3 anos atrás
Como de costume fui buscar Mino em seu prédio para irmos até a faculdade, desde que conversamos alguns meses atrás, ela me falou que fazia algumas aulas na universidade pelo período da manhã e eu ofereci carona desde então.
Paro o carro e lá vem ela com a costumeira cara de sono, ela costuma dormir tarde uma vez que faz o turno vespertino e noturno no orfanato e frequenta as aulas na parte da manhã, seu dia acaba praticamente no outro dia, por volta de uma hora da manhã.
– Bom dia, Mino!- cumprimento sorrindo.
– Bom dia Shun, como você consegue, faz meses que você me pega e sempre essa carinha impecável, como se tivesse acordado há horas... ah esqueci você está acordado há horas, que espécie de pessoa levanta as 5 da manhã e vai correr e malhar...definitivamente você não é humano- Ela reclama se sentando no banco do passageiro colocando o cinto.
Ela não sabia de meus pesadelos, ninguém sabia, nem meus irmãos, como explicar aquilo, incomodá-los com episódios que eles queriam esquecer, como dizer que toda madrugada eu acordava suando, olhando para as minhas mãos e certificando que não existia sangue nelas...
– Pronto, já acabou com sua reclamação matinal- digo desviando meus pensamentos- Aliás peguei seu café e tá aí no porta copos- toda manhã pegava um café para viagem para ela, isso melhorava seu humor de maneira considerável.
– Obrigada, Shun...juro que não sei como você me aguenta eu devo ser a amiga mais chata do mundo!- ela disse já com o velho sorriso que eu adorava.
Não, ela definitivamente não era a pior amiga do mundo, esses meses seriam insuportáveis sem a presença dela na minha vida, conversar com ela era fácil e extremamente divertido.
Desde que June terminou comigo e pior desde que eu descobri que ela terminou comigo por causa de um projeto de Richard Gere no filme uma Linda Mulher (em minha defesa a Mino praticamente me obrigou a assistir o filme dizendo que era um clássico e blá blá), eu fiquei arrasado.
Ela estava lá posando para fotos no Facebook ao lado daquele homem, deveria ter cerca de 40 anos, aparentemente era um de seus professores.
Caramba droga de pensamentos sempre me levando para lugares em minha memória que não quero revisitar...
– Shun, você vai com a gente na festa sábado?- Mino perguntou
– Ainda não sei Mino, devo estudar- respondi, não gostava das festas da faculdade me sentia perdido em meio a tanto barulho, achava geralmente tudo extremamente superficial nesses lugares era como se as pessoas vestissem máscaras.
– Por favor, Shun, o Takeo falou que você já não está mais atrasado com a matéria e deveria se divertir, e ele é seu tutor nos estudos, portanto uma opinião especializada- ela falou séria.
Takeo e Mino começaram a namorar fazia um mês, eu que apresentei os dois e servi de cupido para o belo casal e desde então eram cúmplices em tornar minha vida mais divertida, ou digamos um pouco menos chata.
– Tudo bem, eu vou!- Confirmei vencido por aqueles dois.
Sábado chegou mais rápido do que eu queria, para minha sorte Hyoga havia ligado que estava vindo de Asgard e o convidei para ir a tal festa comigo.
Estava acabando de me arrumar, abotoando a camisa, quando escuto a voz dele na sala.
– Shun, cheguei!- grita Hyoga
Sigo até a sala e dou um abraço nele, é bom ter ele aqui comigo, sinto falta da época em que estávamos sempre juntos.
– E aí Hyoga, como estão as coisas? – Pergunto animado.
– Tenho algumas novidades, mas conto no caminho, vamos lá- Ele diz e o sigo até a porta.
Hyoga me contou que desde que foi até Asgard a pedido da Saori para auxiliar Hilda na reconstrução do país, ela estava cada vez mais encantado pela, pasmem senhores, própria Hilda, que ela era uma mulher maravilhosa, linda etc e etc.
Seus olhos brilhavam quando mencionava as qualidades da soberana de Asgard, e eu podia jurar que seu interesse seria pela irmã da mesma.
Indaguei se havia acontecido algo mais entre os dois e ele ficou vermelho, disse que ainda não, porém que quando voltasse ele iria falar tudo o que sentia, pois não saber se era correspondido, era pior do que aquilo que ele estava vivendo.
Continuamos conversando durante todo o trajeto para a festa, animadamente sobre a vida, o cotidiano de cada um, Hyoga perguntou sobre June e eu respondi que simplesmente havia acabado...
Hyoga percebe minha tristeza e não prossegue o assunto, nossa relação era simples assim, compreendíamos uns aos outros sem precisar falar.
A festa estava como esperado, música extremamente alta, uma galera bebendo outra se amassando nas paredes, será que algum dia vou me acostumar com isso, definitivamente me sinto deslocado...
Encontramos Mino e Takeo e nos juntamos ao casal em uma mesa, pedimos bebida e porções de batata-frita.
Levanto-me para ir ao banheiro, peço licença, no caminho distraidamente trombo com uma garota levando a mesma a derrubar desastrosamente o conteúdo do copo que ela estava segurando em sua roupa.
Ela estava usando uma camisa branca, com uma saia preta e salto alto prateado, devido ao liquido sua camisa ficou transparente, mostrando mais do que deveria e me deixando extremamente sem graça pelo ocorrido.
– Desculpe-me- Balbucio, chegando perto do seu ouvido para que ela me escutasse, retiro meu casaco e coloco sobre seus ombros, tentando livrar a jovem de passar vergonha devido a transparência de sua camisa.
Ela aceita e pega minha mão levando-me para uma sacada, onde o som não era tão alto, ela me olha com cara de brava e diz:
– E agora, vou ter que ir embora e perder o melhor da festa por sua causa!
Eu fico olhando para ela atônito, confuso, não sei o que falar...
Ela ri debochadamente:
– Devia ver a sua cara! Está muito engraçada à propósito, meu nome é Yume- ela me estende a mão.
Então aceito sua mão e pela primeira vez reparo na garota que está a minha frente, ela possui cabelos castanhos escuros, olhos negros amendoados e um corpo bem delineado.
– Meu nome é Shun! Permita-me reparar meu equivoco, posso levá-la até a sua casa e esperar que você troque de roupa e trazê-la de volta antes do melhor da festa, não entendo muito mas dizem que temos duas horas ainda antes de que comece a ficar realmente bom- esforcei-me para parecer descolado.
– Nem me conhece e quer me levar em casa, interessante- ela respondeu séria
– Não é isso, eu só quero reparar o que eu fiz!- disse extremamente sem graça e acredito que gaguejei.
– Ah então você não me acha interessante o suficiente para querer me levar em casa, é apenas um bom moço!- ela disse debochando novamente.
Quem afinal era aquela garota e que diabos de diálogo era áquele, endireitei meu corpo, fiz cara de sério e disse com convicção.
– Realmente não quis ofendê-la, mais uma vez peço desculpas, minha real intenção sempre foi ajudar, vou escrever meu telefone e depois peço que entre em contato para que eu possa arcar com os custos da lavanderia.
Simplesmente nesse momento eu não sei como ou porque Yume se aproxima ficando a poucos centímetros do meu rosto e diz:
– Ei garotão nada disso é por acaso, se você esbarrou em mim, foi por eu querer assim- ela terminou e seu lábios pousaram delicadamente nos meus.
Meus braços envolveram o corpo dela em um abraço e minha boca correspondeu aquele beijo com uma vontade que eu pensei não existir mais em mim.
– Ainda quer me levar para casa?- Yume perguntou com desejo no olhar.
– Claro, encontro você aqui daqui 15 minutos vou me despedir do meu irmão e amigos.
Caramba o que eu estava fazendo, sinceramente não sabia, mas me sentia vivo pela primeira vez em meses, pensei vou levar a garota para casa e talvez possamos combinar de sair amanhã e nos conhecer melhor.
Expliquei a situação para Hyoga e Takeo, pedi para comunicarem a Mino que não estava na mesa no momento e fui ao encontro de Yume que me aguardava no lugar combinado.
Saímos da festa de mão dadas fomos em direção ao carro, entramos no mesmo e comecei a dirigir, ela começou a me guiar, e quando finalmente viramos em uma rua à esquerda estávamos em um lugar deserto e meio sem saída.
– Acho que você errou o caminho, se você me disser o nome da rua eu posso colocar aqui no GPS e ...- ela me calou com um beijo.
Yume subiu no meu colo e continuava a me beijar, ela tirou meu casaco e camisa que vestia ficando apenas com o sutiã branco.
– Pára de pensar, faça exatamente o que o seu corpo está pedindo, e observe como ele pede desesperadamente- ela falou tocando o volume que se formava sobre minha calça.
Eu me deixei levar, Yume era uma amante muito habilidosa, uma mestra no que fazia...
Após transarmos no carro fomos para a casa dela e lá continuamos a nossa noite, após estarmos esgotados e suados, quase adormecendo, ela me falou:
– Tchau! Foi muito bom te conhecer, não esqueça de fechar a porta quando sair.
Pela 3ª vez naquela noite aquela garota me deixava confuso, coloquei minha roupa e saí, dirigindo para meu apartamento tentava entender o que havia acontecido...
Ao entrar no meu apartamento tentando não fazer barulho para não acordar o Hyoga que acreditava estar dormindo no quarto de hospede, eu ouço...
– Você demorou Shun..- Diz uma voz feminina sonolenta
– Mino, o que você tá fazendo aqui?- pergunto
– Eu tenho a chave, lembra que você deixou ela comigo para vir aqui enquanto você estava viajando no mês passado...- ela respondeu.
– Isso eu sei, foi eu quem te dei, mas ainda assim não sei o que você está fazendo aqui...
– Só queria saber se você estava bem, bom os meninos falaram que você tinha saído com a Yume, aliás Takeo estava radiante por causa disso...- ela comentou extremamente chateada.
– Como assim radiante? Aliás onde estão o Takeo e o Hyoga- indaguei.
– Hyoga foi para a casa do Seiya e Takeo me deixou aqui, Shun fiquei preocupada pois a Yume é uma devoradora de homens, ela praticamente sai com todos os garotos da faculdade, se você fosse um pouco menos desligado já teria visto isso. Quando você entrou na festa ela já tinha te marcado como alvo dela, eu vi e comentei com o Takeo e ele disse que seria ótimo para você ter um boa trepada- Mino explicou visivelmente chateada.
– Eu não sou alvo de ninguém Mino, e não sou nenhuma criança para ficar levando bronca da mãe que espera o filho chegar de madrugada... se fiz alguma coisa foi por querer, nada obrigado... e acho melhor irmos dormir,e a senhorita fica com o quarto de hospedes porque são 4 horas da manhã.- respondi bravo
– Não, eu vou embora!- ela falou chorando indo em direção a porta.
Eu bloqueie a saída e respirando fundo falei com voz calma:
– Por favor, Mino. Desculpe-me se fui grosseiro, fica aqui, tá muito tarde, amanhã a gente acorda e conversa descansado...
– Ok!- ela respondeu se dirigindo ao corredor e ouvi bater a porta do quarto de hóspedes.
A noite havia sido apenas um prólogo da loucura que seria minha vida nos próximos 6 meses.
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