Redenção

13 Eu não fiz nada!


Loki aparece na sala de estar de Mordo, onde se reuniriam para entregarem as joias encontradas até o momento para Dormammu.

O deus da trapaça ostentava uma expressão impetuosa e o feiticeiro começou o ritual para chegarem à Dimensão Negra.

Ao avistarem a grande cabeça, misturada ao fundo escuro, ajoelharam-se em cortesia.

— Trouxeram o que eu pedi? – Dormammu questiona com sua voz grave.

— Até o momento, conseguimos apenas quatro das seis Joias do Infinito. Uma está com o sintozóide Visão e a outra com o Doutor Estranho. Precisamos distraí-los para que as peguemos. – Karl esclarece.

— Cuidem disso para que eu possa cumprir com o restante do acordo. Quanto ao Doutor Estranho, se não o matarem, deixem que eu mesmo farei isso! – o demônio ri de forma malévola.

Então, eles voltam à Terra e se questionam sobre como farão para pegar os artefatos restantes. Prontamente, Loki tem um plano que o feiticeiro parece concordar e logo mais o colocarão em prática.

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Mais de um mês se passara. Clea era procurada pela S.H.I.E.L.D. e frequentemente seu rosto aparecia estampado em jornais, revistas, canais de TV e postes de rua. Só saía de casa com a peruca, de preferência com óculos escuros. Por sorte, Thor havia contado a Selvig que a asgardiana estava sendo vítima de injustiça e o mesmo sequer fez menção de entregá-la às autoridades.

Thor nunca mais foi visto pelas redondezas. Concluiu que se fosse visitá-la arriscaria a liberdade de ambos. Doutor Estranho desconfiou do sumiço do deus do Sanctum, no entanto preferiu continuar vivendo sua vida rotineira, onde treinava Wanda, recebia Mordo corriqueiramente e ajudava Wong na organização de sua casa.

Apesar da trégua na Lei de Registro, Ross convocou a todos os heróis da equipe do Capitão América, Bruce Banner, Natasha Romanoff e Thor para darem satisfação sobre seus paradeiros. Isso fez com que Steve Rogers e Tony Stark se desentendessem novamente, tendo em vista que ambos queriam lutar uma vez mais contra Loki e todo mal que pudesse causar. Isto obrigou aos heróis sem registro que voltassem ao galpão que há pouco tempo os abrigavam.

Mas o mundo andava remanso demais, o que deixava Wong atordoado. Diariamente se questionava. “Se Clea é uma traidora, por que não se vingou?” ou “caso ela realmente tenha feito tudo isso, por que o mundo está tão calmo? O que ela ganhou com isso?”. Já não suportava mais perguntas sem respostas. Decidiu ler alguns livros de feitiço, como o Livro de Vishanti e o Livro de Cagliostro, onde consultou como poderia usar magia para localizar alguém.

Treinou escondido e quando finalmente estava expert, foi à localização da asgardiana. Atravessou um portal e parou em frente a uma casa com porta de madeira. Pensou e hesitou antes de bater, mas o fez.

A mulher que abriu a porta era irreconhecível aos seus olhos. Além dos cabelos negros, os olhos exibiam grandes olheiras e bolsas, demonstrando suas noites mal dormidas. Seu corpo, antes esbelto estava mais magro do que nunca. As roupas, a casa e tudo que a envolviam cheiravam naftalina.

— Wong? – a voz rouca pronunciou apenas isso ao avistá-lo.

— Deixe-me entrar, por favor. Não tenho nada a ver com Stephen.

Sem outra opção, cedeu espaço. O homem notou que tudo na casa estava coberto por pó e alguns restos de pizza sobre a mesa fediam.

— O que aconteceu com você, Clea? – preocupado, passou as mãos sobre os cabelos negros da mulher, abraçando-a fraternalmente em seguida.

— Meus poderes estão mais fracos que nunca. Mal consigo evocar energia em minhas mãos. As roupas que estou usando, são de Jane Foster, foram dadas a mim por Selvig. Não consigo criar dinheiro, muito menos comida, então estou sem água, luz, comendo restos que os vizinhos me dão por pena. Tomo banho de vez em quando na casa do Erik e ele me dá alguma coisa quando pode.

— Sabe que está pagando pelo que fez...

— EU NÃO FIZ NADA! – grita, interrompendo-o e socando a mesa. – Estou com poucos poderes porque não consigo dormir, não tenho me alimentado direito e porque Loki deve estar manipulando-os.

Ele pega suas mãos e as coloca entre as dele.

— Eu acredito em você. Estou tentando convencer Stephen, para que convença Maria Hill e os Vingadores, mas não consigo.

— Foi o Mordo. Ele me levou a cada canto da galáxia e fez com que eu roubasse quatro das seis Joias do Infinito. Quando voltamos à casa de Stephen, se autoflagelou para me culpar. Tentei acertá-lo com alguns golpes e foi aí que o doutor surgiu. Ele está conseguindo influenciá-lo, aproveitando-se da bondade e amizade que existe entre eles. – o sotaque asgardiano de Clea estava mais sutil. Foi orientada pelo amigo de Thor que para se disfarçar entre os midgardianos, deveria começar a observar seu modo de falar e agir.

— Isso é muito grave... O que Mordo poderia querer com essas Joias?

— Ele falou à Hela, portadora da Joia da Alma, algo como “Dormammu te recompensará”.

— Dormammu... – Wong murmura. – Claro! Loki e ele são marionetes nas mãos de um ser maior. Precisamos ir ao Sanctum... Nesse momento o Olho de Agamotto está sozinho com Mordo.

— Onde Wanda e Stephen estão?

— Bem... Digamos que... Desde que foi expulsa, o relacionamento entre a senhorita Maximoff e o Doutor Estranho evoluiu. Pelo menos três vezes na semana, saem para jantar e às vezes dormem juntos...

Clea sentiu ciúmes que veio como um beliscão em seu coração. Como o Mago Supremo poderia esquecê-la tão rápido? Preferiu guardar o que sentia para si. Apenas se levantou, mostrando a Wong que estava disposta a ajudá-lo.

O asiático abriu um portal e os levou direto ao local do Sanctum Sanctorum, onde o Olho de Agamotto ficava escondido. Defrontaram-se com Mordo, que lhes sorriu.

— Wong, não esperava que você iria atrás de uma traidora como Clea!

— O único traidor aqui é você, Mordo! – ele tirou de sua roupa o Bastão de Watoomb, apontando-o para o homem. – Largue isso agora!

— Olá senhores! – Loki surge por trás de Mordo, fazendo a asgardiana sentir um arrepio por todo o corpo. – Acho que podemos resolver isso de maneira civilizada! – debocha.

— Claro... – Clea ironiza. – Que tal assim? – lança um pouco de sua magia nele, fazendo-o bater com as costas na parede.

Wong usa seu bastão para atirar rajadas de energia mística contra Mordo, enquanto o mesmo se defende e tenta golpeá-lo com seu treinamento marcial. Loki se levanta e pula em cima de Clea, fazendo sua peruca voar para longe, enquanto seu corpo tenta se manter em pé. Com apenas um solavanco, caem e lhe desfere vários golpes até que ela apague. Ou pelo menos, aparente estar apagada.

Loki ajuda Mordo a atingir Wong e ambos lhe atacam de várias maneiras, até que acertam sua cabeça, fazendo-o desmaiar. Clea observa tudo com os olhos quase fechados devido aos socos que tomou. O deus da trapaça vê que ela está acordada e com um último golpe a desmaia também.

Em seguida, o asgardiano, com os poderes de Odin, muda de forma e se transforma em Wong, enquanto Mordo arrasta o verdadeiro por um portal. Loki, que também ostentava feridas, finge estar desmaiado ao lado de Clea. O portal se fecha, Karl atravessa com o verdadeiro Wong.

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Não muito tempo depois, risadas ecoam pelo Sanctum Sanctorum. Wanda e Stephen haviam chegado do passeio daquele dia. Ele a beija, agarrando sua cintura, enquanto ela afaga seus cabelos. Ao se separarem, Maximoff vai ao seu quarto trocar de roupa, enquanto Strange começa a gritar por Wong. Não ouve resposta alguma além do eco da própria voz.

Sua intuição aflora, mostrando que há algo anormal. Portanto, decide entrar em cada cômodo da casa, começando pela biblioteca, o lugar que o amigo mais ama. Mas ele não estava lá. Vai ao seu quarto, onde também não o encontra. Vai aos quartos de hóspedes e também não tem sucesso. Como última tentativa, atravessa uma passagem secreta que dá na sala onde o Olho de Agamotto ficava guardado.

— Por Vishanti! – exclama ao ver Wong e Clea desfigurados. Coloca as mãos sobre seus pulsos e se alivia em notar batimentos.

Ergue os olhos para o pedestal e sente como se o coração parasse ao notar que o Olho de Agamotto não estava mais lá.

Notas finais
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