Rede De Segredos

30 Capítulo 27 - PARTE I


Notas iniciais
Olá, meus amores! Eu sei que demorei e sei que isso não foi legal. Mas minha vida estava uma bagunça, e agora que eu tenho uma rotina tudo vai ficar mais fácil! Eu voltei, AGORA PARA FICAR! HAHAHAHAHA Capítulo dedicado a Bruna Nathália Salermo, Joyramosvaladares, Cindy jo, pelas lindas recomendações! Muito obrigada, meninas! Enfim, uma ótima leitura e nos vemos lá em baixo!

– Case-se com Jacob Black, Isabella – Charles arqueou a sobrancelha, já sentindo a vitória por vir. – E a liderança da máfia italiana é sua.

O coração da mafiosa perdeu uma batida. Seu lado racional a alertava que só poderia ter entendido errado.

– Como é? – perguntou, querendo assegurar-se de que aquelas palavras realmente tinham saído da boca do tio.

– Eu te dou o meu posto, Isabella. Me aposento mais cedo... Você só tem que se casar com o Black. – Apesar da dor em suas costelas, Charles soltou uma pequena gargalhada. – E é claro... só poderá assumir depois que der a Jacob o primeiro filho de vocês.

Filho. Um filho com Jacob. Isabella franziu as sobrancelhas bem talhadas em desagrado. Mas já era de se esperar, ela sabia que um dia teria que ser... mãe, quando seu tio arranjasse o casamento certo e vantajoso e, por mais que a ideia lhe desagradasse, já tinha aprendido a conviver com ela.

A liderança da máfia, o lugar de seu tio. Tudo o que ela sempre quis. O posto para o qual ela fora criada, moldada. Era bom demais... e o demais a incomodava. Ela estava ganhando tanto e isso era no mínimo preocupante. Qual era a jogada de seu tio? O que a máfia e Jacob ganhariam com o enlace matrimonial?

– Você não terá que se preocupar com Alec, bambina. Nunca mais. Tudo o que tem que fazer é dizer sim.

Um sim que a tornaria mulher de Jacob Black, analisou uma Isabella desgostosa. Mas não era como se ela fosse gostar de qualquer marido que Charles designasse a ela.

“A voz de Isabella simplesmente sumiu quando ela sentiu a mão grande espalmada no final de sua coluna. O toque gerou um calafrio que subiu pela sua espinha e visitou todos os lugares de seu corpo. Suas pernas bambearam e, por um momento agradeceu por segurar tão firmemente a grade da varanda com sua mão.

Fechou os olhos por alguns instantes, e praguejou mentalmente. Sabia muito bem a quem a mão pertencia. Só uma pessoa era capaz de fazer aquilo com o seu corpo.

Agente Edward Masen.

Não! Isabella engoliu a bile que chegava à sua garganta. Não se permitiria pensar no federal agora. Não agora. Tossiu, querendo recuperar a uniformidade de sua voz aveludada.

– O que você e Jacob ganham com isso?

A expressão de Charles endureceu.

– Não é da sua conta, Isabella. Eu estou mostrando o que você ganha com isso. Não é o que sempre quis? Deveria estar mais do que satisfeita.

Sim, era. E sim, ela deveria.

– E ah... — murmurou teatralmente, a raiva e o medo pela demora da resposta da sobrinha fizeram com que uma nova alternativa surgisse na mente do Swan. – Se você responder não, Isabella... Esqueça qualquer possibilidade de ficar com o meu posto. Se eu ouvir um não saindo dos seus lábios, bambina, a máfia vai para Alec.

Isabella arregalou os olhos, não esperava por aquilo. Ela jamais deixaria o seu lugar para Alec. Ela merecia, não ele. A proposta era sua chance de ouro e ela não poderia deixar passar.

Federal... Não! Isabella espantou a figura de sua mente mais uma vez. Por que estava pensando nele? Ele estava seguro longe de sua vida.

Isabella balançou a cabeça, criando coragem e não entendendo por que custava tanto a dizer a palavra esperada. Casar-se com Jacob Black deveria ser um sacrifício pequeno comparado ao que ela receberia em troca. Não deveria?

– Sim, tio Charles. — Os azuis se encontraram. Os de Isabella escondiam sua perturbação por trás da máscara de impassibilidade, os de Charles carregavam um brilho gélido, uma felicidade fria que ninguém gostaria de invejar. – Eu aceito me casar com Jacob Black.

O mafioso sorriu, exultante. Ele ganhara. Isabella estaria presa a Jacob por um contrato que ele mesmo elaboraria. Sua menina seria obrigada a dar filhos ao Black, não poderia traí-lo, ou se separar, além de ter que ser uma boa esposa e agradá-lo. Qualquer não cumprimento daquelas cláusulas acarretaria na imediata retirada de Isabella do cargo de chefe da máfia italiana.

O Swan deliciou-se. Ele prenderia Isabella para sempre a ele através de Jacob. O agente Edward Masen, ou qualquer outro homem inoportuno que quisesse transviar o caminho de Isabella, não conseguiria. Charles sabia que a coisa que a criminosa mais queria era o poder, o controle absoluto da máfia. Ela jamais poderia abrir mão dele.

Aquela medida poderia ser vista por alguém de fora como algo exagerado, mas para o mafioso, tratava-se apenas de uma questão de segurança porque, com ou sem o casamento, Charles daria um jeito em quem tanto o preocupava, o filho de Carlisle Cullen.

Tinha prometido a Isabella que se afastaria dele, que deixaria Edward e sua família “seguros”, mas acidentes acontecem todos os dias, que culpa ele poderia ter em um fato infortuno?

Um sorriso rasgou a sua face, revelando os dentes extremamente brancos. Edward não mais influenciaria sua menina, ninguém roubaria Isabella. Ela era sua e sempre seria.

~-~

A escova trabalhava lentamente nos fios negros e lisos, exalando o aroma de morangos silvestres que, inalado pelo nariz fino e arrebitado, naquele momento, não confortava Isabella.

Aquela essência pertencia a Renée Dywer Swan, e Isabella intuía que a figurava doce e maternal registrada em sua memória não aprovaria suas recentes decisões.

Mas era necessário.

– Você está bonita, Bambola. – Isabella sobressaltou-se, e olhando em direção à porta, encontrou a figura de Alice Brandon preparada para adentrar o recinto.

O nó na boca do estômago de Isabella aumentou.

– O que faz aqui, Alice?

A mais nova deu de ombros, sentando-se na cama. A mafiosa intuiu, pelo fato dos olhos castanho-achocolatados estarem muito mais profundos naquela noite, que Alice guardava muitas perguntas e opiniões para ela. Isabella rogou para que ela mantivesse sua língua dentro da boca, um interrogatório regado de lições de moral era a última coisa de que a mafiosa precisava.

– Acredite se quiser – a baixinha cruzou as pernas, apoiando as duas mãos na cama -, o Poderoso Swan em pessoa ligou convidando.

Isabella cerrou os olhos, a tez macia de alabastro da testa enrugando-se levemente. Por que seu tio chamara Alice para presenciar aquilo? A resposta estava na ponta da língua antes mesmo que Isabella terminasse a elaboração da pergunta. Charles Swan queria que fosse real, que houvesse testemunhas.

– A troco de quê o todo poderoso está dando esse jantar? – Alice indagou. Apesar da pergunta direta o tom adotado era cauteloso. – O que está acontecendo aqui, Bella?

Isabella começou a esfumar a sombra de um dos olhos, julgando reparar um defeito inexistente.

– Eu vejo esse jantar como o marco do meu futuro na máfia. Você logo vai saber o que isso significa. – Isabella informou, mantendo o tom frio e indiferente. Era assim que ela deveria encarar o que estava prestes a fazer. Era um negócio, frio e calculado. Meios muito baratos para os fins que obteria.

– Seu futuro na máfia – Alice repetiu, o tom irônico, levemente amargo. – Por que eu sinto que não vou gostar disso, Isabella?

Porque definitivamente ela não gostaria. Isabella pensou, porém calou-se e deu de ombros, pousando o pincel que trabalhara a sombra preta em suas pálpebras.

Per l'amor di Dio, Bambola! O que está acontecendo? – O tom de Alice era urgente – Onde está o Edward? O que diabos aconteceu entre vocês dois?

Isabella fechou os olhos. Edward. O nome abateu-se sobre a sua pele como o chicote de um algoz habilidoso, queimando e cortando a carne.

– Tudo estava indo tão bem... – Murmurou uma Alice confusa.

– O que estava indo tão bem, exatamente, Alice? – Isabella perguntou, os olhos injetados de fúria. Virou a cadeira para poder encarar a mais nova. – Uma convivência entre um agente federal e uma criminosa? Isso estava indo bem?

Alice balançou a cabeça, confusa.

– Você sumiu por sete dias, Isabella – a mafiosa começou a negar, mas Alice a interrompeu. – Sim, sumiu. O discurso de Charles que você estava ocupada não desceu pela minha garganta, okay? Você sumiu por sete dias e eu não tenho a menor ideia do que fez durante esse tempo. – Ela afirmou, categórica. – Então, durante esse um mês e meio que se passou depois do seu “sumiço”, você não fez outra coisa a não ser me evitar. Algo está muito errado nessa história, quer dizer, eu liguei para o Edward durante todo esse período, e...

– Você o quê? – Isabella cortou o discurso, a raiva pesando em cada palavra.

– Eu liguei para o Edward – Alice rolou os olhos. – Mas ele não me atendeu, até hoje.

Um peso esvaiu-se da cervical de Isabella. “Ele não me atendeu”, aquilo era... Bom. Significava que Edward não estava interessado em algo que pudesse ter alguma relação com ela e, apesar do vazio enorme e sem sentido que se abriu em seu estômago, a mafiosa convenceu-se de que aquilo era bom. Enquanto ele estivesse afastado dela estaria seguro, e daqui a alguns anos, ela seria apenas um borrão, um passo em falso nas memórias do federal.

Uma voz em sua cabeça disse: Ótimo, é assim que deve ser. A outra permaneceu calada, quieta, acuada, ciente de uma batida que o coração perdera.

– Não ligue mais para ele. – Isabella praticamente ordenou, não desviando os olhos de Alice. – O agente Masen e eu não temos mais nenhum tipo de envolvimento, convivência, ou como queira denominar aquilo que vivíamos. Não tente entrar em contato com ele, Alice, e nem o mencione para mim. Não há nada que venha do agente Edward Masen que possa me interessar. Fui clara?

Alice olhou para o teto e, para a surpresa de Isabella, uma lágrima caiu pela bochecha dela.A Brandon limpou a água salgada rapidamente com uma das mãos, e voltou a encarar a mafiosa.

– Por que você continua me subestimando, Bambola? – Começou em um tom triste. Por um momento Isabella franziu as sobrancelhas bem feitas, não entendendo aonde Alice queria chegar. – Eu já te disse, por mais habilidosa que você seja nisso, eu sei quando você mente para mim. Eu te conheço mais do que a mim mesma, Isabella. Eu sei.

– Alice! – a voz de Alec cortou o olhar que as duas mulheres trocavam, e Isabella virou-se para frente, evitando encarar mais uma vez a mais nova. – Não sabia que você vinha hoje.

– Pentelho. – Ela declarou, sorrindo. Levantando-se da cama, abriu os braços para ele. – Eu estava com saudade de você.

– Eu também – Alec abriu um sorriso de lado, e deixou os braços finos o envolverem, com as mãos no cóccix de Alice levantou o corpo pequeno.

– Você está malhando – Alice declarou, saindo do abraço. – Como isso foi acontecer? Você era um pentelho de sete anos ontem.

– Você está linda, Alice – Alec pontuou, ignorando a brincadeira, e voltou seus olhos para Isabella. O sorriso sumiu de seus lábios quando seus olhos encontraram os dela através do espelho. – Você também, Isabella.

Alice bufou.

– É claro que ela está, ela já é linda, mas é só o seu pai estalar os dedos para ela e pronto: Isabella fica deslumbrante.

– Alice... – A mafiosa sibilou, mordaz. Mas só recebeu um revirar de olhos por parte da mais nova e um coçar de cabeça desajeitado do primo.

– Vamos descer, Alec... – Alice sorriu forçadamente e passou um braço pelo ombro dele, guiando-o até a porta. Com o tom amargo voltou a falar. – La principessa della mafia precisa acabar de ficar perfeita para o titio.

Tudo aconteceu muito rápido. Isabella sentiu como se duas mãos prendessem seus pulsos e ela olhou para baixo, aturdida. Mas não havia nada ali.

Isabella, me escute. – A mafiosa arregalou os olhos e deu-se conta do que acontecia. Era a voz de Edward que parecia soar imperativa pelo quarto. A mafiosa fechou os olhos com força, atendo-se à lembrança. — Você não é assim, Linda. Você foi condicionada a ser assim. E eu estou te dizendo agora que você não tem que obedecer a ninguém, ou fazer algo que não queira. Você consegue se desvincular da máfia, deixar de ser uma marionete nas mãos do seu tio... Eu posso te ajudar.

Isabella balançou a cabeça, lutando para se livrar da lembrança, o federal falara aquilo no dia em que eles se separaram. Abriu seus olhos e arfou quando viu a própria imagem no espelho. Seus olhos, eles estavam afetados.

Mas eles não poderiam estar, não deveriam. Fechou novamente, apertando as pálpebras. Alice, Edward, talvez Alec... todos eles achavam que ela não passava de uma marionete nas mãos de Charles. Mas ela não era isso. Eles jamais entenderiam.

Ninguém entenderia.

Quando abriu os olhos novamente, eles estavam de volta à frieza habitual. Isabella balançou a cabeça positivamente, apreciando suas feições de ferro refletidas no espelho. Ela estava de volta. A mafiosa estava de volta e prestes a conseguir a coisa que mais almejou em toda a sua vida: a liderança da máfia italiana.

~-~

– Como você está se sentindo? – Emmett quis saber depois de dez minutos de silêncio. Ninguém falara absolutamente nada depois que saíram do carro e isso deixava Emmett levemente preocupado. Os dois caminhavam lado a lado pela calçada, ele tinha passado um braço pelos ombros dela, querendo que aquilo funcionasse como uma bolha, privando Rose do mundo real, das sensações ruins que ela poderia ter saindo pela primeira vez depois do... incidente.

Também adotara aquela posição para deixar claro que ela estava acompanhada. Rose era muito bonita, chamava a atenção... Emmett sabia que olhares masculinos agora não fariam bem para ela depois do que passara. Rosalie precisava de um tempo. E, bom, olhares cobiçadores sobre ela também não fariam bem a ele, e Emmett realmente pretendia encerrar a noite sem socar ninguém.

– Está tudo bem, Rose? – Insistiu, ao longe já se via a lanchonete escolhida quando saíram da casa dos Masen, não estava muito cheia e era ao ar livre, dois fatores que agradavam o agente.

Ele tinha cumprido sua palavra, Rosalie atestou. Disse que eles comeriam um hambúrguer no dia seguinte e ali estavam. Ela soltou um suspirou audível, deixando Emmett ainda mais curioso.

Por um minuto inteiro ele pensou que a menina não falaria nada, mas então sentiu uma mão dela escorregando lentamente por suas costas, trazendo à tona uma sensação quente e deleitosa. A cabeça de Rosalie pendeu levemente para o seu braço, quase em cima de seu peito, como se ela se aconchegasse a ele.

Depois de um leve tropeçar, Rose acostumou-se aquela nova posição e finalmente respondeu:

– Protegida. – Ela sabia que não fora bem aquilo que ele perguntara, Emmett queria saber se ela estava bem ou não, mas Rosalie respondeu o que realmente sentia. Sair de casa não estava sendo tão aterrorizante quanto ela pensara que seria, mas sabia que isso se devia à presença constante do homem ao seu lado. – Eu me sinto protegida.

O sorriso que escapou dos lábios de Emmett McCarty foi reluzente, saber que Rose se sentia assim com ele era simplesmente maravilhoso. Ele poderia ser o homem mais feliz do mundo naquele momento, ele certamente era. Sentindo aquele pequeno corpo encostado a si, sentindo a presença dela marcante em seus braços, Emmett finalmente decidiu: Rosalie Masen seria sua. Apenas sua. E ele a protegeria com a própria vida se assim fosse preciso.

~-~

O jantar descia indigesto para quase todos os presentes na grande mesa de granito, e por um bom tempo tudo o que se pôde ouvir foi o tilintar dos talheres. Até mesmo Alec e Alice, sentados lado a lado, sentiam-se compelidos pela atmosfera do local, e preferiram voltar suas atenções para o próprio prato, mesmo que soubessem que algo estava errado. O que Jacob Black fazia ali?

Ao contrário de todos os presentes, Charles apreciava muito o ambiente à sua volta. Tomou um gole de vinho e colocou os braços sobre a mesa, cruzando as mãos debaixo do queixo. Seu olhar passeou por cada presente, a sensação de que ele poderia mandar e mudar o destino de cada um ali causava um estranho e delicioso gosto de poder. Ele adorava aquilo.

Apesar de não ver problemas naquele silêncio que persistia, Charles sabia que todo show tem a hora de começar, e ele sempre foi uma pessoa que gostava da pontualidade.

– Você tem algo a dizer para nós, não tem, Black?

Isabella trancou o maxilar e olhou de soslaio para um Jacob que sorria.

– Sim, senhor Swan. – Ele olhou para Alice, Alec e Irina demoradamente. E então, como se fosse um gesto despropositado, ele pegou a mão da mafiosa por cima da mesa. –Isabella e eu vamos nos casar.

Isabella fechou os olhos brevemente, ouvindo um barulho de talheres batendo no prato. Direto e cortante, ela pensou, como deveria ser.

– O quê?... Casar? Mas... — Alice começou, com os olhos esbugalhados — Isabella! Como... Como assim?

– Você tem bons ouvidos, Alice – ironizou, tomando uma lufada de ar. – Casar... Como Jacob falou.

Isabella usou a desculpa de pegar sua taça de vinho para fugir do toque de Jacob em sua mão, mas aquela foi a pior decisão que poderia ter tomado. Assim que Black viu-se com a mão livre, ele agarrou a coxa desnuda de Isabella por baixo da mesa.

A mafiosa engasgou, e franziu as sobrancelhas, olhando de um modo frio e alertador para Jacob. Mas o moreno simplesmente abriu um sorriso malicioso para ela, a mão que estava em sua coxa começando a acariciar lentamente a pele sedosa.

Isabella fechou os olhos. Era a voz de Edward, de novo, em seu subconsciente... Lembrou-se da noite em que ele não descansou enquanto ela não admitiu que era dele.

– Bella, tem certeza de que é isso que você quer? – Irina perguntou, a voz doce e cuidadosa. Contudo a mafiosa não estava consciente daquilo para respondê-la, Jacob começava a acariciar o lado interno de sua coxa e o contato lhe casou náuseas. Isabella colocou o guardanapo em cima do prato, sabendo que mais nada desceria por sua glote.

– Sua avó te fez uma pergunta, Bambina. – Apesar de utilizar o apelido, a voz de Charles era cautelosa e ameaçadora. O simples tom era capaz de relembrar Isabella tudo o que estava em jogo. Ela suspirou pesadamente.

– Sim.

Diante da resposta o polegar de Jacob subiu ainda mais pela parte interna da coxa de Isabella, e o estômago da mafiosa deu um nó.

“Edward começou a acariciar a parte interna das coxas dela, primeiramente próximo aos joelhos, e sentiu o corpo da mafiosa tremer levemente.

– Seu corpo responde ao meu. A cada mísero toque meu... – e as mãos foram ficando mais atrevidas, os polegares fazendo círculos na parte interna das coxas.”

Isabella não tremia agora, ela não sentia nada além do profundo asco que fazia a bile subir à garganta. E sabia que aquilo estava sendo difícil daquela maneira porque aquelas mãos não pertenciam a Edward.

– Eu não posso acreditar que você esteja fazendo isso. Eu me recuso! – Alice praticamente gritou, e Alec levou a mão até o ombro pequeno, para acalmá-la.

– Ora, Brandon – Charles retrucou, o semblante pesado. – Você deveria estar feliz por Isabella, não se diz melhor amiga dela?

A risada sardônica do Swan ecoou pelo ambiente. Ele criara a sua bambina, ela não era do tipo que desenvolveria uma “melhor amiga”. Ela fora criada para confiar em apenas uma pessoa, e essa pessoa era ele.

Isabella abriu a boca para dizer qualquer coisa, mas sua fala foi cortada quando ela sentiu a mão de Jacob infiltrando-se pela saia do seu vestido. Ela fechou as coxas com mais força, mas já era tarde, ele tocava sua calcinha, agora. E não aguentava mais.

De supetão, Isabella agarrou a mão de Jacob livrando-se dela. O movimento atraiu os olhos bem treinados do Swan.

– Algum problema, Isabella? – perguntou, inquisidor.

– Não – respondeu friamente, e arrastou a cadeira. – Preciso ir até o banheiro.

E sem esperar resposta, Isabella andou até o corredor que suspostamente a levaria ao banheiro. Assim que estava fora de vista por qualquer pessoa que se encontrasse na sala de jantar, ela permitiu-se relaxar, inalando uma lufada de ar e expirando calmamente.

O que estava acontecendo com ela?

Ela desenvolveu por tantos anos a capacidade de ficar impassível diante dos toques masculinos, por que agora aquilo parecia difícil como o inferno?!

Socou uma parede e apoiou-se nela depois, as mãos espalmadas na estampa de flores provençais. Era ela ali. A mafiosa treinada e fria. Calculista. Era apenas casar-se com Jacob, satisfazer o seu próprio marido, e a máfia seria sua. Inteiramente sua. Era tudo o que ela queria. Sempre foi.

– É tudo o que você quer... – Isabella murmurou de olhos fechados, e socou a cabeça levemente contra a parede. – A máfia é tudo o que você quer.

– E o que eu mais quero é você – Isabella arregalou os olhos ouvindo a voz do homem atrás dela, as mãos dele agarraram os braços dela, girando-a e no instante seguinte, o corpo feminino já estava prensado contra a parede pelo corpo de Jacob.

– Que bom que você inventou essa ida ao banheiro, Isabella – a voz dele estava arrastada e desejosa. A mafiosa notou a bile subindo novamente, sentiu a respiração dele em seu ouvido. – Eu estava ficando tão duro por você naquela mesa... Eu preciso te foder agora, doce noivinha.

Deixe. Uma voz gritou em sua cabeça. Casar-se com Jacob era a chave para o seu futuro, a ponte para alcançar o que ela sempre quis. Era melhor ceder agora, e acostumar-se com isso.

Isabella parou de apresentar resistência e instantaneamente sentiu a boca de Jacob em seu pescoço, dando beijos e leves mordidas, as mãos descendo para os quadris dela.

– Vou fazer você gritar de prazer, noivinha.

– Quem te dá prazer, Isabella? – Edward apertou a bunda dela com força, fazendo-a gemer e perder a fala. – Me responda Isabella!

Jacob desceu mais a mão, infiltrando-a na saia do vestido que a mafiosa usava.

“Apenas eu posso de tocar assim, Isabella. Apenas eu. A quem seu corpo pertence, Isabella?”

A boca de Jacob mordeu seu lóbulo enquanto a mão alcançava a bunda arrebitada por baixo do tecido.

– Eu vou perguntar novamente... – A voz de Edward soou potente, exigindo uma resposta. — A quem você pertence, Isabella?

– Isabella... – ele disse, seu tom era repreensor, mas ela ainda tinha a impressão de que degustava todas as sílabas. Com a demora para a resposta, Edward começou a se afastar levemente. Isabella não poderia permitir isso. Agarrou suas mãos na nuca dele, e fechando bem os olhos, disse:

– Você.

A mão de Edward apertou levemente a mandíbula dela, fazendo com que a mulher olhasse para ele.

– Quem?

– Meu corpo pertence a você, Masen. Edward... Masen. – Isabella completou, demorando-se no primeiro nome, e sentiu-se preenchida por completo, ao mesmo tempo em que os tremores começavam a abalar seu corpo.

Isabella empurrou Jacob antes que os dedos dele começassem a se infiltrar pelo elástico da calcinha.

– Não! – ela murmurou entre dentes.

Ela não conseguiria. Ela não poderia fazer aquilo. Só um homem poderia tocar em seu corpo agora, e esse homem não era Jacob.

Ela não conseguiria simplesmente deitar-se com o Black, algo a impedia. As imagens do federal que passavam pelos seus olhos faziam com que ela se sentisse a mais repugnante de todos os seres humanos.

Estava tudo acabado. Como ela poderia se casar com ele se não conseguia suportar o fato das mãos dele nela?

Ela não poderia.

– Eu não vou me casar com você – disse duramente, e visualizou os olhos escuros de Jacob se arregalarem, surpresos.

– Que merda é essa agora? Você vai. Charles me garantiu que iria. E eu quero os meus direitos como noivo, Isabella Swan, eu quero o seu corpo, e quero agora!

A mafiosa fez uma careta. Como aquele ser poderia ser tão asqueroso?

– Eu tenho nojo de você – ela cuspiu. – Você nunca mais vai me tocar dessa maneira, eu não me casaria com você por nada no mundo!

Isabella deu as costas, cansada de ficar no mesmo ambiente que Jacob Black. Mas ela não foi muito longe, sentiu seu braço ser puxado com força. Jacob partiu para cima dela, cego em cólera, tentando impor seu beijo, amassando os lábios da criminosa, as mãos escarçando o decote do vestido, até que ele se rasgou, expondo boa parte dos seios de pele leitosa.

Isabella o empurrou mais uma vez, acertando uma joelhada no membro excitado de Jacob Black. Ela o viu se curvar pela dor. A mafiosa descobriu ali que, além de nojento, ele era burro. Pensava que poderia mesmo medir forças com ela?

Golpeou o estômago masculino e assistiu a queda de Black ao chão. Inclinou-se para ele.

– Qual parte de não me tocar você não entendeu? – Ela inquiriu, sibilante. Desferiu dois novos chutes entre as costelas de Jacob. – Você vai se levantar daí e vai embora sem que ninguém perceba, está entendendo?

Isabella estudou a expressão de dor do homem. Se ele fizesse como ela pedia, Charles pensaria que eles estavam juntos em algum lugar, e isso lhe daria tempo.

Tempo para pensar na melhor maneira de dizer não para o tio. Tempo para arquitetar algo que o impediria de machucar Edward se ela o desobedecesse. Não! Aquilo ela não admitiria. Ela havia negociado: seu afastamento de Edward, em troca da segurança dele e de sua família.

Fechou os olhos fortemente. Ela pensaria em outro jeito, outro jeito de ficar com a máfia. Balançou a cabeça, tentando se esquecer do fato de que aquilo era bastante improvável.

– Você entendeu? – Interpelou, e na falta de uma resposta Isabella pisou com o salto na garganta de Jacob, apertando. – Eu vou perguntar de novo: Você entendeu?

Os olhos azuis encararam os castanhos amedrontados, mas ela também conseguia visualizar uma pontada de orgulho neles. Afundou mais o pé na garganta masculina e Jacob tentou puxar o ar, balançando a cabeça afirmativamente.

– Ótimo. – Isabella constatou e livrou o homem de seu aperto. Andou a passos firmes, distanciando-se dali e rumando para seu quarto.

Ela poderia parecer bem, mas por dentro estava em pedaços, e prestes a explodir.

Hoje, ela testificou que Edward Masen havia deixado uma marca nela. Uma da qual nunca poderia se livrar. Edward gravara algo em sua pele, de dentro para fora.

E isso nunca poderia ser apagado.

Abriu a porta do quarto, totalmente estafada, e antes mesmo que visse a figura ouviu a voz estridente de Alice.

– Como você foi capaz disso? – a voz estava transtornada, várias oitavas mais alta. – Como... Como pôde?!

A baixinha balançou a cabeça, e então seus olhos se focalizaram no decote rasgado de Isabella. Alice faz uma careta, franzindo o nariz bem talhado e deu um passo para trás.

– Você não tem nojo de si mesma?

A pergunta chocou Isabella, por um momento congelando os seus pés no chão. Alice nunca havia sido tão direta como agora. Mesmo com todos os puxões de orelha, com as insinuações de que ela era uma marionete na mão do tio... Nada do que Alice disse antes teve o mesmo peso que agora. E mesmo que Isabella não se desse conta, ou soubesse explicar, aquilo doeu nela. Muito.

– Alice... – Ela começou, querendo esclarecer que tinha desistido do casamento, mas a baixinha levantou a mão para ela, furiosa.

– Não, não, não, não! – Repetiu várias vezes, andando de um lado para o outro, seus olhos nunca deixando Isabella. – Você vai me ouvir, agora. Ele é asqueroso! AS-QUE-RO-SO. Como você pôde aceitar isso, Isabella? Como? Ele nem sequer é... vantajoso!

– Alice...

A mais nova começou a balançar o corpo, como se tivesse entrado em uma espécie de transe nervoso.

– Sabe qual é a impressão que eu tenho? Que você está se vendendo! Quer dizer... é exatamente isso! – Alice caminhou até Isabella, agarrando-lhe os braços e balançando-a. Olhando a mais nova agora de perto, Isabella pôde ver as lágrimas transbordando dos olhos achocolatados. – O que quer que você esteja ganhando com isso, não vale o sacrifício. PER L’AMORE DI DIO! Não é tão bom para que você sacrifique a sua felicidade e...

– Eu disse não! – Isabella praticamente gritou, e balançou os braços energicamente.

Alice parou por um momento, olhando nos olhos de Isabella. Ela era a personificação de um ponto de interrogação.

– Como? – balbuciou.

– Jacob tentou me tocar – Isabella esclareceu e desvencilhou-se de Alice, sentando-se na cama. – E eu disse não, Alice. Não vai ter mais casamento, você já pode parar com essa lição de moral. Eu simplesmente não... consegui.

Isabella tampou o rosto com suas mãos, escorregando os dedos até que se embrenhassem nos cabelos negros, puxando-os levemente.

– Acabou, Alice. Tio Charles jamais vai me dar a liderança da máfia. Eu serei mandada pelo Alec. Acabou.

A mais nova só não tinha vontade de sorrir porque via como Isabella estava confusa, perdida. Seu coração se apertou, e ela conteve a vontade de sentar-se ao lado dela e passar a mão pelos ombros caídos.

Isabella estava vulnerável, abrira uma brecha nos muros ao seu redor, e ela deveria se aproveitar disso.

– Por quê? Por que não conseguiu deixar que ele a tocasse, Isabella? Você já fez isso uma vez, não foi?

Isabella soltou o ar, pesarosa, mas ao mesmo tempo sardônica.

– Federal. – Ela levantou os olhos para Alice, mas abaixou a cabeça no instante seguinte, acariciando as têmporas como Renée a ensinara. – Eu me lembrei do Federal.

Alice tentou manter os pés e as mãos parados. Não faça a dancinha da vitória, Alice Brandon. Não faça. Por mais que ela quisesse externar a felicidade que sentiu com aquela declaração, sabia que era a hora de pressionar mais Isabella. Ela estava falando, ela tinha que se aproveitar desse momento de fraqueza.

– Falando nele, Bella... O que foi que aconteceu? – Alice esperou, mas nada saiu pela boca de Isabella. Ansiosa, a mais nova decidiu que poderia conjecturar. – O que você disse para ele? Porque você tem que ter falado algo para que ele simplesmente não te procurasse mais!

Isabella fechou as mãos em punho, o dia em questão voltando com força total.

– O que eu disse? – ela perguntou amarga. – Talvez eu tenha questionado a eficiência dele no trabalho, Alice, já que ele convivia com uma criminosa e não fazia nada sobre isso. Talvez eu tenha também dito que as nossas vidas não coexistem, e que ele deveria estar colhendo provas contra mim. Talvez eu tenha dito que salvar Rosalie foi um erro, que eu não a salvaria novamente. Ele não acreditou. Mas eu disse. – Respirou profundamente. – Talvez eu tenha dito que menti, que meu corpo não era dele, e que eu já tive tudo o que poderia ter dele. Eu cutuquei uma ferida aberta, Alice... eu disse que ele era um agente medíocre, que tinha se tornado policial só para provar alguma coisa para o pai dele, o pai morto-vivo dele – ela se corrigiu, sardonicamente – mas que não sabia por que ele se dava ao trabalho já que, obviamente, Carlisle não poderia se importar menos com a família dele.

Alice encarou Isabella, atônita, tentando digerir todas as informações que ela lhe dera.

– Por que você disse isso para ele, Bambola? Ele não merecia isso. Edward é a melhor pessoa que você provavelmente já conheceu.

– Porque eu tinha que afastá-lo – Isabella exasperou-se. – Porque nós somos realmente muito diferentes, Alice. Como você mesma disse, Edward é... bom! Não viu como ele sofreu com o quase sequestro da Rosalie?

– Eu não estou entendendo aonde você quer chegar, Isabella! – Alice informou, confusa. – Por que quis afastar o Edward?

– Inferno, Alice! – Isabella trasbordou. — Eu fiz isso para protegê-lo! Tio Charles prometeu que, se eu me afastasse do federal, o deixaria em paz! Ele e a família!

Alice arregalou os olhos e suas pernas cederam, fazendo com que ela caísse sentada na cama. Ela sondou a expressão de Isabella por mais alguns segundos, até que se convenceu de que ela falara a verdade. E então fez a última coisa que Isabella esperava. Ela gargalhou.

– Por que infernos você esta rindo, Alice?

– Por que eu estou rindo? Porque eu estou feliz, Bella — ela pulou da cama e saltou até ficar de frente para a mafiosa. — Porque você teve uma atitude completamente altruísta e nem ao menos se deu conta disso! Porque a mafiosa que parecia feita de gelo, tomou uma decisão para o bem de outra pessoa – ela deu dois pulinhos e agachou-se para ficar da altura de Isabella, que ainda estava sentada na cama. — Porque você, Bambola, decidiu que valeria a pena sofrer se a segurança do Edward estivesse assegurada.

Isabella arregalou os olhos. Não. Essa não era ela. Ela não era assim.

– Eu não estou... Sofrendo.

– Minta! — Alice gargalhou. — Para mim, para o espelho, para si mesma... Eu não me importo, porque sei a verdade. Você pensou no sofrimento que o federal teria se algo acontecesse à irmã ou à mãe dele e decidiu, para poupá-lo desse sofrimento e assegurar que nada atentaria contra a vida dele, ficar longe. Mesmo que isso resultasse no seu próprio sofrimento.

Isabella franziu a tez macia da testa. Não. Alice estava equivocada! Ela não pensara em nada disso... Ela nem sequer pensara para tomar essa decisão. Não.

– Bambola, eu vou te dizer uma coisa. Você é como uma irmã para mim. E eu vou lutar, vou fazer o que estiver ao meu alcance para que você seja feliz. E sabe por que, Isabella Swan? Porque eu amo você!

– Alice... – A mafiosa proferiu, como um alerta. A mais nova sabia que ela odiava aquele tipo de declaração. Não pelo conteúdo em si, mas por não saber o que fazer e nem como reagir perante a ela.

– Sim. Eu amo você! Conviva com esse fato. – Ela deu de ombros e abraçou uma Isabella estática, dura feito pedra. Mas Alice não se importou. Beijou a bochecha da mafiosa e levantou-se. – Fique bem, Bambola. Eu tenho algumas coisas para fazer agora.

A baixinha nem esperou o consentimento da mais velha, simplesmente saiu do quarto. Não conseguia conter o sorriso que brotava em seu rosto, e agradeceu por não ter encontrado nem com Charles nem com Irina na saída da casa dos Swan. Ela sentou-se em seu carro e inspirou o cheirinho de novo, sentindo-se bem como há muito tempo não se sentia. Essa noite ela mexeria os seus pauzinhos, e era questão de pouquíssimo tempo, talvez um dia, para ver Edward e Isabella juntos, outra vez.

Notas finais
O que será que a Alice vai fazer, hein? Algo me diz que ela não vai ter muito trabalho! Grupo de RDS no face: https://www.facebook.com/groups/492371880844037/ Vejo vocês nos comentários, beijo!