Redenção Tomione
1 O plano de Hermione
Notas iniciais
Então da segunda vez vai ser ainda melhor.
Superando o meu orgulho só por vocês
Debby Bacellar
CAPÍTULO I
O Plano de Hermione
Hermione passeava freneticamente andando de um lado ao outro na frente de Harry deixando-o nervoso com aquele passo quase psicótico. Harry considerava todo aquele nervosismo um grande espetáculo da castanha. Era uma sandice. Era insanidade.
Ela continuamente correu os dedos pelo cabelo cor de mel emaranhado naquele momento e amarrado de forma despenteada. Seu lábio inferior estava inchado e rachado e seus dentes mordiam com freqüência a pele de seu lábio inferior num sinal claro de nervosismo. Seus pensamentos não destonavam de sua aparência. Sua atenção estava completamente focada em fazer Harry acreditar em seu plano. Ela não podia passar por isso sem ele.
— Isso vai funcionar Harry — ela tentou argumentar. — Tem que funcionar, ninguém na Terra conhece Lord Voldemort melhor do que ele mesmo. Nem mesmo você o conhece tão bem.
Harry apenas olhava para ela sentado no sofá vermelho do Salão Comunal da Grifinória, obviamente tentando entender toda a informação e aceitar os pensamentos da amiga, mas a confusão em seus olhos era evidente. Ele ainda não estava convencido e Hermione estava já havia usado todos os argumento possíveis. Infelizmente para o garoto, todos eles tinham uma coerência irritantemente racional.
O Salão Comunal estava felizmente tranqüilo, pois muitos alunos estavam passando o dia do lado de fora do castelo aproveitando o clima agradável e tentando desviar os pensamentos das catástrofes que aconteciam do lado de fora de Hogwarts.
Muitos dos outros alunos, inclusive Ron e Gina ainda estavam sendo embriagados pelo tempo adorável do lado de fora, curtindo o sol com seus outros dois irmãos, mas não demoraria muito para que eles saíssem em busca de seus melhores amigos. Ron já suspeitava das atitudes da castanha desde cedo e sobre os olhares tensos que ela e Harry trocavam e a castanha sabia que Ron iria questioná-la mais tarde.
Seu tempo estava se esgotando.
— Okay. Muito bem Hermione! — Harry disse de repente.
Hermione parou seu ritmo e olhou para ele. A esperança brilhando em seus olhos.
— Explique-me de novo como tudo será feito. — Hermione suspirou em frustração, mas Harry continuou. — Como você prepara essa poção e usa-a juntamente com esse feitiço. Como esse tal de Tempus absurdo retos funciona?
— Reto Tempus —, Hermione corrigiu. Ela já havia explicado duas vezes. Ou Harry estava sendo extremamente obtuso ou ele estava ganhando tempo para alguma coisa, provavelmente para o retorno de Rony. Mas Ron não poderia estar em seu plano, ainda não. Não até que a castanha tivesse Harry ao seu lado.
— Eu já lhe disse Harry. Venho estudando este feitiço já há algum tempo, desde que a professora Minerva permitiu-me o uso do vira-tempo em nosso terceiro ano. Comecei a olhar para a magia dos vira-tempos e descobri que são objetos enfeitiçados com uma determinada magia. Em meus estudos, aprendi sobre a magia Reto Tempus. Ela permite que uma coisa do passado possa se tornar...
— Possa se tornar uma coisa do presente. — Harry terminou a frase com uma onda de irritação e asco. — Entendi o que você disse. — o moreno respirou profundamente.
Hermione olhou para ele. Harry passou a mão pelo seu cabelo e então ele continuou.
— Então você acredita que essa magia é capaz de trazer de volta um ser humano do passado?
Hermione assentiu com a cabeça secamente.
— Se feito corretamente, e com as ferramentas certas, aí sim ela poderá ser capaz de efetuar tal fato.
— Então você acredita que trazer outro Voldemort até o presente, aquele que é mais jovem e apenas um pouco menos louco do que o que estamos enfrentando agora seria útil de alguma forma, mas eu realmente não consigo ver como isso iria funcionar. Hermione normalmente você está certa sobre muitas coisas, mas isso... — Harry parou, vendo como Hermione havia se sentido estupidamente desconfortável. Não parecia que ele iria junto com ela nessa tentativa tresloucada.
Ela decidiu tentar argumentar com ele uma última vez. A castanha sentou-se ao lado dele no sofá vermelho e olhou para dentro da lareira vazia.
— Todo mundo é impressionável na juventude Harry, quero dizer, é mais fácil de manipularmos, talvez essa não seja a palavra certa. Talvez a palavra correta seja de moldarmos. Mesmo homens como Voldemort que querem que as pessoas acreditem que eles são e sempre foram maus e que não precisam de ninguém em sua volta. Nós somos o que aprendemos a ser e em algum lugar ao longo do caminho Tom Riddle aprendeu a ser o monstro que ele é hoje. Mas Harry, algumas coisas podem ser diferentes. Os aprendizados podem mudar.
Ela podia sentir os olhos de Harry mirando-a furtivamente e ela esperava que ele finalmente entendesse o verdadeiro propósito de seu plano.
— Ninguém é inerentemente mau, — a castanha continuou falando em um sussurro. — O tipo de ódio que Voldemort possui hoje tinha que ter sido em grande parte provocado pelas condições em que ele cresceu. Ele era uma criança solitária e abandonada em um orfanato trouxa, enquanto a Segunda Guerra Mundial estourava em torno dele. Ele foi rejeitado pelas pessoas que deveriam amá-lo. Eu não estou desculpando ou justificando todas as coisas monstruosas que ele fez Harry, mas eu posso entender por que era tão fácil para ele escolher o caminho que ele escolheu. Mas nós podemos mudar tudo isso Harry. — ela disse isso em um sussurro, e, finalmente, virou um pouco para enfrentá-lo, para olhar nos olhos verdes e sinceros de seu melhor amigo. Ele parecia menos relutante agora, e pela primeira vez Hermione viu uma faísca de esperança. Ela iria usar aquele súbito momento em que Harry abaixara a guarda para lançar-lhe os argumentos que comprovavam que ela tinha razão.
— Podemos mostrar-lhe uma nova vida, uma vida onde ele não estaria sozinho, ou temido pelos trouxas sem saber, ou preso em um tempo onde a guerra e a imoralidade corriam soltas. Do que você me contou sobre seu passado, Tom Riddle já estava usando o nome de Voldemort, enquanto ele tinha apenas dezesseis anos, mas eu tenho certeza que isso foi usado principalmente como uma ferramenta para impressionar. Podemos mostrar a ele o verdadeiro terror de seu nome. O que isso causou no futuro. O que isso causou a nós. Nós poderíamos salvá-lo Harry. Ele poderia nos ajudar a lutar! Por que ele ficaria ao lado de um monstro que embora pareça imortal é mais desprovido de vida que um cadáver? Seus planos de imortalidade deram errado e poderíamos mostrar isso a ele. Ele ficaria do nosso lado.
Hermione estava ofegante. Sua certeza de que ela estava certa anuviou qualquer dúvida que possa ter atravessado sua mente. Este era o plano perfeito, a única solução.
— Eu acho que você pode estar supondo Hermione. — Harry disse calmamente. — E não podemos apenas supor que ele iria mudar. Pelas Barbas de Merlin, é do Voldemort que estamos falando. Não podemos apenas deixá-lo andando livremente ao redor do castelo, ou Merlin sabe onde mais, na suposição de que ele é capaz de mostrar qualquer tipo de decência humana.
Hermione caiu de volta no sofá esparramando-se tamanha a exaustão, mental que lhe consumia. Ela ainda tinha mais uma carta para jogar, no entanto, e iria esperar para usá-la. Aquele pensamento a machucava, mas ela não via outra solução. Ela esperaria que Harry falasse mais alguma coisa, mas temia que ele resolvesse dar um fim definitivo aquela ideia. Hermione colocaria sua última carta na mesa.
— E para não falar —, continuou Harry, — o fato de que nunca poderíamos ir longe com isso, não com Dumbledore aqui. Não há nenhuma maneira dele ele deixar Voldemort , em qualquer idade, andar por aí na sua escola, convivendo com o outros jovens impressionáveis Hermione, já que você gostou de usar essa palavra. Lembre-se que Tom Riddle foi o aluno mais persuasivo e manipulador que Hogwarts já teve.
Hermione realmente sorriu para isso. Ela sentiu orgulho ao ver que Harry estava ficando melhor em apresentar um argumento adequado. Ele ainda estava errado, no entanto.
— E o que você pretende fazer com os nossos amigos? Você realmente acha que Gina poderia estar na mesma sala que ele sem parecer a ponto de ter um ataque de pânico? Ou Ron aceitaria isso ou qualquer outra pessoa afetada por Lord Voldemort? Não. Você realmente acha que eu poderia agüentar isso? Sinto-me mal só de pensar em tê-lo perto de mim no lugar onde sempre me senti mais seguro.
Hermione balançou a cabeça suavemente, efetivamente cortando Harry o pensamento de Harry. Era hora de dizer-lhe sobre o Plano B. A sua ultima carta.
— Você realmente acredita que eu traria Tom Riddle até o presente, sem ter uma forma de mandá-lo de volta? — ela olhou para ele e viu com satisfação, quando um pouco de cor começou a surgir nas bochechas lívidas de Harry. Ele havia se tornado muito pálido durante toda a sua conversa.
— Eu entendo a ameaça que ele representa, e se houvesse qualquer sinal de que ele não está disposto a mudar, podemos enviá-lo de volta tão facilmente como poderíamos chamá-lo para o nosso tempo. E quanto a Dumbledore e aos outros... É verdade que muitos deles não iriam entender no início, mas Dumbledore aceitaria o meu plano, uma vez que ele o tenha ouvido. Poderíamos manter Tom em segredo para os outros. Um estudante de transferência não levantaria as sobrancelhas de muitos em suspeitas descabidas e temos a vantagem adicional de saber que Voldemort deixou poucos vestígios do seu passado. Muito poucos sabem como ele era como um adolescente. Ele seria simplesmente um novo aluno sob a proteção de Dumbledore e Hogwarts, e longe de quaisquer influências nocivas. Rony e Gina... Bem, eles saberiam, é claro, mas eles ficariam do nosso lado.
— Se você tem tanta certeza de que ficariam, então por que não dizer a eles agora? — Harry questionou-a —Por que contar só comigo?
— Porque Harry, você é minha prova de que isso vai funcionar e você é o único que eu posso realmente confiar com isso. — Harry olhou para a amiga completamente tomado de surpresa. Ela continuou.
— Você compartilhou uma vida semelhante à de Tom Riddle. Ambos ficaram sozinhos e foram deixados em companhia indesejável. Ambos aprenderam com a idade de onze anos que eram diferentes. Que eram bruxos. Ambos tiveram que se adaptar a uma nova vida e ambos fizeram de Hogwarts um lar. E ainda assim, mesmo que suas vidas sejam tão interligadas, você superou tudo negativo em sua vida. Você conseguiu se afastar de tudo isso com o coração quente e você continuará a ser uma das melhores pessoas que eu já conheci.
Hermione sorriu para Harry e um leve rubor coloriu suas bochechas. Ela continuou abrindo o seu coração para o amigo.
— Vocês são a prova de que as pessoas podem lutar contra as coisas que impedem eles, que os impedem de serem bons e morais, apesar da negatividade em suas vidas. Todo mundo merece a chance de provar-se, sim? Talvez nunca Tom Riddle teve essa chance e nós pode dar isso a ele agora. Ou, este plano irá falhar. — ela suspirou, não querendo aceitar isso sabendo que ela não tentaria nada sozinha. Ela não poderia.
— Pode ser tarde demais para Tom Riddle. E se for, então ele volta para o ponto de onde ele veio e encontramos outra maneira de derrotar Lord Voldemort. Mas nós nunca saberemos se não tentarmos.
Era isso. Ela não tinha mais nada para vender, para argumentar e para propor. Harry iria concordar ou ela teria que largar o plano e ver como seus amigos continuariam a sofrer com a força crescente de Voldemort.
O último pensamento foi simplesmente inaceitável.
Harry ficou em silêncio por muitos minutos. Eles olharam um para o outro em silêncio, seus brilhantes olhos verdes perfurando dela, até que os sons de pessoas se aproximando trouxeram uma resposta nele.
— Quando fazemos isso? — ele sussurrou.
A excitação percorria Hermione e ela soltou algo entre um pequeno grito e um suspiro de alívio. Ela teria beijado as bochechas de Harry, mas ela não achava que ele poderia lidar com mais surpresas naquela noite.
— Amanhã —, disse ela rapidamente. — Podemos fazer a magia à meia-noite no banheiro da Murta Que Geme. Ninguém nos ouvirá lá e nós podemos nos esgueirar por qualquer pessoa da patrulha usando o mapa do maroto. Vamos precisar de sua capa, lógico. Eu só preciso reunir mais alguns suprimentos e ingredientes, mas tudo estará pronto amanhã.
Ela podia ouvir as vozes agora. As pessoas estavam prestes a entrar na Sala Comunal. A voz de Rony estava entre a multidão que se aproximava e a castanha esperava que Harry fosse capaz de permanecer a expressão composta. Não seria seguro que Ron descobrisse agora. Ele iria arruinar o plano antes que ele sequer houvesse começado.
Tudo isso dependia dela ser capaz de trazer Tom sem Dumbledore descobrir primeiro. Se ele já sabia, então ele provavelmente não aceitaria e ela precisava ter todas as peças, no presente, antes que ela lhe falasse de seu plano.
— Muito bem, Harry. Não diga nada a ninguém.
Harry acenou com a cabeça fracamente.
— Encontre-me aqui amanhã à meia-noite. E lembre-se, temos um plano B. Tudo dará certo. Confie em mim.
Ela podia ouvir alguém dizendo a senha para a Mulher Gorda. Eles estavam entrando e Ron já estava chamando pelos seus nomes parecendo irritado.
— Eu confio em você. — Harry sussurrou.
Ela rapidamente agarrou a mão dele e deu-lhe um aperto antes que ela mesma tornasse seu rosto composto da melhor forma que pôde.
Em breve eles colocariam o plano em prática e logo eles iriam mudar o mundo para melhor. Hermione nunca tinha tido tamanha certeza em sua vida.
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