Rede De Segredos
7 Capítulo 7
Notas iniciais
Obrigada a todas que comentaram o último capítulo me deixando uma pessoa feliz e saltitante! haha Um obrigada especial a algumas meninas que apareceram pela primeira vez...
Vou parar de enrolar agora,
Boa leitura!
Depois da sua ultima conversa com Isabella, Edward passou três dias literalmente angustiantes. Estava consciente de que suas idas a sede do FBI eram por pura obrigação. Relatou ao seu chefe o acontecido no porto, mas sem entrar muito em detalhes. Sua cabeça fervia e definitivamente não estava pensando direito.
No quarto dia, revolveu por fim, contar a Jasper que detinha provas substanciais para incriminar Isabella. Com certa relutância o loiro aceitou ouvir a gravação e regravar as partes que interessavam em um pen drive para que Edward pudesse apresentar ao chefe.
Dois dias depois, o agente Masen já possuía tudo em suas mãos, faltava agora que ele entregasse aquelas informações ao seu chefe. Resolveu ir andando para a sede naquela manhã, necessitava ficar calmo e melhorar o seu estado de espírito antes de chegar ao FBI. Passou por uma lanchonete remotamente conhecida e decidiu por entrar.
O lugar era muito acolhedor, um ambiente calmo, onde as pessoas nas mesas falavam baixo qualquer coisa sem importância, ou liam grossos livros enquanto bebericavam qualquer bebida quente. Edward sentou em uma mesa perto da porta onde poderia analisar todo o estabelecimento. Sua atenção recaiu sobre duas pessoas em especial, uma mulher e uma criança pequena, provavelmente mãe e filha.
Em sua profissão Edward aprendera a perceber coisas que ninguém mais percebia, olhando para as mãos da mulher que cortava um pedaço de panqueca para a filha, ele percebeu que ela não usava uma aliança. Mãe solteira, talvez?
Seu pensamento voou para sua própria família e notou que aquelas duas sentadas perto dele, poderiam ser, perfeitamente, sua mãe e Rosalie. E, mais além do que isso, Edward percebeu que antes de ver Rosalie bêbada em sua fachada, ele caminhava para ser o tipo de pai parecido com o que foi o seu. Ou como foi o da menininha que agora o encarava de sua mesa.
Edward deu um sorriso sem dentes, mas mesmo assim simpático. A menina abaixou rapidamente seu rostinho, tentando conter uma risadinha que escapava de seus lábios lambuzados pela geleia. Edward sorriu mais com aquele gesto, e prometeu a si mesmo que nunca seria um tipo de pai que abandonaria uma criancinha como aquela. Não seria capaz de abandonar um filho seu.
Nunca tinha pensando nisso antes, mas um dia ele formaria uma família. E não se esmeraria no pai, como fez quando escolheu sua profissão, na hora de constituir um lar. Suspirou, e percebeu que seus músculos começavam a relaxar. Fora uma ótima ideia entrar naquele estabelecimento. E quando saísse dele, aproveitaria e ligaria para Rose.
Assim que a simpática atendente trouxe seu café puro, algo em movimento na calçada o chamou a atenção. Primeiramente, pensou que estivesse ficando louco, que aquela visão fosse consequência da única coisa que habitara a sua mente nos últimos seis dias: Isabella Swan.
A criminosa vinha correndo pela calçada como qualquer outro civil, usando roupas de ginástica que adequavam-se em seu corpo cheio de curvas. Edward rapidamente colocou o cardápio a frente de seu rosto, como se estivesse lendo-o, fazendo assim que Isabella passasse sem nota-lo.
Jogou vinte dólares em cima da mesa, e correu em direção a porta, a tempo de ver a silhueta da mulher distanciando-se. O rabo de cabelo dançando de um lado pro outro graças ao movimento de seu corpo. Olhou no relógio, eram sete e quinze da manhã.
E foi assim que o agente Edward Masen passou os dez dias que se seguiram. Chegava a cafeteria por volta das sete da manhã, sentava em uma mesa menos visível, mas que mesmo assim lhe daria uma boa visão da calçada quando ela passasse por ela. E Isabella sempre passava, pontualmente. Exceto por hoje.
Edward tamborilou os dedos na mesa, já se passava das sete e meia e ele já deveria estar a caminho do trabalho. No entanto não conseguia imaginar porque a mulher não seguira com seu roteiro matinal, e a medida que os minutos passavam, a excitação em ver a figura feminina dava lugar a crescente preocupação. Teria acontecido alguma coisa com ela?
Riu de si mesmo, pensando na figura de Isabella. Deveria estar preocupado com quem cruzava o caminho dela, e não o contrário. Suspirou, colocou uma nota em cima da mesa, e deixou o estabelecimento. Inevitavelmente pensou com o que ela estaria ocupada agora.
Primeiro tudo estava calmo, não entendia porque ele a tirou da sala, ela queria vê-los. Estava com saudade. Depois houve gritos, as vozes eram vindas da sala, e ela se encolheu, vendo as sombras. Então seus ouvidos doeram com um barulho alto e houve sangue, que escorria pelo chão de porcelanato, vindo lentamente em direção a ela. As vozes masculinas passaram a gritar e ela levou as mãozinhas até o ouvido. Não entendia o que estava acontecendo. Houve mais dois tiros e tudo ficou momentaneamente em silêncio, exceto pelos soluços dela que saiam pela fresta da porta e os passos de uma única pessoa ecoando pelo apartamento.
Isabella levou as suas mãos até as têmporas massageando o local. Aquelas imagens embasadas eram recorrentes, e agradeceria se elas fossem embora. Ou pelo menos, se insistissem em perturbá-la, que fossem claras.
Mas, as vezes algo é esquecido simplesmente porque é melhor esquecer. E Isabella sabia disso.
Suspirou profundamente, e parou de fazer círculos com os dedos nas têmporas. Sabia que fora a sua mãe quem lhe ensinara aquilo e se lembrar dela agora não era uma boa coisa. Os olhos azuis frios, mas, no entanto perturbados, se voltaram para o arranjo encomendado por ela. Era composto por violetas, rosas e papolas. Ninguém pensaria em misturar aquelas três espécies de flores, mas olhando para o arranjo concluiu que era uma das coisas mais lindas que havia visto na vida. Não sabia se era porque o tom rosado claro das rosas casava tão bem entre o roxo das violetas e o branco das papolas. Mas concluiu que aquela beleza se devia também ao que aquele conjunto representava.
Um arranjo digno do italiano que o receberia.
{N.a: A Itália tem três flores-símbolo nacional, de acordo com os valores e crenças dos antepassados. A flor mais tradicional é a rosa, já a papoula branca ou o lírio branco são símbolos nacionais religiosos e a violeta é a outra flor considerada símbolo do país pela sua popularidade.}
Saiu do carro e passou pelo enorme portão de ferro que guardava a entrada do local. Vinha aquele lugar apenas uma vez ao ano, mas ele não lhe parecia diferente. Com exceção de mais alguns habitantes. Afinal, aquela era a lei da vida.
Isabella parou em frente ao túmulo, deixando seu pensamento correr enquanto o encarava. Quando aquilo aconteceu ela era apenas uma criança, mas assim que atingiu a maioridade achou o fato do túmulo dele estar em terras americanas um ultraje! Ele pertencia à Itália!
Leu mais uma vez, os inscritos presentes na lápide:
Charlie Swan
Filho, Irmão e Pai.
“Tão cedo partiste deixando nosso coração dilacerado de dor e saudade”
Isabella abaixou-se e deixou o arranjo delicadamente sobre a lápide. Sabia que as pessoas normas rezariam alguma prece pela alma dos seus entes queridos. Mas ela não estava muito certa sobre como fazer aquilo. E mesmo que soubesse, achava extremamente desnecessário rezar pela alma do pai. Se algo existisse além do agora, a alma de Charlie Swan não seria agraciada com a salvação.
Como a dela, constatou quase tristemente.
Conteve-se em admirar o silêncio, como sempre. Por fim, antes de se distanciar e ir de volta para o carro, ela proferiu em um tom muito baixo, para que apenas os mortos ouvissem:
– Feliz aniversário, Pai.
Charles Swan sentou-se na cadeira de couro do escritório passando os dedos pelo copo com dois dedos de whisky puro. Agora eram oito da manhã, mas ele não se importava. Precisava daquela dose de álcool para encarar todas as bajulações que teria durante o dia.
Discou o número de sua secretária imaginando que aquela hora ela já deveria estar sentada em sua mesa. Falando com a voz imperiosa mandou que ela viesse até a sua sala.
A jovem menina, apesar de já trabalhar a seis meses para Charles Swan ainda não se acostumara com a presença dele, e entrou no escritório com os passos incertos.
– Feliz Aniversário, Sr. Swan – desejou com a voz fraca. Charles simplesmente meneou a cabeça, e olhou impaciente para ela.
A jovem se sacudiu mentalmente por demorar a entender o que o chefe queria.
– O senhor recebeu algumas ligações. – ela olhou rapidamente para a agendinha que trazia sempre a mão – Tio Francesco ligou e pediu que eu transmitisse os votos de...
– Quero apenas um resumo. – Charles a interrompeu indelicadamente — Os votos de cada um você pode anotar em uma folha e deixar em cima da mesa.
Ela pigarreou.
– Bom... Tio Francesco ligou. Suas primas na Itália mandaram alguns souvenirs. O senador Martin enviou uma garrafa de vinho e um cartão, já o senador Wieloch ligou. Muitos afilhados – A menina disse a ultima palavra um pouco incerta – mandaram presentes e lembranças. Oh! Seu filho, o Sr. Alec lhe enviou um presente enorme! Quer que eu vá busca-lo?
Charles interrompeu seu monólogo com as mãos.
– Não Jane. Depois eu vejo... Continue. – Alec era dado aquelas coisas, pensou Charles.
– Claro. A senhorita Alice mandou uma caixa de charutos cubanos, juntamente com um cartão.
Charles revirou os olhos. Um presente tão típico de Alice. A menina detinha uma veia dramática. Qual o melhor presente para um poderoso chefão? Olhou para Jane, instigando-a a continuar, mas perceber que a sua secretária não voltaria a falar.
Tentou não transparecer curiosidade quando perguntou:
– E Isabella?
Para essa determinada pergunta Jane nem precisou consultar a agendinha.
– A senhorita Isabella ainda não entrou em contado. Mas o cemitério ligou para cá como o senhor pediu que fizessem. Isabella apareceu por lá esta manhã, levou um arranjo de – Agora sim, sua agenda se fez necessária – Rosas, violetas e lírios para o túmulo do seu irmão.
Charles assentiu com a cabeça, e com um gesto displicente mandou que ela se retirasse.
Olhou para a foto sua e do irmão em cima da mesa, suspirando profundamente. Mas o barulho da porta, que nem chegara a fechar, roubou a sua atenção.
– O que esperava? Que Isabella estivesse de braços abertos para abraça-lo agora? Você não a criou para ser assim.
Charles bufou.
– Ouvindo atrás da porta, Irina?
A senhora de meia idade apenas sorriu encaminhando-se para perto de Charles.
– Feliz aniversário, meu filho.
Ele encarou a mãe. Sempre a achara muito bonita. E a idade em nada tinha a prejudicado. Os cabelos negros, agora pelo poder da tintura, nunca estiveram tão bem organizados. E os olhos azuis faiscavam com o mesmo brilho de sempre para ele.
Irina Swan cruzou a mesa e colocou a mão no ombro do filho, olhando também para o porta retrato.
– Queria que ele estivesse aqui. Sempre era uma festa quando ele estava por perto.
Charles lhe lançou um sorriso irônico, mas Irina nem sequer pensou em se conter.
– Te incomoda que ele morto, tenha mais atenção que você, não é filho? Mas você não pode competir com ele no que diz respeito a Isabella. Afinal Charlie é o pai dela. Ela sempre vai preferir ele. Pena que você descobriu isso um pouco tarde agora.
A mãe riu e Charles suspirou tentando controlar a irritação.
– Tenho que trabalhar, Irina.
– Claro que tem! E me orgulho pelo modo que você conduz os negócios, filho. A única coisa que me opus desde que você tomou o controle dessa organização, foi como você decidiu criar a minha neta. Você deveria agradecer por ela ainda ter sensibilidade restante para levar flores ao túmulo do seu irmão! Na verdade, você deveria me agradecer. Foi graças a minha ideia de trazer uma criança da idade dela para a nossa casa que Isabella não é um caso perdido.
Charles olhou debilmente para a mãe. Claro que acreditava que ela queria o bem para Isabella, mas dizer que trouxe a franzina da Alice para a casa deles com um ‘plano maior’ era demais para que o número um da máfia digerisse. Pensou em pedir que a mãe se retirasse, mas ela, como boa perceptora que era, já o havia feito.
Charles Swan estalou o pescoço e os dedos, mandando para fora de seu corpo a tensão acumulada. Tinha muitas obrigações para cumprir e muitos obrigados para proferir ainda durante aquele dia. Não se daria ao luxo de ficar tensionado.
Revisando mentalmente a lista de afazeres a cumprir, ele se deteve, primeiramente, nas prioridades. Pegou o telefone, e discou para o detive particular da organização. Antes que ele pudesse felicitá-lo pela data, Charles já dizia:
– Então, o que conseguiu sobre Edward Masen?
E o homem magricelo do outro lado da linha, tinha informações muito interessantes.
Naquele dia os irmãos Swan completavam 49 anos, mas a única coisa que Charles podia pensar enquanto saboreava o jantar com Irina, era que no ano que vem, aquela casa estaria tomada pelas vozes, risos, e música de boa qualidade.
Afinal, era de bom tom que todo homem proeminente na sociedade desse uma festa de 50 anos. E Charles abominava a ideia.
Claro que ele já teve sua época de festeiro... Não perdoava um dia na noite Italiana. Mas então, tudo aconteceu e simplesmente não tinha mais graça.
Pensar no ocorrido, por muitos anos, o deixava possesso. Sempre fora um homem que não sabia o significado do perdão, mas, olhando para trás, e concentrar-se nos bons momentos deixava Charles quase entristecido.
Terminou o jantar, e olhou para Irina. Sua mãe lhe sorriu, largando a faca e pegando em sua mão. Não era dado aqueles gestos de afeto, mas no momento deixou que a mão da matriarca lhe fizesse um afago. Iria sair da mesa dispensando o pudim quando uma figura conhecida para ele apareceu pela porta e Charles teve que se controlar para não sorrir.
– Parabéns, Tio Charles. – Isabella proclamou, chamando a atenção da avó para si. Irina logo sorriu e fez um gesto com a cabeça para que adentrasse mais a sala de jantar.
– Bella, minha querida... Não poderia ter usado alguma coisa para propícia para a ocasião? – Irina perguntou, escrutinando a jaqueta de couro e a calça jeans da neta — Vou pedir para trazerem um prato para você...
– Isabella não vai comer conosco, Irina – Charles a cortou, antes que a sobrinha tivesse a chance. – Já acabamos.
– Charles...
– Tudo bem, Irina. – Isabella falou, jogando os ombros em um gesto displicente – Não vim para jantar.
Charles deu uma risada.
– Bom saber que o seu senso de horário ainda está funcionando, Isabella. Mais duas horas e não poderia nem me desejar os parabéns.
Isabella abaixou a cabeça olhando para as mãos ocupadas por um embrulho. Sabia que deveria ter mandado um cartão, e não aparecido ali. Suas mãos agora pesavam quase uma tonelada, mas ela iria até o fim.
– Trouxe para o senhor.
Ela estendeu o embrulho, colocando-o em cima da mesa. Charles o pegou com desinteresse aparente, mas quando livrou-se do embrulho teve que se controlar para não expressar nenhum sentimento.
Era um tabuleiro de xadrez. Todo feito de mármore, as arestas eram trabalhadas com uma substância dourada, que Charles logo percebeu se tratar de ouro. Aquilo tinha sido feito por encomenda, com toda a certeza.
– Sei que o senhor gosta, e lembro quando mudei para cá... Sempre jogávamos.
– Era o único modo de cansar a sua cabecinha. – Charles murmurou, antes mesmo de se dar conta que o fazia.
Lembrou-se da menininha, que pela idade, jogava surpreendentemente bem. A carinha de frustração toda vez que perdia, praticamente o obrigando para mais uma partida. Mas logo ela deu lugar a outra pessoa. Uma mulher. Ela acabava de ganhar, porque Charles deixara, e sorria abertamente por pensar se tratar de uma vitória genuína. Seus cabelos longos e levemente avermelhados, os olhos castanhos brilhando de felicidade.
– Pensei que podíamos jogar hoje mais tarde. – Isabella disse, arrancando-o da lembrança feliz, Charles passou a mão pela borda do tabuleiro.
– Hoje não.
Ela apenas meneou a cabeça, e preparou-se para ir embora quando Charles a interrompeu.
– Isabella, preciso conversar com você, vamos ao escritório.
Charles levantou-se da mesa levando consigo o tabuleiro de xadrez, abriu a porta do escritório e colocando o seu presente bem em cima da mesa, onde ele pretendia que sempre ficasse, cruzou os braços e esperou que a figura de Isabella entrasse pela porta.
Isabella estava com um mau pressentimento desde que saiu da casa, pela manhã. Mas, quando saiu a caminho da mansão dos Swan, o sentimento estava muito mais forte.
Talvez aquilo estivesse acontecendo porque não tinha corrido aquela manhã. Balançou a cabeça com veemência quando percebeu o que pensava. Já tinha feito alguns exercícios físicos em casa, e queimado as calorias do dia. Evitou pensar que não era bem pela falta da atividade física que estava daquela maneira. Olhou para as unhas com medo de que Charles lesse seus pensamentos.
– Tenho um trabalho para você Isabella – Ele sentou em sua confortável cadeira de couro e Isabella aproximou-se da mesa. Todo trabalho era bem vindo.
– Andei fazendo umas pesquisas sobre o seu amiguinho policial. – Ela franziu o cenho. Que trabalho poderia incluir aquela informação?
– Charles...
– Calada! – Ele repreendeu – Sabe o que eu descobri? Edward Masen detém informações sobre você, Isabella. E pretende usa-las.
– Informações? – ela inquiriu, não compreendendo.
– Interceptei um telefonema que ele trocou com um parceiro. Disse que tinha gravado uma conversa que vocês tiveram. Tudo leva crer que foi naquela noite.
Isabella engoliu em seco. Agente Edward Masen e a porra da interferência que ele fazia na vida dela. Poderia ter o matado! E deveria... Como pode acreditar que ele não ia entrega-la para a polícia? Sentia-se o ser mais desprovido de inteligência por não ter percebido que ele gravava a conversa.
– Você tem que dar um jeito nisso. – Charles falou, aparentemente calmo.
– Está bem – Isabella balançou a cabeça, bateria tanto naquele rosto masculino que Edward teria que rezar para não sair desfigurado – O manterei sobre controle.
Charles soltou uma risada sardônica.
– Não, Isabella. Ele sabe demais.
O corpo todo da mulher gelou quando percebeu qual seria o seu trabalho.
– Tio Charles... Eu sei que não parece, mas eu posso lidar com ele.
A figura astuta de Charles dobrou-se em cima da mesma, um sorriso sarcástico brincando em seus lábios.
– Pois se pensa assim, eu digo que você não tem a mínima noção do que pode controlar ou não. O que é muito ruim, Isabella... Como pretende que eu leve a sério você como minha sucessora se não consegue perceber quando algo foge do seu poder?
A raiva homicida subiu pelas veias da criminosa. Odiava como Charles a manipulava tão descaradamente, já era hora dele perceber que não era mais uma bonequinha que cedia a todos os seus desejos. Encheu-se de coragem para continuar.
– Pois eu digo que o senhor é que talvez não saiba medir o perigo que o Agente Masen representa.
Charles suspirou profundamente, fechando os orbes azuis.
– É pior do que eu pensava...
Ele levantou-se, e dando a volta na mesa ficou de frente para Isabella. Um minuto se passou com as duas figuras se encarando, o clima pesado circundando ambos. Então, como o bote de uma serpente, Charles levou sua mão direita até o pescoço da Swan mais nova. Apertando forte a jugular dela.
A primeira reação que Isabella teve foi que deveria se defender. Seu instinto protetor fora tão bem treinado que era praticamente uma característica inata. Poderia com um ou dois movimentos, deslocar o ombro do homem a sua frente. Poderia desferir um soco na boca do estomago e lascar algumas costelas. Poderia dar um golpe nas têmporas, nos ouvidos, ou no próprio pescoço, trazendo como consequência uma terrível tontura.
Qualquer um daqueles golpes, ou muitos outros que Isabella poderia listar, livraria seu pescoço da mão que o apertava tão firmemente. Mas, Bella, nunca levantaria a mão daquele modo para o número um da máfia, para o homem que a criou, para o seu tio.
– Quem você pensa que é, para falar comigo nesses termos? – Charles a encarou, fúria transbordando de todos os seus poros – Eu estou lhe dando um trabalho. O que você faz quando eu te delego uma tarefa, Isabella?
– Executo – Ela respondeu em um fio de voz, tanto pela humilhação que passava quanto pela mão de Charles estar prejudicando a sonoridade da sua voz.
– E você contesta? – ele a balançou, dando um aperto mais forte – Responda em alto e em bom som, Isabella. Você contesta o que deve fazer?
– Não – ela respondeu o melhor que pode.
Charles a soltou, mas continuou a sua frente.
– Então porque tenho a impressão de que é o que está fazendo agora?
Ela controlou a vontade de levar suas mãos para o local de sua pele que fora maculado, mas controlou-se. Não daria aquele gosto ao tio.
– Porque, particularmente, e como todo o respeito, não concordo com o senhor. Não é necessário uma medida dessas. Edward Masen é uma figura pública. Poderiam juntar facilmente os fatos se bisbilhotassem o que ele estava investigando atualmente. E se ele realmente possuir aquela gravação, as coisas podem ficar muito piores.
Charles olhou com uma ponta de incredulidade para a mafiosa.
– Você teve algum envolvimento com esse policialzinho, Isabella? – Ele disse, com nojo. Isabella estava tão embasbacada com o que ouviu que não percebeu que Charles forjava uma expressão surpresa.
– O que quer dizer?
– Sabe muito bem o que eu quero dizer – O Swan mais velho murmurou entre dentes – Você abriu as pernas para ele, Isabella?
– Não! – Quase gritou. Perguntou-se com que direito ele poderia empregar tanto nojo naquela frase, já que das quatro vezes que chegara a abrir as pernas para alguém, três foram porque era interessante para Charles que esse ‘alguém’ fosse agradado.
– Você está apaixonadinha pelo agente, Isabella?
Ela negou mais uma vez, surpreendida por ele fazer aquela pergunta.
– Esqueci que você não pode gostar de ninguém, Bambina.
Ela engoliu em seco.
– Eu gosto do senhor.
Charles passou os dedos pelos cabelos pretos, agora tingidos por alguns brancos.
– O Agente Edward Masen é um risco para você, Isabella.
Ela tentou fazer um contra-argumento, mas ele a interrompeu antes que pudesse elabora-lo.
– Ele é um risco para nós. Para a máfia.
A criminosa abaixou a cabeça, entendia o ponto que ele queria chegar.
– A máfia precisa de você. A pergunta é se você quer servi-la.
– O senhor sabe que sim!
Charles balançou a cabeça, satisfeito.
– A máfia precisa que você faça esse trabalho, Isabella...
Ela suspirou ruidosamente.
– Tio Charles, como eu disse...
Ele a cortou.
– Nesse momento não sou seu tio. Sou o chefe dessa organização. E com a autoridade do meu posto estou ordenando que você execute essa tarefa, porque a máfia precisa que ela seja executada.
Isabella não poderia negar o que ele pedia. Não quando aquilo lhe era pedido daquele jeito. Jurou sempre fazer o que fosse necessário para a prosperidade da máfia. E se o seu chefe designava uma ação, tinha que cumprir.
Suspirou audivelmente, e deixou que o peso acumulado nos ombros caísse.
– Então, Isabella. Vai mata-lo?
Prometeu ao Agente Edward Masen que ela não cruzaria mais o caminho dele. Mas visto que ele quebrou a promessa primeiro, não possuía nenhuma obrigação moral. E a máfia sempre viria em primeiro lugar.
Quando respondeu, seu tom era firme e resoluto.
– Sim.
Notas finais
Espero que vocês tenham gostado do capítulo!!! Gostei muito das meninas que mostraram suas carinhas nos comentários! Espero que as demais fantasminhas mostrem suas caras lindas!!!! hahaha
COMENTEM, MENINAS!!! Fico muito mais inspirada quando vocês fazem isso!!! Super beijos, e até o próximo capítulo!!! ;)
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