Red Angel - Sonho de um anjo
30 Capítulo 30- Raimon vs Zeus
Notas iniciais
Malina
Não sabia o que fazer naquele momento. Não conseguia pensar em mais nada para ajudar a equipa. Queria desistir. Não queria que eles se magoassem mais e isso era tudo o que conseguia pensar, mas algo dentro de mim me impedia de desistir. Estava numa completa batalha interna.
—Vão desistir ou continuar lutar? A decisão é vossa.
O estádio estava em silêncio. Esperava ouvir o meu irmão a gritar, mas nem isso ele fazia. Devia estar tão incrédulo como qualquer um ali. Com aquele cenário, qualquer um ficaria sem saber o que dizer.
Pretendi continuar até ao fim, com todas as minhas forças. Só que… Isso seria bom para os meus companheiros?
—Estão com dúvidas porquê? — levantei a cabeça e vi o Goenji de pé, sério. Parecia bastante mal, mas ainda assim se mostrava determinado enquanto se aproximava – Eu lutar. Lembram-se daquilo que prometi?
—O Goenji tem toda a razão. — O Kazemaru tentava levantar-se – Endou, se achas que te deves render para nos proteger, estás muito enganado. — Pôs de pé, ainda que lhe custasse — E Malina, se pensas quebrar a promessa que nos fizeste, então aí sim estarás a falhar com todos nós.
—Vocês ensinaram-nos a nunca nos darmos por vencidos, aconteça o que acontecer, e a confiar uns nos outros, independentemente da situação. — Kidou…
—Continuem a mostrar-nos o vosso futebol. Gostamos de vê-lo. — Ichinose…
Sentia que éramos uns sortudos por os termos a nossa lado. Realmente não podiam haver melhores companheiros de equipa do que aqueles. Tornei a esticar os braços e encarei o meu primo e sorri.
—Que grande erro que íamos cometer, não?
—Sim. Só nós é que estávamos a pensar abandonar os nossos companheiros.
—Éramos apenas nós que pensávamos em desistir. — Doía-me imenso o corpo, mas não pude esperar nem mais um segundo para me pôr de pé e o Mamoru não pensou duas vezes em fazer o mesmo – Mas ainda não perdemos!
—Enquanto houver companheiros que confiam em mim, vou continuar a levantar-me quantas vezes forem necessárias! — o Aphrodi ficou a encarar-nos por uns quantos segundos, antes de nos voltar as costas sem dizer uma única palavra.
O Mamoru sorriu-me e eu comecei a afastar-me para ir para a minha posição. Antes disso aproximei-me do Goenji para o levar comigo, mas senti as minhas pernas perderam as forças no mesmo instante. E quando dei por mim, senti que era amparada para evitar bater no chão. Senti como ele me puxava para mim, como se abraçasse para não deixar cair. Encarei-o e vi que me sorria. Perguntava se estava bem e limitei-me a assentir. Fazia-me lembrar o primeiro dia em que joguei com ele, na Raimon. Só que algo havia mudado. A nossa relação tinha mudado. Ele agora encarava com uma doçura que me derretia o coração e podia sentir o seu calor atrás do seu abraço. Gostava tanto de lhe poder revelar os meus sentimentos, ainda que a oportunidade não fosse a melhor. Agradeci e comecei a colocar todas as minhas forças nas pernas e assim que me pus direita comecei a correr para a minha posição.
Quando o jogo terminasse. Definitivamente eu iria dizer ao Goenji o que sinto por ele.
A bola era mais uma vez nossa. Juntamente com o Kidou, o Goenji e o Ichinose, avancei para a área da Zeus. Pretendíamos continuar a atacar até marcarmos um golo. Claro que a defesa não demorou a chegar. A Mega Quake levantou-nos aos quatro pelo ar, fazendo-nos perder a bola para o atacante, que rapidamente chegou à nossa área e passou pelos defesas com a Dash Storm, atirando os meus amigos novamente para o chão. Ele passou a bola para um colega de equipa que já estava frente a frente com o Mamoru, pronto para rematar. Não demorou muito a fazer a Divine Arrows. Esperava que ele conseguisse defender com a God Hand após perceber o poder daquela técnica, mas fiquei pasmada ao ver que ele estava a tentar fazer a Majin The Hand. Ela não estava concluída, mas parecia estar a deter a bola e ambos acabar por ir para trás, indo a bola de volta para os pés de quem a rematara. O meu primo caiu no chão, mas pelo menos impediu que a bola entrasse.
—Não sei o que podemos fazer para ganhar a jogadores como vocês. — Ele demorou muito a pôr-se de pé – Mas de uma coisa tenho a certeza… — notava-se a determinação no seu olhar. Aquele era o Endou Mamoru – É que não me vou dar por vencido!
Eu precisava de me esforçar também. Não podia continuar ali deitada a olhar para eles a rematar contra o meu melhor amigo. Também tinha de fazer alguma coisa. Olhei para o pontuação. Precisávamos de marcar, fosse como fosse.
—Não podemos render-nos. — Vi que a bola agora estava com o Aphrodi – Não vamos render-nos!
—Continuas a pensar em aguentar? Conseguiste despertar o meu interesse. Vamos ver até onde é que tu aguentas.
Nesse mesmo instante, olhou para o lado. Segui o seu olhar e vi que um dos estranhos homens que lá estava lhe assentiu positivamente. Não preciso nada mais para o Aphrodi mandar a bola para fora do campo. Não houve falta. Não entendi o que se estava a passar. Permiti que as minhas pernas cedessem ao cansaço por uns instantes enquanto observava toda a equipa Zeus a sair do campo sem entender o que se estava a passar. Foi então que reparei na mesma quantidade de copos que lhes haviam trazido no início do jogo. Todos começaram a beber sem hesitar.
Aquilo era muito estranho. Passei por vários países, conhecia várias equipas e jogadores ao longo do tempo, mas esta era a primeira vez que via uma equipa sair de campo só para beber algo. Foi então que o nome Kageyama me surgiu ao pensamento como uma assombração. Olhei para o banco, mas só as nossas ajudantes pareciam pensar como eu. Assentiram para mim, disseram algo ao treinador e saíram do banco. Sabia que era arriscado elas irem atrás daqueles homens, que já estavam a ir embora, mas não havia outra forma. Nenhum de nós podia fazer nada e eu também não podia sair numa altura assim. Confiava nelas e em que tudo iria ficar bem.
No entanto, no campo, nós continuávamos a ser massacrados. Eles não paravam de atacar e de nos atacar. Estava difícil mantermo-nos em pé e sempre que o fazíamos, eles derrubavam-nos como se não passássemos de folhas. Até o Mamoru parecia cansado.
—Já acabou, não acham? — mesmo longe, consegui ouvir o Aphrodi vangloriar-se.
—Com a equipa adversário não se pode continuar a jogar. — Assim que o árbitro começou a falar, senti como o meu corpo tremia – Declaro vencedor o Instituto Zeus.
—Ainda não! — não ia deixar que ele fizesse isso. Obriguei-me a levantar.
—Este jogo ainda não termino! — sabia bem que ele não me iria deixar só.
—Mas vocês sozinhos não podes…
—Eles não estão sozinhos! — o Goenji também se ergueu.
—É verdade. — O Kidou.
—Ainda podemos jogar. — O Ichinose.
Todos se puseram de pé no mesmo instante. Ninguém ficou no chão. Aquela a nossa força, a força do Raimon.
—Tu não acreditas, pois não? — o Kidou falava com o Aphrodi – Não importava às vezes que eles caiam, levantam-se sempre e ficam cada vez mais fortes. Vocês não conseguem fazer nada contra a força da Malina e do Endou.
—Kidou… — Ele era alguém que eu admirava muito e ouvi-lo dizer aquilo era muito bom.
Aquilo parecia ter despertado o capitão adversário que não pensou duas vezes em rematar à baliza com a sua God Knows. Comecei a correr. Não podia deixar aquilo acontecer! Eles não podiam marcar outra vez, não podiam!
O apito do árbitro soou nesse mesmo instante e o Aphrodi deteve-se. Consegui sentir como o meu coração se acalmava naquele momento.
Finalmente podíamos fazer uma pausa. Todos nos dirigimos ao banco com a ajuda uns dos outros. O Mamoru chegou até mim ajudou-me, aceitei, mas conseguia sentir o quão fraco ele estava naquele momento que me sentia mal por me apoiar nele, mas assim que chegou ao banco, os dois caímos no chão como pedras. Olhamos um para o outro e não conseguimos evitar rir, contagiando quem estava à nossa volta. Era bom poder ouvir as gargalhadas deles.
No entanto, a nossa felicidade não durou muito. A Natsumi rapidamente chamou a nossa atenção e explicou o que se passou no momento em que tiveram de sair. Dentro dos corredores havia uma sala protegida por dois seguranças e era lá onde estava a tal água que os jogadores da Zeus bebiam e aquilo parecia ter um nome bastante estranho.
—O quê? Néctar dos Deuses?
—Sim. É esse o segredo para a força deles.
—Uma bebida que multiplica as suas forças. — Assim como o Kidou, todos nós dirigimos o olhar para onde sabíamos que o Kageyama estava.
—É imperdoável. — Como podia ele fazer aquilo? — Utiliza todos os truques que pode. Até quando ele pensa continuar a manchar o nome do desporto que tanto amamos?
No banco do lado, enquanto tentávamos recuperar as forças, a Zeus estava novamente a beber aquilo. Como podiam eles fazer uma coisa assim? Não amavam o futebol? Porque o jogavam então? Qual era propósito de estar ali?
—Néctar dos Deuses. Mas como se atrevem a usar isso no futebol? — olhei para o meu primo, furioso e vi a Natsumi aproximar-se, chamando-o.
—Ouve, Endou. — O que iria dizer?
A Natsumi manteve-se em silêncio, encarando o nosso capitão. Ele também esperar o que ela tinha para dizer, mas logo sorriu.
—Não te preocupes. Eu trato disso, Natsumi. Alguém tem de fazê-lo. Temos de mostrar ao Instituto Zeus que o futebol não se joga assim.
Ninguém parecia pensar de forma diferente. Jogaríamos a segunda parte com todas as forças, tal como fizemos na primeira. A Zeus não ia ficar a rir-se de nós e não iam vencer assim tão facilmente. Eles não parariam agora.
—Vamos. Vamos em frente! — nem o treinador parecia disposto a deter-nos agora.
Antes de irmos para o campo, reparei que o Mamoru olhava para as suas luvas. Elas estavam gastas. Corri para a sua bolsa, também ele tivesse uma suplentes. Quando a abri, reparei nas luvas vermelhas e antigas. Conhecias muito bem. Eram do nosso avô. Sorri e retirei-as.
—Mamoru! — ele voltou-se para mim e estendi-as – Toma. — Olhou para elas e para mim – Já é hora de as usares, não? De certeza que o avô te dará toda a força para continuar… — levantei o pé e mostrei-lhe as chuteiras – O meu irmão ajudou-me sempre a pôr-me de pé.
Ele fez-me um grande sorriso e pegou nas luvas antes de correr de volta à baliza. Eu posicionei na entrada do campo e olhei para todos eles, para cada um dos meus amigos e para as suas expressões determinadas. E desejei… Desejei por tudo para que no final fossemos campeões porque eu pretendia levar a minha equipa à vitória.
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