Notas iniciais
Bem, esse capítulo tá meio pesado, espero que vocês não se incomodem por isso. Finalmente vamos ter beijo/pegação nessa preola!!! Vocês pediram, eu obedeci! Aproveitem e boa leitura!

P.O.V. Clea:

Alguns dias se passaram. Para mim, parecia uma eternidade! O tempo era incalculável e indiferente neste lugar. Não havia noite, nem dia. O céu sempre era cinza e o silêncio predominava.

Desde o dia em que vim parar aqui, Loki decidiu aparecer para me perturbar. Debochava de mim, me açoitava e até mesmo abusava sexualmente. Todos os dias sofria uma tortura diferente.

Por mais que eu tentasse gritar, nenhum som era emitido. Bem como só via seu sorriso jocoso, sem ouvir sua risada malévola. Em pensamento, gritava e implorava por socorro. Todavia, parecia que não havia ninguém para me ouvir. Éramos somente meus pensamentos, minhas dores, minhas lágrimas, meu sofrimento e eu.

Hoje, como já estava se tornando costumeiro, Loki apareceu para me atormentar. Estava mais sádico que nunca e desta vez usou os poderes de Odin para transformar uma árvore petrificada em um ser vivo.

Ela enrolou os galhos em minhas pernas e me suspendeu no ar, de cabeça para baixo. O semblante de Loki era perverso e sua maldade sempre estava presente.

Naquele momento que senti suas mãos me despirem com gana, fechei meus olhos e deixei o choro escorrer livremente. Ele nunca se importava com isso. Minha mente se concentrou em uma pessoa que me faria sentir melhor: Doutor Estranho.

Ah, como eu queria que ele estivesse aqui. Gostaria de gritar, pedir sua ajuda, me redimir dos meus atos. Contudo, a mudez e obscuridade daquele lugar me impediriam.

“Strange... Por obséquio... Ajude-me!”— penso, como se ele pudesse me escutar.

Queria gritar. Queria chorar. Queria sair dali. Mas não posso. Essa é minha punição. Estou pagando pelos meus pecados!

P.O.V. Stephen Strange:

Passaram-se pelo menos três semanas que Clea havia ido embora. Thor e Banner estavam morando no Sanctum comigo, Wong e Wanda. Diariamente, tentávamos convencer a equipe do Capitão América e do Homem de Ferro de que precisávamos nos unir. Mas os dois lados estavam rígidos demais. Não queriam pender.

Até com o ressuscitado Coulson falei para ver se conseguia entrar na cabecinha de Tony Stark, que por sinal, não sabia que ele estava vivo e mesmo se surpreendendo com a notícia não lhe deu ouvidos. Levei-o até Rogers, que era um grande ídolo seu e nem assim o bandeiroso deixou o orgulho de lado.

Nem Wanda, nem Thor, nem Banner, nem eu. Nada conseguiria juntar novamente os Vingadores. Talvez se Clea estivesse aqui, as coisas fossem diferentes...

Aliás, corriqueiramente, tinha a impressão de ouvir sua voz, senti-la me chamando. E quando olhava ao meu redor, percebia que aquilo não passava de fruto da minha imaginação.

Eu deveria seguir em frente e esquecê-la. A mulher tentou me matar!

Neste momento, estávamos em reunião com a equipe do Capitão para novamente mostrarmos a ameaça de Loki e que a união dos Vingadores era necessária para o mundo ter paz.

Entretanto ele não nos ouvia. Curiosamente, desde o sumiço de Clea, a Terra vivia um remanso perturbador. Nenhuma criatura ou demônio místico sequer apareciam! Isso me incomodava.

Esse era o argumento de Steve.

— O mundo está calmo demais para termos uma nova guerra! – disse, referindo-se à batalha do aeroporto contra o bilionário.

— Por mim já chega! – Wanda se levanta e bate na mesa. – Essa briguinha de namorados entre o Stark e você já deu o que tinha que dar. Declarem-se logo, todos sabemos que vocês são gays!

Naquele instante, senti um orgulho enorme da minha cria. Wanda estava me fascinando cada vez mais, tanto pelos poderes, quanto pela personalidade. Mas algo me fez sentir uma enxaqueca muito forte.

Coloquei a cabeça entre as mãos e abaixei-a entre as pernas, gemendo de dor.

— Doutor Strange... O que está acontecendo? – o agente Barton, que estava sentado ao meu lado, apoiou as mãos em mim. – Doutor Strange...?

— AAAAAH! – gritei. Todos estavam muito próximos a mim. Tive de sair daquela parte do galpão.

Fui para a área de treinos, onde deixei Clea e Wanda lutando pela primeira vez.

Lá, finalmente entendi o que era a dor que eu sentia. Alguém estava se comunicando comigo por telepatia.

“Doutor Estranho, ajude-me. Por obséquio! Estou sofrendo...”— a voz falava com ar de choro. – “Tu podes me ouvir? Preciso de ti!”— logo, a reconheço como Clea.

Thor já estava atrás de mim, receoso.

— Preciso ir. Já volto! – avisei-o e sem que esperasse uma resposta, abri um portal e atravessei-o, chegando à dimensão silenciosa.

Ao colocar meus pés lá, sinto o frio me envolver. O lugar era solitário e sombrio.

Caminho vagarosamente, acompanhando a voz de Clea se aproximando. Finalmente, a avisto de longe.

Ela estava presa por uma árvore. Nua. Lamuriando.

Corro em sua direção e a me ver abre um sorriso de gratidão. Ouço-a murmurar algo como “obrigada Odin!”.

Noto várias marcas de violência espalhadas sobre sua pele alva. A criatura que a segurava era mística. Lanço um feitiço e a asgardiana cai sobre meu colo desajeitadamente.

Ela me abraça grata. Afago seus cabelos e observo o ambiente.

— Quem fez isso com você? – questiono.

— Não importa. Tire-me daqui antes que ele volte! – suplica.

Envolvo-a com o Manto da Levitação, a fim de protegê-la do frio e de possíveis ataques. Corremos para o portal e chegamos ao Sanctum.

— Venha, se vista! – carrego-a pelas escadas que dão no quarto onde ela dormia. Achei algumas roupas que Wanda e Christine haviam deixado lá.

— Preciso tomar banho primeiro. – pede e assinto.

Pega as peças com delicadeza e entra no banheiro.

[x]

Estava sentado na cama, encarando-a pentear os cabelos louros molhados.

— O que aconteceu, Clea? – chamo-a.

Ela me fita, séria. Aproxima-se e se senta ao meu lado, com os olhos marejados.

— Desde que cheguei à dimensão silenciosa, Loki ia para lá me torturar, espancar e violentar todos os dias. Até tentava pedir tua ajuda, mas tu não me ouvias.

— Eu te ouvia. – corrijo. – Mas achava que era da minha cabeça. Desculpe.

— Todo este tempo que estive lá pareceu uma eternidade. Fiquei aterrorizada. Não pelo Loki. Mas por morrer sozinha, sendo torturada e maltratada por ele. Sei que errei e nem sou merecedora de pôr meus pés novamente aqui, perdoe-me, todavia...

— Também senti sua falta... – interrompo-a. – Acho que está sendo dura demais consigo mesma. Por mais que tenha errado, se arrependeu. Isso mostra que tem um bom coração.

— Obrigada! – ela murmura e dá um pequeno sorriso. – Estou perdoada por ti?

— Está! – suspiro e me abraça contente. Sinto o cheiro de shampoo em seus cabelos. Poderia me drogar com ele!

Aos poucos, nos soltamos, mas permanecemos vidrados um no outro. Meu olhar fixa em seus lábios. Estreito o espaço entre nossos narizes, sentindo sua respiração ofegante e trêmula perto da minha boca.

Coloco minhas mãos marcadas pelas cicatrizes do acidente ao redor de seu rosto. Ela fecha os olhos e ergue um pouco o queixo.

Nossos lábios se tocam calmamente. Minha língua pede espaço. Ela dá uma pequena abertura, permitindo que a explore com delicadeza.

Seus braços envolvem meu pescoço e cintura, puxando-me para mais perto. Acaricio seus cabelos e coloco meu peso sobre seu corpo, fazendo-a tombar para trás.

Com minha robustez sobre ela, passeio minhas mãos por suas curvas, sentindo o desejo me consumir. De repente, me empurra para o lado e ralha:

— Não posso fazer isso!

— Desculpe... Eu apressei as coisas e...

— Não é isso! – interrompe-me.

Ergo meu torso e fito-a, ainda deitada.

— O que é então? – indago curioso.

— Quando fui punida por Odin a servir ao reino, deveria cozinhar, limpar, alimentar os animais, treinar com armas e raramente lutar em batalhas. – comenta. – Porém, sem o conhecimento do Pai de Todos e seu filho, Lady Sif resolveu se vingar de mim. Fui obrigada a me tornar uma meretriz. – seus olhos se enchem d’água novamente. – Todas as vezes que os asgardianos venciam os inimigos, eu era obrigada a me deitar com cada um dos guerreiros.

— E se você não quisesse? – retruco.

— Bem, no começo me recusava. Mas apanhei muito dos combatentes que já estavam bêbados. Bateram tão forte em minha cabeça que apaguei. Ao despertar, estava cercada por pelo menos cinquenta homens. Todos haviam abusado de mim. – comenta aos prantos.

— E por que você nunca contou ao Thor ou Odin?

— Porque Sif disse que se eu o fizesse, seria expulsa de Asgard. Forjaria o roubo da joia mais preciosa do reino, a Manopla do Infinito e me acusaria. Então, passei todos esses anos sendo forçada a homens que sequer conhecia. Minha intimidade foi tirada de mim.

— Sinto muito. – beijo sua testa, fazendo-a morder os lábios a fim de segurar o choro. – Isso que fiz foi involuntário. – ela consente. – Venha, preciso de sua ajuda para avisar aos Vingadores que Loki está solto e oferece risco a todos.

— Como vão confiar em minha palavra se tentei te matar? – pergunta, secando as lágrimas.

— Você está comigo. Eu confio em você. – sorrio e ela retribui. Ajudo-a a se sentar na cama. – Parece que Loki tirou seu bloqueio telepático, afinal, estou conseguindo ouvir todos os seus pensamentos. – rio pelo nariz.

Ela ri sem graça.

— Então, no que estou pensando, Doutor? – questiona, com um meio-sorriso.

— Que sou um gato e beijo bem. Obrigado! – gargalhamos. – Venha, vamos logo!

Crio um portal e o atravessamos, chegando à sala de reuniões, onde há pouco eu estava com os outros heróis.

— O QUE ESTA MULHER FAZ AQUI? – Thor interroga num tom de voz elevado.

Vamos ver se consigo barganhar com um asgardiano...

Notas finais
E aí, já sabem qual casal vocês shippam? Stephen e Clea ou Thor e Clea? Ou preferem Stephen e Wanda e Thor e Sif? Não deixem de comentar! Até mais ♥