Redenção - Um Novo Caminho
6 Capítulo 6 – Paz, até quando?
Notas iniciais
E lá estava ela, parada na porta olhando pra dentro, como se recordasse cada centímetro daquele lugar, como se cada peça da sala lhe desse boas vindas. Fiquei no arco do corredor olhando pra ela. Estava vestindo uma blusa (que um dia foi) branca, uma calça camuflada rasgada nos joelhos e estava cheia de arranhões e cortes leves por todo o corpo, o que me fez pensar que, nos mais graves, ela já tinha dado um jeito. Sorria. Ela parecia mais forte... muito mais forte.
- Finalmente! Perdeu o rumo de casa foi?
Só então ela pareceu me notar. Pude ler em seus lábios meu nome sendo sussurrado sem emitir um som. Ela largou as malas e foi em minha direção, me abraçando e aninhando a cabeça em meu peito. Sorri e retribuí o abraço, beijando seus cabelos. Senti seu perfume mais uma vez, um misto de Jasmim e Dama-da-Noite, meio oleoso, mas devia ser por causa do suor. Respirei fundo várias vezes, me embriagando de seu cheiro. Ela riu e olhou pra mim me dando um selinho demorado.
- Desculpa a demora? Tava treinando... – ela sorriu – Tava com saudades de você sabia?
- Eu também. – dei um beijo mais demorado, apertando ela um pouco contra mim. Depois de alguns segundos nos separamos – E então? Novidades?
Ela riu, se afastou e pegou as malas, que rapidamente retirei de suas mãos, fazendo-a rir e rumar pro quarto. Ela parecia eufórica, ia andando e falando rápido.
- O Dark tem me treinado e eu estou progredindo rápido! Já consigo dominar minha sede, já quase consigo me transformar completamente em vampira. – Ela riu – devia ter visto ele quando disse que eu seria uma vampira muito difícil de vencer.
Deixei as malas perto da cama e ela estava de costas pra mim, contando cada detalhe do treinamento. Eu sorria. Estava embriagado com a presença dela. Foi quando, movido sei lá pelo quê, me aproximei dela e a abracei por trás, rodeando sua barriga com minhas mãos e apertando seu corpo contra o meu levemente, colando nossos corpos.
Ela tremeu de um jeito que eu achei que ela estivesse doente. Ela então segurou minhas mãos e pendeu a cabeça pra trás, apoiando-a em meu ombro.
- Seu doido!
- Que foi? Não gostou?
- Não! – ela ruborizou e olhou pra frente, mas sem soltar minhas mãos — Eu adoro seu toque, só... me assustei um pouco com isso... só.
Ri disso. Usando meus poderes, curei todos aqueles pequenos ferimentos e a apertei um pouco mais. Ela riu e apertou minhas mãos.
- Não tenho a menor vontade de te largar sabia? – perguntei rindo.
- E quem foi que falou pra você largar? – Ela respondeu rindo também, mas senti um leve tremor em seu corpo.
Essa resposta me deixou um pouco desconcertado. Senti um arrepio percorrendo meu corpo e olhei pra ela, observando seus cabelos, a suavidade de seu corpo. Não sei o que me deu, mas afastei seu cabelo e beijei sua nuca por alguns segundos e depois arranhei de leve sua pele com meus dentes. Dessa vez ela tremeu tão violentamente que, se eu não a estivesse segurando ela teria caído. A ajudei a firmar e a coloquei sentada na cama, me sentando ao lado dela. Ela olhava pra mim com um misto de desejo e medo.
- A-acho melhor e-e-eu tomar um b-b-banho frrrrrio. – ela riu da própria gagueira – Um banho beeeem frio.
Sorri e disse que a esperaria na sala com algo pra ela comer. Dei-lhe um beijo na boca mais demorado e um na testa e saí, fechando a porta. Fui em direção à cozinha e peguei algo que havia feito no almoço e comecei a esquentar. Quando Ela chegou à cozinha a mesa já estava posta com arroz, feijão com pele, frango assado(meio frango na verdade...),salada e duas jarras de suco de uva. Não servi vinho, pois não confiava no que os efeitos do álcool pudessem fazer. Ela sorriu e me deu um beijo.
- Você sempre com algo diferente.
Rimos e ela se sentou e começou a se servir. Vê-la comendo foi muito bom pra mim, pois significava que ela ainda conservava sua humanidade. Ela comia e contava o que havia acontecido em seus meses de treinos. Mas ela mais comia que falava, parecia ter sido uma viagem bem longa e ela estava com muita fome. Olhei pra ela e sorri, lembrando de tudo que vivemos juntos. De tudo que eu havia passado por ela e ao lado dela. Me lembrei do irmão dela e fiquei meio desconcertado. Sabia que Dark a teria levado pra enfrentá-lo ou curá-lo. E me dividia pela vontade de perguntar isso a ela, e a prudência de deixar ela decidir quando seria melhor pra ela falar isso. Afinal, ela sequer tinha tocado no nome do irmão desde que chegara. Mas minha dúvida deve ter transparecido em meu rosto, pois ela parou de comer e segurou minha mão.
- Fala.
- Hã? O que...?
- Você quer dizer alguma coisa não quer? Pode falar.
Eu sorri meio amarelo e desviei o olhar pro chão. Era impressionante como ela me conhecia.
- Só estava pensando no seu irmão. O Tenshi.
No mesmo momento ela soltou minha mão e votou a comer com cara de quem havia sido mortalmente ofendida.
- Eu não tenho mais irmão Garlock! O Tenshi morreu!
- Hã!? – me espantei. Tenshi morto? — Como assim ele morreu??!?
- Ele se tornou uma fera assassina! – Ela havia parado de comer e segurava a faca de um jeito ameaçador. Seus olhos ficaram vermelhos e seus caninos haviam crescido – Um demônio sem alma! Um monstro! Pra mim Tenshi morreu! Meu irmão não existe mais! – Foi nesse momento que uma aura negra começou a emanar dela. Ela realmente estava possessa.
- Tá, tá! Desculpa! Não ta mais aqui quem falou! – Tá certo que havia acabado de dar um fim no Thanatos, mas eu preferia mais cem rounds com ele do que enfrentar Yumi uma única vez possessa do jeito que estava.
Ela olhou pra mim respirando rápido. Então ela foi fechando os olhos que voltavam à cor normal e apoiou a cabeça nas mãos.
- Desculpa Garlock. Só estou furiosa pelo o quê aquele maníaco fez. Ele..... mudou... Está além de qualquer cura... Além de qualquer salvação. – nesse momento ela olhou pra mim, segurou minha mão e sorriu – Obrigada.
- Pelo quê?
Ela me puxou, me fazendo ficar de pé e me abraçou pela cintura, apoiando a cabeça em minha barriga. Eu retribuí e acariciava sua cabeça.
- Por ainda estar comigo. Ainda me amar depois de tudo que eu te disse. Depois de tudo...
Sorri e a apertei um pouco. Olhei pra ela e me ajoelhei de frente pra ela.
- Eu te amo. Sempre te amei. E não importa quanto tempo passe, eu ainda vou te amar. Você é tudo pra mim Yumi. Tudo.
Ficamos assim por vários minutos, até que ela se soltou e voltou a comer e eu me sentei a observando. Depois que ela terminou, servi uma sobremesa pra ela que ela aceitou bem. Enquanto comia o pavê, perguntou o que eu e Ryu havíamos aprontado em sua ausência. Sorri e contei o que fizemos com o Thanatos e ela engasgou. Exigiu detalhes e sorria muito com essa vitória. Depois da sobremesa eu recolhi as vasilhas sujas e fui pra cozinha pra lavar tudo. Ela fez questão de me ajudar, apesar de eu poder ver que ela estava pingando de sono.
Já eram duas da madrugada quando ela se deitou na cama e me chamou pra ficar do lado dela. Eu fiquei meio constrangido, mas fechei a porta do quarto e me sentei, apoiando as costas na cabeceira e ela deitou a cabeça em minhas pernas. Acariciei seus cabelos mais uma vez. Pareciam fios de seda.
- Isso é um sonho... Só pode ser.
Ela riu e me puxou, me fazendo deitar. Então ela me beijou. Um beijo demorado, quente, carinhoso. Sorriu e deitou a cabeça em meu peito.
- Se for um sonho não me acorda.
Rimos, e ela olhou pra mim. Acariciei seu rosto e a beijei, sentindo um arrepio na espinha ao sentir que ela correspondia o beijo e que nossas línguas dançavam dentro de nossas bocas. Ela acariciava meu peito e eu a apertava contra mim, num abraço carinhoso. Depois de uns minutos, ela riu e deitou novamente a cabeça em meu peito. Começou a dizer algo enquanto eu a acariciava, mas adormeceu logo, sem nem terminar a frase. Eu sorri e fechei os olhos, adormecendo segundos depois. Afinal, ambos estávamos exaustos e sabíamos que, de agora e diante, teríamos muito tempo pra ficarmos juntos.
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No dia seguinte, acordei meio tarde e não vi Yumi do meu lado. Me sentei na cama como se estivesse pegando fogo. Será que ela havia partido de novo? Mas eu ouvi sua voz na cozinha e as vozes de Ryu e Layla. Sorri e fui ao banheiro escovar os dentes e lavar a cara. Ao sair do quarto, pensando no que Yumi poderia estar preparando para o café da manhã, senti uma energia negra muito forte do lado de fora do escudo. Desconfiado, saí de casa e, ao me deparar com o que vi fiquei sem fala. Hypnus me olhava de fora do portão. Corri até ele e, ao chegar perto, pude ver seu olhar frio e mortal.
- Olá Garlock.
- Hypnus! Onde estava?
- Em Albion. Me tornando um deus das trevas. Enquanto isso...pelo que soube... você matava meu pai.
Fiquei em choque ao ouvir isso. Ele sabia do Thanatos?
- Hypnus. Thanatos não era seu pai. Era só mais um monstro.
- Mas ele ia sempre a Albion me treinar pessoalmente Garlock. Ele me contou a verdade. Disse que nossa mãe se deitou com ele por que quis, ele apenas flertava com ela.
- É MENTIRA! – não! Da boca de Hipnus eu não aceitaria esse ultraje – RETIRE O QUE DISSE AGORA MESMO!
- Garlock! Eu sei que é difícil de aceitar! Mas pense! Nossa mãe era muito poderosa, como ela poderia fazer isso contra a vontade?
- ELE ERA UM DEUS MERDA! O DEUS DA MORTE, MAS MESMO ASSIM UM DEUS! O QUE ERA IMPOSSÍVEL PRA ELE?
Nesse momento Yumi saiu na porta e ele a viu. Olhou pra ela, pra mim e desviou o olhar.
- Morphius está vindo. Quando ele chegar, nem mesmo a mística poderá salvar você. Pode dizer o que quiser Garlock, mas ele era meu pai e uma parte de seu poder está em mim agora. Outras duas estão com Morphius e Carrau. Como já disse há anos atrás, nós rejeitamos nossa família, não temos mais nada a nos ligar. – ele sorriu de um jeito sinistro que lembrou muito Thanatos – Espero que da próxima vez que nos vermos você não sofra muito. Adeus Garlock
Ele se virou e Yumi correu pra perto de mim segurando meu braço. Assim como ela, eu havia acabado de perder um irmão. O que mais me chocou foi a notícia de que Carrau era filho de Thanatos. Olhei pro portão vazio, e além dele, pras ruas da cidade que, de hoje em diante não seriam mais seguras...
Minha paz já havia acabado.
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N.A: Essa é a casa da Yumi. Só para os curiosos:
PS: Tem mais quintal dos lados, mas eu só fiz o essencial pra ocupar menos espaço.
Notas finais
Próximo capítulo: Tenebra Furor
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