Rede De Segredos

39 Capítulo 34 - Parte II


Notas iniciais
Olá, gente! Voltei! hahahaha Minha internet estragou e não pude responder aos comentários, ela só voltou agora e corri para postar o capítulo! Mas amanhã respondo todos os comentários do último capítulo! Muito obrigada por eles, meninas! Sem mais delongas, Boa leitura!

“Tudo ao redor de Isabella pareceu parar por um minuto inteiro.

Era verdade.

Como... Como ela pôde?

— Ela fez, Federal. Minha mãe traiu o meu pai... Com o tio Charles.

E dizer aquilo em voz alta tornou tudo ainda mais real. E doloroso.”

Edward fechou os olhos, a mandíbula travada em uma linha dura enquanto antecipava o que estava por vir. Em um segundo Isabella estava ali, petrificada, mas sentada e ao alcance de sua mãos, no outro, já andava pelo quarto, os olhos azuis fixos em ponto algum, voltados para as suas próprias considerações interiores. Estava nua, e parecia pouco perceber, ou se preocupar com o fato.

A visão de todas as curvas expostas, em outro contexto, seria excitante. Mas juntando todo o quadro atual, Edward não estava outra coisa senão extremamente preocupado.

— Isabella...

Ela nem sequer pareceu ouvir.

Come? Come? – A mafiosa repetiu, sem uma linha de pensamento linear para se conduzir – Come hai potuto? Ela e o zio... Charles. Na casa do meu pai... Traindo o... babbo.

As mãos voaram para os cabelos negros, os olhos levemente arregalados, como se tivesse uma visão, as sobrancelhas praticamente unidas.

— Comigo... – continuou, a voz quase enojada – dentro!

Edward levantou-se de supetão, segurando os pulsos femininos e fazendo Isabella parar de andar no mesmo lugar. Os olhos azuis perdidos que se voltaram para ele, no entanto, fizeram com que o homem esquecesse qualquer coisa que iria falar no momento.

— Isabe...

— Como, Federal? Como ela teve coragem? Perché...?

Ele engoliu em seco, sem saber o que dizer e como se comportar diante de uma Isabella que parecia ter sido sugada para o passado.

— Ele... o seu pai – Edward disse, por fim – Você disse que a... bateu.

Isabella engoliu em seco, os olhos estreitando-se em fendas.

— Foi... por vingança? Ela ficou com o irmão dele... por vingança? – A mafiosa franziu a testa, achando aquilo ilógico, nada condizente com a figura bondosa e carinhosa de que se lembrava, e a consideração deu espaço a um novo sentimento – Como ele pôde? Como meu pai pôde fazer isso com... ela.

— Isabella...

— Você não entende! – Ela retrucou mordaz, livrando-se do aperto em seus pulsos, e dando as costas para o homem – Não faz sentido... Ele fazia tudo por ela. Tudo. Ele nunca levantou as mãos para ela, nem para mim. Mas... Mas eu me lembro... das marcas.

Edward fez a volta ao redor dela e mais uma vez encontrou aquele semblante preso às lembranças que o preocupava.

— Renée traiu o meu pai... Minha mamma... traiu... Perché? – Ela inquiriu mais uma vez, tentando buscar a resposta dentro de sua cabeça.

— Ela disse... – Edward começou – Que estava apaixonada. No diário. Sua mãe se apaixonou pelo seu tio, Isabella. – O que na cabeça do federal não fazia o menor sentido, a não ser que Charles, com sua dissimulação, houvesse convencido Renée que não passava de um anjo. Edward soltou uma risada amarga, antes que pudesse se conter.

— Tio... Charles! – Isabella exclamou, olhando para os olhos verdes de repente, era como se todas as suas perguntas tivessem encontrado uma resposta, ou quase isso. O semblante fechou, e mafiosa foi rapidamente ao armário, abrindo-o e tirando a primeira peça de roupa que encontrou.

Edward se precipitou até ela, impedindo-a de vestir as peças de roupas.

— O que pensa que vai fazer, Isabella?

— Não é da sua maldita conta! – Ela retrucou.

E então o federal soube. Ela iria ver Charles. Seu peito se comprimiu com a constatação, a mente vagando para o que aconteceu na última vez em que ela fora ver o tio.

— Não... – Ele sussurrou gravemente – Você não vai até Charles.

Isabella deu um passo para trás, lançando os olhos frios para ele.

— Não interessa se eu vou, ou não! – uma mão passou pelos fios de cabelos negros, puxando-os levemente – Ele é o único que pode responder!

Edward se precipitou até ela, segurando-a firmemente.

— Ele só vai mentir para você! Como sempre o fez! Não vê? Não é inteligente ir até Charles sem ter conhecimento de tudo o que está escrito naquele diário, Isabella!

Ele só vai mentir para você... como sempre o fez...

A frase ecoou na cabeça da mafiosa por bem mais tempo que o necessário. Sim, Charles mentira para ela. Ele iria matar Edward, mesmo quando ela voltara para a mansão Swan sob o combinado de que o federal e a sua família sairiam ilesos.

A mudança de atitude fora perceptível.

Em uma momento, Edward estava com uma Isabella espumado de raiva e confusão em seus braços, em outro, era como se ela tivesse virado uma perfeita estátua, os olhos vazios, o semblante ausente e nulo. O corpo congelado.

— Isabella...

— Me solte.

— Linda... Me escute, você pode falar comi...

Os olhos azuis voltaram-se para os dele, ganhando ferocidade.

— Mandei me soltar, Agente Masen! Faça a porra do favor de me soltar!

Edward a segurou com mais afinco, a mandíbula travada, o semblante duro e decidido.

— Não.

Os olhos de Isabella se estreitaram mais.

— Me solte! – Ela praticamente rugiu, tentando se livrar do aperto.

No momento em que o joelho da mafiosa acertou em cheio o abdômen do homem, Edward a segurou pela nuca, gemendo de dor, e a virou, jogando-a na cama de bruços.

Detestava que fosse assim, mas era o único jeito.

Depressa, ele segurou os pulsos femininos acima da cabeça dela, contra o colchão, deitando-se em cima de Isabella.

— Eu vou matar você! – Ela bradou quando constatou, incrédula, o que ele fazia com um golpe para trás, quase o acertou com a cabeça.

Edward praguejou alto, e sem opção, colocou os dois joelhos sobre as coxas femininas, imobilizando-a na cama, e levantando o seu tronco para se ver livre de possíveis ataques como o último.

— Se acalme, Isabella! – Ele pediu – Você pode falar comigo, pode falar qualquer coisa comigo. Não precisa fugir de mim, linda.

Isabella soltou um grunhido enfurecido.

— Me larga. Lasciami in pace! Eu não quero... Não quero...

— Mostrar seus sentimentos? – Edward cortou de modo inflexível, porém, ao mesmo tempo, o tom era baixo e rouco, levemente sussurrado.

Isabella congelou, parando de tentar se desvencilhar do peso do homem sobre ela.

— Não é uma fraqueza – ele emendou — Você não precisa ter receio de se mostrar. Não para mim.

Ela fechou os olhos duramente, engolindo em seco.

— Me solte – Demandou novamente, a voz ferina, a ordem incontestável.

Edward mais uma vez não obedeceu.

— Eu vou continuar aqui, Linda. Por quanto tempo seja necessário.

A mafiosa sugou o ar profundamente, dando-se conta da situação inusitada. Em outra ocasião, estaria submergida em sua banheira para calar os pensamentos e a possibilidade de sentir algo... Qualquer coisa. Mas não estava na banheira. Estava eficientemente imobilizada pelo federal. Ele a obrigava a sentir, obrigava-a se mostrar. Por um longo momento, Isabella desejou que ele parasse com aquilo. Parasse principalmente de ser tão eficiente invadindo seu espaço pessoal e derrubando suas barreiras porque uma vez que estivessem derrubadas, Isabella não sabia se poderia lidar com aquilo.

Com tudo aquilo.

Com ela mesma.

Rugiu contra a cama, socando o colchão como pôde.

— Se acalme, Isabella...

Ela soltou uma risada de esgar.

— Me acalmar? Como deveria enquanto você me mantém imobilizada dessa forma em cima da minha própria cama? Me solte! Que talvez eu faça a merda de me acalmar, Agente Masen!

— Sim... se eu te soltar você vai se acalmar. Se isolando. Fechando-se em si própria. Eu não vou deixar, não dessa vez. – Edward informou, irredutível. – Você não precisa se esconder de mim, Isabella. Não lute contra.

A mafiosa sentiu, pouco a pouco, os braços do federal largando seus pulsos e agarrando seu corpo, os joelhos saindo de cima de suas coxas, para que as pernas masculinas ficassem simplesmente por cima das dela.

A imobilização virando um abraço.

— Não precisa se afastar. – A voz grave e calma ecoou em seus ouvidos – Se dê a chance de se acalmar, bem aqui, Isabella. Comigo.

Ela fechou os olhos com demasiada força, a mandíbula trincada. Não sabia se estava preparada para aquilo, não sabia se poderia.

— Eu... Federal...

— Você pode. Eu sei que sim.

Ela ficou em silêncio, os músculos aos poucos relaxando e dando lugar a um sentimento inquietante e doloroso dentro do peito. A mafiosa teve vontade de chorar, mas não o fez. Não isso. Não ali. A última vez que chorara depois de anos, fora pelo próprio federal. Mas ele não vira. E ela não poderia mostrá-lo agora.

No entanto, por mais que ainda houvesse esse desejo reprimido, os braços de Edward ao seu redor e o modo como Isabella sentia o coração dele bater em suas costas, fazia com que, estranhamente, ela se acalmasse. Com que pudesse respirar, mesmo que algo, dentro dela, quisesse cegar todos os seus sentidos e deixá-la vazia.

O que o homem fazia com ela, era bom, ao mesmo tempo que perturbador por ser desconhecido. Isabella não sabia como lidar com aquilo, nem o que poderia vir a seguir. Mas no momento, era bom, e tudo o que precisava.

Sua respiração finalmente se normalizou depois de tempo, ao passo em que os dedos de Edward começaram a acariciar lentamente o seu braço, sua nuca, seus cabelos. Sentiu os lábios quentes dele em seu pescoço, dando-lhe um beijo casto e permanecendo ali. O federal não tinha pressa e Isabella constatou que, naquele momento, ela também não tinha.

Foi depois de um longo tempo em silêncio, que Edward sussurrou perto do ouvido de Isabella.

— Eu sei que quer encontrar quem está mandando esses envelopes para você, e nós vamos encontrar. – Ele afirmou, com resolução, os dedos brincando com as mechas negras dos cabelos dela. A mafiosa olhou para ele, quando sentiu a cabeça masculina deitada em seu ombro, os olhos verdes procurando pelos dela. – Mas não sozinhos... Se Yagnel é o seu principal suspeito, e se a pessoa que está mandando essas páginas tem obviamente uma ligação direta com o assassinato dos seus pais... então bom... Nós colocaremos Alice e... Jasper nisso.

Isabella estreitou os olhos, encarando-o sem ao menos piscar.

— Federal...

Edward balançou a cabeça em uma negação.

— Não. Alice já está metida investigando a máfia russa, e eu sei que ela é boa no que faz, mas Jasper também é. E tem mais recursos que ela. Se nós colocarmos os dois para trabalhar juntos... e concentrados em Yagnel...

A mafiosa fechou os olhos por um longo instante, tentando clarear os pensamentos.

— Eu sei que você sabe que essa é a melhor opção, Isabella – O federal insistiu, sem deixar de acariciar o cabelo sedoso – Mesmo que a odeie com todas as suas forças. Escute... Em outra época, em outro contexto, você poderia passar o tempo que quisesse nisso, e descobrir tudo sozinha. Mas essa é uma situação atípica e urgente. Você quer mesmo continuar recebendo esses envelopes sem saber de onde eles estão vindo?

— É claro que não! – a mafiosa esbravejou, as sobrancelhas unindo-se. Ela já tinha pensado sobre aquilo. Quem quer que estava mandando aquelas páginas pensava que poderia brincar com ela. E Isabella poderia apostar que a pessoa em questão estava gostando, e mais... Poderia apostar que ele a conhecia. Não pessoalmente, mas sabia muito bem quem ela era e principalmente, como ela era. Sabia que a mafiosa simplesmente odiava não estar no controle. Aquilo não passava de um jogo de poder. E ele detinha as cartas, mas não por muito tempo.

— Exatamente, Isabella, sendo assim...

— Eu ligo para Alice, você liga para Jasper. – Ela o cortou, fazendo os olhos verdes do federal arregalarem-se levemente – Marcamos no apartamento de Alice, quanto menos pessoas vierem até aqui agora melhor.

Edward balançou a cabeça, concordando, e lutando para conter o sorrisinho de lado que seus lábios queriam formar pela mafiosa ter aceitado aquilo. Não precisou de muito esforço, no entanto, era só pensar na situação que se encontravam e no quão preocupado ele estava com tudo aquilo. Não era apenas sobre o que Isabella poderia ainda descobrir, mas era como ela lidaria com as informações.

As reações sempre tão inesperadas que ela tomava o preocupavam não por não saber o que esperar, mas sim por pensar em como ela verdadeiramente se sentia por dentro. Quanto faltava para o copo transbordar? Edward não sabia, e não queria pensar naquilo, principalmente quando tinha plena consciência de que muitos segredos ainda existiam para serem descobertos, mas era inevitável.

— Ligo para Jasper... e Emmett – Ele acrescentou, com cuidado.

Isabella franziu as sobrancelhas bem talhadas, inspirando com brusquidão.

— Espero que não tente me convencer que o agente Mccarty possa ajudar com alguma aptidão inexistente similar as de Alice e Jasper.

Edward suspirou profundamente, soltando o ar devagar.

— Não... Mas...

Isabella fechou os olhos, soltando um bufar e desvencilhando-se do peso do federal.

— Vocês tem um complexo dos três mosqueteiros, ou o que? – revirou os olhos, inamistosa, saltando da cama e caminhando em direção ao banheiro.

Edward permitiu-se sorrir por um momento, ao ver que a língua ferina estava de volta, mas que a animosidade não queria dizer não.

Balançando a cabeça, o federal também se levantou da cama, rumando até a cozinha para providenciar o café da manhã

~-~

“Renée virou o resto da sua taça de vinho, enchendo-a mais uma vez. Perdera a conta de quantas vezes repetira aquele gesto mecânico naquela madrugada. As primeiras doses desceram amargas e travando a língua. Talvez ela não tivesse escolhido o melhor exemplar, não entendia de bebidas, mas o importante era que agora, ela nem mesmo sentia o gosto direito.

Como ele pôde fazer isso com ela?

Encolheu-se no sofá, secando mais uma vez as lágrimas que sempre caiam quando ela fazia aquela pergunta, sua barriga doía e seus braços latejavam, mesmo com toda a bebida, como se fosse uma constante lembrança do que acontecera... Como se as marcas que já se formaram e permaneceriam ali por alguns dias, não fossem o bastante.

Talvez fosse um castigo por ela ter se apaixonado por Charles. Mesmo que houvesse apanhado por algo que não tinha feito.

Colocou as mãos na cabeça, enterrando-as nos cabelos castanhos. Charlie estava tão cego de raiva. Talvez nem mesmo tivesse percebido o quanto a machucara. E ele tinha ido embora, a deixado ali, sozinha.

Ao menos Isabella não tinha acordado. Não saberia o que dizer... O que explicar. Tomou mais um longo gole de vinho e foi desperta pelo barulho da porta da frente, seguido por passos pelo corredor. Charles. Ela sorriu amargamente. Conhecia tanto os dois irmãos que era capaz de distinguir os passos deles.

Seus olhos buscaram o local em que Charles apareceria, e assim que ele surgiu os olhos azuis voltaram-se para ela, arregalando-se logo em seguida.

— Renée? – Ele testou, com a voz um pouco embargada, e ela percebeu que ele tinha bebido também. Nada comparado a ela, é claro.

— C-Charles... – Retornou, com a voz baixa.

Ele andou rapidamente até sua ela.

— Renée... Dio Santo... O que aconteceu? Você está... – os olhos dele passearam incrédulos da mulher para a taça e a garrafa que já estava para baixo da metade – bebendo?

Ela respondeu com um murmúrio afirmativo, sem sequer abrir os lábios.

— Perché? – Quis saber, confuso – O que aconteceu, Renée? – E de repente, o semblante masculino se endureceu – Onde está Charlie?

— Nós... discutimos – Ela escolheu a palavra por fim, não poderia dizer que Charlie a batera, não se não quisesse um confronto entre os irmãos. E não queria. – Ele foi embora... Acho que voltou para Boston.

Charles suspirou pesadamente.

— O que foi, Renée? Por que discutiram? – Ele perguntou preocupado. Por mais que parece irônico se preocupar com uma discussão deles, Charles não gostava de vê-la daquela maneira.

Renée demorou um pouco para responder.

— Você não vai gostar.

— O que foi? – Ele perguntou, estreitando os olhos.

— Ele... Ah, Charles... Ele estava fora de si! Eu não sei o que aconteceu... Ele me acusou, acusou nós dois, me acusou te ter um caso... com você.

Renée esperou, olhando para os olhos azuis a sua frente, pela reação o homem. Esperou ver Charles esbravejando de como aquilo era um absurdo, e como Charlie passara de todos os limites do ciúme. Ela esperou pacientemente, enquanto o homem a encarava de volta.

Um longo silêncio se fez até que ele finalmente respondeu.

— Bom… Eu não posso culpá-lo. Meu irmão não é burro.

As sobrancelhas de Renée uniram-se instantaneamente e ela sentou-se sobre as próprias pernas no sofá.

— Charles… Você ouviu alguma palavra que eu disse? Charlie disse… Ele disse… que eu e você… Me acusou…. De termos um caso.

— Eu ouvi… — ele suspirou, descontente. Ele deveria ter sido o alvo da acusação, não Renée. A verdade não cabendo mais silenciosa dentro de seu peito — E eu disse que não posso culpá-lo por chegar a pensar isso. Porque ele me conhece, e está na cara Renée. Eu não posso culpa-lo por pensar algo assim, não quando eu estou completamente apaixonado por você.

Renée parou, completamente paralisada. Por um momento perguntando-se o quão alta estava para imaginar aquelas coisas.

Mas algo dizia que aquela era a realidade… Charles realmente estava dizendo tudo aquilo.

— Não tem graça. — Renée murmurou por fim, em um fio de voz. Uma tentativa que tudo aquilo não passasse de uma brincadeira de mau gosto.

Ele soltou uma risada amarga.

— Ah... Eu sei.

— Eu sou… — Ela tentou argumentar, mas não tinha certeza se era para ele ou para ela mesma. — Sou a mulher do seu irmão.

— Sim… Renée, você é. E eu pergunto Deus todos os dias porque ele não me colocou no seu caminho antes de Charlie.

— Pare… Só... – Ela tropeçou nas próprias palavras — Pare com isso! Nós somos… Amigos!

— Sim… — Charles concordou, o tom de voz grave e sério — Somos. Porque estar longe de você é impensável para mim. Eu não consigo, por mais que eu tente. E eu tento. Eu sei que não parece. Mas eu tento.

Charles passou a mão pelos cabelos, tentando suprimir a coragem que o álcool lhe dava, mas era tarde. Tarde demais.

— Não tem nenhum dia que eu não queira trazer você para os meus braços, não tem um dia que eu não queira sentir o seu cheiro… Sentir o calor da sua pele. Sentir os seus lábios, Renée… Pensar nos seus lábios carnudos contra os meus.

Renée resfolegou, diante de tudo aquilo, pega totalmente de surpresa. Por quê? Por que ele tinha que pensar nela daquela forma? Por quê? Da mesma forma… Que ela começara a pensar nele. Isso só faria as coisas ficarem ainda mais difíceis.

Em um momento Charles estava parado a sua frente, no outro, já estava perigosamente ao seu lado, sentado no sofá. Renée sentiu a mão dele tocar seu rosto, e instantaneamente um calafrio lhe subiu pela espinha, enquanto sua pele queimava sob o toque.

— Charles…

Ele sorriu perdido, e o polegar encontrou a maciez dos lábios avermelhados, ele os acariciou lentamente, a atenção totalmente voltada para o que fazia.

Renée engoliu em seco, fechando os olhos chocolates por um longo instante. Sabia onde aquilo levaria, e sentia-se incapaz de impedir. E o pior… Ansiava por aquilo. Ansiava que a boca de Charles, substituísse logo o polegar.

— Não tem um dia que eu não queira fazer você minha, Tesoro. Minha mulher. Só minha...

Os olhos de Charles estavam completamente grudados aos lábios femininos, e Renée engoliu em seco, sentindo-o se aproximar cada vez mais.

— Char... les... – Ela sussurrou, completamente perdida.

— Faça qualquer coisa... – Ele murmurou com o tom sofrido – Me empurre, corra daqui, grite comigo... Qualquer coisa, Renée... Porque se você não fizer nada eu vou beijar você.

Ela deveria, e sabia. Mesmo que os sentidos estivessem nublados pelo excesso de vinho. Ela deveria... Mas não podia. Seu corpo permanecia estático em cima do sofá e uma mão trêmula subiu para encontrar o rosto de Charles, os olhos azuis fechando-se quando finalmente o toque se deu.

— Charles...

Ela não conseguiria impedir.

— Eu vou beijar você... – Ele disse novamente, porém dessa vez, não era um aviso. Era uma constatação.

Os lábios se encontraram, dando início a um beijo voraz, apaixonado, como se nenhum dos dois pudessem ter o suficiente do outro, e talvez, não pudessem.

Logo Renée já estava deitada no sofá, sem fôlego pelos beijos enquanto Charles descia seus lábios pela mandíbula feminina, o pescoço alvo, dizendo-lhe coisas que inflavam seu peito, sobre como seu beijo era doce, sua pele macia e cheirosa... Antes que Renée pudesse impedir, ele tirou sua blusa.

E foi quando estacou.

— RENÉE! O que aquele desgraçado fez com você? – Praticamente berrou, cego de cólera.

— Charles, não! – Ela sussurrou – A Isabella! Vai acordá-la!

Ele rosnou, passando as mãos pelo cabelo.

— Eu vou matá-lo! Eu juro que vou! – Ele falou, baixo e mordaz – Como ousou encostar em você? Por que não me contou? Você tinha que ter me contado! Ligado para mim!

— Charles... Não... – Renée implorou, sentando-se para olhá-lo nos olhos – Por favor, não... Não quero falar sobre isso... Continue Charles, por favor... Me ame... Faça com que eu me sinta... a-amada.

E ela grudou as bocas novamente, beijando-o com tudo o que tinha, ao que Charles correspondeu com fervor, para então beijar cada marca que Charlie tinha deixado no corpo dela.

E, naquela noite, Charles fez Renée sua... A sua mulher, como sempre quisera. Como no fundo, os dois sempre quiseram.

No entanto, todo ato fabrica uma consequência.

E, nesse caso, ela não poderia ter sido mais inesperada.

Notas finais
E então... esse Charles e essa Renée, han? hahahhaa Espero saber o que vocês acharam nos comentários!