Rede De Segredos

12 Capítulo 11 - Parte II


Notas iniciais
Olá, minhas leitoras lindas!
Aqui estou eu, com o resto do capítulo na madrugada de domingo para segunda quando deveria estar dormindo!
Obrigada pelas meninas que comentaram, e só para esclarecer todos os comentários serão devidamente respondidos! Só não tive muito tempo ainda!

Sem mais delongas, boa leitura!

Isabella estacionou o carro em um dos bairros pobres de Boston, e Edward de repente lembrou-se de sua mãe, e de como ela ficaria horrorizada se soubesse onde seu filinho se encontrava. A mafiosa esgueirou-se pelo espaço entre os bancos pegando uma mochila puída onde tinha colocado todas as suas coisas. Antes que levasse a mão à maçaneta do carro ela lhe lançou um olhar furtivo.

– Seria possível você perder minimamente esse ar de menino bem criado?

Edward revirou os olhos, sabendo que ela estava simplesmente implicando com ele, tinha passado um bom tempo sem ostentar a riqueza com a qual foi criado, e que ainda era possuidor. Alguns bons anos atrás sim, ele configurava o perfeito estereótipo de menino rico. Não mais.

Isabella inclinou-se em sua direção, puxando o capuz do agasalho dele para cima do boné. Edward olhou para a figura dela, a calça jeans rasgada, um agasalho cinza surrado, um gorro de vários tons de cinza na cabeça para completar.

Ela parecia exatamente como o povo local, e Edward admirou sua capacidade de adaptação. Mesmo vestida com trapos, ela ainda continuava bonita. Como era possível? Talvez ele estivesse ficando cego ao que dizia respeito à mulher.

Saíram do carro colocando os pés na rua, e Edward visualizou quando um menino que brincava de bola com os amigos chutou o objeto para a direção da mafiosa. Ela se inclinou, não sem antes fazer uma pequena careta, e pegou a bola com as mãos, esticando-a em direção ao menino que corria agora para reaver o seu brinquedo.

– Agradeço – o garotinho disse dando um sorriso inocente, ele era uma linda criança, constatou Edward, mesmo que a sujeira trabalhasse contra isso.

O garotinho olhou para Edward e sorriu também, mas logo voltou os olhos para Isabella.

– A senhora é muito bonita. – Disse baixinho como se contasse um segredo e saiu rindo pela rua. De volta para os seus amigos.

Edward soltou uma gargalhada, feliz que não fosse o único a achar aquilo, e pegou uma Isabella estática pelos ombros, trazendo-a para a calçada. Ela desvencilhou-se do toque.

– Posso saber o que é tão engraçado? – Perguntou, pondo-se a andar e entrando no hall de um prédio que praticamente caia aos pedaços. Edward a acompanhou de perto.

– Parece que alguém se encantou por você, Isabella. Se a pobre criança soubesse o que você é de verdade sairia correndo...

Ela fez uma careta, mostrando a chave para um porteiro que cheirava a álcool e encaminhando-se para a escada.

– Odeio crianças. – revelou, seu semblante sério.

Edward franziu o cenho.

– Ninguém odeia crianças. Odeia-se a sua própria infância, não essas pequenas coisinhas cheias de energia.

Isabella crispou, passando a subir mais rapidamente a escada, chegando ao segundo andar do prédio, e encaminhou-se para subir mais um lance.

– Poupe-me Federal, vai dar uma de psicólogo barato agora? – Edward riu, mesmo que ainda estivesse incomodado com a declaração dela. Crianças eram inocentes e sinceras... Não gostar tudo bem, não é todo mundo que tem pique para acompanha-las, ou suprir sua insaciável curiosidade. Mas, odiar?

Isabella parou finalmente diante de uma porta, os números que a encabeçavam foram escritos de maneira porca por qualquer pseudo marceneiro: 302

Girou a chave, fazendo um sinal para que o Federal entrasse em sua frente. Ele se deparou com uma outra porta assim que deu duas passadas para dentro. Essa, diferentemente da outra, era de correr e parecia ter sofrido com a ação do tempo.

– É só puxar. – Isabella disse enquanto trancava a primeira porta.

Edward o fez e imediatamente estacou com o que via. Parecia ter entrado em outra realidade.

As luzes se acenderam assim que ele colocou os pés para dentro do apartamento, revelando um local claro e bem organizado, totalmente destoante do restante do bairro e do prédio. Mesmo com todos os móveis cobertos por tecidos brancos, em uma rápida varredura, o agente pode ver que eram de bom gosto. De onde se encontrava tinha uma visão privilegiada da sala, que era pequena, porém Isabella soube aproveitar muito bem aquele espaço, reduzindo os móveis no local e organizando uma pequena academia no canto. Uma esteira, cordas, barras para abdominais, pesos e ainda um saco de pancadas.

Uma cozinha à maneira americana* se encontrava do lado aposto. Toda em inox, e também extremamente impessoal. Ainda podia visualizar um corredor com três portas brancas, e perguntou-se o que guardavam.

Assim que Isabella também adentrou o apartamento, depois de fechar a porta da frente, Edward ouviu um clique, e a porta de correr voltou-se para o seu devido lugar. Ele olhou intrigado para a mulher.

– Acha mesmo que eu correria o risco de algum vândalo entrar nesse apartamento e acha-lo assim? A casa tem sensores inteligentes, federal. Se uma pessoa entra, não pode sair sem que saiba o código. E falando nisso, é hora de desativar o alarme.

Ela rumou para uma caixinha branca do lado da porta, que era quase imperceptível, camuflando-se com a cor da parede. Digitou rapidamente o que Edward entendeu como sendo os números do código e fechou a peça branca novamente.

– Você vai me passar esse código, não vai? – Edward disse, levantando uma sobrancelha, fazendo a mulher soltar um som de esgar.

– Não tão cedo, Federal.

Edward cruzou os braços chegando mais perto dela.

– Então, eu sou quase um prisioneiro nesse lugar?

– Não é isso que o FBI, pensa? – Isabella deu um olhar que quase poderia ser chamado de divertido, também avançando um passo. – Só estou deixando as coisas realistas por aqui.

– Ah... Isabella... Isabella – Edward degustou o nome dela em sua boca, logo depois depositando um beijo no queixo fino, causando arrepios em ambos os corpos. Mas assim que chegou a altura da boca dela, a mulher se esquivou, tentando andar em direção ao corredor.

– Esse é o banheiro social – ela disse, seu tom era frio e didático – pode tomar banho nele se quiser. Vou utilizar o meu.

E Isabella tentou fazer o caminho até o quarto, mas seus braços foram aprisionados por uma mão grande e forte, seu corpo girado para que encarasse Edward. A Swan vislumbrou pura irritação no semblante masculino, que suspirou profundamente antes de declarar.

– Não. Você não vai.

O peito de Isabella cresceu em desafio.

– Quem você pensa que é?

Edward a encarou sério.

– Você está evitando os meus toques, está estranha desde que acordou, e muito distante. Aconteceu alguma coisa, e eu quero saber o que foi. Agora.

A boca de Isabella se abriu em um perfeito “o” de indignação por alguns instantes. Primeiro, porque ela estava realmente supressa que com o pouco tempo que conviveram ele já pudesse detectar mudanças em seu comportamento. Segundo, porque o tom mandão usado por ele fazia seu sangue borbulhar nas veias.

– Não é dá sua maldita conta, Federal. – Retrucou finalmente, os olhos cerrados. Mudou de posição, e inconscientemente, bateu um pé no chão, demonstrando impaciência.

Edward sorriu sem humor, balançou o corpo feminino pelo aperto firme em seus braços, trazendo-a para mais perto de si.

– Sim, é da minha conta. Porque afeta o jeito que você se porta ao meu lado. E eu não gosto de como se porta agora.

– Para o inferno se você gosta ou não! Não estou aqui para te agradar e fazer todas as suas malditas vontades!

Edward agarrou o queixo feminino com uma das mãos.

– Eu preciso saber, e você vai me dizer.

Isabella bufou.

– É surdo? Eu já disse que não estou aqui para te agradar, Agente Masen.

Edward largou as mãos dela, quando percebeu que não fugiria, passando-as pelos fios caramelo de seu cabelo em um gesto de ansiedade evidente.

– Lembra aquele papo de confiança que você começou hoje mais cedo? – a criminosa engoliu em seco sustentando o olhar, maldita hora que fora proferir aquela pergunta – Ela pode começar a ser constituída agora.

– Eu não quero constituir nada com você! – Isabella bradou, apressadamente, fazendo um Edward raivoso a tomar pelos braços novamente.

– Porra, mulher! Dá para sair da defensiva por um minuto, e me escutar?

Isabella tentou transmitir todo o ódio que a consumia pelo olhar, no entanto calou-se.

– Se nós vamos fazer isso, se vamos conviver juntos até descobrir porque e quem estava nos perseguindo ontem à noite, precisaremos de um mínimo de confiança. Precisaremos compartilhar coisas.

– Eu não vou compartilhar minha vida com você, Agente Masen! – Isabella respondeu indignada e assustada. Ela sequer podia conviver com seus próprios fatos, quem dirá conta-los. Jamais se abriria para alguém.

– Não estou falando de compartilhar sua vida. Estou falando de me deixar ciente de tudo aquilo que me incluiu.

Isabella levou as mãos até a cintura fina.

– Não acha muita prepotência de sua parte pensar que estou assim por algo que envolve você?

Edward riu. Mas o som era quase triste.

– Eu sei que me envolve, Isabella – seus olhos eram pedintes – Por favor, me conte.

Ela piscou várias vezes, absorvendo as palavras do federal. Percebeu que ele tentava manipula-la, mas mesmo assim a vontade crescente de falar para ele o que acontecera a perturbou. Quando deu por si, já explicitava:

– Eu escutei o seu telefonema. O que você deu quando pensou que eu estivesse dormindo.

O corpo de Edward todo retesou, os olhos perdendo o brilho. Isabella quase sorriu quando voltou a falar.

– É isso mesmo, Agente Masen, eu sei o que pretende. Não permitiu que seu colega destruísse as provas, porque deseja usa-las contra mim mais tarde.

Edward passou as mãos pelos cabelos novamente, seus olhos implorativos. Agora tudo fazia sentindo, seu comportamento, suas esquivas. Até mesmo a pergunta sobre a confiança. Inclinou-se levemente para frente, querendo fazê-la enxergar.

– Não é o que você está pensando, Isabella.

Ela revirou os olhos, dando um passo para trás.

– Esse discurso comigo, Federal? Francamente.

Edward soltou o ar que prendera fortemente pela boca, tentando aliviar a tensão estabelecida.

– E hoje, quando eu perguntei se você não pretendia me entregar para a policia, tive a resposta para as minhas desconfianças. Você quer juntar mais provas contra mim. O que seria agora? Um vídeo-áudio para inovar, talvez?

Edward balançou a cabeça várias vezes, lutando contra seus conflitos inteiros, dos quais Isabella não era ciente.

– Você entendeu tudo errado... – ele murmurou.

– Sério? Então, me ilumine com a sua sabedoria! – ela cruzou os braços, esperando – Vamos logo com isso, Agente Masen! Qual desculpa vai contar dessa vez?

Edward virou-se para ela em um ímpeto, os olhos verdes inflados pela raiva surpreendendo Isabella.

– Você é simplesmente inacreditável, Isabella. Tudo tem que estar na porra do seu controle. Na palma da sua mão. Quer saber o por quê? – o rosto dele estava a centímetros do dela, a respiração masculina confundindo seus pensamentos. – Quer saber a verdade? Pois bem, lá vai. Não permiti que Jasper destruísse as sua provas por um motivo, ele não é muito bom em apagar rastros, e poderia deixar alguma ponta solta que levasse a você. Então pedi para guarda-las em segurança, porque sei que isso ele consegue fazer. Eu mesmo vou destruir as suas provas. Com as minhas mãos. Porque sei que assim, será feito corretamente.

Isabella deu um passo para trás sentindo o peso daquela declaração, mas logo tratou de recuperar-se para inquirir com as sobrancelhas levemente franzidas.

– Por que? Por que você vai destruí-las?

Edward fechou os olhos por um segundo, buscando alto controle.

– Você tem algum problema? Em um minuto me acusa de querer entrega-la, no outro acha estranho eu querer destruir o que tenho sobre você... Decida-se, Isabella!

A mulher sustentou o olhar.

– Por que? – tornou a repetir. O federal trincou os dentes, como se o que fosse dizer infligisse dor física. E de fato, em sua opinião, infligia.

– Porque não quero entrega-la e não vou. – Isabella alargou os belos olhos azuis, encarando-o surpresa – Tentei, e sei que não consigo. Você faz a menor ideia do quanto isso me deixa louco? Eu passei por cima do meu trabalho quando decidi fazer isso. Meus ideais sempre tão claros, tão resolutos. E eu me odeio por não colocar uma algema em você agora. Me odeio profundamente. E por isso tento não pensar no fato, mas fica difícil quando você se empenha tanto para me lembrar.

Isabella engoliu em seco, vendo diante dos seus olhos a mais pura verdade, mesmo que a voz de Charles retumbasse em qualquer lugar do seu ser dizendo que Edward Masen não era confiável. Abriu a boca para dizer alguma coisa, mas foi brutamente cortada por Edward.

– Não se atreva a perguntar o porque, Isabella. Porque não consigo te entregar... Eu já disse que não sei. Não quero saber! Não quero pensar no que estou fazendo! Mas já que você quer saber de tudo, e ter tudo sobre a merda do seu controle, considere que não consigo fazer isso pelo mesmo motivo que você não consegue me matar. – Isabella quase revirou os olhos, o federal sabia que ela também não entedia o porque – Agora, cuidado com o que vai dizer, porque com o humor que estou sou capaz de joga-la pela janela.

Isabella achou graça naquela declaração.

– Não acho que consiga, Federal. Elas possuem revestimento a prova de balas. Não vai quebra-las tão facilmente.

Edward cerrou os olhos, tentando digerir o que a mulher acabara de dizer. Ela tinha mesmo tentado deixar o ambiente mais leve? Uma parte de seu ser, a que ainda estava enraivecida, quis literalmente estrangular o pescoçinho alvo. Enquanto a outra parte, a maior parte, regozijou-se pelo ato dela.

– Eu vou... vou tomar banho agora – Isabella disse incerta. Edward simplesmente meneou a cabeça, notando que a mulher não queria falar mais sobre o assunto. Essa era Isabella, e suas paredes erguidas ao redor dela. Paredes que ele queria derrubar. E o faria, uma por uma, não importava o tempo que levasse.

Vendo que a mulher dirigiu-se até uma outra porta, Edward a chamou, apontando para a terceira e ultima porta do corredor.

– Aquele poderia ser meu quarto temporário?

Isabella arregalou os olhos, e respondeu alto e rápido demais.

– NÃO! Não ouse chegar perto daquela porta! – Edward assustou-se com o tom dela, o que de tão importante teria ali? – Existem duas regras nessa casa, Agente Masen, e eu preciso saber que você vai viver sobre elas. A primeira é nunca abrir as cortinas, por motivos óbvios. E a segunda é nunca querer entrar por aquela porta. Ela sempre permanecerá fechada. Você vai dormir no sofá, é um sofá cama, e te dará muito mais conforto do que realmente necessita. Pode conviver com isso?

Edward estranhou aquele comportamento, e mesmo com a sua curiosidade fervendo, balançou a cabeça uma vez, concordando.

Isabella também balançou a cabeça de volta. Dando-se conta tardiamente da sua reação exagerada e de como aquilo poderia ser um prato cheio para o federal sempre tão enxerido.

– Eu vou precisar de roupas, Isabella. Pensei em pedir para o Jasper...

– Nem morta que terei mais um policial sabendo onde estou! – Isabella comunicou, seu tom não deixando margem para dúvidas – Vou pedir Alice que procure seu amiguinho, e traga o que você precisa para cá.

Edward concordou e Isabella tentou entrar em seu quarto novamente.

– Isabella? – Edward a chamou mais uma vez, seu tom estranhamente rouco.

– O que é dessa vez? – ela virou, exasperada. Queria sair da sala, queria descansar em sua banheira, e principalmente queria esquecer da sua reação com a menção do quarto.

– Já que estamos fadados a conviver juntos por tempo indeterminado, é melhor não tentar se esquivar de mim, linda. – ele sorriu maliciosamente, e aproximou-se da mulher roubando-lhe um beijo rápido, porém intenso – Te espero depois do banho.


Cozinha:

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Notas finais
Estou triste... Andei fazendo cálculos avançados (sqn) de matemática e percebi que APENAS 10% DAS LEITORAS DE RDS COMENTAM! 10% é uma porcentagem muito baixa, meninas!
Quero saber se vocês estão gostando, se estão odiando... Esse feedback é uma das melhores coisas de se postar em um site assim. Um simples continua ou um gostei já faz diferença!
Então por favor, FANTASMINHAS,apareçam.

Tenho uma ideia que vai fazer vocês comentarem mais (ou assim espero) mas só a divulgarei na semana que vem, porque tenho que testa-la primeiro!

Por estar muito triste e desanimada, me despeço de vocês hoje em tom fúnebre!
Adeus!