Redenção Tomione
31 Meu Passado... (Bônus)
Notas iniciais
JOYYYYYYYY OBRIGADA PELA RECOMENDAÇÃOOOOOOOOO
Meu passado, Meu presente e meu futuro
Tom agora andava sem destino pelos corredores do castelo. Não sabia ao certo como deveria se sentir, como deveria agir. O jovem sabia que sua expressão era meio louca, mas não havia nada que ele pudesse fazer para muda-la. Uma parte dele estava simplesmente extasiada porque ele havia conseguido. Ele havia mudado o futuro e havia salvado todos os seus amigos, mas havia a outra parte, a parte que sabia que ele não teria mais o seu amor ao seu lado, não teria mais os seus beijos doces e o seu corpo quente fundido ao dele. Não teria mais as suas repreensões ou suas crises de ciúme ou até mesmo a sua sabedoria calma e extensa que tanto lhe chamavam atenção. Como lidar com aquela tempestade de sentimentos que o invadia sem que isso lhe causasse tormenta?
O garoto rumou até o buraco do retrato na frente do salão comunal da grifinória e ficou olhando um tempo para a mulher gorda. Se deu conta que estava sem o seu uniforme. Vestia uma camisa preta simples e uma calça igualmente negra. Ele ficou ali, apenas olhando a mulher gorda que cantava uma espécie de ópera tentando inutilmente quebrar um copo de cristal. Por um minuto ele desejou que pudesse entrar ali e que seus amigos o estivessem aguardando no salão comunal, todos com risadas no rosto, com piadas engraçadas e calorosos abraços. Mas naquele tempo ele não pertencia aquela Casa. Ele era, afinal de contas, um sonserino.
Sentou-se no degrau das escadas que mudavam e fechou os olhos. Estava cansado demais para tomar qualquer atitude e as masmorras era o último lugar em que desejava estar naquele momento. Colocou a cabeça entre as mãos e desejou ardentemente ser obliviado naquele instante, mas ele não poderia esquecer, ele não deveria esquecer-se de tudo que havia passado naqueles meses maravilhosos e estranhos no futuro. Não poderia esquecer-se de sua castanha nunca.
— Você está bem Riddle? — olhou para cima, em direção a voz feminina que o chamava. Era Minerva. Uma futura e brilhante professora de transfiguração. Ele tinha que ter cuidado com todo o conhecimento sobre o futuro. Não queria que nada fosse alterado além das vidas que foram afetadas por Voldemort.
— Estou... — falou educadamente levantando-se depressa do degrau da escada. — É só um pouco de dor de cabeça.
Ela piscou algumas vezes. Certamente não era a resposta que ela esperaria dele, porque o Riddle que ela conhecia mandaria ela ir pro inferno ou caçoaria dela.
O jovem despediu-se gentilmente de Minerva, que era monitora-chefe pela grifinória e andou até as masmorras com a sensação de ter seu coração esmagado por uma mão invisível. Como ele viveria sem tê-la ao seu lado? Como ele passaria sem o riso reluzente de Hermione ou sem as piadas sem graça de Ron? Sem a esperteza de Harry e a doçura de Gina? Como ele ficaria sem as únicas pessoas que realmente se importaram com ele?
O jovem entrou no salão comunal e os sonserinos o encaravam com curiosidade e medo. Aquela expressão o cansava. Ele não queria mais causar terror, não era, nem de longe, e nunca mais seria o seu objetivo. O que ele queria ali mesmo? Nada. Voltou a sair do salão comunal nas masmorras sem cumprimentar ninguém e foi até o seu quarto de monitor chefe. Deitou-se em sua cama e abraçou o travesseiro, então pôde permitir que lágrimas grossas de dor e saudade rolassem por seu rosto.
UM MÊS DEPOIS
(...)
— O Tom está diferente Alvo. — professor Slughorn comentou com o professor de transfiguração enquanto analisava as bugigangas espalhadas pela mesa do velho de barba grande e alva com óculos de meia-lua.
— Tom Riddle? — Alvo perguntou mais interessado enquanto bebia uma xícara de chá de couro de mantícora. Ele já havia notado o isolamento do jovem, a forma como seus olhos estavam sempre vermelhos como se houvesse chorado por um longo tempo, o modo como cumpria mecanicamente com suas obrigações e a forma como impedia que seus antes amigos chicotassem de alunos que fossem mestiços ou nascidos trouxas.
— É Alvo. Ele mesmo. Hoje ele quase entrou numa briga porque Nott chamou uma garota lufa-lufa de sangue ruim. É claro que sendo monitor-chefe, o mesmo levou Nott para detenção por isso, mas você precisava ver a expressão furiosa no rosto de Tom. A forma como ele defendeu a garota... Foi muito nobre.
— Nobre... — Alvo parecia encantado. O que será que aconteceu? Alvo perguntou a si mesmo enquanto sorvia mais do seu chá quente. Resolveu então que prestaria mais atenção ao moreno. Talvez ele merecesse uma chance afinal, a chance que Alvo nunca lhe dera, por nunca ter confiado no adolescente manipulador que um dia Tom fora.
(...)
DOIS MESES DEPOIS
Tom não estava nada bem. A verdade é que ele sentia aquela depressão arrastando-se em sua direção. A saudade não esmaecia. Somente aumentava a cada dia que passava. Já passava da meia noite e ele agora andava calmamente pelos corredores do castelo. Iria até o único lugar que aliviava seus pensamentos, que fazia com que ele se sentisse um pouco mais perto dela... A varanda.
Ele virou a esquina e avistou a porta que o levaria até o local tão almejado. O céu estava perfeito. Um mar de estrelas e uma lua cheia e proeminente. Ele desejou que sua castanha estivesse com ele para ver aquilo. Conjurou um lençol macio, o mesmo que ele costumava conjurar quando estava com ela, azul, com estrelas e luas prateadas em sua estampa e deitou-se olhando para o céu. Respirou fundo, mas o ato não lhe trouxe alívio e ele sabia que mais uma vez iria chorar. Certamente o amor era uma fraqueza, mas ele preferia chorar todos os dias e sentir-se vivo, do que ser um monstro sem sentimentos e sem coração. O moreno colocou o braço em volta dos olhos e algumas lágrimas secavam automaticamente na manga de seu uniforme enquanto ele soluçava um pouco.
— Vejo que alguma coisa realmente grave o desespera, Tom. — a voz suave de Alvo surgiu do nada e ele secou rapidamente as lágrimas para olhar para o velho. Engoliu em seco. A figura paternalista sempre o encorajava. Ele era o único elo permanente com o futuro do qual ele tinha vindo.
— Professor Dumbledore... — Tom sentou-se em cima do lençol. Alvo sentou-se de frente a ele.
— O que te atormenta? — Alvo começou incerto. Queria ter certeza que o garoto não estava sendo manipulador como sempre, mas havia algo diferente dessa vez. Ele desejou que Tom levantasse os olhos para que ele pudesse ver em sua mente, mas o garoto mantinha os olhos baixos.
— Eu não posso contar... — Tom falou em um fio de voz.
— E porque não poderia? — Alvo continuou em seu tom suave e encorajador.
— Porque eu sinto vergonha disso. — Tom falou e levantou os olhos vermelhos para o velho que o encarava curioso.
— Sempre pode conversar comigo filho... Sempre que quiser. — aquelas palavras desarmaram Tom. Filho... Ele o chamara de filho e naquele momento ele se sentia um completo órfão, tão solitário e sem amigos verdadeiros. Ele olhou para Alvo e lutou contra qualquer instinto de oclumencia. Ele queria que o velho soubesse que ele estava sendo sincero, queria que Alvo visse o que aconteceu em suas lembranças.
— Aconteceu algo comigo... E eu mudei... Eu mudei porque eu vi como seria o meu futuro. O senhor estava certo o tempo todo em não confiar em mim. Eu era mau, cruel e manipulador e isso me levou a fazer coisas que eu não deveria. Magia negra... E ela acabou comigo, me transformou num monstro, um monstro que não ligava para a vida humana, que teve a capacidade de matar crianças indefesas, pessoas que não tinham como se defender de minha fúria. Mas eu não sou mais essa pessoa Dumbledore. Eu não quero ser, eu prefiro estar morto a me tornar aquilo... — Tom falou e permitiu que Alvo entrasse em sua cabeça. O velho espantou-se com tudo que viu. Meses de memórias fortes e felizes. Amigos que deram-lhe uma chance, que o fizeram ver o lado bom da vida, o rosto do monstro que ele estava destinado a se tornar caso não mudasse. E alvo viu, como a maior lembrança de todas, o rosto de uma certa castanha, e ele viu a intensidade do amor que o garoto sentia por ela e Alvo soube naquele instante, que aquele garoto que estava em sua frente teria coragem de dar a própria vida em sacrifício se isso garantisse que aquela garota ficaria bem. Era um amor incondicional, puro e forte, mais forte que o tempo, mais forte que a vida, mais forte do que qualquer outra coisa que o mago tivesse presenciado e isso o contagiou e o fez sorrir.
— Ah sim... Eu vejo... — ele falou deixando-se inundar pelas lembranças do moreno. — Sabe Tom... Estive pensando.
Tom que havia abaixado os olhos voltou a encarar os azuis cristalinos do velho.
— Eu estou sozinho há muito tempo, e talvez por isso tenha prestado atenção a você desde o primeiro momento. Percebi a sua sede de poder desde quando você roubava pequenos objetos no orfanato e ainda assim, passei por cima disso para lhe trazer para Hogwarts porque indefinidamente sempre vi um pouco de mim em você. O poder é sedutor Tom, é leviano e envolvente e eu perdi a minha família por causa disso. — uma mágoa antiga sombreou o rosto de Dumbledore.
— Você também está sozinho Tom... — ele falou contemplando o rosto do garoto confuso que não sabia exatamente aonde o velho mago queria chegar. — Mas poderíamos aplacar essa solidão. Eu nunca tive um filho. Você nunca teve um pai. — Dumbledore respirou profundamente. Tinha tomado a sua decisão desde que começou a avaliar a mudança explícita e devastadora que Tom havia sofrido. — E se você me permitir a honra... Gostaria de te adotar.
Tom não tinha palavras naquele instante. Ouvia mesmo o que ouvia? Dumbledore lhe propunha adoção?! Lágrimas voltaram a regar o seu rosto emocionado.
— Não quero que o faça por pena. — Tom falou entre alguns soluços emocionados.
— Nunca. — Dumbledore garantiu-lhe deixando uma mão enrugada repousar em seu ombro. — Mas saiba que como meu filho terá muita responsabilidade. Afinal, aturar um velho caduco como eu não será nem de longe fácil.
Tom permitiu que a onda de sorriso o invadisse. Tinha um pai, uma família, tinha apoio vindo de um lugar que nunca esperara. Ele permitiu-se respirar aliviado e vislumbrou um futuro um pouco mais tolerável... Mesmo sem ela...
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