Redenção
9 Coração bobo

P.O.V. Clea:
Após uma discussão enfadonha e esclarecimento do doutor, os Vingadores decidiram absolver-me, até mesmo Thor.
Resolvemos ir à dimensão silenciosa atacar Loki, porém, para isto, necessitaríamos de reforços. Uma diplomacia foi firmada com a equipe de Tony Stark, a qual acabara de colocar os pés no galpão, que era esconderijo da equipe de Steve Rogers.
— E aí, picolé... – o homem cumprimenta, estendendo-lhe a mão e saindo de sua armadura. – Olha quem está aqui, a poderosa Clea! – acena para mim, que dou um meio-sorriso. – Tive que usar as técnicas de Sherlock para contornar Ross e a Diretora Hill para vir aqui sem que fôssemos vistos. – explana.
— Então... – uma ruiva se manifesta e caminha em minha direção. — Você é a Clea, asgardiana? – ergue uma das sobrancelhas.
— S-sim. – gaguejo entre dentes.
Como num flash, a mulher já estava pendurada em meu pescoço, onde envolve suas pernas e me derruba no chão. Desfere-me vários golpes, os quais não sou capaz de deter, devido à prontidão de seus movimentos.
— Você controlou a mente do Bruce pra fazê-lo matar várias pessoas... – mais um soco. – Merece ser punida assim como Loki, sua vadia! – outro soco.
Continuava dizendo várias coisas relacionadas ao Doutor Banner, as quais não pude mais atentar-me, pois o Capitão Rogers e o Agente Barton conseguiram tirá-la à força de cima de mim.
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As coisas estavam mais calmas, já havíamos nos acertado, até que Wong saiu por um portal, trazendo dois agentes da S.H.I.E.L.D. abismando a todos.
— Como sempre atrasado, hein Coulson! – Tony conferencia e o homem fuzila-o com o olhar.
— Agente Coulson... C-Como...? – Barton estava nervoso e surpreso, bem como Steve e Thor.
— Todos sempre me perguntam como estou vivo... Graças ao Fury! Posso explicar esta história depois, mas primeiro, deixem-me usar novamente aquela arma no filho da puta do Loki...
— Olha a língua! – Rogers adverte e Stark revira os olhos. – Obrigado Wong por trazer nossos reforços! – ele apenas sorri e assente.
— Sem enrolação! Esta é a agente Melinda May, – Phil aponta para a mulher ao seu lado. – também conhecida como A Cavalaria. – ela faz uma expressão de aversão. – Com este codinome, vocês já devem imaginar do que é capaz!
— Você trouxe agentes da S.H.I.E.L.D. até aqui? Acha que a Hill não vai nos descobrir? – Sam Wilson questiona.
— Rhodey está impossibilitado de lutar conosco. – Tony se levanta e locomove-se de um lado ao outro. — Portanto, precisava substituí-lo. Ninguém melhor que os dois agentes mais confiáveis da S.H.I.E.L.D., os quais também juraram fidelidade a mim. – abre um sorriso a eles que dão de ombros. – Ah, Steve, quase estava me esquecendo... – apalpa algo amarrado em sua armadura. – Pegue seu escudo de volta. Vai precisar!
O bandeiroso encara o objeto com afabilidade estampada no rosto, até pensa em agradecer, contudo, prefere se contentar com um “não fez mais que sua obrigação” que pairava sua mente.
— Vingadores... Avante! – professa, em seguida colocando sua máscara.
Os heróis se dividem em três grupos, os quais seriam teleportados por Strange, Wong e Wanda.
Após todos atravessarem os portais, chegamos ao local horripilante no qual passei os últimos dias. O silêncio, sofrimento e obscuridade ainda o cercavam.
Stephen para em minha frente, coloca as mãos em meus ombros e se comunica por telepatia:
“Não faça nada. Se perder o controle aqui, poderá matar a todos nós. Deixe que cuidemos disso!”
Aceno positivamente com a cabeça. Logo avistamos Loki, com um sorriso malévolo, o mesmo uniforme verde, um elmo com grandes chifres e o cetro, que antes era de Odin, nas mãos.
Com um simples gesto, transforma as enormes árvores petrificadas em criaturas místicas. Aproximadamente uma para cada herói.
Vejo Thor enfurecido, rodar o Mjolnir, voar e atravessar um dos monstros, prontamente, batendo em Loki.
Maximoff usa suas luzes vermelhas para quebrar os galhos das árvores. Clint atira flechas para todos os lados e se desvia dos golpes. Sam paira, alveja com o armamento instalado em suas asas e foge. Romanoff usa seu ferrão, revólveres e bastões para atacar e afastar-se dos inimigos. Visão atravessa o tronco das bestas e tenta arrancar a magia que lhes dava vida. Stark acomete com seus propulsores, sobrevoando a inimiga, para que não fosse atingido. Rogers lhes desfere golpes e joga seu escudo na direção das cabeças, enquanto corria para longe, antes que contra-atacassem. May dá chutes, voadoras, socos, enquanto Coulson usa armas a fim de derrubá-las. Porém, parecia que nada era capaz de derrotar esses monstrengos.
Sinto a ausência de duas pessoas na batalha, as quais noto encostadas em um canto. Com minha telepatia ouço o que Strange coloca na mente de Banner:
“Você precisa virar o Hulk. Loki não sabe que você e Clea estão aqui. Se não lutar, os heróis serão facilmente derrotados!”
“Não posso virar o outro cara. Sempre que isso acontece só trago aflição e amargura!”
Aproximo-me, encaro Bruce que estava assentado atrás de uma pedra. Agacho-me em sua frente e esclareço:
“Doutor Banner, olhe para trás. Todos os heróis estão lutando bem, porém, logo mais esgotar-se-ão, não aguentarão mais. Voltaste para cá, justamente para se remir com Romanoff. Perdê-la-ás para um entojado como o Loki?”
Ele se levanta e olha por trás da rocha. Vê que os Vingadores levavam uma surra das árvores. Sinto sua raiva fervilhar no sangue, o tom de sua pele muda aos poucos.
Stephen voa com sua capa, me levando junto. Deixa-me em um esconderijo, enquanto vai ajudar Wong e Thor que lutam contra o trapaceiro.
Ao longe, vejo o Hulk esmagando duas criaturas de uma só vez, enquanto bate no peito e urra, sem que o som saísse.
Loki se aproveita da Força Odin e facilmente detém os golpes dos três homens que batalham contra ele.
Com apenas um dedo, joga-os para longe, fazendo Wong bater a cabeça numa pedra e desmaiar, enquanto Thor se machuca e resmunga. Encaminha-se até Stephen, aperta seu pescoço fortemente, deixando-o quase sem ar.
Ao ver aquela cena, meu coração se aperta, pulo por cima da rocha que estava escondida, evocando meu poder, que forma uma enorme “mão cor-de-rosa” que empurra o deus para longe.
Strange cai no chão, expirando com dificuldade. Abaixo-me, coloco a mão em seu peito para verificar se estava bem.
Com esta distração, Loki retorna e me atinge com um raio. Caio agonizante. Vejo que iria me dar outro golpe, quando Stephen evoca o Escudo de Seraphim para me proteger e simultaneamente Thor o atinge na cabeça com o Mjolnir, desacordado-o.
As criaturas que até então davam trabalho aos Vingadores, voltam a ser árvores comuns, as quais caem, causando um grande tremor.
Wanda e Stephen se apressam a abrir portais, para que ninguém fosse atingido. Levanto-me e decido ajudá-los, formando um portal também.
Assim que todos atravessam, Coulson coloca algemas especiais em Loki, que o manteriam preso, até que o encarcerassem na S.H.I.E.L.D.
O Homem de Ferro se senta no sofá e suspira pesadamente.
— Fizemos um bom trabalho! – elogia. – Acho que poderíamos ir a uma festa privada hoje à noite, o que acham?
— Como vai alugar um salão assim, em cima da hora? – Wanda retruca.
— Eu sou rico. Consigo qualquer coisa! – dá uma piscadela.
— Não sei vocês, mas eu não vou! – Sam, que estava com a perna machucada, tira os sapatos e geme de dor.
— Eu também não! – Clint comenta, olhando para seu braço que estava com uma grande ferida.
— Venham conosco, Stephen vai nos levar a S.H.I.E.L.D. para que se recuperem. – Phil, com Wong nos braços, avisa, apontando para um portal, que começava a ser aberto pelo mago.
Wilson, Barton, Coulson e May o atravessam, levando Loki e Wong nos braços, deixando-nos naquele lugar.
Rogers se abanca e bufa. Constato que está preocupado.
— Algo te incomoda, Capitão? – questiono.
— Foi até fácil derrotar Loki desta vez. Isso me preocupa. – dá de ombros. – Vou fazer um café para nós! – vai à cozinha, perseguido pelo apaixonado Tony.
— Clea... – Thor se avizinha e dirige a palavra a mim pela primeira vez no dia. – Devo dialogar contigo. Creio que te devo desculpas!
— Não precisas se redimir. Em teu lugar, comportar-me-ia da mesma forma. Eu é quem devo te pedir perdão por tudo o que fiz.
Ele se abaixa e acaricia meus cabelos carinhosamente.
— Agora consigo compreender tua rebeldia. Passaste por muitas coisas desagradáveis. Assim como Loki, revoltaste-se contra o mundo. Entretanto, tu, tens um coração. Diferentemente dele. – o loiro abre um sorriso e me beija a testa. – Preciso tomar um banho e me trocar para a festa! – levanta-se e dirige-se à cozinha, onde pede a Tony para que lhe permitisse usar a antiga Torre dos Vingadores a fim de se arrumar.
Acompanho-o sair pela porta com uma expressão simpática no rosto. Seu semblante era leve e seu olhar encantador, como sempre.
É incrível como meu coração se deixa ser feito de bobo quando se trata do deus do trovão!
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