Recomeços

2 Capítulo 2 - Mudanças


Notas iniciais
Chegamos com um novo capítulo! Boa leitura!

Daniella (Dany) White acordou na mesma hora de sempre, às 7:30. Levantava da cama, trocava de roupa e prendia o cabelo num coque apertado. Afinal na parte da manhã trabalhava na cozinha, e não podia ter um fio solto. Assim que estivesse pronta, ia direto para a cozinha começando a fazer seu café da manhã, que consistia em uma xícara de café com leite, um pão com ovo e bacon, uma fruta com açúcar e para finalizar um copo de suco fresco. A loira então escovava os dentes e, antes de sair para seu trabalho, tentava acordar a sua irmã da hibernação, sem muito sucesso. Mas ainda assim tentava a mesma coisa todos os dias, esperava que um dia Alex tomasse jeito e achasse um emprego de meio período também.

Balançando a cabeça negativamente a jovem saía do apartamento que elas compartilhavam indo em direção a Lanchonete da Vovó, e uma vez lá, começaria a fazer seus preciosos cupcakes.

Alex acordou tarde como sempre fazia, perto das 11h. Sabia que sua irmã estava na lanchonete da vovó naquele horário e iria visitá-la assim que se arrumasse. A jovem não trabalhava, não era por falta de procura de emprego, mas sim por conta da pouca idade e a cidade de Storybrooke não oferecia muitas oportunidades. Dany vivia enchendo o saco da menina para que a mesma começasse a trabalhar logo, porém não era exatamente culpa dela se não tinha nada que a agradasse ali. Era algo extremamente complicado e Alex não queria fazer algo que não se sentisse bem, então preferia esperar pois acreditava que alguma coisa melhor lhe estaria reservada, bastava crer.

A moça de 15 anos levantou-se da cama, arrumando-a, e abriu as cortinas com o intuito de deixar o sol adentrar o quarto. Apesar de não gostar do calor, gostava de enxergar a luz que o astro trazia, uma troca de energias, como uma limpeza do ambiente, uma grande renovação. Seu clima preferido era o frio e chuvoso, ela amava o inverno, ao contrário de Dany, que adorava o calor e clima seco. Este acabava irritando um pouco a jovem de cabelos cinzas, mas acabava por se acostumar ainda que lamentando-se para a irmã, que apenas revirava os olhos toda vez que a outra tocava no assunto.

Assim que abriu as janelas do pequeno apartamento, Alex foi ao banheiro para tomar uma ducha antes de sair, e vestiu uma regata cinza, um short jeans de cor preta, tênis Adidas brancos com listras negras, um par de óculos de sol modelo aviador com armação também negra e saiu do flat, trancando a porta e guardando a chave no bolso do short.

Caminhou despreocupada pelas ruas sem prestar muita atenção, seus pés conheciam o caminho para a Lanchonete da Vovó de cor e foi para lá que rumou.

Adentrou o local e logo avistou Ruby, a garota de mechas vermelhas no cabelo e, sorrindo, se aproximou dela lhe dando um beijo no rosto.

— Bom dia, Rubs. — ela disse, ainda perto dela. A outra sorriu também, dando-lhe um tapinha no braço.

— Quase boa tarde, moça. — riu e a empurrou levemente na direção do balcão onde estava Vovó, que lhe ofereceu um sorriso dizendo que faria o chocolate quente dela e um pão na chapa. Alex sempre tomava café ali por volta desse horário.

A jovem sorriu também, agradecendo e disse que iria dar um abraço na irmã antes de comer e amarrou os cabelos em um coque para poder entrar na cozinha. Assim que o fez, viu a irmã completamente atarefada com seus cupcakes. O cheiro dos bolinhos fez o estômago dela roncar de fome e a jovem se aproximou de Dany.

— Bom dia, sis! — ela disse animada.

— Bom dia more! — respondeu a mais velha na mesma animação olhando para sua irmã feliz e lhe entregou um cupcake prontinho e ainda um pouco quente, por conta de ter acabado de sair do forno. — Seu preferido, massa de baunilha com recheio de doce de leite e cobertura de ganache de chocolate branco!

A mais nova pegou o bolinho com os olhos brilhando e deu um sorriso a ela, agarrando-a em um abraço de urso como agradecimento. Logo depois deu uma grande mordida no cupcake e de sua garganta saiu um som de aprovação muito alto. Seu estômago estava agradecido e sua irmã fazia os melhores.

— Isso ta muito bom, sis. Obrigada. — mordeu de novo — Você ta bem?

— Tudo certo, estou quase acabando aqui na realidade. — respondeu Dany colocando nos últimos bolinhos a cobertura, para então decorá-los com umas flores parecendo girassóis de pasta americana. — E você, hibernou bem?

Alex havia acabado seu cupcake e havia lambuzado os dedos, a boca e o queixo no processo de comer. Ficou observando a irmã, maravilhada com a facilidade com que a jovem fazia aquilo.

— Hibernei... Quase entrei em um estado de meditação mais profundo que os ursos. — ela riu, encarando a mais velha — Vamos maratonar Harry Potter hoje?

— Podemos… — concordou a loira terminando de colocar a última flor em um cupcake, e então olhou para sua irmã mais nova, com uma sobrancelha levantada questionadora. — Pensei que você iria para a biblioteca...

Com um sorriso de canto a outra apenas respondeu:

— Talvez mais tarde. Quero passar um tempo com minha irmã também, além dos livros empoeirados. — e riu, tentando se limpar. Dany já havia colocados todos os cupcakes na bandeja e lavado as mãos, e o melhor já havia terminado seu expediente. Ela olhou para sua irmã e inclinou a cabeça para o lado sorrindo.

— Sis… Você ta com um pouco de ganache na testa. — a loira falou divertida e se perguntando como isso era possível. Alex passou a mão na testa, sujando ainda mais o local. Dando de ombros ela lambeu os dedos que estavam com uma mistura do ganache e do doce de leite. A mais velha rindo pegou um pano e limpou a testa da sua irmãzinha.

— Ta mais gostoso ainda. — e riu novamente. — Ruby estava me zoando, dizendo que já é quase de tarde. Mas é só quase meio dia! — disse, indignada. Dany balançou a cabeça negativamente divertida e pegou a bandeja para levar lá para o balcão.

— É meio dia… Então, tecnicamente é quase de tarde… — retrucou a jovem, mostrando a língua para Alex, não dando tempo para sua irmã responder, pois se encaminhava para a saída da cozinha. Para entregar os cupcakes para a Vovó, que colocou no bar e se virou para pagar as horas que a loira havia trabalhado.

As duas irmãs sentaram uma para tomar café da manhã e a outra para almoçar. Como estava sem movimento, Ruby acabou sentando com elas para ficarem conversando sobre trivialidades e darem boas risadas. A morena com mechas vermelhas no cabelo era uma ótima companhia e também muito divertida. As três cultuavam uma amizade leve desde que se conheceram e sempre estavam juntas.

Depois de muitas risadas e de terem terminado de comer, elas se despediram de Ruby e da Vovó e foram para o apartamento delas. Ao subirem as escadas, deram de cara com Mary Margaret e uma outra mulher loira que elas não conheciam. Cumprimentaram ambas e ficaram sabendo que a loira se chamava Emma e que ela vinha de Boston. Dany acabou engatando um ligeira conversa com ela, pois queria viajar pelo país, e acabou perguntando como era a cidade da loira. Mas como Mary e Emma tinham que ir, esta combinou com Dany de conversar sobre as cidades que conhecia. A jovem concordou e assim, Alex (para seu alívio, pois não aguentava ficar mais em pé no corredor) e ela entraram em seu apartamento e finalmente colocaram Harry Potter e a Pedra Filosofal para tocar, obviamente com um pote gigantesco de pipoca e dois copos enormes de Coca-Cola.

As duas irmãs, como sempre, ficaram falando junto com os personagens, xingando quando achavam necessário, ironizando algumas constatações óbvias e foi assim com os outros três títulos seguintes da saga. O restante do dia foi passando e a lua já estava alta quando colocaram o último filme do dia para assistir: Harry Potter e o Cálice de Fogo. As meninas se entreolharam divertidas, afinal com este dariam boas gargalhadas como sempre. O ataque de risos começou quando o personagem Draco Malfoy foi transformado em uma doninha branca por seu professor, mas nada comparado ao ataque que tinham todas as vezes que assistiam à cena onde Harry Potter e Lord Voldemort praticamente começavam a gemer no cemitério.

Dany começou a rir desesperadamente, essa cena era a mais pervertida de todos os filmes. Existia química demais entre os dois, mesmo que o garoto tivesse apenas 14 anos. Parecia faltar muito pouco para que eles começassem a fazer qualquer coisa que um casal faz em quatro paredes em vez de duelar. Sem aguentar, a jovem falou:

— Se beijem de uma vez!

Alex havia caído do sofá por conta da quantidade de risadas e olhou para a televisão antes de olhar para a irmã e dar um sorriso de canto.

— Deveriam mesmo né, sis? As preliminares são importantes… Ainda mais sendo a primeira vez do Potter. Vai que dói… — e fez uma expressão pensativa, tentando segurar o riso.

Foi a vez da mais velha cair no chão tendo uma convulsão de riso tão forte que não conseguia nem pensar numa resposta para o que Alex havia dito. Ela segurou sua barriga, enquanto caíam lágrimas de seus olhos, tamanha a gargalhada que não conseguia mais conter. As duas irmãs não prestaram mais atenção no filme, estavam rindo demais para sequer conseguirem. Somente quando os créditos começaram a subir foi que conseguiram se acalmar. Dany lamentou que não pudessem continuar assistindo, mas ela precisava dormir, afinal levantava cedo para ir à lanchonete fazer os cupcakes.

Após desligarem tudo, ambas se despediram, indo cada uma para seu quarto, a mais velha pegando os itens que precisava para tomar banho e a mais nova jogando-se na cama para esperar a outra sair do banho, lendo um livro.

Uma vez que Dany terminou seu banho, ela passou pelo quarto da sua irmã lhe avisando que o banheiro estava livre e lhe dando um beijo de boa noite e seguiu para seu quarto, onde ela se deitava na cama e em menos de cinco minutos dormia profundamente, enquanto sua irmã mais nova ocupava o banheiro, tendo seu momento de meditação debaixo do chuveiro e depois indo deitar-se novamente, porém não dormiu imediatamente, continuou sua leitura por mais algumas horas até finalmente apagar a luz para finalmente mergulhar de cabeça no mundo dos sonhos.

O dia seguinte passou da mesma forma, com elas terminando os filmes de HP. Assim, no próximo dia as duas irmãs decidiram fazer uma visita à biblioteca, quando Dany saísse do trabalho. E fizeram exatamente isso. Elas haviam achado uma madeira solta em umas das janelas mais afastadas e com isso conseguiam entrar no local na surdina, ficando ali a tarde inteira. A mais velha lia um livro de romance e Alex lia um de terror.

O local não tinha uma boa iluminação e era realmente quente, além de empoeirado. A jovem de cabelos acinzentados adorava, porém seus problemas com alergia a incomodavam demais e ela passou a tarde entre espirros. Quando a luz do dia já não era mais suficiente para as meninas conseguirem ler, elas pegaram alguns livros, o quanto conseguiam carregar, e saíram daquele local, colocando a madeira de volta no lugar e retornando à sua casa.

Alguns dias mais tarde, Dany e Alex se encontravam na Lanchonete da Vovó, pois a mais velha havia combinado de se encontrar com Emma Swan. Alex havia levantado cedo excepcionalmente naquele dia e acabou acompanhando a irmã até seu local de trabalho, porém não ficara com ela e havia se sentado no bar para conversar com Ruby enquanto as duas loiras estavam em uma conversa animada sobre as cidades que Swan já havia conhecido. Como alguém podia estar animado aquela hora do dia ainda era uma incógnita para a jovem de cabelos acinzentados.

A garota em questão pegou a xícara de chocolate quente que Ruby lhe dera e a levou à boca no mesmo momento em que se virava para olhar a irmã, porém o que viu fez seu coração quase parar e todos os seus sentidos entrarem em um lapso sem igual. A prefeita da cidade, Regina Mills, acabara de adentrar a lanchonete. A mulher nunca havia feito isso e Alex ficou realmente estática, esquecendo-se de respirar ao ver a beleza estonteante da mulher no mesmo recinto que ela e deixando cair a xícara que segurava, provocando um barulho muito alto de vidro se quebrando, porém isso não a tirou de seu torpor. A garota apenas desviou o olhar no momento em que sua amiga lhe deu um tapa no braço, reclamando que precisaria limpar aquilo.

Em certo momento da conversa entre Dany e Emma, a prefeita sentou-se na cadeira ao lado da mais nova, assustando ambas as loiras.

— Como foi seu passeio com Henry? — perguntou a prefeita obviamente não se preocupando com o fato de estar interrompendo o que elas conversavam. A loira mais nova percebeu a expressão assustada de Emma, não que ela própria estivesse muito diferente, afinal era Regina Mills — É, isso mesmo, eu sei de tudo. — continuou a mulher com um sorriso de deboche. — Mas relaxe, eu não me importo.

— Não? — questionou Emma enquanto Dany ficava quietinha, sem saber como agir ou fugir daquele encontro tenso. A garota não conseguia nem se virar para onde sua irmã estava sentada pois estava de costas para a mesma e não se atreveria a mover nem um pensamento enquanto a mulher estivesse sentada do seu lado.

— Não. — disse a prefeita ainda com o sorriso de deboche no rosto. — Não a temo mais, srta. Swan. Eu a investiguei e fiquei aliviada com o que vi. Tudo se resume ao número sete.

— Sete? — pergunta a loira mais velha aparentando estar confusa.

— Seus sete endereços na última década. A maior estada durou dois anos. Por que gostou tanto de Tallahassee? — indagou Regina ironizando cada palavra.

— Achei onde ficar aqui. — Emma disse cortando a morena.

— Eu sei, com a Srta. Blanchard. Quanto dura o contrato? — perguntou a morena com o sarcasmo escorrendo. — Ah, espera aí, não tem contrato. Entendeu? Só o que tem raízes pode crescer, srta Swan e você não tem nenhuma. As pessoas se enganam achando que podem mudar.

— Você não me conhece.

— Conheço sim. Só peço que enquanto durar sua visita, pense no melhor para o Henry. Talvez num rompimento radical. Vai acabar sendo assim. — disse Mills se levantando e então encarou Dany por um instante, que parou de respirar momentaneamente. Era aquele o momento em que seria assassinada? — Cuidado com quem faz amizades senhorita White, você não vai querer ser abandonada na pior hora, não é? — disse e então olhou para Emma novamente. — Aproveite o chocolate quente.

A prefeita saiu do estabelecimento, deixando Emma estarrecida e Dany sem fala. A loira mais velha se levantou, derrubando todo o chocolate em sua roupa e xingou em voz baixa. Logo Ruby apareceu do lado delas, entregando um pano à mais velha.

— Parece que hoje todos resolveram tomar banho de chocolate quente… — resmungou a de mechas vermelhas, que logo olhou para Dany — Você está tomando café, certo?

— Cappuccino… — disse a jovem ainda em choque (Ruby deu um suspiro aliviado, falando algo sobre o chocolate estar enfeitiçado naquele dia e se virou para voltar a conversar com Alex) e então balançou a cabeça como se tentasse descongelar o cérebro. — Vem Emma… Te mostro a lavanderia...

A loira em questão assentiu, olhando a outra como se esperasse que a mesma indicasse o caminho. Assim Dany se levantou e se encaminhou para os fundos da lanchonete onde se encontrava a lavanderia, sendo seguida por Emma.

Dany ergueu as sobrancelhas ao ver a mais velha se despir com raiva, jogando as roupas com força na máquina de lavar como se o objeto tivesse lhe feito algo e pegou uma blusa azul qualquer para entregar para Emma se vestir, e foi quando escutou um choro e um resmungo. Ao se virar viu que era Ashley e suspirou xingando Sean baixinho.

— Você está bem? — perguntou a loira mais velha parecendo preocupada.

— Os lençóis estão cor-de-rosa. — disse a outra deprimida.

— Tentou um alvejante? — questionou Swan, provavelmente ainda não entendendo o porquê de tanto choro. Ashley então olhou para sua própria barriga com clara preocupação no rosto.

— Tive contrações à noite passada e o médico disse que o bebê pode nascer a qualquer hora. — ela disse e Dany franziu a testa, estava cansada da falta de consciência de seu amigo.

— Que bom. — disse Emma parecendo um pouco desconfortável com a situação.

— Mas quando ele nascer, me julgam incapaz de criá-lo. — disse a moça e a loira mais velha se virou de volta para ela, que pegava os lençóis rosas. — Ninguém acha que eu vou conseguir. Talvez tenham razão.

— Eles que se danem. — disse Swan e Dany negava com a cabeça, não era que ela achava que Ash não ia conseguir, mas Sean tinha que ajudar a moça, afinal ele era tão responsável pelo acontecido quanto a jovem ali. Dany ficou calada, esperando que Emma conseguisse dar um apoio a Ashley que ela ou Alex e Ruby não conseguiam.

— Quê? — perguntou a jovem grávida com os olhos arregalados.

— Eles que se danem. — disse novamente a loira mais velha. — Quantos anos tem?

— Dezenove. — respondeu obviamente confusa com a pergunta dela.

— Eu tinha 18. — contou Swan, e Dany a olhou chocada.

— Quando teve um filho? — perguntou White

— É. — respondeu e Dany fechou os olhos, afinal era tão jovem para ser mãe. Emma tinha um ano a mais do que ela tinha no presente momento. A garota tentou se imaginar tendo um filho tão cedo e não conseguiu, não saberia o que fazer nem o que sentir se isso acontecesse, ainda mais se não tivesse o pai da criança para ajudar. — Eu sei como é. — disse para Ashley e a olhava com atenção agora. — Todos adoram dar palpite, ainda mais com um filho. No fim das contas, fazendo o que achar melhor, ou abrindo mão, a escolha é sua.

— Não é o que pensa. — a jovem grávida tentou se justificar

— Nunca é. Vão te julgar a vida inteira. Deve reagir e mostrar quem você é. Quer que as pessoas a vejam diferente? Obrigue-as. Quer ver mudanças? Você terá de fazê-las, pois não há fada madrinha nesse mundo.

Ashley faz uma expressão determinada e Emma saiu dali após . Dany deixou a mais velha sair e falou:

— Ash… vou falar com ele de novo, não está certo o que ele ta fazendo.

— Esquece Dany. — disse a jovem não parecendo preocupada com esse assunto agora. — Você já falou quantas vezes? Umas 30? Ele não se importa, não se preocupe com isso, não é problema seu.

— Eu sei… Mas ainda assim vou lá. — disse White determinada, o que era certo era certo, não existia meio termo. Dando um tchau para Ashley, ela também saiu da lavanderia com o foco em achar seu amigo medroso.

A jovem caminhou determinada até a casa de Sean e tocou a campainha, para sua sorte quem atendeu foi ele. Puxando seu amigo pelo braço sem delicadeza nenhuma, ela o levou a uma distância segura, pois sabia que se o pai dele a visse, iria fazer um escândalo novamente. Assim que ela considerou um local adequado, começou sua palestra pela trigésima vez; pedindo para Sean para de ser covarde, deixando seu pai mandar e desmandar, se escondendo na saia dele como se fosse uma criança. Que ele tinha que assumir a responsabilidade do que havia feito e ajudar Ashley, a qual precisava muito.

Sean retrucou que ele não podia, que Dany não entendia o que ele estava passando. A moça começou a ficar irritada e o chamou de covarde novamente, o jovem se encolheu e novamente usou a desculpa que ele não podia e que ela não entendia. Com a paciência no limite a loira deu um tapaço no rosto dele e, antes que perdesse mais o controle, a loira virou as costas e saiu dali bufando de raiva. Era por causa desse tipo de homem que as mulheres não acreditavam mais no amor e na decência deles e isso a tirava do sério. O pior era o fato de seu melhor amigo agir assim, era algo que a jovem não esperava.

Para se acalmar Dany foi para a praia, tirou suas sapatilhas e caminhou na areia pertinho do mar. A água sempre a ajudou a se acalmar, o som das ondas e o vento no rosto.

Enquanto essa conversa entre Dany e Sean ocorria, Alex havia ficado na Lanchonete da Vovó conversando com Ruby, na verdade ficara tentando descobrir mais coisas sobre a prefeita e sobre Emma Swan. Sua amiga lhe contara sobre Swan ser a mãe biológica de Henry Mills, o filho de Regina. Comentaram sobre o aparente ódio que esta sentia pela outra. Ruby acabou rindo, dizendo que não demoraria muito e as duas estariam namorando porque a tensão entre as duas era demais.

Alex franziu a testa, não concordava com o que a amiga dissera e a imagem lhe causava certo desconforto sem motivo. Balançou a cabeça, tentando pensar em outra coisa e lembrou-se de que precisava ir à biblioteca. Beijou, então, o rosto de Ruby como despedida e rumou ao seu destino calmamente e perdida em pensamentos.

A jovem entrou no local da mesma forma que fez com sua irmã no dia anterior e se embrenhou na poeira, procurando pela seção de livros de terror. Pegou alguns títulos e, no corredor salvo ao Romance, pegou alguns para Dany e novamente repetiu o processo do outro dia para a saída, logo decidindo ir à praia para ler. Quando o fez, escolheu o canto em que sempre ficava e começou a ler, concentrada, apenas perdendo a concentração ao ouvir alguém caminhando na areia. Ergueu o olhar, notando que era a pessoa em quem pensara por último: sua irmã. Sorriu, chamando-a em voz alta:

— SIS!

— Hey sis… — respondeu a loira com um suspiro. Sua irritação tinha passado, ou pelo menos grande parte dela tinha. Era incrível como o mar a acalmava. — Tudo bem?

— Tudo... — a irmã respondeu à loira, levantando-se e indo ao seu encontro. Tinha coisas pra falar para a jovem, porém notou em seu rosto que era ela quem precisava falar — Como foi com o Sean?

A mais velha soltou um longo suspiro novamente e balançou a cabeça negativamente.

— O mesmo de sempre. — ela respondeu encarando o horizonte. — Não sei por que ainda tento, sinceramente. É que… isso é tão errado.

A mais jovem seguiu o olhar da outra e focou em uma nuvem que era quase invisível de tão longe que se encontrava. Entendia a revolta da mais velha, ela própria ficaria da mesma forma se a situação fosse com alguém que ela realmente se importasse. Não que ela não estivesse com raiva por conta da atitude covarde do garoto, com certeza estava, porém não estava soltando fogo pelas ventas. Queria que Sean assumisse a criança, mas ela própria não falaria isso a ele.

Alex, após perder-se um tempo na imensidão do céu, voltou a encarar a irmã, que tinha os olhos também perdidos.

— Isso é errado, o Sean deveria assumir a criança, afinal Ashley não a fez sozinha… — e suspirou — Você está fazendo por ela o que ninguém faria… As pessoas desse lugar só se importam com seu próprio ego, não são capazes de estender a mão para quem precisa de ajuda. Será que em todo lugar é assim? — e interrompeu sua reflexão, mordendo o lábio e pensativa.

— Não sei… espero que não. — disse a loira. — Se for… eu desisto, não vou acreditar em mais ninguém. — ela comentou e então parou para pensar na sua vida em Storybrooke, parecia tão repetitiva. — Eu gosto daqui… da cidade, mas às vezes parece que estamos presos aqui.

A de cabelos acinzentados assentiu, concordando plenamente com o que Dany dissera. Ninguém naquela cidadela havia tido a ideia de sair dali nem uma vez sequer e aquilo a intrigava. Era estranho que ninguém viajasse para fora daquele pequeno lugar, porém ao mesmo tempo era normal, afinal viveram daquela forma desde que conseguiam se lembrar. Parecia que Storybrooke parara no tempo. Alex semicerrou os olhos, novamente dirigindo-os para o vasto oceano.

— Tem algo que não parece certo, sis… Sinto que tem alguma coisa fora do lugar nessa cidade. — de repente arregalou os olhos, tendo lembrado de algo interessante que notara naquele mesmo dia — Você viu que o Relógio voltou a funcionar?

— Sério? — perguntou Dany completamente chocada. — Finalmente arrumaram aquilo? Ele estava quebrado há… nossa desde sempre?

A mais nova assentiu, tentando entender aquilo que se passava, porém não chegou a lugar algum, aparentava ser complicado demais e percebia que a loira estava tendo o mesmo tipo de pensamento: Por quê simplesmente começou a funcionar depois de tanto tempo?

— Por quê agora? — externou sua dúvida, completamente confusa. Dany negou com a cabeça, sem saber a resposta. Qual era a diferença? O que aconteceu de tão diferente que de repente era importante que o relógio funcionasse?

A irmã mais velha passou a pensar em qualquer detalhe que havia acontecido nas últimas semanas de diferente, e então se lembrou de algo.

— Vai ver é culpa da Emma. — disse ela rindo, dizendo aquilo obviamente de brincadeira. — Afinal é a primeira vez que vem alguém de fora visitar nossa cidade.

Rindo também, a de cabelos acinzentados acabou concordando com a cabeça.

— Por que ela não veio antes? Teriam começado a ajeitar Storybrooke muito mais cedo. — disse após o movimento da cabeça, lembrando-se do que queria dizer — E que milagre foi esse de a prefeita aparecer na lanchonete?

— Pois então… Ela foi lá para falar com a Emma… Alex do céu! — disse a jovem relembrando da tensão entre as duas mulheres. — Ainda bem que você não tava ali escutando, pensei que elas iam sair no tapa uma hora.

Um alívio percorreu a espinha da mais nova, fazendo-a franzir a testa, afinal não estava habituada a tal sensação. Achou estranho, porém não comentou, manteve o foco no que a irmã falara.

— Será que a Swan vai levar o Henry embora? — Alex ponderou, se encolhendo por estar pensando no quão ácida Regina ficaria. Todos na cidade sabiam que o pequeno era a coisa que a mulher mais amava e com certeza se Emma Swan o tirasse da prefeita, a Terceira Guerra Mundial iniciaria ali mesmo. Dany inclinou a cabeça pensando.

— Acho que não. — ela disse e então ao ver a cara de sua irmã ela arrumou a sua frase. — Acho que ela não consegue tirar ele da Regina.

A de cabelos cinzas concordou com a cabeça, a prefeita sabia o que queria e não deixava ninguém tomar o que era dela. Elas ficaram olhando o oceano por uns minutos antes de Alex entregar para sua irmã o livro que havia achado na biblioteca para ela. Dany sorriu ao ler o título: A Vidente, era um livro de romance que se passava no século XVIII. A mais velha agradeceu a irmã, afinal ela sempre sabia o que a loira iria gostar de ler.

Com isso, ambas as jovens se sentaram na areia e começaram a ler seus livros, ficando ali até não conseguissem mais ler um palavra por conta que o sol já havia se posto e a luz tinha sumido. Recolheram os livros, a bolsa e foram para casa finalmente jantar e descansar.

O dia seguinte passou-se sem muito o que se citar, afinal foi igual aos anteriores. Regina Mills não apareceu na lanchonete e tudo parecia estar normal novamente. Alex só saiu de casa perto do meio-dia para buscar a irmã e retornou ao lado dela, brincando e rindo. Moravam juntas desde que se conheciam por gente e nunca tornou-se algo rotineiro ou tedioso, afinal sempre conseguiam fazer algo de que gostavam enquanto estavam juntas, mesmo que não estivessem fazendo nada de muito especial.

Um pouco antes do anoitecer Alex recebeu uma mensagem de Ruby em seu celular, dizendo que Ashley havia dado a luz e disse isso a Dany, que deu um sorriso e se animou. Logo as duas estavam caminhando calmamente na direção do hospital, especulando se seria menino ou menina. Assim que alcançaram o estabelecimento perguntaram às mulheres que cuidavam da recepção qual o quarto da jovem, obtendo a resposta e seguindo o caminho pelos corredores até encontrarem o quarto.

A primeira coisa que foi notada, obviamente por Dany, foi a presença de Sean e um sorriso grande brotou em seu rosto. Finalmente seu amigo a havia escutado e tomado a decisão correta. Isso era uma coisa muito boa e a jovem teve certeza de que ele era um garoto decente, apenas era coagido pelo pai, porém foi corajoso o suficiente para enfrentá-lo e fazer o que era certo. Alex, por outro lado, mal prestou atenção em Sean, na verdade nem tinha acompanhado a irmã até o local onde sua irmã fora; estava mais interessada em ouvir a conversa entre o Sr. Gold e Emma Swan.

— A mercadoria é um bebê? Por que não me contou? — a garota ouviu a voz de Emma e se escondeu na esquina do corredor para poder continuar a ouvir.

— Não vi necessidade na hora. Você não precisava saber. — respondeu Gold de maneira séria, Alex não notava um tom de deboche sequer em sua voz.

— É mesmo? Ou temia que eu não aceitasse o trabalho? — novamente Swan perguntou de maneira incisiva. A mulher era realmente boa em interrogatórios.

A jovem de cabelos acinzentados se aproximou um pouco e ficou em um ponto no qual conseguia ver os dois. Gold segurava um copo de café e parecia despreocupada, enquanto Emma parecia tensa.

— Pelo contrário. Achei mais eficiente se descobrisse sozinha. — disse o homem enquanto tomava um gole de seu café — Após ver a vida dura da Ashley, pensei que faria sentido para você. Se alguém entende os motivos para darem um bebê, pensei que seria você.

Durante alguns segundos o corredor ficou em silêncio, porém a loira deu um passo à frente, demonstrando não estar nem um pouco compadecida pelo que o Sr. Gold falara.

— Você não ficará com ele. — a mulher disse de forma dura.

— Na verdade temos um acordo, e meus acordos sempre são cumpridos. Ou terei de envolver a polícia, e o bebê terminará em um orfanato. O que seria uma pena. — ele deu uma pausa e tomou uma postura diferente quando tornou a falar — Gostou de viver em um orfanato, Emma?

Nesse instante Alex sentiu a presença de alguém atrás de si e quase pulou de susto ao ver Dany parada do seu lado. Fez a ela um sinal para que a mesma ficasse em silêncio e se afastasse um pouco para se necessitassem de uma fuga rápida. A jovem loira assentiu, porém com uma expressão confusa e sua irmã apontou as figuras de Gold e Swan, voltando a prestar atenção na conversa.

— Gostei da sua confiança. É encantadora. — o homem falou e Alex teve que suprimir um pequeno sorriso. Gostava de pessoas sarcásticas. Gold deu mais um gole em seu café — Mas basta dar queixa, afinal ela arrombou minha loja. — e deu um sorrisinho de canto, o sorrisinho de quem sabia que iria vencer.

Emma se mexeu um tanto desconfortável, porém sua postura continuou rígida da mesma forma e acabou adotando o sarcasmo também ao dizer:

— Deixe-me adivinhar, para roubar um contrato.

O homem deu de ombros e manteve seu sorrisinho no rosto ao responder:

— Vai saber o que ela queria.

— Júri nenhum deste mundo condenaria uma mulher que só arrombou uma loja para não perder o filho. — a loira falou e Gold tomou mais um gole de seu café, suas feições apresentando certa preocupação, porém quem não fosse bom em ler emoções não perceberia. Swan deu mais um passo na direção dele, aparentemente com mais confiança — Eu arrisco ver se o contrato tem validade. E você? Sem falar no que pode aparecer no processo. Suspeito que não seja apenas o dono de uma casa de penhores. Quer mesmo pagar para ver?

Dany notou que o homem, da mesma forma que demonstrara a pequena preocupação, acabou por dar um sorriso novamente e, mesmo de longe, a jovem de cabelos louros notou a frieza em seu olhar.

— Eu gosto de você, senhorita Swan. Não tem medo de mim. Ou é arrogância, ou é presunção. Seja o que for, a quero do meu lado.

— Então o bebê é dela? — Emma indagou, levando as mãos à cintura.

Gold se virou, começando a andar lentamente, dando uma volta no saguão do hospital.

— Ainda não. Ainda tem meu acordo com a srta. Boyd. — ele respondeu, porém a loira mais velha logo o cortou.

— Rompa-o.

O homem ergueu as mãos, como se estivesse se justificando, porém tornou a falar com sua maneira prepotente e arrogante:

— Não faço isso. Contratos, acordos, são a base de toda a civilização. Escute só uma coisa. Se quiser que a Ashley fique com o bebê, aceita fazer um acordo comigo?

— O que vai querer?

Essa simples pergunta fez o Sr. Gold sorrir abertamente como um felino prestes a atacar sua presa. Alex se encolheu um pouco no lugar com o corpo virado para o corredor para o caso de precisar sair correndo com o intuito de escapar. Notou que Dany estava mais virada para a porta, provavelmente também pensando o mesmo que ela.

— Eu não sei ainda. — ele respondeu de maneira animada — Você me deverá um favor.

Após alguns segundos de hesitação, Emma se aproximou dele novamente e respondeu:

— Fechado.

A jovem White, que estava escondida no corredor, ao ver os dois se afastando, se aproximou da irmã mais velha e cutucou seu braço, indicando a porta com o rosto. Assentindo e entendendo, Dany começou a caminhar na direção da saída com a mais nova em seu encalço e ambas tinham o mesmo pensamento na mente: havia muito mais por trás da chegada de Emma Swan à cidade do que apenas ser a mãe biológica do filho da prefeita.

As duas caminharam em silêncio profundo até uma das pontas da praia onde sabiam que não havia ninguém por perto para poderem colocar a conversa em dia. Sentaram-se na areia e, quando Dany abriu a boca para começar a falar sobre o que ouviram, uma voz masculina a interrompeu, indagando:

— Ninguém nunca lhes ensinou que é feio escutar atrás da porta?

Notas finais
Nos contem o que acharam!