Red Angel - Sonho de um anjo
31 Capítulo 31- Campeões
Notas iniciais
Malina
A segunda parte estava prestes a começar. Cada um de nós já estava nas suas respetivas posições. Olhei para trás e vi todos os rapazes bem sérios ali no campo. Ao meu lado, o Goenji não estava diferente e assim que ouvi o apito do árbitro, passei-lhe a bola. Ele não pensou duas vezes em avançar e eu não demorei um só segundo para o seguir. Primeiro, sem dúvida, teríamos de empatar e depois, aí sim, venceríamos. Pela primeira vez, a Raimon seria campeã do Football Frontier, e seriamos nós a dar-lhe esse título.
O Goenji continuou a avançar o mais rápido que podia, mas um defesa colocou-se logo à sua frente, barrando-lhe o caminho parar a bola. Ambos ficaram um pé nela, empurrando-a, só que ele não estava só e eu e o Kidou fomos ajudar o Goenji a passar pela defesa.
—É inútil. Não há nada que possam fazer.
Ele soltou a bola e logo em seguida executou a Mega Quake, derrubando-nos uma vez mais. Passou de imediato a bola para um centro campista que, contra os nossos centro campistas, executou a Dash Storm. Entregou em seguida a bola ao Aphrodi, que se foi aproximando na baliza a um passo bem lento e calmo. A nossa defesa começou logo o seu ataque. O Domon começou a fazer a Killer Slide e o Jin executou a sua nova técnica, o Coil Turn, onde girava rapidamente à volta do adversário, fazendo um ciclone para o deter. O capitão da Zeus não pareceu importar-se com a situação e a Heaven’s Time foi executada, sem dar sequer tempo ao Kabeyama de fazer a sua técnica, levando os três pelo ar. Ele agora estava frente a frente com o Mamoru e eu só tinha forças para ficar a observar.
—Bem, só restas tu.
Mesmo longe conseguia ouvir o desprezo na sua voz antes dele rematar a bola diretamente para a cara do nosso capitão, que caiu logo para trás, mas não ficou muito tempo no chão. Eu não pretendia render-me também e pus-me de pé, uma vez mais. Acabei por cambalear um pouco, mas não me deixei vencer pelas tonturas.
Precisava de chegar logo ao Mamoru, mas não conseguia correr. As minhas pernas, o meu corpo e cabeça estava demasiado pesados para conseguir correr naquele momento, só conseguia assistir ao Aphrodi atirar a bola contra o meu primo, que defendia a bola com todo o seu corpo. Quando o nosso goleiro caí, o capitão da Zeus olhou para mim, talvez espantado por me ver de pé.
—Não podem… — e assim que ouviu a voz do meu primo, voltou-lhe novamente a atenção – Manchar o nome do futebol com os vossos truques.
—Não podemos perder contra jogadores como vocês.
—É impossível. O limite das vossas forças já devia ter sido ultrapassado. — Ele correu até à bola e começou a chuta-la contra o meu primo.
—Mamoru!
Não pude continuar mais a ver enquanto quase me rastejava até lá. Corri com toda a força e coloquei-me à frente da bola, levando com ela na barriga. Ouvi o meu primo gritar o meu nome, antes de também ele ser acertado. Agarrei-me à trave da baliza e pus-me de pé.
—Eu não vou… — olhei para trás e vi que o capitão também se erguia – Eu não vou desistir!
—Mamoru… — olhei para a frente e vi os nossos amigos começavam a levantar-se também. Pareciam doridos, mas estavam de pé.
Fiquei feliz ao vê-los bem, mas o meu espanto foi maior ao ver como o Aphrodi termia. Seria dos nervos? Estaria com... medo?
—Isso não pode ser… — ao levantar a cabeça, notei como os seus olhos encarnados brilhavam – Não é possível! — ele não estava nada feliz. E foi impressão minha ou os seus músculos cresceram?
—Estamos a lutar para defender o futebol de que tanto gostamos!
—Endou!
—Capitão!
—Mamoru!
Ele tinha de conseguir. Todos nós depositámos a nossas esperanças nele, todos nós confiávamos que ele ia defender e ele não ia falhar! Com toda a certeza que não!
O Aphrodi não pensou duas vezes em fazer a God Knows. Afastei-me da baliza assim que o Mamoru me encarou. Aquela era a sua batalha e quando ele defendesse, com certeza que começaria a minha. De momento só pude vê-lo a olhar para as luvas do nosso avô antes de encarar, felicíssimo.
—Malina, eu já compreendi! — fiquei sem saber o que dizer, não estava a entender, deixando-o sem resposta e a olhar novamente para as luvas – Agora percebi tudo, avô!
Só nesse instante compreendi e fiquei bem atenta ao que ele fazia. Entrei um pouco em pânico quando ele se dobrou sobre si próprio e voltou as costas à bola. No entanto, no momento a seguir, uma parede de luz laranja formou-se ao seu redor e uma luz alaranjada começou a sair do numero um do seu uniforme. Aquilo era uma técnica? Foi então que reparei que ele estava com a mão esquecer agarrada ao peito… Era o lado do coração! Por isso é que no caderno, o ponto vermelho, ficava ali. Só que ele ao virar-se, levantou a mão direita com uma intensa luz laranja e aí compreendi que aquilo foi nada mais que um acumular de energia para depois usar a sua mão mais forte. A técnica ficou completa assim que, por de trás dele, surgiu um gigante laranja e de cabelos espetados e vermelhos. A sua energia era muito, mesmo muito poderosa, o que deixou até o próprio Aphrodi boquiaberto. O gigante seguia todos os passos do meu primo, quando ele colocou a mão para trás, para novamente ir para a frente, a bola foi parar e aí sim, podíamos todos dizer que a Majin The Hand estava concluída.
Ele conseguiu! Ele finalmente conseguiu fazer a técnica que só o nosso avô foi capaz de fazer. O Mamoru era alguém incrível, sem dúvida nenhuma.
—Malina! — assim que me chamou, vi-o apontar para a frente – Vamos empatar. — Sorri e assenti.
—Sim!
Corri com todas as minhas forças para a minha posição. Ele travou aquele remate e nós podíamos deixar que fosse em vão. Iríamos marcar sem dúvida alguma. Aquela defesa tinha-nos dado toda a motivação de que necessitávamos, talvez de que própria necessitava e, com certeza, eu seria a primeira a marcar contra a Zeus!
Vi a bola passar por mim enquanto corria. Consegui acelerar e estiquei-me bastante para a conseguir apanhar, não podia desiludir agora os meus companheiros, não num momento tão crucial.
Alguns jogadores da Zeus tentaram tirar-me a bola, mas consegui desviar sem grandes problemas. Eles não utilizaram qualquer técnica, mas assim que cheguei à frente de um defesa, ele sorriu e não hesitou em fazer a Mega Quake. Senti o meu corpo ser levantado do chão e as lágrimas a virem-me aos olhos.
Iríamos perder uma vez mais a bola? Por minha culpa? Numa oportunidade tão bom e depois de todo o esforço do Mamoru?
—Malina! — abri os olhos e, das bancadas, vi o meu irmão agarrado ao parapeito que dava para o campo – Não desistas!
—Mali! — era a voz do Mamoru.
—Vá lá, Malina! — a do Goenji.
—Malina! — os rapazes.
Senti como o meu corpo ganhava uma nova força, um novo poder em até mesmo, uma nova luz. Sentia-me mais poderosa do que ao início do jogo onde não tinha sido atirada ao chão incontáveis vezes. Consegui equilibrar-me juntamente com a bola, pousando no chão com as pontas dos pés, como se fosse leve, como uma pluma, e o chão, agora tornado em água de um azul tão claro como o céu, sendo todo esse o cenário que me rodeava. Levantei a bola com o pé, e atirei-a ao ar. Ela escorregou pelas minhas costas até aos calcanhares onde, com o pé esquerdo, bati de leve, mas forte o suficiente para a erguer no ar. Saltei e girei duas vezes antes de chegar à bola, já iluminada por uma luz branca. Nas minhas chuteiras havia umas pequenas asas de cada lado. E após encolher as pernas, bati com a sola dos pés na bola com toda a força que tinha, passando as asas para a bola, as quais se alongavam cada vez enquanto acompanhavam a bola até à baliza. O goleiro ergueu a sua técnica no meio da luz que a minha técnica criava, a qual o deixou parcialmente cego. No entanto, a Tsunami Wall não foi o suficiente para deter a minha nova técnica, a Wings of Light. Quando pousei no chão, a leveza foi exatamente a mesma, como se asas ainda continuassem nos meus pés. E ao levantar a cabeça vi que o goleiro ainda tentava parar a bola só com a mãos, mas mesmo assim ela entrou na baliza.
Fiquei boquiaberta ao perceber o que tinha acabado de acontecer. Eu tinha acabado de marcar um golo com uma nova técnica. O primeiro golo contra a Zeus.
Senti-me ser levantada do chão e quando vi, foi o Ichinose que comemorava o golo, assim como os rapazes atrás de mim. Pousou-me no chão enquanto os outros se aproximavam.
—Eu não acredito. -Olhei para a pontuação e depois para os meus companheiros e não pude deixar de sorrir – Eu consegui mesmo! — eles assentiram e sorriram – Mamoru! — ele deu-me um grande sorriso.
—Bom trabalho!
Da bancada, conseguia ver o meu irmão aos saltos. Estava a gritar bastante e tinha as pessoas a olhar para ele, mas parecia não se importar minimamente. Estava orgulhoso de mim e isso enchia-me de alegria.
—Muito bem! Agora é continuarmos assim, rapazes. Vamos começar por empatar este jogo!
Corremos todos de volta às nossas posições, prontos para o ataque da Zeus. Foram rápidos a passar por nós, principalmente o Aphrodi. Parecia estar bastante tempo naquele momento e corria sozinho até à baliza. Quando chegou perto, executou a sua God Knows. Só que, a Majin The Hand saiu perfeita, tal como na primeira vez em que foi executada e ele não teve hipóteses contra o nosso capitão.
Assim que recuperamos a bola, o Mamoru voltou a passar-ma, mas como fiquei cercada de jogadores, impedindo-me de avançar, não pensei duas vezes em atirar a bola para o alto. Felizmente o Goenji percebeu. Saltou e executou o seu Fire Tornado, não para a baliza, mas sim como um passe para o Kidou que não perdeu tempo em fazer a Twin Boost. Desta vez, o goleiro usou a Giant Wall contra nós, para deter a técnica combinada deles, mas ainda assim falhou, deixando a bola entrar na baliza. E mal recuperamos a bola, ela foi-me passada. Desviei dos nossos adversários e não pensei duas vezes em usar a Wings of Light. O goleiro não se mexeu e, com a minha técnica, conseguimos empatar.
Assim que recuperamos novamente a bola e ela me foi passada, olhei para o relógio e vi que faltava muito pouco tempo para terminar o jogo. Era agora ou nunca. Mandei o Mamoru vir para a frente e o Domon acompanhou-o de imediato, entendendo o que pretendia fazer. O Ichinose também se pôs a correr e eu passei-lhe rapidamente a bola e mal eles estavam todos em posição, realizar a The Phoenix, mas, para minha surpresa, o Goenji juntou-se a eles e, com o seu Fire Tornado, rematou a bola. A técnica tornou-se tão poderosa, que o próprio goleiro teve se afastar ao perceber que não a iria conseguir parar.
Aquele sim... Aquele era o nosso futebol!
O árbitro apitou passado muito pouco tempo. O som pareceu até inacreditável, mas era muito, muito real. Era o fim do jogo.
Todos ficámos a olhar para o marcador e lá estava, bem visível, um 4-3, o qual indicava que nós vencemos… Que nós éramos os campeões do Football Frontier!
—Ganhámos… — mal o Mamoru disse aquelas palavras, senti como as lágrimas me vinham aos olhos e corri logo até ele.
—Mamoru! — agarrei o braço dele e abanei-o para a realidade. Ele encarou-me com um sorriso.
—Conseguimos!
Todos os rapazes começaram a gritar de felicidade. Saltavam e choravam com toda a alegria que sentiam. Vencemos a grande Zeus, aquela escola que todos diziam ser imbatível. Nós, a Raimon, a escola que todos diziam nem conseguir passar a fase eliminatória, éramos campeões do Football Frontier. Derrotamos a grande Teikoku, a invencível Zeus e o seu Néctar dos Deuses, assim como o Kageyama, pela segunda vez.
O Mamoru não deixava de me elevar no ar e gritar que éramos campeões e em como o nosso devia estar orgulhoso, onde quer que estivesse e eu acreditava que sim. Ele estava a ver-nos e não podia estar mais feliz.
Só quando me largou é que consegui ver que o Goenji agarrado ao seu colar. Não pude deixar de me aproximar.
—Tenho a certeza de que ela está muito orgulhosa. — Olhou para mim, espantado, mas logo sorriu.
—Sim. — Guardou-o e desviou o olhar para as bancadas – Ele também parece estar muito orgulhoso. — Sorri, um pouco envergonhada ao ver o meu irmão chorar e gritar ao mesmo tempo. O seu drama atraia mais atenções que nós.
—É. Tenho um irmão orgulhoso.
—Sim.
Senti como a minha mão era agarrada por uma outra bem quente. As fitas coloridas começaram a cair sobre o campo e sobre nós enquanto me sentia tão bem ao sentir o calor do homem que amava e acenava para todos os que nos vieram apoiar, assim como os meus amigos.
—Conseguimos vencer, Goenji. Já somos como a lendária Inazuma Eleven, não é?
—Não, Malina. A lenda ainda está a começar.
Sim. A nossa lenda, ainda agora estava a começar!
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