Rede De Segredos
36 Capítulo 32
Notas iniciais
Edward Masen era curioso desde que podia se recordar. Quando menino, sua atenção nos aniversários e datas festivas, era sempre voltadas para o que ganharia, mas não pelos presentes em si, e sim pelo fator da descoberta.
Edward gostava de adivinhações, e mesmo antes de retirar os presentes do embrulho, em sua esperteza infantil, já avisava aos pais do que aquilo se tratava. Com as mãos ágeis e pouco cuidadosas, Edward rasgava o embrulho, ansioso para ter a confirmação de que estava certo.
E ele quase sempre estava.
O sorriso de menino se abria olhando para o presente, a felicidade expressa nos olhinhos verdes não pelo brinquedo, pela qualidade dele, ou pela surpresa. Edward ficava feliz porque ali estava a confirmação de que, como seu pai policial, ele era bom em descobrir as coisas.
Não era exatamente como ele se sentia no presente momento, parado ao lado de Isabella na porta do quarto que, até alguns minutos atrás, era proibido. A sensação que experimentava era diferente, e mesmo que aquele quarto estivesse longe de ser um presente ou um objeto de suas adivinhações pueris. Sentia-se como o garotinho ansioso pela descoberta.
Mas dessa vez o garotinho fora surpreendido.
Seria mentira se Edward dissesse que não havia pensado naquele quarto enquanto não o conhecia. Entretanto, nenhuma hipótese em sua mente tinha se tornado consistente o bastante para que formulasse uma teoria. Eram tantas as possibilidades, regadas com o mistério que só Isabella Swan sabia imprimir, que nada realmente se consolidara. Nada instigara sua razão, além de sua curiosidade, para parecer verdadeiro para Edward Masen.
Agora que via o quarto, que tinha acesso a todas as paredes dele, a confusão ainda permanecia. Edward não estava muito certo sobre o que aquilo realmente se tratava.
Não havia uma única parede livre. Fotos, documentos, fragmentos do que pareciam matérias jornalísticas lutavam bravamente por um espaço em branco em uma das paredes, nas outras duas elas ainda podiam coexistir sem estarem amontadas umas nas outras, deixando pedaços esparsos da parede clara aparecendo.
Edward só percebeu que Isabella havia ligado a luz quando olhou para o teto, mesmo que essa tenha sido acionada imediatamente quando a porta fora aberta. Não havia luz natural ali e se um dia existiu uma janela naquele cômodo, o federal não sabia onde ela fora parar. Desconfiava que diante daquele amontoado de papéis nem ao menos poderia encontrar uma marca na parede que delatasse que um dia uma existira.
O único móvel no quarto era uma cadeira branca, colocada bem no centro do cômodo. Instantaneamente Edward pôde imaginar Isabella sentada ali. Dias após dia. Presa as suas próprias considerações. Remoendo os motivos, quaisquer fossem, para ela ter feito tudo aquilo.
Na parede ao lado esquerdo de Edward, barbantes vermelhos ligavam fotos e papéis, formando um emaranhado de teia desde o teto até o chão. O Masen intuiu que era daquele jeito que Isabella fazia as conexões entre as informações. Vez ou outra já tinha visto utilizarem daquele artifício nas investigações do FBI, principalmente os agentes veteranos, mas nunca tão grandioso e denso como na parede de Isabella.
Ele não sabia do que aquilo, em especial, se tratava. E eram tantas imagens assomando-se diante dele, que Edward não conseguiu se prender a nenhuma realmente. Ao menos, não o bastante para entender o assunto principal que guiava tudo aquilo.
E ainda haviam as caixas de papelão pousadas no chão, empilhadas de duas em duas. Totalizando quinze, talvez.
Edward sentiu como se as paredes começassem a se fechar ao redor deles, mesmo que nunca tivesse sido claustrofóbico em sua vida. Era como se a atmosfera densa e pesada daquele local os impelisse para fora do quarto. O impelisse para fora. Era inquietamente, e nada, nada convidativo. Era quase como um prenúncio de que algo extremamente ruim estava prestes a acontecer.
Entretanto, entre a confusão inamistosa, algo se sobressaía e chamava a atenção de Edward. Talvez, por estar na parede de frente a porta e essa ser a mais limpa de todas, talvez por serem as maiores figuras em toda a sala.
Por alguns segundos pôde jurar que o homem na foto da esquerda se tratava de Charles Swan. Na verdade, a única coisa que o fez desistir do pensamento foi que, obviamente, o homem na fotografia estava morto.
A foto era apenas do rosto do homem, destacando seus olhos abertos e fixos em um ponto atrás da câmera. O rosto estava contra o chão de madeira, e a boca meio aberta deixou o caminho livre para o sangue que escorreu dela e formou gotículas no chão.
Edward teve a impressão de ele gritaria a qualquer momento. Ou talvez era o que estava fazendo, na hora da morte.
Encarar aqueles olhos um dia azuis, agora em escalas de cinza pelo efeito em preto e branco, trazia uma estranha inquietude. Os mesmos olhos de Isabella, os mesmos olhos de Charles Swan. Apagados, sem vida. Não frios, e sim atormentados. Se alguma parte morta pudesse expressar tão bem os sentimentos geralmente associados aos vivos, essa parte seria aqueles olhos.
No entanto, a foto da direita não era menos inquietante. Talvez, apenas um pouco mais fácil de se digerir, já que fora tirada um pouco mais de longe do que a do homem. Era uma mulher, caída ao chão, o sangue em um tom escuro e de aparência pastosa se arrastava sobre ela e sobre o piso do cômodo. Os olhos, diferentemente dos do homem, estavam fechados. Na verdade, se a foto consistisse em apenas um close-up do rosto bonito, que parecia sereno e até mesmo aliviado, Edward poderia jurar que ela estava dormindo.
Mas não estava.
A faca ainda estava enterrada no abdômen feminino e, olhando mais atentamente, ele percebeu a testa um pouco suja de sangue, juntamente com os cabelos que ali estavam. Mas não por causa de um segundo ferimento. Parecia como se alguém tivesse entrado em contato com o sangue dela e então depois simplesmente passado a mão ali, afastado os cabelos para olhar melhor para o rosto. Um gesto de carinho em um momento de desespero.
Os olhos de Edward rumaram para a foto do homem novamente. Havia uma mão caída um pouco abaixo do rosto, e ela estava suja de sangue.
Deixou o ar sair devagar pela boca entreaberta produzindo um silvo baixo que roubou a atenção de Isabella, já que ela, como Edward, também observava segundos atrás as duas fotografias coladas na parede cor de palha.
– Meu pai e minha mãe. – Informou, a voz cortando a atmosfera pesada do cômodo depois de vários segundos, pareceu quase errada. Seu efeito potencializado.
Edward Masen aquiesceu, engolindo em seco, buscando nas feições da mulher algo que lembrasse Isabella. Foi inevitável que a mente do federal pensasse no por quê a mafiosa fazia aquilo com ela mesma. Feria-se daquele modo. Se era atormentador para ele, uma pessoa que até então estava afastada daquilo, como seria para ela?
Como ela conseguia encarar o pai e a mãe mortos toda vez que entrava naquele quarto? Uma fotografia dos cadáveres deles no que Edward julgava ser o local da cena do crime.
– Por quê? – Perguntou, sem poder se conter. O tom era lamurioso e as esmeraldas chamuscavam em desentendimento.
Isabella observou o semblante confuso e atormentado do federal por tempo demais antes de responder. Seria esse o momento em que ele a chamaria de louca e a deixaria ali sozinha com os próprios tormentos? Um calafrio apossou-se de sua espinha antes que ela pudesse continuar.
– O ser humano é uma espécie engraçada, Federal. Dizem que o tempo pode apagar tudo, que é o melhor remédio. – Isabella revirou os olhos, como se detestasse aquela premissa – Ele faz com que os sentimentos e desejos mais primitivos se esmoreçam, que os ânimos se acalmem. Poderia até ser algo bom, já que trás a racionalidade... Mas não, não é. – suspirou longamente, a certeza do que dizia exprimida em cada sílaba – Com o tempo, as memórias se nublam. As lembranças não importam tanto mais. O tempo faz com que as coisas... passem. E quando o homem se permite esquecer, seus objetivos se enfraquecem.
Isabella deu alguns passos a frente, observando mais de perto a foto do pai, da mãe. Deixando seus olhos absorverem cada detalhe das duas fotografias, como se fosse a primeira vez que as via. Sua mente revivendo as lembranças dos dois vivos, seu coração esmagado dentro do peito.
– Mas quando você mantêm as lembranças vívidas, Federal – Isabella fechou os olhos, engolindo em seco. Levou uma mão até a fotografia da mãe, deixando seus dedos tocarem levemente o corpo eternizado pela fotografia – Seus objetivos se mantêm fortes, como se fosse a primeira vez.
Edward engoliu em seco. E de repente todo aquele quarto fez sentindo em sua cabeça. Isabella queria o direito a retribuição.
– Vingança... – ele murmurou, os olhos verdes presos em um ponto qualquer na parede. As sobrancelhas grossas praticamente unidas.
Isabella balançou a cabeça uma vez, levantando o rosto logo depois em uma postura altiva e resoluta, características que se estenderam para o tom empregado quando ela finalmente voltou a falar:
– Eu quero vingança.
Edward tombou a cabeça para um lado, travando o maxilar. Absorvendo o peso daquilo que já sabia, mas que acabara de tornasse ainda mais palpável saindo da boca da mulher.
Levou a mão até os cabelos aloirados, maltratando uma mecha entre os dedos, e girando no quarto. Deparando-se com a parede da direita. Ela também tinha algo que chamava a atenção entre os inúmeros papéis fixados. Parecia uma espécie de quadro negro, e presas a ele, estavam seis blocos de folhas tamanho A4. Fotos de homens na parte superior em quatro deles.
– Foram os russos. – Edward ouviu a voz de Isabella ao mesmo tempo que percebia que aquelas folhas se tratavam de uma espécie de ficha criminal – A máfia russa.
O federal soltou o ar firmemente pela boca. E a história se enveredava ainda mais para um caminho inesperado. Edward levou uma mão com cuidado até um dos blocos, passando as folhas que detinham, pelo que ele pode perceber, detalhes sobre as funções e os crimes cometidos por aquele individuo ao longo dos anos. Informações sobre a vida pessoal também.
– Por que só seis? – ousou perguntar, não escondendo a curiosidade e a surpresa.
– Eram os seis melhores membros que a máfia russa disponha na época do assassinato dos meus pais. – Isabella informou, mecanicamente. Os olhos frios lutavam para se manterem neutros, sem qualquer expressão – Matar o meu pai não seria uma missão entregue a qualquer um, Federal. Foi executada por um desses seis, eu tenho a mais absoluta certeza.
Edward soltou um murmúrio com a boca, concordando. Matar o chefe da máfia italiana e sua mulher, certamente não seria um serviço designado para qualquer membro. Um calafrio subiu pela coluna do homem, estendendo-se para seus braços, e apertando seu coração. Ele arriscou uma olhada de soslaio para uma Isabella que permanecia ali. E a menininha? A herdeira de Charlie Swan estaria inclusa no pacote de eliminação? E se sim... como ela escapara?
Ela permanecia ali. Tão altiva. Firme como uma rocha. Mas Edward já vira o suficiente da mafiosa para saber que nem tudo era o que parecia ali. E por dentro? Como ela estaria?
A beira de um desmoronamento?
Balançou a cabeça, tentando se livrar daqueles pensamentos, e chegou a última folha do bloco que pegara. Edward franziu a testa, não compreendendo bem o que via.
– Você tem uma espécie de… arvore genealógica de cada um deles. – Não era uma pergunta. Ainda assim, o desentendimento do motivo por trás daquilo estava claro no tom de voz do Federal — Por quê?
– Eles já estão velhos. A maioria está morta. — Isabella observou os olhos de Edward se arregalarem. Levantou uma sobrancelha em sua direção, sabendo exatamente o que ele estava pensando. — Não pelas minhas mãos. Não matei nenhum deles, Federal, nunca tive uma confirmação para executar o serviço. Listo os filhos e netos apenas por segurança.
– Segurança? — Edward inquiriu, franzindo as sobrancelhas.
– Exato. Caso o homem que matou meus pais esteja morto, eu ainda poderia me vingar dos descendentes.
Edward deu um passo para trás, sentindo o peso da declaração. Os olhos verdes perderam-se momentaneamente, encarando o nada, as sobrancelhas grossas franzidas. Era o semblante de quem tentava resolver algo. De quem tentava entender.
– Inocentes. – Sentenciou, tombando a cabeça de lado e capturando os olhos de Isabella com os seus.
O silêncio permaneceu inquebrável por um momento. Nem mesmo o som de uma respiração fora ouvido.
– Minha mãe era inocente — Isabella disse, como se o fato justificasse tudo. Como se fosse a única coisa que realmente importava. — Isso não o impediu. Impediu?
Deu um sorriso amargo. E o amargor chegou aos seus olhos, o que fez Isabella desvia-los prontamente dos de Edward, temorosa que ele lesse sua alma. Seus segredos que nem mesmo ela desvendara.
– Mas impediria você. — Era mais um anseio do que uma afirmação. Mesmo assim o primeiro fato não excluía o último. A frase trouxe um bolor até a garganta da mafiosa, que agora não tirava seus olhos dos arquivos fixados na parede.
– Você não tem como saber. — declarou, sarcasticamente — E não seja tolo, agente Masen. Praticamente não há inocentes aqui. Os russos levam o negócio da família ainda mais a sério que nós, italianos. Sempre um filho sucede o pai, quando esse está velho demais para o trabalho sujo, ou morre.
– Mas existem inocentes. — Edward insistiu, mostrando os arquivos. — E se o único descendente vivo do assassino dos seus pais for um inocente Isabella? Um civil completo e desavisado. Uma boa pessoa.
Isabella não respondeu, o que fez Edward insistir.
– Uma mãe de alguém – continuou, cauteloso — Mãe de uma garotinha como você.
– Pare — Isabella avisou, entredentes, cerrando os olhos. As mãos em punho. Sentia os olhos queimando e algo remexendo-se em seu estômago. Ela não gostava da sensação.
Edward sorriu tristemente, vendo ali uma vulnerabilidade.
– Algo me diz que não… Isabella. Porque eu sei que… sei que é mais justa do que você mesma pode conceber.
A mafiosa virou-se para ele. Os olhos injetados de sentimentos tão profundos, que nenhum dos dois poderiam descrever com simples palavras.
– Eu mandei parar — o tom era rouco, firme e, ainda assim, um tanto quanto atormentado.
Edward suspirou pesadamente, sabendo que não era mesmo hora de forçar aquilo. A reação de Isabella, no entanto, praticamente o satisfizera. Se ele não tivesse razão, ao menos um pouco que fosse, ela simplesmente teria lhe dito um não frio e arredio. Sem espaço para discussões ou para tentar enxergar mais a fundo dentro dela, porque simplesmente, ele poderia escarafunchar o quanto fosse. Se ela realmente tivesse certeza que faria, que mataria alguém completamente inocente, não haveria nada.
Os olhos do federal se focaram em outro bloco, que era diferente dos outros. Era um dos dois que não possuíam uma foto e tinha uma espécie de pacotinho grampeado na primeira folha. Ele chegou mais perto, semicerrando os olhos. Parecia algo que apodrecera com o tempo. Algo... comestível. Pequenas frutas talvez? Edward esticou a mão, para pegar o pacote.
– Eu não tocaria nisso se fosse você – a voz de Isabella o parou, e o federal olhou instantaneamente para ela.
– Por quê?
Os olhos da mafiosa fixaram-se nele, um sorriso sarcástico brincado nos lábios carnudos.
– Porque é um veneno poderoso, Agente Masen.
Os olhos de Edward arregalaram-se levemente e ele recolheu a mão. Por que Isabella guardaria aquilo ali? Grampeado àquela fixa? Não fazia o menor sentindo.
Lendo o semblante confuso do homem, a mafiosa continuou:
– Yagnel Vinográdov... – Isabella murmurou – Yagnel me deu frutinhas como essa quando eu era apenas uma criança.
– Você teve contato com esse homem? Um russo? – Edward balançou a cabeça, exasperado – Está me dizendo que ele tentou...
– Me envenenar? – Isabella completou, em uma retórica – É exatamente o que eu estou dizendo.
E enquanto contava detalhes do acontecido para o federal, a mafiosa permitiu que as memórias turvas de seu passado parcialmente retornassem.
“- Calma, Cornélia. Não precisa ter medo – uma Isabella pequena assegurou com toda a certeza que uma criança poderia apresentar, enquanto apertava a boneca entre os braços. – Isa não vai deixar você cair.
Isabella ajeitou-se no assento da gangorra, tentando ganhar impulso, mas era em vão. Uma vez sentada, suas pernas eram muito pequenas para tocar o solo.
– Não fica com pressa, Cornélia – pediu, ao passo em que passava a mão pelos cabelos claros da boneca. – O babbo chegou, lembra? Ele vem brincar de gangorra com Isa e Cornélia daqui a pouquinho. Ele só vai acabar de conversar com a mamma e o zio Charles.
Um pequeno bico formou-se nos lábios da garotinha que desceu da gangorra e sentou-se na grama, trazendo para o colo uma vasilha de mirtilos que pegara na geladeira. Levou uma frutinha à boca e mordeu com gosto, oferecendo outra para a boneca, também repousada em seu colo.
– Isso parece gostoso...
Ao ouvir a voz masculina desconhecida, Isabella virou-se para conferir quem chegara. Era um homem loiro e alto e, ela tinha certeza de nunca tê-lo visto antes.
– E que boneca mais adorável.
– Cornélia não é boneca — Isabella explicou, a contragosto, o bico nos lábios ainda mais proeminente. — E Cornélia não fala com estranhos. Nem Isa. E Isa não conhece você.
O homem loiro sorriu abertamente, tentando passar alguma segurança para a criança.
– Mas eu conheço você, Isabella – afirmou, soando confiante. – Eu sou um amigo do seu papà.
Os olhinhos azuis de criança se arregalaram perante a nova informação. Isso explicava o que aquele homem estava fazendo em seu jardim. Seu pai gostaria que ela fosse educada com ele, não é? Então ela seria, para deixar seu babbo orgulhoso.
Timidamente, a pequena Isabella levantou a vasilha com as mirtilos para o homem, claramente lhe oferecendo uma.
– Obrigado, Isabella – o homem agradeceu, sorrindo triunfantemente e pegando uma fruta, colocando-a na boca e mastigando-a rapidamente. – Eu também tenho uma coisa para você, sabia?
Isabella arregalou os olhinhos azuis pela segunda vez, vendo o homem alto como seu pai, porém mais velho, talvez como sua avó, remexer nos bolsos do sobretudo preto que usava, à procura de algo. Com o balançar da cabeça, as mexas loiras, pinceladas por alguns fios já brancos, reluziram aos olhos da pequena Isabella. A menina achou aquilo extremamente bonito, o homem era loirinho, como sua filha, Cornélia.
– Aqui está. — O homem ofereceu um pacote transparente para ela. — O seu papai me disse que gosta muito de frutinhas, não é verdade?
Isabella acenou, maravilhada, concordando. Era verdade.
O homem à sua frente, entretanto, não descobrira aquilo por intermédio de Charlie. Ele descobrira enquanto observava aquela família por semanas a fio. A menininha sempre ia brincar no jardim e, quando o fazia, por vezes possuía algum tipo de fruta nas mãos. O plano formou-se rapidamente na cabeça dele, no entanto, infelizmente, a primogênita de Charles Swan estava sempre inconvenientemente acompanhada, pela mãe, pelo tio, pelos dois.
Mesmo assim, não desistiu de seu plano. Tudo o que ele precisava fazer era esperar pela oportunidade perfeita.
E ela chegara.
Isabella levantou-se da grama, ficando na ponta dos pés para espiar o pacotinho transparente oferecido. Dentro dele, várias frutinhas vermelhas com um pontinho preto.
– Isa nunca comeu essa. — Os olhos azuis brilharam, delatando sua curiosidade infantil. — É muito bonitinha.
– E muito gostosa — acrescentou, exultante, vendo que tudo saía melhor que o planejado. — Muito mais gostosa que a mirtilo que você estava comendo antes. E é toda sua, Isabella.
Ela mordeu os lábios, já ansiosa para saber o gosto.
– Bom... – ele falou novamente. – Eu tenho que ir... Quando já tiver comido algumas, porque não mostra para o papà? Ele gosta dessas frutinhas também.
Sorriu abertamente. Oh, sim! Charlie sabia exatamente do que aquelas frutas se tratavam e, se tudo desse certo, já seria tarde demais para tentar salvar sua herdeira.
Ele aprenderia a manter o nariz italiano longe da máfia russa. E seria por mal. Tentar as coisas “por bem” nunca fora de seu feitio.
A menina acenou uma vez, segurando o pacotinho em uma mão, com um sorrido tímido no rosto. Já ia saindo quando se lembrou de uma coisa.
– Qual é o nome do senhor?
O loiro de olhos azeitonados sorriu.
– Yagniel, docinho. – O sorriso abriu-se mais e Yagnel levou uma mão até o rostinho de criança, colocando uma mexa do cabelo negro para trás da orelha. Tão inocente. Tão absurdamente frágil. Poderia acabar com ela ali mesmo, a mão na garganta, torcendo e quebrando o pescocinho. Ou talvez uma joelhada no rosto de boneca. Quantas vezes ele teria que bater a pequena cabeça contra o chão para que a matasse? Não muito mais que uma, certamente. Talvez duas. Três, para finalizar bem o trabalho.
Quase mudou os planos.
Como seria para Charlie encontrar o corpinho da filha no jardim? Certamente doloroso. Mas não tanto quanto vê-la morrendo de dor e sucumbindo lentamente pela ação do veneno.
Não, o plano permanecia. E Yagnel daria tudo para assistir um Charlie Swan sem saída, vendo a garotinha de ouro morrer, sem poder fazer nada.
Como o inútil prepotente que era.
– Diga para o seu papà que o Yagnel mandou lembranças, sim? – testou, retirando a mão do cabelo de Isabella e guardando-a no bolso da calça.
Isabella sacudiu a cabeça, veemente.
– Pode deixar, senhor Yagnel. A Isa diz. – Sorriu pequenininho, e então sussurrou para o homem. – Só vai comer um pouquinho de frutinhas antes, tá bom?
Yagnel gargalhou.
– Coma quantas quiser, Isabella – porque na verdade não importa. Você morreria com apenas uma – completou mentalmente.
A menina balançou a cabeça novamente, saindo correndo dali, entrando na casa rapidamente e migrando para a cozinha, a fim de deixar suas mirtilos na geladeira de novo e desfrutar da nova frutinha.
Isabella abriu o pacotinho e uma frutinha caiu sobre a mesa da cozinha. A menina a pegou, quase levando à boca. No entanto, não o fez, pois ainda se lembrava do que a sua mamma dizia sobre comer frutas sem lavá-las antes. Isabella sorriu, despejando o resto do conteúdo do pacote na superfície plana, pegando todas que sua mão conseguia e levando-as até a pia, subindo em seu banquinho e abrindo a torneia.
Ela mal podia esperar pelo gostinho que teriam.
~-~
Charles estava estafado de ouvir o irmão, ele já estava ciente de tudo aquilo e discordava também que Charlie assustasse Renée daquela maneira. Eles tinham a situação sob controle.
Sem tolerar mais aquilo, Charles decidiu juntar-se à sua sobrinha. Isabela, quieta daquela maneira, não deveria resultar em boa coisa. Sorriu, chamando por ela, escutando a voz de sua sobrinha respondê-lo imediatamente. Ela estava na cozinha, Charles percebeu, e o sorriso abriu-se mais. Certamente, ela estava roubando algum chocolate que Renée escondera.
Charles então adentrou o cômodo, pronto para pegar Isabella roubando alguma comida, e então, por um milésimo de segundo, seu coração parou.
– Zio Charles? — Isabella perguntou, incerta. Tinha dificuldade para diferenciar o tio do pai. No entanto, lembrava-se de que seu tio Charles era quem vestia a blusa amarela, hoje, enquanto seu babbo vestia a branca. — Quer frutinha, zio Charles? Isa acabou de lavar!
– Isabe… — Charles engasgou, aterrorizado. A possibilidade revirando seu estômago e parando seu coração por um milésimo de segundo. Deu um passo à frente. – Isabella, largue isso já!
Os olhinhos azuis pequenos se arregalaram, surpresos.
– Por que, zio? Isa ganhou! E Isa lavou! Divide com você, não precisa ficar triste.
– Largue isso já, Isabella! — Charles bradou e, vendo que suas ordens não surtiam efeito, foi até sua sobrinha, agarrando o pulso infantil da mão que segurava o veneno e tirando as frutas de Isabella, deixando que elas caíssem em cima da mesa.
–Z-zio Charles! — Isabella proferiu, o tom choroso e assustado.
– Me diga, Isabella — o homem pediu, desesperado, segurando os ombros dela -, você comeu?!
– Isa… Isa… — Isabella tentou dizer algo, mas a única coisa que conseguia fazer era balançar a cabeça freneticamente.
O Swan fechou os olhos fortemente, sabendo o que aconteceria se ela tivesse ingerido. Ela dizia que não com a cabeça, mas... e se sua reação tivesse a assustado e a compelido a mentir?
– Me desculpe, bambina. É para o seu bem. — Sem aviso, Charles pegou Isabella pela cintura, tombando o corpinho na pia da cozinha e abrindo a boca dela. Pesaroso, mas sabendo que era necessário, Charles enfiou o dedo na boca de Isabella, cutucando e irritando a garganta da menina. A ânsia de vômito veio imediatamente, e uma Isabella assustada começou a despejar o conteúdo estomacal dentro da pia.
– Perdonami, piccola Isa… — Charles pediu, segurando o cabelo negro dela, afastando-o do rosto. Isabella continuou tossindo, vomitando. As lágrimas escorrendo pelo rostinho de criança. Não entendia o que estava acontecendo, por que o tio havia feito aquilo com ela.
– Não chore, piccola, per favore… Vai ficar tudo bem – garantiu, acariciando os cabelos sedosos, sentindo as lágrimas que não caíam queimarem seus olhos. — Foi para o seu bem. Não pode comer essa frutinha, Isa… é perigosa. Iria fazer a Isa ficar dodói. Muito dodói.
– Charles? – ele escutou a voz já tão conhecida, sempre doce e tranquilizadora, com um tom de preocupação. – O que foi? O que há com Isabella?
Ao passo que Renée se aproximava, Charles virou o rosto, vendo que seu irmão também chegara à porta da cozinha.
– Olhe em cima da mesa, Charlie – proferiu, a voz pesarosa.
Renée franziu as sobrancelhas, acompanhando o olhar de Charlie. O que havia de errado?
Charlie Swan mal acreditou no que via. O sangue martelou em suas veias enquanto os olhos injetavam-se de raiva.
– Ela comeu, Charles? ME DIGA! ISABELLA COMEU? — Charlie bradou, vendo a menina no final de sua ânsia de vômito.
– Eu não sei... – Charles informou, balançando a cabeça. – Eu não sei... Quando eu cheguei ela estava com uma porção delas nas mãos, Charlie!
Renée passou as mãos pelas costinhas de uma Isabella que chorava, tentando acalentar a filha.
– Vocês dois querem me dizer o que está acontecendo? – inquiriu, nervosa por ver a filha daquela maneira. A expressão de tormento de Charles e a de fúria e preocupação de Charlie não ajudavam em nada.
– É veneno, Renée. A frutinha em cima da mesa – Charles começou, abrindo a torneira e lavando o rosto de Isabella, logo em seguida pegando as mãos da menina, começando a lavá-las com sabão.
– Alguém tentou matar a nossa bambina – Charlie completou, olhando para Renée. A constatação o perturbou, despertando ainda mais sua ira. Ninguém poderia tocar em Isabella. Em Renée. Ninguém poderia chegar até elas... Maldição!
Os olhos da primeira dama da máfia encheram-se de lágrimas, observando a filha que ainda tossia, o rosto sendo lavado pelo tio.
– Isab... – Os lábios de Renée tremularam, e ela não conseguiu acabar de chamá-la. O peito irrompendo em um soluço enquanto acariciava as costas e o cabelo da filha. – Ah... meu tesoro... minha piccola...
Charlie se precipitou na direção deles.
– Me dê a minha filha! – bradou para o irmão, pegando Isabella pela cintura infantil e virando-a de frente para ele, ajoelhando-se para ficar do tamanho da menina e a abraçando.
– Per l'amore di Dio, Charli. – o outro retrucou, vendo a criança sendo arrancada de seus braços. – Eu estava...
– Eu sei que estava! – ele o interrompeu, cerrando os olhos com força. – Vá atrás de quem quer que tenha dado isso para Isabella, Charles! Ache esse desgraçado. Per favore... per favore!
Charles acenou com a cabeça uma vez, lançando um olhar entristecido para sua piccola Isa. Gostaria de poder ficar ali com ela. Gostaria que ela pudesse perdoá-lo, que entendesse que o que fizera fora para o bem dela. Gostaria, sobretudo, de assegurar-se de que ela iria ficar bem. Mas ele tinha prioridades agora. Seu irmão estava certo, achar quem fizera aquilo com Isabella era primordial. Suspirou pesadamente, fazendo os pés se mexerem no azulejo da cozinha.
No entanto, antes mesmo que saísse, sentiu uma mão em seu pulso. Detendo-o. Ele conhecia aquele toque. Devagar, Charles virou a cabeça para encará-la. Os chocolates marejados, que já transbordavam, encaravam-no em um misto de apreensão, tristeza e gratidão.
– Grazie, Charles. – Rennée sussurrou baixinho, praticamente um simples mover de lábios.
Ele balançou a cabeça em concordância, para não perder tempo ali. Na verdade, ninguém precisava agradecê-lo por tentar salvar a piccola que amava. Mas se fossem de fato fazê-lo, esperassem ao menos a certeza de que ela ficaria bem.
Charles saiu praticamente correndo do cômodo, lançando um último olhar preocupado para a menininha que chorava no abraço do pai. Renée aproximou-se lentamente, sentando-se atrás de Isabella, levando suas mãos até o cabelo negro e acariciando o couro cabeludo infantil.
– Figlia... Me escute – Charlie começou, afastando um pouco o corpo de Isabella para que pudesse ver o rostinho. Limpou as lágrimas que escorriam copiosamente pelas bochechas rosadas dela, sentindo o coração se apertar dentro do peito – Isabella... você comeu?
Se possível, a menina chorou mais.
– Isa não comeu. Isa j-jura... – afirmou, gaguejando. Charlie a trouxe para dentro de seu abraço novamente, beijando os cabelos negros.
– Não tem problema dizer se tiver comido, bambina. Mas você precisa dizer agora para o babbo, capisci? Eu preciso saber se você comeu ou não, é muito importante.
Renée suspirou, beijando um pedaço da face exposta de Isabella demoradamente.
– Ninguém vai brigar com você, Tesoro... Nós só precisamos saber se você comeu.
– Lo giuro! – Isabella repetiu, buscando os olhos do pai. — Lo giuro, papà. Isa não comeu. Ia comer, zio Charles chegou e não deixou Isa comer.
Charlie e Renée puderem enfim suspirar aliviados. Abraçaram a filha ao mesmo tempo, tentando se recuperar do susto que fora a possibilidade de perdê-la.
– Mamma? – a piccola chamou, ainda chorosa – O zio Charles não gosta mais da Isa?
Renée sorriu, as lágrimas ainda caindo pelo rosto. Mas desta fez eram de alívio e felicidade.
– Gosta, bambola – afirmou. – O zio Charles ama você. A frutinha iria deixar você doente e ele ficou com medo de que você tivesse comido. Então ele tentou pôr a frutinha para fora. Capisci? A mamma promete que ele vai conversar com você sobre isso antes de dormir.
Isabella demorou alguns segundos, tentando entender aquelas palavras, por fim, balançou a cabeça em um aceno frenético, em concordância.
– Mas não entende... O homem disse para Isa que as frutinhas eram gostosas, mamma.
Charlie suspirou pesadamente, travando o maxilar.
– Quem deu isso para você? – perguntou, o tom de voz baixo, lutando para não assustar Isabella. – Quem deu as frutinhas para você?
– Ele disse que era amigo do papà – revelou calmamente. – Disse para Isa que era.
Charlie passou as mãos pelo cabelo furiosamente, levantando-se do chão e tateando sua arma, já convenientemente presa no cós da calça. Ajudaria Charles a encontrar aquele desgraçado. E então ele se arrependeria de ter tipo a audácia de se aproximar daquela maneira de sua família.
– Mas não é! – bradou e, instantaneamente, recebeu um olhar de advertência vindo dos olhos chocolates que amava. Eles lhe pediam para manter a calma. Ao menos na frente de Isabella. Claramente se tratava de uma investida dos russos, mas qual deles? Se fosse aquele maldito do... Charlie respirou, tentando recuperar o tom ameno. – Bambina, me responda, como esse homem era? Disse algo sobre ele para você?
– Ele era loirinho – Isabella informou, dando de ombros. Loirinho como Cornélia. Como ele poderia ser homem mau para Isa? – Disse para Isa que se chamava... uhm... era um nome engraçado. Ia...
As mãos de Charlie Swan se fecharam em punhos, o ódio borbulhando em suas veias.
– Yagnel, Isabella?
A menina arregalou os olhinhos, balançando a cabeça freneticamente.
– Sí, babbo! Ele que deu frutinhas para Isa. Yagnel.
Um rugido irrompeu pelo peito de Charlie enquanto ele saía cegamente pela casa. Ele mataria aquele desgraçado. Com as próprias mãos!”
– Esse Yagniel... Ele tentou matar você? – Edward testou, horrorizado. Matá-la com um veneno de uma fruta que o homem mesmo ofertara. Uma criança inocente. Como alguém poderia ter coragem de matar aquela Isabella?
A foto que agora andava no fundo de sua carteira, de uma Isabella criança, avultou a mente do federal.
Ela tinha sido a menininha mais linda do mundo. E já começara a sofrer tanto desde pequena. Não era justo. Era desumano. Suas mãos fecharam-se em punho, o maxilar travado. Edward inspirou longamente, tentando manter o controle.
Os olhos de Isabella saíram da amostra da fruta para encará-lo.
– Mais que isso, Federal. Ele é meu suspeito em potencial. Eu sinto que... – disse por fim, praticamente sussurrando. Os olhos azuis assumindo um brilho diferente. Um aspecto que Edward de imediato não gostou, pois o lembrava da mafiosa aparentemente sem escrúpulos que ele primeiramente conheceu. – Foi ele. Yagniel... assassinou os meus pais. Todas as alternativas convergem para ele.
Edward acenou com um nó na garganta, achando a teoria muito plausível.
– Mas você não tem provas.
Isabella concordou, com um balançar de ombros. O federal deu um passo até ela, posicionando-se à sua frente. Os olhos verdes preocupados, o semblante de pesar.
– Eu sinto muito, Linda... – murmurou tristemente. Um som baixo e rouco. Segurou a mulher firmemente pelos ombros. — Por tudo.
Isabella engoliu em seco, a língua com a resposta ferina e distante estava pronta, mas a mulher se calou. Pela primeira vez na vida, ela gostara de ouvir aquelas palavras. Pela primeira vez, algo aqueceu seu coração ao escutá-las.
E era extremamente bom.
Isabella levantou a mão para tocar o rosto masculino que guardava aquelas duas esmeraldas resplandecentes, queria sentir o calor da pele dele contra a dela, a textura da barba por fazer. Precisava. Entretanto, a mão de Isabella parou no meio do caminho, tremulando quase imperceptivelmente no ar.
Ela encarou longamente os olhos verdes do homem à sua frente.
Tão sinceros, verdadeiros, bons. Tão diferentes dos dela. Sentia-se aquecida, acalentada, só por olhar para eles, mesmo que tentasse negar isso. Eram como uma janela aberta, um convite para mergulhar diretamente na alma nobre de Edward.
Subitamente, Isabella sentiu-se suja demais. Marcada demais. Indigna de fazer algo que já havia feito diversas vezes: tocar o Federal.
Resfolegou, lançando um olhar incerto para sua mão que parara no meio do caminho, recolhendo-a a fim de trazê-la de volta para si, lugar de onde nunca deveria ter saído. No entanto, antes que pudesse concretizar seu movimento, Isabella teve a mão brecada. Seu pulso preso entre os dedos de Edward.
Mafiosa e federal encararam-se por um longo tempo, demorando-se naquela conexão que sempre acontecia quando o verde quente e acolhedor encontrava o azul frio e misterioso. Trocavam muito mais que palavras. E, talvez, fosse justamente por isso que aquela conexão existia. Para que pudessem compartilhar e entender verdades além da compreensão, dizer coisas que meras palavras ainda não conseguiam descrever.
Edward balançou a cabeça negativamente, segundos depois, mesmo que parecessem anos ali, naquela realidade paralela em que se encontravam. E poderiam passar vários deles ali, até mesmo a eternidade.
O Federal puxou a mão que agarrava pelos pulsos para ele, fazendo com que a palma da mão de Isabella tocasse seu rosto e ali permanecesse. Ele fechou os olhos por um momento, apreciando o contato e inclinando-se mais para ele, enquanto uma Isabella arregalava os olhos, resfolegando com a visão.
– Você precisa de um encerramento, Isabella – el declarou, com um sorriso tristonho, referindo-se não só ao assassinato dos pais, mas ao passado de um modo geral. O diário da mãe, o que a máfia russa poderia querer com ela nos dias atuais. As assombrações que Edward sabia que Isabella mantinha adormecidas em algum lugar dentro dela. A vingança pura e simples não era o que traria paz à mulher, mas isso ele a mostraria aos pouquinhos, enquanto desvendassem os mistérios acerca da vida dela.
Abriu os olhos verdes, encarando profundamente os azuis dela com toda a potência que lhe era intrínseca.
– E nós estamos juntos nisso.
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