Red Soil
4 Chapter Four.
Notas iniciais
Não demorei tanto, demorei?
Dedico esse chapie à Ravena porque nunca a vi me encher tanto o saco por causa de uma fic, é e_e;
O clima do café-da-manhã não fora nada legal.
Nada legal era apelido até. Kaoru se sentia no meio de um fogo cruzado de olhares ameaçadores de Daisuke para o pai e vice e versa.
E onde estava sua tia?
-Ela está com dor de cabeça e está deitada. – o tio de Kaoru respondeu sorrindo, como se nada houvesse acontecido.
-A-ah, sim. – o loiro deu um gole em seu leite quente, olhando para Daisuke de canto, que comia silencioso, estranhamente silencioso.
Aí, Kaoru se lembrou de algo.
-Tem alguma coisa de errado aqui nessa casa que eu deveria saber? Sabe, para não cometer gafes...
-Tem.
Não que saber disso o reconfortasse, mas pelo menos ele compreendia, um pouco.
-Não vai comer as torradas, filho? –Daisuke olhou o pai de canto, o que chamou a atenção de seu primo, que disfarçava comendo uma maçã.
-Não. –disse seco, se levantando da mesa para depois por a cadeira no lugar. –Com licença.
-Daisuke, você quase não comeu nada. – seu pai insistiu.
-Com licença. –repetiu num tom mais baixo, que particularmente, fez um arrepio percorrer a espinha de Kaoru. Daisuke apanhou seu prato e a caneca que usara, os levando para a pia e em seguida saiu da cozinha indo até seu quarto.
O loiro viu o tio ficar em silêncio e dar de ombros, voltando a comer as torradas, inclusive as que Daisuke comeria.
-Já to satisfeito, ojii-san, obrigado. –sorriu, tentando não transparecer a desconfiança que tinha, se levantando também, pegando o prato e sua caneca. –Vou subir, okkei?
-Claro, Ka-chan. E fale com o Daisuke, hoje o dia está lindo, que tal vocês sairem um pouco? –o homem sorriu.
Kaoru mordeu o lábio inferior. –Claro, tio.
-Daisuke? Daisuke? Cê ta aí? – o loiro deu três batidas na porta do banheiro, ouvindo um gemido em resposta.
-T-to.
-Velho, cê não ta cagando não, tá? Porque eu quero usar o banheiro depois de você! – Kaoru revirou os olhos, dando mais algumas batidas na porta, apressando o primo.
-N-não, e-eu já to saindo.
-...Nem usando drogas, certo? –franziu o cenho.
Ouviu uma risada vinda do banheiro. Sorriu, nem sabendo o motivo ao certo.
-Não, Kaoru-kun. – e depois disso, ouviu-se o barulho da tranca da porta se desfazendo e Daisuke saiu de lá.
O moreno saiu de cabeça baixa, passando por Kaoru.
-Hey! – o primo segurou seu braço, o puxando. – Que foi?
Num reflexo, Daisuke ergueu o rosto, seus olhos vermelhos e inchados se encontrando com os de Kaoru.
-D-dai — -
-Foi só a marijuana que eu fumei. –riu, sarcástico quanto a piada de Kaoru sobre ele usar drogas no banheiro, fungando.
-O banheiro não ta com cheiro de maconha, Dai. – sorriu fraco, ainda segurando o braço do primo. – Cê tava...Chorando?
Daisuke se soltou do mais velho, sorrindo fraco e caminhando para seu quarto, sem responder. Não queria ter sido visto pelo primo daquele jeito.
-Daisuuke! – Kaoru ainda disse, antes de ver a porta do quarto se fechar. Mais cedo ou mais tarde, o mais velho pensou, Daisuke teria que olha-lo nos olhos.
Kaoru fez o que tinha que fazer no banheiro e lavou as mãos, pensativo.
A princípio, não pretendia nem dirigir a palavra direito a Daisuke mas...O garoto estava tão mudado, tão...Agradável.
Não estava tão chato mas também não era a melhor compania do mundo, pensava Kaoru.
Ou talvez fosse, só que o loiro não queria aceitar que estava errado quanto ao primo.
Mas não podia negar que estava preocupado. Tanto com ele quanto à seus tios.
“Eu definitivamente eu não devia ter vindo para cá.”, bufou, olhando ainda pro espelho, observando as olheiras que se tornaram quase parte de seu rosto, mas que não lhe ofuscava a beleza juvenil. “Devia ter ficado mofando em casa, ou na casa do Tooru. Pelo menos eu só iria me preocupar com os meus problemas.”
Ele saiu do banheiro e rumou o quarto do primo, abrindo a porta sem bater, vendo o moreno sentado na beira da cama, jogando seu Game Boy. Se sentou ao seu lado e ficou observando-o jogar. Pokémon Green Leaf¹.
-O tio disse... –Kaoru percebeu o primo tremer de leve e apertar o Game Boy com certa força. – ...Que podíamos sair se quisessemos.
-...Nós queremos? –e voltou a jogar normalmente, de cabeça baixa.
-...Por que não? Vamos. –o mais velho deu de ombros.
Daisuke ergueu o rosto, o olhando, um pouco incrédulo.
-Você? Querendo sair? Comigo? Há, me engana que eu gosto. – revirou os olhos, voltando a jogar,aparentemente não se dando conta do sarcasmo em sua voz. – Se quiser jogar meu Playstation, a vontade.
-...-Kaoru revirou os olhos, puxando o Game Boy das mãos do mais novo. – Eu. Disse. Que.Vamos. Sair. Certo? –não sabia exatamente o porque de estar intimando o outro a sair com consigo, mas sabia que odiava ver pessoas tristes ou desanimadas (“Já basta eu próprio”) mesmo que fosse seu primo enviado do Inferno.
O moreno voltou a olhar para Kaoru, erguendo uma sobrancelha ao vê-lo sorrir.
-Kaoru, você não tem que sair comigo se não quise--
-Eu quero. –mentira.- Sério, relaxa, vamos sair. Que lugar você costuma ir?
-...COMO SE FAZ ISSO, DAISUKE?
O moreno gargalhava, prendendo sua vara entre duas rochas de forma estratégica, indo até o mais velho.
Chegou por trás de Kaoru e segurou suas mãos sobre a vara de pescar, o guiando. O loiro não sabia explicar bem, mas sentiu um arrepio subir sua espinha quando sentiu o hálito quente do outro em sua orelha. “Você segura assim e...Joga!”, Daisuke dissera antes de fazer o movimento com seus braços, ainda segurando os do primo, guiando-o.
Kaoru viu seu anzol voar longe e cair no centro do lago, preso a linha de nylon.
-Viu? Desse jeito, agora é só esperar.
-Esperar? Quanto tempo? –soltou um muxoxo, já prevendo a desgraça que seria passar horas pescando com Daisuke.
Quando Kaoru o chamara para sair, imaginara que iriam num shopping, num parque, num fliperama, qualquer coisa.
Menos no lago perto da casa do moreno para pescarem.
Kaoru não relutara, afinal, ele que insitira para saírem. Pra qualquer lugar.
-Olha, olha, olha! – aparentemente, aquilo deixava o mais novo contente, animado. Kaoru não conteve um sorriso ao pensar nisso. – PEGUEI UM! –o moreno começou a mexer na carretilha, puxando a linha de nylon de volta, e o mais velho pôde ver um enorme peixe surgir preso no anzol, se debatendo. – Levamos para casa para a janta ou soltamos?
-Isso daí é bom? –o loiro franziu o cenho, fazendo careta.
-É uma delícia! Muito bom, muito bom!–Daisuke sorriu, balançando com a cabeça, e puxou o peixe para si. – Então vou levar, okkei?
-O-okkei. – Kaoru olhou com certo nojo, Daisuke puxar o anzol da boca do peixe e o jogar numa cesta.
Ficou observando Daisuke, distraído, até sentir um puxão e quase cair de cara na beira do lago. Fisgara um peixe. E aparentemente, dos grandes.
O moreno viu o esforço que o loiro fazia para puxar o peixe para a superfície e foi ajudá-lo.
No final, um peixe de aproximadamente quarenta e cinco centimentros fora puxado para a beira do lago, pesando por volta de quatro quilos.
-Uau, boa pegada, Kaoru-kun. – o mais novo dizia,observando o peixe, que ainda se debatia.
-A-aparentemente, sim. -disse, cutucando o peixe com o dedão do pé, receoso, já que estava descalço.
Voltaram a normalidade após jogar o outro peixe na cesta. Já tinham o jantar garantido, os próximos a serem pescados seriam por pura diversão, então logo seriam soltos na água de novo.
Kaoru e Daisuke se sentaram sobre uma pedra razoavelmente grande, segurando firmemente suas varas de pesca, olhando para o lago.
O mais velho olhou Daisuke de canto, o vendo concentrado em seu anzol azul no lago. Já fazia um bom tempo que estavam em silêncio, então, resolvera puxar conversa.
-E aí, como vai o colégio? – disse, se lembrando que seu pai usava isso para puxar assunto consigo, sorrindo de leve para o primo.
-Ah...Normal. – Daisuke sorriu, balançando os pés sobre a água.
-Hn. Namorada? –continuou.
-Er...-coçou a nuca, sem jeito. – Não.
-Falta de vontade ou de oportunidade? –sorriu zombeteiro.
-Bem...– mordeu o lábio inferior, dando uma leve puxada na vara, verificando se algum peixe fisgara a isca.
O loiro soltou uma leve risadinha. A vontade zoar o primo surgindo.
-Você gosta de garotos, eh? – franziu o cenho, se concentrando mais em Daisuke que em sua isca.
-N-n-n-não! Não, que isso! – viu o rosto do mais novo ruborizar. –Só porque eu não e-estou namorando...G-garotas...Não significa que eu goste de garotos.
-Hm. Sei, sei. – soltou uma risadinha, voltando a olhar para sua isca no lago. – Não se preocupe, não sou preconceituoso, se quiser falar...
-S-sei que não é, é só que...Hn, deixa quieto. – Daisuke fez um biquinho torto, calando sua boca, voltando a olhar para a isca. –E você, tem namorada?
-A minha última namorada foi há três anos. –Kaoru começou a mexer os pés igual ao primo, ficando entediado com aquela calmaria maldita que não trazia peixe algum ao seu anzol.
-A-ah...Sozinho desde então?
-Não.
Daisuke passou a olhar para Kaoru, pensando se deveria ou não perguntar se ele gostava de garotos. Preferiu não perguntar, poderia ofendê-lo e isso era a última coisa que queria.
-Mas e aí? – Kaoru se virou, seus olhos se encontrando com os de Die. –Vai me falar o que ta acontecendo? Por que a tia não desceu pro café-da-manhã e por que você é tão seco com o seu pai?
O garoto se encolheu, apertando com mais força o cabo da vara de pescar.
-Daisuke...
-N-não é nada.
-Hoje de manhã mesmo você disse que tinha algo, me fala.
-N-não é nada, poxa.
-É sim, e eles são os meus tios e você é o meu primo, me conta.
Daisuke suspirou e parou de balançar as pernas.
-É só que meu pai é um pouquinho briguento, e as vezes ofende minha mãe, só isso.
Kaoru virou o rosto, observando Daisuke falar, um pouco discrente.
“Meu tio? Briguento? ...”
-...Acho que não é só isso, Daisuke. – queria pelo menos saber o que realmente estava acontecendo para poder sobreviver aos seis dias que restavam.
-Mas é... OLHA! –se levantou num pulo, se desviando da conversa e tirando um peixe do lago, preso em seu anzol.
É, não foi daquela vez que Kaoru descobriu algo concreto.
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