Redenção
11 Nem tudo é real

Mordo estava sentado no centro de sua sala meditando, quando foi surpreendido, ao ver Loki surgir em sua frente.
— Poderia bater na porta de vez em quando. – comenta, ainda sentado, de pernas cruzadas.
— Levanta-te! Viste o que fizeste? – o deus da trapaça parecia irritado.
Karl arqueou as sobrancelhas e se colocou de pé, entediado.
— Fiz o que mandou. Droguei os quatro e os fiz se envolverem. – explica-se.
— Não, tu não fizeste isso. Formaste os casais errados! Será que não consegues fazer nada direito? Terei de falar com Dormammu...
— Não, por favor... – Mordo o interrompe, com olhar de súplica. – Se o mestre souber que falhei, serei executado.
— Agora precisas convencer Clea a buscar as Joias do Infinito, as quais estão espalhadas pela galáxia. Enquanto estiver supostamente preso, não poderei fazer isso. – reclama. – Tens mais uma chance. Vá e a convença! Dormammu não nos esperará por muito tempo.
A imagem do trapaceiro some, deixando Mordo encarando o vazio em sua sala. Respirou fundo e decidiu elaborar um plano para convencer a asgardiana a ajudá-lo.
P.O.V. Wanda Maximoff:
Acordo sentindo minha cabeça extremamente dolorida. Ao fazer um movimento brusco para me sentar na cama, sinto como se ela fosse explodir. Aperto os olhos com dor e quando os abro, reparo que há alguém deitado ao meu lado. Eu estava nua, ele também.
Tento me lembrar dos acontecimentos da noite anterior. Apenas flashes. Recordo-me dele acariciando meu corpo com delicadeza, seu toque faz minha pele arrepiar. Lembro-me das leves puxadas que dava em meus cabelos, enquanto beijava meu pescoço, da briga por domínio de posições. Vagamente consigo recordar do meu ápice, aquilo foi realmente bom!
Aproximo meu rosto de seu ouvido e chamo-o num sussurro. Ele acorda assustado. A me ver, sua expressão é perturbadora.
— O que aconteceu aqui? – questiona ofegante.
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Depois de muito diálogo, dramas existenciais e um sermão que escutei logo cedo; fomos tomar café. Lá, encontramos Clea, que estava com a mesma expressão de ressaca e vergonha que nós.
— Havia algo naquela bebida. É impossível que não me lembre de nada. – a loira expressa, levando a xícara à boca.
— Eu me lembro de quase tudo. – rebato.
— Talvez seja porque fostes a que bebeu menos. – replica.
— Talvez. Mas pessoas bêbadas só fazem aquilo que têm vontade, mas não têm coragem de fazer quando estão sóbrias. – dou uma piscadela. – Vou à biblioteca estudar um pouco, Wong disse que tinha alguns livros de feitiço para me mostrar. – pego uma maçã e me retiro, deixando-os a sós.
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P.O.V. Clea:
Terminei de tomar meu banquete em silêncio, enquanto mirava a parede à minha frente. Não apetecia olhá-lo nos olhos. Sentia-me causadora, de certa forma, pelo ocorrido. Ele também.
Levanto-me da mesa, lavo a louça e antes que pudesse me retirar, sinto-o atracar meu braço.
— Não foi nossa culpa. – encaro-o, sem ter o que dizer. – Vá à sala de treinamentos. Vida que segue!
Assinto e retorno ao meu quarto, onde me troco e visto uma camiseta mais velha que Stephen havia me dado, junto de uma calça preta. Prendo os cabelos e vou à ala de treinamentos, onde ele me aguardava.
— E Thor?
— Thor foi encontrar Tony Stark que informou ter algo muito crucial a lhe mostrar.
— Presumo que esteja feliz por ter conseguido o que queria durante todos estes anos.
— Não estás com ciúmes, Stephen... Está? Afinal, dormiste com Wanda...
— Cale a boca e lute! – ordena, em posição de ataque.
Evoco uma esfera de energia e atiro em sua direção, porém, se resguarda usando o Escudo de Seraphim. Em seguida, usando um feitiço conhecido como os Sete Anéis de Raggadorr, usa meu próprio ataque contra mim, fazendo-me cair longe.
Ergo meu rosto e vejo-o se aproximando. Imobilizo-o com meus poderes, fazendo o formato de uma mão que envolve seu corpo. Jogo-o longe.
Strange conjura uma espécie de chicote laranja, enquanto evoco um rosa. Os dois se chocam no ar, enquanto tentamos acertar um ao outro.
Seus Vapores de Valtorr fazem com que tudo ao meu redor se obscureça e minha visão seja prejudicada. Então, sou atacada pelas costas e despenco de joelhos no chão.
— Algemas de Krakkan. – ao pronunciar estas palavras dois círculos dourados envolvem minhas mãos, fazendo-me ficar presa. Tento me deslocar, contudo, sou paralisada por outro feitiço poderoso, as Faixas Rubras de Cyttorak. – Precisa aprender a se concentrar Clea. Não pode deixar a raiva ou outras emoções te dominarem. Lute por você mesma e não pelo que sente. Isso só vai tirar sua concentração.
Ao ouvi-lo dizer aquilo, fechei meus olhos como se me rendesse. Notei-o acercar-me, todavia, aproveitei para criar uma espada mística que controlei com minha mente para que cortasse as algemas e faixas que me envolviam. Pus-me de pé e com a arma em mãos, apontei em sua direção, o qual me esperava com uma espada em chamas.
Travamos uma longa luta. Stephen mostrou um sorriso orgulhoso pela minha perseverança. Aquele sorriso... Tão belo e encantador. Seria capaz de conquistar o coração de uma mulher com aquele ato singelo. Não basta ser bonito, tem que ter um sorriso mais bonito ainda!
Provavelmente me distraí, perdida em seu sorriso, pois recebi uma rasteira sua, que me fez cair. Apontou seu sabre para meu peito.
— Continue a lutar! – provoca. Então, puxo seu braço, fazendo-o cair por cima de mim e sumindo com o feitiço. – Isso foi arriscado, Clea. Se eu estivesse armado e...
Antes que concluísse aquela frase, puxei-o para um beijo rápido. Encaramo-nos por alguns segundos após nos separarmos. Empurrei-o para o lado, colocando-me sobre ele. Assim, o beijei novamente por um longo tempo.
Talvez as coisas esquentassem mais, se não fosse Wong ter batido na porta da sala, a fim de avisar que tínhamos visita.
— Quem será? A essa hora da manhã?! – Stephen ralhou. Sorri disfarçadamente, ao vê-lo desajeitado se levantando e arrumando as roupas, a fim de esconder sua “empolgação” do nosso momento. – Vamos, continuaremos mais tarde.
Alteei-me e encalcei-o, deslaçando meus cabelos e ajeitando-os despretensiosamente com as mãos.
— Mordo! Como vai amigo? – vejo o doutor cumprimentar o mesmo homem da noite anterior. Sinto algo estranho ao vê-lo, mas sorrio por educação.
— Strange, trago péssimas notícias. Ontem à noite, após a festa, decidi fazer uma ronda com minha projeção astral. Além de enfrentar vários elementos da magia negra espalhados por aí, decidi visitar nosso velho amigo, Jonathan Pangborn e você não acredita no que aconteceu... Ele teve sua energia mística sugada! Além de parar de andar, também não consegue mais falar. Está internado em estado vegetativo.
— Como isso aconteceu? – a voz do Mago Supremo exibia tristeza e preocupação.
— Talvez tenha algo relacionado à Dormammu. Tantas criaturas malignas espalhadas... O que mais pode ser? – incita.
— Esperem... Essas criaturas... Por que elas não afetam os mortais? – questiono, cruzando os braços, curiosa.
— Tem muitas coisas que vai entender com calma, cara Clea. – Stephen esclarece. – Já volto, preciso falar com alguém sobre Dormammu... – ele estrala os dedos e seu Manto da Levitação aparece diante dele. – Enquanto isso, mostre a Mordo a evolução de seu treinamento. Ele foi meu professor. Pode te ajudar também! – e assim, se teletransporta dali.
— Vamos! – o homem acena com as mãos, dirigindo-se à sala. Um pressentimento ruim me atinge. Não consigo ler sua mente, está bloqueada. Que Odin me proteja de qualquer mal!
Ao chegarmos lá, Mordo me circunda com uma energia verde, que impede de me mover e aproxima-se do meu pescoço com uma espada em mãos.
— Dizem que os asgardianos são imortais. Não quero ter que testar isso em você, senhorita. Nem no seu amado Thor, então, vai ter que colaborar comigo e com Loki, se não quiser que ele e Strange morram. Estamos entendidos? – aceno levemente com a cabeça. Meu rosto esquenta de raiva e temor. – Ótimo! Vamos começar... Vou abrir um portal para cada local da galáxia que tiver uma Joia do Infinito e você vai usar suas habilidades para resgatá-las, juntamente da Manopla.
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P.O.V. Stephen Strange:
Fiquei preocupado em deixar Clea sozinha com Mordo, afinal, ela não era ainda totalmente confiável. Caso tentasse machucar meu amigo, ou fazer qualquer outra coisa, não a perdoaria. Tentei inquirir suas mentes, entretanto, provavelmente, estavam tão concentrados que não conseguia.
Cheguei à S.H.I.E.L.D. onde pedi a autorização de Maria Hill para que interrogasse Loki.
— Tem certeza que quer fazer isso? Ele é um sádico, louco que fica gracejando de tudo, a todo instante. – orientou-me.
— Eu não faria se não fosse necessário. Além do mais, tenho treinamento para isto. – ela dá de ombros e abre as portas que dão acesso à cela.
— Doutor Estranho! A que devo a honra de recebê-lo, ó Mago Supremo? – Loki está de costas para a parede e debocha, ao ouvir meus passos se achegando.
— Olá Loki. Só me responda uma coisa, o que você tem a ver com Dormammu?
— Dormammu? – vira-se e me encara com um sorriso largo e jocoso. – Ele realmente existe? Achava que era um personagem das histórias que o falecido Odin contava.
— Não brinque com isso, Loki. Sabe que posso te pulverizar com minha magia! – bato no vidro, irado.
— Só posso te dizer que nem tudo é real. – revida, exibindo serenidade em seu rosto. – Parece que és o único tenso com isto, tendo em vista que Thor e os outros Vingadores estão preocupados em ver os acontecimentos da festa da noite pregressa. Os agentes da S.H.I.E.L.D. estão em deputação e a tal Diretora Hill nem está nos assistindo pelas câmeras.
— Foi você quem manipulou tudo aquilo ontem? – pergunto entre dentes.
— Uma abstração, caro Strange. Uma pena que tu não tenhas transado com Clea.
— Como fez isso acontecer? – questiono, elevando o tom de voz.
— As bebidas. Enchi-as com uma droga capaz de apagar as memórias, caso consumida em excesso. Mas será que algo realmente aconteceu, ou é só um fruto de vossas imaginações? – ri sarcástico.
— É isso, não é... Nem tudo é real... Você não é real! – apontei para sua imagem sorridente que se desfez, deixando a cela vazia. – Puta merda!
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Cheguei o mais rápido que pude à antiga base dos Vingadores onde Stark congraçou a todos para mostrar-lhes as fotos da festa.
Atento ao longe todos gargalharem e Thor conferenciava algo.
— Posso não me recordar o que adveio entre Clea e eu. Todavia, reputo que foi especial. Conquistá-la-ei e tomá-la-ei como minha mulher.
— Ah é, Thor? – falo, entrando e surpreendendo a todos. – Deixe isso pra outra hora, pois sua “hipotética” mulher e todos nós corremos perigo. Loki está solto!
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