargurados. Era muita obsessão para uma pessoa só.
—Estive conversando com um psiquiatra sobre ele.
—E?
—Ele acredita que há traços de psicopatia em Jasper, mas só pode confirmar depois que o ver pessoalmente. – respondeu com o timbre ameno. —Pode ser que ele tenha algum distúrbio também... Enfim, vamos ver.
Soltei o ar pela boca abraçando-o pelo ombro. Aquela era uma situação extremamente difícil. Jasper merecia a condenação mais severa que a justiça poderia oferecer, mas aquilo era tão difícil para Edward e sua família...
Nós caímos em um silêncio profundo após o encerramento daquele assunto. As vezes o silêncio era a opção mais agradável!
O cansaço das ultimas horas ainda existia dentro de mim, e caí no sono durante a hora de voo que nos levara de volta a Miami. Despertei com Edward prendendo os cintos em mim quando o avião ia pousar no solo, já em casa.
—Chegamos. – Edward proferiu com um sorriso, afagando meu rosto com os dedos.
—Finalmente. – respondi me espreguiçando.
Olhando pela janela, já podia ver os jardins e o horizonte conhecido. Aquilo me trouxa uma paz e leveza indescritível.
Estávamos em casa, finalmente!
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