Finalmente chegou o momento em que eu iria ter que passar as noites na casa do Shiryu para ficar com os gêmeos, naquele mesmo dia ao pegar Mino em seu apartamento para irmos para a faculdade ela menciona o fato de que ficaria sem água por uma semana devido à problemas no bombeamento de água do seu prédio, os moradores portanto deveriam buscar água no andar térreo e sobreviver com a água dos baldes.

Ela estava visivelmente irritada com a situação uma vez que ficava muito pouco em casa e que geralmente utilizava esse pouco tempo para descansar, eu fiquei com sensibilizado e falei:

Se quiser pode ficar em casa esse tempo, pois estarei dormindo no Shiryu esses dias lembra!

Com certa relutância ela aceitou, passei aquele tempo com os gêmeos e foi incrível, os meninos eram maravilhosos, a única coisa ruim de ficar com eles era que me lembravam o filho que não tive e evitava dormir muito por causa dos pesadelos.

Shiryu e Shunrei voltaram uma noite antes do previsto, pois o coração de mãe não aguentou tanto tempo longe das crias, porém apesar da volta repentina senti pelos olhares trocados entre o casal que a viagem atingiu seu intuito inicial.

Missão cumprida, dirigi-me ao meu apartamento, chegando lá, entro e ouço música vindo da cozinha e um cheiro agradável, olho na direção do som e vejo que Mino está de costas vestindo um pijama de seda relativamente curto e não pude deixar de reparar nas belas pernas que ela possuía.

Concentrei-me em afastar esses pensamentos o fato é que depois do meu caso com Yume fiquei com poucas garotas, o máximo que saí com uma delas foi durante uma semana pois eu não via sentido naquilo e não me sentia motivado em manter o relacionamento.

O ponto alto na minha vida nesse tempo foi aproveitar meu tempo livre para viajar com o Ikki, conheci lugares incríveis e desfrutei da companhia de meu irmão querido, todavia eu estava com um problema sério, meus pesadelos estavam cada vez piores acordava sempre e em algumas vezes chegava a golpear inconscientemente atacando o vácuo, por esse motivo reforcei as paredes do meu quarto e quase não dormi na casa do Shiryu, logo essa noite dormiria já que estava exausto.

Aproximei e desliguei o som, Mino continuou cantarolando a música e virou assustando-se com a minha presença, foi então que percebi uma garrafa de vinho vazia na pia.

Caramba, Shun, quer me matar de susto!- disse assustada com a voz embargada pelo vinho

Foi engraçado- eu disse rindo

Engraçadinho você né, vai ficar para jantar? Estou fazendo macarrão.

Fico sim, aliás vim para ficar já, Shiryu e Shunrei voltaram mais cedo, não aguentaram ficar longe daqueles pestinhas! Você não ia trabalhar hoje à noite?- perguntei sorrindo

Não, hoje é minha noite de folga esqueceu, o macarrão já está pronto, poderia por favor, colocar a mesa.

Coloquei a mesa e ela serviu o macarrão, começamos a comer, fazia anos que éramos amigos, sua companhia era agradável, praticamente vivíamos juntos no tempo livre, frequentando cinemas, teatro, restaurantes e algumas exposições.

Na sua noite de folga você não sai com o Takeo? Está tudo bem? pois visivelmente acho que você bebeu mais do que deveria- Constatei

Nós terminamos Shun- ela respondeu sem se mostrar abalada

Como assim?- perguntei largando o prato e olhando para ela.

Ela suspirou afastou o prato, encarou-me com olhar triste e disse:

Digamos que eu não fui suficiente para ele como mulher, descobri que ele estava me traindo e ele foi bem sincero e não negou, disse que de uns tempos para cá eu estava sempre muito cansada e ele tinha necessidades que não foram satisfeitas e por esse motivo ele procurou outras mulheres, mas que ele me amava e que talvez agora pudéssemos nos entender.

Bom eu falei que ele deveria ter tido essa conversa comigo antes dele ter me traído, e que agora era tarde demais, resumidamente foi isso que aconteceu.

A conversa de vocês foi só isso?- eu falei achando estranho um termino tão seco de um relacionamento de mais de 3 anos.

Não Shun, essa é forma resumida bonita do que aconteceu, na realidade foram quase 2 horas de conversa com muitas lágrimas e raiva culminando num belo tapa na cara quando ouvi o cara com quem eu dormi esse anos me falando isso, ah e quem é você para achar algo estranho seu termino de relacionamento foi um telefonema.- ela falou alterando o tom de voz

Eu realmente gostava do Takeo, ele era um cara legal, todavia fazer uma menina como a Mino se sentir daquele jeito era o cumulo da insensibilidade, estava me sentindo muito culpado por ter sido eu a apresentar os dois.

Pelo visto Mino, você é tão sortuda no amor quanto eu minha amiga, desculpe por ter apresentado vocês dois- disse em tom amargo.

Shun, nem tudo no mundo é culpa sua!- ela falou e começou a chorar.

Eu não sabia o que fazer então me levantei e coloquei a mão em seu ombro, ela por sua vez se levantou e me abraçou muito forte.

Eu estou tão cansada, parece que nada do que eu faço está certo, tentei ser forte, fazer as coisas certas, estou cansada de ser forte só queria alguém para me apoiar às vezes, acho que deve ser pedir demais.- ela desabafou junto ao meu peito.

Foi então que eu percebi, Mino todos aqueles anos esteve sozinha, as pessoas as quais ela se afeiçoava não ficavam em sua vida por muito tempo.

Fomos até a sala e no sofá ela deitou-se em meu colo e chorou até adormecer, eu a carreguei para o quarto de hospede e deitei-a na cama ao tentar deixá-la ali ela segurou meu braço e pediu chorosa:

Não vai embora também, fica aqui comigo!

Deitei-me ao lado dela, olhei para seu corpo na cama, não pude deixar de perceber o quanto ela era bela, ele merecia muito ser feliz, o plano era esperar ela acabar de adormecer e me retirar dali, todavia o meu cansaço era tanto que dormi ali mesmo ao seu lado com ela segurando meu braço sobre seu corpo.

Como de costume acordei suado e gritando Não, os pesadelos voltaram a dominar novamente, quando ficava inconsciente isso sempre ocorria, voltava naquela época na qual não consegui impedir um Deus de se apoderar de meu corpo, em que quase matei meus queridos irmãos...

Mino se levantou também e me olhou assustada, e depois sua fisionomia foi voltando ao normal, até que ela falou:

Toda noite é assim?

Já havia passado da hora de dividir isso com alguém, contei para ela como eram minhas noites que já havia disparado um golpe acidental e arrebentado uma parede uma vez em um desses malditos pesadelos.

Terminado o meu relato de certa forma estava me sentindo melhor, após vomitar umas duas vezes devido à quantidade exagerada de vinho ingerido Mino conversou comigo e tomei a resolução de começar um tratamento psiquiátrico para solucionar o caso ou pelo menos melhorar o mesmo.

Após esse ocorrido a semana passou normalmente, eu comecei um tratamento com um psiquiatra famoso e comecei a tomar alguns remédios antes de dormir, fiquei surpreso após o 3º dia de tratamento conseguir passar uma noite sem ter pesadelos ou pelo menos sem me lembrar deles.

Estava muito feliz com esse resultado e dividia isso com a Mino, naquele final de semana teríamos a apresentação do Seiya em uma casa de Shows famosa na cidade, ele havia montado uma banda a cerca de dois anos e a mesma estava agora obtendo sucesso e esse show seria o lançamento de seu primeiro álbum.

Combinei de ir com a Mino e ambos iríamos pegar a Saori que estava chegando no final do oitavo mês de gravidez, uma vez que Seiya e o Shiryu já estariam fazendo os últimos ajustes para o show da noite e devido aos incidentes ocorridos durante o período gestacional de Saori eles me escalaram uma vez que eu estava cursando medicina apesar de ter dito que apenas comecei minha residência.

Primeiro passei na Mino e ambos fomos para a casa de Saori, as duas tinham uma convivência legal apesar de um dia Mino ter estado apaixonada por Seiya, esse episódio era página virada e éramos todos amigos.

Chegando ao nosso destino, encontramos um Tatsume desesperado:

Shun, a senhora Kido, ela está entrando em trabalho de parto! Estou ligando para mandarem uma ambulância e não sei se chegarão a tempo.

Tatsume avise o Seiya e verifique quanto tempo demorará a ambulância eu vou lá ver a Saori- disse entrando na casa

Mino me acompanhou, chegamos ao quarto, Saori estava com expressão de dor, e a cama estava molhada indicando que a bolsa se rompera recentemente, imediatamente peguei um medidor de pressão que estava na gaveta da cômoda e medi a pressão dela, constatando que estava muito alta o que devia ter induzido ao parto prematuro.

Shun, minha filha, eu preciso contar uma coisa- ela disse segurando meu braço.

Saori, fique tranquila vamos conseguir, uma ambulância está a caminho e eu sei o que estou fazendo- disse esperando tranquiliza-la.

Shun, eu sempre vou confiar em meus cavaleiros, mas isso tudo está ocorrendo por ter desafiado as regras dos Deuses, me casei com um humano e eles me abandonaram, não tenho mais forças como Deusa...sou apenar uma simples mulher agora.- ela revelou

Ótimo Saori, mulheres tem seus filhos desde quando o mundo é mundo, e mães são mais fortes que Deusas nessa hora- falei com firmeza.

Chamei a empregada solicitei uma bacia de água quente, muitas toalhas e álcool gel, esterelizei minhas mãos da melhor maneira possível, pedi auxílio de Mino que despiu a Saori colocando as toalhas sobre os joelhos dela.

Por mais que a situação fosse bastante delicada, devia verificar sua dilatação e se necessário cuidar para que a criança nascesse, e como eu esperava as contrações já estavam com o intervalo mínimo, e a dilatação havia atingido seu ápice.

Saori, eu preciso que você empurre agora- falei

Ela fazia força, imaginava se iria aguentar, com a pressão alta ela poderia ter n complicações ali mesmo por causa do esforço, entretanto não havia alternativa.

Mino estava segurando as mãos de Saori, incentivando-a, então avistei a cabeça da criança e eu a segurei puxando seu corpo e pegando o bebê no colo, todavia o bebê não chorava, comecei uma massagem cardíaca com meus dedos e insuflar ar por sua pequena boquinha.

Shun, a Saori desmaiou!- disse Mino desesperada.

Verifique seus sinais vitais!- eu gritei não parando a massagem no bebê alternada com a insuflação do ar.

Seu coração ainda bate e ela respira!- Mino afirmou aliviada

Ótimo havia sido apenas um desmaio, nesse momento o bebê reagiu, seu coração começou a bater e tentava respirar com dificuldade devido a seu pulmão ainda não estar totalmente formado.

Nesse momento escuto vozes e entram no quarto uma equipe médica com incubadora e toda a aparelhagem necessária para salvar mãe e bebê.

Tragam o respirador artificial e coloquem na menina, depois levem-na para incubadora e mediquem a mãe para pressão alta- eu ordenei

Olhei para o cenário a minha volta, estava tudo sobre controle, mãe e filha estavam sendo cuidadas e no momento sendo removidas para um helicóptero que as aguardavam.

Seiya chegou desesperado, eu informei o que havia acontecido e ele seguiu com sua esposa e filha no helicóptero, eu disse que ia de carro depois.

Obrigada, Shun!- Seiya disse me abraçando e com lágrimas nos olhos se retirou.

Ainda estava no quarto de Saori minhas mãos sujas assim como minhas roupas, olhei e vi Mino sentada na cama com o olhar perdido fui até o banheiro e lavei minhas mãos e retirei minha camisa, voltei e sentei-me ao lado dela na cama.

Elas vão ficar bem, né?- ela perguntou

Sim!- eu afirmei.

Eu te amo, Shun!- ela disse ainda com olhar perdido.

Olhei para ela, e tentei entender, ela era minha melhor amiga devia ser isso a que ela estava se referindo...

Faz um bom tempo que eu amo você, eu olhava para seu rosto enquanto você fazia o parto, vi seus olhos brilharem e apesar de toda a situação, sabe o que ficava pensando, daria qualquer coisa para ter os seus lábios encostados nos meus, e o pior é que isso é torturante, quando você chega de manhã para me buscar meu impulso é querer correr para seus braços...não dá mais para fingir ser só sua amiga...- ela disse me olhando nos olhos.

Caramba, Mino eu não sei o que falar!

Tudo aquilo era novidade, apesar de inúmeras vezes achá-la atraente, nunca pensei nela daquela forma, respeitava muito a nossa amizade e sempre achei que ela realmente gostasse do Takeo.

Shun, você ainda ama a June?- ela perguntou

Sim, acho que nunca vou deixar de gostar dela!- respondi, não sabia mentir para ela.

Eu entendo, se não fosse por ela você não teria sobrevivido ao seu treinamento, ela cuidou de você naquela época, e o que vocês viveram foi intenso e mal terminado...como ela mesma diz- Mino deixou escapar.

Você fala com ela e ela pergunta de mim?- perguntei curioso, será que June falava de mim, a última vez que tive notícias dela ela iria se casar com o bonitão de meia idade que era seu antigo professor a cerca de dois anos e na ocasião tinha jurado nunca mais saber nada, pois doía muito.

Sim, eu falava até cerca de 6 meses atrás quando brigamos, pois disse que estava apaixonada por você, e que iria terminar com o Takeo e tentar ficar com você, todavia não tive coragem para fazer isso, e sabe que para quem tá casada ela não reagiu muito bem a essa notícia, pareceu sentir ciúmes e depois disso nunca mais conversamos- Mino confessou

Eu não sabia, isso também é um problema dela, ela escolheu esse caminho- disse determinado

E você, não tá na hora de você escolher um caminho, eu entendo o que você sente por ela, mas nós somos tão bons juntos, será que não devemos nos dar essa chance de tentar ser felizes juntos...- ela falou segurando minha mão.

Percebi que talvez ela tivesse razão, era quase natural estarmos juntos, apertei sua mão na minha ergui seu queixo para mirar seu rosto e percebi que ela estava vermelha, falar tudo aquilo deve ter sido muito difícil, beijei-lhe a testa em sinal de respeito e sorri, ela sorriu em retribuição e então nos beijamos.

Dessa maneira começamos a namorar, no mesmo dia que nasceu Akemi filha de Saori e Seiya, que apesar de pequena possuía a beleza da mãe e a vontade de lutar do pai, seria uma garota brilhante com certeza.

Notas finais
Espero que tenham gostado do capítulo, Akemi significa Linda Luz achei que seria um belo nome para uma semideusa..rs