Rede De Segredos
18 Capítulo 16
Notas iniciais
Me desculpem! Tive alguns imprevistos ontem e foi impossível terminar o capítulo e postar!
Mas bem, aqui estamos! hahaha
Queria agradecer a todos os comentários! Muito obrigada mesmo meninas, vocês são meu combustível!
O capítulo de hoje é dedicado a SIL ARAÚJO, pessoa linda que recomendou RDS!!! Muuuuuuuitíssimo Obrigada!
Não vou mais enrolar! Boa leitura!
Isabella sentia as pálpebras pesadas, e o corpo extremamente mole. Ela estava completamente sem forças, mesmo que estranhamente satisfeita. Lutou bravamente contra o topor que estava mergulhada porque odiava aquela sensação de fraqueza.
Decidindo finalmente encarar um novo dia, ela se espreguiçou ainda sem coragem para abrir os olhos, mas o movimento do seu braço esquerdo foi brecado por uma massa consistente ao seu lado na cama.
Isabella abriu os olhos rapidamente agora, e a primeira coisa que encontrou foram duas esmeraldas a olhando com interesse e divertimento.
- Bom dia, Isabella. – a voz rouca e baixa declarou, piorando a confusão que existia dentro dela.
Ela olhou incerta para o homem ao seu lado que parecia extremamente relaxado. Ele estava sem camisa, sentado por cima do pesado edredom, as costas repousando tranquilamente na cabeceira da cama. Vestia somente uma calça de moletom cinza que deixava extremamente evidenciado os ossos de seu quadril. Os cabelos acobreados estavam uma bagunça total e os olhos esmeraldinos brilhavam astuciosos como nunca. Um livro aberto repousava tranquilamente em cima das pernas fortes, e a atenção dele era totalmente depositada nela.
- O que você está fazendo aqui, Agente Masen?
Edward abriu um sorriso provocador.
- Aumentava minha bagagem cultural enquanto você dormia Isabella – ele disse balançando o livro e Isabella pode ver a capa, O Poderoso Chefão. – Don Corleone é uma inspiração para você? Estou achando interessante o enredo, mas a única coisa que me surpreende é que você tenha acordado antes que eu conseguisse chegar a metade do livro. Pensei que ia dormir mais depois de ontem, minha linda.
A mafiosa quase levou uma mão até a boca em espanto quando imagens da noite passada chegaram vivas em sua mente. Um arrepio transpassou sua espinha enquanto tentava compreender o fato de que tinha caído em sono profundo logo após um orgasmo.
- Vejo que se lembra da noite passada, Isabella – Edward provocou, percebendo a pele da mulher arrepiada. Isabella o ignorou, levando a mão a cabeça, tentando inutilmente colocar seus pensamentos em ordem.
- Quantas horas?
Edward consultou o relógio de pulso brevemente.
- Quase meio dia.
- O que? – Isabella inquiriu incrédula, lutando contra a letargia que seu corpo assumira. Sua vontade era se encolher mais em baixo do edredom pesado e quentinho.
Olhou novamente para a feição feliz de Edward Masen. Ele parecia extremamente confortável. Desde quando ele estaria ali do seu lado enquanto dormia?
A compreensão finalmente chegou para Isabella.
Apesar de todos os seus músculos reclamarem, ela sentou rapidamente na cama, deixando que seus movimentos externassem a fúria que sentia.
- Agente Masen, você dormiu aqui? – sua voz estava várias oitavas mais altas, olhava para a figura despojada de Edward com fúria assassina.
O olhar do federal imediatamente perdeu o brilho, uma tristeza despontando em seu peito. Depois da noite que viveram ontem Isabella estava mesmo preocupada com um compartilhamento de cama?
Interpretando a reação do homem de maneira errada, a criminosa nem deixou que ele falasse alguma coisa.
- Como você pôde? – ela perguntou, a voz beirando a histeria. Edward nunca havia visto a mulher tão descontrolada como agora. – Eu te disse, eu te avisei! Nada de dormir na mesma cama! Como pôde?
Ela levantou-se rapidamente, mas os músculos de suas pernas doeram muito, seu corpo cedendo e ela caiu no chão. Logo sentiu os braços do federal tentando ajuda-la a levantar, mas ela lutou contra eles bravamente.
- Isabella! – Edward censurou, tentando ser paciente – Seu corpo ainda não se recuperou de ontem.
- Eu sou Isabella Swan, a porra de uma mafiosa, e meu corpo pode muito bem aguentar alguns orgasmos! – Ela levantou e andou rápida e cambaleante até o banheiro. Tentou fechar a porta mas foi impedida pelo pé de Edward, que se impôs pela fresta.
A mafiosa virou de costas e segurou firmemente na bancada de granito para não cair. Suas pernas pareciam dois pesos molengas que não serviam para sustentar seu corpo.
- Você não vai fugir de mim – declarou um Edward determinado, mas era tarde demais. Isabella já estava dragada por suas lembranças.
“- Babbo? – Bella perguntou incerta, coçando os olhinhos. Não se lembrava de Charlie ter chegado durante a noite.
Charles abriu os olhos, percebendo que a pequena sobrinha encontrava-se ao lado da cama, com carinha de sono.
- Não, Isa. É o tio Charles! – ele conferiu o relógio – o que faz acordada tão cedo piccola?
- Isa sem sono! Pesadelo! – ela disse emburrada, fazendo o tio rir – Perché o tio Charles está na cama da mamãe?
O sangue de Charles gelou. Olhou para o lado constatando que Renée ressonava tranquila depois de uma noite turbulenta. Por um momento tranquilizou-se de que fora Isabella quem invadira o quarto, e não o irmão.
- Esse será o nosso pequeno segredinho... Consegue guarda-lo?
Ela fez uma carinha pensativa.
- Isa não sabe se gosta disso... É o lugar do papai... Pode contar para o babbo?
- Não, piccola. Se você contar para o seu babbo, ele não vai deixar mais o zio Charles ficar com vocês. E você gosta do zio Charles, não gosta?
Ela fez um biquinho.
- A Isa gosta.
- Então! – Charles recomeçou, sentando-se na cama, tentando colocar em ordem a roupa amarrotada em seu corpo. Nem sequer percebeu que caíra no sono na noite passada. Bateu a mão levemente ao seu lado fazendo com que a pequena Isabella também se sentasse na cama.
- Isa, não tem problema eu ter dormido na cama da sua mamãe, porque eu gosto dela.
Bella olhou para ele desconfiada.
- Tio Charles gosta da mamãe como o babbo gosta?
- Talvez mais... Talvez menos... Mas são amores diferentes. Pode entender isso?
- Acha que sim...
- Então, piccola. Não tem problema o tio Charles estar aqui, porque ele gosta da mamãe. Capiste?
- Então a gente só pode dormir na cama de quem a gente gosta?
O tio riu, brincando com o cabelo da menina.
- Mais ou menos, bambina. Quando você crescer vai entender melhor. – ele abaixou o tom de voz para um quase sussurrante e quando voltou a falar era mais para ele mesmo do que para a criança – Espero que você não tenha raiva de mim.
- Tio Charles é tão bobão! – Bella riu – Isa não pode ficar com raiva do tio Charles! Você brinca com a Isa!
- Assim espero, piccola! Assim espero! Agora o que me diz de nós dois fazermos um café especial para a mamãe? Ela anda tão nervosa, não é mesmo?”
- Isabella? Você está me ouvindo, Isabella? – a voz alterada chegou aos ouvidos da criminosa tirando-a da lembrança, foi virada por duas mãos em sua cintura para encarar os olhos verdes esmeralda. Piscou algumas vezes tentando se acostumar com a realidade imposta.
Edward estava pronto para soltar alguns muitos improvérbios pela atitude da mulher, porém calou-se quando vislumbrou os olhos azuis que pareciam estar longe dali, alguma coisa dentro deles atingindo-o em cheio.
- No que você está pensando? – ele perguntou, constatando que ela parecia em uma espécie de transe.
Mas não durou por muito tempo, logo a frieza e, além disso, a raiva estavam de volta ao semblante feminino, por mais cansada que ela estivesse de tudo aquilo.
- Me solte federal. Lasciarmi solo*! Nem a porra da minha privacidade você respeita mais?
*me deixe em paz.
- Me escute, Isabella. – ele começou calmo, porém seu tom impunha certo respeito, quase ecoando pelo banheiro – Eu não dormi na sua cama, está ouvindo?
- Não minta para mim! – Ela sibilou tentando livrar-se de suas mãos, sem sucesso.
- Olhe para mim e veja se eu estou mentindo! – Edward disse – Eu fiquei com você um pouco ontem a noite, mas quando vi que estava com muito sono fui para o sofá. Hoje de manhã, depois do café, voltei para cá e estou lendo até agora.
Isabella viu que ele falava a verdade e começava a se sentir ridícula por toda a situação... Por que perdia o controle daquela maneira com ele? Por que?
Virou-se para o espelho tentando fugir do olhar de Edward e tomou mais um susto. Primeiro constatou que estava nua, segundo que seu cabelo estava um emaranhado, um verdadeiro terror, e por último que tinha duas marcas muito roxas em seu pescoço e em seu ombro.
- Acredita em mim? – Edward perguntou, mas ela não deixou de analisar as marcas, apenas meneou a cabeça. Edward viu para onde ela tanto olhava – Estão doloridas?
- Não... Só me darão um trabalho do inferno para escondê-las! – Ela murmurou, olhando raivosamente para um Edward que agora estava com o semblante calmo. Era impressionante como o ambiente mudava em questões de segundos com os dois.
- Prefiro que não o faça... – O federal murmurou – Se lembra do que disse para mim ontem?
Isabella fechou os olhos por um breve instante, sentindo ser apertada pelos braços musculosos.
- Podemos não falar disso agora?
- Não quero falar – Edward retrucou – Quero apenas que saiba que depois de ontem não vou permitir que nenhum homem a toque como Jacob Black tentou.
Isabella bufou.
- Você não tem esse direito.
Edward riu, beijando a mancha arroxeada no pescoço feminino.
- Você sabe que tenho... Você me deu esse direito ontem Isabella. E enquanto possuirmos esse envolvimento eu não vou dividi-la com ninguém.
- Pare de ser tão petulante, Federal!
Apesar de mostrar que não concordava com aquilo, a reação da criminosa foi quase satisfatória para Edward. Afinal, também não negara.
- Só estou dizendo a verdade. Agora, por mais tentador que seja vê-la assim, acho melhor você voltar para a cama. Mal consegue se sustentar em pé. – ele disse com um gracejo.
E foi nesse momento que Isabella percebeu que a única coisa que a impedia de cair ao chão eram os braços fortes de Edward ao seu redor. Livrou-se deles e voltou um pouco cambaleante para o quarto, porém rumou para o guarda roupa à procura de algo para vestir. Jamais voltaria para a cama, pelo contrário, tomaria um banho e acordaria de vez. Seu corpo já esteve em estados muito mais lastimáveis do que se encontrava agora, e não ficaria igual uma inválida deitada o dia todo por conta de uma simples bambeza!
Edward assistia calado à odisseia da mulher de encontrar uma roupa sem se desequilibrar. Um pequeno sorriso nasceu em seus lábios. A diaba era voluntariosa e ele, estranhamente, adorava isso.
~.~
- Mãe? – Rosalie chamou incerta, colocando a cabeça com os cabelos recém lavados dentro do quarto, os dedos com o esmalte rosa, que começava a descascar, seguravam firmemente a porta de madeira.
Apenas um resmungo saiu da mulher que se encontrava deitada de bruços no meio da grande e confortável cama.
Rosalie adentrou o quarto tentando não fazer barulho, mas tinha que acordar a mãe de qualquer forma, na verdade, era meio preocupante que ela estivesse na cama até a essa hora, nem sequer ter decido para o almoço. Essa era a única refeição que os três, ela, a mãe e o avô faziam juntos. Já que o patriarca da família, bem doente, detestava sair do quarto para fazer o que quer que fosse.
- Mãe? Você tem que levantar. – Rosalie disse, sua voz carinhosa, e contornou a cama para visualizar o rosto de Esme.
Mas algo puxou seus olhos para o vidrinho aberto de remédios. Aquele era o mais forte de todos. Sempre quando a sua mãe o tomava passava horas sonolenta na cama, além de começar a falar coisas sem sentido.
Será que havia muito tempo que ela tinha o tomado? Porque logo hoje? Justo no dia do seu baile de formatura!
- Mãezinha? – ela falou, já um pouco desesperada devido a letargia da mulher, que permanecia ressonando de olhos fechados – Temos que ir para o salão.
- Me deixe, Rosalie! – Esme murmurou, enterrando a cabeça no travesseiro de penas.
A menina tentou tocar o seu ombro, mais a mulher se mexeu inquieta, afastando-a.
- Mãe... A senhora tem que levantar. Temos salão daqui quarenta minutos. Hoje é o meu baile de formatura, se lembra?
- Não me importo com esse baile estúpido. Eu não quero ir Rosalie! Deixe-me em paz!
Rosalie engoliu em seco, e fechou os olhos.
São os remédios... São os remédios... Ela repetiu em sua mente. Aquela não era a sua mãe.
Vendo que seria difícil tirar a figura materna da cama, Rosalie Masen decidiu utilizar do único argumento que sempre funcionaria.
- Mãe, o que a alta sociedade vai dizer se você não comparecer?
Pela primeira vez naquele dia Esme encarou a filha, a menina cambaleou em cima dos joelhos, tamanha a força que a mulher lhe olhava. Os olhos cor de mel de Esme estavam vermelhos e inchados.
- O que você acha que eles vão dizer? Por acaso é burra, Rosalie Masen? O que eles poderiam dizer que já não tenham dito desde que seu pai me deixou! – os olhos da mulher tornaram-se marejados, e a voz ficou levemente mais branda – Sim, ele me deixou. Ele infelizmente morreu naquele horrível acidente de carro, mas todos sabem que ele não estava indo viajar. Ele estava me deixando. Carlisle me deixou...e... e a culpa é minha.
Rosalie levou a mão aos cabelos loiros da mãe, os acariciando.
- Não, mamãe... Ele nunca a deixaria! Você era maravilhosa para ele...
- Você tem razão... Tem razão... – Esme fungou – A culpa é sua.
Foi como se Rosalie tivesse recebido uma enorme carga, e ela caiu sentada no carpete. Sempre desconfiara que a mãe pensasse aquilo, mas ela jamais verbalizara.
Era o remédio... o remédio...
- Mãe? – Rosalie perguntou incerta, e os olhos perdidos de Esme encontraram os da filha.
- É sua culpa... Tem que ser! Ele foi feliz, nós vivíamos felizes, até você nascer! Talvez ele não quisesse outro filho, talvez não quisesse uma menina... Ele me deixou... A culpa é sua! Ele estava fugindo e morreu... Você matou o seu pai! O meu amor... Ah... meu amor.
As lágrimas de Rosalie desceram sem controle pelos seus olhos. Ela levantou-se cambaleante, querendo sair do quarto.
- Saia daqui! Me deixe em paz! Você matou... meu amor.
Assim que Rose fechou a porta do quarto com dificuldade, ela já se encontrava no chão. Chorando encolhida contra a porta de madeira. Era culpa sua. Ela sempre soube que era. Sempre soube... Não eram os remédios, por mais que ela preferisse pensar assim, o que acabou de escutar era a verdade que sua mãe guardou durante todos esses anos.
Ela era a responsável. Sempre foi ela. Qual era a alternativa? Nada mais fazia sentindo. Sua mãe deve ter a odiado silenciosamente por todos esses anos.
O celular chamou em seu bolso, e olhando para o visor viu que se tratava de Emmett. Tentou conter o ar choroso que certamente transparecia em sua voz e atendeu. Não conseguiria ignorar a chamada dele, não uma chamada dele. Felizmente suas lágrimas desciam silenciosas.
- Oi.
- Oi Rose! – o tom dele era feliz e amistoso – Como você está? Ansiosa para o grande dia?
Aquilo foi demais para a menina. Chegou a doer. Não conseguiu manter a compostura e deixou que um alto soluço escapasse por seus lábios mesmo que tentasse conte-lo com a mão livre.
- Rose? – Emmett chamou do outro lado da linha, seu tom assumindo uma entonação que explicitava a preocupação que sentia – Está tudo bem?
- Não está nada bem, Emmett... Nada – ela não conseguiu terminar de falar caindo nos soluções sentidos. Ela se achava tão fraca. Almejava a força que por vezes via nas atitudes do irmão. Ele com certeza tinha herdado essa faceta da personalidade do Carlisle. Nem isso ela teve o direito de compartilhar com a figura paterna. Sustentava a situação de sua mãe nas costas há muito tempo e sabia que não conseguiria aguentar por muito mais.
- Rosalie, pelo amor de Deus... O que aconteceu? Onde você está?
E então a menina contou tudo o que ouvira da mãe para Emmett. Dizendo que teria que ir sozinha ao baile estúpido, como Esme mesma dissera. A atitude do McCarthy, no entanto, a surpreendeu.
- Não, você não vai sozinha. Eu vou com você.
Algumas horas depois.
O telefone vibrou em cima da mesa de centro e Isabella o fisgou rapidamente, pensando que talvez se tratasse do tio. Foi com desanimo que leu: CASA.
- Isso definitivamente é para você – ela disse, jogando o celular para o Federal que estava no final do “O Poderoso Chefão”, sentado despojadamente no sofá.
Edward franziu as sobrancelhas e atendeu o aparelhinho.
- Sim?
- Menino Edward? É a Marie! Eu preciso falar com você sobre a sua irmã... Desculpe ligar nesse número, o achei nas coisas da menina Rosalie...
- Tudo bem Marie – Edward disse estranhando a ligação da governanta da casa e ex-babá dos herdeiros Masen – O que aconteceu?
Isabella ouviu atenta os passos de Edward que se distanciavam, informando que ele andava em direção ao seu quarto. Vários minutos se passaram e ela estava dividida entre o que ele poderia estar fazendo e o sossego que finalmente tinha para poder estudar alguns documentos relacionados a máfia.
Decidiu aproveitar o período de paz, começando a analisar os arquivos de alguns funcionários. Mas o silêncio não perdurou muito na sala ampla.
- Isabella?
A mulher parou com a leitura para olhar seu interlocutor. Seus olhos demoraram para entender o que via a sua frente. Claro, se tratava de Edward Masen, mas o que o homem fazia vestido com uma calça e uma camisa social ainda aberta?
- Sim? – ela levantou as sobrancelhas teatralmente, instigando o homem a continuar mesmo que fosse de sua maneira torta, Edward atrapalhava-se com os botões do punho da camisa.
- Isabella, eu vou sair. Eu sei que eu não deveria, que estamos aqui escondidos – os olhos verdes perturbados fizeram com que a mafiosa se levantasse instantaneamente do sofá. Agora o federal trabalhava nervosamente nos botões da frente da camisa amarela, a única social que Alice tinha trago com suas roupas – Eu recebi um telefonema da governanta da minha casa... Hoje é o baile da Rose, e parece que ela brigou com a mamãe.
Isabella deu um passo à frente.
- Ela está sozinha no próprio baile, Isabella. Minha irmã. Eu não posso deixar... Não posso deixa-la passar por isso...
- Eu entendi essa parte Federal. – Isabella falou, chamando a atenção dos olhos perdidos – Sua irmã está sozinha em um baile de formatura. Agora, será que dá para repetir a parte que você planeja acabar com o nosso disfarce saindo de um bairro pobre com um terno caríssimo? Eu sinceramente acho que não entendi bem... Pretende também talvez visitar algum amigo da policia que acha que você está sequestrado?
Edward colocou a gravata rapidamente, simplesmente balançando a cabeça.
- Ela é minha irmã, e ela precisa de mim. Eu sinto que precisa...
- E por ser sua irmã ela deve querer que você permaneça vivo por um longo tempo. Dos nossos perseguidores do outro dia eu não sei... Mas posso afirmar que se você topar com qualquer homem mandando pelo meu tio, vai amanhecer em um saco preto!
Edward colocou o paletó, ajeitando-o no corpo.
- Um homem? Porque quando seu tio mandou uma mulher parece que a coisa não foi bem assim.
Isabella passou a mão pelos cabelos negros, tentando não perder o controle. Deu mais um passo, seu corpo encostando levemente no do Federal. Levantou o queixo para que seus olhos encarassem os dele.
- Não. Me. Provoque. – Ela disse pausadamente, as sobrancelhas levantando-se em cólera ao mesmo tempo em que olhava o homem por baixo dos cílios espessos. A força do azul o atravessando.
Edward levou uma mão até a nuca dela, o polegar acariciando levemente a bochecha bem esculpida.
- Não quero provoca-la, Isabella. Apenas não quero discutir com você sobre isso. Eu vou e está decidido. Sou um Agente Federal e sei me virar.
Inesperadamente Edward a puxou mais para ele e a beijou rapidamente nos lábios.
Isabella simplesmente cerrou os dentes, levando a mão até a gravata mal colocada do homem, arrumando-a.
- Bastardo testardo! – a mulher disse, saindo do meio abraço que o agente a prendia. – Espere um minuto.
- Isabella... – Edward censurou.
- Não é como se você pudesse ir a algum lugar. – ela disse dando de ombros e apontando para a porta fechada com a senha. Edward viu a silhueta feminina sumir pelo corredor para voltar carregando um novo aparelho de celular.
- Já que você quer fazer isso e não posso impedi-lo, leve isso com você, caso precise de uma comunicação. – ela disse mecanicamente, entregando o novo celular, sem olhar nos olhos do agente.
- Obrigado, Isabella.
Ela balançou a cabeça uma vez e passou ao lado de Edward para abrir a porta, digitando a senha rapidamente.
- Toco a campainha quando voltar. – ele declarou, e Isabella apenas balançou os ombros como se não se importasse.
Masen passou por ela dando um pequeno suspiro cansado.
- Edward?
Ele virou-se instantaneamente quando ouviu seu nome pronunciado por ela. Chegou a pensar que só ouviria em momentos como o da noite passada. Isabella estava com uma expressão incerta na soleira da segunda porta, enquanto o federal quase alcançava o vão das escadas.
A mafiosa franziu o nariz e a testa, em uma careta, antes de finalmente falar:
- Tenha cuidado.
O peito de Edward se aqueceu e o sorriso que despontou em sua face foi inevitável. Ela nunca admitiria, mas estava preocupada com ele!
- Eu terei, Isabella. Eu terei.
~.~
- Obrigada por ter feito isso, você não precisava.
- Eu sei que sou demais. Agora, quieta! Você está estragando a música. – Emmett disse e rodopiou Rosalie, logo após trazendo a menina de volta para si. O Agente McCarthy negaria até a morte, mas estava mantendo o corpo dela mais perto que o necessário para uma simples dança.
Rosalie deu uma gargalhada discreta.
- Eu falo sério, Emmett... – Vendo que o homem parecia ter esquecido a cabeça na curva do seu pescoço, Rosalie resolveu puxa-la para cima, apesar de querer aproveitar mais a respiração compassada que lhe despertava calafrios.
Prendeu o rosto dele entre as mãos, os pés dos dois ainda mexendo-se no ritmo calmo da música.
- Obrigada. – Rose disse séria, olhando nos olhos de Emmett. Algo dentro da profundeza achocolatada fez com que ela se aquecesse, se sentisse bem.
De repente sentiu a mão masculina em seu cabelo, puxando-a levemente para ele. A respiração quente batia agora no rosto feminino, involuntariamente Rosalie ficou na ponta dos pés, rumou seus dedos incertos para os fios castanho avermelhados do agente.
Foi olhando nos olhos chocolate que a menina sentiu pela primeira vez o gosto dos lábios de McCarthy nos seus. Porém, assim que a Masen mais nova fechou os olhos o contato não estava mais lá.
Alargou os orbes, aturdida, e encarou a figura de Emmett. O homem possuía uma expressão próxima da dor, era o próprio sofrimento encarnado em sua face sempre tão tranquila e alegre.
- Isso não pode acontecer nunca mais, Rosalie. Me perdoe, não vai se repetir.
A moça franziu a delicada tez da testa e deu um passo vacilante para trás quando o entendimento abateu sobre o seu corpo. Claro que Emmett McCarthy, um homem tão bonito e cheio de si, jamais a desejaria daquele modo. O que ela deveria parecer aos seus olhos? Uma menininha, certamente. A irmã caçula do amigo e nada mais.
Ele não estava ali porque gostava dela, estava ali por Edward, talvez até mesmo por pena.
Ela tentou recompor o orgulho ferido e parecer indiferente quando finalmente falou:
- Mais uma vez obrigada pela presença, Agente McCarthy. Mas agora você pode retornar para qualquer que seja o seu plano para hoje. Espero que meu baile não tenha arruinado a noite. – esmerando-se na brilhante educação que teve, Rosalie Masen praticamente se inclinou em uma leve reverência — Com sua licença.
Rose virou as costas determinada, queria sair depressa dali. Mas deu pouquíssimos passos antes de ser brecada pela mão masculina. Odiou que ele a impedisse de prosseguir. Seus olhos ardiam, e a última coisa que queria era que Emmett sentisse ainda mais pena dela quando visse que estava quase chorando.
- O que foi, Agente McCarthy? – Rosalie virou-se, dessa vez intempestiva, sem deixar espaço para que o homem falasse qualquer coisa – Já agradeci pela sua presença, mas não precisa estar aqui. Edward não vai se importar, e eu vou ficar bem! Pior do que não ter ninguém para compartilhar o dia de hoje, é ter alguém tomado pela pena!
Ela respirou rapidamente, tomando coragem. Emmett ouvia extremamente aturdido aquela enxurrada de palavras.
- E eu o perdoo pelo beijo, se é isso que está tentando saber. Está bem claro que você nunca quis isso, e jamais se envolveria com uma menininha como eu. Agora, por favor, deixe-me em paz! – ela passou as mãos pelos cabelos loiros para depois parar o movimento raivosamente, não poderia estragar o penteado – Vá para casa ou aproveite a bebida e a música do baile, eu não sei! Só não me siga, por favor.
E Rosalie saiu ainda mais apressada do que a primeira vez, controlando-se para não correr, segurando a saia do vestido vinho para que não pisasse na barra.
Emmett olhou sem entender a figura dela se distanciando... Como ela poderia pensar que era só uma menina? Ela era simplesmente a mulher mais bonita daquele lugar, trajando aquele vestido que se moldava ao seu corpo, deixando assim suas curvas expostas, para a completa loucura dele. Sabia desde o momento que a viu naquela noite que seria extremamente difícil resistir a ela.
Será que não percebia que o atraía? Que estava fazendo com que ele ficasse maluco? Emmett concluiu que não, fisgando uma taça de champanhe e tomando todo conteúdo em um gole só. Será que ela não pensava no que o irmão acharia se os dois se envolvessem? Iria querer mata-lo, e pior, com toda a certeza o castraria... Emmett pensou com horror, mas o semblante de Rosalie voltou para sua mente, o quanto ela parecia decepcionada e triste...
Depositou a taça em uma mesa vazia e saiu a procura da mulher determinado em expor para ela o que sentia e o que pensava. Foi com uma preocupação crescente que Emmett vistoriou todos os ambientes da festa sem conseguir encontrá-la... Procurou até mesmo nos banheiros com a ajuda de moças simpáticas que estavam nas portas. Mas nada dela... Poderia ter ido para casa, desistido do baile, mas o peito dele travou e reconheceu aquele sentimento como algo que diversas vezes sentia em serviço. Era o que Edward por vezes chamara de intuição.
Alguma coisa estava errada.
~.~
Rosalie parou o carro em frente a uma loja duvidosa. Estava em um bairro de periferia que o porteiro da festa lhe indicou... Era onde poderia comprar bebida mesmo sendo menor e não portando com sigo a carteira de identidade falsa.
Olhou para as mãos incerta. Sabia que não deveria fazer isso. Prometera a Edward que nunca mais se embebedaria daquela maneira...
Mas doía tanto.
Talvez fosse a hora de dar mais trabalho, de passar a ser filha, e não mãe. Estava farta de bancar o papel da mãe. Esgotada. Sempre foi delicada e atenciosa, nunca deu trabalho. A filha perfeita, a adolescente madura... E tudo isso para quê? Se era extremamente infeliz, se a mãe silenciosamente achava que ela era um assassina...
E ainda teve o comportamento do Emmett... Ela realmente gostava dele, e...
Balançou a cabeça, as lágrimas voltando copiosas... O que ela faria? O que ela poderia fazer? Olhou mais uma vez para o mercadinho a meia luz. Aquela era a solução? Álcool era a solução? Ou só ficaria cada vez mais parecida com a mãe? Decepcionaria o irmão...
Aquela era ela, sendo fraca mais uma vez. Procurando a saída mais fácil. Nada dentro daquele estabelecimento poderia ajuda-la... Talvez se começasse a encarar seus problemas de frente ela poderia vencê-los.
Enxugando as lágrimas, e ainda um pouco dividida entre ficar sóbria ou ter a belíssima sensação momentânea de bem estar, Rose sentiu um pancada atrás do seu carro.
Mas como? Ela estava parada no acostamento!
Olhou para trás pelo retrovisor e conferiu que um outro carro acabara de acertar sua traseira. Estava prestes a sair para chamar a perícia quando raciocinou onde estava. Olhou mais uma vez pelo retrovisor e o motorista do outro carro a encarava com um sorriso maldoso.
Seu coração gelou, e decidiu sair dali o mais rápido possível. Girou a chave do carro apressadamente e assim que o motor funcionou o carro bateu novamente em sua traseira... Ela choramingou, colocando o carro em movimento e outra vez foi atingida, fazendo seu carro morrer.
Procurou o celular em sua pequena bolsa, percebendo que era perseguida. Ligou para a única pessoa que poderia ajuda-la no momento.
~.~
Isabella aproveitou a saída de Edward para entrar no ambiente que jamais o mostraria. Estava lá, sentada em um dos cantos livres, observando as paredes. Aquele local despertava tantas coisas nela, desde saudade até o mais puro ódio.
Mas, de todos os sentimentos, o que com toda a certeza predominada era: Vingança.
Sim. Isabella tinha sede de vingança e isso era renovado toda vez que entrava naquele ambiente. Sempre seria...
Levantou-se, pronta para sentar na cadeira e mergulhar naquele universo quando ouviu o celular chamando da sala.
Seria Edward? Alguma coisa saíra errado? Fora descoberto?
Andou apressadamente e pegou o pequeno aparelho, o visor brilhava:
Rosalie
A mafiosa colocou o aparelho no lugar, pensando se atenderia ou não. Olhou no relógio de pulso, Edward deveria estar chegando ao baile dela a qualquer momento. Não havia necessidade de atender, havia?
A mafiosa mordeu os lábios, e pegou lentamente o aparelho em suas mãos novamente.
Por que ela estaria ligando para ele só agora?
Isabella nunca fora de curiosidades bobas, mas de repente viu-se intrigada, e sem dar espaço para um segundo pensamento, apertou o botão verde, atendendo a ligação.
- EDWARD?! Edward.... Por favor... Me ajude! – a voz feminina estava em prantos e desesperada – Eu acho que estou sendo per...perseguida.
A ficha caiu e Isabella imediatamente arrependeu-se de ter atendido ao telefone.
Notas finais
Aposto que vocês ficaram todas felizes quando descobriram que o Emmett acompanharia Rose ao baile, não foi??? HAHAHA
Oppsss
hahahah
Super beijos, meninas!!!
E não se esqueçam, comentem!!!
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