Redenção - Um Novo Caminho

10 Capítulo 10 – A força dos Galahad


Notas iniciais
A luta continua. É hora de provar o real valor do sangue Galahad.

O sangue escorria das feridas abertas, e eu arfava. Havia, pelo menos, seis balas alojadas em minhas costelas e outras quatro em minha coluna, meus pulmões foram atingidos o que dificultava minha respiração, meu estômago e intestinos estavam perfurados e uma mistura nada agradável de sangue com o resto do jantar escorria pela minha barriga, cujos ferimentos abriam um rasgo, como um sorriso macabro.

Não conseguia entender. Como ele me acertara assim? Como era sequer possível isso? E enquanto sentia o sangue subir pela garganta, sufocando com meus próprios jorros internos, ouvi a voz de Morphius perto de mim, sussurrando em meu ouvido:

- Não.... seria fácil.... fácil demais...

De repente tudo acabou. As feridas sumiram, o sangue não mais existia, a dor se fora. Eu estava prostrado na areia negra totalmente incólume e olhava pras minhas mãos limpas. Me detestei por ter caído em uma técnica ilusória. A fúria queimava em mim e queimou ainda mais quando ouvi a gargalhada de Morphius. Agarrei as espadas e me lancei numa corrida furiosa contra ele... e ele desvaneceu no ar como poeira. Sua voz ecoava em cada canto daquele pátio enquanto eu parava e olhava pra todos os lados.

- Não... Você não pode ter derrotado Thanatos. É impossível. De todas as maneiras que eu posso pensar, é impossível. Com um poder como esse e com essa inteligência... não... Thanatos não cairia por tão pouco.

Ele apareceu sobre uma rocha perto de mim e sorria, olhando pra baixo. Corri contra ele novamente e ele riu, apontando a mão pra mim e, do nada, várias serpentes negras surgiram de sua manga, se lançando contra mim. Movimentando rápido minhas espadas, consegui repicá-las e destruí-las, fazendo chover pedaços de cobras pra todos os lados. Meus olhos chamejavam de fúria e fixava em Morphius cada uma de minhas frustrações. Cheguei perto o suficiente pra agarrá-lo pelo colarinho e comecei a socá-lo, mas ele não parava de rir. Seu sorriso não morria, mesmo ele já tendo perdido vários dentes.

Ele gargalhava, o sangue escorrendo de sua boca, seus olhos injetados de sangue, e ele gargalhava.

- É só isso Galahad? Só pode fazer isso?

Com um urro, saquei minhas garras e comecei a retalhar seu corpo, fazendo lanhos consideráveis em sua barriga, seu peito e seu rosto. Mas como da primeira vez, ele desvaneceu, sumindo no vento.

- É assim que vai ser Morphius? – gritei para o vento procurando em todos os cantos – É assim que vai ser? Se escondendo, fugindo. ME ENFRENTE DESGRAÇADO!

- E por que encurtar a diversão?

Ele sussurrou e pareceu estar colado em mim. Me virei mas não pude sequer senti-lo. Olhava pra todos os lados. Foi quando ouvi sua voz de novo.

- Bem... é hora de sabermos o que essa cabecinha imunda esconde... venha Galahad.... mostre-me seus segredos.... Seishin no yami!*

Foi como se uma enorme sombra encobrisse meus olhos e minha mente rodopiasse em alta velocidade. Como se estivesse caindo sem parar, sem ter onde me segurar. Estava ouvindo o vento rodopiar e trazer as gargalhadas de Morphius até mim.

De repente, tudo parou e caí de boca em chão de pedra. Meio atordoado, me ergui com dificuldade e observei o local. Pra meu espanto e tristeza, estávamos no pátio interno do, antes belo, castelo de Imperia. Tudo estava em ruínas. As escadas, erodidas pelo vento e pelo tempo. As telhas, cobertas de limo onde não haviam despencado e se desmanchado. Várias partes do teto estavam corroídas e haviam buracos onde facilmente se passaria um elefante. Caí de joelhos. Foi quando olhei pro chão e, pra meu horror, eles ainda estavam lá. Os esqueletos de todos os que foram mortos ainda estavam lá. Me aproximei de um pequeno, devia ser uma das crianças.

Estava com uma espada curta perto da mão esquerda e havia um pingente com o brasão dos Galahad em seu pescoço. Estava com as roupas rotas, rasgadas, quase que eram só pó. Mas o reconheci assim mesmo...

- Lycern... Meu.... meu irmão.... – caí de joelhos, dominado pela saudade e pela culpa, fechei meus olhos e segurei o pingente em seu pescoço – Desculpe irmão... Devia ter voltado... enterrado vocês... fui negligente...

Mas nesse momento a mão esquelética dele me agarrou o pescoço e, de sua garganta morta subiu um lamento, uma maldição em uma língua esquecida. Ele olhou nos meus olhos e, de dentro de suas órbitas vazias duas luzes vermelhas emergiram iluminando meu rosto horrorizado enquanto sua voz rouca gritava para o pátio.

- Você!! Traidor!! Uniu-se às trevas! TRAIDOR! MORTE AO TRAIDOR!!! AGNER! LYCANUS! VLAD!!! IRMÃOS!! IRMÃS! ELE ESTÁ AQUI! MORTE!!! MORTE!! MORTE!!!!

Como se atendendo ao chamado de Lycern, os outros esqueletos começaram a emergir, portando suas armas e armaduras, alguns ainda na forma lupina, outros com asas pela metade, mas todos vinham em minha direção. Apavorado, tentei me livrar do aperto de Lycern e acabei arrancando seu braço, que não afrouxava o aperto. Cambaleei pra trás e caí, quase aos pés de Vlad. Ele urrou e vibrou sua maça em direção à minha cabeça. Só tive tempo de rolar pro lado e escapar. Comecei a correr pelo castelo, tendo em minha cola centenas de esqueletos, alguns atirando flechas contra mim. Apavorado, subi as escadas que cediam a cada passo meu, e entrei em vários aposentos até chegar a um que estava bem conservado, e me tranquei ali, esperando.

Mas quando me virei havia alguém no quarto. Coberta por um vestido que um dia fora o mais belo já visto, olhando pra mim com olhos vazios. Seu corpo não se decompusera, sua carne ainda sangrava e ela vinha em minha direção. Meus olhos se encheram de lágrimas e, instintivamente, dei um passo em sua direção. Ela abriu sua boca e chorou.

- Gar...lock?

- Ma...mãe! Sou eu!

- Por quê.... Garlock? Por quê... deixou que eles fizessem isso.... comigo?

- Não mãe! Eu nunca... Nunca deixaria!

- Eles me mataram Garlock.... na sua frente.... eles me destruíram.... e você não fez nada pra impedir... por quê Garlock?

- MÃE! NÃO!!! EU....Era só uma criança... me desculpe... mãe....– me atirei aos seus pés e comecei a chorar. Ela se ajoelhou e, me segurando pelo pescoço, me ergueu sem esforço, enquanto eu começava a lutar por ar. Seu sorriso se alargava e se tornava cada vez mais sinistro, à medida que me levava em direção à janela e me segurava do lado de fora do quarto andar. Abaixo de mim, o pátio interno coalhado de esqueletos. Olhei de novo pro espectro que um dia fora minha mãe, mas agora só via um cadáver decrépito me olhando sem olhos. Ela riu e eu engoli em seco, novamente tentando me soltar.

- Agora... você vai se unir a nós Garlock! Como um bom filho deve fazer! Venha... Morra conosco!

Ela me soltou, enquanto caía, meu corpo virou e pude ver várias mãos esqueléticas se esticando pra me agarrar, em pleno ar. Quando me alcançaram, começaram a me rasgar, retalhando meus membros e fazendo meu sangue espirrar.

Lutei pra me livrar e vi, em um ponto não muito distante, Morphius encostado em uma parede rindo pra mim. Incólume, como se não tivesse levado nem um dos golpes que eu desferira nele antes. Ele ria, observando meu tormento. Gargalhava em cada parte minha que se ia nas mãos dos esqueletos. Mas inexplicavelmente, eu não conseguia me soltar. Ele pareceu notar minha confusão e riu ainda mais. Decidi que já bastava, tentei usar minha aura pra me libertar, mas eles pareciam se alimentar de minha energia, pois não conseguia elevar minha aura sem eles drenarem cada grama de meu poder. Estava exausto, e já decidia me entregar, quando ele se aproximou de mim. Os esqueletos pararam e se afastaram, me deixando muito ferido no chão. Eu o vi se aproximar de mim sorrindo, se ajoelhou e olhou nos meus olhos.

- Então é isso hein... Esse é um dos seus medos... Mas não é o maior.... com certeza te assusta algumas noites mas o seu passado não é assim tão cruel pra voltar e te assombrar, você só tem medo disso... – Ele se ergueu e se virou de costas erguendo a mão direita e estalando os dedos enquanto dizia: – Vamos ver o que mais você me revelará.

Mais uma vez uma escuridão tomou conta da minha visão e minha mente rodopiava. Um novo vórtice de escuridão me enviou diretamente pra outro lugar, dessa vez uma casa branca, cercada por roseiras. Eu observava o local, reconhecendo a casa de Yumi onde eu morava agora... Entrei pelo portão e notei que a barreira estava desfeita. Me preocupei e corri pra dentro e o que vi me paralisou mais que a visão dos esqueletos no castelo. Layla estava caída atrás do sofá, deitada em uma poça do próprio sangue. Ryu estava na cozinha, apunhalado por, pelo que parecia, todas as facas existentes na casa. Onimura estava pendurado na parede, empalado por uma viga de ferro. Corri pro quarto de Yumi e a encontrei, ainda agonizando, deitada na cama, com a foice de Carrau encravada em seu tórax. Me aproximei e arranquei aquela arma, jogando-a pro lado. Aquilo me doía ainda mais que a visão de minha mãe morta ressurgindo pra me buscar. A segurei em meus braços, e ela sorriu pra mim. Não disse nada... não houve tempo. Seu corpo amoleceu, sua mão pendeu e seus olhos se fecharam quando ela se foi. Em meus braços... sem que eu pudesse fazer nada.

Enquanto sentia a dor aumentando, ele saiu das sombras. Me encarando, me medindo.

- Não teme apenas o passado, mas o presente e o futuro também. – ele riu e ergueu o braço. Tudo se desvaneceu e me vi ajoelhado nas areias de Darkoron de novo. Ele ria, se deliciava com a minha dor – Você é um prato cheio Garlock. Sabia disso? Podia passar milênios atormentando você e ainda acharia algo novo pra usar. É... Acho que vou fazer isso...

- Imbecil... Uma hora eu me livro dessas suas ilusões e você então verá o meu poder, covarde.

- Ilusões? – ele riu. Gargalhou na verdade – Acha que foi vítima de simples ilusões até agora? Tolo.... Não notou ainda? Onde nós estamos?

Não entendi sua pergunta e olhei ao meu redor. Foi quando notei o castelo. Era o castelo das trevas, mas parecia que o vento empurrava partes dele como areia. Observei as pedras, os corpos, até mesmo eu. O vento parecia afetar tudo, transformando tudo em areia. Foi só então que me lembrei do monstro que me atacou quando cheguei. Foi a primeira coisa que se desvaneceu no ar. Procurei minhas espadas e as achei. Olhei pra Morphius e saquei ambas.

- Não estamos em Darkoron, estamos Morphius?

- Ah! Finalmente ele descobriu! – ele parecia se divertir com a situação – Sim Galahad, não estamos naquele mundo maldito. Estamos no reino dos sonhos, onde eu reino absoluto! Aquele monstro que enviei a você o trouxe rápido. Devo presumir que sequer notou a mudança?

- Você foi esperto Morphius. Mas ainda assim, eu posso lutar em qualquer lugar. Não vai me vencer.

Quando disse isso ele desatou a gargalhar e isso me irritou muito. Parti pra cima dele mas ele me parou, apenas estendendo a mão e me fazendo voar alguns metros. Ele agora estava rindo de escárnio.

- Já venci seu burro! Será que não vê? Esse mundo responde às minhas vontades. EU o controlo, e tudo que há nele. Pode viajar por toda a vida e não encontrar ninguém, ou sempre chegar à mesma cidade, não importa o quanto viaje. EU sou a voz absoluta aqui! E VOCÊ-NÃO É-NADA!!!

Ele arremeteu contra mim me atingindo com um soco na barriga. Senti como se fosse em meus ossos. Ele me socava e socava, não parava e não pararia até que eu estivesse morto. Consegui me livrar e recuei um pouco. Estava dolorido, mas tinha que pensar em algo. Mas o quê?

Foi então que algo súbito me veio à mente. Algo.... tão louco... que poderia dar certo. Me ergui, guardei as espadas e corri em sua direção, escapando das rajadas de energia que ele enviava pra mim. Rilhei os dentes. Era agora ou nunca. Me aproximei mais e saltei, agarrando-o pela cintura, enquanto caíamos pra trás. Nesse momento uma explosão de energia me atirou longe e ele se ergueu. Sorrindo, apontou sua mão pra mim, mas nada aconteceu. Ele estranhou e tentou de novo, e de novo, e de novo. Me ergui rindo dele. Ele estava confuso e desesperado, enquanto eu sacava as espadas. Logo as nuvens se distanciavam e a lua cheia, totalmente vermelha tingiu a terra, fazendo-o olhar pra cima e engolir seco, logo depois olhando em volta. Tudo estava sólido. Decrépito, mas sólido. A Lua vermelha, iluminava até onde a vista alcançava e ele olhou pra mim com fúria.

- Pra onde me trouxe mestiço desgraçado!

- Pro local de treinamento dos lupinos. Sabe Morph, se tivesse ficado calado, talvez tivesse me matado, me torturado... Mas você abriu a boca. – comecei a andar em círculos ao redor dele, falando com a cabeça baixa, exibindo um sorriso. Agora tinha uma chance de vencer – Sabe, se tivesse ficado calado, eu sempre pensaria que era uma técnica ilusória. Poderia me manter preso por anos, talvez séculos, sem eu nunca notar. Mas você tinha que se encher de orgulho, seu plano era perfeito. Sim, pois onde será que alguém poderia fugir de você, mesmo que escapasse do mundo dos sonhos? Lugar nenhum não é? Mas... você não contava que eu fosse um... mestiço desgraçado não é? Não... você não podia imaginar os meus poderes...

- Que poderes? Você blefa pior do que luta. ANDA! ME diga logo onde estamos! QUE PORRA DE LUGAR É ESSE QUE NUNCA VISITEI? ONDE ELE EXISTE?

Eu ri. E minha risada ecoou pelos vales e ruínas ao nosso redor, arrancando das árvores próximas um coro de uivos que deixou Morphius pálido.

- Claro que nunca visitou. Ele existe em um lugar onde apenas nós os lupinos podemos andar, um lugar onde ninguém nunca dorme, por isso mesmo, não há abertura pro reino dos sonhos aqui.

Ele ficava cada vez mais irritado por não saber onde estava, e eu estava adorando isso.

- Aqui, aqui! Que merda de lugar é aqui???

- Este é o mundo além do véu Morphius. É o que os católicos chamam de “Purgatório”, que outros chamam de “transição”. Este, é o mundo dos espíritos. – sorri ao ver o horror no rosto dele – O mundo dos mortos. Um mundo do qual somos os porteiros e protetores. E agora. – sorri sadicamente ao ver o brilho vermelho da lua em minhas lâminas – Agora é hora de nós brincarmos direito. Em igualdade de condições.

Sorri como uma criança que acabara de ganhar um presente. Lá estava ele, Morphius, dependendo única e exclusivamente dele mesmo, sozinho, vulnerável, amedrontado. Quase senti pena. Mas comecei a correr em sua direção, com as espadas em mãos, e um brilho mordaz nos olhos. É... eu estava me divertindo.

Os golpes começaram a soar como trovões. Mais e mais uivos vinham dos arredores, enquanto minhas lâminas trilhavam seu caminho até Morphius. Atingi vários golpes nele, deixando pequenos cortes em seus braços e suas pernas. Ele já começava a cansar, devido à perda de sangue e à atmosfera do lugar. Só quem conhece seus próprios medos, pode perceber quando alguém demonstra medo. E, ao que parecia, Morphius era apavorado por lobos... Quanto mais os uivos aumentavam, mais ele se desnorteava. Depois de certo tempo, ele quase perdeu o foco em mim, olhando pras árvores. Começou a sussurrar desconcertado.

- Faz parar.... Por favor.... Faz parar. .... Eu.... te deixo em paz.... mas faz parar... – sorri e soltei um uivo em resposta aos outros. Mais de cem lobos se mostraram e avançaram, ficando próximos o suficiente pra ver a luta. Eles começaram a uivar ainda mais forte, parecendo quase urrar em frenesi. Morphius se jogou no chão, tapando os ouvidos e choramingando – NÃO!!! POR FAVOR!!! FAZ PARAR!!! FAZ PARAR!!!! POR FAVOR!!! POR FAVOR!!!

- É bom não é? Saber o que seu oponente teme e usar contra ele é deveras, delicioso. Mas quando usado contra nós, não é tão bom assim é? Pra seu azar, eu já tive de enfrentar meus medos uma vez. Me amedrontam ainda, claro, mas só me deixam mais forte. Já você. – ri desdenhoso, vendo o “poderoso deus dos pesadelos”** prostrado e chorando – vejo que seu pai nunca o ensinou a dominar seus temores. E agora – sussurrei sibilante, me preparando pro ataque final – aprecie a minha técnica suprema! Técnica suprema das forças de Impéria! COMBO GALAHAD! – Minha aura branca me envolveu e um uivo soou, mais forte que todos, mais alto, mais majestoso. Corri e comecei a socá-lo, desferindo vários golpes em seu tórax, barriga, rosto e braços, depois, com um “uppercut”, iniciei mais uma vez o meu combo. Minha aura envolveu meu corpo e subi como um foguete acertando um soco potente em seu queixo, impulsionados pelo meu golpe, subimos quinze metros – ASCENDING WOLF! – Continuamos a subir um pouco, quando concentrei a aura nas canelas e girei o corpo assim que paramos no ar, chutando suas costelas e senti que quebrara, ao menos, duas delas. Sorri ao pensar nisso. – FULL MOON CUT!! – Assim que ele começou a cair, segurei em suas costas e girei o corpo, como se o impulsionasse com as duas mãos em suas costas. Minha aura assumiu a forma de um cometa – METEOR STRIKE! – Aceleramos e ele se chocou ao chão com uma força suficiente pra destruir todos os ossos do tórax. Pra confirmar, ainda apoiado nas costas dele, concentrei a aura nas palmas das mãos e desferi meu último golpe –MORTAL HOWL! – Uma onda sônica atravessou o corpo de Morphius, destruindo alguns de seus órgãos internos. Ele começou a arfar, infelizmente só consegui destruir um dos pulmões. Me ajoelhei perto da cabeça dele e segurei em seu pescoço, abrindo um portal embaixo de nós e nos levando de volta a Darkoron. Segurei sua cabeça e a ergui, fazendo com que ele gemesse de dor e ficasse com o ouvido perto da minha boca. Um líquido negro saía de sua boca. – Me escuta. E me escuta bem Morphius. Não haverá mais ataques. Não haverá mais tentativas de assassinato contra Yumi, fui claro? – ele acenou que sim e eu continuei – Bom. E agora, eu vou entrar lá, e fazer com Carrau pior do que fiz a você. E se for esperto mesmo, vai sair daqui, encontrar um local calmo, curar suas feridas e nunca mais olhar na minha cara, FUI CLARO?

- Trans... transparente....

- Ótimo. Sabe por que te deixei vivo Morphius? – ele acenou que não e eu sorri, sussurrando em seu ouvido – Por que pra nós, Lycans, não há glória em matar um animal indefeso.***

Saí dali, caminhando em direção ao castelo ouvindo as pragas de Morphius. Mas agora ele sabia qual era o meu poder. Entrei no castelo e comecei a caminhar. Sabia que Carrau estava na sala do trono. Era lá que ele costumava lamber o saco de Thanatos. Caminhando pelo castelo, cheguei à antecâmara, uma sala redonda, que ficava a um corredor de distância da sala do trono. Lá, uma pessoa me esperava. Seus cabelos loiros encobriam parcialmente seus olhos azuis. Sua pele alva refletia na luz fria do local e, em suas costas, uma espada grande o suficiente pra fazer um estrago na pele de um dragão. Ele ergueu a cabeça e olhou pra mim, ainda com aquele olhar gelado.

- Olá irmão.

- Você perdeu o direito de me chamar assim já tem um tempo, Hypnus.

- Aff...- ele suspirou e olhou pro lado – Que fique bem claro. Fui contra atacarem sua casa.

- Grande consolo.

- Assim como fui contra Morphius atacar você. Sabendo da sua obstinação, sabia que iria vencer.

- Humpf. Mas ainda assim está aqui, pra me impedir suponho.

- Sim. Mas não pela luta. — Ele se postou de costas pro corredor e olhou pra mim, de um jeito que até aprecia meu irmão mais velho de novo. Fiquei desconcertado com isso. – Não vá. Carrau não é como Morphius ou Thanatos. Ele vai te vencer. Por favor Garlock. Volta. Eu sei da mística, ela pode vencê-lo, mas por favor. Não vai!

- Agora é tarde. Mas pelo menos você me mostrou que puxou nossa mãe em algo. Sai da frente. Tenho que ter um bate-papo com o Carrau.

Ele abriu a boca pra falar algo, mas desistiu. Fechou os olhos resignado e se moveu, deixando o corredor livre. Andei em direção à porta da sala e, quando estava quase chegando, ele falou pra mim:

- Lembre-se Garlock. Eu te avisei. Espero que a sorte esteja ao seu lado hoje.

Engoli em seco e entrei, fechando a porta atrás de mim. E lá, sentado no trono, estava ele me esperando. Carrau estava com o capuz abaixado, revelando sua cabeleira azul caindo pelos ombros até o abdômen. Ele sorriu e se ergueu, sacando a foice.

- Seja bem vindo Galahad. Espero que tenha gostado do comitê de recepção... passará um longo tempo aqui.

- Vai sonhando ô fumacinha! – Saquei as espadas ao mesmo tempo que ele ergueu o capuz e se transformou no ser de sombras. Arremetemos um contra o outro urrando e nossas lâminas começaram seu jogo.

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*[Escuridão mental]
**[Na verdade Morfeu(Morphius) é o deus dos sonhos, o deus dos pesadelos é Icelos, mas quem tava interpretando fundiu os dois.]
*** [Quem já jogou Killer Instinct pode falar de boca cheia: “HUMILIATION”]

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P.S: Hoje não tem Foto pq o PC tá uma porcaria... nem sei como consegui postar esse capítulo hj O.o!

P.P.S: (14/01/2011) O que uma Lan House não ajuda hein? ^^

EU SEU QUE FICOU RUIM!!! Não precisa gritar! Me desculpem quem é fã... acho que vou parar de postar as figuras, senão o povo assusta e não volta mais...

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Notas finais
E mais uma vez, a luta vem a Garlock. E abatalha contra seu mais odioso inimigo se inicia. Será que ele sairá vencedor? Não percam o próximo capítulo semana que vem nesse mesmo dia e nesse mesmo horário! E não esqueçam os reviews, não matam e deixam um autor feliz e com mais vontade de postar ^^!