Katsuo completou um ano, fizemos uma linda festa para ele no jardim, contamos com a presença de toda nossa família que estava crescendo maravilhosamente, tínhamos quatro lindas crianças presentes e recebemos a notícia que em breve teríamos um príncipe na família filho de Hyoga e Hilda soberana de Asgard.

Tudo correu como o esperado, até Yume parecia com vigor renovado e conseguiu sair do quarto mesmo na cadeira de rodas para acompanhar os festejos, após cerca de duas horas de festa apareceram Mino e June uma na companhia uma da outra e bastante sorridentes.

– Saori, você convidou as duas?- eu perguntei surpreso.

– Não Shun, quem fez a lista de convidados foi você e a Yume.- ela respondeu.

Aproximei-me de Yume que estava com o pensamento perdido olhando para as crianças brincando...

– Uma moeda pelo seu pensamento!- disse

– Estava pensando se poderia em algum momento ter sido mais feliz que agora, ele foi a melhor coisa que fiz da minha vida- disse ela sorrindo olhando para Katsuo que brincava com a babá.

– Da nossa vida!- completei pegando a cadeira e sentando-me ao seu lado.

– Fui eu que as convidei, sua ex-namoradas- ela falou.

– Como você sabia que eu iria perguntar isso- eu disse sorrindo.

– Bom, elas chegaram e você veio falar comigo, não foi difícil saber- ela falou.

– Por quê?- perguntei

– Elas são suas amigas, e você vai precisar de todos seus amigos quando eu não estiver mais aqui sem contar que você é gamado naquela loira ainda, eu entendo até eu ficaria com ela se pudesse e você sabe que eu curtia isso também, apesar de que a outra também dá um bom caldo- respondeu.

– Você pelo menos pode falar que curtiu muito um pouco de tudo nessa vida- falei em tom de deboche, nesses meses havíamos passados muito tempo juntos e nos tornamos muito amigos.

– Sem dúvida que posso! Bobo você que nunca aceitou quando queria chamar uma amiga para as nossas festinhas- ela disse sorrindo.

– Ah Yume, sou meio careta, para mim nesse tipo de coisa dois é o número ideal- disse suspirando e não pude deixar de olhar de soslaio para June que conversava animadamente com Hilda.

– Prometa que nunca vai mencionar isso para o Katsuo, existem coisas sobre mim que ele não precisa saber- ela pediu séria.

– Nunca, apenas direi o quanto você o amava!- respondi.

Conversamos mais um pouco e depois fui circular pela festa verificar se estava tudo certo com os convidados, entre eles Mino e June, conversei muito pouco com as duas e a festa ocorreu conforme o esperado.

De noite após colocar um Katsuo extremamente exausto para dormir, fui verificar Yume em seu quarto, ela ainda estava acordada.

– Deveria descansar!- eu disse preocupado.

– Só queria te dizer muito obrigada, não só pela festa, mas por tudo o que você e sua família tem feito por mim e pedir um beijo de boa noite- ela disse sorrindo.

Eu me aproximei, ajoelhei sobre seu leito e beije-lhe delicadamente os lábios já tão machucados pela doença.

– Boa noite!- susurrei em seu ouvido.

– Eu te amei sabia, do meu jeito torto e esquisito, contudo ainda assim era amor- ela falou segurando forte minha mão.

– Eu sei, agora descansa!- disse beijando-lhe a testa e a cobrindo carinhosamente.

– Adeus, Shun!- ela se despediu como fazia todas as noites desde que foi para aquele quarto.

No dia seguinte acordei com o som do apito do monitor cardíaco indicando uma parada, corri para o lado de Yume e ela estava com o mesmo ar sereno da noite anterior, como ela havia pedido para que não tentássemos ressuscitá-la caso isso ocorresse eu apenas esperei os batimentos cessarem e anunciei a hora da morte alto como um médico deveria fazer.

– Hora do óbito, 6h22min.- as lágrimas rolaram pela minha face e foi quando percebi pela mão no meu ombro que não estava sozinho, Seiya, Saori e Hyoga estavam ali e todos choravam.

Fui abraçado pela Saori e pedi para o Seiya que cuidasse dos preparativos do velório, por mais que soubesse que isso iria acontecer percebi que não estava preparado, no final acho que estive esperando por um milagre.

O velório de Yume foi muito bonito, até o Ikki apareceu e sumiu no dia seguinte, bom enfim Ikki sendo ele mesmo.

Eu foquei mais minha vida em Katsuo depois do ocorrido não retomei minha residência, era apenas pai em tempo integral. Mino vinha me ver às vezes e ficava brincando com Katsuo, após 4 meses ela informou que iria viajar para fazer intercâmbio durante um ou dois anos.

Eu fiquei muito feliz por ela e inclusive fui acompanhá-la até o aeroporto, nos despedimos com um abraço, quanto a June assim como era esperado ela sumiu novamente da minha vida e dessa vez tinha certeza que não voltaria a vê-la.

Katsuo estava prestes a completar dois anos de vida, quando em um dia Shiryu me ligou:

– Olá Shun, queria saber se você tem alguma coisa contra eu contratar June como minha assistente trainee?-ele perguntou.

– Como assim?- eu perguntei.

– Shun você anda extremamente desligado, como disse na última reunião do conselho necessitamos de uma pessoa para ajudar nos assuntos relacionados a administração uma vez que apenas Nachi, Ban e eu não estávamos mais dando conta assim abrimos as provas seletivas que diga de passagem não era para qualquer um passar e adivinha quem tirou o primeiro lugar que foi revelado o nome apenas após a correção...- ele disse impaciente.

– June- respondi a pergunta retórica dele.

– Sim, foi ela e achei que deveria perguntar para você o que achava e então?- ele interrogou novamente.

– Contrate-a se ela mereceu, e outra coisa Shiryu, não precisa me ligar eu confio nas suas decisões- disse desligando o telefone.

Meus irmãos andavam impacientes comigo, todos achavam que eu devia retomar meus estudos e seguir a minha vida, que Katsuo não era uma criança doente que necessitava do pai 24 horas por dia ao seu lado e nem a academia eu estava frequentando mais.

O fato é que não tinha mais vontade de fazer nada, faltava motivação, sentia-me cansado e não queria sair de perto do meu filho, inclusive Saori havia me dado um sermão de que passar tanto tempo perto da criança era sufocante até mesmo para o pequeno, pois devíamos criar os filhos para ser independentes e que deveria tê-lo colocado na escola com Akemi.

Depois de um mês após o telefonema de Shiryu, eu encontro June na sala de visitas de casa me procurando:

– Olá, Shun! Com tem passado?- ela pergunta sorrindo

– Muito bem e você?- respondi mecanicamente.

– Tudo bem, oi Katsuo! Como você cresceu, está lindão hein- ela falou dirigindo-se para meu filho que enroscava-se nas minhas pernas.

Katsuo era uma criança sociável, logo ele e June estavam brincando alegremente.

– Ele é uma graça Shun, então eu vim trazer esse papéis para você, Seiya e Saori assinarem, agora pegar assinatura do conselho é uma das minhas tarefas quando o assunto é urgente- ela falou me dando alguns papéis.

Peguei uma caneta enquanto ela brincava com Katsuo e assinei os papéis voltei e devolvi os mesmo para ela.

– Pronto, já estão assinados!- eu falei.

– Obrigada, agora vou indo, ah não sei se você sabe que restauraram o parque do centro da cidade e eu vou correr lá aos domingos, tem um playground muito legal e uma sorveteria que sinceramente é uma experiência imperdível, você não gostaria de levá-lo lá domingo agora?- ela perguntou

– Claro,acho que vai ser legal, acho que vou sim- falei sem entusiasmo.

– Que horas?- ela perguntou sorrindo

– Umas 9 da manhã- eu respondi

– Legal, vamos fazer o seguinte eu vou correr antes e te encontro essa hora lá no playground e podemos conversar, enquanto o baixinho aqui brinca e depois tomamos sorvete- ela combinou.

Eu aceitei o convite e durante os domingos seguintes esse era minha programação, no parque June chegava com sua roupa de ginástica e levava o Katsuo pacientemente em todos os brinquedos do playground e depois tomávamos sorvete.

June falava do trabalho com verdadeira adoração, estava sempre entusiasmada e parecia estar muito bem em relação a tudo, eu falava sobre meu filho, parecia aquelas mães chatas, dizia das minhas preocupações e ela parecia estar interessada em tudo.

No aniversário de segundo ano de Katsuo eu a convidei e disse se fosse o caso ela levasse o acompanhante, com certeza June já deveria estar namorando, porém contrariando minhas expectativas ela apareceu sozinha e meu menino reconhecendo-a não desgrudou dela durante a festa.

Ikki apareceu nesse aniversário do sobrinho e ficou num canto visivelmente mal humorado durante a festa inteira. Despedi-me dos convidados e fui subir para fazer o pequeno dormir.

– Ei Shun, vamos sair, Saori e Seiya cuidarão do Katsuo- Ikki falou segurando meu braço.

– Agora não! Quem sabe amanhã- eu falei

– Vem agora que eu preciso falar com você!- Ikki falou sério e saiu a minha frente.

Suspirei e o segui até a moto dele, ele me passou um capacete e eu montei na garupa me segurando ao encosto do banco atrás de mim, saímos e viajamos durante uma hora e chegamos ao litoral onde havíamos conversado uma vez há muito tempo atrás.

Descemos fomos até a areia e eu me sentei, Ikki retirou a jaqueta e a camiseta que vestia, assim como os sapatos.

– Vai nadar?- perguntei pensando que a água devia estar gelada.

– Sabe Shun estava executando minhas missões tranquilamente aí há cerca de dois meses atrás o Seiya me ligou disse que eu devia voltar que você estava estranho, e blá blá blá eu não dei muita bola, só que depois o Geki também me ligou dizendo que nem se exercitando você estava mais e blá blá blá e assim também telefonaram o ganso e o cabeludo e comecei a me preocupar então eu voltei faz exatamente um mês e comecei a observar sua vida mais de perto.

E você é um idiota!- Ikki disse em tom de raiva.

De repente eu estava apanhando levei um soco no abdômen que me tirou o fôlego, assim como um belo gancho de direita que me tirou do chão e me fez aterrisar na areia de costas.

– Ei o que você está fazendo?- perguntei sentindo o gosto de sangue na boca.

– Levante-se você não gosta de ficar sentindo dor e pena de si mesmo, vou dar motivo para você olhar para sua cara arrebentada e ficar nessa fossa- Ele disse me socando novamente.

Ao cair ele começou a me chutar ele me ergueu pela gola da camisa e começou a estapear a minha cara.

– Acorda para a vida, você tem um filho saudável, uma família que te ama, uma carreira para seguir e uma mulher que está esperando você ver que ela não vai mais embora...- ele disse me dando uma joelhada no saco.

Eu cai de joelhos sentindo uma dor que subiu pelo abdômen e tapava a garganta, levantei-me novamente, minha roupas estavam rasgadas e estava todo arranhado, sentia meu olho inchar e pela primeira vez em muito tempo sentia a adrenalina voltar ao meu corpo...

– VOCÊ ESTÁ LOUCO? PARE JÁ COM ISSO!- berrei

– Ficou nervoso, não deveria já que você não usa o que você tem no meio das pernas- ele falou calmamente.

– Ela não me ama, você está errado sobre isso!- eu afirmei cuspindo sangue.

– Eu não afirmo as coisas que não tenho certeza, investiguei a vida de June e posso garantir que faz mais de ano que essa garota não sai com ninguém, apenas estuda e trabalha, e adivinha qual o programa dela durante o final de semana...cara, como você é patético, ah se eu tivesse sua sorte.

Pela primeira vez em anos eu me arrependi de ter trocado de lugar com você naquela maldita seleção para treinamento de cavaleiro- Ikki falou com mágoa na voz.

Ele veio em minha direção e começou a me bater novamente dessa vez eu aceitei sem sequer gemer de dor, a pior dor era aquela de saber que meu irmão, meu niissan não tinha orgulho de mim.

Após a nova sessão de surra eu me levantei, sentia minha vista embaçar com sangue, limpei e falei:

– Você tem razão, eu não mereço tudo o que eu tenho!

– Os cavaleiros de ouro morreram por nossa causa, o mínimo que podíamos fazer era viver uma vida sem arrependimentos valorizando cada segundo da mesma e o que você está fazendo fica se escondendo atrás de um bastardo de 2 anos- Ikki disse com frieza.

Eu com velocidade venci a distância que nos separava e o golpei com uma sequencia de jab, direto , cruzado de esquerda e gancho de direita ele caiu no chão se levantou alisando o queixo golpeado um filete de sangue escorria de sua boca...

– Não fale de meu filho dessa maneira, nunca mais!- disse com convicção.

– Finalmente começou a reagir, achei que teria que te matar!- falou sorrindo.

Então como num passe de mágica entendi o que ele estava fazendo e percebi que além dele ter razão estava na hora de eu reassumir o protagonismo da minha vida.

– Ikki, você poderia por favor emprestar a moto?- eu pedi

– Esse é o meu garoto, toma a chave, eu ligo para o cabeludo vir me buscar- ele disse me jogando a chave.

Montei na moto e tomei a direção da casa da pessoa que precisava ver com urgência.

Continua...