Redenção

7 Todos morreram


Thor a encarou sério e balançou a cabeça negativamente.

— Vim conversar com o senhor, Doutor Estranho. Que bom que Clea está aqui. Precisamos tratar de assuntos importantes!

— Wong... Wanda... – Stephen pronuncia. – Deixem-nos a sós, por favor!

Eles o obedecem, enquanto Clea ajuda o Mago a posicionar sua cadeira de rodas e se senta em uma poltrona ao seu lado.

— Aconteceu alguma coisa, Thor? – ele indaga.

— Sim... – suspira pesadamente e esfrega o queixo com as mãos. – Asgard está destruída. Era para tu lutares ao nosso lado, Clea. O que fazes aqui em Midgard?

— Alguém desencarnou? – ela desconversa. Sentiu uma queimação arder pelo corpo todo. A preocupação e remorso por não estar ao lado de seu povo lhe pesaram os ombros.

— Todos. Exceto a mim. Perguntar-te-ei novamente: — o deus fala entre dentes. – Por que estás aqui?

— Ora, irmão, o motivo é simples... – naquele momento, Loki adentra ao Sanctum, surpreendendo a todos. – Ela queria matar os midgardianos! – completa.

O coração de Clea ameaça saltar pela goela.

— Eu me arrepelei. Mudei de vida! – ela esclarece.

— Ah, mudou? – o deus da trapaça ergue as sobrancelhas.

— Loki, o que fazes aqui? – Thor o questiona, fitando-o bravo. Nem ele sabia que o irmão adotivo havia seguido-o.

— Cadê o doutor Banner? – o trapaceiro desconversa.

— Lá fora, por que queres...? – o loiro é interrompido pelo outro que levanta a mão.

— Traga-o aqui! – ordena.

O príncipe de Asgard cerra os punhos, todavia, por curiosidade em saber o que seu meio-irmão tinha a lhe dizer, o faz.

Clea estava ofegante devido aos seus batimentos acelerados. Strange não entendia nada do que acontecia.

Não demora muito e o deus do trovão volta acompanhado de Bruce Banner.

Ao ver a mulher, o cientista faz uma expressão vingativa.

— Olá... Clea! – diz seu nome pausadamente, assustando-a mais. – Lembra-se do que fez comigo?

— Doutor Banner. Remita-me pelo que fiz... – levanta-se para olhá-lo diretamente.

— Perdoar? – interrompe-a. – Matei dezenas de pessoas na arena de Sakaar graças ao controle que você e Loki colocaram em mim. Acha que isso tem perdão? – ele a segura pelos braços, intimidando-a. – Eu poderia matá-la neste exato momento caso virasse o Hulk, mas seria uma pena fácil demais. Você e Loki ainda têm que pagar pelo que fizeram!

— Clea, o que está acontecendo? – Strange a encara perplexo, aproximando-se. Rolava com dificuldade a roda de sua cadeira.

— Ora, Doutor Estranho, ocorre que fostes enganado por esta mulher... – Loki comenta. – Todo esse plano de que ela queria mudar e aprender sobre seus poderes foi para te matar! – ri com desdém.

— É MENTIRA! – a asgardiana grita.

— Você é o deus da trapaça e da mentira, como posso acreditar no que diz? – Stephen o afronta com um olhar enfurecido.

— Preferes confiar numa mulher que causou uma explosão devastando uma cidadela e ainda matou milhares de crianças? – o trapaceiro indaga, fazendo o mago se silenciar, pensativo.

— Que história é esta que mataste crianças e destruíste uma cidade? – Thor se aproxima de Clea feroz, empurrando-a contra a parede.

— Ai! – suas costas batem com força, fazendo-a gemer de dor. – Eu posso escusar-me! Loki me manipulou e me mandou à Midgard para matar Jane Foster. A vingança estava me consumindo, Strange apareceu e tentou me impedir. Então, automaticamente, causei uma ruína devido à falta de equilíbrio dos meus poderes. Fui presa pela S.H.I.E.L.D. e Loki visitou-me em minha cela. Disse para que eu seduzisse o Doutor Estranho e apagou sua imagem das câmeras.

— Então quer dizer que tudo foi encenação? – Stephen pergunta, olhando-a incrédulo.

— Sim... – ela abaixa a cabeça. – Todavia, ele continuou a me importunar e naquele dia que me pegaste dançando com Wong na cozinha, estava com um frasco em mãos para envenenar-te. Porém, ele me distraiu e desisti da ideia. Depois, conforme passamos estes últimos meses juntos, comecei a gostar de todos vós e me compungi. Eu estava em paz...

— Em paz? – Loki interpela. – Neste caso, por que não conta o que fizeste há dois dias com o Doutor Estranho? – debocha.

— Fostes envenenado quando Loki manipulou minha mente naquele bar. Entregou-me um frasco com o antídoto e o coloquei em sua bebida. – ela já estava aos prantos. — Quando voltaste para a mesa, já estava arrependida, mas era tarde. Quando te vi morrer, praticamente, orei à força Odin e fui abençoada para poder te curar. Sinto muito, Strange. Realmente estou contrita!

— V-Você tentou me m-matar... – o mago balbucia as palavras. – Logo agora que percebi que gostava de você?

— Steph... – ela tenta falar, contudo ele ergue a mão.

— Clea, não há outra punição para ti e para Loki a não ser passarem o resto de vossas eternidades na dimensão silenciosa. – Thor se manifesta. — Condená-los-ei a viverem o resto de seus dias sozinhos, surdos e mudos. – encara Strange. – Podes me auxiliar abrindo um portal para levá-los?

O feiticeiro afirma com a cabeça.

— A CULPA É TODA TUA LOKI! – ela grita e começa a correr na direção do deus da trapaça que sorri.

Antes que se aproximasse, ele atira uma rajada de energia no doutor Banner, que cai no chão, enraivecido. Clea para no meio do caminho ao ver a cor de sua pele mudando.

— Adeus, idiotas! – o vilão ri e se teletransporta.

Stephen rapidamente se aproxima de Bruce e toca em sua cabeça. Com sua telepatia, consegue controlar sua raiva.

— Loki ainda está com os poderes de Odin. Está quase invencível! – Thor comenta, socando o sofá.

— O que aconteceu ao Pai de Todos? – Clea interroga curiosa.

— Tu, como a péssima asgardiana que és, sabias que Loki usurpava o trono de meu pai. Ainda assim, preferiu vir atrás de tua vingança tola, enquanto nosso reino foi destruído pelo demônio Surtur e pelo próprio Loki, que levou o lobo Fenris para devorar os corpos de todos que morriam em batalha. Todos, absolutamente TODOS morreram. – suspira pesadamente. – Somente ele, Doutor Banner e eu sobrevivemos. Odin já havia sido morto por Loki de forma incógnita e tomou parte da força Odin.

— Asgard está completamente assolada? – ele assente. Clea sente a culpa lhe pesar nos ombros. – Eu não sabia que Loki desencadearia o Ragnarok. Jamais imaginei que seu ódio chegasse a este nível. – comenta chorosa.

— E graças ao seu erro, os deuses tiveram seu crepúsculo. Este sangue também está em suas mãos! – Strange menciona e a agarra pelo braço. – O portal está aberto. Espero que consiga pensar em todos seus erros até o último dia de sua vida. – o mago falava com amargura. Para ele, naquele momento, aquilo era pouco para os feitos da moça.

— Adeus Doutor! Adeus Thor! – a loira ainda chorava. Abaixou a cabeça diante deles e adentrou ao grande círculo dourado.

O portal se fechou. Enfim, o deus do trovão se deu ao luxo de sentar-se em um sofá à frente de Strange.

— Após Surtur e Fenris destruírem toda a Asgard e matarem todo meu povo, Loki fugiu. Jamais imaginei que teria me seguido. Ele havia me falado que Clea fugiu de lá para não cumprir mais a punição de meu pai. Como eu pude ser tão idiota de não perceber que a todo momento não era meu pai ali, mas sim Loki?! – soca o braço da poltrona, afundando-o.

— Calma Thor! Não podemos perder a cabeça! – Banner comenta e eles o olham confusos. – Sei que não sou especialista em seguir esse conselho, mas precisamos fazer aquilo que viemos fazer.

— Como me acharam e por que vieram até aqui? – Strange indaga.

— Consultei à força Odin que me disse para procurar o Mago Supremo de Midgard, pois esta terra corre perigo. Vim buscá-lo para falarmos com os Vingadores.

— Vocês sabem que os Vingadores não existem mais, né? – o Doutor rebate e eles arregalam os olhos. – Longa história... Querem chá?

BÔNUS

Loki surge na sala de Mordo.

— Ei, seria bom bater na porta antes de entrar! – o feiticeiro ralha.

— Mudança de planos. Clea recuou e se juntou aos mocinhos. – o deus da trapaça anda de um lado para o outro.

— O que? E agora quem vai nos ajudar a pegar as Joias do Infinito para Dormammu?

— Surtur foi destruído por Thor. O lobo que criei também. A única que poderia bater de frente com Thor já que consegue dominar a Força Odin é Clea! – queixa-se.

— Conseguiu destruir Asgard pelo menos? – Mordo levanta uma sobrancelha. O asgardiano assente. – Que ótimo! O mestre vai ficar feliz...

— Não contes nada para ele! – Loki o interrompe. – Darei um jeito de convencê-la a trabalhar para Dormammu. Todavia, não garanto que será agradável. Podes abrir um portal para a dimensão silenciosa?