- Tumultuadas e ótimas. E as suas, querida? – Eu sempre respondia com ironia para aquela menina.

- Nada mal também. Você esteve com Gustav? – perguntou.

- Sim, por quê? – menina interesseira, pensei. Mas apenas respondi com educação.

- Porque eu falei para você ficar longe dele. – ela respondeu.

- Nossa, isso foi logo que entrei aqui. Você não manda em mim, eu falo com ele quando eu quero. – respondi. – Mas se quer culpar alguém por se aproximar muito do seu amado, culpe a Carol.

A sala estava lotada e todos focavam minha conversa com Daniela. Eu percebi aquilo e parei de falar, apenas disse que queria prestar atenção na aula.

Logo após isso, um dos mestres entrou na sala para começar com as cansativas matérias de literatura.

Gustav estava sentado ao meu lado, percebi. Eu não queria olhar para ele, não depois da cena que ele fizera na minha casa, me xingando do que lhe veio a cabeça.

- Yuuki! Hey, Yuuki! – Gustav me chamou.

- O que você quer, hein? – respondi impaciente.

- Me desculpe. – ele falou. – eu não queria dizer tudo aquilo.

- Por mim tanto faz. Mas as desculpas verdadeiras não devem ser para mim, você sabe disso! – respondi.

Dito isso, a aula começou e eu dei graças a Deus por ter começado, só para não precisar responder para Gustav.

A aula passou rápido. Alguns professores faltaram e acabamos não tendo as ultimas aulas. Eu estava ansiosa para começar as aulas com Bill. Pena que ele tinha webcam. Seria uma aula praticamente para o computador. Mas eu estava disposta.

Encontrei com Tom na saída da universidade, nos juntamos e fomos para casa. Gustav nos acompanhava logo atrás.

- Bill deve estar ansioso. – Tom falou.

- É, eu estou um pouco nervosa com isso de ter que ensiná-lo. –falei.

- Por quê? – Tom riu.

- Ora, eu nunca dei aula para ninguém na vida, tenho medo de não ser uma boa professora. – falei.

Tom segurou minha mão.

- Você vai se sair bem, eu acredito em você. Bill precisa de você. – Tom falou, me olhando nos olhos.

Paramos no meio do caminho, Tom me beijou. Depois, fomos, abraçados, de volta para nossa casa.

- Vou fazer o jantar para nós, vá tomar um banho, Yuuki. Temos que jantar e depois fazer a vídeo aula com Bill. – Tom falou.

- Há essa hora? – perguntei – não é muito tarde não?

- Como assim? – Tom perguntou.

- Na Alemanha tem esse lance de fuso horário e lá é mais tarde. Bill tem que descansar, melhor fazermos isso amanhã quando acordarmos. –recomendei.

Tom concordou.

Eu não sabia se estava preparada, eu sentia algo estranho quanto a dar aula para alguém. Aquilo estava me atormentando.

Subi para meu quarto tomar um banho enquanto Tom fazia o jantar.

Quando desci, o cheiro do jantar havia impregnado até a sala. Ele fizera uma lasanha maravilhosa, que só ele sabia fazer. Ele dizia que era receita de família.

Ele havia arrumado a mesa, com velas e tudo.

- O que é isso? – me admirei.

- Um jantar para nós dois. Sem interrupções, sem pessoas desagradáveis, sem a Carol para vir atormentar. – Tom respondeu.

- Nossa, que fofo! –falei.

Tom sorriu e mexeu aquele piercing no lábio inferior. Aquilo era excitante. Tom gesticulou para que eu me sentasse, eu me aproximei e ele puxou minha cadeira para que eu pudesse me sentar. Puro cavalheirismo, algo que, desde que conhecera Tom, não pensava que ele fosse capaz de ser.

Como estávamos tentando não beber, a única coisa que havia era suco. Nada de bebidas com álcool.

O jantar foi rolando e o clima foi ficando cada vez mais agradável. Tom parecia tão carinhoso, tão fofo e amoroso. Eu nunca pensara que ele seria capaz de ser daquele jeito. O Tom que eu conhecera há sete meses me parecera tão machista, era de se admirar aquela atitude que ele estava tendo no jantar.

- Isso tudo é por eu dar aula ao seu irmão? – desconfiei.

— Não, meu amor! Eu só queria surpreender você. – ele respondeu.

A resposta me deixou mais surpresa ainda. Apenas concordei com a cabeça.

Após o jantar, permanecemos sentados, conversando.

- E como foi sua aula hoje? – Tom perguntou.

- Alguns professores faltaram, Daniela veio me provocar perguntando como foram as férias e Gustav insiste em uma reaproximação para me pedir desculpas. – respondi. – e suas aulas, como foram?

- Cansativas, mas muito produtivas. Meus professores foram todos. Não houve nenhum infortúnio como no seu caso. Exceto Georg que tentou falar comigo, mas acabou não falando, não sei a razão. Acho que ele está nervoso comigo pelo barraco com Gustav. – Tom respondeu.

Eu sabia que não era por aquele motivo. EU sabia que Georg estava sem coragem de olhar para Tom e ele descobrir que Georg também ajudava Carol a trair Bill.

- É, deve ser. – menti.

- Yuuki, acho que já somos muito próximos. Eu gostaria de fazer uma pergunta sobre algo que me intriga. – Tom falou, olhando para meus olhos.

- Sim? – respondi.

- Esse colar, você nunca tira no pescoço...

- É, ele é importante para mim.

- Por quê?

- Foi um amigo que me deu antes de partir, há muito tempo. Nem vale a pena ficar lembrando, mas eu gosto do colar. – respondi.

- Entendo. Mas você não acha que ás vezes é bom deixar o passado para trás e esquecer estas coisas?

- Sim, mas é apenas um colar meu amor! Não há problemas. – respondi.

Eu nunca tiraria aquele colar, por mais que eu nunca mais visse o menino que me dera aquilo. Era meu, a única coisa que me ligava àquele menino que eu sempre amei.

*LEMBRANÇA*

- Este colar é muito bonito, Bill, onde conseguiu? – perguntei.

- Foi um presente do meu padrasto. É muito bonito mesmo.

O menino colocou a mão no colar e olhou, orgulhoso com o elogio que recebera.

- O seu também é muito legal, Yuuki. – ele falou.

- Obrigada. Eu mesma fiz.

- Você é tão talentosa! É admirável.

Eu ri.

- Se um dia eu tiver que me desfazer deste colar, eu darei ele a você. Eu adoro este colar, sabe Yuuki, mas eu daria de bom grado a você porque você é importante para mim e eu gostaria de ver algo valioso meu em você. – Ele falou.

- Você é fofo. Principalmente comigo. Eu as vezes não entendo. Acho que gosto de você... mamãe diz que é apenas coisa de criança, de amigo. Talvez seja mesmo...

O menino fez uma cara estranha, meio triste e de inconformismo. Colocou as mãos no colar novamente e me olhou nos olhos.

O silencio disse tudo o que precisava ser dito. Ficamos ali, contemplante o lugar onde estávamos, um do lado do outro, sem nada mais dizer.

*FIM DA LEMBRANÇA*

Notas finais
Ora, mas o destino é algo engraçado. As vezes não dá pra mudar...