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Termino minha corrida na porta da academia Big Bear, é a segunda parte do meu treino matinal há cerca de 3 anos, correr para exercitar a resistência e musculação depois.

Chegando à academia encontro um dos meus irmãos o mais badalado dono de academia do momento, personal trainer dos lutadores de MMA mais famosos...

E lá vem ele com aquele sorriso fácil e 110 kilos de puro músculo.

– Olá Frango! – diz Geki

Frango é como são chamados os magrelos que não se exercitam, bom eu confesso que comparado com o que já fui um dia estou muito melhor, ganhei notáveis 12 kilos de massa muscular, mas continuo magro comparado com o Geki sou um frango mesmo.

– Olá grandão!- respondo sorrindo.

Tenho meus olhos tapados por mãos femininas fortes e decididas, sorrio e já estou cansado de saber quem é.

– Olá Sam, como você está?- pergunto

– Ah Shun como você sabia que era eu...- diz Sam sorrindo.

Samantha é minha personal trainer, ela era fisiculturista oriunda da Bélgica, campeã em sua categoria e noiva do Geki, ele a encontrou em uma competição passou uma cantada e ganhou uma chave de braço, foi amor à primeira vista ou enforcamento enfim definitivamente não sei explicar.

– Você é inconfundível Sam!- respondi

– Vou interpretar como um elogio, ah aqui está seu shake de proteína e nem adianta fazer essa cara que você percebeu que depois que começou a tomar seu corpo está muito mais definido e tonificado, ganhou uma considerável massa muscular e NÃO É MAIS FRANGO!- ela afirmou olhando brava para o Geki.

Aparentemente eles competiam demonstrando pela evolução de seus alunos quem era o melhor personal, sinceramente não entendia o objetivo das discussões preliminares talvez, mas elas eram geralmente o ponto mais divertido do meu dia.

– Ah Sam olha para ele, continua aquele magrelo com olhar perdido...- retrucou Geki

– Olha isso aqui Geki- Sam levantou a blusa do meu agasalho deixando meu abdômen exposto e meu rosto vermelho de vergonha – está vendo são gomos, grupos musculares muito bem desenvolvidos, tanquinho...de dar inveja a qualquer homem e fazer muita mulher lavar a roupa suja.

– Eu vou treinar, até mais Sam e Geki- disse me retirando colocando minha roupa no devido lugar e entrando na academia morrendo de vergonha.

Antes de começar minha série, sinto meu celular vibrar e verifico quem é no identificador de chamadas em seguida atendo o mesmo.

– Alô Shiryu! Tudo bem?- pergunto

– Shun, tudo ok, preciso falar com você o quanto antes você poderia passar no escritório da fundação após a academia.

Sinto urgência na voz dele, se o Shiryu diz que algo é urgente então com certeza é.

– Tudo bem, passo aí agora, pois não posso perder as aulas que tenho hoje na facul, então prefiro sacrificar a academia. – respondo.

– Então até já Shun- ele responde desligando o celular.

O que será que aconteceu, penso intrigado, dou meia volta justifico minha saída para a Sam que fica muito chateada, pois a hora do treino é uma hora sagrada para ela, o Geki alivia minha barra dizendo que se o Shiryu chamou é por que deve ser sério.

Geki joga a chave do carro dele para mim dizendo que depois eu devolvo já que eu havia ido até ali correndo, agradeço e saio.

Juro que se não tivesse preocupado para ir logo ao encontro do meu outro irmão eu teria recusado a oferta do Geki, o carro dele é aquelas pick up com as rodas monstruosamente grande e o amortecedor desregulado que ao parar nos sinaleiros ficam indo para cima e para baixo... ah e toda customizada com um urso com cara de mau.

Chego ao prédio gigantesco da fundação Kido, identifico-me e autorizam minha entrada dirijo-me para o estacionamento da diretoria e paro na vaga que está escrito o meu nome.

O estacionamento da diretoria possui 11 vagas, exatamente uma para o presidente e seus dez conselheiros, os herdeiros de Mitsumasa Kido, ou seja, eu e os meus 9 irmão e a Saori.

Mitsumasa Kido teve 100 filhos com mulheres diferentes, via inseminação artificial, dono de uma fortuna praticamente imensurável dividida em negócios espalhados ao redor do mundo, o que seria melhor do que um herdeiro em cada um desses lugares estratégicos.

Bom tudo estava muito bem arranjado até que ele encontra o Aiolos e recebe a missão de proteger a reencarnação da deusa Atena na Terra.

E então ele manda todos os seus filhos para morrerem em treinamento ou voltarem para servir a deusa em questão.

Apenas 10 voltaram e o resto da história é longa e triste demais e já faz parte de meus pesadelos diários para eu lembrar acordado.

Enfim a Saori após as batalhas fez uma justiça poética nomeando-nos como herdeiros, o problema é que com essa herança veio certas responsabilidades igualmente imensuráveis.

Dividimo-nos para gerir esses recursos e o Shiryu foi nomeado o presidente da fundação, era ele o responsável pela maior parte do sucesso que as obras assistenciais geridas pela fundação ganharam nesses últimos 4 anos, assim como ele também aumentou a fortuna consideravelmente.

Shiryu foi indicado pela revista Forbes como a oitava pessoa mais influente no mundo, um verdadeiro prodígio com apenas 22 anos.

Subi no elevador apertei o botão da cobertura e inseri o código de segurança apenas o conselho tinha acesso a esse andar, a porta do elevador se abriu e me dirigi ao final do corredor para a sala da presidência.

Bati e entrei, Shiryu estava sentado em sua mesa em frente ao seu super computador que possuía 3 monitores.

– Olá Shiryu, estou preocupado o que você queria comigo?- perguntei

– Shun, sente-se preciso conversar com você- disse indicando a cadeira a sua frente.

Sentei-me e esperei, ele terminou o que estava fazendo me olhou colocou as mão cruzadas sobre a mesa e começou a falar:

– Shun, na realidade não é um problema em relação a fundação, trata-se de um problema pessoal e preciso de um auxílio seu.

– Shiryu, por favor, prossiga aconteceu alguma coisa com a Shunrey ou as crianças?- perguntei aflito.

Shiryu possui dois filhos, eles são gêmeos receberam o nome de Dohko e Shion, simplesmente eles são a alegria de nossa família, por eles nos reunimos todos os natais com direito a participação do Ikki, que passa mais tempo longe andando ninguém sabe por onde.

– Shun, tranquilize-se eles estão bem, o problema seria sobre o meu relacionamento com a Shunrey, nos casamos muito jovens, assumi esse compromisso junto à fundação e tivemos os meninos, no meio de tudo isso parece que esquecemos que somos um casal- ele explicou cabisbaixo.

– Caramba Shiryu, eu sempre achei que você fosse o irmão perfeito- disse surpreso.

– Pois é Shun, está sendo difícil admitir isso, todavia preciso fazê-lo se quiser recuperar meu casamento.

– Shiryu o que posso fazer para auxiliá-lo?- perguntei

– Bom Shun, o Dohko e o Shion vão completar 3 anos, e você talvez seja o tio mais presente na vida deles tanto que você já cuidou deles algumas vezes que precisamos viajar as pressas para algum compromisso, o fato é que aqueles dois te adoram e não estranham ficar com você, eu quero levar a Shunrey para uma lua de mel e preciso que alguém de confiança cuide deles. Ia pedir para a Saori e o Seiya fazerem isso porém com a gravidez dela sendo delicada, ela deve ficar de repouso.

Claro que a babá, A senhora Sarah ficará também e durante a noite principalmente, eu gostaria que você ficasse com eles para que eles não sentissem abandonados, carentes de família.

Eu sorri abertamente, uma das poucas coisas que me faziam feliz era estar com esses dois meninos.

– Claro, será um prazer, quando você viaja?

Shiryu disse que queria viajar dali uma semana, e ficaria por duas semanas fora, alinhamos os detalhes, no tempo em que ele estivesse fora eu me dirigiria diretamente para o condomínio onde situava sua mansão, o mesmo condomínio onde moravam Seiya e Saori e futuramente a mais nova integrante da nossa família que nasceria dali a 3 meses, minha primeira sobrinha.

Fui informado também que as questões legais da Fundação nesse período ficariam a encargo de Nachi e Ban, respectivamente o advogado e o administrador formados da família, sinceramente gosto muito dos dois, mas juntos eles continham metade da competência do Shiryu mas serviriam pelo período.

Saí feliz do prédio da fundação passar um tempo com os dois sapecas seria realmente cansativo e revigorante para a alma.

Liguei para o Geki e perguntei se ele ia precisar do carro, ele disse que depois passava no meu prédio para buscar, então fui direto para a casa tomar um banho e ir para faculdade.

Logo depois da partida da June, eu resolvi que iria cursar medicina na faculdade de Tóquio, por entender que salvar vida devia ser melhor que tirá-las, estudei com afinco para ser aceito, e não com muito orgulho admito que só fui pela influência das generosas doações feitas pela fundação Kido para a mesma.

Entrando na faculdade além da grade normal de aulas eu teria um tutor todos os dias para me auxiliar nos estudos, foi assim que conheci meu amigo Takeo, ele é um aluno veterano e no momento está no 4º anos de residência, eu só vou começar a minha no próximo ano.

Saio do chuveiro, visto uma calça social preta e uma camisa azul coloco meu sapato, retiro o jaleco no guarda-roupa, dobro-o e coloco na minha maleta e estou pronto para ir, após descer até a garagem antes de entrar no carro pego o celular e ligo:

– Olá você quer carona? Me atrasei e tô saindo agora de casa...

– Adoraria, te espero na portaria do prédio, já estou descendo- Respondeu Mino

Flashback- 3 anos e 4 meses atrás

Há quase 8 meses ela partiu, deixou um vazio que tento preencher com muito estudo, a faculdade me toma boa parte do tempo, mas sempre a melhor parte do meu dia é quando nós conversamos pelo Skype a noite.

Sempre June se mostrou apaixonada e com saudades em nossas conversas, ela iria tirar féria dali um mês e viria para cá, eu me ofereci para ir vê-la por diversas vezes mas ela negava dizia que não teria tempo para me dar atenção.

Naquela fatídica noite de quarta-feira me conectei para falar com ela na mesma hora combinada, todavia ela não apareceu e nem nas horas seguintes. Comecei a me preocupar, ela não atendia o celular e não respondias minhas mensagens...

Fui dormir, meu pesadelos mostraram-se implacáveis nessa noite acordei mais cedo que de costume e liguei para ela novamente dessa vez ela atendeu o celular.

– Caramba June, aconteceu alguma coisa não consegui falar com você a noite toda!

– Shun eu não estou mais em Nova York, resolvi sair de lá, estou na Europa agora...

– Como assim, por quê não me disse? E as suas férias você não vem para cá? – perguntei preocupado.

–Não, Shun- ela suspirou- Não existe jeito fácil de dizer isso eu conheci uma outra pessoa, isso já há algum tempo e sinceramente por mais que façamos eu não sei se existe futuro na nossa relação...

– Como assim eu não entendo?- Estava confuso, magoado...o que ela estava fazendo.

– Shun, acho bom não nos falarmos durante algum tempo, adeus!- ela disse desligando o telefone.

Sinceramente que merda foi aquela, não entendi nada, liguei diversas vezes e ela não atendeu, se queria terminar deveria ter feito isso de uma maneira mais digna e humana, estava determinado em ir atrás dela até no inferno se fosse preciso, aliás sempre me ofereci para ir vê-la eu tinha dinheiro agora e podia comprar passagem sem problemas e ela com aquela desculpa de que tinha muito trabalho arrumando novo lares para crianças...

Ah ela ia ter que me dar uma explicação plausível para tudo que estava acontecendo, eu vou atrás dela agora mesmo, todavia eu vou para onde?

Bom ela e Mino se tornaram as melhores amigas nos últimos tempos, portanto a Mino deve saber onde essa miserável está na Europa, se não souber vou vasculhar o continente inteiro...

Saí transtornado do meu apartamento e fui em direção ao orfanato, Mino agora era diretora do mesmo, nem sei como cheguei até lá, apenas lembro que me vi no escritório dela entrando sem bater me debruçando sobre a mesa onde Mino estava verificando uma documentação e perguntando:

– Onde ela está?- disse sem educação nenhuma.

– Quem?-perguntou Mino assustada

– June, ela foi para a Europa com outro cara e eu quero muito tirar isso a limpo.

– eu não sei Shun, sinceramente para mim isso é novidade, ah e bom dia viu!- disse Mino aparentemente muito brava.

– Você deve saber onde ela está, são melhores amigas- eu retruquei gritando.

– Você sabe nesse exato momento onde estão o Seiya, o Ikki ou o Shiryu?- ela perguntou cruzando os braços, aparentemente calma.

– Não entendi a razão da pergunta, mas eu não sei onde eles estão, porque deveria saber...- nesse momento percebi onde ela queria chegar.

– Desculpe!- Disse eu abaixando a cabeça visivelmente arrependido.

– Shun, tenho problemas mais urgentes no momento para resolver- disse ela séria

Foi então que abaixei meus olhos para a documentação que ela estava vendo, era horrível, um menininho visivelmente espancado em várias fotos e uma última com ele em um hospital.

– Por Atena, o que aconteceu com esse garoto?

Mino suspirou e falou com a voz sobrecarregada de muita emoção:

– Esse é Takeshi, ele têm 6 anos, e apanha diariamente de seu próprio pai, que está envolvido com drogas e sua mãe é alcoólatra, o conselho tutelar me mandou o caso dele e perguntou se poderíamos abrigar o mesmo no orfanato após ele sair do hospital e isso está acontecendo hoje, tenho que ir buscá-lo imediatamente e o carro do orfanato quebrou e não estou achando táxi...- ela despejou aquela palavras visivelmente preocupada.

–Eu te levo, por favor, deixe- me ajudá-la- eu disse voltando a ser eu mesmo.

– Eu aceito Shun, vamos logo!- ela respondeu

Começa aqui minha história de amizade com Mino, June possuía razão em uma coisa, ela é realmente uma garota interessante.

Notas finais
Com certeza deve conter erros de português na história por mais que revisemos sempre deixamos escapar algo, peço por gentileza que me avisem que corrijo com prazer... Espero que gostem do rumo que a história está tomando...o que posso prometer é que teremos algumas surpresas ainda... um abraço