Redenção - Um Novo Caminho

4 Capítulo 4 - Grande Tormenta (1ª Parte)


Notas iniciais
" Notas imortais de um sinfonia funesta, apagam as memórias do futuro e do passado. Fazem acordar os maiores rancores, e sacrificar nosso bem mais amado. Desperta coração! Sobe guardião! Ó lobo alado! Vai buscar tua vingança! Vai buscar teu passado!"

Uma noite de névoa cobre a terra. Meus olhos percorrem as planícies em volta da casa e varrem a cidade. Não posso dormir. Não sabendo que Yumi está lá fora, treinando, e que Thanatos a quer morta. Acaricio as costelas enfaixadas e continuo minha vigília. Carrau está muito mais poderoso... mas o que isso quer dizer? Por quê ele nunca revelou esse poder antes?

Um estrondo me chama a atenção. Há algo que não está certo. Minhas asas se abrem e me ergo sobre o telhado. Ao meu lado, Ryuuku ressona levemente. No quintal, as roseiras se agitam demonicamente sob um vento impetuoso. Posso sentir a vontade de matar nesse vento. Uma aura negra se espalha pelo jardim e cobre toda a extensão do mesmo. Fecho um pouco os olhos. Do outro lado da cerca, quase encostado no meio fio, Carrau Dagorlad, meu eterno inimigo me observa. Dou um salto e saio do telhado, indo para o chão. Me aproximo da cerca e o observo nos olhos.

- O que o trás aqui Carrau? Sabe que não pode entrar aqui sem a permissão de Yumi.

- Talvez... Mas um dia quem sabe? - ele soltou uma risada alta. O que me fez sorrir.

- Carrau. Saia daqui... Lembra-se da última vez? Quase morreu por seu mestre! — sorri ao ver seu sorriso morrer no rosto. Ele se lembrava bem das bordoadas que levara. - Ainda não aprendeu que não pode me matar? Somente Thanatos tem esse poder.

- Mais uma vez... quem sabe um dia não é? Afinal... — ele soltou uma risdadinha - eu conheço bem os demônios que se escondem em você... GUARDIÃO...

Ele se desfez numa nuvem de fumaça negra e sumiu da minha frente. Mas ele estava certo. Com a força que demonstrava... quem sabe um dia...

Voltei para o telhado e continuei a vigília. As palavras de Carrau, apesar de venenosas, eram verdade... Todos os guardiões tinham dentro de si uma outra realidade, uma outra personalidade... e nem mesmo eu sabia quem eu era.... O dia despontava quando abandonei o telhado, deixando Ryuuku dormindo lá em cima. Era mais um dia, mas ao contrário do que pensava, não seria um dia comum.

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Acabaei de servir a mesa. Parece que ninguém vai tomar o café comigo além de Ryu. É meio desgastante. Mas afinal... é pra isso que estou aqui. Sorri ao pensar nisso, Yumi tinha deixado a casa em minhas mãos e partira pra treinar. Agora, sabendo quem devia lhe dar as respostas. A deixei nas mãos de Dark. Ele era um vampiro, a iria treinar bem e sem rodeios. Se achasse que deveria encontrar o irmão traidor, ele a faria se defrontar com ele. Isso me assustava. Ouvi Ryu chegando e me sentei.

- Teve bons sonhos Ryu?

- Como? Tou todo torto de ter dormido no telhado!

Não pude deixar de rir. Foi meio uma punição pra ele aprender a nunca mais dormir em serviço, mas não disse nada. Ele já tinha aprendido a lição. Me servi de uma torrada e comecei a comer. Alguns minutos depois estávamos nos jardins olhando o movimento da rua. Parercia que não fazíamos nada durante todo o dia, mas isso não era verdade. Treinávamos arduamente e sempre protegíamos a casa. Ryu parou de ir à escola, o que me deixou bem nervoso no início, mas acabei vendo que ele estava adiantado, mesmo para mim que era mais velho que ele. Layla que não gostou nada disso. Agora ela teria que ir pra escola sozinha.

Não demorou muito. O dia estava muito tranquilo pro meu gosto. Foi mais ou menos por volta do meio dia que houve algo. Carrau apareceu, jogou um pergaminho pra dentro do jardim e sumiu. Estranhei, mas me aproximei para ler o pergaminho. Havia uma mensagem de Thanatos:

\" Garlock

Já extendemos essa luta por tempo demais. Espero você e seu irmão para uma luta definitiva no Coliseum. Darkoron verá a morte de um grande guerreiro hoje, mas, eu temo, não será uma visão nada agradável pra sua adorada Yumi.

Estarei lhe esperando.

Thanatos\"

Amassei o pergaminho e olhei pra Ryu. Ele também queria ir. Sorri. Finalmente... era nossa chance de lutar contra nosso maior inimigo. Abri um portal. Ao passarmos, nos encontramos no meio do coliseu de Darkoron e nos deparamos com o próprio Thanatos a nos observar de cima de uma tribuna. E no pátio, nos esperando para a batalha, Carrau. Thanatos sorriu e se sentou, extendendo a mão.

- Que comecem os jogos das trevas.

Carrau, sorrindo, deslizou contra nós numa velocidade conseguida apenas por uma sombra percorrendo um quarto. Nos atingiu antes que sequer soubéssemos o que nos havia atingido. Mas seu alvo principal era eu. Ryu apenas se ajoelhou com a mão na barriga, mas eu fui lançado para o outro lado do coliseu. Me ergui e materializei minhas espadas em minhas mãos, fazendo-as brilhar numa aura branca e mortal. Ryu fez o mesmo com sua Katana. Carrau, mais uma vez, investiu contra nós, mas dessa vez nos defendemos, rebatendo sua foice pra longe e atacando com chutes poderosos e socos fulminantes. Mas apenas socávamos sombras. Enquanto seu manto se mantivesse intacto ele seria ivencível. E sabia disso. Com um giro da capa nos enviou para as paredes do coliseu rolando e nos debatendo. Ele ria. Era uma diversão para ele. Começamos a nos erguer e ele veio. Partiu pra cima de Ryu e eu intervi. Recebi todo o impacto do poder de Carrau no centro de meu tórax. Com o impulso, ele me jogou pra cima e sorriu enquanto lançava Ryu pro outro lado. Extendeu a mão pra cima e gritou:

- TENEBRA ETERNA!!

Um furacão de sombras se ergueu onde ele estava e me atingiu com violência, me fazendo girar violentamente e largar as espadas que foram parar aos pés de Ryu. No meio do furacão surgiram facas de sombras que me cortaram em vários lugares, me enfraquecendo. Mas consegui concentrar um pouco de energia em meu punho. Fechei os olhos e pensei em Yumi. Ela estaria desprotegida se eu perdesse. Abri os olhos com violência e uma nova aura, prateada, envolveu meu corpo. Minhas asas se abriram e me firmei no furacão que me rodeava. Então invoquei as forças do meu corpo e da noite que me cercava, contra o meu inimigo. Desci como uma bala, a aura prateada me envolvendo e transformando-se em uma poderosa arma. Percebi Ryu correndo em direção a Carrau também e soube, naquele instante, que ele pensara no mesmo que eu. Com um grito de triunfo, desferimos nossos golpes ao mesmo tempo:

- FÚRIA DE GAIA!!!!

Nem que estivesse preparado pra isso ele teria conseguido se esquivar. Carrau foi esmagado entre a colisão de nossos poderes, sua capa foi desintegrada e ele foi lançado pra fora do coliseu. Thanatos se ergueu enquanto eu ainda estava ajoelhado nas areias do coliseu. Ele olhou pra nós e sorriu:

- Muito bom. Veremos agora contra mim.

Ele sorriu e saltou da tribuna pro meio do coliseu. Engoli seco. Ele retirava a capa e materializava a lança. Essa... essa sim seria uma bela luta.... Talvez... mortal...

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Notas finais
Thanatos. Agora vem a verdade. Quem de nós é o mais forte? Quem será digno de ser chamado, de o maior guerreiro?