Redenção
6 Força Odin
Notas iniciais

Stephen lavou o rosto e sacudiu a cabeça rapidamente, a fim de espantar as lembranças que lhe vinham à memória.
“Hoje é dia de diversão. Você merece uma folga, Strange!”— pensou consigo mesmo.
Respirou fundo, contou até 10. Decidiu voltar para a mesa onde Clea o esperava. Ao passar por trás dela, notou que seus olhos se arregalaram com sua presença. Parecia assustada.
— Aconteceu alguma coisa? – questionou-a.
— Estou... Sentindo-me mal... É somente isto! – forçou um sorriso e tentou parecer sincera. – Vamos beber! – ergue o copo e sorridentes, brindaram.
— Sabe Clea, eu te devo desculpas. Tenho tratado você, Wong e Wanda de forma incorreta. Mas é que algumas coisas estão enchendo minha cabeça de preocupações.
— Tu não deves desculpar-se comigo. Sou eu quem deveria pedir-te perdão. – ela pega as mãos grandes e grossas dele em meio às suas e o fita com seriedade. – Eu magoei e tentei matar a todos.
— Você não teve culpa, estava sendo manipula... – Strange não termina a frase, quando começa a sentir o estômago revirar. – Manipulada... – pisca os olhos seguidamente, todavia, nota sua visão embaçando. Tenta parecer bem, porém sabe que não está.
— Doutor Strange, o que está acontecendo? – Clea o interroga. – Stephen? – ela se levanta e coloca as mãos por trás dele a tempo, antes que ele caísse.
O corpo do Mago fraqueja e não consegue se equilibrar sentado. Ele vê tudo rodar em alta velocidade e seu coração bater mais forte.
— Strange... Strange... Por Vishanti! O que está acontecendo? – Wong se desespera ao ver o amigo pálido e suando frio.
— Vou pegar o anel que ele usa para abrir portais e vou levá-lo ao hospital! – Wanda avisa.
Todos na festa se aglomeram ao redor do ex-médico. Irmão Vodu e Irmã Grimm tentam afastar a multidão para que Maximoff se concentre. Entretanto, não importava o quanto ela tentasse, não conseguia abrir o portal. Wong, com o amigo no colo, começou a chorar desesperadamente, ao notar que aos poucos ele não respondia mais.
— Deixe-me tentar! – a asgardiana estendeu a mão e mesmo hesitante, Wanda lhe entregou o anel.
A loira o colocou no dedo. Imaginou o portal e fez sua imagem com as mãos. Logo, ela, Wanda e Wong carregando Strange, o atravessaram e saíram num lugar onde a Feiticeira não gostou nenhum pouco: O hospital onde Stephen trabalhou.
— Por que nos trouxe para cá? – Maximoff a questiona, inconformada.
— Eu vi este lugar quando li a mente do Doutor. – a asgardiana se justifica.
— VAMOS! NÃO TEMOS MUITO TEMPO! – Wong grita já numa distância razoável, à frente das duas.
Saíram correndo e deram de cara com a Doutora Palmer, ex-amante do Mago.
— Christine Palmer? – Clea para em sua frente, assustando-a. – Temos uma emergência! – aponta para o homem já desmaiado.
— AH MEU DEUS, STEPHEN! – a doutora esgoela-se e acaricia-o, despertando ciúmes em Wanda e Clea. – Vamos, me sigam! – guia-os para uma ala médica.
Strange foi colocado na maca, intubaram-no para ajudá-lo a respirar e correram pelos corredores a um quarto onde fariam exames.
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Não demorou muito tempo e Christine voltou desesperada, sendo cercada por Wong e Wanda que queriam saber notícias do Mago.
— Ele foi envenenado. Não sabemos se vamos conseguir tirar o antídoto, pois já agiu no organismo. – ela explica.
— Foi você quem fez isso, não foi Clea? – Maximoff puxa a loira pelos cabelos, fazendo-a esganiçar de dor.
— Wanda, solte-a! Isso não é hora para ciúmes! – Wong bronqueia.
— Se eu o tivesse envenenado, não teria trazido-o para cá. – finalmente a Feiticeira a solta e respira fundo, tentando manter-se calma. – Eu posso usar meus poderes místicos para curá-lo. Em Asgard temos uma espécie de chá que usamos em casos como este. Deixem-me vê-lo!
— Mas as regras do hospital não... – Palmer ia pregar sobre o código ético, mas ao ver o olhar de súplica da moça ficou em silêncio. – Venha comigo!
Elas correram para o quarto de hospital. Uma pontada tocou o peito da asgardiana que logo percebeu estar arrependida.
Christine pediu que deixassem a loira a sós com Stephen para que pudesse se devotar melhor.
Assim que todos saíram, quietude reinou no quarto. Clea fitou o homem por um tempo e a pontada persistia em lhe incomodar.
— Tu não mereces isto, Doutor. Sinto muito! – murmura. Lágrimas banharam seu rosto, fazendo a maquiagem que Maximoff havia lhe passado antes da festa borrar.
Fecha os olhos e ajoelha-se diante do ex-médico.
— Ó Odin, Pai de Todos. Sinto em tê-lo desobedecido. Todavia, peço-te que me mande tua força para que, através de meus poderes, possa curar este homem diante de mim. Arrependo-me pelo que fiz e gostaria de me redimir contigo e com todos ao meu redor.— ela ora à Força Odin.
Clea é tocada por uma gama de raios com um misto de cores que ao se misturarem ao seu corpo, deixam todo o ambiente branco. Levita no ar, enquanto seus olhos ficam cor-de-rosa. A história do chá era apenas pretexto que havia usado para fingir que tinha a cura para Strange. Por sorte, sua pouca fé, foi vista como um sacrifício e arrependimento pela Força Odin, que ampliou seus poderes, permitindo-a tocar em Stephen e vê-lo se aproximando das portas de Niflheim.
— Doutor Strange... – chamou-o. Ele a olha desorientado. – Venha comigo, pegue minha mão! – ela lhe estende o palmo.
Do lado oposto e próxima a eles, Hela o chamava e tentava atraí-lo também.
Confuso, Stephen olhava alvoroçado para ambos os lados e tentava discernir para qual deveria ir.
“Doutor Stephen Strange...”— a imagem da Anciã apareceu somente para ele, enquanto as deusas ainda o convocavam. – “Você ainda não está morto, Stephen. Não tem o porquê entrar no reino dos mortos. Siga seu destino. Você ainda está vivo!”— a voz dela ecoou alta e longínqua para ele.
“Vivo... Vivo... Vivo...”— a imagem da Anciã cresceu e ficou maior do que o tamanho daquele lugar, enquanto sua última palavra ecoava pela mente do Mago.
Ele fechou os olhos e um clarão pareceu submergê-lo. Começou a repetir para si mesmo “Eu estou vivo... Eu estou vivo...”
Abriu os olhos novamente, gritando “EU ESTOU VIVO!”. Todavia, logo os fechou. A claridade e brancura do local pareciam cegá-lo.
— STEPHEN! – exclamou Clea de forma alta e animada. Abraçou-o involuntariamente. – Que bom que está vivo!
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Dois dias depois, a loira estava decidida a revelá-lo tudo o que havia feito e esperar que lhe perdoasse. Era o dia dele receber alta e ela ansiava por lhe pedir redenção e finalmente poderia agradecê-lo por ensiná-la a usar seus poderes, pois graças a isso, a força Odin a aceitou e a ajudou em seu salvamento.
Wong agradeceu milhões de vezes à Christine por ter liberado um quarto para seu amigo. Wanda estava entediada e enciumada pela forma carinhosa que a doutora tratava Strange. Leu sua mente e sabia que uma paixonite ainda existia dentro dela.
— Eu não fiz isso pelo Stephen. Fiz isso porque é meu trabalho! – a doutora Palmer usava essa desculpa para não admitir que era pelo bom doutor que seu coração batia mais forte.
O asiático saiu com um sorriso de orelha a orelha, carregando o amigo em uma cadeira de rodas. Clea e Wanda foram uma em cada um de seus lados. Ambas também contentes.
Optaram em voltar para o Sanctum de forma convencional, pois a asgardiana ainda estava exausta de ter recebido a força Odin em seu corpo. Pediram um táxi e rapidamente estavam em Greenwich Village.
Ao abrirem a porta, tiveram uma surpresa. Alguém lhes esperava, enquanto observava os objetos da sala, de costas para eles.
A figura se voltou na direção deles, surpreendendo-os:
— Então, agora Midgard tem magos?
— Thor?! – Clea exclama.
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