Stephen foi atirado na mesma cela em que Clea estava.

— Interrogaremos você pela manhã. – foi a única coisa que Maria Hill lhe disse, após prendê-lo.

A asgardiana estava sentada em um canto, com as pernas cruzadas e mexendo nos cabelos. Aproximou-se e agachou-se para olhá-la nos olhos:

— O que foi que você fez dessa vez? – indagou entre dentes.

— O mesmo que fizeste comigo. – respondeu seca e se virou de costas para ele.

O mago bufou. Encontrou um travesseiro jogado do outro lado daquele lugar e decidiu se deitar a fim de distrair a cabeça. Fechou os olhos e rapidamente pegou no sono. Ou achou que pegou.

“Doutor Estranho... quantas vezes terei que te dizer para não agir por impulso?” – a voz da Anciã ecoou e em seguida sua imagem surgiu diante dele. – “Você ao menos tentou escutar o que Clea tem a dizer? Ao menos tentou tirar o bloqueio telepático dela para ler sua mente?”.

“Anciã, sabe que não sou capaz de retirar tais barreiras. Senão já teria o feito.” – respondeu-lhe.

“Você é capaz. Basta se esforçar e ponderar. Não a deixe ser injustiçada!” – assim que ouviu esta orientação, despertou.

Sentou-se e olhou ao redor. A loira ainda estava na mesma posição de antes. Avizinhou-se e tocou seu ombro.

Ela se virou ligeiramente, encarando de perto seus olhos verde-azulados que demonstravam confusão e súplica.

— Eu sei que essa cela pode conter nossos poderes, mas a telepatia não. Permita-me tentar quebrar esse bloqueio telepático em sua mente para saber tudo o que tem passado. – pediu permissão tocando uma das mãos em sua testa.

A mulher apenas fechou os olhos e aproximou mais sua cabeça da mão do ex-médico que começou a se esforçar em ler sua mente.

Custou a conseguir, no entanto, obteve êxito. Viu desde o momento em que deixou Clea e Mordo sozinhos no Sanctum e travaram uma incessante luta. Sentiu toda a dor e sofrimento que ela havia passado nos últimos tempos e lhe cortava o coração se lembrar de que havia sido culpa sua.

Viu até a última memória que ela tinha, de quando estava na Inglaterra e alguém bateu na porta. Depois tudo ficou escuro e só conseguiu ver o momento em que acordou com Wanda a ameaçando.

Tirou a mão de sua testa e a viu encará-lo. Permitiu lágrimas escorrerem por sua face. O remorso era um fardo insuportável!

O que apertava mais ainda seu coração era descobrir que apesar de tudo, ela não o odiava, nem guardava rancor. Pelo contrário, sentia algo forte, intenso por ele.

Suas mãos delicadas massagearam suas maçãs, limpando o pranto insistente.

— Perdoe-me... Por favor... – murmurou como se implorasse.

Surpreendentemente, viu-a sorrir. Aquele sorriso encantador e belo ainda o deixava baqueado.

— Eu já o perdoei, antes mesmo de fazer tudo errado.

Ao ouvir aquelas palavras, notou a quão pura era aquela mulher. Perdoar algo imperdoável era para poucos. Havia bondade dentro dela, sempre soube disso. Infelizmente foi contaminada por sentimentos e pessoas ruins, todavia, merecia redenção.

Num gesto involuntário, encostou mais ainda seus rostos, sentindo suas respirações cruzarem. Não se importou se havia alguém assistindo às câmeras. Porém, já estava tarde; tudo estava escuro, então era provável que estivessem a sós.

Seus lábios tocaram os dela com calma, fechando os olhos para deliciar seu gosto. Uma das mãos trêmulas empurraram algumas mechas de cabelo insistentes em caírem em seu rosto. Com a outra, agarrou sua cintura e impulsionou os joelhos para que se deitasse sobre ela.

Depois, continuou a beijá-la com uma velocidade maior, enquanto suas mãos exploravam suas curvas. Ela agarrou sua nuca, em seguida descendo por seu corpo, fazendo-o arrepiar.

Vagarosamente, ela puxou a barra de sua camiseta, até que a tirasse por completo. O peitoral definido foi alisado e explorado pelas pontas de suas unhas.

Num ritmo lento e equalizado para os dois, despiram-se por completo. Não hesitou em acariciar seus seios, nem em chupá-los; enquanto a ouvia gemer baixinho.

Antes de penetrá-la, a encarou como se pedisse permissão. Entretanto, foi surpreendido quando ela inverteu as posições e ficou por cima dele.

Sorriu maliciosa, como se estivesse louca para senti-lo dentro dela, ajeitou-se e começou os movimentos de vaivém.

As línguas se atracaram e as mãos disputavam espaço no corpo um do outro. Aos poucos, ela sentiu os espasmos e começou a perder força. Então, novamente trocaram os lugares e Stephen trabalhou até que ela chegasse ao seu ápice. Não muito tempo depois, ele também chegou e se sentiu extremamente satisfeito como não se sentia há tempos.

Para Clea, era como se estivesse fazendo sexo pela primeira vez. Tendo em vista que quando fez com Thor, não se lembrava e antes era apenas uma prostituta.

Olhou-o estupefata, como se quisesse agradecê-lo por ter lhe proporcionado aquele momento de prazer. Ele a beijou com afeto, demonstrando claramente o sentimento que cultivava dentro de si.

Após isso, vestiram-se e dormiram abraçados, encostados no travesseiro.

[x]

O dia mal havia amanhecido e Maria Hill os acordou batendo no vidro, falando alto.

— Doutor Estranho, você vem comigo para a sala de interrogatório. Clea você tem visita... – deu espaço para a figura de Wong que surgiu atrás dela. – Vou deixá-los conversando. – colocou algemas no mago e assim que o asiático adentrou à cela, fechou as portas.

— Clea, como você está? – perguntou em tom fraternal.

— Apesar de estar presa aqui, estou muito bem! – seu sorriso largo entregou que algo muito bom havia acontecido.

— Que sorriso é esse? Pode me contar? – Wong interrogou.

— Stephen me perdoou e nós... – mexeu nos cabelos, envergonhada. – transamos.

A expressão sorridente e amigável do homem se transformou em ódio e ciúme.

— COMO ISSO FOI ACONTECER? – gritou, assustando-a.

— F-Foi natural... E-Eu e ele...

— CALA A BOCA! – bradou e aproximou-se dela enraivecido, fazendo-a se acuar na parede. – Eu me recuso a acreditar que se apaixonou por ele...

— Wong, eu não sabia desses teus sentimentos. Nunca se abriste comigo!

— Eu sinto muito Clea... – murmurou socando uma das paredes. Em seguida, viu o furor brotar em seus olhos. – Eu sinto muito!

Num movimento rápido, tirou uma adaga que havia escondido em sua roupa e a apunhalou na barriga.

Ela berrou de dor, enquanto seus olhos arregalados o encaravam incrédulos. Sentiu o corpo amolecer, se recostou sobre a parede e escorregou até que se sentasse no chão. Olhou as mãos que tocaram a ferida e viu muito sangue.

— Essa adaga foi preparada com o veneno de Jormungandr, a Serpente de Midgard. Era para eu matar o Strange e não a ti! – reconheceu aquele sotaque. Wong não falava daquele jeito.

Logo após, a figura do homem careca; baixinho, se desfez e deu lugar à figura esguia e imponente de Loki que começou a chorar. Depois, manipulou as imagens das câmeras de segurança e viu a asgardiana desmaiar.

Saiu da cela sem dificuldade alguma, porém, não sabia que esta atitude dispararia o alarme de segurança. Teletransportou-se o mais rápido que conseguiu, antes que os guardas o vissem.

Ao verem-na desmaiada, um deles correu; digitou o código de abertura com agilidade.

— Diretora Hill, a asgardiana Clea foi abatida! Mande uma equipe médica com urgência! – um dos agentes avisou, segurando seu pulso.