Redenção
5 É agora ou nunca
Notas iniciais

Algumas semanas haviam se passado. Clea aos poucos aprendia melhor sobre o funcionamento e controle de seus poderes. Às vezes, Strange a colocava para lutar com Wanda. Outrora ele próprio lutava diretamente com ela. Até Wong já havia lutado com ela. O mago não deixou de notar sua evolução e o quão boa estava ficando.
Clea nunca mais viu Loki desde o dia em que ele a levou para controlar a mente de Bruce Banner. Ora, admirava o Doutor Estranho pelo seu poder, inteligência e não deixou de notar sua beleza. Ora, tinha vontade de matá-lo por sua arrogância, casmurrice e ociosidade. Sequer ajudava Wong a varrer o Sanctum.
Oportunidades de envenená-lo, não faltaram. Mas a coragem, sim. Wanda estava cada vez mais desconfiada da mudança repentina da moça séria, encrenqueira e petulante que chegou ao Sanctum e agora estava afável, bem humorada e prestimosa.
Hoje, Stephen tinha um evento para comparecer em uma espécie de bar interdimensional, onde feiticeiros de várias dimensões se reuniam. Decidiu que levaria Wong, que já havia ido anteriormente, Wanda e Clea, que conheceriam o local.
A Maximoff optou em usar um vestido vermelho longo e uma tiara de mesma cor na cabeça. Strange e Wong usariam smokings. Clea já estava arrumada com uma armadura de gladiador asgardiano.
— Tá brincando que você vai vestida assim, né? – Wanda ergueu as sobrancelhas e apontou para as roupas da loira.
— Em Asgard, este é o traje mais airoso que uma guerreira como eu, pode usar! – respondeu inocentemente.
— Por que você não cria roupas melhores? – Wong tenta convencê-la. – Como essa... – ele mostra a foto de uma artista numa revista, que usava um vestido rosa, para baixo dos joelhos.
Clea fecha os olhos. Concentra-se na imagem e suas roupas de gladiadora somem, dando lugar ao vestido da artista.
— Está ótima! – Wanda elogia. – Só falta um detalhe... – ela pega alguns cosméticos em sua bolsa e faz uma maquiagem rápida no rosto da asgardiana, que retorce o nariz cada vez que a feiticeira lhe passa os pós.
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— Vamos? – Strange finalmente aparece completamente pronto. Não deixou de constatar como as mulheres estavam lindas, bem como elas não deixaram de notá-lo.
Todos assentem e passam por um portal, criado pelo doutor. Rapidamente já estão na festa, que está cheia.
Clea, a princípio, incomoda-se com o barulho das pessoas falando simultaneamente. Mas depois, o que mais lhe irrita, é ver Wanda andando de braços dados com Stephen. Ambos tinham os dentes trincados em um sorriso.
— Permita-me, senhorita...? – Wong lhe oferece o braço. Com um sorriso forçado, ela aceita e seguem o mago, que sempre é parado no meio do caminho para receber os cumprimentos dos colegas.
Em meio à aglomeração, a asgardiana e o ajudante do feiticeiro se perdem de Strange. O barulho volta a perturbá-la, então, decide ir ao toalete para relaxar um pouco.
Wong decide procurar o amigo novamente, afastando-se da moça.
P.O.V. Clea:
O escarcéu deste lugar incomoda-me deveras. Não consigo me concentrar em nada e sinto que a qualquer momento explodirei! Felizmente aprendi a controlar meus poderes, do contrário já teria matado a todos aqui.
Agora, tem algo que me importuna mais ainda: Wanda Maximoff. Gostaria de compreender por que esta mulher sempre fica tão perto do doutor... Sei que está apaixonada, todavia, ele sequer nos nota. Para ele, somos somente alunas.
Por Odin! Não pode ser... Estou sentindo ciúmes do Doutor Strange!
Saio do lavabo e sento-me em uma mesa, sozinha. Passo as mãos pelos cabelos e suspiro pesadamente. A música parece ficar mais agradável, me ocorrem às que Wong ouve no Sanctum Sanctorum.
Decido pedir uma bebida, com o cunho mais agudo o possível. Um senhor com a idade avançada, barba e cabelos brancos, me serve dizendo algo como “Excelsior!”. A princípio, não entendo o significado, todavia ao dar o primeiro gole no líquido, noto o quão forte é.
Bebo-a em uma golada só e o mortal se impressiona, fornecendo-me mais.
P.O.V. Stephen Strange:
Eu conversava com Wanda, Wong, Irmã Grimm e o Irmão Vodu. Chegou um momento que tudo estava chato e monótono, por isso pedi um drink para tentar me empolgar.
— Já voltamos! – Nico e Maximoff foram juntas ao sanitário. Decidi relaxar meu corpo, recostando-me sobre o balcão do bar.
— Por que você não vai dançar um pouco? Há quanto tempo não se diverte, Strange? – Jericho questionou.
— Não tenho muito tempo para diversão. – respondi secamente, dando uma bicada no beber.
— Exceto nos últimos dias, não é mesmo, Doutor? – Wong sorri mordazmente e me cutuca. Percebo Drumm fazer o mesmo.
— O quê? – no primeiro instante fico confuso. Porém, a Beyoncé volta seu olhar para uma mesa ao longe, onde Clea estava sentada. – Clea? Não, não... Ela matou várias pessoas. Não faz meu tipo! – constato que ela estava fabulosa naquela roupa.
— E está arrependida, Strange. É uma nova mulher. Por que não conversa com ela? – Wong insiste.
— Ok, Adele. Farei isso. – ele revira os olhos, detesta quando o comparo com “divas pop”.
Ando na direção da asgardiana, que estava distraída e bebia aceleradamente algo forte, que um homem lhe servia num copo.
— Com licença... – cumprimento com um meio-sorriso.
P.O.V. Clea:
Um arrepio inevitável me percorreu a espinha, ao sentir o cheiro daquela fragrância maravilhosa que o doutor sempre usava. Já havia tomado umas sete rodadas daquela coisa forte. Talvez estivesse começando a ficar embriagada. Entretanto, quando olhei para o mago, o achei mais garboso que o normal.
Quando me cumprimentou, sorri largo e o aguardei falar.
— Com licença... Gostaria de dançar comigo? – estendeu-me uma de suas mãos, um pouco trêmula, devido ao acidente que sofrera.
Ergui uma das sobrancelhas, desacreditada pelo Mago Supremo estar me chamando para dançar. Exprimi alegria abertamente e não hesitei em aceitar.
Logo, estávamos no meio do salão, dançando uma música desconhecida para mim, contudo, com ritmo compassado e agradável.
“Eu gastei uma vida
esperando pelo momento certo
Agora que esta próxima
O tempo está acabando
É agora ou nunca
Venha e me abrace firmemente“
(Elvis Presley – It’s Now or Never)
Ao final da música, estávamos exaustos e com calor, então Stephen foi ao bar pedir duas bebidas. Assim que as trouxe, embebedamo-nos em um só trago.
— Garçom, — o doutor chamou o mesmo senhor de cabelos brancos de antes. – Traga-nos mais! – pediu. – Vou ao toalete! – levantou-se da mesa, seguindo em direção ao banheiro.
Acompanhei com o olhar a direção que tomou. Sentia-me leve, alegre. Até que vi um vulto passar e sentar no lugar que há pouco era ocupado por Strange.
“Olá Clea”— Loki me cumprimentou. – “Cumpra nosso trato e permitir-lhe-ei voltar à Asgard.”— deixou um frasco de veneno sobre a mesa. – “Serás muito bem recompensada!”— riu maquiavelicamente e sua ilusão sumiu.
Meu coração ficou disparado, como se quisesse saltar pela boca.
O garçom trouxe os copos e na minha cabeça a voz de Loki ecoava “Mate o Doutor Estranho... Mate o Doutor Estranho...” e se repetia incansavelmente.
Incontrolável e pressionada, abri o frasco e despejei seu conteúdo no copo que seria servido ao doutor.
P.O.V. Narrador:
Há algumas semanas, Doutor Estranho tem pesadelos constantes com guerras, explosões e pessoas correndo em desespero. Sempre acorda sobressaltado, sentindo um aperto no peito.
No momento em que foi ao banheiro, estava perturbado com algo ocorrido há uma semana, que lhe incomodava constantemente.
Em uma das noites, que acordou devido a esse pesadelo, foi à biblioteca do Sanctum ler algo que pudesse lhe distrair a mente, até que Wong acordasse para preparar o café.
“Ainda está bem cedo!”— pensa.
Chegando lá, vê que o Olho de Agamotto se abria e fechava sozinho, incessantemente. A Joia em seu interior brilhava forte, mais que o normal. Ele caminha vagarosamente para perto do artefato.
“Uma Joia do Infinito é perigosa demais para ser usada sempre!”— a voz de Wong ecoa em sua mente. Lembrou-se de quando a usou a fim de parar Dormammu.
— Preciso saber o que está acontecendo... – ciciou para si mesmo. Aproxima sua mão do Olho de Agamotto e espera que abra novamente.
Quando revelou a Joia, Stephen colocou seu polegar sobre ela e teve uma visão parecida com a de seu sonho. Mas desta vez com mais nitidez.
Fogo se alastrava por uma cidade. Pessoas corriam, no entanto eram atingidas por rajadas de energias. Loki estava com seu cetro em mãos e matava civis com seus poderes. Uma figura enorme, de cabeça flamejante surgiu e riu de forma malévola ao mago:
“Você está sozinho, Strange. Sozinho... Sozinho... Sozinho...”— esta última palavra ecoou por um bom tempo e desestabilizou o doutor que assistia tudo àquilo.
Até que ele viu uma figura conhecida, se aproximando com seu jeito rude e ao mesmo tempo amável de ser. Com a mesma roupa amarela e os cabelos raspados.
— Anciã? – Stephen interpela.
“Doutor Stephen Strange, vejo que se tornou o mago que eu acreditava que seria. Agora precisa usar mais sua sabedoria e continuar batalhando contra seu orgulho. Esta luta não será ganha sozinha. Chame outros heróis.”— ela orienta com o mesmo jeito calmo de sempre.
— Vou chamar Wong e Mordo...
“NÃO”— ela fala alto e segura sua mão. “Chame os Vingadores. Só eles podem te ajudar. Assim como a mulher que traçou seu destino para estar aqui, agora.”
— Clea? – ele ergue uma das sobrancelhas.
A Anciã não lhe responde e desaparece. A visão que Stephen está tendo começa a se enturvar. Mortes e mais mortes estavam ocorrendo. E as palavras se ecoavam em sua mente “chame os Vingadores”. Seguidamente. Perseverantemente.
Quando Strange finalmente abre os olhos e volta a si, solta o Olho de Agamotto e respira fundo, apoiando as mãos nos joelhos, com a cabeça baixa.
Depois se ergue e proclama:
— Vingadores... Unidos!
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