Redenção
12 Injustiçada ou traidora?

P.O.V. Clea:
Mordo me levou a três lugares diferentes da galáxia: O Museu do Colecionador, onde pegamos a Joia da Realidade. Ao que tudo indica, ele não estava lá, então não precisei enfrentá-lo.
A Joia do Poder estava em mãos da Tropa Nova, em Xandar. Distrai-os com um estouro. Defrontei suas sentinelas e a apanhei sem embaraço algum.
No Hel, abalroei-me com uma feição trivial e temida pelos asgardianos, a deusa da morte, Hela, portadora da Joia da Alma. Estremeci ao vê-la, porém, com apenas três palavras, “Dormammu te recompensará”, Mordo a imbuiu que nos entregasse o artefato sem hesitar.
A Joia da Realidade, bem como a Manopla do Infinito, estavam em Asgard, no cofre de Odin. Ao adentrar meu reino, vi-o integralmente devastado. Tudo se resumia a restos, poeira e melancolia. Forcejei não lamuriar, mas uma lágrima importuna desceu pelo meu rosto.
— Anda logo! – o feiticeiro empuxou-me ao Palácio de Odin, que agora é parte dos destroços.
— Como entraremos? – indiquei os escombros. O homem os levitou com sua magia, espaçando para invadirmos.
Alcancei o cofre e o detonei com uma pequena bola de energia cor-de-rosa. Os olhos de Mordo cintilaram ao encontrar a Manopla com a Joia da Realidade. Pegou-as com distinção e as colocou num saco junto das outras peças.
— Agora só faltam duas! – proferiu. – Vamos voltar para o Sanctum e fingir que nada aconteceu. Entendeu? – afirmo com a cabeça e assim saímos de lá através de um portal criado por ele.
Ao retornarmos ao Sanctum, o homem sorria. Durante sua travessia pelo portal, se autoflagelou.
— O que estás fazendo? – indago.
— Transformando você em uma traidora! – continua a se machucar.
Conjurei duas katanas para atingi-lo. Mas como se esperasse pelo golpe, defendeu-se com um escudo. Imediatamente, alvejou sua energia mística contra mim, jogando-me contra a parede, fazendo-me bater com as costas e cair. Zomba e se aproxima, pisando em meu peito. O fôlego começa a se esvair, todavia, num movimento vertiginoso, impulsiono seu pé para longe, fazendo-o se desequilibrar. Antes que caísse, segurou-se à parede atrás de si e novamente erguida, apontei uma das katanas em seu pescoço, enquanto ofegava irada.
— Clea, o que está fazendo? – ouço a voz de Strange ecoar pela sala de estar. Thor estava junto, nos observando de braços cruzados.
— Que bom que chegou Strange. Clea ia me matar! – comenta mostrando as feridas que havia cravado em si próprio. Estatelo os olhos, recalcitrante. Tento me pronunciar, contudo sou interrompida pelo mesmo. – Ela confessou que libertou Loki da prisão após eu pressioná-la e ainda descobri que está trabalhando com Dormammu.
— É MENTIRA, STEPHEN! – grito.
— Saia da minha casa. – o mago pronuncia.
— Eu posso explicar!
— SAIA DA MINHA CASA! – brada, apontando para a porta.
— Leia a minha mente. Verá tudo o que aconteceu! – suplico.
— Sua mente está bloqueada novamente. Muito perspicaz de sua parte! – satiriza. – Saia por bem ou por mal! – decreta, já evocando energia de suas mãos.
Cabisbaixa, passo pela porta e a última cena que vejo é Thor me olhar encolerizado, Mordo sorrir vitorioso e Stephen fechar a porta sem reação.
Sento-me sob uma árvore, onde me penitencio e pondero no que farei daqui em diante.
P.O.V. Autora:
Karl Mordo e Thor discutem sobre o ocorrido com Clea. O deus do trovão se negava a acreditar que a mesma seria capaz de traí-los novamente. Stephen vai à biblioteca em busca de Wong e Wanda, encontra-os concentrados nos estudos. Como última tentativa de perdoar a asgardiana, pergunta se testemunharam algo. Conforme esperava, a resposta é negativa, mas sob seus olhares curiosos, obriga-se a contar o relato do amigo feiticeiro.
O asiático ouve tudo atentamente, desacreditado. Maximoff não se espanta. Já era esperado por ela que Clea fosse uma traidora. O assistente de Stephen vai à cozinha preparar um café da tarde para todos, enquanto refletia sobre tudo que acabara de escutar.
O bom doutor e a feiticeira levam alguns objetos de primeiros-socorros para limpar e estancar as feridas de Mordo. Thor se senta com um copo de cerveja e bebe preocupado com a situação que a asgardiana estaria.
Uma forte tempestade cai sobre o telhado do Sanctum, trazendo junto o frio. Aos poucos, o sol começa a dar lugar à lua e Karl decide que é hora de ir. Strange preocupado com a possibilidade de Clea ainda estar nos arredores para atacá-lo, pede a Thor que o acompanhe na saída, tendo em vista que o deus do trovão poderia controlar a chuva para que não os molhasse.
Thor guia o homem até a porta de um táxi e assim que retorna em direção ao Sanctum Sanctorum, ouve o choro de alguém, acompanhado de murmúrios. Aproxima-se do som e nota Clea sentada embaixo de uma árvore.
— O que ainda fazes aqui? – pergunta com rancor.
— Não tenho para onde ir. – responde com os cabelos e roupas ensopados, com soluços em meio às lágrimas.
O coração do loiro se aperta. Seu olhar de pena incomoda Clea, que se levanta e tenta sair, entretanto seu braço é pego pelo deus.
— Levar-te-ei à casa de um conhecido meu. Dar-te-á abrigo e ajudar-te-á a encontrar um lugar para morar. Depois, basta que cries dinheiro com tua magia e se sustente.
— Se me ajudar, será interrogado e preso pela S.H.I.E.L.D. – ela informa.
— Creio que estejas sendo injustiçada. Não posso provar, nem confiar em ti. Mas o farei.
Os olhos da loira reluzem. Um sorriso corta seu rosto. Abraça-o em forma de agradecimento. Ele acaricia seu rosto e afasta as mechas de cabelo molhadas de seu rosto. Aproxima-se, lhe beija de forma calma, capaz de esquentar o coração perdido e desiludido da mulher.
— Tens um bom coração, Clea. Agarre-se em mim. Vamos! – ela o faz, ele roda o Mjolnir e logo estão na Inglaterra, diante de uma porta de madeira, que Thor bate desesperadamente.
— Thor! – um homem de idade avançada cumprimenta o asgardiano. – Por onde andou que estava chovendo?
— Clea, este é Erik Selvig, assistente de Jane Foster. Podemos entrar e conversar?
— Claro! – o homem dá passagem. — Como sabia que estou na Inglaterra?
— Soube que Jane está morando com o Doutor Kincaid. Não foi difícil te localizar, és muito conhecido aqui! – Thor sorri.
Clea observa cada canto da casa bagunçada. Seu corpo ainda tremia de frio e Selvig, como um bom cavalheiro, ofereceu-a um banho, enquanto preparava um chá e conversava com o deus do trovão.
A loira cria roupas para suportar o frio britânico. Também decide que deveria se disfarçar, então gerou uma peruca com cabelos negros. Após se banhar, esconde o disfarce e volta à sala onde encontra os homens.
— Ei... Clea, não é? – Erik questiona. – Hoje é seu dia de sorte, o vizinho acabou de colocar um quartinho para alugar. É pequeno, mas para uma mulher sozinha deve servir.
Não sabia qual história Thor havia lhe contado, mas o homem adquiriu simpatia por ela, que foi recíproca. No dia seguinte, falariam com o tal vizinho para que fechasse contrato com a asgardiana, mas por hora, ela dormiria na casa de Selvig.
O deus se despediu de ambos. Sem muita formalidade, voltou à S.H.I.E.L.D., onde se acomodaria dali em diante. Quanto menos contato com o Doutor Estranho, melhor. Injustiçou Clea sem ao menos lhe dar a chance de se explicar e ainda tentou roubá-la dele.
Fechou os olhos, mas não conseguiu dormir. Estava preocupado como ficaria a situação da loira e o relacionamento entre eles.
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