Recomeços

1 Capítulo 1 - A Maldição


Notas iniciais
Olá!

Uma nova Fanfic na área!

Esperamos que gostem ♥

Um homem de pele acinzentada — que mais parecia a de um crocodilo — caminhava tranquilamente pelas ruas próximas ao castelo branco no coração de Wonderland. Andava sem prestar muita atenção a seus arredores, apenas tinha seu propósito: pegar a filha de Alice Liddell e a levar para seu próprio reino. O porquê de fazer aquilo era algo que ele não falava a ninguém, não devia explicações a ninguém, apenas o faria. O “crocodilo”, com um aceno da mão direita, abriu as portas do recinto e o adentrou. Não havia nenhum guarda, ao menos não vivo. Dezenas de corpos estavam esparramados pelo local, cheios de sangue e vazios de vida. O homem continuou seu caminho, subindo as escadas na direção dos aposentos reais. Ao finalmente alcançar seu destino, ele andou novamente sem pressa, sabendo exatamente o que precisava fazer. Encontrou uma mulher ajoelhada no chão ao fim de um rastro de sangue. Era jovem, não devia passar de seus 20, 22 anos e segurava uma menininha como se sua vida dependesse daquilo. Ela chorava, mas o homem não tinha pena, seguiu na direção dela e deu uma risadinha. Com apenas alguns movimentos das mãos a moça estava morta e a pequena nos braços dele. Segundos depois já havia desaparecido dali e estava parado à porta de uma casa, batendo de forma insistente na porta antes de ali deixar a menina sem identificação nenhuma, apenas sentada sobre um pequeno cobertor azul. Logo desapareceu em uma nuvem vermelha de fumaça.

Uma menina loira de quatro aninhos abriu a porta e procurou por quem havia batido na mesma, porém não achou ninguém. Achava que tinha sido algum amigo de seu pai ou de sua mãe, mas não tinha certeza. Estava quase fechando a porta no momento em que escutou um resmungo que a fez escancarar a porta novamente e olhar para baixo, finalmente enxergando a menininha que estava ali sentada, encarando-a com olhinhos curiosos. A loirinha encarou-a de volta, igualmente curiosa. A mais nova fez um beicinho e esticou os pequenos braços, recebendo um olhar ainda mais confuso da outra. Uma mulher se aproximou das crianças, vindo de dentro da casa. Seu rosto era belo, bondoso, seus cabelos eram louros e ela trazia em seu rosto um olhar simples e singelo. Seus olhos azuis refletiam a curiosidade ao ver a pequena ali. Acabou por levá-la para dentro e a criou assim como suas duas filhas: Ella, de seis e Daniella de quatro anos. Alexandra, a menininha de dois anos, acabou se apegando a essa família, principalmente a Danie, que foi a primeira pessoa a encontrar naquela casa.

As três meninas cresceram como irmãs, muito unidas, um laço inquebrável foi construído e ele era mais necessário que qualquer outra coisa, ainda mais que no ano seguinte à entrada de Alexandra na família a mãe delas faleceu por conta da tuberculose que adquiriu. Passaram o próximo ano com o pai, sendo criadas com muito amor, muito mais do que elas podiam pedir. No próximo ano o homem encontrou uma esposa que veio com mais duas filhas, mais ou menos da mesma idade das meninas, porém elas nunca se deram bem. As duas eram arrogantes, orgulhosas e não gostavam de se misturar. Não demorou muito para que o pai das meninas viesse a óbito também e sua esposa colocasse as garras de fora. Logo mandou Daniella para a casa de um casal de nobres da corte e Alexandra para a casa do chefe da Guarda Real.

Dez anos se passaram e Danie, nesse tempo que passou com seus pais adotivos, foi muito feliz, mas ela sempre pensara em Ella, da qual não ouviu mais nenhuma notícia. Em contrapartida sua irmã mais nova ela via praticamente todos os dias. Descobrira havia alguns anos que Ale havia sido adotada pelo o capitão da guarda do castelo e as meninas tinham se esbarrado uma vez quando brincavam no jardim. Nesse dia a mais velha reconheceu sua irmã caçula, isso por conta da tatuagem que as três irmãs receberam quando pequeninas pela Fada Amarela, que disse que era para elas se encontrarem novamente e que as ajudaria a achar aquela pessoa especial.
Cada uma delas tinha uma tatuagem diferente e num lugar diferente também. Ella havia recebido a sua no tornozelo e tinha a forma de uma espada. Daniella recebeu a sua na base da coluna e era um gancho e Ale ganhou a sua no pescoço e sua forma era a de uma coroa.

A partir daquele dia as duas não se separaram mais. Era como a fada havia dito, elas iriam se reencontrar novamente. Só faltava Ella, porém as as duas só a encontrariam anos mais tarde quando o Rei fizesse um baile para seu filho, o príncipe Thomas assim que o mesmo voltou da guerra. Esse baile seria feito com o intuito de arranjar uma noiva para o jovem.

Em algum momento entre o dia que Thomas havia chegado e o baile Danie tinha combinado de se encontrar com seu amigo de infância. Os dois saíram para dar um passeio de cavalo e colocar o assunto em dia. O príncipe lhe contou um pouco dos acontecimentos da guerra e filha do Arquiduque contou sobre suas aulas de etiqueta, que estavam deixando-a louca, assim como a pressão para que ela encontrasse alguém para se casar. Ele riu do beicinho que a jovem fazia, afinal a loira queria se casar por amor e não ter um casamento arranjado. Apesar da diversão, Thomas concordou com ela, dizendo que seu pai estava empurrando-o para qualquer garota nesse baile que viria pela frente e isso o deixava indignado.

Os dois chegaram ao local desejado, acima de uma colina a qual dava para ver o Reino todo e o castelo ao fundo. O jovem então se virou para a amiga e lhe questionou se eles não deveriam se casar. A loira virou o rosto rapidamente para ele, chocada e respondeu que ficava feliz por ele ter pensado nela, mas que Thomas sabe tanto quanto Daniella que não daria certo, eles eram amigos e apenas isso. Afinal, ambos desejavam sentir aquela paixão desenfreada e o amor que faz fazer loucuras e mudar a si mesmo para melhor. Isso eles jamais iriam conseguir se se casassem, mas para aliviar o clima a loira brincou que se ele não achasse nenhuma garota no baile que chamasse sua atenção, ela pensaria do caso. O príncipe riu divertido e concordou com tudo que a moça havia dito. Passaram o resto do tempo rindo com outros assuntos, num clima tranquilo de sempre, antes de terem que voltar para o castelo.

Todas as moças solteiras do reino foram convidadas, não importando sua classe social. Nobreza, realeza, burguesia, e até mesmo as que provinham de famílias com menores condições financeiras.

Alexandra, obviamente, fora convidada, entretanto recusou o convite. Não via graça alguma nesses bailes e, em seus 14 anos, tinha verdadeiro horror a arranjar algum pretendente, então foi conversar com seu pai que, apesar da pose de durão por ser o Capitão da Guarda Real, tinha o coração muito mole quando se tratava de sua pequena e lhe fez um pedido: que ela fosse ao baile, porém como aprendiz dele. A isso a jovem Ale concordou, dando um abraço forte no pai e agradecendo, afinal tudo o que ela mais queria era seguir os mesmos passos do pai e se tornar a melhor guerreira do reino.

Chegou, então, o grande dia e Alexandra se olhava no espelho, completamente orgulhosa de si mesma ao se ver com o uniforme que lhe foi confeccionado. A parte superior era azul com alguns detalhes em uma cor acobreada e o emblema do reino perfeitamente costurado na altura do peito, do lado esquerdo. A calça era branca e as botas negras. Faltava apenas uma espada que fosse sua e não emprestada. Como se o pai ouvisse seu pensamento, o mesmo adentrou o quarto dela e lhe presenteou com uma espada prateada, o punho da mesma era cravejado de pequenas pedras verdes. Com um grande sorriso, novamente, a jovem se pendurou no pescoço do homem e o beijou, dizendo que o amava antes de embainhar a arma novamente e prendê-la de maneira firme ao lado esquerdo do corpo.

Após o momento carinhoso entre os dois, ambos se encaminharam ao castelo entre brincadeiras e risadas descontraídas, até assumirem seus postos, na entrada do local.

Danie havia posto um vestido cor-de-rosa, rodado e levemente decotado, estava ansiosa. Esperava que achasse um homem decente para poder conversar, e quem sabe rolar um clima. Por mais que reclamasse quando seus pais falavam sobre o assunto casamento, isso estava em sua mente. Mas queria casar por amor, não aceitaria menos que isso.

A garota estava sentada em sua penteadeira terminando de passar a maquiagem quando algo estranho aconteceu. Ela foi envolvida por uma espécie de nuvem amarela com brilho. Assustada, a jovem se levantou da cadeira e andou alguns passos para trás, entretanto o que quer que fosse que a envolvia a seguiu e foi adentrando seu corpo. Daniella engoliu em seco, começando a se sentir diferente, mas não era uma sensação ruim. A loira se encarou no espelho tentando achar qualquer coisa diferente em si, mas não achou nada errado em sua aparência. Se perguntava o que havia acontecido com ela e pulou de susto quando sua mãe bateu na porta de seu quarto e entrou. A mulher queria saber se a jovem estava pronta e a mesma, ainda tentando acalmar o coração, assentiu. A mais velha então falou a ela que descesse, que era hora de ir. Suspirando, Danie acompanhou seus pais, indo em direção ao baile. Esperava que se ela não achasse alguém pelo menos Thomas achasse.

Ao passar pela entrada ela se deparou com sua irmã caçula vestida com o uniforme da Guarda e então sorriu abertamente, afinal sabia o quanto a caçula desejava isso. Daniella mandou um beijo para Ale, que lhe mandou outro juntamente com um sussurrado “divirta-se” e continuou seu caminho para dentro.

O baile só começaria depois que todas as donzelas do reino fossem apresentadas ao Príncipe. Quando chegou a vez de Daniella, os dois sorriram abertamente ao fazerem a reverência, e o jovem acabou puxando-a para dançar. Ela lhe perguntou o que estava fazendo e ele disse, que havia cansado de fazer reverência a tantas jovens e que preferia dançar com alguém conhecido. O problema era que Danie era péssima dançarina e com isso acabava pisando aleatoriamente no pé do coitado, que apesar de manter a pose de que não estava acontecendo nada errado, fazia caretas de dor e sua amiga notar isso.

Após alguns momentos o baile foi interrompido por conta de uma jovem atrasada de vestido azul. Danie inclinou a cabeça para o lado, essa moça loira lhe era familiar. A atrasada caminhou pelas pessoas, que lhe davam espaço, e parou na borda da pista de dança. Negando com a cabeça a filha do arquiduque voltou a olhar para seu amigo e neste momento percebeu que o mesmo estava em outro mundo. Olhava para a jovem de vestido azul de uma maneira que fez o coração de Daniella acelerar, desejando que alguém a olhasse assim. Sorrindo ela deu uma cotovelada em Thomas e sussurrou um “vai logo e tira ela para dançar”. O jovem olhou para a loira assustado por um instante antes de sorrir agradecido. Dando um beijo na mão da amiga ele se afastou.

A jovem saiu do meio da pista de dança balançando a cabeça negativamente, mas completamente feliz e ficou, assim como os outros convidados, assistindo Thomas com a jovem desconhecida, mas familiar, dançando. Logo havia outros casais dançando e Danie foi tirada para dançar por um jovem loiro de olhos castanhos, era o filho do barão. A moça já tinha ouvido falar sobre ele, que era bem educado e rico, mas para ela isso pouco importava. Eles conversaram um pouco, mas foi o suficiente para deixar a loira cansada. O garoto só sabia falar de si mesmo, de seus feitos e posses. Quando ela não aguentava mais um “Eu” sair da boca do rapaz, pediu para que ele buscasse algo para beber e, assim que ele virou as costas, a loira correu para o outro lado do salão.

Outro jovem lhe convidou para dançar, mas o resultado acabou sendo o mesmo. Frustrada pelo fato dos homens da corte serem tão egocentristas e de cabeça inflada, ela resolveu ir conversar com sua irmã mais nova.

Alexandra estava no mesmo local desde que chegara, à entrada do castelo, observando cada um que ali adentrasse, procurando alguém suspeito. Seu pai havia lhe dito que prestasse atenção a todos para que não houvesse problema nenhum e havia lhe confiado o posto sozinha por alguns minutos para que ele pudesse fazer a ronda pelos arredores. A menina achou divertido e sentiu-se importante com isso; queria dar seu melhor, apesar de não ter muito trabalho por ali. Olhou sorrindo para o céu, vendo-o estrelado, e se perdeu ali por alguns instantes, completamente imersa em pensamentos até que as portas do salão se abriram, revelando sua irmã que não parecia estar feliz.

— Como vai a lady mais bonita do baile? — indagou a jovem em tom de brincadeira. Danie apenas bufou e sem cerimônia nenhuma se sentou no chão, mesmo com seu vestido bonito.

— To ótima. — respondeu abraçando suas pernas enquanto olhava para longe. Notando o tom dela, Ale sentou-se ao seu lado, perdendo a pose de guarda, mas não se importando muito; era capaz de observar mesmo do chão.

— O que te incomoda? — ela perguntou, olhando para a mais velha.

— Só o fato de que todos os homens são idiotas, arrogantes e tem o ego maior do que o reino. — a moça respondeu revirando os olhos e então colocou tudo o que estava sentindo para fora — Será tão difícil achar alguém que dê para conversar sobre qualquer coisa? Que eu sinta que vou ser sempre protegida? Que vai me amar como eu sou e me fazer querer ser melhor por ele e ele querer o mesmo por mim? É muito?- ela questionou sua irmã quase num tom desesperado e então se revoltou — Pois se for para ficar com qualquer deles lá dentro, prefiro morrer solteira!

Ale deu um suspiro profundo e certamente concordava plenamente com Danie. Os homens não prestavam, eram egoístas e egocêntricos. Não todos, porém eram em sua grande maioria. Encontrar alguém que realmente valesse a pena era como encontrar uma agulha em um palheiro, era quase impossível, porém existia a possibilidade ainda que remota.

— Olha sis... Difícil com certeza vai ser, e muito. Você sabe que eu digo o que penso. — ela suspirou novamente, tocando o braço da irmã para chamar sua atenção, fazendo-a olhar em seus olhos — Mas não é impossível. O amor verdadeiro não é algo que cai do céu, a gente precisa batalhar por ele. Se fosse fácil não seria verdadeiro... — ela desviou o olhar da moça, novamente olhando para as estrelas como se estas pudessem lhe dar a resposta que buscava. Demorou alguns segundos antes de voltar a falar, ainda com sua atenção nos astros — Eu acho que aqui nem eu nem você vamos encontrar. Acho que existe mais lá fora e nos cabe buscar...

Era um discurso maduro para uma jovem de 14 anos, porém Alexandra já havia visto muitas coisas em sua vida que lhe davam convicção do que dizia. Danie olhou para as estrelas também, perdida em pensamentos. Sim sua irmãzinha tinha razão, ali no meio de bailes, coroas e jóias nunca acharia a pessoa ideal. Ela nunca entendeu muito bem, mas não se encaixava nesse lugar. Não tinha problemas em se comportar, mas também não era livre para escolher por si própria muitas vezes. Muitas vezes ela só queria pegar seu cavalo e sair correndo mundo a fora e explorar, conhecer o mundo, ver o mar. E sem falar que a tatuagem a intrigava. Fazia muito tempo que a jovem não pensava no desenho que marcava seu corpo, mas hoje pareceu apropriado. Nunca havia entendido o porquê de a Fada Amarela ter lhe dado algo como aquilo.

— Por quê? — ela se questionou em voz alta sem querer. Ale desviou o olhar da imensidão negra pontilhada e o voltou para Daniella, com a testa franzida ao ouvir sua pergunta. Não entendia exatamente o que a mesma questionava, então externou sua dúvida:

— Por quê... O quê?

— Não entendo minha tatuagem... A sua faz sentido, uma coroa, mas a minha não tem sentido. — disse a loira ao perceber que havia feito sua pergunta em voz alta, e assim resolveu explicar a sua irmã o que se passava em sua mente.

A outra novamente pareceu perder-se em pensamentos. Estava mais uma vez tentando entender o sentido daquilo. Um gancho não tinha significado algum para nenhuma das duas. Será que a Fada Amarela havia se enganado no momento em que dera as tatuagens para as garotas?

Suas indagações foram interrompidas pelas portas do castelo que se abriram, revelando uma jovem em um belo vestido azul. A moça corria apressada, parecia querer sair rápido dali. Teria alguma coisa acontecido?

Ambas as meninas se levantaram num pulo olhando para aquilo chocadas e, quando Ale iria fazer algo, Thomas foi correndo atrás da jovem. Alexandra perguntou se deveria ir chamar seu pai e Danie respondeu com um sorriso de canto que não, que Tom iria resolver isso sozinho. Disse isso obviamente rindo. O príncipe realmente tinha caído de quatro pela a loira de vestido azul.

Ainda preocupada com aquela situação, Ale se ergueu um pouco na ponta dos pés e mordeu o lábio inferior, pensando se realmente não deveria correr atrás dele, afinal seu pai havia deixado a responsabilidade em suas costas e ela não queria decepcioná-lo. Decidindo por realmente ir, a jovem deu um passo à frente, porém não continuou pois viu-o retornando, parecendo derrotado.

— O que aconteceu Tom? — perguntou Danie curiosa e preocupada com seu amigo, ainda mais vendo a cara que ele fazia.

— Ela fugiu… — respondeu o príncipe com um suspiro e Daniella colocou a mão na boca para evitar de rir da cara do coitado, afinal ele já estava sofrendo o suficiente. A jovem não precisava piorar a situação e via que Alexandra conseguiu manter uma cara séria. — Mas ela deixou um sapatinho para trás, e com ele eu vou achá-la.

A loira fechou os olhos e levou a mão para o rosto, em negação ao que tinha acabado de ouvir. Ela olhou para seu amigo de infância e lentamente falou:

— Você sabe, que tem muitas mulheres que tem o pé de mesmo tamanho, não sabe? — o modo como Danie disse isso, parecia estar tentando explicar algo para uma criança.

— Eu sei, e vou achá-la! — respondeu Thomas sem se importar com o tom da amiga, e se dirigiu para dentro do castelo completamente determinado. Ale apenas revirou os olhos com a conversa dos dois e se recostou ao batente da porta. Deu um longo suspiro e olhou para a irmã, que continuava a rir de maneira incessante. A mais nova não conseguia achar tanta graça naquilo, afinal poderia ter levado uma bronca enorme do pai se algo tivesse acontecido ao príncipe e seu objetivo de um dia tornar-se chefe da guarda estaria estremecido. Seu posto não lhe permitia rir da situação. Ergueu uma das sobrancelhas à irmã, indagando:

— Você acha que ele vai conseguir achar a moça?

— Eu não sei… — respondeu a mais velha, secando as lágrimas e se acalmando. — Mas sinceramente, espero que sim. Eu vi o jeito que eles estavam dançando, era lindo. Pareciam que foram feitos um para o outro. — falou com estrelas no olhar, desejando um dia dançar assim com alguém. A outra apenas começou a rir da irmã e balançou a cabeça negativamente. Esperava que nunca encontrasse alguém que a deixasse daquela forma. O amor fazia com que as pessoas se perdessem e Ale não queria se perder. Queria viver sua vida e encontrar seu verdadeiro caminho.

Alguns dias depois Alexandra e Daniella estavam indo para o jardim do castelo, e enquanto caminhavam, mantinham uma conversa leve e divertida. Uma vez que chegaram ao lugar desejado, a mais nova entregou para sua irmã uma espada de madeira. Ela, como filha do chefe da guarda, sabia manejar muito bem uma espada e estava ensinando a sua irmã a como se defender, caso fosse necessário algum dia. Afinal a moça mais velha fazia parte da corte e sua mãe não achava que isso era importante para uma dama aprender, portanto Ale tomou para si a tarefa de ensinar sua irmã, mesmo que fosse em segredo.

As aulas estavam acontecendo fazia um mês e meio e Danie estava se saindo muito bem. Ale tinha a esperança de que em menos de uma semana estariam usando espadas de verdade e isso a animava, afinal mostrava que a mais velha estaria apta a lutar caso necessitasse.

A jovem de cabelos acinzentados deixou que a outra iniciasse a sequência de movimentos que lhe havia sido passada no dia anterior para se aquecer antes que começasse a revidar para treinar a defesa e o contra-ataque da irmã. As espadas brandiam uma contra a outra de igual para igual em um movimento muito bem sincronizado até o momento em que Ale resolveu aumentar um pouco a dificuldade, desferindo golpes mais rasteiros na altura dos joelhos da irmã, que pulou para trás para não ser atingida, arrancando um sorriso da mais nova. Danie realmente era ótima em se esquivar, mas a outra acabou sendo mais rápida e pulou em cima da irmã, fazendo com que ambas caíssem e saíssem rolando pela campina em meio a muitas risadas.

Como já haviam treinado boa parte da tarde, naquele momento Danie atacou sua irmãzinha com cócegas, fazendo com que elas rolassem ainda mais para longe. Assim que suas barrigas e bochechas doíam elas resolveram simplesmente se deitar na grama e ficar olhando as nuvens e dizendo o que elas pareciam.

Ficaram assim até escutarem passos apressados e uma voz gritando por Danie. As meninas se levantaram e viram o Príncipe Thomas vindo na direção delas muito animado. Gritando que eles haviam achado a garota. A loira sorriu de orelha a orelha, feliz por seu amigo, que parou de correr antes de atingi-la e a abraçou rodopiando. Ela perguntou se realmente ele havia a achado e o homem conformou e pediu para ela a conhecer, afinal a loira era como uma irmã para ele.

Daniella sorriu para ele, ela tinha o mesmo sentimento e era por isso que queria ver Thomas feliz. Com isso a loira concordou em ir conhecer a moça. Puxando sua irmãzinha pela mão, deixando claro que Ale não iria a lugar algum e iria junto com eles. Então Daniella seguiu o príncipe até o castelo conhecer a jovem que roubou o coração dele.

Os três jovens chegaram a uma casa simples e quem os atendeu foi uma loira, a mesma loira por quem Thomas ficara bobo no baile e, para a surpresa de Danie, a moça era ninguém menos que Ella, a irmã mais velha. O reencontro das três foi algo realmente emocionante, apesar de Ale não ter muitas lembranças dela. Reconheceram-se obviamente pelas tatuagens e novamente fizeram o voto de nunca mais se separarem. Estava na cara que Ella havia sentido falta das outras duas.

O príncipe ficou chocado com a revelação e ao mesmo tempo feliz que as três se reencontraram. Ele não demorou nada em pedir a mais velha em casamento e menos ainda para a cerimônia ocorrer.

Meses mais tarde, Ella se encontrou com suas irmãs mais novas e contou a elas que estava grávida. Ambas as meninas ficaram muito felizes com a notícia, mas a princesa também comentou que ela havia feito um acordo com Rumpelstiltskin e que deveria entregar a ele essa criança. Danie então disse que ela tinha que falar com Tom, afinal ele poderia ajudar nessa situação. Quem sabe ela poderia mudar o acordo. Ella fez isso, e o príncipe chamou Branca de Neve e o Príncipe Encantado, que deram a ideia de prenderem o Dark One.

Na noite em que colocaram o plano em prática, obviamente Daniella e Alexandra ficaram de tocaia, escondidas atrás de um arbusto para ver o que se sucederia. As meninas ficaram surpresas ao verem o homem que parecia ter a pele de um crocodilo e Ale sentiu algo no peito como se já o conhecesse — o que teoricamente era impossível, uma vez que ela nunca o vira na vida. Deixou aquele sentimento para lá e, juntamente com sua irmã, ficou a observar a tinta de lula fazendo efeito e impedindo o homem de fazer magia. As duas se entreolharam quando o prenderam e, estranhamente, se perguntaram se aquilo realmente era certo, porém não continuaram a questionar. O que estava feito, estava feito.

Elas viram os príncipes, as princesas juntamente com o pai de Alex, alguns guardas levando Rumple voltarem para o castelo de Thomas e Ella. As meninas se entreolharam e suspiraram, não queriam voltar já. Sabiam que era tarde, mas era raro que tivessem um tempo à noite fora do castelo, com isso ela foram dar uma volta, caminharam até uma colina que dava visão do reino. Era linda a visão, ainda mais à noite, porém algo chamou a atenção delas, parecia algo vermelho. Chamas! Fogo! Elas não perderam tempo ao saírem correndo em direção ao local, afinal apenas uma coisa passava pela cabeça delas: suas famílias.

Correram rápido, não se importando com a falta de fôlego. Os corações de ambas batiam rápido e lhes faltava ar, porém não conseguiam parar. Precisavam tentar salvar seus entes queridos daquela tragédia imensa que se abatia por ali. Cruzaram os portões para os terrenos do castelo e começaram a diminuir o passo, precisavam pensar em um plano, qualquer coisa, mas o desespero não permitia.

Ale, então, notou algumas pessoas se aproximando e repentinamente parou a corrida. Uma figura feminina e imponente se aproximava e a jovem não conseguia se mexer. A mulher aproximou-se, porém não parecia enxergar a filha do Capitão da Guarda ali. Era morena, os cabelos presos em um penteado perfeitamente extravagante. As roupas dela eram de uma cor vermelho-sangue e Ale finalmente a reconheceu: era a Rainha Má.

Completamente desnorteada pela beleza da mulher, Alexandra não conseguiu — nem queria — desviar o os olhos daquela perfeição e acabou tropeçando no lugar onde estava, atraindo a atenção da Rainha, fazendo com que os olhos escuros da mulher encontrassem os seus. Enxergava raiva, ódio, porém em momento algum sentiu medo de morrer, estava completamente anestesiada. Um calor que nunca sentira antes percorreu a extensão de seu pescoço e se instalou em seu peito, fazendo com que a jovem respirasse fundo, tentando acalmar-se.

As duas se encararam por alguns instantes que pareceram eternos, até que a Rainha franziu a testa e se afastou, continuando seu caminho para fora dos terrenos do castelo sem olhar para trás uma vez sequer. Alexandra piscou desnorteada por uns instantes e percebeu que sua irmã não estava ao seu lado.

Danie seguia sua irmã mais nova, sua velocidade era menor que a da outra e com isso acabou ficando um pouco para trás. Ela suspirou aliviada quando viu ela parar por um momento, dessa maneira a loira conseguiria alcançá-la. Mas seu plano foi frustrado quando ela acabou esbarrando em alguém, que apareceu do nada em seu caminho. A jovem se desequilibrou, mas felizmente não caiu no chão.

Ia abrir a boca para reclamar quando olhou para a pessoa na qual ela havia esbarrado. Ele era alto, moreno, de olhos azul-elétricos. Usava roupas pretas de couro e uma blusa vermelha. Uma vez que seus olhos se cruzaram foi difícil para a garota sequer respirar de tão lindo era aquele homem. E, pela primeira vez, Daniella sentiu seu coração acelerar por conta de alguém.

Infelizmente nesse momento sua irmã puxou-a pela mão, levando a loira para longe dele, apesar de ter virado o rosto para olhar para o homem uma última vez, e o viu com um sorriso de canto antes de se virar e também sair dali.

As duas novamente voltaram a correr tentando ignorar aquilo que se passou e se preparavam para entrar no castelo quando Thomas agarrou Danie e Charming agarrou Ale, impedindo-as de continuarem a correr. As jovens espernearam, tentaram se soltar, porém os outros dois eram mais fortes. O príncipe disse que não havia mais nada que pudesse ser feito, que a Rainha havia prendido todos os que estavam lá dentro para morrerem.

Danie encarou o príncipe e perguntou sobre seus pais, seu tom de voz era de esperança e desespero, mas Tom apenas negou com a cabeça. Isso fez com que a jovem gritasse em sofrimento. Não era justo, ela já havia perdido seus pais biológicos, agora seus pais adotivos também. Ela se agarrou em seu amigo chorando compulsivamente.

Ale estava completamente em choque com o que acontecera ali. A menina já não tinha mãe e perder o pai também de uma forma tão cruel fez com que ela parasse de se debater, escorregando dos braços de Charming ao chão, de joelhos. As lágrimas corriam por seu rosto e ela arriscou olhar a irmã. Ambas haviam perdido quase tudo naquela noite, restava apenas uma a outra.

Alguns dias se passaram e as devidas homenagens foram prestadas. Não houve funeral, afinal não sobrou muita coisa dos corpos. Daniella e Alexandra estavam completamente perdidas. Acabaram indo morar juntas, afinal nenhuma das duas queria ficar sozinha e elas tinham apenas a si mesmas para se confortar. A verdade é que não queriam mais ficar naquele lugar de tristezas, queriam ir embora e recomeçar as vidas longe dali.

Tinham arrumado duas sacolas com suas necessidades básicas e algumas roupas e deixado perto da porta da onde moravam. Elas só iriam se despedir de Ella e Thomas.

Era estranho, triste e doloroso entrar no castelo, mas elas se mantiveram firmes, e foram a sala na qual Danie sabia que Tom e Ella estariam. Foi nesse momento que elas perceberam que tinha algo errado. Os monarcas estavam preocupados com algo e quando as duas perguntaram, descobriram que a Rainha Má havia feito uma maldição e que iria chegar logo aonde eles se encontravam, e não havia como fugir.

As duas meninas se entreolharam desacreditadas da vida. Não conseguiam acreditar na forma como tudo estava dando errado para elas. Thomas apoiou as mãos nos ombros da irmã de criação e disse que tudo iria ficar bem no fim das contas, que todas as maldições podiam ser quebradas e aquela não era diferente.

Ale se afastou um pouco, tentando assimilar tudo aquilo e olhou pela janela na direção do horizonte. O que será que aconteceria dali pra frente? Será que sobreviveriam à fúria da bela Rainha?

Olhou novamente para Danie com um pensamento em mente: não importava o que acontecesse elas não iriam se separar. Voltou a encarar a janela e ao longe viu uma nuvem roxa enorme vindo na direção do castelo, porém não avisou nenhum deles. Não queria desesperá-los, então ficou apenas observando a beleza destrutiva daquela magia. Pouco antes de a maldição envolver os presentes ali, Alexandra se aproximou de Daniella e as duas se abraçaram, novamente fazendo a promessa de que se encontrariam onde quer que estivessem.

Notas finais
Primeiro capítulo fresquinho!

Semana que vem teremos mais!

Até lá ♥