Redenção

3 Ensine-me a ser boa!


Já era madrugada. Todos dormiam em seus respectivos quartos no Sanctum, quando Loki entrou nos aposentos de Clea, deixou um frasco de veneno e a cutucou para que acordasse.

Ao abrir os olhos, assustada, ele já havia sumido. Mas não demorou em notar o frasco com um bilhete: “Mate o Doutor Estranho!”. Seria melhor que ela fizesse isso sem seduzi-lo, então colocou uma blusa de frio por cima de sua camisola e desceu a escada descalça para não fazer barulho.

Ao acender a luz da cozinha, deu um grito, fazendo com que o outro presente se sobressaltasse, retirando os fones de ouvido rapidamente:

— Wong? – questionou.

— Clea? – rebateu no mesmo tom de voz. – O que faz aqui?

— Bem... Eu... É... – tateou as palavras a fim de achar uma justificativa plausível para estar ali. – Estou sem sono, então decidi tomar água! – deu um sorriso sem graça e foi abrindo a geladeira.

Wong tentou alertá-la, mas já era tarde. Uma criatura com longos tentáculos a agarrou forte, fazendo-a se contorcer e esganiçar.

O homem prontamente pegou uma espada em uma de suas mãos e espetou um dos tentáculos, fazendo Clea cair diretamente no chão. Em seguida, com sua Varinha de Watoomb, mandou a criatura para sua dimensão original.

— Você está bem? – ele correu em direção à loira, que estava com uma expressão de poucos amigos.

— O que esta porcaria de monstro fazia em vossa geladeira? – questionou, segurando em sua mão para se levantar.

— Esse é um lugar que dá acesso a várias dimensões. Entidades, demônios, monstros interdimensionais, sempre vêm parar aqui. – esclareceu e ajudou-a a se sentar. Em seguida caminhou à geladeira, pegando uma jarra de água. – O que é isso na mão da senhorita? – ele não deixou de notar que em momento algum a loira havia soltado o frasco.

— Isto? – Clea dá de ombros e ri pelo nariz. – É só um remédio para o machucado de minha perna! – ela aponta para uma ferida em sua perna, causada na explosão.

— É uma pena que deuses não possam usar os mesmos remédios que nós! – ele brinca, colocando água no copo. – Acho que você deveria abrir mais sua mente, Clea. Você é uma mulher inteligente demais para viver do passado.

A loira o olhou, pasma.

“Será que ele sabe dos meus planos? E como pode saber se minha mente está bloqueada?”— pensou consigo mesma.

Wong riu, deixando-a ainda mais conturbada.

— Você está com uma cara muito engraçada! – comentou, batendo em seu ombro. Ela suspirou aliviada e agradeceu mentalmente a Odin por não ter sido descoberta. – Gosta de música? – ele pega novamente seu celular, onde coloca uma música.

— Aprecio os cânticos asgardianos em comemoração às vitórias de nossas batalhas! – ela comenta, animada.

O asiático ergue uma sobrancelha.

— Falo de música mesmo... Ouça! – ele coloca um dos lados do fone em seu ouvido, onde tocava a música do Michael Jackson, Billie Jean. Clea se empolga e começa a mexer a cabeça e tamborilar os dedos acompanhando o som. – Gosta de dançar? – ela apenas assente. Então, ele tira os fones do celular, coloca-o no alto-falante e a puxa para ficar em pé. – Vou te ensinar a fazer o moonwalker!

Wong começa a deslizar seus pés para trás com leveza, o que a deixa impressionada. Em seguida, a asgardiana decide fazer o mesmo, mas falha, pois seus pés descalços não deslizam.

— Dança é como magia, você precisa mentalizar o passo e conseguirá fazê-lo! – o homem esclarece. – Feche seus olhos, deixe o ritmo te dominar...

Clea o faz e a cada compasso da música, sente seu corpo vibrar. Logo, tenta fazer novamente o moonwalker, o que consegue com destreza. Sem perceber, flutua no ar, andando para trás. Ao pousar, comemora batendo palmas. Wong faz o mesmo. Em seguida, toma-a para perto de si, ensinando-a a dançar, com delicadeza.

Eles se distraem tanto que não notam Stephen e Wanda parados na porta da cozinha, observando-os, de braços cruzados. A Feiticeira ri, enquanto o Doutor se mantém sério e parece não gostar nenhum pouco da cena.

Logo, ele lança uma magia no celular, fazendo-o parar de tocar e comenta com o tom de voz elevado:

— Bonito! Que bonito, hein! Será que eu estou atrapalhando o casalzinho aí? – ambos se soltam imediatamente e o encaram, alarmados.

— Doutor Estranho, acordamos o senhor? – Wong questiona, descaradamente.

— Não, imaginem... Só estavam com música alta às 3 da manhã. Supernormal! – ele retruca.

— Para quem se intitula como “Estranho”, isso deveria ser bem normal mesmo! – Wanda comenta em chocarreio. Clea morde o lábio, segurando o riso também.

— Clea, vá agora para seu quarto. Amanhã começaremos a treinar bem cedo! – o ex-médico aponta para as escadas. A loira abaixa a cabeça e sobe ligeiramente, bufando. – O que pensa que está fazendo, Wong? – questiona ao companheiro, assim que a mulher some de seu campo de visão.

— Eu a peguei com isto em mãos! – aponta para o frasco que viu nas mãos da asgardiana. – Não sei o que é, mas creio que era para nós. – conclui.

Strange sorri, orgulhoso, pegando o frasco.

— Bom trabalho, Wong! – bate no peito do amigo. – Vamos dormir! E jogue essa água fora. Se Clea estivesse mesmo com sede, não teria se distraído em dançar com você.

Novamente, cada um vai para seus quartos.

A loira se deita, sorridente, lembrando-se da cena ocorrida há pouco. Nem se dá conta do frasco que esqueceu na mesa. Vira para o lado e dorme tranquilamente.

Pela manhã...

Clea acorda sossegadamente. Espreguiça-se, faz sua higiene pessoal e segue para a cozinha, onde todos já estavam presentes. Wong preparava waffles e Stephen ralhava algo como “não posso comer isso!”, enquanto Wanda lia o jornal e tomava café.

— Bom dia, senhorita! Como não sei o que os asgardianos costumam comer, preparei waffles e café. Creio que irá gostar! – Wong a cumprimenta, puxando uma cadeira para que ela se acomode.

— Bem-agradecida! – sorri, tomando um gole de café.

Ela come desesperadamente e todos a observam. Desde que recebera o castigo de Odin, nunca mais se alimentara da mesma forma. Era obrigada a comer os restos de comida do palácio, às vezes dividia as lavagens dos animais, pois os restos eram poucos. Assim que termina sua refeição, joga o copo no chão e grita, batendo na mesa, apavorando a todos.

— Mas que porra foi essa? – Maximoff interpela, com os olhos arregalados.

— Essa bebida... Eu gosto dela! – a loira responde risonha.

— Por que você quebrou o copo? – Strange bufa, nervoso. Lança uma magia para juntar os cacos de vidro.

— Em Asgard quando gostamos de algo e comemos bem, quebramos os pratos. – esclarece.

— Mas você não está em Asgard! – Wanda lhe dá um tapa no ombro, levantando para ajudar Stephen a jogar os cacos no lixo.

— Vão treinar, eu recolho isso! – Wong avisa.

— Obrigado Wong. Venha conosco, Clea. – o doutor a orienta, abrindo um portal.

Logo, eles saem em um galpão escuro, aparentemente abandonado. Stephen acende as luzes e Clea nota que o local é cercado por câmeras.

— Estamos na S.H.I.E.L.D.? – interroga.

— Achei esse frasco em cima da mesa ontem, Wong me disse que estava com você. – o mago desconversa. – Diga logo, quais são seus planos?

— Ajudá-los-ei a deter o ataque de Loki. – diz.

— Não, você não quer isso! – Maximoff fala pela primeira vez. – Você quer se vingar de Jane Foster, não é?

— C-Como sabe disso? – a loira dá dois passos para trás, acuando-se à parede.

— O Doutor Estranho leu sua mente. Colocar veneno na comida dela seria desnecessário, minha cara. Quer saber por quê? – a loira assente. – Stephen... – Wanda lhe acena com a cabeça.

O homem toca na testa da asgardiana, fazendo-a aparecer dentro da casa de Jane Foster.

Ela vê a mortal gargalhando ao lado de sua amiga, acompanhada de três homens. Depois, se levanta e vai à cozinha. Clea a segue, sentindo ódio. Jane sente um arrepio, olha para trás e não vê nada. Dá de ombros, pega uma panela de chocolate quente e volta à sala.

A loira corre e para à sua frente. Tenta enforcá-la, mas a astrofísica consegue atravessá-la e novamente, estranha o arrepio que sente, mas deixa passar batido.

— Trouxe chocolate quente para você, meu amor! – Jane deposita um beijo longo e apaixonado nos lábios do homem loiro.

“Clea, este é o doutor Keith Kincaid. Um amigo de Jane Foster, que após Thor abandoná-la para ficar em Asgard, revelou estar apaixonado por ela.”— a voz de Doutor Estranho ecoava grave, como se saísse de uma caixa de som instalada no ambiente. – “Não demorou que Jane lhe desse uma chance. Agora, está noiva dele e praticamente nem se lembra mais quem é Thor.”— a astrofísica se sentou no colo do amado, onde palpitava sobre um jogo de cartas que eles jogavam. – “Não há necessidade de matá-la. Esta mulher não é mais um empecilho em seu caminho. Se Thor não consegue gostar de você, faça-o gostar. Seja mais afável, faça boas ações, seja forte e corajosa. Lute contra o mal. Foi assim que a doutora Foster conquistou-o e é assim que você irá conquistá-lo”.

A loira vê seu corpo ser puxado por um forte vento e a última frase do mago, se repete inúmeras vezes em seu cérebro.

Logo, cai sentada no chão do galpão. Está ofegante. Abre os olhos e encara o bom doutor.

— O que fez comigo? – interroga.

— Guiei seu corpo astral para um passeio. – ri. – Seu treinamento está encerrado por hoje. – dá as costas para ela e já ia abrindo um portal, quando sente o Manto da Levitação, protegendo-o de alguma coisa.

Ao olhar para trás, a vê ajoelhada, com lágrimas nos olhos.

— Ensine-me a ser boa. Quero ser como Jane Foster e Lady Sif para conquistar o coração de Thor. Por obséquio!

— Wanda... – ele acena com a cabeça para a Feiticeira que pula no pescoço de Clea, lhe entrelaçando um dos braços.

Stephen atravessa o portal e a última coisa que vê, é Maximoff atirando Clea contra a parede através de seus poderes.

Notas finais
Uhlalá... Espero que tenham gostado. Não deixem de comentar, o que acham que acontecerá daqui pra frente? Será que Clea perdoou Jane? Será que ela quer mesmo ser boa?