Redenção - Um Novo Caminho

7 Capítulo 7 – Tenebra Furor


Notas iniciais
"A cada dia a sombra se adensa. E a cada noite o lobo uiva mais alto, revelando que a luz ainda vai chegar novamente." Contém cenas picantes. Cuidado ao ler.

Dois dias haviam se passado desde a visita de Hypnus, e lá estava eu, deitado, olhando o teto e ainda considerando as palavras dele. Estava preocupado, mas mesmo assim, um pouco aliviado. Ryu continuava extasiado com o que fizemos e atazanava a Layla sempre que podia. Sorri ao lembrar da última brincadeira dele que lhe havia rendido um olho roxo.Era boa essa paz que não tínhamos a tempos... mas ao mesmo tempo era tão opressora... pois nossa paz dependia única e exclusivamente da barreira protetora que envolvia a casa.

Tirando a minha cabeça de meus pensamentos, ouvi a voz de Yumi na sala e me levantei. Sorrateiro, me esgueirando pelo corredor e tentando não fazer nenhum ruído, cheguei até o arco que dava pra sala. Ela estava de costas e eu me arrastei para trás do sofá, dando uma olhadinha por cima do mesmo. Me diverti com isso, como se eu fosse um lobo caçando. Ri internamente do trocadilho involuntário. Devagar, me aproximei dela por trás e a abracei, erguendo-a e rodando, fazendo ela gritar de susto por um segundo e então rir enquanto eu a colocava no chão e dava um beijo em seu pescoço, o que a fez suspirar. Ela então riu e se aconchegou em meu abraço.

- Bom dia dorminhoco! A Layla e o Ryu já saíram, ta com fome?

- Eu estou, o que temos pra um lobo faminto?

Ela riu e se virou. Mas quando olhou em meus olhos, senti um arrepio percorrendo minha espinha. Havia desejo naquele olhar. Tanto que me fez sentir medo. Ela parou de rir e seu sorriso foi minguando, enquanto eu a abraçava, estreitando seu corpo em meus braços, escorregando minhas mãos por suas costas, enquanto ela deslizava as dela pelos meus braços e, fechando os olhos, deixava escapar um suspiro pela boca que tremeu levemente. Essa visão, junto com o toque de suas mãos, mexeu comigo. Suas mãos já escorregavam pelos meus ombros, enquanto eu suspirava, e aproximava meu rosto do dela, beijando sua testa, seus olhos, seu nariz e, finalmente, com um pouco de ansiedade, sua boca, sentindo seu corpo estremecer e o meu arrepiar enquanto nossas línguas começaram a dança dentro de nossas bocas. Senti uma de suas mãos se agarrando a meus cabelos, enquanto a outra me segurava pela cintura e eu fazia o mesmo, entrelaçando meus dedos em seus cabelos, a puxando para mim, deslizando minha mão em suas costas, desde sua cintura, deixando-a entrar em sua blusa, roçado meus dedos em sua pele de seda, sentindo-a pela primeira vez.

Ela soltou um gemido rouco e arqueou o corpo pra trás, colando nossos corpos da cintura pra baixo. Eu a segurei, enquanto ela mordia o lábio e me olhava de uma maneira que me fez engolir em seco. Ela se aproximou, acariciou meu rosto e começou a me beijar devagar. Depois escorregou seus lábios pelo meu pescoço e eu sentia arrepios a cada segundo.

Foi quando senti uma dor fina e um prazer repentino. Senti seus dentes se cravando em meu pescoço e meu sangue sendo sugado e escorria lentamente. Sorri e fechei os olhos, segurando a cabeça dela contra meu pescoço. Ela devia estar faminta.

Segundos depois senti os efeitos da perda de sangue e, gentilmente a afastei do meu pescoço, usando meus poderes lupinos pra regenerar o sangue perdido e fechar a ferida. Foi só então que ela pareceu perceber o que fizera e se assustou.

- GARLOCK!! Desculpa!! Eu...!!

Eu a silenciei com um beijo terno e a puxei pra mim. Depois de uns segundos a encarei nos olhos e sorri.

- Não se preocupa. Sou imune esqueceu? E até prefiro que você venha a mim do que pensar que você saiu por aí com sede.

Rimos e nos sentamos no sofá, onde ela apoiou a cabeça em meu ombro e eu comecei a acariciar seus cabelos.

Nesse momento, porém, minha barriga roncou alto e forte, assustando a nós dois, e me deixando vermelho como um tomate. Ela começou a gargalhar e se levantou, me puxando pela mão.

- Vem, deixa eu preparar uma coisa pra você antes que esse “alien” ruja de novo.

Rimos e em poucos minutos eu comia algo na cozinha enquanto ela me observava, assim como eu fizera há três dias quando ela chegou. Ela sorria, aprecia feliz. Mas eu... quando olhava pra ela, lembrava de cada momento de sofrimento que passei para mantê-la segura. Cada momento de lutas para afastar qualquer perigo. Sabia que essa paz que experimentávamos era uma paz flutuante, uma paz que poderia acabar na próxima hora. Parei de comer por alguns segundos e fiquei sério. Ela parou de sorrir e olhou pra mim preocupada.

- Garlock?

Me levantei e ela se assustou um pouco. Olhei nos olhos dela. Não podia permitir que ela sofresse. Não podia sequer pensar nisso. Me virei pra sair.

- Vou treinar. Não consigo ficar parado sabendo que Carrau pode atacar daqui a um segundo. Não posso e nem vou deixar você em perigo novamente. Vou tentar encontrar o Ryu pra treinarmos juntos.

Mas quando pensei em me mover, senti que ela me abraçava por trás. Senti meu coração parar por um segundo enquanto sentia suas mãos me apertarem. Sua voz estava embargada e senti em minhas costas algo molhado escorrendo lentamente e desconfiei seriamente que ela chorava.

- Faz isso amanhã...

- Yumi...

- Me escuta! – ela parecia desesperada – Hoje não. Amanhã você acorda cedo e sai pra treinar, leva o Ryu, e fica o dia todo treinando. Mas hoje... – ela começou a chorar abertamente – Hoje não! Por favor! Só por hoje, vamos fingir que não existe perigo, que não somos perseguidos! Por favor Garlock! – senti suas unhas se cravando em meu peito de uma maneira dolorosa. É, ela estava desesperada. Me puxou me virando e pude ver seus olhos vermelhos de choro e engoli em seco- Fica comigo hoje... O dia todo... – Me olhou nos olhos de uma maneira que algo parou na minha garganta – Por favor.

Se existe um homem nesse mundo que consiga resistir a isso, eu ainda não o conheci. Suas palavras, seu jeito... tudo nela me imploravam pra que ficasse. A abracei e apertei contra mim. Senti que meu peito apertava como se alguém estivesse apertando meu coração.

- Eu fico. Por você eu fico...

Ela me abraçou forte e cravou as unhas em minhas costas. Sinceramente ela tinha que perder essa mania... Ela soluçava um pouco, então a segurei nos braços e a ergui, carregando-a.

- Vem. Vou te levar pro quarto. Tá precisando relaxar um pouco.

Ela apenas acenou que sim com a cabeça e eu a levei pro quarto, depositando-a na cama e me sentando do outro lado, recostando na cabeceira. A puxei delicadamente e ela deitou sua cabeça em minhas pernas, ainda chorando um pouco. Comecei a acariciar seus cabelos, entrelaçando meus dedos em meio a eles. Ela parecia se acalmar e, depois de alguns minutos ela parecia ter adormecido. Sorri e pensei em me levantar, pra deixar ela dormir tranquila, mas ela segurou minha perna e me puxou, fazendo eu deitar e pousou a cabeça em meu peito.

- Eu te amo Garlock. — ela começou a acariciar meu peito, o que me fez arrepiar um pouco – Eu sei que vamos ter que enfrentar essa briga juntos um dia... Eu sei que tenho que enfrentar essa escuridão um dia... mas até lá... – ela olhou pra mim e sorriu – Até lá eu quero passar cada segundo com você.

Ela se deitou parcialmente sobre mim, se esticou um pouco e, passando sua mão em meu rosto, me beijou. Eu segurei sua mão e retribuí o beijo, a abraçando e puxando um pouco pra ela não ficar tão esticada, mas ela se deitou sobre mim, sem interromper o beijo e colocando as duas mãos, uma em cada lado do meu rosto, enquanto eu a segurava pela cintura.

Depois de uns segundos nos olhamos nos olhos e, ambos, ruborizamos. Então aconteceu. Foi como se algo despertasse dentro de nós. Como se nossos corpos se comunicassem sem que precisássemos falar. Ela se sentou parcialmente e começou a acariciar meu peito, enquanto eu subia minhas mãos e retirava, lentamente, sua blusa. Ela se aproximou e nos beijamos de novo. Um beijo mais sedento, mais carente, mais ardente. Minhas mãos acariciavam suas costas enquanto subiam, arranhando de leve e ela rodeava minha cabeça com suas mãos. Podia ouvir alguns gemidos roucos escapando durante o beijo, mas não podia dizer com certeza quais eram os dela e quais eram os meus. Me arrepiava ao sentir o desejo dela por mim e por saber que era correspondido. Estava ofegante, sentia seu corpo no meu e, ao terminar de tirar sua blusa, ela se sentou novamente sobre mim.

Foi a visão mais bela da minha vida. Uma visão que ansiei muito tempo pra ver. Sua pele alva, meio queimada pelo sol, se revelava em toda sua beleza. Seus cabelos caíam ondulantes pelos seus ombros, mas deixavam à vista seus seios, redondos, lisos. Minhas mãos, instintivamente, se moveram até eles acariciando-os. Ela fechou os olhos e mordeu o lábio pra tentar evitar um gemido que insistiu em sair, meio abafado. Senti seu corpo se movendo sobre o meu, enquanto as mãos dela deslizavam sobre as minhas e ela fechava os olhos.

Toda aquela cena era inebriante pra mim. A puxei e, nos virando na cama, fiquei por cima dela, olhando em seus olhos por uns segundos e então a beijando com desejo, no que fui correspondido. Minha boca deslizou pelo seu pescoço, roçando de leve meus dentes em sua pele, fazendo-a gemer baixo. Beijei seu pescoço, seu ombro e comecei a descer pelo seu busto, beijando seus seios. Quando minha boca tocou o mamilo dela, seu corpo arqueou pra trás enquanto uma de minhas mãos deslizava pelo lado de seu corpo, arranhando levemente sua pele macia. A outra acariciava o outro seio dela, apertando-o de leve, brincando com seu mamilo, enquanto minha língua deslizava pelo outro, lambendo cada centímetro daquela pele perfeita.

Desci um pouco mais a cabeça, beijando sua barriga devagar, deslizando meus lábios por toda sua extensão, ouvindo cada gemido dela, cada arranco de seu corpo quando eu mordiscava sua pele, cada palavra desconexa que saía de seus lábios. Desci um pouco mais, beijando a linha de sua cintura, fazendo com que ela arqueasse o corpo de novo, batendo a pélvis em meu peito. Sorri e abri sua calça, desabotoando e baixando o zíper devagar. Suas mãos se entranharam em meus cabelos e ela deixou escapar um gemido alto, quase um grito, quando meus lábios a beijaram, ainda que por cima da calcinha.

Nesse momento a casa toda tremeu e uma explosão pôde ser ouvida do lado de fora. Ao mesmo tempo a porta da sala foi escancarada, provocando um barulho enorme e pudemos ouvir a voz de Ryu ecoando pela casa.

- GARLOCK!!!! TAMO FUDIDO!!!!!!

Yumi deu um salto da cama, vermelha como um tomate e pegou suas roupas correndo pro banheiro do quarto e se trancando lá, ao mesmo tempo em que Ryu entrava pelo quarto como um foguete e eu me erguia devagar. Tentando não transparecer a fúria assassina que me dominava naquele momento.

- GARLOCK!!! – ele parou de repente olhando pra mim e depois, pra um ponto mais abaixo da cintura – Er... atrapalhei alguma coisa?

Meu olhar pra ele foi tão significativo quanto uma arma apontada pra cabeça.

-Tá. Vem logo! Carrau e um outro cara tão atacando a casa! Vem logo!

CARRAU!! EU MATO ESSE DESGRAÇADO!!!! Fiz minhas espadas aparecerem num clarão de luz branca e acompanhei Ryu até lá fora, onde ruflamos nossas asas e nos erguemos indo em direção a Carrau e Hypnus. Nós os encaramos e Ryu partiu pra cima de Carrau, trocando golpes poderosos. Eu olhei pra Hypnus. Ele trajava uma armadura com um manto sobre os ombros. Meus olhos arderam de fúria e dor por ter que enfrentá-lo de novo. Nos atiramos um contra o outro e despejei uma rajada de golpes contra ele que desviava sem a menor dificuldade de todos eles. Depois de uns segundos, ele se desviou de uma estocada que desferi com a espada e me segurou pelo pescoço, se impulsionando para baixo, em direção à casa. Por um momento achei que ele tinha se esquecido de que não poderia atravessar a barreira. No segundo seguinte percebi que eu também não a atravessaria estando ligado a ele desse jeito. Minha teoria se provou verdadeira quando minhas costas fizeram contato com a barreira mística pela primeira vez e um choque percorreu todo meu corpo me fazendo gritar de dor. Era como se mil espadas elétricas me atravessassem ao mesmo tempo.

Ele me arremessou pra cima e veio em meu encalço. Podia sentir a aura de Thanatos nele. Podia sentir a fúria do pai dele, nele. Abri as asas e me atirei em direção a ele, desferindo um golpe que abriu um rombo na armadura dele, mas não causou dano algum. Quando me virei, senti que algo era arremessado em mim e me virei, segurando Ryu meio estropiado. Foi quando sentimos uma enorme rajada de energia vindo da esquerda e nos atingindoem cheio. Fomos arremessados no meio da rua e, depois de uns segundos de atordoamento, pudemos ver uma terceira silhueta pousando na frente da casa, junto com Carrau e Hypnus, que apontavam as mãos em nossa direção. Sua pele era morena, ele era careca e usava um sobretudo preto, assim como cada peça de roupa que ele usava. Os três disseram ao mesmo tempo:

- Tenebra Furor!

Nunca havia sentido algo assim. Era como se, num segundo, me levantasse pra me defender do golpe e, no segundo seguinte, o teto do meu quarto aparecesse à minha frente. Eu estava deitado no meu quarto, cheio de ataduras cobrindo cada parte do meu corpo. E antes que eu pudesse pensar em qualquer coisa, a voz de Layla ecoou no quarto.

- Mano! Graças a Deus você acordou! – ela parecia aflita retirando uma toalha úmida da minha testa – Yumi! Vem cá! Ele acordou!

Yumi veio correndo e entrou no quarto seguida por Ryu que também estava coberto de ataduras. Ambos pareciam aflitos e aliviados ao mesmo tempo.

- Como você está Garlock? – Yumi parecia que ia chorar a qualquer segundo.

- Estou confuso... quanto tempo fiquei desacordado?

Eles se entreolharam e Layla disse:

- Mano, você e Ryu receberam aquele ataque do Carrau e desmaiaram. Estavam muito fracos. O Ryu demorou três semanas pra acordar.... Você acabou de entrar na quinta semana.


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N.A: A partir de agora, vou colocar alguns desenhos que fiz dos personagens da fic... já vou avisando que tão uma porquera....

Primeiro, as três do garlock, na fase criança, adolescente e adulto, respectivamente.

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Notas finais
Quatro semanas desacordado!! Bem, é isso que se ganha ao lutar contra três semideuses.

Próximo capítulo: Os Mistérios de Ryuuku Kaien