Rede De Segredos

11 Capítulo 11 - Parte I


Notas iniciais
Olá queridas(os) leitoras!!!!! hahaha
Queria agradecer todos os lindos comentários que recebi, que já estão respondidos!

Dedico o capítulo de hoje para as lindas VITH, e LU NANDES! Amei as recomendações meninas, fiquei dando pulinhos de felicidade aqui! Muito, MUITO obrigada, MESMO! Sem palavras para agradecer devidamente!

Bom, não mais enrolarei, boa leitura!

E ah, leiam as notas finais!

Por volta das duas e meia da tarde, Emmett McCarty encontrava-se encostado na lataria de seu carro enquanto espera que Rosalie fosse chamada dentro da intimidadora mansão Masen. Achou-se patético por desejar por um mísero momento que ela não se encontrasse em casa. Culparia o próprio Edward caso perdesse a cabeça. Afastou os pensamentos, deixando que as cenas que habitavam seus pensamentos nos últimos dias passassem por seus olhos.



“ – Okay. Para mim já chega. Estou mudando de canal antes que você hiberne no sofá – a lourinha declarou convicta, pegando o controle remoto e mudando para um canal que passava uma luta livre.



– Ei! – O grandão exclamou – Eu estava até gostando!



Rosalie olhou incrédula para Emmett.

– Você estava gostando de uma série de ‘menininhas’ ? – Ela disse, fazendo aspas com os dedos finos da mão pequena.

– Eu já estava quase sacando quem era essa tal de “A”! Fechei os olhos para pensar claramente! – Emmet levantou uma sobrancelha em desafio.

– Sem essa, guarda costas! Eu assisto esse show desde a primeira temporada e ainda tenho milhares de teorias!

Ele se aproximou da figura feminina, o rosto adquirindo uma expressão de divertimento.

– Você não trabalha para o FBI! – Finalmente disse, fazendo com que os dois começassem a gargalhar. Rosalie levantou-se do sofá.

– Onde você vai?

– Pegar uma cerveja! – Ela percebeu o olhar que ele lhe lançava – Relaxa, é para você. Não pretendo por algo alcoólico no meu sistema por um bom tempo.

Emmett observou a silhueta feminina ir para a cozinha e suspirou ruidosamente. Se lembrava de Rosalie como uma adolescente com corpo ainda de criança quando Edward os apresentou, alguns anos atrás, na época em que Emmett ainda era um policial comum. No entanto, a garota que estava naquele apartamento era praticamente uma mulher feita. No tamanho, ela não mudara nada, continuava pequena. Mas, em compensação, ela crescera exatamente nos lugares certos.

Balançou a cabeça querendo banir aqueles pensamentos. Não poderia pensar na irmãzinha de Edward daquela maneira.

– Aqui está, senhor pensativo. Ainda queimando massa cinzenta para descobrir o vilão da história?

Emmett pegou cuidadosamente a cerveja das mãos femininas para que não houvesse contato. Tentou rir no processo.

– Posso te perguntar uma coisa? – ela pediu inocentemente, corando. O homem simplesmente balançou a cabeça pensando porque diabos achava isso lindo nela. Estava virando mulherzinha agora?

– Quantos anos você tem? – Emmet olhou para ela receoso. Por que estaria interessada em sua idade? – Me desculpe, é que você é tão... imenso! E tem uma carinha de criança. Eu fiquei curiosa.

– Tenho 22. Mais ou menos.

Rosalie franziu o cenho.

– Como assim, mais ou menos?

– Não sei bem quando nasci. Fui adotado, Rosalie.

Ela fez uma careta.

– Rose. – corrigiu – E eu não sabia disso...



Foi arrancado da lembrança quando ouviu uma voz conhecida o gritando. Rosalie atravessava o jardim correndo e logo passou pelo portão de ferro. Sem diminuir o ritmo praticamente pulou contra o peito de Emmett, fazendo com seus pés saíssem do chão. Foi sustentada pelo braço enorme do moreno ao redor de sua cintura. O McCarty fechou os olhos quando o perfume doce dela o invadiu. Descansou o nariz no topo da cabeça feminina e com a mão acariciou os fios loiros cacheados.



Ela chorava.



– Meu irmão Emmett – ela fungou – Meu Edward.

Emmet revisou toda a história em sua mente para que não se esquecesse de nada, e rezou para encontrar um jeito fácil de falar sobre aquilo, não poderia evocar dúvidas de que Edward a abandonara, isso seria um golpe doloroso na pequena que conviveu vários anos sem saber lidar com o sumiço do pai. Surpreendeu-se querendo que as lágrimas e o choro sentido cessassem, e olhando para baixo, para a pequena e linda menina sem barreiras nos seus braços, percebeu que estava definitivamente fudido.



– X -



– Eu quero tudo o que você puder encontrar em nome de Isabella e Alice. Qualquer coisa, nada é irrelevante. E ah, cancele o cartão de crédito da minha sobrinha, mesmo sabendo que ela é esperta demais para usa-lo. Providencie espiões em frente ao apartamento dela vinte e quatro horas por dia.



– Sim, senhor – o homem respondeu do outro lado da linha. – mais alguma coisa?



Charles pensou por um momento, assistindo a magricela Jane entrar em seu escritório, tremendo e com um envelope a mão.

– Na verdade sim. Quero tudo sobre Rosalie Masen, irmã desse agente do FBI. Seus horários, seus gostos... Absolutamente tudo.

– Claro senhor. Tenha um bom di... – Mas Charles desligou antes que o outro homem acabasse de falar.

– O que foi dessa vez Jane?

A menina se desconcertou e estendeu o envelope pardo.

– Um homem disse que o senhor tinha que receber esse envelope agora... O porteiro tinha ido ao banheiro e eu mesma fui recebê-lo. Ele... Ele me ameaçou quando perguntei do que se tratava, mas os seguranças estavam por perto.

Charles revirou os olhos.

– Pena que não tenha cumprido com a ameaça. Você não faria falta nenhuma nesse mundo. Agora, saia. – Charles mandou, fazendo com que a assustada Jane praticamente corresse porta a fora.

O Swan analisou o envelope, e teria congelado se fosse alguns anos antes, quando ele não era feito totalmente de pedra.

No canto superior do envelope duas letras bordadas elegantemente chamavam a atenção.

C.C

Abriu o envelope rapidamente, e dentro encontrava-se uma única foto. Uma foto de sua Isabella, juntamente com o agente Edward Masen, em frente ao galpão de drogas. Passou não mais do que um minuto e o celular de Charles tocou. Ele já sabia quem era.

– Pode me explicar o que significa isso?

Charles riu, não se intimidando com o tom do outro. Afinal, quem ele pensava que era frente ao chefão da máfia italiana?

– Deveria? Não vejo como isso pode ser de seu interesse, velho amigo. Você anda muito sumido!

O homem do outro lado respirou fundo antes de continuar, decidindo por ignorar a provocação.

– O que eles estão fazendo juntos? Ou melhor, o que a sua menina está fazendo com Edward?

– Vou refrescar a sua memória: Isabella é uma criminosa, Masen um policial, o que você acha que ela pretende com ele?

– Você não ousaria...

– Foi ele quem procurou por isso.

Foi a vez do homem do outro lado soltar uma gargalhada sonora.

– Eles não parecem estar em clima de matança julgando pela foto, meu caro.

Charles concordava, e se perguntou se um dia Isabella acreditou que o mataria.

– Ela está apenas sondando... Mas você conhece minha menina, ela vai mata-lo. Nada pessoal... Ele sabe demais.

– Faça isso e eu acabo com a sua vida de todas as maneiras possíveis, Charles.

O mafioso levantou as duas sobrancelhas, surpreso pelo ataque explícito.

– Estou ansioso por isso, Carlisle.

– Espero que se lembre antes de prosseguir, “Charly”: Eu também sei demais. – e desligou.

Charles Swan fechou os olhos brevemente e tentou relaxar em sua cadeira. Isabella não deveria contesta-lo, não deveria ficar paralisada na frente de Edward Masen. Ele não a criara para isso, ela era imune a esses laços humanos. Não poderia ter falhado! Sabia que tinha que agir rápido, pois sentia que estava perdendo-a lentamente. E isso, ele jamais permitiria.

Afundou-se mais no couro da cadeira, e deixou que sua mente zapeasse pelas lembranças de alguns anos atrás.



– Tio Charles?



O homem olhou para a porta e viu a menininha com o rosto para dentro do seu escritório, a franjinha caindo pelos olhos. Tinha um semblante perspicaz e um sorriso no rosto que evidenciava as covinhas. Ela era uma princesa, e aquele jeitinho o lembrava de alguém que gostaria de esquecer.



– Estou ocupado, Isabella. O que você quer agora?

Ela fez um muxoxo e arrastou os pezinhos pelo carpete felpudo do escritório. Charles não pode deixar de notar que ela ficava quase irresistível daquele jeito. Teve vontade de pegá-la no colo e deixar os papéis que lia para depois... Tirar o dia para dar atenção à menininha. Mas não se deixaria levar por esses sentimentos. Não mais.

– Só queria mostrar pro Tio Charles o quebra cabeça que a Isa montou!

– Um dos inúmeros quebra cabeças de fadinhas e princesas? – O Swan bufou, não necessitava ver tudo aquilo de novo.

– Não. Isa não gosta deles... – ela brincou com a florzinha da saia jeans – São bobos.

Charles bufou, cansado.

Va bene,* Isabella. Mostre-me de uma vez.

A garotinha fez uma careta.

– Isa não consegue trazer, é muito grandão! – Ela esticou os bracinhos o máximo que podia, tentando dar sentido a palavra. – Pequei e montei na biblioteca!

O coração de Charles perdeu uma batida. Ela não estava falando do seu quebra cabeças da criação de Adão de Michelangelo, estava? Aquele quebra cabeças tinha mil peças! Ficou horrorizado pensando nas peças fora do lugar, estragadas pelo encaixe incorreto, e perdidas pela casa. Poderia ter trancado o ambiente, mas quando pensaria que uma criança de 4 anos como ela se interessaria por invadir uma biblioteca?

– Você deve ter destruído tudo! – Ele gritou, andando rápido, fazendo com que a garotinha corresse atrás dele.

– Isabella não estragou nada! – Disse sôfrega e emburrada, entrando pela grande porta da biblioteca logo após o tio. Charles parou estupefato encarando o chão.

– Não estragou! Isa não estraga nada! – Ela bateu o pequeno pezinho, chamando a atenção do tio para si.

O quebra cabeça estava completo. As peças em seu devido lugar. E o que surpreendeu ainda mais Charles era que a menina não tinha gastado nem quatro horas com aquilo.

Depois de semanas de amargura, ele sorriu. Isabella era um presente concedido a ele. Aquela garotinha a sua frente não seria simplesmente útil, ela era o próprio futuro da organização, a única coisa que Charles tinha que fazer era molda-la ao seu jeito. Sorriu mais abertamente, pelo menos o universo lhe dera algo em troca.

– Muito bem, Bambina. – O mafioso disse, bem baixinho, ainda olhando para o quebra cabeças.

– A Isa disse! Sabia que o Tio Charles ia gostar.

O homem franziu o cenho.

– Pare de chamar a si mesmo de Isa, seu nome é Isabella.

– Mas, você disse... – a menininha olhou para ele confusa e tentou articular as palavras corretamente – Que sempre me chamaria de Isa porque você era diferente e não me chamaria de Bella, igual todo mundo...

Charles engoliu seco, o ódio o fulminando por dentro. Aquilo ia ser mais difícil do que imaginava...

– Pois você pode esquecer tudo o que eu te falei até hoje, Isabella. Você vai começar uma nova vida agora.

A menina elevou um pouco a voz.

– Isa...Isabella não quer outra vida. – ela sentou no chão e começou a alisar o quebra cabeças – To com saudades da mamãe...

Os olhinhos azuis se voltaram para o tio e Charles paralisou.

– Eu queria mostrar para o papai – ela voltou a olhar para o seu trabalho – O tio Charles acha que ele ficaria orgulhoso da Isabella?

Então todo o peito de Charles se aqueceu, um sentimento forte o tomando por completo. Teve vontade de trazer Isabella ao seus braços e consola-la. Mas assim que percebeu o que passava pela sua mente, tratou de enterrar o pensamento. Não se levaria mais por sentimentos, e por mais que doesse era hora de Isabella aprender isso também. Era para o bem dela.

– E você sabe onde ele está agora, Bambina?

Isabella balançou os pequenos ombros, mas quando voltou a falar, estava quase feliz.

– A vovó disse que ele foi dormir com as estrelinhas, e fica o tempo todo me olhando de lá junto com a mamãe. A vó sempre me mostra ele no céu de noite, eu converso com ele.

Charles Swan agachou-se a altura de Isabella.

– Mas ele não te responde, não é? Sabe por que ele não te responde?

A menina olhou receosa, e balançou a cabeça negativamente.

– É porque ele não está lá, Isabella. Ele não virou uma estrelinha – Charles sibilou – Ele não existe mais, não adianta procurar por ele. – O silêncio tomou conta do local, como uma pausa que sempre é dada antes do “le grand finale” — Ele morreu, Isabella.

– Mor... reu? — Ela perguntou, as lágrimas transbordando pelos olhinhos arregalados.

– Sim. – Charles continuou, tentando não se abalar – Ele foi parar em baixo da terra, onde vai virar pó. Entende isso?

A menininha abraçou os joelhos com as mãozinhas, soluçando um chorinho sentido.

– E a ma.. mãe? Ela também não volta?

Charles parou por um momento, recuperando-se.

– Ela foi ficar junto dele, Isabella. Sua mamãe o preferiu. E agora ela também virou um nada.

A menina colocou as mãozinhas nos ouvidos.

– É mentira sua...

Charles a sacudiu, fazendo olhar para ele.

– Eles foram assassinados Isabella. Mataram seu papai e sua mamãe, e você tem que saber disso... Você estava lá.

– Não! – ela gritou, chorando ainda mais.

– BELLA! – Irina gritou da porta, e a menina correu em direção a ela, afastando-se o mais rápido que pode do tio. Abraçou as pernas da avó, enterrando o rostinho no tecido fino.

A matriarca afagou os cabelos da neta, olhando furiosa para Charles.

– Você perdeu a cabeça? Como pode?... – ela o repreendeu, seus próprios olhos formando as lágrimas, mesmo que a fúria se sobrepusesse a qualquer sentimento – Vamos, querida. Vamos para o seu quarto, sim?

Charles sentou-se na primeira cadeira que viu pela frente, e levou as mãos até os cabelos. Não fora desprovido de dor que fizera aquilo, mas fizera porque se tornou necessário. Isabella seria forte, uma verdadeira máquina, mesmo que isso destruísse o que tinha restado dele por dentro.

Naquela noite, bem como em todas as seguintes, Isabella Swan não olhou para as estrelas.



Charles odiava o que estava prestes a fazer, não era aquilo que imaginara, mas não poderia perdê-la... Suas alternativas estavam se acabando. Discou um número conhecido com certo pesar.



– Black.



Charles suspirou.

– Eu aceito sua proposta, Jacob.

O moreno soltou uma gargalhada do outro lado da linha.

– Isso sim é uma boa notícia, Senhor!

Charles revirou os olhos.

– Quero que comece o mais rápido possível.

– Nem precisava pedir isso, Swan. Marque para o fim da semana, em sua casa. É bom para você?

– Está ótimo,Black. – e sem mais delongas, ou despedidas Charles Swan desligou.



– X -



Edward escrutinou mais uma vez a figura feminina que não desgrudava os olhos da janela nem por um momento. Em nada se parecia com a mulher que esteve completamente entregue em seus braços na madrugada, apenas algumas horas atrás. Na verdade, desde que os caminhos dos dois se cruzaram Edward não a vira mais distante do que agora. E ele estava profundamente incomodado com o fato de estar preocupado com isso.



Balançou a cabeça querendo desvencilhar-se de tal ideia. Onde já se viu? Preocupar-se com Isabella Swan, praticamente uma dama de ferro encarnada. O quão idiota era aquilo? Porém ele simplesmente se sentia assim. Ela é um problema que ele era compelido a resolver, mas quanto mais se empenhava atrás da solução, mais se embreava com as variáveis.



Nervoso, passou as mãos pela barba de dois dias, encarando mais uma vez a impassibilidade da mulher. Como ela conseguia aquilo? Era sempre tão cheia de si quando abria a boca, dona de uma personalidade forte, e ainda sim, especialmente naquele momento, parecia extremamente frágil. Edward não soube dizer se foi pelo modo com que ela encarava as construções que passavam pela janela do carro, o olhar perdido. Ou se foi pelo modo com que seu dedo indicador brincava com o anel que se encontrava no anelar... Ela parecia danificada... Edward queria saber mais sobre o seu passado, e como ela teria adquirido aquela postura tão incomum.

Querendo causar qualquer mínima alternância no estado da mulher, assim que o taxi virou em uma curva qualquer, comentou:

– Falei com um parceiro meu usando o seu telefone hoje.

Funcionou melhor do que imaginara. Isabella voltou-se para ele, retirando os óculos escuros com os dedos angulosos, olhando-o com atenção. Edward pode vislumbrar mais uma vez o roxo escuro em baixo dos olhos frios. Ela não teria dormido bem aquela noite? Mas, como? Ele mesmo, depois da noite que compartilharam, dormira o sono dos justos e levantara completamente descansado.

– Que horas? – ela perguntou.

– Logo depois do almoço, você tinha ido ao banheiro. – a mulher simplesmente murmurou um “ah”, mas antes de tornar-se a virar para frente, prolongou o contado visual com ele.

– Ele disse que a imprensa não será mais um problema – abaixou o tom de voz, para que o taxista não o escutasse – Houve um atentado hoje pela manhã em Boston, dois malditos eclodiram bombas na maratona anual. O FBI vai resolver meu caso na surdina, não quer mais um problema circulando pela mídia.

Isabella permaneceu alguns segundos em silêncio, para depois murmurar um breve ‘muito bom’.

– Muito bom? – Edward perguntou ironicamente. Sua cidade, seu país sofreu um atentado, Isabella. Como isso pode ser bom?

O Federal conseguiu a atenção dela mais uma vez, que virou-se para ele com a sobrancelha arqueada.

– Eu deveria saber... Você é um tipo de americanozinho exemplar. Deve sustentar o discurso de que os primeiros colonizadores foram trazidos para cá graças a intervenção divina, não é? Novidade para você, Federal, seus primeiros colonos eram figuras que foram praticamente enxotadas da Inglaterra a ponta pés! Religiosos perseguidos e camponeses sem onde trabalhar. Nada muito divino se quer saber. Além do mais, posso ter vivido aqui a maior parte da minha vida, mas não sou americana, Agente Masen. Eu sou italiana. E francamente? Desde que não atrapalhe os meus negócios eu estou pouco me lixando para o que acontece com a porra do seu país.

– Isabella... – Edward começou a falar, com tom repreensor, mas a mulher simplesmente o ignorou.

– Você devia deixar esse patriotismo de lado por um minuto, e pensar racionalmente. É excelente para a nossa situação que algo assim tenha ocorrido! É uma coisa que eu pensaria em fazer...

Edward arregalou os olhos, o pomo de adão subiu e desceu.

– Você... Você não...

Isabella riu, uma risada que se fosse verdadeira, passaria até por puro divertimento.

– Relaxe, Agente Masen. Não tenho nada relacionado a esse atentado. Não ousaria ferir a sua terra da liberdade.

Edward suspirou aliviado pois sabia bem ler a verdade por trás daquelas palavras. O taxi parou, e Isabella o pagou, saltando para rua apressadamente logo em seguida. Eles tinham retornado a Boston.

Andou pela calçada, com Edward ao seu encalço. O federal, farto daquela falta de explicações por parte da mulher, resolveu contesta-la.

– Isabella, já passou da hora de me informar o que planeja.

A mulher bufou, virando à esquina, adentrando uma rua sem saída, de odor fétido.

– ISABELLA! – Edward aumentou o tom de voz, e a mulher parou, no entanto, não olhou para o federal.

Depois de alguns poucos segundos ela foi capaz de sentir a presença do Masen alguns milímetros atrás de seu corpo. A respiração masculina batendo de encontro a bochecha bem esculpida dela, fazendo com que seu estado de espírito fosse tomado por uma espécie de letargia, e que sua mente lutasse para assumir o controle.

Não poderia ficar a mercê do homem toda vez que esse decidisse chegar perto.

– Olhe para mim, Isabella... – Edward disse mansamente, mas a mulher soube ler a ordem incutida ali. Se ela não se virasse ele mesmo o faria.

Sem escolha, girou em seu próprio eixo para encontrar os olhos decididos do Federal.

– Conte-me para onde vai nos levar, Isabella.

A Swan fechou os olhos absorvendo as palavras. Ela deveria manda-lo para longe dali, informar que ela não é do que tipo que “trabalha” em conjunto, falar para ele próprio armar um esquema de proteção para si. Mas, antes que ela pudesse perceber, as palavras já saiam por seus lábios:

– Posso confiar em você?

Se Isabella pudesse recolher qualquer coisa dita em toda a sua vida, certamente seria a última frase. Aquela não era uma pergunta típica dela e se negava a acreditar que realmente tais palavras saíram pela sua boca.

Edward levou as mãos até cada lado do rosto feminino, Isabella tentou desvencilhar-se, pois sentia que aqueles olhos dele eram capazes de ler sua alma, e existiam coisas ali que não gostava de compartilhar consigo mesma, quem dirá com terceiros. Mas o Federal não permitiu que ela escapasse.

Ela sentiu uma mecha de seu cabelo ser posta para trás da orelha e assistiu ao homem proferir:

Eu posso confiar em você?

Isabella revirou os olhos.

– Retrucar a pergunta não vai nos levar a lugar nenhum, Federal. – disse provocativa.

Edward olhou para o rosto feminino, querendo gravar cada detalhe.

– Você não sabe responder, não é? – Ele sorriu brevemente acariciando a bochecha levemente rosada com o polegar, Isabella processou aquilo como um gesto de carinho, e mesmo que fosse um eufemismo dizer que não era dada àquelas coisas, sentia-se estafada demais para reprimi-lo. — Confiança é uma via de mão dupla, vem com o tempo e é preciso ser conquistada. É medida com ações, e não com palavras. Eu sou uma pessoa confiável, Isabella. Mas não faria sentindo nenhum que eu respondesse sim a sua pergunta, porque ainda não me conhece, e eu ainda não conheço você. A única coisa que posso dizer é que estou sendo honesto agora.

A mulher embeveceu-se com as palavras do federal, mesmo que jamais admitisse. E apesar de conseguir ler a verdade através das palavras, não controlou a sua língua pronta para destilar veneno.

– Honesto como no dia em que gravou a nossa conversa?

Ao contrário do que pensou, Edward simplesmente riu.

– Eu não tinha dito que não tentaria te prender antes.

A mulher posou as mãos na altura dos quadris, fazendo com que o federal colocasse a suas próprias nos ombros femininos. Queria vê-la melhor.

– Então é isso que está dizendo agora? Não pretende usar nada do que aconteça a partir de agora contra mim?

A mandíbula de Edward se tencionou, o pomo de adão subiu e desceu mostrando para a mulher que ele engolia em seco. Isabella percebeu que tinha tocado no ponto, mas o que não sabia era que o federal tinha ficado daquela maneira por um motivo totalmente diferente do que ela achava.

– Isabella – ele começou, sustentando o olhar – Eu entreguei aquela gravação para algum superior?

– Não... – ela respondeu simplesmente, dando de ombros.

– Ai está a sua resposta. Apenas, não me pergunte o por que. – Edward voltou as mãos para o rosto dela – Porque... Sinceramente? Eu não sei.

Antes que ela pudesse se dar conta o homem se aproximou de sua boca. Mordendo seu lábio inferior. Provocando-a. Mas ela o empurrou delicadamente com a mão. Ainda tinha a conversa de telefone que ele trocara muito nítida em sua mente. Perguntou-se se era hora de jogar-lhe na cara que tinha ouvido... Mas olhando para os olhos confusos a sua frente, ela simplesmente se distanciou para o lado, remexeu em sua bolsa e pegou um chaveiro com três chaves. Abaixou-se em frente da porta de aço, utilizando duas das três chaves para abri-lo, o que fez o federal pensar para que serviria a outra chave.

A porta se abriu para cima, parecia um tipo de garagem, e assim que Isabella acendeu a luz puxando uma cordinha do teto, o federal prendeu a respiração. Estava diante de um Impala 67 preto, tudo bem que estava bem usado e empoeirado, mas aquele carro era um clássico.

– Homens, todos iguais. – Isabella revirou os olhos – Vai ficar ai criando raízes, ou entrar para saber o que planejei?

Edward fez o que ela disse, entrando dentro da garagem, e Isabella fechou a porta de aço logo em seguida, para depois abrir o porta malas do carro e remexer em uma bolsa. Eram roupas.

– Nunca pensei que teria alguém aqui comigo... – Isabella bufou – Mas isso deve servir.

Ela jogou um boné e um agasalho para Edward. Ambos estavam surrados, e visivelmente eram de segunda mão. Se passar por pobres era o plano dela?

Vendo a pergunta muda no rosto do federal, Isabella murmurou de má vontade:

– As pessoas se vestem mais ou menos assim para onde vamos. Seria interessante que pudéssemos nos misturar – disse, utilizando de sarcasmo.

Edward ficou tentado para perguntar que lugar era esse, mas não perderia antes a chance de fazer uma pequena provocação com a mulher.

Vamos? Isso quer dizer que você decidiu me levar junto?

Isabella voltou seu rosto para ele, os olhos em fendas.

– Não. Me. Teste. Federal.

Edward colocou as mãos para cima, rindo debochado. Começava a compreender o jeito que Isabella se portava e sabia pelo comportamento dela dentro do taxi, pela pergunta inesperada e, principalmente, por ela não ter se entregado ao seu beijo como sempre, que alguma coisa estava errada.

Edward prometeu a si mesmo, que não dormiria naquele dia sem descobrir do que se tratava.

Notas finais
*Va bene: Está bem, certo, que seja...

Tive que dividir o capítulo em dois porque, além de ficar gigante, eu demoraria ainda mais para postá-lo! E eu sei, eu sei... Não tivemos muito do nosso casal, mas no próximo capítulo em compensação... hahahaha

Por que será que eu sinto que nos comentários surgirão muitas teorias depois dessa primeira parte do capítulo???

FASTAMINHAS, COMENTEM! Juro que não há efeito colateral! Só ajuda a autora a ficar mais inspirada! (e os capítulos a saírem mais rápido)

Super beijos!