Redenção - Um Novo Caminho
3 Capítulo 3 – Afinal, relativa paz
Notas iniciais
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Estava preocupado. Yumi estava se fechando para que eu não descobrisse nada, embora soubesse que a marca em seu pescoço devia estar piorando. Ela o escondia muito. E todas as vezes que lutava com Ryu ela acabava fraca. Só podia ser isso... Ela tinha algum problema com aquela maldita marca no pescoço e não me falava nada... Fiquei frustrado por vários dias ao perceber isso... Até achei que seria melhor me afastar de Yumi... enquanto ela ainda estava longe... seria mais fácil pra ela se eu me distanciasse... E assim passei aquela semana...
Estava cuidando do jardim aquele dia. Yumi sumira de novo. E eu quase não parava em casa. Acabei descobrindo que Onimura, um dos amigos de Ryu, era na verdade meu irmão mais velho. Mas havia mudado de nome. Sorri ao pensar nisso... Ele se aproximou de mim, gostava de me ver trabalhar nas roseiras. Mas nunca ajudava. Parece que eu estava transparecendo estar mal, pois ele chegou perto e segurou meu ombro.
- Garlock... Cê ta bem cara?
- Não Onimura san...– minha voz soou fraca. Como se desistindo de alguma coisa. – Meu coração me manda fazer uma coisa mas minha mente não me deixa.... Quero me esquecer de uma pessoa e não posso. Cada vez que tento mais penso nela.... Isso está me torturando.
- Não fica assim não cara. – ele parecia querer me ajudar sinceramente – Você é forte, supera isso fácil
Nisso Ryu chegou. Olhou pra mim meio frustrado e disse:
- Hey garlock para de fica se preocupando com a Yumi ela e bem grandinha sabe se cuidar. Sabe, todos estão saindo para focar mais fortes, só você q esta aí parado!
Não pude agüentar essa provocação, fechei os olhos e me coloquei de pé. Uma aura branca me envolveu e uma redoma de luz apareceu ao meu redor. Então um vento forte começou a soprar em todas as direções partindo de mim. Uma luz cegante começou a emanar do meu corpo e a aura subiu até atingir a altura de quinze metros e a circunferência de 30. Olhando pra Ryu, meus olhos ficaram brilhantes e eu comecei a reluzir. Um uivo pôde ser ouvido ao meu redor e a aura continuava subindo e se alargando. À medida que crescia, o vento começava a ficar mais forte e raios começavam a chicotear em todas as direções.
— Acha que tenho ficado parado todo esse tempo Ryu? Tenho lutado muito enquanto você e Layla estão na escola.
Isso pareceu amenizar os ânimos. Ryu quis lutar comigo mas Onimura impediu. Olhei pra ambos e parti por uma pequena fenda dimensional para o mundo dos espíritos. Desde que havia redescoberto meus poderes, era lá que me refugiava. Fiquei lá dois dias espionando Carrau. Voltei e continuei minha espionagem por uma semana antes de voltar pra casa à noite meio arrebentado... Ele estava ficando forte... forte demais pro me gosto....
Era de manhã. Estava na cozinha apenas com minha calça jeans e tênis. Adorava ficar assim em casa. Preparava um café pra todos. Havia ficado pouco tempo em casa nos últimos dias e estava compensando. ME sentia meio culpado... nem Yumi eu via direito fazia uma semana... Estava tão entretido fazendo o café que nem percebi a entrada de Ryuuku na cozinha. Ele se aproximou e me deu um tapa na nuca com força.
- PEDALA ROBINHO!!!!
- MAS QUE DROGA RYU!!!! – gritei com ele, quase deixando as panquecas queimarem – Pô manera!
- Eu? Nem morta santa!
Acabei rindo. Só ele mesmo... Continuei a prepara o café, agora preparava umas batatas fritas. Adoro comer isso no café.
- Ei Ryu. Você que passa um tempo maior com a Yumi... que que ta acontecendo com ela?
- Er.... Ela disse pra eu não falar nada com você. – Ele parecia sério... provavelmente era coisa séria mesmo. Mas mais uma vez ele me surpreendeu – Mas como você é meu irmão e eu sei que você arrasta um bonde por ela tem mais de um ano....
- Obrigado Ryu.... Eu acho....
- Ela ta mais forte... mas parece que o irmão dela mordeu fundo dessa vez... Ela sempre sangra quando ativa os poderes de mística... Ela ta morrendo aos poucos Garlock. Tá tentando de tudo e nada adianta... Ela ta até pensando em fazer uma transfusão de sangue...
Continuei a fazer as batatas, mas estava apreensivo. Então estava certo. Ela estava ferida e essa ferida era mortal. Ela só precisava tomar sangue vampírico para se regenerar... mas isso a transformaria numa meio vampira. Eu sabia que ela se encontrava com o Dark. Ele deve ter recusado o pedido dela... provavelmente... Ou então ela estaria curada. Eu sabia o que tinha que fazer... Estava terminando de fazer as batatas quando a ouvi chegando. Meu coração deu um pulo. Continuei de costas pra porta da cozinha, terminando com as batatas e ela foi entrando e abrindo a geladeira. Percebi que ela estava com um vestido vermelho de gola alta. Pra esconder a marca no pescoço. Sorri e larguei as batatas prontas perto das panquecas.
- Oi Yumi... Cumprimenta mais não?
- Garlock?! – Ela pareceu assustada ao me perceber ali, mas logo se refez e me deu um abraço, tão repentino, que até deixou a geladeira aberta. Ryu, vendo a cena, sorriu e fechou a geladeira, aproveitando pra pegar outra maçã. Ela olhou pra mim e sorriu – eu tava morrendo de saudades...
- Eu também. Por onde tem andado?-A afastei de mim um pouco e olho pra ela meio admirado e meio abobalhado. Sorri- Você está linda.
- Por aí. – ela corou um pouco quando eu disse a ela que estava linda e se sentou numa das cadeiras da cozinha - Garlock... obrigada por ter me protegido... quando eu passei aquele tempo todo desmaiada...
- Não esquenta. Eu faria tudo de novo e você sabe disso.
Foi nesse momento que aconteceu. Ela segurou o pescoço com força e fez uma careta. Pareceu preocupada e desviou o olhar pro chão. Achei que era hora de contar pra ela que eu sabia de tudo. Me aproximei dela e a abracei. Me impressionei ao sentir que ela retribuía meu abraço e encostava a cabeça no meu ombro. Respirei fundo e disse:
- Yumi. Sei o que se passa com você. Precisa tomar sangue de um descendete de vampiros para se curar. — Ao dizer isso, encostei suavemente meu pescoço em sua boca e fechei os olhos — Minha mãe era uma vampira... Se tomar meu sangue se curará. Tem de fazer isso. Por favor...
-Não! Eu não posso fazer isso... Mas como você sabe disso?! – Ela olhou pra Ryu meio com raiva, mas eu interrompi de novo.
- Não se preocupe. O meu sangue lhe servirá pois não a transformará. Esqueceu que sou meio lupino? Isso a fortalecerá e fará a cicatriz em seu pescoço se curar. Não é nada, sério. Faça isso Yumi... –Olhei em seus olhos e pude perceber uma lágrima querendo cair de meus olhos – Não quero te perder de novo... Por favor Yumi.... Deve fazer isso!
Ela começou a chorar, o que me deixou ainda mais culpado. Então ela apoiou a cabeça em meu peito e disse:
- Eu não posso fazer isso... você sabe...isso vai te machucar... – Ignorei o que ela disse e, novamente, ofereci o pescoço e, gentilmente, guiei sua cabeça até que a boca dela encostasse em meu pescoço. Mais uma vez ela hesitou. – Eu não consigo fazer isso...
Nesse momento, Ryu que estava meio impaciente explodiu de vez:
- Morde ele logo caçamba! Depois eu curo ele cacete!
Mais uma vez eu ri. Olhei pra Yumi, bem dentro dos olhos dela e sorri. Com a mão esquerda, fiz um pequeno corte na base do pescoço, perto da clavícula. Um fino filete de sangue escorreu do pescoço pro peito e eu o ofereci novamente. Sabia que o cheiro de sangue iria fazer o resto. Estava brincando com seus instintos, mas era necessário.
- Beba Yumi... Isso vai te fazer bem... Vai te curar.
Ela hesitou de novo, mas se aproximou e, quando ela estava quase me mordendo disse algo que fez meu corpo estremecer. O sangue pareceu subir todo para o rosto.
- Eu te amo Garlock...
Nem percebi, mas ela havia começado a beber do meu sangue. Pouco a pouco, timidamente, com lágrimas nos olhos, tentando não me machucar. Sorri. Acariciei seus cabelos e a segurei pela cintura num abraço carinhoso. Ryu parecia que ia dar pulinhos de excitação. Senti que a perda de sangue se fazia notar. Tonteei e me apoiei na bancada. Ela olhou pra mim com a boca suja de sangue. Meio assustada, meio saciada. Sorriu.
- Melhor eu parar.
- Venha... Vamos ao meu quarto pra você poder descansar um pouco. – Dizendo isso, pisquei um olho e o corte em meu pescoço se fechou em um instante. Me endireitei e comecei a andar. Ela foi comigo e, logo que entramos, ela correu pro banheiro e lavou a boca. Me sentei na cama, utilizando meu poder pra fazer surgir duas esferas pequenas, do tamanho de bolas de golfe, prateadas. Fiquei girando as duas nas mãos. Quando ela voltou estava sorrindo. Adorei ver aquele sorriso de novo.
- Melhorou?
- Sim. A marca sumiu. Até parece que nunca teve ferida nenhuma aqui.
Sorri. Mas meus olhos assumiram a forma de olhos de lobo. Fechei para que Yumi não visse mas foi em vão, ela se aproximou de mim e sentou na cama ao meu lado.
- Você não pode ficar na forma humana por muito tempo né?
- Não é isso Yumi. – Sorri da preocupação dela e a olhei nos olhos. Quando fiz isso ela segurou em minha mão. Senti um calafrio na espinha a esse toque – É só efeito da perda de sangue. Mas olhe pra minha mão. Sabe o que é isso? Essa é a mesma energia que corre em seu corpo. A energia dos Místicos... Eu ganhei essa energia por me tornar um ser de luz e controlar também a energia das trevas... Não por nascer assim. Yumi. Meu pai era um Lobisomem. Não sei como ele e minha mãe se conheceram mas não deve ter sido amor à primeira vista. Essa energia vai me permitir vingar minha mãe... Ou proteger você.... Eu tenho de escolher entre um ou outro.
- Você também é um místico? – ela compreendera o que eu falei então olhou pra mim – Vingar sua mãe... ou me proteger?
- Sim... Eu nasci pra proteger você... Mas minha mãe ainda não foi vingada e o sangue dela clama a mim todas as noites... Nunca vou descansar em paz se ela não for vingada... Se a vingar... morrerei em breve... Foi Thanatos que a matou... e dessa batalha receio não sair vivo. – Ela olhou assustada pra mim. Então eu a aencarei – Mas de qualquer forma... se escolher proteger você, eu terei de enfrentá-lo... na verdade, a escolha é se quero enfrentar Thanatos agora ou mais à frente... De qualquer forma... Morrerei. –Ela baixou a cabeça sussurrou que não queria que eu morresse. Sorri. Segurei seu queixo suavemente e a fiz olhar pra mim – Eu escolhi proteger você. Quero ficar com você entende?
- Eu também quero t proteger... – ela disse isso olhando nos meus olhos e então disse, mais uma vez naquele dia – Eu te amo... e ... eu demorei tanto pra perceber isso... perceber q eu te amo...
Duerme un recuerdo
(Dorme uma recordação)
clavado e mi corazón
(Cravada em meu coração)
Es el recuerdo de mi amor
(É uma recordação de meu amor)
En la distancia
(Na distância)
siempre añoro volverla a ver
(Sempre anseio voltar a vê-la)
y besa su rostro de mujer
y al soñar la vi
(E a sonhar a vi)
y al despertar no estaba allí
(E ao despertar não estava ali)
Notei algo estranho. Ela sorria e chorava. Seu sorriso era quase invisível. Segurei seu queixo e a fiz olhar pra mim de novo. Olhei bem dentro de seus olhos. Mais uma vez a imagem dela naquele dia que parti voltou à minha mente. Ela dizia que não me amava... Mas agora... era diferente... Acho que realmente a persistência gera recompensas...
oír su voz
(Ouvir sua voz)
sentir su piel
(Sentir sua pele)
pero pronto volveré
(Mas já voltarei)
y ya no marchare
(E já não me afastarei)
de allí
(Dali)
- Eu te amo Yumi... Te amo muito. – Aproximei meu rosto ao dela lentamente. Ela sorriu e se aproximou também então sussurrou algo que me fez irradiar de alegria:
- É com você que eu quero ficar... Eu também te amo Garlock
me miran sus ojos
(Me observam seus olhos)
su encanto rodea mi ser
(Seu encanto redeia meu ser)
cuando regreso con ella
(Quando regresso com ela)
hoy ella me inspira
(Hoje ela me inspira)
siempre la amare
(Sempre a amarei)
por que ella es el amor de mi vida
(Pois ela é o amor de minha vida)
Não hesitei mais. Fechei os olhos e colei meus lábios aos dela, abraçando-a pela cintura, num beijo doce, carinhoso, calmo, apaixonado. Ela me correspondeu o beijo, me abraçando e nos levantamos, abraçados... Parecia que o mundo podia acabar ali que eu morreria feliz. Não precisava mais fingir. Sorri e encostei minha testa na de Yumi. Nos encaramos felizes. Da porta, Ryu nos observava sorrindo. Era realmente uma reviravolta mais que bem vinda.
oír su voz
(Ouvir sua voz)
sentir su piel
(Sentir sua pele)
pero pronto volveré
(Mas logo voltarei)
y ya no marchare
(E já não me afastarei)
y yo estaré
(E eu estarei)
allí donde tu estés
(Ali onde estarás)
yo velaré por ti
(Eu velarei por ti)
Ficamos assim parados por alguns segundos. Sorrimos e nos beijamos de novo. Ficamos assim namorando até tarde. Layla quase teve um treco quando contei pra ela e Ryu nos ajudava em tudo. Agora sim, mais que nunca... essa casa parecia um paraíso...
oír su voz
(Ouvir sua voz)
sentir su piel
(Sentir sua pele)
pero pronto volveré
(Mas logo voltarei)
y ya no marchare
(E já não me afastarei)
y yo estaré
(E eu estarei)
allí donde tu estés
(Ali onde estarás)
yo velaré por ti
Mas uma coisa ainda martelava minha cabeça: Thatanatos estava desesperado por minha cabeça... por quê ainda não me atacou sozinho? E de onde Carrau tirava tanta força??? Pensei nisso por alguns segundos, antes de receber outro beijo de Yumi. Meu Deus como ela podia me fazer esquecer dos problemas tão rápido???
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