Redenção
9 Capítulo 8
Notas iniciais
E não é só o lance de ter uma ou duas recomendações é o conteúdo, foram as palavras escritas. Isso é que chamo de recompensa. Obrigada por apreciarem as minhas fics. E espero um dia ser digna de cada elogio.
Então como resultado de felicidade extrema é inspiração renovada e capítulo novo....rsrsrsrsrs
Não esta betado, perdão!
Capítulo 09
“Só porque você acredita firmemente numa coisa não significa que ela seja verdadeira.”
A Cabana
O barulho que os pássaros faziam nas árvores do pomar junto com os raios fracos do sol tocando a relva. Eram os sinais que mais um dia nascia na fazenda Redenção. De longe podia se ouvir o cantar do galo e o movimentos dos animais que habitavam o lugar. O cheiro de orvalho entrava no quarto principal da cabana de Joshua, enquanto os raios de mansinho passavam pelos vidros das janelas esquentando parte da cama que era ocupada por ele e um moreno sedutor.
O castanho estava já há um bom tempo acordado e contemplando a face adormecida do amado. Ele passava os dedos de leve nos finos e belos traços do rosto de Nathan, desceu as mãos por toda a extensão do dorso do menor, sentindo a maciez daquela pele cheirosa. Não tinha como negar tivera a melhor noite de toda sua vida, fora melhor do que os sonhos molhados que vinha tendo ultimamente. Ele observou as pálpebras tremerem diante da claridade e vagarosamente um par de rubis surgir a sua frente.
— Bom dia! Meu presente de Deus.
— Hum! Vejo que sabe o significado do meu nome. – O moreno comentou meio que envergonhado, ele se levantou rapidamente a procura de suas roupas, começou a catar as peças que estava pelo chão.
— Sim, o que está fazendo? por que não volta para a cama? – Joshua olhava com desconfiança Nathan vestir as roupas apressadamente.
— Não posso quanto mais rápido eu partir, mais rápido chegarei a próxima cidade depois do vale. – Disse sem encarar o maior.
Joshua se levantou e caminhou até o moreno quando chegou perto segurou-o pelo braço forçando-o a lhe encarar.
Nathan foi virado bruscamente e quando seus olhos pousaram sobre o corpo nu e escultural do castanho, sentiu como que chamas crescendo novamente dentro de si. Ele virou o rosto para o lado tentando ignorar a sensação.
— Por que está fazendo isso? Por que insiste nesta bobagem de ir embora? – Joshua estava irritado ele não entendia porque Nathan não queria ficar com ele, soltou o braço do moreno e começou a andar pelo quarto como se procurasse algo que justificasse a atitude do menor – Eu não o agrado, não gosta das crianças ou talvez essa casa e esse lugar não te agradem é isso?
— Não! Não diga isso...
— Então o que é?
— Você não entenderia..
— Então me explica caramba! – ele se sentou na cama e com os cotovelos apoiados nas coxas segurou os cabelos com as mãos, tentando conter seu desespero – Me explique para que eu possa entender. Porque eu não acredito que essa noite não significou nada para você ao menos que você tenha apenas me usado para ter...
— Isso mesmo, eu te usei. Fazia muito tempo que eu não transava e quando vi você pensei: ah... Ele esta há muito tempo preso nesse fim de mundo, claro que ele não vai me rejeitar e pronto aqui estamos nós.
Joshua tinha vontade de socar o garoto a sua frente, então era isso ele tinha sido usado e agora estava sendo descartado. Tudo foi planejado então... O jantar a maneira que ele tratou seus filhos.
— Teve muito trabalho só para me levar para a cama. – O castanho disse com o tom de mágoa que deixou Nathan com o estômago revirado – Afinal, já que queria tanto assim dá o rabo era só ter pedido, não precisava fingir para os meus filhos que se importa com eles.
Ele vestiu uma calça e segurando a camisa nas mãos foi em direção da porta passando por Nathan que estava de cabeça baixa se esforçando para não chorar. Quando abriu a porta do quarto ele ditou firme sem olhar para o menor.
— Mesmo assim você não poderá ir embora, o rio esta cheio por causa da chuva e só é possível sair do vale daqui a três meses. Então a menos que queira acampar na floresta todo esse tempo, terá que ficar aqui.
— E-eu...
— Só peço que não comente nada com as crianças, continue apenas fingindo até lá.
A porta bateu com um estrondo. Nathan ficou um tempo encarando o pedaço de madeira. Logo deixou o corpo cair no chão e se deitando ali mesmo, começou a chorar copiosamente. O fato era que ele não poderia perder mais ninguém, ele não queria ser o responsável pela morte de mais ninguém... ainda mais do homem que sabia que amava, e esta era a razão dele ter que partir. Por amar Joshua e não querer que Dominique o achasse ali e descobrisse esse amor. Ele com certeza iria fazer o que ele sempre fazia lhe tiraria o que mais amava, tudo o que lhe era precioso. Nathan continuou trancado no quarto por toda a manhã, ele simplesmente não poderia encarar Joshua, não depois de tudo que dissera. O tal neo ficou deitado na cama depois de ter chorado todo o estoque de lágrimas que tinha. Refletiu sobre suas palavras e sobre o que sentia, pesou tudo em uma balança e resolveu que tinha que se desculpar com o maior por tudo o que tinha dito. Se iria ficar ali mais três meses não poderia ser nesse clima, se desculparia pelo que disse, mais não revelaria os reais motivos de querer partir, pois se o fizesse com toda certeza Joshua acharia que poderia protegê-lo, como todo homem como ele acha que pode, como Max um dia achou que poderia.
Nathan se levantou ajeitou os cabelos e a roupa amassada. Saiu do quarto e foi direto para a sala. Ao chegar lá não encontrou ninguém. Escutou vozes de criança e latidos de cachorro vindo do lado de fora. Saiu da cabana seguindo as vozes dando a volta na casa e um pouco afastado viu Sara, Matheus e a cadela em volta de uma árvore, Michael estava em cima dela com um pedaço de pau nas mãos, cutucando o que parecia ser uma colméia.
— Michael desça daí. – Nathan correu até onde os três irmãos menores estavam – Você pode levar uma ferroada.
— Ele já está acostumado, semana passada ele levou quatro. – Matheus disse enquanto segurava uma bacia pequena.
— O que ele esta fazendo?
— Tentando pegar mel para comermos com panquecas. – Sara respondeu simples sem tirar os olhos do irmão na árvore.
— Consegui! – Michael jogou um pedaço grande de favo dentro da bacia e logo gritou pulando da árvore – Corram!
Quando Nathan viu o enxame de abelhas se agitando para vim atrás deles, rapidamente pegou Sara no colo e correu no encalço dos gêmeos. Os quatro correram em direção a cabana deram a volta mais de depressa e entraram batendo a porta em seguida e fechando todas as janelas. Ficaram parados escutando somente as respirações afoitas, se encararam e começaram a rir como bobos.
Nathan se sentou a mesa junto com Sara enquanto Matheus colocava um bule de café e uma jarra de leite a sua frente, depois foi até a prateleira pegou a manteiga e alguns talheres. Michael trouxe o mel já posto um pequeno pote de cerâmica e voltou ao fogão para pegar as panquecas.
Quando a mesa do café estava posta todos se sentaram. Nathan olhou ao redor.
— Onde estão seu pai e Brian? – Perguntou fingindo despreocupado.
— Subiram a montanha para capturarem alguns cavalos selvagens. – Michael foi quem respondeu.
— Hum... Está muito boa quem fez? – Nathan comeu mais um pedaço da panqueca.
— Foi o papai, ele disse para não te incomodarmos enquanto ele estiver fora.
— Vocês não me incomodam Mat – Nathan sorriu para o gêmeo menor para depois sorver um pouco de café com leite.
— Você é legal. – O ruivo falou feliz.
— E quando seu pai volta? À noite imagino. – Precisava falar com Joshua o quanto antes, desfazer o mal entendido.
— Nãããooo... – Sara falou com a boca cheia de panqueca.
— Sara não fale com a boca cheia querida, eu vejo a comida e ela também pode me ver. – O moreno passou o dedo no pouco de mel que escorria pelo queixo da pequena levou o dedo na própria boca – Hum... docinho.
A menina riu da cara que o tal neo fez. Então Nathan se vira para os gêmeos em busca e uma resposta.
— Quando seu pai volta?
— Daqui a um mês.
— Um mês?! – O moreno estava desolado.
— Sim, leva mais ou menos um mês para eles atravessarem a montanha, capturarem os cavalos e voltarem. – Matheus falou fazendo as contas nos dedos.
— Por Deus... É muito tempo. – ele estava admirado – ele sempre faz isso?
— Às vezes, quando estamos precisando de dinheiro para pagar o banco.
Nathan ficou aliviado e preocupado. O alivio em saber que ele não era o principal motivo do maior ter saído de casa por tanto tempo e a preocupação por saber que Joshua tinha dividas com o banco o que para uma fazenda não era uma boa coisa.
Eles terminaram de tomar o café, e como já era início de tarde, Nathan propôs que eles enchessem uma cesta com algumas frutas e um pouco de comida e fossem para a cachoeira fazer um piquenique, o que gerou uma reação explosiva de alegria por parte dos três irmãos. Nathan olhava as crianças brincando dentro da água fazia horas que estavam ali, e ele assim como os irmão tinham se divertido muito brincaram de pega-pega, apostaram para saber quem nadava mais rápido dentre muitas outras brincadeira, o moreno buscou em sua mente algo que indicasse se já havia se divertido tanto, não encontrou. Na verdade era como se tivesse voltado a ser criança novamente. Nathan ergueu os olhos vermelhos para o céu e sorriu respirando o ar do campo o cheiro de pinheiro e hortelã encheram sua narinas e uma parte dele lhe dizia que ali era seu lugar, enquanto a outra, que tinha uma voz parecida com a voz de Dominique dizia para ele fugir e que não era certo ele esta ali, que toda essa felicidade e paz que vivia não era digno.
Ele respirou mais daquele ar fresco. Uma brisa suave começou a soprar, e com ela cheiros tão fortes que ele poderia quase saboreá-los. Ele ficou impressionado o campo perto da casa que morava com seu pai tinha este mesmo perfume. Nathan fechou os olhos e ficou viajando com boas lembranças.
Abriu os olhos novamente e olhou para aquela paisagem. Alguns passarinhos saltitavam de galho em galho sobre a grande árvore onde ele estava encostado. Um pássaro maior andava de peito estufado e ciscando o chão próximo a ele, sorriu de tanta pose que o bichinho fazia.
— Você é um tolo Nathan. – Murmurou para si mesmo se levantando – Ei ! Crianças vamos já vai escurecer.
Eles votaram para a cabana e enquanto os meninos ajeitavam a casa Nathan preparou uma sopa para todos. Depois que comeram, os meninos ensinaram alguns jogos para Nathan e eles brincaram até que o cansaço bateu e depois de colocar as crianças na cama o moreno foi para o quarto onde esteve nos últimos dias. O Tal neo se jogou na cama e não teve tempo de asas aos pensamentos, logo o sono veio e ele dormiu profundamente como a muito não fazia.
E assim os dias foram passando. Nathan descobriu uma despensa em baixo da cabana, onde tinha guardado algumas frutas secas e legumes. Devido a temperatura do local até mesmo a carne ficava conservada por dias.
Mas a descoberta que mais o alegrou foi um velho baú escondido no porão onde as crianças dormiram. Nathan teve a idéia de limpar o local e depois de colocar as roupas de cama para lavar e os cobertores no sol o moreno voltou-se para a sua descoberta. Ao abrir o baú ficou fascinado com o conteúdo, tudo indicava que seria as coisas da ex-mulher de Joshua, pois dentro havia um jogo de porcelana, que Nathan constatou serem muito antigo e raro o tornando de grande valor, ficou feliz que em meio um lugar tão rústico achar algo tão delicado. Ali também havia muitos tecidos lisos, floridos e muito linho, encontrou também um pequeno achado se tratando de uma pequena biblioteca, tudo indicava que a mãe das crianças pretendia ensinar os filhos a lerem.
— Michael vocês sabem ler e escrever? – Perguntou para o ruivo maior que estava limpando uma pequena cômoda.
— Não... Papai disse que a escola é muito longe. – O gêmeo parecia triste com o fato de não estudar.
— Papai não quer que deixemos a fazendo, por que não tem mais ninguém para ajudar. – Mat disse para Nathan.
— Não é isso meu querido, venham aqui. – Os meninos se aproximaram dele curiosos – Gostariam de aprender, achei alguns livros... Posso ensinar.
— Verdade? – ambos gritaram.
— Sim
— Eu também quero – Sara sentou no colo de Nathan abrindo o livro que estava em sua mão.
— Claro, minha princesa também irá aprender a ler e a escrever. – ele beijou a cabeça da pequena e logo foi ao chão quando três corpos pularam em cima dele.
— Ok..ok... eu me rendo... – o moreno estava ofegante depois de mais uma sessão de cosquinhas dos gêmeos. – vamos terminar de arrumar aqui ai depois do almoço começaremos a nossa aula.
Terminaram com o sótão e Nathan com ajuda dos meninos levou o baú para sala, ele lavou com cuidado o jogo de porcelana e colocou sobre a cristaleira que tinham achado no celeiro encostada. A verdade era que Nathan havia descoberto que os gêmeos eram verdadeiros caça-tesouros. Eles conseguiram achar em baixo de entulhos praticamente todos os móveis, que Nathan julgava serem dos pais dos meninos, coisas que eles trouxeram quando se mudaram para a fazenda e que por falta de espaço acabaram sendo abandonados.
— Certo... Agora sim, temos um sofá, um tapete e uma estante para os livros. – O moreno olhava satisfeito para a casa agora mobilhada.
— Nat...Nat... Olha o que achamos? – Michael e Matheus entraram correndo com uma caixa preta nas mãos, pelo menos foi o que pareceu para Angel.
— O que foi agora?!
Sara se aproximou de Nathan curiosa.
— É o velho rádio do vovô. Será que funciona Mike?
— Vamos ver... as pilhas onde estão... ok! Tem pilhas vamos ver se funciona- Nathan girou o botão e no mesmo instante uma música agitada invadiu o local.
— Nossa que barulheira é essa? – Sara tapava os ouvidos.
— Isso minha princesa se chama Rock in roll.
— E como se dança isso? – Michael perguntou olhando para Nathan desconfiado.
— Muito fácil – O moreno afastou-se dos meninos e levantou os braços – Prestem atenção e depois me sigam.
Então ao som da guitarra Nathan começou a balançar a cabeça e balançar os braços como se estivesse possuído.
Os meninos riram com gosto da dança maluca do moreno e logo se juntaram a ele.
— Eu não gosto de rock. – Sara informou pegando um livro de histórias com gravuras e se sentando no sofá lançou mais um olhar para os três que “dançavam” – Malucos.
E lá se foi um mês, um mês que Nathan conheceu mais sobre as crianças, viu como os gêmeos eram inteligentes, pois em menos de um mês já sabiam fazer contas e escrever o próprio nome e a pequena Sara não ficava para trás sempre dedicada prestava atenção em tudo que o moreno lhe ensinava. Conheceu mais sobre a fazenda, aprendeu tirar leite da vaca, cuidar dos porcos.
Era fim de tarde ele estava na horta colhendo algumas cenouras e batatas. Levantou a cabeça em direção ao horizonte e ficou olhando o pôr-do-sol. Ficou pensando no que fazer já que estava próximo o retorno de Joshua. Resolveu que a melhor coisa era pegar o dinheiro que tinha mais, os das jóias, quando as vendesse e compraria um pedaço de terra como o de Joshua com uma casa, afastado da cidade, para não ter que olhar para cara de ninguém e nem sentir o mau cheiro dos homens que lhe assediariam. E precisaria comprar também uma arma, uma bem grande, caso Dominique aparecesse à sua porta, a usaria. Iria morar sozinho, nunca tinha ficado só, seria maravilhoso com certeza.
Você ficou pensando nele durante todo este mês – zombou uma vozinha lá no fundo da sua mente – e ficou muito angustiado, se martirizando pelas palavras ditas, admita você precisa dele, você sente falta dele, não conseguiria ficar longe dele e vivendo só, nem com todos os seus demônios lhe fazendo companhia.
Nathan fechou as mãos sobre a terra, sentiu os olhos queimarem e um desespero invadir sua mente e coração. Ele estava perdido não sabia o que fazer, sentia vontade de gritar. Se levantou e saiu correndo em direção a floresta correu o quanto pode até que tropeçou em uma raiz e caiu de cara no chão. Permaneceu na mesma posição chorando copiosamente. Ele queria esta com Joshua, queria passar os restos dos seus dias ao lado dele. Então por que simplesmente não se entregar, por que ele não conseguia esquecer o medo...
Nathan escutou algo se aproximando de onde estava, ele se ergueu sobre os braços e ficou de joelhos tentando captar o barulho ao redor, foi quando a moita a sua frente mexeu e dela saiu um urso enorme de mais ou menos dois metros de altura. O animal ficou em pé nas patas traseiras e rugiu tão alto que Nathan assustado caiu de costas no chão. O moreno por um momento ficou paralisado, a noite já tinha caído tornando tudo ao redor como breu. Ele se arrastou devagar se afastando da fera arrastando a bunda no cão, de costas mesmo, mas sem tirar o olhar no animal que o olhava com fúria. Então foi quando decidiu correr era melhor do que ficar parado sem nada com que lutar, o moreno se ergueu de repente e se pois a correr o mais rápido que podia, via o urso tão perto que podia até sentir seu hálito, foi quando seu corpo foi lançado contra uma árvore como se fosse uma boneca de trapo, a dor nas costelas foi instantânea, o tal neo caiu arfando olhou mais uma vez para o animal que se aproximava e seu último pensamento antes de apagar foi: Queria tanto tê-lo visto uma última vez...
E Nathan não viu o urso que caiu no chão morto, depois que um tiro lhe acertou a cabeça.
Continua...
Notas finais
Obrigada a todos por estarem acompanhando e deixando reviews, vcs são a minha inspiração. Bjs e até o próximo....
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