Reencontrar
17 Capítulo 17
Novamente ele estava sem camisa. Meu coração acelerou.
- Você precisa aprender a parar de ficar sem camisa na minha frente. Um dia desses você ainda me mata do coração. –falei, dando uma leve risada.
- Safadinha você. Desde que você chegou, você mudou tanto. – ele falou.
- Nunca mudei, sempre fui a mesma. Mas sempre tive medo de vocês não me aceitarem. – falei.
Tom e eu fomos até a piscina. Estava calor. Tom me jogou na piscina, mesmo de roupa. Tirei minha camisa e fiquei apenas de sutiã e short. Tom entrou logo após isso. Ele estrava apenas de samba canção.
Ele pegou o cigarro e acendeu. Ficamos ali, fumando nosso cigarro e conversando.
- Você fazia o que no Brasil? – ele perguntou.
- Apenas estudava. Tinha alguns amigos, mas não muitos. A maioria das pessoas que me conheceram no colégio me odiavam porque eu sou diferente. – respondi.
- diferente? – ele perguntou.
- Sim, estilo diferente, gosto musical diferente, prioridade diferentes. Entende? – respondi.
- Entendo. Com Bill também era assim. – Tom falou. – desde sempre.
*Lembrança*
- Menino, por que você está chorando? –perguntei.
- Nada. – ele me respondeu.
- Se não fosse nada, você não estaria isolado e chorando na escola. – respondi.
Eu achava aquele menino estranho, mas ele estava triste e eu odiava ver as pessoas tristes.
- As pessoas me ignoram e não gostam de mim só porque eu sou diferente. –ele respondeu.
- Eu não te acho diferente. Você é igual a mim. –respondi.
- Sim, mas eu não gosto das mesmas musicas que esses meninos, não gosto das mesmas garotas, dos esportes e não tenho o mesmo ideal que eles. –o menino respondeu.
- Eu entendo. Mas você não pode deixar que te façam chorar. –falei.
- Mas ele me zoam e me isolam. Ele me dão boladas no rosto de propósito. Isso magoa. – menino falou.
- Eu sei como é. Mas só por isso você vai deixar que eles faça isso? Mostre que você é melhor, o que de fato é. Eles são idiotas. Não deixe que eles te deixem assim. – falei.
- Bill, o que houve? Você estava chorando? – um outro menino se aproximava. – Você fez meu irmão chorar, menina?
- Não, Tom, foram os meninos da escola. Ela só me ajudou.
*Fim da lembrança*
Foi assim que eu os conheci. E depois disso ficamos mais amigos. Aqueles meninos eram tão fofos, não os vira desde que foram embora.
Eu estava perdida em meus devaneios novamente.
- Yuuki? Você está muito distraída hoje. — Tom falou.
- Desculpe. Onde estávamos? – perguntei.
- Eu estava dizendo que meu irmão também foi rejeitado na escola. – Tom falou.
- Sim. É tão ruim ser rejeitado na escola. Isso acaba com a gente. Nos deixa triste e sem esperança. – falei.
Eu sabia muito bem como era aquilo. Mas isso não vem ao caso. Tom e eu ficamos ali, conversando, nadando e fumando nosso cigarro. Começou esfriar, a noite chegara. Seria uma noite fria. Tom e eu dormimos juntos àquela noite.
O Final de semana passou. A segunda-feira chegara, as aulas começariam naquele dia. Me levantei e fui até a cozinha preparar meu café.
- Você está aqui ainda? – perguntei ao me deparar com Tom fazendo café na cozinha.
- Ah, não te contei. Meu trabalho era apenas durante o recesso. Eu não poderei trabalhar o dia todo e depois ainda ir para a faculdade. – ele respondeu.
- Nem acredito que as aulas começam hoje. Passou tão rápido esse mês. E amanhã eu começo as aulas com Bill, não é? – falei.
- É, muito rápido. Na verdade, desde que você chegou, tudo tem passado rápido. Você está ansiosa para as aulas com Bill? – Tom perguntou.
- Um pouco. Eu nunca dei aula para alguém. –falei.
Tomamos nosso café da manhã e cada um foi para seu banheiro tomar banho.
Após o banho, descemos e ficamos na sala assistindo televisão.
Tom se aproximou de mim e me abraçou. Ficamos tempos ali, abraçados em pleno silencio assistindo televisão. De vez em vez, Tom me beijava nos lábios. Ele sabia ser romântico quando queria.
- Tom – falei, me sentando um pouco distante dele – o que você fará com Gustav?
- O que quer que eu faça? – ele falou, um pouco nervoso.
- Não se estresse, é apenas uma perguntar. Eu quero dizer... vocês são amigos... Vão deixar uma menina separar vocês? – perguntei.
- Falando nisso. Com quem mais a Caroline traía meu irmão? – Tom quis saber.
- Ninguem que te interesse no momento. Não vou te deixar mais estressado ainda. –respondi.
Tom e eu não falamos mais nada sobre aquilo naquele dia. Eu sabia que Tom ficava chateado com esse assunto. Mas também sabia que cedo ou tarde, Tom teria que falar com Gustav sobre isso e também descobriria sobre Georg. Eu quis tanto poder apagar a memoria das pessoas naquele momento, fazê-los esquecer tudo o que acontecera e tudo o que fora dito.
Eu também estava chateada com Gustav pelo o que ele me dissera na ultima vez que me visitou. Eu era orgulhosa. Eu teria que falar com ele, ou não; mas eu o veria na faculdade, ele estava na minha sala.
Talvez, se eu conversasse com Daniele, ela fosse consolar Gustav e fazer com que ele esquecesse de Caroline. Aquela menina que me abordara e que eu odiara nas primeiras semanas se aula. Talvez eu falasse com Camila também e pedisse para que ela fosse conversar com Gustav também. – pensava.
- No que você está pensando? – Tom interrompeu o silencio.
- Em nada. –respondi.
Tom abaixou os olhos e focou em meu colar.
- Eu um dia quero saber o segredo desse colar. Você nunca o tira. –Tom falou
- Não é nada de mais. É apenas um colar que eu gosto muito. –falei.
Eu percebi que sempre que Tom via aquele colar em meu pescoço, ele perdia qualquer animação comigo, eu não sabia a razão.
A tarde passou e o momento de ir para a faculdade novamente chagara. Eu estava esperando aquilo há meses, eu sempre fora a nerd da turma.
Tom e eu fomos juntos para a faculdade. Todos os olhares nos fitavam, a novata com o popular. Os mesmos olhares de sempre.
Tomamos nossos caminhos para nossas salas. A minha era em um bloco e a dele era em outro.
- Yuuki! Como foram esses dias de férias? – Daniela me abordara assim que me sentara.
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