Red Soil
3 Chapter Three.
Notas iniciais
Oi, assassinos da Koala, oi : D Q
Estava escuro.
-Tem alguém aí?- disse, ouvindo apenas o eco de sua voz.
Ninguém respondia.
Ouviu passos atrás de si.
Se virou. Não tinha ninguém. Começou a entrar em pânico, chorava angustiado. Queria sair dali, queria se libertar.
Queria acordar.
-Kaoru-kun! Kaoru-kun! – sentiu seu corpo ser sacudido. Não pensou duas vezes, agarrou quem o chacoalhava, choramingando.
Daisuke retribuiu o abraço. Seu primo gritava, estava tendo um pesadelo, achou melhor acorda-lo. Kaoru se apegou ao outro garoto, desesperado, escondendo o rosto em seu pescoço.
O mais novo se sentou na cama, mantendo o abraço com o loiro.
-T-tá melhor?
Esses tipos de pesadelo eram cada vez mais freqüentes.
Kaoru não respondeu. Só de saber que estava abraçado com o primo que detestava, já estava morrendo de vergonha, não queria olhar na cara dele, muito menos falar com ele.
Daisuke não sabia o que fazer. Se soltava o primo ou se continuava abraçado com ele. Nem precisou pensar muito, Kaoru o empurrou.
-E-estou melhor. – o mínimo que podia fazer era se desculpar pelo inconveniente. – Gomenasai, Daisuke.
-Tem certeza? – o moreno se inclinou, tentando ver, mesmo no escuro do quarto, o rosto do primo, que mirava o colchão. – Não quer nem um copo d’água, leite...?
-Sim, estou bem. – continuou com o rosto baixo, se desviando de qualquer olhar do primo.
Daisuke sentiu um aperto no peito. Tinha medo de que o primo que tanto gostava, embora o sentimento não fosse recíproco, não estivesse bem.
-Quer que...Eu fique aqui com você até dormir de novo?
-N-não...Não precisa. – Kaoru suspirou. – Pode voltar a dormir, Daisuke, eu...- fora interrompido pelo sorriso tênue que surgir nos lábios carnudos do primo, gentil. — Mas então, pode ir dormir. Eu to bem.
-Então ta. – Daisuke suspirou, contrariado, trocando o sorriso por um bico. Arriscou um beijo no rosto do primo e voltou a se deitar no tatame.
Kaoru ficou sentado na cama ainda por alguns minutos, sentindo o rosto molhado pelos lábios úmidos do mais novo. Não sabia o exato motivo do por que Daisuke beijara seu rosto, talvez fosse algo como um ‘se cuide’, mas...
O loiro balançou a cabeça, suspirando. O sono já estava atacando-o de novo, que os pensamentos ficassem para de manhã. Voltou a se deitar, se cobrindo e puxando o travesseiro para si, o abraçando.
Daisuke acordou na manhã seguinte, por volta das nove da manhã.
Coçou os olhos e se sentou sobre o tatame, sentindo as costas doerem um pouco. Passou a mãos pelos cabelos negros, bocejando.
Se levantou e arrumou a samba-canção, que estava torta. Virou o rosto, vendo Kaoru dormir abraçado com o travesseiro. Sorriu carinhoso e não segurou sua mão, que fizera um leve carinho nos cabelos do primo.
Sabia muito bem que Kaoru não gostava dele, ás vezes parecia que era um quase nojo. Mas Daisuke não se importava, sempre era...Ou pelo menos tentava ser, legal com o primo. Tudo bem, reconhecia que ás vezes era um pouco irritante, mas...Só queria agradar o outro.
Saiu do quarto em direção ao banheiro do fim do corredor.
-Pára de gritar! O Kaoru está aqui!
-Pouco me interessa se ele está aqui, você sai com outra mulher e fica se fazendo de moralista?! É esse exemplo que você quer passar pro Daisuke?!!
O moreno parou no corredor, ouvindo a briga matinal de seus pais. Cerrou os punhos, segurando as lágrimas. Aquelas situação já estavam se tornando frequente, há mais de um ano. Começara com leves discussões sobre contas, a perda do emprego do pai, as frequentes saídas e noitadas do mesmo e agora se tornaram brigas, com direitos a ofensas físicas.
-Eu já mandei você parar de gritar! Vadia! – um baque. O adolescente tinha a certeza de que seu pai havia dado um tapa na mulher e o som deixara isso bem claro.
Daisuke voltou para o quarto, fechando a porta atrás de si, ofegante. A asma.
Correu até a escrivaninha, abrindo uma das gavetas e pegando a bombinha que usava nesses casos. Aspirou o remédio da bomba, recuperando o fôlego, ou pelo menos parte dele.
-Daisuke...?
O mais novo se virou, ainda apoiado na escrivaninha. Kaoru o olhava sonolento, coçando os olhos. “Deve ter acordado na hora que bati a porta”, pensou o mais novo.
-Tá tudo bem, moleque? – Kaoru deu um tom mais sério a voz sonolenta.
-E-eu...Só...É só...Uma crise de asma... – respirou fundo, esfregando os olhos.
-Cê ta legal? – o loiro se sentou na beirada da cama, olhando para Dai com os olhos avermelhados de sono.
-Tô, porra, to! – o moreno disse, alterado, com a voz mais alta do que pretendia.
Kaoru estremeceu.
-D-desculpa, e-eu...
-Tudo bem, Daidai, todo mundo acorda virado pelo menos uma vez na vida. – Kaoru riu amargo, se levantando. – Já puseram o café-da-manhã na mesa?
-N-não sei, Kaoru. – o garoto se virou para o primo, coçando a nuca.
-Ah. Então desce primeiro. – Kaoru deu de ombros. Mudança de estratégia. Não iria ignorar Daisuke, iria se aproveitar da boa vontade dele.
-P-por quê?
-Porque faz quatro anos que não venho aqui e iria soar muito metido descer perguntando do café. – o garoto revirou os olhos.
-Então desce comigo. – o garoto riu.
-N-não! – Kaoru virou o rosto. – Vai você primeiro, eu fico sem jeito.
Daisuke riu de novo, sendo cortado pela porta que se abrira.
-Garotos, se quiserem descer para tomar café, a mesa já está pronta. – o pai de Daisuke falou naturalmente, sorrindo. Cínico.
-C-claro tio, já vamos descer.
-É, já vamos descer. – o moreno disse, com um nó na garganta.
Seu pai o olhou cínico, já desconfiando que o garoto ouvira a briga e fechou a porta.
Kaoru olhou para o garoto mais intrigado ainda. Até ele que ignorava o pai com frequência não o tratava com aquela indiferença (ou diria amargura?) com a que Daisuke tratara o seu próprio.
-Hey, moleque. – mesmo com apenas alguns meses de diferença de idade com o primo, Kaoru insistia em chamá-lo de moleque.
-Hm? – mesmo com aquele tom injuriado e aquele apelido irritante, Daisuke se sentia feliz pelo primo falar com ele.
-Tem alguma coisa de errado aqui nessa casa que eu deveria saber? Sabe, para não cometer gafes... – Kaoru ergueu uma sobrancelha.
Die esfregou um pé no outro, caminhando até a porta do quarto, a abrindo.
-Tem. – disse, antes de simplesmente sair do quarto e deixar a porta aberta, convidativa, para Kaoru sair também.
O mais velho franziu o cenho.
Aquela não era a família perfeita que idealizara?
Notas finais
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