Redenção - Um Novo Caminho
13 Capítulo 13 – Adaptação
- Vamos logo Ryu!
- Mas Garlock! Já estamos aqui a manhã toda e...
- Eu já peguei sete! Anda logo!
- É... sete de cinqüenta.... muito animador.
- Pára de reclamar e manda logo!
- Ok! Lá vai!
Percebi uma concentração de energia à minha frente e, usando a minha energia, percebi projéteis vindo em minha direção. Tinha que ser preciso. Se errasse um só seria acertado pelo resto. Usei minha energia pra formar uma luva em minha mão e comecei a segurar as esferas de energia. Uma, duas, três... Cada esfera que eu receptava era uma vitória. Seis, sete, oito, nove, dez!... mas a décima primeira escapou e me acertou a barriga. Eu sabia que a magia conjurada por Ryu não pararia até desferir cinqüenta tiros. E eles me acertaram. Como eu sabia que aconteceria. Fui lançado pra trás arfando. Ficamos assim a manhã toda, ele mandava as esferas e eu as apanhava... ou quase... Tinha que treinar meus outros sentidos pra me permitir sonhar com uma luta real contra Carrau. Eu sempre conheci guerreiros cegos e sempre ouvi os feitos deles. Alguns eram melhores que muitos guerreiros perfeitos. Eu sabia que isso não viria de graça, teria que treinar. Senti que alguém segurava meu ombro e me ajudava a levantar. Sorri ao ouvir a risada dele e aceitei que ele me erguesse. Ouvi seus passos enquanto eu me limpava. Ele ia sair da sala de treinos.
- Ei! Ryu! Espera!
- Não Garlock. Eu to faminto e sei que você ta com fome também. Vou fazer um almoço. Aproveita e toma um banho ok? A Yumi chega logo.
Suspirei e, tateando, achei a parede. Segui ela até achar a porta, saindo pro corredor e indo em direção ao quarto de Yumi. Sabia que o quarto dela dava de frente pro corredor e continuei até alcançá-lo. Pude ouvir um soluço quando passei pelo quarto da Layla. Ela não era de chorar. Suspirei e continuei minha caminhada. Ela não falara comigo ainda e Ryu dizia que ela estava muito abalada com isso. Nem podia imaginar minha irmã abalada. Ela era forte, destemida... Como ela podia...?
- POF –
- Kuso! – Caí sentado no chão massageando a testa. Acabei acertando a porta do quarto de Yumi. Tinha que me lembrar de deixar essa porta aberta... Entrei e me dirigi ao banheiro, amaldiçoando amargamente o baú de cobertores que, sem eu saber como, me acertou a canela me fazendo cair por cima dele. Me ergui segurando a cabeça e tateando até achar uma porta aberta... a do guarda-roupas. O Banheiro era do lado esquerdo, então...
- POF-
- Aie! Quem mudou o guarda-roupa de lugar?? – Não obtive resposta. Contornei o guarda-roupa e entrei no banheiro. Após fechar a porta, me certifiquei de onde estava o Box e entrei.
Comecei a pensar em como tudo era mais difícil agora. Era... estranho. Minhas mãos pegavam algo e eu quase podia ver o que era. Podia sentir a textura, o tamanho... quase podia ver...
Quase...
Suspirei e continuei meu banho. O que Yumi ia fazer quando me visse assim? Estava terminando meu banho quando me lembrei de algo crucial... eu não podia enxergar, como ia escolher uma roupa pra esperar por ela? Soltei um bufo, meio impaciente meio nervoso e terminei o banho, me sequei e me enrolei na toalha, saindo do Box e tateando até a porta do banheiro. Quando achei a maçaneta ouvi batidas.
- Garlock? Mano?
- Fala Layla.
- Eu... estava pensando... –Tinha um certo ar de tristeza na voz dela que não combinava com minha irmã risonha. Senti um nó na garganta quando a ouvi. – Você... quer que eu... prepare uma roupa pra você?
- C-claro Layla... Obrigado.
- Ah.. E Garlock... a gente acabou de receber um recado da Yumi. Ela só vem amanhã, parece que ela torceu o pé e ainda não ta bom pra ela andar.
- Ah.... OK... Obrigado Layla... Então me arruma só um Jeans e uma cueca tá?
- Tá...
Ela demorou alguns segundos pra me dizer que a roupa estava na cama. Legal... Ouvi uma porta batendo com um pouco mais de força que o necessário, talvez ela quisesse dizer que já havia saído... Saí do banheiro e, ainda tateando, comecei a contar os passos até a cama até que...
- PÁÁ –
- Ô Miséria! – Acertei o madeirame da cama com a canela... Acabei caindo sentado em cima da roupa. Soltei mais um palavrão e me vesti. Tateei em busca de um par de sapatos e achei um pé do meu coturno. Sabia que era ele por que só eu uso coturno nesse quarto. Comecei a tatear pelo chão e acertei a cabeça na parede. Isso tava ficando chato. Me sentei no chão, calçado com apenas um coturno e fique pensando. Eu realmente estava me arrebentando todo com coisas muito pequenas... Cada passo era uma topada, cada esquina uma surpresa, e eu nem conseguia pegar um pé de sapato do chão! Que droga! Nisso senti algo bater na parede do meu lado e cair no chão. Me assustei mas tateei pra ver o que era... Era o outro coturno. Mas... quem...?
- Taí seu coturno, satisfeito agora?
- Valeu Oni.
- Soube do que Carrau fez a você. Sinto muito.
- É... Pior que ele só precisa de mais seis meses pra restaurar o que eu quebrei dele. Depois disso... É guerra. E eu tenho que ficar bom de luta cega rápido!
- Garlock... – havia pesar na voz dele. Me ergui e ouvi ele suspirar. – Você não pode lutar assim...
- Eu sei que não! Eu só...
- Não! – Ele gritou e eu me assustei com isso – Garlock! Você... – Ele suspirou. Tive a impressão de ter notado certa dor nele – Não tem como nos ajudar mais Garlock! Acabou! Você não é mais um guerreiro! Não pra essa batalha!
- Mas... Onimura....
- Garlock. Sou seu irmão mais velho. E eu sei. Sei que não vai desistir... mas essa luta... essa guerra... Não é mais pra você... Deixe tudo conosco. Nós lutaremos agora.
Ouvi passos e a porta batendo... Agora sim... Eu podia entender a tristeza de Layla... Ela sabia disso... Provavelmente Ryu e Onimura estiveram conversando e ela ouviu. Me sentei na cama e lágrimas começaram a brotar, descer pelo meu rosto e percorrer seu caminho até o chão. Senti um certo cheiro de sangue também. Parece que minhas feridas ainda não estavam totalmente curadas. Suspirei e me ergui, caminhando pelo quarto, rodeando-o e tateando a parede e os móveis em busca da porta. Quando finalmente a encontrei e a abri, ouvi um grito de Layla e fechei um pouco a porta.
- Você disse O QUÊ!?!??!
- Só o obvio Layla! A verdade! Garlock não vai conseguir lutar contra Carrau só com seis meses de treinamento! Mesmo que ele treine todos os dias!
- Mas...!!! Ryu me ajuda aqui!
- Eu? Infelizmente mana o Oni ta certo. O Garlock lutou muito, agüentou muita coisa... mas.... ele não luta mais nessa guerra...
- NÃO DIZ ISSO!!!!
- LAYLA! – Onimura gritou tão alto que até eu assustei. – JÁ CHEGA! Garlock é um ótimo guerreiro! É fiel! Justo! Mas ele está cego! Quer mesmo que ele enfrente Carrau, Morphius e Hipnus, se mesmo enxergando ele não conseguiu? Me diz! E se ele for! Quem me garante que ele poderá lutar! Carrau vai fazer dele um brinquedo! Não Layla! Vamos treinar Yumi e você pra lutarem. Garlock não irá mais lutar nessa guerra!
Fiquei estático atrás da porta. Ouvi Layla gritar algo muito ofensivo pra Oni e Ryu. Ouvi seus passos no corredor e baixei a cabeça. Eu ia provar pra eles que eu ainda era Garlock Galahad! Ainda era um guerreiro de Imperia! E ainda era o pior pesadelo de Carrau! Saí do quarto e me dirigi à sala de treinos, tateando a parede. Lá, comecei a treinar e fiquei, por muito tempo, dentro daquela sala. Layla me chamou pra lanchar, Ryu me chamou pra jantar e depois pra dormir, mas eu não saí. Eu precisava daquilo. Treinei meus sentidos, minha energia me guiava, meus movimentos ainda eram os mesmos. Mas o erros eram invitáveis. Me cortei, me feri e me machuquei muito enquanto treinava. Era desgastante, mas eu precisava daquilo. Senti que um certo calor invadia a sala de treino e percebi que estava deitado no chão. Que horas eram? Eu devia ter dormido sem perceber enquanto treinava. Me ergui, meio dolorido por ter dormido no chão, e comecei a treinar novamente. Concentrei minha energia, me transformando em um imã gigante e atraindo vários objetos da sala até mim. Fui acertado por muitos deles até que consegui me desviar de um ou outro. Caí exausto no chão depois de algumas horas desse treino. Tinha várias dores pelo corpo por causa das pancadas e podia jurar que estava com muitos hematomas. Estava ajoelhado no chão quando ouvi passos atrás de mim. Eram passos macios, quase silenciosos, que só pude atribuir a Layla. Mas senti que alguém me abraçava por trás e me dava um beijo no rosto.
- Tava com saudades de você sabia?
Pela primeira vez senti medo ao ouvir a voz de Yumi. Um arrepio percorreu minha espinha e evitei virar pra ela. Apenas forjei um sorriso.
- Nem parece. Sumiu e nem mandou carta pra mim.
- Seu bobo! Quem sumiu foi você! Que idiotice foi essa de sair pra lutar e sumir por seis meses? Agora me conta o que aconteceu nesse tempo!
- Yumi... precisa saber de uma coisa antes... — Uma lágrima caía do meu rosto quando eu falei isso.
- O quê?
- Isso. – Me virei de uma vez arrancando a faixa dos olhos e pude ouvir um engasgo da parte dela. Eu estava com as pálpebras abertas. Então, depois de alguns segundos, as fechei e amarrei a faixa de novo. Senti suas mãos tocarem meus ombros.
- Me conta tudo. Agora!
Suspirei e comecei a contar o que havia acontecido desde que parti até aquele dia. Ficamos horas ali. Depois, ela me levou até o quarto onde tomei outro banho e ela me deitou, ficando ao meu lado por um tempo. Me senti, ainda mais, um inútil.
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Os dias se passaram, os treinos ainda aconteciam e minha percepção melhorava a cada dia. Eu já conseguia andar pela casa sem esbarrar em nada ( a não ser, claro, quando Ryu mudava algo de lugar de propósito). O Quintal ainda era um pouco desafiador, mas eu sempre ia lá e estava ensinando Ryu a podar as roseiras. Afinal eu não poderia fazer isso agora. Um mês havia se passado e eu ainda treinava todos os dias. Era desgastante, Mas eu precisava. Até Onimura se animou ao me ver. Disse que eu aprendia rápido e, com mais uns anos de prática poderia ser um ótimo lutador de novo... Mas que não lutaria na guerra contra Carrau mais.
Era isso que me desanimava. Toda noite eu dormia ao lado de Yumi. Toda noite eu sentia seu corpo ao lado do meu. Todo dia eu ouvia sua voz... mas não poderia... nunca mais.... ver o rosto dela... ver.... Nunca mais veria nada....
Me sentei na cama numa dessas noites... pensando. Minha testa franzida... Já havia me acostumado a ficar com a faixa sobre os olhos. Parecia mais natural que não tê-los... Era... como se eu conservasse a esperança de reaver meus olhos... Tateei ao meu lado até achar o corpo de Yumi. Passei a mão em seu braço e pude ouvir ela suspirar enquanto dormia. Pude ouvir o som da noite lá fora. Ouvir até mesmo as batidas de seu coração... Retirei a venda, abri as pálpebras. Eu sabia que não veria nada, mas minhas feridas precisavam de ar. Suspirei ao sentir a brisa salgada da noite me meu rosto. Me levantei e segui a brisa, dando a volta na cama e seguindo pra janela, apoiando as mãos no parapeito. Senti o frio da noite em meu rosto e virei o rosto pra cima, imaginando que lua seria que estava no céu.
- Hmmm.... Garlock...? O quê você.... huaaaaaaa ta fazendo aí?
- Nada amor.... só... refrescando o rosto.
Ouvi ela se levantar e senti sua mão na minha. Ela me abraçou pela cintura e senti seu rosto tocar o meu.
- Tava pensando no quê?
- Imaginando... que lua está no céu hoje...
- Lua cheia. – ouvi um soluço.
- Deve estar linda.
- Nem... nem imagina o quanto... – Yumi soluçou de novo. Ouvi ela escondendo um choro, tentando disfarçar de tosse... Baixei a cabeça e amarrei a venda de novo. Segurei seu pulso e sorri.
- Vamos... Temos que dormir. Amanhã é um novo e longo dia.
- É... É será mesmo.
Ouvi um riso meio forçado. Suspirei. Nos deitamos novamente e ela nos cobriu. Deitou-se de lado e eu a abracei por trás, encostando nossos corpos. Apesar de estarmos juntos... a tristeza impregnou essa casa até o interior dos tijolos. Até a massa entre eles. Tudo exalava tristeza. Tentei dormir. Mas as palavras de Carrau ainda ecoavam em minha mente... “manter você com ela... privando-o de tê-la... isso... isso sim faria você sofrer.” E realmente... ele agora me torturava mais do que todas as torturas que ele jamais efetuou em mim nos seis meses que passei lá. Um sonho começou em minha mente... e nesse sonho... eu via o rosto de Yumi novamente... Inconsciente... desejei que esse sonho nunca acabasse.
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N.a: Mais uma foto da família Garras e Lágrimas: Essa é outra da Yumi. (por favor me perdoem, mas essa ficou melhor que a outra... E NÃO! Não é pelo motivo que vocês estão pensando seus depravados!
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