Redenção

7 Capítulo 6


Notas iniciais
Como estou de férias deu para trazer um capítulo antes do Domingo.
Espero que gostem, escrevi com carinho.
Não foi betado.
Gomen...

Capítulo 06


Passaram-se dois dias depois da conversa que Angel tivera com Joshua desde então não o tinha visto mais. Ele não voltou ao quarto e Angel também não tinha saído de lá devido ainda está fraco e com um pouco de febre. Mas depois de dois dias trancado dentro daquele cômodo minúsculo com uma menina tagarela que não o deixava em paz, o tal neo já estava surtando. Decidido a agradecer Joshua pela hospitalidade e cuidados; levantou da cama indo em direção a sua mochila para pegar uma muda de roupa, ele ainda usava o mesmo pijama desde que saíra da mansão. O moreno sentiu o próprio cheiro e torceu o nariz.


— Deus eu preciso de um banho. – ele olhou em volta a procura de um banheiro, mas não encontrou nenhuma porta anexa ao quarto – Oras, Angel claro que não há um banheiro por aqui.


Sem saber bem o que fazer o tal neo foi até as janelas de madeiras e destravando-as escancarou dando lugar ao sol do outono.


Uma expressão de surpresa tomou conta do rosto do moreno. Diante dos seus olhos ele viu a paisagem mais bela, que nem o mais talentoso pintor conseguiria reproduzir. Um manto verde forrava a colina onde a cabana se encontrava, os picos das montanhas ao longe cobertos de neve pareciam tocar o céu e colher as nuvens, alguns pequenos arco-íris podiam ser visto por causa dos raios de sol que tocavam nas poças de água feitas pela chuva e embora o território parecesse meio ameaçador com áreas rochosas e grandes vales, ele estava impressionado. Colocou a cabeça para fora identificando duas velhas construções afastadas, um cercado com três cavalos e umas três vacas pastando ao longe.



Antes de poder continuar a admirar a beleza do lugar ele ouviu um latido e uma voz de criança a suas costas.


Angel se virou e lá estava ela com calças remendadas, blusa de manga longa dobrada várias vezes, até os cotovelos e cabelos desembrenhados. O cão de caça cercava Angel cheirando seus tornozelos e abanando a cauda freneticamente.


— Essa é a Mel, acho que ela gostou de você. – a menina se aproximou sentando na cama – Ela não gosta de estranhos... Geralmente ela morde.


Angel acariciou a cadela atrás das orelhas. Ele sempre quis ter um cachorro.


— Aonde está seu pai Sara? – Angel perguntou ajoelhado ao lado da cadela.


— Está na lida com os meus irmãos, só deve voltar à noite, como sempre. – a loirinha disse balançando os ombros.


— E você costuma ficar sozinha até eles voltarem? – O moreno perguntou espantando chegando mais perto da pequena.


— Claro que não! – a menina exclamou chegando perto da cadela de caça – A Mel sempre fica comigo, não é melzinha? – A loirinha afagava cadela que deu um latido como se aprovasse as palavras da pequena dona.


Angel sorriu, a cada dia se surpreendia mais com aquela criança. Apesar de parecer um tanto negligenciada ela sempre sorria parecia que era... feliz.


— Você precisa de alguma coisa? Papai pediu para que eu o ajudasse. – Angel foi desperto dos seus pensamentos.


— Ah... Bem, se não for incomodar eu gostaria de tomar um banho. Eu não vi nenhum banheiro por aqui. – disse olhando mais uma vez olhando ao redor.


— Não temos isso aqui. – a menina falou colocando o dedinho no queixo e olhando para o teto pensativa.


Em outro momento Angel até poderia ter achado o gesto fofo. Porém...


— Como assim vocês não tem banheiro?! – alarmou-se o tal neo – Onde vocês... Digo... como vocês... — Ele percebendo que levantara a voz para a menina, se aproxima devagar e se abaixa até ficar da altura da garota. – Sara, onde vocês fazem xixi e tomam banho? Vocês fazem esse tipo de coisa, né?


— O Michael tem razão. Você é estranho. – A loirinha disse sorrindo levando a mão na boca para esconder a falha da troca de dentes – Claro que tomamos banho e fazemos xixi.


— Onde?


— Banho tomamos no rio e as outras coisas no matinho.


— Matinho? – O moreno sussurrou incrédulo. Ele não entendia como em pleno século XXI alguém poderia ainda viver naquelas condições.


— Sim, se quiser posso te mostrar, onde fica.


Angel ficou de pé e acariciou a face da menina que descansou o rosto em sua mão.


— Eu adoraria.


A pequena saltitou e falou animada:


— Então vamos... Vamos...


Ela pegou na mão do moreno o arrastando para fora do quarto.


— Nossa, sua mãos são diferentes...


— Como assim?


— Sei lá. Parecem algodão... as do papai parecem lixa.


— Ah... Isso é porque seu pai trabalha muito e...


Angel deteve-se desolado. Nesses cinco dias que estava ali ainda não tinha saído do pequeno quarto, e agora desejava não tê-lo feito. Tirando os dois quarto que a cabana possuía, ela era um pouco menor que seu quarto na mansão dos prazeres. Mas o que deixou o moreno chocado foi a situação do local. O chão estava entulhado de peças de roupa, ossos para cachorros, galinhas espalhada pelos móveis e chão, entrando para lá e para cá, fazendo sujeira pelo caminho. As janelas estavam fechadas e empoeiradas impedindo que a luz do sol entrasse no local, contribuindo para que o odor de mofo, animais, excremento e comida estragada invadissem o local.


— Meu Deus! – Ele caminhou até o centro da Sala/cozinha observando uma pia cheia de panelas e louças sujas, o fogão de lenha parecia que nunca tinha sido limpo.


— Acho melhor irmos logo. Tenho que começar a preparar o jantar.


Angel voltou seu olhar para a menina. Não era possível que a pequena além de ser deixada só, teria que preparar as refeições e cuidar da casa. Isso não era certo, crianças nessa idade tinham que ir a escola e brincar, era isso que Sara devia está fazendo. Ele sentiu um nó na garganta, quando sua infância passou por um breve momento diante dos seus olhos. Angel balançou a cabeça como se espantasse um inseto e sorriu para a pequena.


— Então vamos nos apressar.


Angel levantou as mangas do pijama e as dobrou a altura dos cotovelos. Foi até a pia e achando um pedaço de sabão e uma esponja de aço pegou uma panela grande. Sentiu sua calça ser puxada e olhou para Sara.


— O que está fazendo, Angel?


Ele enxugou a mão no pijama e pegou a menina nos braços a sentando na beirada da pia de pedra polida.


— Meu nome é Nathan, por favor me chame de Nathan a partir de agora. – O moreno se lembrou das palavras da amiga chinesa e decidiu que esse era um bom momento para começar a esquecer o passado – Você vai ficar sentadinha na mesa enquanto eu limpo este lugar.


— Eu quero ajudar.


— Não é certo você fazer esses serviços pesados.


— Eu estou acostumada. – disse fazendo bico.


— Mas não pode, de agora em diante deixa que eu faço isso.


— Quer dizer que você vai ficar morando aqui com a gente? – Nathan pode ver um brilho especial nos olhos azuis celestes e sentiu seu estômago afundar. Apesar de Mai Ling sempre lhe dizer que ele tinha que começar uma nova vida, o moreno não poderia ficar ali, era perigoso e além disso Joshua parecia não gostar de tê-lo ali, tanto que desde que acordará não tinha mais visto o fazendeiro.


— Deixa eu terminar aqui depois conversamos mais.


— Mas eu vou ajudar.


— Ok, você venceu. – Logo o pescoço de Nathan foi envolvido pelos braços pequenos e gorduchos de Sara em um forte abraço.


Eles ficaram conversando enquanto realizavam as tarefas. Nathan conseguiu eliminar toda a louça suja. Depois se concentrou em enxotar as galinhas com a ajuda de Sara, que as prendeu no galinheiro. Eles pegaram toda a roupa espalhada pelo chão e colocaram em uma bacia grande cheia de sabão.


— Onde lavamos as roupas?


— No rio. – a menina falou colocando lenha no fogão.


— Certo... – Nathan falou pensativo – Então vamos lavar o chão e as janelas enquanto o fogo acende.


Já passava do horário do almoço quando eles terminaram de limpar toda a cabana. Angel estava suado e sujo, suas mãos estavam machucadas de tanto que esfregou, lavou e secou. Seu corpo estava dolorido e tinha certeza que a pequena Sara não estava melhor. Ele sentou no chão da varanda, que agora estava encerado e polido, assim como toda a cabana. Ele observou a linda paisagem a sua frente e respirou fundo o ar puro. Podia sentir o cheiro dos pinheiros da floresta. Tinha ficado sabendo que todas aquelas terra pertenciam a Joshua e que fazia oito anos que tinham se mudado para a fazenda, quando Joshua herdara as terras do pai.


Nathan percebeu que Sara era bastante inteligente que conseguia se virar bem sozinha. Soube que a mãe da pequena morrera no parto, e que Joshua passou anos tentando superar a perda da esposa.


Sara estendeu um pêssego para o moreno que agradeceu. Nathan deu uma mordida sentindo o sabor doce da fruta suculenta, eles não tinham almoçado então a fruta veio a calhar.


— Nathan, é verdade que você pode ter bebês? – Sara perguntou sentada com a cabeça no colo do tal neo.


Ele por um momento, pensou em não responder a pergunta, pois tal assunto era um tabu para ele, desde que Dominique fizera o aborto sem seu consentimento.


— Antes eu poderia... Agora não mais.


— Antes do quê?


Nathan engoliu em seco. Aquela menina era realmente curiosa. Ele afagou os fios loiros.


— De perder meu filho, devido a um...acidente. – ele sentiu lágrimas se formando em seus olhos – O médico disse que não posso mais tê-los.


O tal neo enxugou uma lágrima que desceu pelo seu rosto, doía lembrar-se do aborto e de quando ficou sozinho no quarto e que o médico lhe dera a notícia. Aquele dia tinha sido o pior de toda a sua vida, foi por isso que ele manteve esse segredo só para si, escondendo até mesmo de Dominique, não queria dá mais este gostinho aquele maldito, deixar ele saber que tinha tirado o seu dom. Pois engravidar e ter uma família era mais um sonho que foi destruído pelo francês.


— Não chora, Nathan – a menina se levantou e segurou o rosto do moreno com as duas mãozinhas – Podemos ser seus filhos se você quiser.


Nathan gargalhou e beijou as bochechas rechonchudas.


— Você é uma graça! Vamos para o rio tomar um banho e lavar a roupa.


— Banho!


— Sim!


Os dois rindo correram para o rio que ficava um pouco afastado da cabana. O local era de tirar o fôlego, a cascata descendo pelo paredão de pedra e água cristalina fascinaram o moreno, ele depositou a bacia oc as roupas em cima de uma pedra e entrou devagar no rio, podia sentir a água fria contra seus pés descalço, ele mergulhou ainda vestido e nadou um pouco com Sara. Ele brincavam de esconder e jogar água um no outro se divertiram por um tempo como se conhecessem a vida toda.


Nathan esfregava as roupas na pedra do rio, como Sara havia lhe ensinado e observava de vez enquanto a menina brincar na água com a cadela de caça. Quando terminou ele chamou a pequena e tirou as roupas delas.


— Bem, não temos shampoo então teremos que nos virar com o sabão mesmo. – ele trouxe a menina para perto de si e começou a esfregar o corpo dela com cuidado e depois deu especial atenção aos cabelos, lavou-os com capricho e desembaraçando com os dedos, a pequena resmungava sobre esta doendo e o moreno sempre fazia uma brincadeira para distraí-la.


— Prontinho, agora é a minha vez. – disse enrolando a menina em uma toalha. – Quero que fique sentadinha aqui me esperando já volto.


Ele caminhou até atrás de uma pedra e se desfez do pijama e a peça intima. Começou a passar sabão pelo corpo e cabelos, apreciando a sensação da água do rio que estava geladinha, refrescando assim do sol e massageando seus músculos doloridos. Ele apressou-se em terminar o banho, pois a tarde já estava no fim e com certeza os outros logo chegariam.


Saiu da água, se enxugou e vestiu uma muda de roupa que tinha trago. Foi até a menina e juntos seguiram para casa. Depois de estenderem a roupa Nathan com a ajuda de Sara começou a preparar o jantar. Se Mai Ling estivesse viva ele poderia mostrar a ela pra que serviram todos aqueles anos observando a cozinheira da mansão. Sorriu ao lembrar que a amiga implicava com ele, quando o moreno preferia ficar aprendendo a cozinhar do que ir com ela para a igreja.


Ele conferiu o assado no forno e como já estava pronto ele retirou colocando assim uma torta de pêssego, para aproveitar a quentura.


— Sara como esta a salada de batatas?


— Quase pronta. – a menina sentada à mesa falou.


— Quando terminar coloque os pratos e talhares na mesa, sim? – Nathan tirou o arroz colorido do fogo e começou a preparar o molho para a carne.


Depois de vinte minutos o jantar estava pronto e a mesa posta. Os dois sorriram orgulhosos do trabalho que tinham feito. E como os outros ainda não tinham chegado Nathan resolveu cuidar um pouco da loirinha.


— O que vai fazer? – Sara perguntou desconfiada.


— Vamos arrumar esse cabelo. Acho que tenho alguma coisa por aqui. – o moreno pegou uma escova de cabelo na mochila e retirou a fita vermelha que amarrava a bolsa com as jóias.


Ele penteou os fios dourados, os dividindo ao meio, fez duas tranças, juntando as pontas e amarrando o fim com a fita vermelha. Pegou um pouco de creme e passou no rosto, braços e pernas da menina.


—Hum... isso é cheiroso, o que é?


— Creme para pele. – Nathan respondeu tentando ajeitar um pouco as calças largas e a blusa grande que ela usava.


— Você não tem vestidos? Digo, roupas de menina?


— Não... Papai diz que posso vestir as roupas dos meninos.


— Idiota... – Nathan resmungou enquanto tirava a calça da menina, deixando-a somente com a blusa que ia até seus joelhos. Como um pai não se preocupava com a própria filha? Pensava o moreno.


— Pronto assim está melhor.


O moreno tinha cortado a velha calça e a transformado em um short que junto com a camisa, deram um visual despojado a loirinha.


— Eu gostei, parece que estou de vestido como as meninas da cidade.


— Sim, meu bem você está linda.


Nesse momento eles escutam a porta da cabana abrindo.


— Eles chegaram... – Sara grita e sai correndo do quarto.


Nathan suspira. Estava cansado tinha sido um longo dia. Não podia negar que em anos, esse foi o melhor dia que tivera, porém tudo o que é bom dura pouco e estava na hora de encarar aquele que tinha se tornado alguém constante em seus pensamentos e também a razão do seu recente temor. O amor.



Notas finais
Obrigada de coração, corpo e alma pelos reviews no capítulo anterior. aprecio o carinho e a gentileza de todos.
Espero que domingo além de mais um capitulo de Redenção eu consiga trazer uma surpresa para vocês.
Ah... Eu gostaria de saber o que vcs acharam desse, eu gostei de escrevê-los mas fiquem insegura em alguns momentos. Por ser um capitulo somente com Nathan e Sara. =/
Bem, é isso... Até domingo! Beijos...