Notas iniciais
LINDAS! DIA 10 e aqui estou de volta! hahaha

e vocês me fizeram MUITO FELIZ com o último capítulo! 43 COMENTÁRIOS! SURTEEEEEEEEEEI HAHAHA

Muito obrigada meninas, de coração!

O Capítulo de hoje é dedicado a Meggie e a Evelyn! Minhas lindas que recomendaram RDS! Obrigadaaaaaaaaaaaaa

Enfim, boa leitura!

ps: AINDA não respondi todos os comentários, mas, todos serão respondidos até amanhã, como sempre faço! hahaha

– Como? – Edward perguntou, incrédulo. Algo o avisando que ele não deveria ter entendido corretamente.

– Foi isso mesmo que eu falei, Edward. Bella foi estuprada...

Edward deu um passo para trás afetado com a frase... Parecia ter sido transportado para outra realidade e queria desesperadamente ser trago de volta.

Sua boca se abriu várias vezes, mas nada saiu dela, passou uma mão nervosamente pelos cabelos acobreados e olhando de soslaio para uma Alice incerta na cama, perguntou:

– Como? Por quem?

Alice mordeu os lábios.

– Eu não acho que eu possa falar muito sobre isso. Quer dizer, tenho certeza que a Bella te contará quando estiver pronta.

Edward fez um gesto impaciente com as mãos.

– Alice... – disse repreensor.

– Foi um funcionário da máfia – A baixinha disse, a contra gosto. Bufando.

– Da máfia? – Edward repetiu incrédulo – da sua máfia?

– Hey, olha bem o que fala! – Alice elevou um pouco o tom de voz – Eu não faço parte da instituição! E, sim, foi da máfia italiana.

Edward começou a andar de um lado para o outro as engrenagens de seu cérebro trabalhando.

– Mas, como? Quer dizer, Charles Swan é o...

Algo no olhar de Alice o fez parar de divagar.

– Foi a mando dele, Edward.

O mundo inteiro parou, voltando instantes depois como uma grandiosa erupção de vulcão. O sentimento poderoso e consumidor vinha de dentro do federal, tal qual uma fúria da natureza. Nada poderia conte-lo.

– ORDINÁRIO! – balançou a cabeça enlouquecidamente – Como aquele verme pode? Como? Com Isabella? A própria sobrinha!

Um rugido saiu pelos seus lábios, e Edward parecia que arrancaria todos os fios de seu cabelo.

– Eu vou... – Edward apontou o dedo para uma Alice assustada na cama – eu vou matá-lo Alice. Eu vou acabar com ele. Eu juro... juro...

Edward socou a parede com força, a primeira superfície lisa que encontrou. Logo depois encostou a testa, fechando os olhos.

Era muito para que ele assimilasse. Sua Isabella sendo estuprada, e por mando do tio... O ódio era a única coisa que mantinha Masen de pé naquele momento. O ódio por Charles.

– Ele mexeu com a minha irmã... Ele fez isso com Isabella... Eu juro, Alice! – Socou mais uma vez a superfície lisa – Eu vou destruí-lo. Eu vou reduzi-lo a pó nem que seja a ultima coisa que eu faça!

– Edward, se acalme... – Alice murmurou inutilmente.

– VÁ PARA O INFERNO COM A CALMA!

Sua Isabella. Estuprada. Estuprada. Estu...

Assumindo a postura rígida, simplesmente falou:

– O que eu queria dizer é que talvez ela não queira muito contato ainda e é melhor que vá com calma...

E quem é você para saber o que a minha irmã quer ou não em uma situação dessas, Isabella Swan?! A porra de uma psicóloga? Agora saia da minha frente, Rose precisa de mim.

O golpe da lembrança fora demais para ele. Por que ele disse aquilo? Por que? Ela sabia muito bem o que estava dizendo, ela já passara por aquilo.

Outro rugido saiu de seu peito, e Alice assistia a cena inevitavelmente o comparando com um leão enjaulado e faminto.

Nada mais fazia sentindo, tudo estava fora de lugar. A realidade era inaceitável para Edward.

Como? Como Charles poderia ter tido a coragem de permitir algo tão abominável como aquilo?



~.~



Isabella deu passos demasiadamente lentos até o sofá, não por sua coxa vitimada, mas sim pela ferida mal cicatrizada que estava prestes a cutucar.



Por que estava se dando ao trabalho de fazer aquilo mesmo?

Sentou-se ao lado da menina encolhida dentro do sobretudo e por um momento apenas olhou para as suas mãos, os dedos angulosos brincando freneticamente com um anel.

O que falaria para ela? Como poderia dizer alguma coisa que a tirasse daquele isolamento? Como Isabella poderia ajudar alguém quando não sabe, nem mesmo, ajudar a si própria?

A mafiosa suspirou audivelmente e com os olhos procurou o rosto de Rose. Os olhos verdes, como os do federal, estavam perdidos. O rosto borrado de maquiagem pela ação das lágrimas.

– Todos esperam algo de você – começou, atraindo o olhar da menina para ela, imediatamente desviando o seu para as listras do tapete preto e branco, tornou a divagar – Alguns esperam que grite, esperneie, desconte sua raiva no mundo, se rebele... Outros esperam que chore, que sofra calada, que se deprima. Mas, não importa como você reaja, todos sempre esperam que supere.

“- Bella... Vai ficar tudo bem não vai? Você vai ficar bem...”

“Amanhã você vai se sentir muito melhor, Bella. Pode chorar se quiser, minha bambina...”

“Supere, Isabella. Até quando pretende ficar nesse quarto? Foi necessário e você sabia disso. Já acabou. Passou. É melhor que aprenda logo com isso. Afinal, se o aluno não aprende a lição, ela tem que ser repetida. Nem eu, nem você, gostaríamos disso, certo?

Alice, a avó, o tio... As frases invadiram os pensamentos de Isabella sem permissão e ela chocalhou a cabeça, tentando se organizar para falar algo com o mínimo de coerência.

– Algum dia, você vai superar o que aconteceu hoje, Rosalie. Dentro do seu tempo. Eu... Eu não posso mentir. Você vai superar, mas jamais vai se esquecer.

Isabella virou-se a tempo de ver os olhos verdes se fechando com força, uma única lágrima solitária escorrendo pela bochecha da menina.

– O que aconteceu, vai sempre te acompanhar, não importa o que faça para esquecer...

– Eu quero ficar sozinha – Rosalie murmurou e Isabella assentiu.

– Eu sei que quer. A única coisa que deseja agora é ficar sozinha. Mas as pessoas insistem em falar com você, não é? Conversar... A última coisa que você quer agora é dialogar e parece que ninguém é capaz de entender isso.

– Então por que está aqui? – A loirinha retrucou com ar choroso – Me deixe sozinha.

Isabella suspirou fundo, lutando contra os seus instintos que diziam para sair dali. Que lutavam contra uma exposição. Ela odiava a sensação, era como sentir-se nua, completamente aberta para todos os olhos curiosos.

– Porque eu sei o que você está passando.

Rosalie soltou um gemido doloroso e abraçou os joelhos.

– Não. Você não sabe.

Isabella levou sua atenção até o anel novamente, rodopiando-o em torno do dedo anelar.

– Sim. Eu sei por que passei por isso. A diferença é que, não havia ninguém para me ajudar.

Agradeceu mentalmente por não estar olhando para a menina e ver a expressão dela agora, no entanto o arfar alto que ouviu atrás de si, serviu de alimento para sua imaginação.

– Então, sim, Rosalie. Eu sei exatamente o que está passando pela sua cabeça. Tem vergonha, não tem? Vergonha de encarar o seu irmão, vergonha de encarar o Emmett... Como se você tivesse feito algo terrivelmente errado, como se algum momento eles fossem olhar para você e sentir nojo... Se sente suja, imunda, impura... Não é uma coisa que pode se resolver com um banho, porque mesmo se você arrancasse toda a sua pele do corpo, ainda assim não seria suficiente para cessar o sentimento. Como se os toques houvessem adentrado a sua carne...

– Você... Você se lembrou do que aconteceu?

Isabella suspirou, olhando para os verdes tristes.

– Sim. Me lembrei desde a hora que eu te vi naquele lugar, até... agora.

Os olhos de Rosálie fecharam-se, as sobrancelhas se franzindo.

– Desculpe...

Isabella soltou um murmúrio levemente irônico.

– Você não precisa pedir desculpas, Rosalie. Eu te disse, não disse? Não dá para esquecer. Nunca. Mas você pode superar.

– Você superou? – a pergunta a pegou de surpresa.

– De uma certa forma... sim.

Rosalie resmungou qualquer coisa, balançando descrentemente a cabeça.

– Como eu faço isso, Isabella? Superar... – Aquilo parecia tão fora de alcance para a menina.

Isabella encheu o peito de ar.

– Você que tem que descobrir isso, Rosalie. Não eu. Mas, é certo que deve reagir. Eu sei que você deseja passar a vida inteira nesse sofá, contudo você tem que enfrentar essa situação para conseguir sair dela.

Rosalie balançou a cabeça mais uma vez, incerta.

– Você quer melhorar, não quer? Você quer que a lembrança do que aconteceu hoje não machuque tanto... Você tem dois caminhos para seguir Rosalie: Vítima ou sobrevivente. Seja vítima e viva o resto da sua vida presa a esse acontecimento. Você deve olhar para isso e sentir orgulho de si. Afinal, você sobreviveu. Você é uma vencedora, uma lutadora. Use o que passou como força para continuar, e não o contrário.

A loirinha mordeu o lábio inferior, deixando que o restante da umidade em seus olhos descesse como lágrimas.

– Quantos anos você tinha?

– Quatorze...

A menina arregalou os olhos.

– Eu... eu sinto...

– Não diga! – Isabella repreendeu – Dizer que sente muito não ajuda, Rosalie. E agora, não faz mais tanta diferença.

– Eu quero ser forte como você. Quero superar como você superou, Isabella...– a loirinha murmurou e a criminosa lançou seu olhar ferino para ela.

– Jamais repita isso. Eu... Eu não administro essa situação muito bem. Eu tenho certeza que você pode ser muito melhor do que eu nesse quesito.

Rosalie simplesmente balançou sua cabeça em resposta.

– Eu... eu acho que quero tomar banho agora, Isabella.

A mafiosa sorriu, mesmo que o ato não mostrasse os dentes e fosse apenas um repuxar do lábio.

– Tudo bem. Eu vou chamar a Alice para te ajudar. – o semblante de Rosalie se fechou, afinal, ela queria que a Isabella a ajudasse. Era ela quem a entendia. Ela era quem veria seu corpo e não a encararia com nojo ou pena. – Está tudo bem, Rosalie. Alice é uma excelente pessoa. Ela me ajudou, mesmo que fosse pequena na época.

Mais tranquila, Rosalie aquiesceu. Porém, antes que Isabella pudesse sair de volta para o quarto, dois braços apertaram firme sua cintura. O rosto, emoldurado pelos cabelos cor de ouro, enterrou-se em seu colo.

– Obrigada, Isabella. – a voz abafada disse.

Rose a abraçava. Ela. Isabella. Os braços frágeis ao redor dela, agarrados como se ali residisse a sua salvação.

A mafiosa assustou-se quando percebeu que algo em seu peito também se contraía.

– Não foi... não foi nada.



~.~



– Edward, você tem que se controlar. – Alice tentava a todo custo parar o federal que ficava dando voltas ao redor do quarto.



– Como? Como eu poderia ter a merda de algum autocontrole depois do que você me disse?!

Alice revirou os olhos, no fundo feliz com a atitude masculina.

O Federal sentou-se a beirada da cama, finalmente aquietando-se, o que foi recebido por Alice de bom grado. Os cotovelos masculinos se apoiaram em seus joelhos, as mãos foram parar na cabeça, os olhos se fecharam duramente.

– Eu não acredito... Eu vou... vou matá-lo! Ele fez... ah... Isabella!

Um arranhar de garganta veio da porta, assustando os dois ocupantes do quarto. Era Isabella. Edward levantou-se rapidamente, seus instintos pedindo para pegar a mulher nos braços, acalenta-la, protegê-la. Porém Alice o conteve, lanço-lhe um olhar significativo.

Isabella juntou o que o federal dizia quando entrara no quarto com o comportamento dos dois agora. Os olhos verdes estavam, mais do que tudo, preocupados. Contudo, a única coisa que Isabella encontrou neles fora a pena, o nojo, o ódio. Afinal, seu cérebro tendencioso não enxergaria outra coisa.

Edward sabia.

Seus olhos flamejaram e ela olhou para a figura de Alice, como se pudesse extinguir a alma da baixinha.

– Você não tinha o direito – acusou, baixo e mordaz. Alice engoliu em seco.

– Bambola, por favor...

Isabella levantou a palma da mão.

– Rosalie precisa da sua ajuda para tomar banho. E eu preciso descansar, portanto, saiam do meu quarto!

Alice passou trêmula ao seu lado, tentando olhar para o seu rosto, mas Isabella mantinha os olhos cravados no chão.

– Agente Masen? – chamou, abrindo mais a porta.

Edward foi a passos lentos até ela, Isabella nem sequer olhava para ele. O homem resolveu por não respeitar a vontade dela totalmente, e com eficiência a puxou para os seus braços. A mulher, sem reação, permaneceu estática.

Edward se inclinou e beijou demoradamente a testa feminina, para então, finalmente sair do quarto, deixando uma Isabella terrivelmente confusa para trás.



~.~



Algumas horas depois:



– Que cara é essa, Edward? Não se preocupe. Rosalie acabou de pegar no sono! Ela vai ficar bem.


O Masen lançou um olhar para a sala constatando que sua irmã ressonava tranquilamente.

– Graças a Isabella. – Sorveu um gole da água gelada esperando que o líquido, de alguma forma, aplacasse a angustia que apertava o peito. Alice deu pequenos pulinhos aproximando-se dele.

– Graças a Bella! Bem provavelmente.

Edward fechou os olhos, tentou se concentrar em respirar profundamente. Chegou até mesmo contar até dez. Porém, nenhuma técnica conseguiria desvencilha-lo do misto de sentimentos que o atormentava.

– Eu sou um idiota! – Rosnou entre os dentes, batendo com força o copo com água na bancada de granito. O resto do líquido derramando-se sobre a superfície lisa.

– Idiota? – Alice repetiu incerta, como se assegurasse que aquela era mesmo a palavra – Okay Edward, você está me assustando.

– Quando cheguei ao beco, Isabella veio ao meu encontro. Ela estava apenas tentando ajudar, queria que eu tivesse calma com Rosalie. – ele balançou a cabeça, atormentado – Eu simplesmente perguntei se ela era uma psicóloga para saber como eu deveria me comportar... E... e que ela não tinha como saber o que era melhor para a minha irmã.

Alice entreabriu os lábios, sua mandíbula cedendo para baixo. Os olhos de um vívido castanho completamente surpreendidos.

– Mas, ela tem, Alice. Ela tem. Ela foi... – Edward fechou os olhos com força, recusando-se a enxergar as imagens que agora avultavam a sua frente. Imagens da sua Isabella gritando enquanto um homem...

– E não foi só isso. Eu estava com tanta raiva! Simplesmente não pensei no que estava dizendo... Queria colocar minhas mãos no responsável por aquilo, entende? Aquele merda do Charles Swan! Ela tentou defende-lo, Alice! Defender o homem que quis fazer mal para a minha irmã! Eu simplesmente perdi o controle... Eu... Eu disse que ela era uma mulher fria e sem sentimentos. – O federal fechou os olhos, dizer aquelas palavras novamente, mesmo que fora do contexto anterior, fazia com que ele quisesse lhe infringir dor física. – Eu já me desculpei, mas... Mas, eu não sei! Não sei o que fazer.

A agonia assumiu a sua forma humana. Era assim que a figura de Edward Masen poderia ser metaforizada. Todos os músculos rígidos, contraídos, extremamente tensionados. O maxilar trincado, os dentes cerrados, as mãos em punho. Os olhos verdes, todavia, destoavam de toda aquela conjuntura de raiva. Estavam completamente perdidos.

Depois de um longo tempo absorvendo o silêncio quase sepulcral que se instalou, Edward virou seu rosto perturbado, procurando pela feição de Alice. Não era ela que sempre tinha algo a dizer? O federal arrependeu-se de imediato quando mirou os grandes olhos chocolates, nenhum vestígio do ar de alegria juvenil que ela sempre portava.

– Eu não acredito – Alice limpou a garganta – Como pôde, Edward? Como pôde fazer isso na noite que ela mais precisava de você?

– Alice...

– Cale a sua boca e me escute! – Alice vociferou, assustando levemente Edward que nunca havia visto a mulher daquele jeito. Parecia até com Isabella. – Você tem noção do quanto a Bella deve estar sofrendo? Não sei se percebeu, mas ela desafiou a máfia para salvar a vida da sua irmã, Agente Masen! Uma menina que, até hoje, ela não tinha visto na vida!

Alice puxou os cabelos para baixo, presa em seu próprio fervilhar de pensamentos.

– Isabella desafiou Charles e sua corja única e exclusivamente por você!

Edward sentiu a pressão em sua cabeça aumentar. Claro que a última assertiva já havia passado por sua cabeça. Mas era outra coisa quando alguém expunha, de forma tão convicta, e em alto e bom som. Isabella desafiara Charles por ele. Ele não sabia se estava extremamente alegre por, de alguma forma, naquela noite, Isabella ter escolhido ele. Ou se sentia culpado por ter possivelmente defenestrado com suas atitudes qualquer possível abertura da mulher.

– Eu estava tão nervoso... – repetiu, mas para si mesmo do que para sua ouvinte. No entanto, Alice trincou os dentes com a declaração.

– É mesmo? E ai resolveu descontar seu nervosismo na única pessoa responsável pela sua irmã ainda estar bem e viva? Ainda não conhecia essa bela maneira de agradecer, Masen!

Alice deu um grito enfurecido, porém contido, já que Rosalie repousava adormecida no sofá da sala, e mesmo furiosa, a baixinha não era alheia a isso.

– Você nunca será capaz de imaginar o que a minha bambola está passando agora mesmo! Ela deve estar se martirizando tanto por traído o tio, a máfia... Deve estar maquinando uma maneira de se redimir... – Edward balançou a cabeça energicamente contra a ideia, a simples menção que Isabella poderia contatar Charles Swan lhe causando calafrios – E como se o fato de ter quebrado suas regras de conduta não fosse demais, ela ainda dele estar se lembrando do James.

Edward arregalou os olhos meio embaçados por lágrimas que se formaram, mas não caíram. Quem era James? Será que era... Não!

– Eu... Eu estava em casa naquele dia, embora não entendesse direito o que estava acontecendo. Ela gritou por horas, Edward. Horas trancada naquele quarto com ele... Eu achei que nunca iria acabar – Alice levou as mãos aos ouvidos, um gesto inconsciente e desejoso de calar os gritos em sua cabeça, andou de um lado para ou outro da cozinha.

– Você a vê manuseando armas, lidando com criminosos, o modo como ela luta, ou como tem a língua ferina... Enfim, você vê o lado “mafiosa” dela e pressupõe, erroneamente, que Isabella é forte. Ela não é, Edward. Bella é a mais fraca de todos nós. Sim, ela é uma mulher de fibra, mas não é de personalidade que estou falando agora. A bambola é... quebradiça, entende? A vida dela é um campo minado e qualquer passo em falso pode mandar tudo pelos ares... Por que acha que ela é tão maleável a Charles?

– Alice, eu...

A mais nova levantou a mão, impedindo o homem de prosseguir.

– Quando ela te conheceu foi a primeira vez que vi alguém arranhar os muros que construiu em volta de si mesma. Ela te deu um vislumbre da Isabella que esconde, mas você estragou tudo!

– Não...

– Amanhã ela estará fortalecida de novo. Armada e preparada para não deixar ninguém se aproximar.

– Não, Alice. – Edward segurou firmemente a tampa de granito da bancada, a cabeça movimentando-se em uma negativa — Eu não vou permitir.

A pequena levou a mão até os cabelos castanho avermelhados. Soltou um riso irônico.

– Não vai permitir? Como, Edward? Sendo que, em primeiro lugar, foi você quem "permitiu" que isso acontecesse?! Isabella vai voltar a ser a mulher fria e sem sentimentos, como você mesmo disse, mas dessa vez a culpa não é de Charles, nem dela. É sua!

Edward bateu as mãos em punho contra a bancada, e olhou furiosamente para a baixinha. Por que a hipótese o enraivecia daquela maneira? Por que não conseguiria coexistir consigo mesmo se o que Alice falava fosse verdade?

– Eu errei. Mas eu vou me redimir, Alice.

A baixinha bufou levantando uma mão, sua expressão mostrava o quanto ela achava a ideia estapafúrdia.

– Hoje foi o dia em que você mais precisou dela, e ela estava lá para você. O que parece que você ainda não se deu conta é que hoje, desde o dia em que se conheceram, foi o que ela mais precisou das suas palavras, dos seus gestos de carinho. Ela também precisou de você, Edward. Você estava lá por ela?

Então Alice saiu da cozinha deixando a pergunta pairando sobriamente na atmosfera densa. Edward sabia que tinha sido um idiota, e agora, mas do que nunca, tinha consciência disso. A culpa pesava em seu peito. Sofria unicamente por ter feito Isabella sofrer.

Moveu-se lentamente até a sala, vendo Alice já encolhida na poutrona em que dormiria. A baixinha abraçava as prórpias pernas, quase que totalmente tampada por um edredon.

– Alice?

Os olhos castanhos afetados mirraram os verdes do federal, mostravam tanta mágoa que por um instante o corpo de Edward estacou.

– Eu pensei que você era o homem certo para ela, Edward – Alice suspirou longamente, um claro som de pesar – Mas eu estava errada.


A declaração foi como um objeto pontiagudo o perfurando. Algo pesado comprimindo sua caixa toráxica, impedindo-o de respirar, impedindo o coração de bater.


O que ela queria dizer aquilo? Que ele não era bom para Isabella? Que ele só a faria mal? Que não saberia se comportar com ela?

Que não merecia estar ao lado dela?

Aquilo o incomodava tanto! Não sabia o que o afligia mais, se era o que fez, o fato de Isabella voltar a ser sem sentimentos por culpa dele, ou a suposição de Alice.

Porque Edward queria mesmo sem se dar conta. Queria com todas as suas forças, naquele breve momento, ser o homem certo para a sua Isabella.

Não! Ele não ia permitir que ela voltasse ao que era antes! Ele não ia permitir...

Determinado, rumou para o quarto de Isabella, e agradecendo pelo cômodo não estar trancado, adentrou o recinto. Ela ressonava na cama. Adora ve-la dormir. Não parecia a mafiosa ou a menina que sofrera tanto. Era apenas ela. A Isabella. Vestia uma camisola indecente que fez sua mente viajar pelo corpo dela. Era tão bonita...

Retirou os sapatos e a blusa com pressa. Ficando apenas com uma calça de moletom. Deitou-se o mais devagar que pode, mas sabia que seria praticamente impossível não acordar a criminosa.

Dito e feito. Olhos azuis meio sonolentos, mas nem por isso menos vivazes, se abriram para ele.

Isabella demorou alguns segundos para raciocinar o que estava acontecendo.

– Mas que merda você pensa que está fazendo? – ela bradou, tentando se sentar na cama, mas foi impedida pelas mãos do federal.

– Quietinha, Isabella. Você não pode fazer movimentos bruscos – ele disse, como se aquela acalentação realmente fosse surtir efeito na mulher – Minha irmã está com o sofa, a Alice em uma poltrona. Eu não tenho outro lugar para dormir.

Isabella cerrou os olhos para o homem.

– E eu estou na minha cama! Posso saber o que tenho haver com isso? Não! Eu mesma respondo: Nada. Se você ainda não reparou existe uma coisa chamada chão.

Edward balançou a cabeça. Em outra situação certamente começaria a rir. Mas não agora, com seus pensamentos tão conturbados, e a vontade de tomar a mulher que estava tão perto nos seus braços.

– Não acredito que me faria dormir no chão quando possui espaço de sobra nesse colchão.

Para a surpresa do federal, os olhos da criminosa se entristeceram. Ela pareceu muito cansada.

– Qual é o seu problema, Agente Masen? Quantas vezes eu lhe disse que não poderia dormir na minha cama? Por que insiste nisso? Você não respeita nada...

– Bella... Não... – Edward pegou o rosto dela entre as suas mãos – Eu respeito... eu...

– Você não tem noção de limites... Eu odeio isso em você. – ela balançou a cabeça – se não sair por bem, vai sair por mal!

A mafiosa tentou levantar-se, mas o movimento brusco trouxe uma fincada para a sua perna, e ela gemeu.

– Isabella? Está tudo bem? – Edward perguntou, preocupado.

Ela gemeu novamente, só que dessa vez era de pura irritação devido a sua incompetência para tira-lo dali.

– É só essa perna estúpida! Por favor, Federal... Não me obrigue...

– Escute! – ele a interrompeu – Você deixou bem claro que não dormiria comigo depois do sexo, porque isso era muito intimo, e... – o agente limpou a garganta – casal.

Isabella concordou, fazendo uma careta e balançando a cabeça.

– Nós não estamos dormindo depois do sexo, Isabella. Somos dois amigos que estão dividindo uma cama, não tem nada de casal nisso.

Isabella enrrugou a testa.

– Eu jamais seria sua amiga.

Edward revirou os olhos.

– É só fingir... Por favor, Bella. Eu estou tão cansado.

Ela podia ver as olheiras debaixo dos olhos dele, o semblante fechado. Suspirou pesadamente descubrindo que cederia... Não poderia acreditar que ia mesmo deixa-lo ficar ali.

– Tão cansado e... confuso. – Edward murmurou, perdendo os olhos pelo quarto.

A mafiosa engoliu em seco diante da cara de sofrimento do homem.

– Só dessa vez, Agente. Eu falo sério. E não tente alguma gracinha!– Isabella ditou e um sorriso triste nasceu nos lábios do federal – E chega para lá!



~.~



Alice manteve o ouvido colocado na porta do quarto até perceber que Isabella tinha aceitado dividir sua cama com o Masen. Desfez sua cara magoada prontamente, um sorriso despontando no canto dos lábios. Dançou alegremente, tomando cuidado para não fazer nenhum barulho, até a sala.



Quase não tinha conseguido dizer todas aquelas coisas para o federal, sabia que suas palavras apenas aumentaram a dor que o homem sentia, mas era necessário. Edward tinha que pensar em perder Isabella de vez para que pudesse reinvidica-la por completo.

Controulou-se para não gargalhar diante do plano maquiavelista que rapidamente traçara quando começou a ouvir o desabafo do homem na cozinha. Ela dera o ponta pé inicial para a rendição de Isabella! Tinha certeza!

Se aconchegou no acochoado da poutrona, puxando o edredon, mesmo que soubesse que estava alegre demais para poder dormir.

Não demoraria muito e Bella teria que se decidir entre seguir o coração ou a máfia. A pequena Alice abriu mais uma vez o sorriso silencioso, algo lhe dizia que Isabella ficaria com a primeira opção e sua intuição nunca falhava.



~-~




And I hate that I let you down



E eu odeio ter te decepcionado


And I feel so bad about it


E me sinto tão mal com isso


I guess karma comes back around


Eu acho que o carma vai voltar,


Cause now I'm the one that's hurting yeah


Porque agora eu sou a única que está sofrendo, é!


And I hate that I made you think


E eu odeio ter feito você pensar


That the trust we had is broken


Que a confiança que tivemos foi quebrada


So don't tell me you can't forgive me


Então não me diga que você não pode me perdoar


Cause nobody's perfect,


Porque ninguém é perfeito,


No, no, no, no, no, no, no, nobody's perfect, no!



– Nobody’s Perfect – Jessie J.



Federal e mafiosa acomodaram-se cada um em uma extremidade da cama, virados para os polos opostos. No entando, nenhum dois dois conseguia remotamente pegar no sono estando tão próximos assim.



Isabella respirou fundo, sabendo que talvez não devesse levantar o assunto. Mas depois de intermináveis minutos em silêncio, e sem conseguir descansar os olhos, ela queria pelomenos ter certeza do que pensara.

– Alice te contou, não foi?

Edward se assustou, virando-se na cama para olhar as costas da mulher.

– Sim... – ele disse, contento um rugido ao se lembrar. Não seja agressivo, Edward... Vá com calma.

Mais silêncio.

– Você... Você pode falar comigo sobre isso, Isabella. Se sentir-se a vontade. – O Federal aprumou o corpo, reconstando-se na cabeceira, torcendo para que aquele pedido fosse atentido pela mulher, que ela se sentisse bem em conversar com ele, sobre qualquer assunto.

Infelizmente, Isabella soltou uma risada debochada.

– Dispenso.

Edward fechou os olhos brevemente. Ele queria tanto que ela confiasse nele, que se abrisse com ele.

– As vezes quando estou nervoso, ou com raiva, eu falo demais. – Edward começou – Foi o que aconteceu hoje... Eu não queria falar aquilo. Eu não penso aquilo, Isabella. Eu só queria...

– Só queria descontar a sua raiva em alguém. Eu sei. – ela disse, virando-se para encarar o agente.

– Eu me arrependo, Isabella. Se eu pudesse voltar no tempo eu ficaria ao seu lado, linda. Mas eu prometo, isso jamais vai se repertir.

Ele a olhou longamente nos olhos.

– Você me perdoa, Isabella?

Ela mordeu o interior de suas bochechas.

– Vai bater nessa tecla de novo?

– Eu preciso saber! – Edward lançou a intensidade do verde vibrante sobre ela, quase fazendo com que a mulher arfasse descaradamente. – Eu confio em você, Isabella.

A confissão pegou a mulher de baixa guarda.

– Eu confio em você. – repetiu – E eu queria tanto que confiasse em mim, ou melhor, eu queria que você soubesse que pode confiar em mim.

A mulher fechou os olhos por um breve instante, calculando o valor das palavras.

– Você me perdoa, Bella?

Ela balançou a cabeça, não tinha a mínima ideia do que dizer. Não sabia como fazer aquilo... Nunca teve que perdoar alguém antes, pelo menos, não daquele modo.

– Não me faça responder, Masen...

– Eu preciso saber.

– E eu preciso dormir. – retrucou.

– Por favor? – Isabella estava terrivelmente amendrontada pelas palavras dele. Ele pedia perdão... ele dizia que confiava nela... Virou-se na cama, dando as costas novamente para Edward, uma das poucas atitudes convardes que já tivera ao seu lado.

– Isabella, por favor? – O federal tentou mais uma vez.

A mafiosa suspirou profundamente.

– Boa noite. – murmurrou apressada, e encolhendo-se no canto da cama deixou o federal sozinho com seus pensamentos.

Ela não disse. Não disse que o perdoava. Não disse que confiava nele, nem que fosse ao menos um pouco.

O federal quase socou a cama de pura frustação, embora sua vontade fosse socar ele mesmo. Por que ele era tão incompetente? Por que não conseguia passar segurança para a mulher ao lado? Ela sempre está com um pé atrás, raramente se entrega totalmente...

Talvez... Alice tivesse razão. Talvez, ele não fosse... Merda! Não! Preferia ser torturado a pensar nas palavras da baixinha novamente, mas era inevitável. Será que ele tinha acabado ainda mais com Isabella? Será que suas atitudes não foram o empurão que ela precisava para voltar para debaixo das assas de Charles Swan?

Aquele fodido! Maldição!

O que ele faria agora?

Merda!

Edward passou vários e vários minutos ali, torturando-se, ocupando-se com os seus pensamentos. De tão compenetrado que estava, ele não percebeu que a mulher ao seu lado se mexia, já entregue ao sono pronfundo. O federal apenas despertou quando o contado pele com pele queimou em seu peito, trazendo-lhe uma sensação boa e reconfortante.

Olhou aturdido para baixo, e encontrou a mão branquinha de Isabella encostada ao seu peito, as unhas pintadas de preto passando devagar e esporadicamente pelo seu peito desnudo. Olhou a face da mulher, e tinha certeza, ela estava dormindo.

Para o espanto ainda maior do federal, Isabella aconchegou sua cabeça em seu bicepis, quase a altura do ombro. Ainda desacreditado, mas estranhamente feliz, passou o braço em que ela se encostava pelas costas cobertas pela camisola violeta. Um pedido mudo que a Isabella adormecida prontamente respondeu, subindo mais, aconchegando a sua cabeça confortavelmente no vão do pescoço de Edward. O gesto o lembrava uma felina manhosa, e era exatamente o que sua Isabella era.

Acariciou lentamente o ombro dela com a mão, prendendo-a contra si. Não sabia explicar o que sentia. Mas era bom.

Isabella procurou por ele adormecida, ressonava agora tranquilamente em seus braços, a mão repousada sobre o seu peito. O que aquilo significava?

De repente, o federal se viu tomado por uma esperança que nem sabia possuir. Talvez, em algum canto da mente feminina, mesmo que escuro e de dificil acesso, ela confiava nele. Ela se aconchegava a ele. Ela o perdoava.

E para o federal, naquele momento, essa quase certeza bastava. Ele poderia trabalhar com aquilo e, um dia, Isabella poderia encostar-se nele daquela mesma forma, porém com os olhos azuis bem abertos e conscientes.

Beijou o alto da cabeça dela com cuidado, o calor e o perfume feminino entrando em seu sistema, o alcamando, permitindo que seu corpo e mente finalmente descansassem.


Notas finais
Me adicionem no face, sempre rola spoilers de RDS por lá: https://www.facebook.com/olivia.oliveira.31521

E, COMENTEM!!!

beeeeeeeeeeeeijos