Rede De Segredos
27 Capítulo 25
Notas iniciais
Obrigada a todas que comentaram!
Boa leitura.
“ – Mamma?
Renée arregalou os orbes cor de chocolate percebendo os olhos da filha em suas costas marcadas, tentou cobrir o corpo com a toalha de banho.
- Isabella? O que está fazendo ai?
A garotinha se assustou com o tom da mãe, encolhendo-se na soleira da porta.
- Isa só tava vendo mamma... Mamma tão bonita... Perdonami.
Renée sorriu tristemente para a filha que portava uma carinha desolada, olhando para seus pequenos pezinhos. A mulher agachou-se, abrindo os braços para Isabella. A menininha correu para o aconchego oferecido, descansando a cabecinha na curva do pescoço da mãe. O cheiro de morangos da mulher se fez presente, e a criança o inalou com gosto, sentido-se protegida.
Por mais que fosse uma das melhores sensações estar no colo da mãe, a atenção da pequena Isabella estava nas marcas que havia visto no corpo da mãe.
- O que é esses roxos na mamãe? Dodói? – Os olhinhos azuis ficaram marejados.
Renée suspirou audivelmente, abraçando a filha um pouco mais forte.
- Mamãe caiu, Anjo. Mas ela vai ficar boa logo, va bene?*
*está bem.
A menina franziu a testa de criança lembrando-se de dois machucados nas costas da mãe. Tocou a roxo que estava no ombro da mulher.
- Tombo feio, machuco mamãe. Tá doendo?
Uma lágrima teimosa rolou pela bochecha de Renée e ela apertou a filha mais em seu peito, para que a pequena não visse que chorava.
- Nada dói com você perto de mim, Anjo. A mamma te ama muito, capisce? Nunca duvide disso.
A pequena Isabella depositou um leve beijinho na marca arroxeada da mãe.
- A Isa também, mamma. Ti amo.
Renée sorriu.
- Você é meu tesoro, Bella. – A mulher de Charlie Swan pegou o delicado rosto da filha entre suas mãos e beijou carinhosamente a testa dela – Vá brincar com o seu tio Charles enquanto a mamãe se veste, va bene?”
- ISABELLA!
O grito de horror tirou a mafiosa do que se recordava sem nem mesmo dar-se conta. Não foi surpresa. Era o que aquele lugar fazia. Aquele porão frio parecia lhe tirar todas as lembranças boas, mesmo que Isabella tentasse se apegar a elas.
Só restava o frio. O ódio. A vingança.
Isabella ficou momentaneamente cega graças a um foco de luz, o que mais tarde a mafiosa perceberia se tratar de uma lanterna. Seu corpo foi puxado para os braços de alguém, mas a mulher não queria, nem tinha vontade de lutar contra. Estava perdida entre a sensação de realidade e fantasia. Seria aquilo outra lembrança?
- Minha menina – era a voz de Irina, a mafiosa reconheceu. A avó a embalava em seus braços como a um bebê, mas o gesto não trouxe conforto. A cabeça de Isabella doía e girava, a tontura potencializada com os movimentos de vai e vem.
- Eu peguei Sue preparando uma bandeja para trazer para cá, meu amor.
Sue, Isabella raciocinou. A velha empregada era a única coisa que lhe dava uma noção dos dias que se passavam. A mulher vinha duas vezes. Uma com a comida e com uma bacia de água, a outra para levá-la até o pequeno vaso sanitário, instalado anos atrás por Charles justamente por causa da menina, e garantir assim que Isabella fizesse suas necessidades.
Desde que fora trancada Sue apareceu doze vezes, e como estava na hora de comer novamente, significava que aquele era o sétimo dia que se encontrava ali.
- Como ele pode fazer isso com você, bambina? De novo! – Irina chorava e a essa altura Isabella se convenceu de que aquilo realmente estava acontecendo, que não fazia parte de seu imaginário – Vamos Bella, eu vou te tirar daqui.
Isabella demorou para entender o que a avô queria, mas logo que sentiu o seu corpo sendo puxado para cima, a voz gritou dentro de sua cabeça.
Não!
Isabella tentou lutar, desprendendo-se dos braços da avó.
- Na..não – a voz saiu rouca, seca, entrecortada. A própria mafiosa assustou-se com o som, refletiu que há muito não falava nada.
Irina chorou mais, ajoelhando-se na frente dela. A pouca luz vinha da lanterna no chão, e possibilitava que Isabella encarasse o rosto da avó que era a pura angústia.
O que Irina via no rosto da neta a assustou tremendamente. Estava amedrontada, sem vida e, infelizmente, resignada.
- Eu não posso deixá-la aqui, Bella. É subumano.
A mafiosa continuou negando.
- Tio Char... Charles – conseguiu murmurar por fim, raspou a garganta, a voz ganhando um pouco de força – Tio Charles vai me tirar.
- Não, Isabella! Você não precisa ficar aqui, por Dio! Seu treinamento acabou há anos, não existe propósito! Ele não pode te castigar assim, filha. Ele não pode...
Novamente Isabella sentiu Irina puxando-a, mas resistiu bravamente, tentando agarrar-se ao chão úmido.
Ela queria sair dali. Queria desesperadamente. Mas estava ali por ter desobedecido ao tio, e o resto de sanidade que lhe restava dizia que não poderia desobedecê-lo novamente. Sabe lá o que poderia acontecer caso o fizesse, talvez ele desconsiderasse o acordo feito e então... Então Edward não estaria a salvo. Tudo a troco de nada. Tudo culpa dela.
Irina a puxava mais forte agora.
- NÃO! – Isabella gritou com sua voz rouca, assustando a avó – Você não entende! Não entende! Saia daqui!
- Você vem comigo, Isabella. Eu vou falar com Charles... Ele vai ter que compreender que não existe lógica prendê-la aqui e...
- Não! O federal... – Isabella murmurou já incoerente – Saia daqui! Saia!
A matriarca passou os dedos pelo cabelo úmido e sujo da neta, querendo conferir se a menina estava com febre... Mas, apesar de suar frio, a temperatura estava normal.
- Quem é federal, Isabella?
A cabeça da mafiosa faltava explodir.
- Ele vai fazer mal. Vai machucá-lo... Eu tenho que ficar... O tio Charles vai me tirar daqui... Ele vai.
- Bambina...
- Lasciami stare! VATENNE!*
*Me deixe sozinha! Vá embora!
Com algum custo Irina saiu dali, deixando a neta agarrada ao chão frio, murmurando coisas incoerentes. A imagem era capaz de quebrar corações feitos de pedra, e estraçalhou o peito de Irina.
Mas aquilo não ficaria assim. Charles teria que tirar a sua menina dali. Não toleraria mais nenhum dia aquela situação.
Vendo os passos da avó se distanciarem, Isabella pôde respirar novamente. O terror invadindo todas as células de seu corpo por dar-se conta de onde estava... Tentou agarrar-se a alguma cena de seu passado, qualquer uma que fosse minimamente boa... E logo se lembrou da continuação da noite depois que viu Renée machucada no banheiro.
“- Zio! Zio Charles! – a menininha chamou a atenção do homem que se estava sentado na poltrona da varanda, o pensamento longe.
Os olhos azuis idênticos encontraram-se e Charles abriu um sorriso para a sobrinha. Levou dois dedos até a testa dela, brincando com a franjinha preta.
- O que foi, piccola Isa?
A menina fez um muxoxo.
- Mamma mandou brincar com zio Charles, porque tá vestindo roupa. Mas Isa tão cansada!
Charles sorriu, pegando a menina de repente pelos bracinhos, trazendo-a para seu colo. Isabella soltou uma risadinha gostosa, colocando suas perninhas em cima das do tio, sua curiosidade infantil medindo-as e constatando que adultos eram coisas gigantes.
- Você? Meu pequeno furacãozinho, cansada? – Charles começou a brincar com as madeixas negras de Isabella que chegavam até o meio das costas – Acho que isso é manha...
- Mentiu. Isa não tá cansada de verdade. Isa tiste. – a menina voltou os olhinhos para o tio, que se surpreendeu um pouco com a declaração – Zio Charles tá tiste também.
O homem engoliu em seco, recomeçando o cafuné na sobrinha.
- Zio Charles fez algo muito errado ontem, bambola. – ele coçou a cabeça – mas, parecia certo... parece certo...
- Iza entende! Mamãe fala que é errado maquiar boneca. Isa acha certo.
Charles riu, atentando-se para o fato que conversava com sua sobrinha, e que por mais que ela fosse esperta para a sua idade, ainda tinha três anos.
- É um pouco mais difícil que isso, Isa... Coisas de adultos.
A menininha se empertigou no colo do homem, cruzando os bracinhos.
- Isa entende! Isa moça!
- Minha pequena Isabella, una ragazza?* – o homem praticamente gargalhou. Só mesmo aquele anjinho para fazê-lo rir depois do que aconteceu ontem — Ainda falta um pouquinho para isso, bambola. Agora, diga para o zio Charles, por que está triste?
*Uma moça?
Isabella pegou a mão do tio que segurava sua barriguinha, começando a brincar com o anel dourado.
- Mamma dodói. Machucado roxo!
Charles fechou duramente os olhos, sentindo o ódio que o assolava desde ontem.
- Zio Charles promete que nunca mais a mamma vai ficar dodói assim, piccola Isa.
A menininha virou-se abraçando o pescoço do tio sem aviso.
- Isa acredita! – apertou os bracinhos, quase sufocando Charles, mas ele não se importava – Isa ama Zio Charles!
- Isabella... Isabella... – Charles murmurou encantado, perdido em seus pensamentos, lembrando-se que aquela linda menina era filha de Charlie, seu irmão, que Renée era esposa dele. – Ele não merece vocês.
- Quem não merece Isa?
Charles balançou a cabeça.
- Ninguém, bambola... Esqueça isso. Quero que me prometa uma coisa Isabella. – o homem suspirou, lembrando-se da sobrinha dizendo que o amava – Me prometa que nunca vai perder esse seu jeitinho doce.
A criança balançou a cabeça achando aquilo engraçado, incapaz de compreender a profundidade das palavras.
- Zio Charles pede cada coisa esquisita! Isa num é doce... Isa é bava! Muito bava!
Charles beliscou levemente o biquinho falso que se formou nos lábios infantis.
- Brava é? Vamos ver onde está essa braveza toda quando eu te atacar com cosquinhas.
- Zio Charles, não! – Isabella sentiu as mãos do homem a cutucando e começou a primeira crise de riso da noite, as gargalhadas gostosas enchendo a varanda da casa – Cos... cosquinha não!”.
~-~
O burburinho formou-se rapidamente na sede do FBI, agitando todos os agentes presentes, afinal algo importante acontecera.
Uma ligação anônima informava que um homem tinha sido jogado em um canteiro de rodovia, respirava, mas como estava inconsciente não havia como prever a gravidade de seus ferimentos. Esse homem era o agente Edward Masen.
Depois de quase dois meses sumido, o filho mais velho de Esme Masen fora encontrado.
Jasper se autoassimilava a uma chaleira. Não se lembrava de ter suado tanto em sua vida, nem mesmo no exame de aptidão física da instituição. Voltando do banheiro, onde tinha se enfiado na hora exata em que o FBI receberia a notícia sobre Edward, Jasper tentou colocar sua melhor cara de confusão.
- O que aconteceu? – perguntou a um agente mais próximo.
- Acharam o Agente Masen! Já estão o levando para o hospital, mas parece que está bem.
- Oh Edward! Graças a Deus! – a representação foi piegas, e não convenceria ninguém. Mas, para a sorte de Jasper o colega de trabalho estava pouco se importando com as emoções dele no momento.
Ele não sabia mesmo dissimular, e nem tinha interesse, afinal, o negócio dele era outro. O homem considerava lidar com computadores muito mais fácil que com pessoas.
Sacou o celular, olhando para os lados antes, como bom conhecedor e aplicador de uma teoria da conspiração. Escreveu rapidamente.
“Tudo deu certo... Espero que já tenha saído do perímetro em que deixou o Edward.
Te encontro no hospital.”
Apertou a tecla enviar e, imediatamente, a mensagem chegou até Emmett.
Jasper finalmente sorriu, encaminhando-se para a saída do FBI.
Tudo tinha ocorrido bem. E ele meio que sentia a genialidade subindo a cabeça.
~-~
- Chamou, pai? – Alec Swan esperou à porta do escritório de Charles para que ele lhe desse a ordem de entrada.
- Sim – os olhos do Swan nem chegaram realmente ao filho, presos aos papéis com os lucros de um último carregamento de armas. Quando sentiu o adolescente perto de sua mesa, continuou a falar – Chega desses treinamentos imbecis, Alec. Já passou da hora de você atuar no dia-a-dia da máfia.
- Eu já o pedi isso – Alec pontuou. Estava feliz, porém inegavelmente nervoso diante da novidade – Foi o senhor quem negou!
Charles revirou os olhos, tentando não ocupar sua mente com as tolices que saiam da boca do filho.
- Claro que neguei, qualquer pessoa minimamente sensata faria a mesma coisa quando olhasse para você e visse o que eu vejo.
Alec engoliu em seco, apertando o encosto da cadeira com uma das mãos.
- E o que o senhor vê?
A resposta veio sem hesitação.
- Um molequinho que mal saiu das fraldas. Ainda sinto o cheiro de leite azedo vindo de você. Mas a culpa é minha, não deveria ter te deixado tanto tempo com aquela oportunista que você chama de mãe. – Charles disse, calmamente, como quem fala do tempo.
O Swan mais novo fechou brevemente os olhos azuis. Iguais aos do pai. Iguais aos de Isabella. Estava certo que sua mãe não prestava, e ele era ciente do fato. Mas não o agradava ficar ouvindo esse tipo de coisa de Charles. Tentou controlar a fúria, mas ela rompeu por seus lábios em forma de um comentário jocoso:
- E pretende colocar um molequinho, como mesmo disse, na sua preciosa máfia?
Charles bateu o pulso na mesa, olhando para o filho pela primeira vez.
- Engula esse sarcasmo quando me dirigir a palavra, Alec Swan. Quem você pensa que é?
O adolescente abaixou a cabeça.
- Perdonami, Pai.
- Sua extrema inexperiência não será um problema a princípio. Vai ter uma boa professora.
Os olhos de Alec se iluminaram.
- Professora?
- Sim. – Charles fez uma pausa e, quando voltou a falar, seu tom era de orgulho – Isabella. Você vai acompanhá-la nos afazeres dela a partir de hoje.
Alec teve que se controlar para não sorrir.
- Bella?
- Ora, Alec! Por acaso conhece outra Isabella Swan?
Não. Alec não conhecia.
“ – Dê oi para a Isabella, Alec. – Irina havia carregado o menino de três anos até a biblioteca onde uma Isabella encontrava-se estudando matemática. Charles sempre exigia notas boas e, nessa época, a aspirante a mafiosa ainda era educada em casa por professores muito bem pagos.
A menina de 12 anos virou-se para o pequenininho no colo da avó. Alec arregalou os olhinhos para ela. Era tão linda! A pele branquinha, os cabelos pretos, os olhos azuis que pareciam o céu. Nem se dava conta do quanto pareciam um com outro. O menininho simplesmente encarava encantado a menina à sua frente.
- Vovó – Alec se escondeu no pescoço de Irina – Ela é um anjo?
- Vovó Irina! – Alice gritou de algum lugar quebrando o momento – Deixe-me carregá-lo!”
A verdade era que Alec Swan sempre fora encantado por Isabella. Via a mulher como um exemplo a ser seguido e sonhava um dia ser igual a ela. Receber um elogio dela. Ver seu pai falando dele com o mesmo orgulho que falava dela. Ao contrário de Isabella, Alec não a via como uma concorrência para ocupar o primeiro posto da máfia.
Não haveria jamais uma disputa entre ele e a sobrinha de seu pai, porque todo mundo já saberia o resultado.
Isabella ganharia.
- Charly! – Irina irrompeu o escritório acabando com a conversa entre pai e filho.
- Vovó? – Alec perguntou duvidoso, indo até ela e amparando-a. A mulher estava visivelmente fora de si.
- Você tem que tirar Isabella daquele lugar horrível! Eu não vou tolerar isso! Eu não vou!
Alec assustou-se. Lugar horrível? Onde sua prima estava?
- Você não tem direito nenhum de invadir a minha sala impondo o que quer ou não. Eu sou o responsável pela educação da Isabella e você não tem que se meter nisso! – Charles disse, toda a sua calma evaporando para o espaço. Detestava quando o contestavam, principalmente tratando-se de sua mãe, e ainda mais relacionado ao modo como tratava Isabella.
Ele sabia o que era melhor para a menina.
- Isabella já tem vinte e cinco anos, Charles! Ela já recebeu todas as punições, todos os malditos treinamentos que você poderia inventar! Basta! Ela é seu melhor homem, o que mais você quer? – Irina despejou em cólera, quase soltando-se dos braços de Alec.
- Quero que ela me obedeça como costumava fazer!
A mais velha explodiu em uma pequena crise de riso indignado.
- Ela acabou de me expulsar aos gritos quando eu ameacei tirá-la daquele lugar horrível! O que te faz pensar que ela não obedece a você? Você é a figura que ela mais respeita em todo o universo.
- O que está acontecendo? – o menino Swan simplesmente não entendia. Isabella fora punida? Por quê?
- Calado, Alec! – Charles cortou, como uma cobra que destila o seu veneno — Não! Eu não sou. Você não sabe o que andou acontecendo!
- Me conte, então!
- Eu não estou com tempo nem paciência para isso. Mas não se exalte, mamãezinha querida, vou tirar Isabella de lá hoje mesmo. Ela vai treinar Alec e precisa de um tempo para se recuperar.
Irina piscou várias vezes, relaxando nos braços do neto.
- O que Isabella fez para desafiá-lo, Charly?
O mafioso afastou a cadeira, ficando em pé num rompante.
- Eu já lhe disse que não vou falar sobre esse assunto agora.
A mente de Irina se iluminou e ela soltou sem pensar:
- Por acaso tem relação com um tal de federal?
A pergunta fez o sangue de Charles ferver. Como possivelmente sua mãe sabia a respeito do filho de Carlisle Cullen? Partiu para cima dela, cego pela fúria, mas Alec entrou entre eles, trazendo Charles de volta a realidade.
O mafioso respirou profundamente, tentando recuperar a razão.
- Nunca. Nunca mais repita esse nome dentro dessa casa. Principalmente perto de Isabella. Fui claro?
Charles lançou seu olhar para Irina, que simplesmente sustentou o olhar com o do filho.
- Fui claro? – o mafioso repetiu, baixo e mordaz.
Irina finalmente abaixou a cabeça. O que interessava por hora era que sua neta iria deixar aquele porão asqueroso.
- Sim, filho. Claríssimo.
~-~
28 dias depois.
A sala de tiros da sede do FBI estava vazia, exceto pelo homem que permanecia com os olhos fixos em seu alvo inanimado que secretamente invejava. Queria ser capaz de não sentir nada como o boneco.
Mais uma vez apertou o gatilho, mais uma vez a bala chegou ao destino esperado.
Edward Masen sempre gostou de atirar. O ato o relaxava e, naquele momento, parecia uma demonstração de poder, de controle sobre os seus próprios atos. A sensação era ilusória, porém definitivamente boa.
- Alvo parado a 30 metros, Agente Masen? – Edward travou por um minuto. Reconheceu a voz feminina, porém, estava desacreditado que ela estivesse realmente ali – Tão monótono...
O alvo de Edward afastou-se bruscamente, a distância máxima que aquela cabine de tiros permitia, começando a oscilar no ar.
- Cem dólares se acertar o pé, o coração e a cabeça. Os três locais ou nada feito!
Depois de muito tempo Edward quase sorriu. E um quase sorriso já era um tremendo avanço para o estado de espírito que ultimamente se encontrava. Empunhou a arma novamente, condicionando seus olhos ao movimento do boneco alguns bons metros a sua frente.
Três tiros foram ouvidos. Os três pontos atingidos em cheio. Edward retirou os fones protetores e imediatamente ouviu o barulho dos saltos femininos na sala vazia. Os passos cadenciados e firmes como sempre, não poderiam ser mais típicos de sua detentora.
- Sua mira continua incrível, agente – Edward ouviu a voz bem colocada quando os passos cessaram e soube que ela já se encontrava atrás dele – Poderia ter sido atirador de elite com apenas um estalar de dedos.
Respirando fundo, Edward virou-se para encará-la. Os cabelos vermelhos vivos ainda caiam perfeitamente sobre os ombros, a pele branca e bem cuidada, os olhos verdes azeitona ainda mais perspicazes... Ela estava bonita, ela sempre fora muito bonita.
- Victoria... – Edward murmurou em um comprimento.
Ela riu, olhando-o de esguelha.
- Olá, Edward. – Victoria analisou o rosto do homem, e franziu as sobrancelhas cor de fogo – Você está abatido, não deveria estar aqui Ed. Sua licença ainda não acabou.
O agente Masen deu de ombros. O que Victoria não sabia é que ele precisava urgentemente ocupar sua mente. Caso contrário só pensaria em uma certa coisa, ou melhor, pessoa.
- Eu estou bem.
Victoria revirou os olhos dando um passo à frente.
- Eu sei que não está, mas não vou discutir com você sobre isso agora. Se bem me lembro, você pode ser terrivelmente teimoso quando quer. – A agente Lewis respirou fundo antes de continuar – Eu fiquei preocupada...
- O que faz em Boston? – Edward perguntou, tentando desviar a atenção dela daquele tópico. Não poderia vacilar diante de Victoria. Se alguém ali dentro era capaz de descobrir seu falso sequestro, esse alguém era ela.
- Não vou mentir, Edward. Eu estou no departamento de sequestros em Nova Iorque. Eu vim ajudar no seu caso... que, bom, já não é mais um caso.
Edward estreitou os olhos.
- Eles pediram para você...
- Sim – Victoria mexeu com uma mecha de cabelo, subitamente nervosa por falar com Edward, apesar de se dar conta que aquilo era tolice – Estou mais ligada ao rapto de crianças, então primeiramente não compreendi... Depois soube que era você. Revemos todas as pistas várias vezes... Eu não entendia o que estava acontecendo. Você não tinha entrado em nenhum caso muito perigoso nos últimos meses, não houve um pedido de resgate, até mesmo o carro em que você foi levado passou incólume pelas filmagens do trânsito.
Sim, Edward anuiu, Jasper apagara os vestígios do carro que ele e Isabella usaram aquele dia.
Isabella.
Até mesmo pensar nela infligia dor para o homem. E mesmo assim ele o fazia, a todo momento.
Tentou mudar rapidamente de assunto.
- Mas, se eles te chamaram é porque...
Victoria mordeu os lábios, incerta. Mas seus olhos queimavam com a presença de espírito que sempre possuíra.
- Sim... Eu meio que sou a chefe da divisão de sequestros de NY.
Edward sorriu de lado, arrancando um suspiro de Victoria. Era impossível resistir àquele sorriso.
- Eu sempre soube que você iria longe, Vic.
A mulher sorriu sedutoramente, jogando a força de seu olhar sobre o federal.
- Esse seu apoio incondicional é uma das muitas coisas que me atraíram no passado, Ed.
O homem piscou algumas vezes, surpreendido pela assertiva da mulher.
- Eu senti sua falta, Edward... – Victoria murmurou aproximando-se mais. – Você sabe, nós poderíamos ter dado... certo. Reconheço que a culpa foi minha.
Edward Masen engoliu em seco, não acreditando que estavam tendo aquela conversa.
- Vic, nós estávamos juntos há apenas dois meses. Não diga que poderia ter dado certo, porque não sabemos. E por Deus, isso foi há um ano, Victoria! Você tinha que ir embora, era a sua carreira em jogo... E nós também não tínhamos nada sério.
A agente revirou os olhos, uma das mãos começou a brincar com os botões da camisa branca que o federal usava.
- Você poderia ter dito que sentiu saudades minhas também, Edward. – O Masen fechou brevemente os olhos sentindo os toques em seu peito. Sim, ele sentira falta dela. Victoria era engraçada e extremamente inteligente. Uma ótima companhia. Mas, estranhamente, alguma coisa estava mudada. – Eu estou pensando em pedir transferência para Boston, eu gosto daqui... E os casos de sequestro têm aumentado, infelizmente.
Edward fixou seus olhos nos de Victoria, o que, de algum modo, instigava a mulher a continuar.
- O que eu quero dizer, Ed... É que eu estarei de volta, e não vou mais usar o passado para falar isso – ela levantou o queixo, encarando firmemente o agente, a mão rumou para os ombros largos do homem – Por que não retomamos de onde paramos um ano atrás, Edward?
- Victoria...
- Edward – ela o interrompeu – Eu realmente acho que podemos dar certo.
Victoria se inclinou ainda mais para o homem, a ponta do nariz alcançando o pescoço largo. Ela sorveu do cheiro másculo potencializado pela essência do perfume. Seus lábios fecharam-se instantaneamente sobre a carne. Uma pequena mordida sem dentes. Sentiu a mão de Edward apertar levemente sua cintura, e sorriu contra a pele dele. Movida pela coragem moveu seus lábios até o ouvido do federal.
- Nós éramos bons juntos – sussurrou, impondo a lembrança. Com uma risadinha rumou a boca até a mandíbula do federal onde começou a distribuir beijos e leves mordidas. Seu sorriso abriu ainda mais quando viu que o homem engoliu em seco.
Victoria era uma mulher extremamente atraente que estava beijando o federal de maneira provocativa. Ele estava ciente daquilo. Estava ciente também de que era muito bom estar com ela no passado, não apenas de um modo sexual. A ruiva era realmente uma companhia muito boa.
Contudo, aquela maneira que ela o beijava agora, o lembrava demais de uma certa mafiosa e de como ele gostava de sentir os lábios carnudos roçando sua barba por fazer.
Maldita Isabella Swan!
Ele queria esquecê-la. E ele iria. Victoria poderia ser a chave para que aquilo acontecesse.
Movido pelo pensamento, agarrou firmemente a cintura feminina com as duas mãos, ignorando que elas não se encaixavam tão bem como na cintura de Isabella, e jogou a ruiva sem aviso contra a divisória, prensando seu corpo ao dela.
Victoria quase gemeu, deixando que Edward visse o quanto ela era receptiva a ele. Aquela era prova dos nove, o que aconteceria a partir dali poderia significar sua libertação. Queria tanto parar de sentir o que sentia por aquela maldita mafiosa. Esquecê-la!
Sua mão desceu até o quadril da mulher, o polegar colocado perigosamente perto da virilha fez Victoria ofegar, dando um leve rebolado.
- Edward...
A mulher gemia seu nome, coisa que o homem sequer notou. O foco do federal estava centrado em apenas uma coisa, os lábios entreabertos de Victoria, e não no que saía deles.
Por favor... – o federal chegou a rogar em pensamento antes de finalmente selar as duas bocas.
Notas finais
Até a próxima, minhas lindas!
beijos e comentem! ;)
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