Reconstruindo e recomeçando a viver
1 Pesadelos
E quando todos os nossos pesadelos são realidade, não passam apenas de eco de uma vida em meio a sangue e lágrimas...
E quando nos sentimos sozinhos mesmo em meio a multidão, sem rumo...
Talvez tenhamos nascidos somente para lutas e guerras...
Como levar uma vida normal se nunca nos ensinaram a viver dessa maneira, nossa normalidade é um campo de batalha declarado...
E cada dia que passa aprendo que essa vida cotidiana em um mundo supostamente em paz também é um campo de batalha, mais sutil, sarcástico e incrivelmente irônico...
Reconstruir- se talvez seja uma das lutas mais árduas que tenhamos que travar afinal de contas o inimigo é você mesmo, suas próprias limitações, seus próprios medos...
Reconstruir e recomeçar enfim esse é a minha meta agora.
Levanto-me, estou pronto para mais um dia...
São cinco horas da manhã, como sempre não dormi mais do que 4 horas, devido aos constantes pesadelos, prefiro manter-me acordado...e isso tem ajudado uma vez que necessito estudar muito para acompanhar as aulas da Faculdade de Medicina de Tóquio.
Tomo minha ducha matinal, a água lava o corpo e os pesadelos escorrem pelo ralo, saio do banheiro, enxugo-me e visto meu agasalho de corrida finalizando com um lanche rápido.
Saio de meu apartamento exatamente as 5h30, encontro meu vizinho senhor Yasake no elevador como sempre cumprimento e desejo-lhe um bom dia.
Na portaria agradeço o porteiro pela gentileza de abrir o portão e saio correndo por entre as ruas escuras de Tóquio, corro e deixo meu pensamento vagar.
Flashback
5 anos atrás
Estou de volta, as batalhas cessaram cada um de nós tomamos caminhos diferentes com a promessa de um até logo, sabia que nós encontraríamos de novo, mas precisamos seguir em frente, a próxima vez que nós encontrássemos seria para festejar o momento e não derramar sangue, não mais, nunca mais!
Eu fui em direção ao orfanato em que fomos criados, pois havia sido informado que ela estava ali, a garota em quem secretamente meu pensamento vagava nos escassos momentos tranquilos que tive entre as batalhas.
Sorri, finalmente poderia cumprir minha promessa, reconstruir a ilha de Andrômeda, o único lugar que nós discípulos do grande Daidaros cavaleiro de cefeu, havíamos aprendido a chamar de lar.
Meus planos eram simples, medíocres até, reconstruir um lugar, uma casa, uma maneira de subsistir, sei lá talvez pesca, agricultura ou comércio local...pensamentos do menino que não cresceu.
Chegando ao meu destino avistei dois vultos conhecidos na frente do orfanato onde eu e meus amigos Seiya , Shiryu e Hyoga havíamos jogado bola da última vez em que lá estivemos, o primeiro vulto era a jovem e bela Mino que estava conversando como quem dá uma bela bronca em um garoto, e de costas vestindo uma calça jeans e camiseta branca uma jovem loira agachada junto a uma menina menor que chorosa desconsolada.
A jovem loira era simplesmente escultural, cabelos compridos, curvas perfeitas parecia uma pintura...era ela! Não havia dúvida de que era minha querida amiga de treinamento, que sempre cuidou de mim, meu amor de infância e agora meu devaneio adolescente.
Devaneio descreve bem de como eu me lembrava dela, o fato é que anos haviam se passado daquela última vez que nos vimos naquele porto na minha partida para o santuário, haviam sido pouco mais de 4 anos quase 5, tinha na época apenas 13 anos e agora iria fazer 18...
E ela 19, engraçado era apaixonado por uma mulher mais velha, nesse pensamento não deixei de sorrir, Mino foi a primeira a me ver chegando, no mesmo momento ela parou de falar com o garoto que esta a sua frente e identifiquei que mencionava o meu nome com um olhar de interrogação.
– Shun?!
Eu acenei, então o sorriso dela se abriu e gritou:
– SHUN!!!
– Olá Mino- gritei em resposta
A garota loira ficou estática, não se mexeu, parecia inclusive não respirar... até o momento em que me aproximei, Mino veio em minha direção e me deu um abraço sincero e amigo.
– Que bom que você voltou!- Disse ela
– Obrigado Mino, é bom estar de volta! – sorrio
A garota loira se levanta, porém ainda permanece de costas, diz para a criança que está a sua frente seguir com a tia Mino para dentro.
Mino imediatamente pega a menina pela mão juntamente com o garoto que lá estava e diz sorridente:
– Até logo Shun, depois conversamos!- e após essa frase entra no orfanato
Fito as costa da garota loira parada na minha frente, ela treme, por quê eu me pergunto, com certeza deve ser de raiva, afinal da última vez que tivemos juntos eu não havia sido o mais gentil dos homens.
Toco seu ombro e só consigo dizer:
– Por favor, me desculpe!- Não havia percebido, mas uma lágrima já cisma em descer pelo meu olho e simplesmente estou chorando.
June se vira e identifico que ela também chora, seu rosto não estava mais de mascara, seus lindos olhos marejados me fitam , porém não transparecem raiva, o que seria esse sentimento, alívio, tristeza...não sei interpretar...
Ela me abraça e recosta a cabeça e em meu ombro susurrando:
– Estou muito feliz que você está aqui vivo, quantas noites chorei pedindo aos Deuses seu retorno em segurança.
– Estou aqui, voltei vivo como prometi- Digo inspirando o doce aroma dos seus lindos cabelos, sentindo o corpo dela perto do meu.
Ah que sensação incrível era como se o mundo em volta não existisse, só importava aquele simples e mágico momento.
Ela se afasta mas continuamos abraçados, já não chora mais, sorri...seu sorriso é lindo, acho que é a primeira vez que tenho o prazer de admirar o mesmo, afinal de contas sempre a vi de mascara.
Eu retribuo o sorriso e não sei como ou porque digo:
– Você tem o mais lindo sorriso do mundo!
Ela me olha surpresa e sorri novamente, toco seus lábios com a ponta de meu polegar numa carícia, ela por sua vez segura minha mão contra o seu rosto e beija a minha palma.
– Ainda não acredito que você seja real – susurra e me olha nos olhos ainda segurando minha mão contra seu rosto.
Eu me aproximo e como um idiota que sou estrago o momento fazendo uma pergunta estúpida:
– Posso te beijar?
A gargalhada que June deu foi espontânea e divertida e me deixou vermelho extremamente envergonhado .
Já não estávamos mais abraçados, eu havia estragado o momento...
Ela pára de rir e me fita séria e diz:
– Agora eu tenho realmente certeza que você voltou, somente aquele garoto que conheci na ilha de Andrômeda seria capaz de dizer algo assim. Shun, eu espero por esse beijo há anos, por favor, não me faça mais esperar.
Então eu a beijo, simplesmente não tenho a mínima noção do que estou fazendo, nunca beijei ninguém antes, entretanto parece que nossos lábios e línguas guiam-se sozinhos, exploram-se e saboreiam-se apaixonadamente.
Abraço-a com força e nossos lábios se afastam e nesse momento beijo delicadamente sua testa aspirando o suave perfume floral que ela exala.
Ela se afasta pega na minha mãe e me diz:
– Venha, vamos para um lugar melhor e mais reservado para conversar, pois precisamos muito conversar.
Eis minha primeira lição em um relacionamento que mais tarde meu amigo e tutor de faculdade Takeo confirmou:
– Nunca espere boa coisa de uma mulher que diz que precisa conversar... e se falar precisamos muito então...você tá ferrado na certa.
continua...
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