Recomeço

9 Capítulo 9 - O chefe e a estagiária


Notas iniciais
Cuma?

Oxi! (como diz uma amiga minha kkkkkkk) Que título é este?

Bem, não vou explicar não. Vocês vão entender logo kkkkkkkkkkkkk

Bem, no capítulo de hoje, iremos ter Mia e Cas (os insaciáveis), Sam se preparando para ir procurar Claire, e Dean e Natalie trabalhando juntos. Corram para as colinas kkkkkkkkkkkkkkk

PS: Não consegui colocar a Mia e o Cas fazendo compras neste capítulo, mas já comecei a escrever o próximo e já escrevi esta cena kkkkkkkkkk

PS2: Desculpa a piadinha com Crepúsculo, mas se serve de consolo, não será a última vez que irei citar Stephenie Meyer aqui.

PS3: Na real, eu gosto dos livros (exceto a coisa dos vampiros brilharem no sol...), mas acho que os filmes são meio... deixa pra lá.

PS4: Por que eu comecei a falar sobre Crepúsculo? Ah! Lembrei! Mas não posso falar porque senão eu vou entregar o spoiler do capítulo e aí não vale, neh?

PS5: Gente, eu revisei, revisei e revisei, mas se passou algum errinho, vcs perdoa eu? Obrigadinha, sociedade!

Chega de PS! Oxi! Divirtam-se!

Na lanchonete da academia, sentados em uma das mesas, David observava Claire enquanto ela tomava um suco de laranja. De repente, ela o olhou de volta e então ele recomeçou a conversa que havia iniciado no corredor momentos antes:

– Defesa pessoal? Sério? Claire o que aconteceu com você? Você está querendo virar algum tipo de... Pantera?

– Eu só estou tentando me proteger. — explicou ela.

– Se proteger do quê? E não venha me dizer que é da violência urbana. Porque eu sei que é bem mais do que isso. Parece que você está se preparando pra uma guerra ou coisa pior. – desconfiou ele e depois de uma breve pausa, prosseguiu — Claire, desde que a sua mãe ficou doente, você não tem sido mais a mesma pessoa. Eu entendo que foi e tem sido difícil, mas você mudou demais. É como se estivesse o tempo todo na defensiva. Por quê? O que aconteceu com você? O que te fez mudar tanto?

Claire o olhou hesitante. Por um lado queria contar tudo o que aconteceu nos últimos meses, mas por outro lado, tinha certeza que David não acreditaria em nada que ela dissesse. E pior, provavelmente pensaria que ela estava completamente louca.

– É complicado... — desconversou a garota.

– Tão complicado quanto o que te levou a desistir de casar comigo? — quis saber ele deixando transparecer certa mágoa.

Claire o olhou com pesar e em seguida passou a mão no pescoço e lembrou por que terminou o relacionamento de quase cinco anos. Ela não queria condenar David aquela vida que ela estava vivendo. Aquela vida que ela não escolheu, mas que a cada dia a prendia cada vez mais numa teia de coisas sobrenaturais, desconhecidas e perigosas. Além disso, David nunca acreditaria se ela contasse o que levou a mãe dela ao hospital, muito menos que ela encontrou um anjo numa estrada e que ele “consertou” a sua perna quebrada depois de ter despencado do céu bem na sua frente. Quem acreditaria?

Resumindo, Claire não queria confundir a cabeça de David, não queria condená-lo a uma vida cercada por ameaças, muito menos envolvê-lo naquela busca pelo paradeiro de Ezekiel. Então, Claire respirou fundo e, tentando encerrar aquela conversa, indagou um pouco seca:

– David, o que você quer de mim?

Ele encostou as costas na cadeira, visivelmente decepcionado por mais uma vez Claire não responder as suas perguntas, e em seguida propôs:

– Um jantar.

Claire o olhou surpresa e, tentando tirar aquela ideia da cabeça do ex-noivo, prosseguiu:

– O quê?! Não... David, nós já conversamos sobre isso.

– Não, nós não conversamos, Claire. Apenas você falou. E o pior, você não me deu nenhuma explicação pra simplesmente me expulsar da sua vida. — protestou ele.

– Eu não te expulsei da minha vida, eu só... — tentou argumentou ela, mas sabia que era exatamente isso que havia feito. Mas tinha sido para o próprio bem dele. As pessoas que se aproximavam dela acabavam machucadas. — Eu só estava tentando te proteger. – completou ela.

– Me proteger de quê? — insistiu David embora soubesse que Claire não responderia a sua pergunta. E segurando a mão da garota sobre a mesa, ele prosseguiu — Eu não preciso da sua proteção, Claire, eu preciso do seu amor. E eu quero voltar.

Ao ouvir isso, a garota soltou a mão dele automaticamente e a manteve no pescoço enquanto erguia o copo com a outra e bebia mais um pouco do suco. Depois, ela colocou o copo sobre a mesa e esclareceu:

– Isso não vai acontecer.

– Por que não? Se você não pode me dar um bom motivo para ter terminado comigo, pelo menos me dê um bom motivo para nós não voltarmos, Claire. — pressionou David — Eu ainda te amo, e eu sei que lá no fundo, você me ama também. Então por que... O que pode ser mais importante do que isso?

– David... Pare. — interrompeu Claire incomodada ao ouvir aquelas coisas. Ela não queria magoá-lo, mas o motivo para ter terminado com ele era o mesmo pelo qual eles não poderiam voltar a se relacionarem. Era perigoso para David continuar com ela. E ela não podia e não queria expô-lo a mais riscos.

Ele permaneceu em silêncio por algum tempo, mas logo recomeçou com mais paciência:

– Olha, eu respeitei o seu espaço, Claire. Eu me afastei como você pediu, eu dei o tempo que você precisava para pensar, mas agora eu voltei. Eu estou aqui, Claire, e é aqui que eu vou ficar. Com você. Ao seu lado.

– David... — tentou gesticular a garota, mas parou quando ele segurou a sua mão novamente.

– Não diga nada agora. — interrompeu ele — Vamos sair esta noite. Para jantar. E então nós conversamos melhor.

– Eu não acho que isso seja uma boa ideia... — esquivou-se Claire mais uma vez.

David segurou a mão dela com mais força e insistiu com um olhar suplicante:

– Apenas um jantar, Claire. Eu acho que você me deve isso. Nós íamos casar, você planejou ter filhos comigo... O que é um jantar diante disso? Por favor. Apenas um jantar. Se até o fim da noite eu não te convencer a repensar a sua decisão, então eu prometo que vou embora e nunca mais volto a te procurar.

Claire relutou enquanto pensava sobre aquele convite. Sabia que David merecia uma explicação, mas não sabia se era capaz de conceder isso a ele. Talvez se ela ocultasse alguns detalhes, ele entendesse e simplesmente fosse embora. Ou talvez ficasse ainda mais magoado e fosse embora de qualquer jeito. O fato é que enquanto os dois não tivessem aquela bendita conversa, David não a deixaria em paz. E tê-lo por perto, a fazia lembrar ainda mais da vida que ela perdeu. Da vida que ela teve que abrir mão para protegê-lo e de como ela não conseguiu proteger a própria mãe. E aquilo machucava Claire profundamente. Se pelo menos ela pudesse contar tudo o que aconteceu para alguém. Não para David, mas sim alguém capaz de entender o sobrenatural e não achá-la maluca. Alguém como ela. Alguém como a garota que não podia ter uma vida normal depois que o sobrenatural entrou em sua vida e que abriu mão de tudo que construiu por causa disso. Alguém que não queria mais machucar as pessoas a sua volta...

– Por favor. — pediu ele mais uma vez.

Claire pensou mais um pouco, soltou a mão dele e por fim respondeu sabendo que David não se conformaria com uma resposta negativa:

– Ok. Me pegue às sete.

Em seguida, ela se levantou e deixou a academia sem olhar para trás. Mas ela sabia que David estava certo, ela lhe devia uma explicação. Embora tivesse certeza que ele não entenderia. Assim como ninguém entenderia. Porque não existia ninguém capaz de ouvir a sua história e não achá-la doida ou mentirosa. Não havia ninguém capaz de entendê-la. Porque não havia ninguém como ela. Não havia ninguém como Claire Davis.

Enquanto isso, Sam terminou de tomar um relaxante banho e saiu do banheiro com uma toalha enrolada na cintura. Ao olhar para o notebook em cima da cama, percebeu que havia um e-mail na caixa de entrada e se aproximou. Sentou e colocou o computador no colo antes de abrir a mensagem de uma grande amiga dele e de Dean para quem ele havia ligado mais cedo, antes de sair do hotel em Kentucky, e pra quem havia pedido um dossiê completo sobre Claire Davis.

– Obrigado, Charlie... – murmurou ele antes de ler o e-mail.

“Olá, Sammy! Bem, eu vou ser breve. Você sabe como eu sou, não é? Até hoje eu consegui acessar qualquer banco de dados, derrubar qualquer sistema de segurança, qualquer firewall, enfim... Foi por isso que Claire Davis me deixou tão intrigada e frustrada ao mesmo tempo. Eu espero que você esteja sentado... Porque eu não encontrei absolutamente nada sobre ela. Ok, absolutamente nada é um pouco de exagero. Na verdade a única coisa que eu encontrei foi uma foto de 2010, de um evento beneficente em Minnesota. Parece que ela era uma das convidadas. Não me odeie, Sam. Eu fiz o melhor que pude, mas Claire Davis com certeza prefere manter os seus dados em extremo sigilo. E quando uma hacker como eu digo “extremo sigilo” pode acreditar que é extremamente sigiloso mesmo. Então, se por acaso você encontrá-la, por favor, peça que ela diga quem foi o hacker que fez um serviço tão bem feito. Ela não vai te dizer, obviamente, mas eu adoraria conhecer esse gênio e chutar o traseiro dele por ter me feito perder tanto tempo em vão. Ok, boa sorte. Peace out, bitch!”

Muito decepcionado por não ter conseguido nenhuma informação concreta sobre Claire, Sam manteve o cursor do mouse sobre o anexo do e-mail. Não tinha certeza se queria saber qual era a aparência dela. Além disso, nada podia garantir que aquela pessoa na foto era mesmo Claire Davis. Cada vez mais, ele tinha um sentimento estranho em relação àquilo. Além de não gostar de caçadores, aquela garota também mantinha a sua identidade sob sigilo. Extremo sigilo, como Charlie enfatizou. E aquilo não podia ser um bom sinal.

Torcendo para que a foto fosse apenas uma brincadeira da hacker ou que revelasse que Claire era, além de tudo, uma mulher horrível, Sam clicou no anexo e a foto abriu imediatamente. Mas para sua surpresa, a imagem, possivelmente extraída de alguma revista segmentada que cobria aquele tipo de evento, mostrava uma bela jovem com um longo vestido preto, um colar de pérolas enfeitando o seu colo, longos cabelos de um castanho acobreado e levemente soltos que caiam pelos seus ombros delicados e uma taça de champagne que segurava com uma das mãos enquanto sorria encantadoramente para o fotógrafo.

E por um instante, que pareceu uma eternidade, Sam se viu concentrado no olhar e no sorriso daquela garota. E durante este instante, ele esqueceu completamente a opinião que já tinha formado sobre Claire e inclinou um pouco a cabeça intrigado com o que estava vendo. E era estranho dizer isso, mas de alguma forma que ele não entendeu naquele momento, Claire Davis lhe pareceu familiar. Sem perceber, Sam murmurou:

– Ela é linda... — mas em seguida, ele fechou o notebook com raiva por ter se deixado levar por uma simples foto e desdenhou — Deve ser Photoshop.

Depois disso, Sam não mexeu mais no computador, levantou da cama e resolveu se vestir. Estava relutando, mas logo teria que tomar coragem e ir procurar a garota daquela foto. Estava a apenas alguns quilômetros de St. Louis. Uma ou duas horas, no máximo, e chegaria ao endereço que Natalie lhe informou. Nunca quis tanto que aquilo fosse uma armadilha. Nunca quis tanto encontrar demônios no lugar de uma garota bonita. Bonitinha.

Enquanto isso, em Memphis, Natalie e Dean estavam em uma das salas do IML, observando o corpo de Margareth Morris junto com o legista responsável pelo laudo e atestado de óbito da vítima. Um corte profundo na região torácica chamou a atenção dos falsos agentes do FBI e os dois inclinaram a cabeça e franziram a testa ao mesmo tempo intrigados com o que estavam vendo. Ou melhor, com o que não estavam vendo.

– Cadê o coração? – arriscou perguntar Natalie.

– Ei! Eu faço as perguntas aqui. — cortou Dean e em seguida, resmungou — Estagiárias... — e olhando para o legista, refez a pergunta da loira — Então, cadê o coração?

– Oh... Na verdade, nós acreditamos que ele foi... Arrancado. — respondeu o legista visivelmente incomodado por ter que dizer aquilo.

– E por que os jornais não mencionaram nada sobre isso? — estranhou Natalie fazendo Dean a olhá-la de forma reprovadora.

– Quieta, estagiária. Eu faço as perguntas, lembra? Assista e aprenda. — provocou o Winchester fazendo a loira respirar fundo para não enchê-lo de pancadas ali mesmo. E então, Dean, voltou-se para o legista e perguntou novamente — Por que os jornais não mencionaram nada sobre isso?

– Oh... Na verdade, a polícia preferiu ocultar este detalhe. Você sabe... Para não gerar pânico. — respondeu o legista.

– E acharam o coração? — indagou Natalie fazendo Dean a fuzilar com o olhar.

– Não. — respondeu o legista.

Dean e Natalie se entreolharam deduzindo ao mesmo tempo que tipo de criatura sobrenatural tinha feito aquilo com Margareth Morris, mas alguns pontos na história não faziam sentido, não se encaixavam. Então o Winchester, pediu:

– Eu quero ver o relatório da polícia mais uma vez. E o laudo da necropsia também.

– Claro, eu vou pegar algumas cópias para vocês. — disse o legista e depois se afastou um pouco e foi até um arquivo, abriu uma gaveta e começou a procurar as pastas que continham os documentos que Dean havia solicitado.

– Lobisomem. — sussurrou Natalie para Dean.

– Descobriu a pólvora. — debochou ele.

Perto dali, numa outra sala, Mia e Castiel andavam entre vários armários com enormes gavetas repletas de laudos e outros documentos. Mia e Castiel haviam chegado há alguns minutos, mas ao contrário do que Dean havia pedido, os dois ainda usavam as mesmas roupas de antes. Mia conseguiu entrar no prédio, compelindo alguns funcionários na entrada. Sem precisar de disfarce, sem precisar mentir que os dois eram do FBI. Apenas "pedindo com jeitinho". Ser vampira tinha algumas vantagens.

– Nós devíamos procurar por Dean e Natalie. — sugeriu Castiel.

Mia passou os dedos por algumas gavetas enquanto caminhava lentamente e olhava para ele de um jeito insinuante. Castiel a encarou de volta percebendo segundas intenções no jeito que Mia o encarava e erguia uma das sobrancelhas. Em seguida, ela suspirou, o olhou rapidamente da cabeça aos pés e andou em direção a porta enquanto dizia:

– Tudo bem. Se é o que você quer.

Mas ao tentar passar, Castiel segurou o braço da garota e a puxou para perto de si. Seus rostos ficaram bem próximos e os dois se olharam de uma forma sugestiva por longos instantes até que ele a lembrou:

– Mia, nós estamos em um necrotério.

Ela olhou em volta sem se afastar dele. Gostava quando Castiel a segurava com firmeza, embora agora fosse bem mais forte do que ele e pudesse reverter o jogo facilmente. Mas era interessante deixá-lo pensar que tinha o controle da situação, quando era justamente o contrário. Pensando nisso, Mia voltou a encará-lo e se aproximou mais um pouco. E com os lábios bem próximos dos dele, ela perguntou:

– E?

Castiel inclinou um pouco a cabeça intrigado com o fato da garota parecer não se importar com aquilo. Em seguida olhou involuntariamente para os lábios dela. Tê-la assim tão perto dele, o provocando daquele jeito, era atordoante e ao mesmo tempo... Bom. Era ótimo. Sabia que não ia conseguir resistir por muito tempo e então resolveu nem tentar. Simplesmente aproximou os lábios e beijou Mia com paixão. Ela passou os braços pelo pescoço de Castiel fazendo com que seus corpos ficassem ainda mais próximos e sem parar de beijá-lo, ela o empurrou contra um dos armários fazendo um barulho enorme que chamou a atenção de Dean e Natalie que passavam no corredor naquele exato momento.

Mia começou a tirar o sobretudo de Castiel, quando Dean abriu a porta da sala e perguntou indignado enquanto entrava seguido por Natalie e fechava a porta:

– O que diabos vocês dois estão fazendo aí?

Castiel e Mia pararam imediatamente o que estavam fazendo e olharam para os dois intrusos constrangidos por terem sido pegos no flagra. Em seguida, a vampira ajeitou a roupa de Castiel que estava um pouco torta e respondeu:

– Nada.

– Nada? — repetiu Dean tentando manter a voz num tom baixo para não chamar a atenção de ninguém do prédio — É assim que chamam safadeza agora?

– Vocês estão num necrotério. — lembrou Natalie tentando não rir.

– E? — indagou Castiel sem perceber.

– O que está acontecendo com vocês? — perguntou Dean ainda mais chocado — Deus! Parecem dois coelhos! Vocês não conseguem pensar em outra coisa? Fazer outra coisa? Não cansam nunca? Já experimentaram tomar um banho?

– Já. — respondeu Castiel e em seguida olhou sugestivamente para Mia lembrando daquela manhã e deixou escapar — E foi ótimo.

Dean revirou os olhos e esclareceu:

– Frio. E separados.

Castiel franziu a testa enquanto pensava e em seguida perguntou:

– E qual seria a graça disso?

– Calado, anjo. — ordenou Mia ainda mais constrangida com aquela situação.

Natalie pigarreou e mostrando os documentos que tinha em mãos, sugeriu:

– Que tal falarmos sobre o caso?

– Ótima ideia! — concordou Dean olhando para a loira e feliz por ela finalmente ter dito algo útil. Natalie o olhou surpresa, mas em seguida, Dean provocou para não perder o hábito — Estagiária...

– O que vocês descobriram? — interessou-se Mia se aproximando deles.

Mas para surpresa da garota, Dean ficou sério de repente e em seguida respondeu:

– Que você precisa sair da cidade.

Mia o olhou sem entender o que ele queria dizer com aquilo. Mas percebeu que Dean estava realmente preocupado com alguma coisa. E como ele permaneceu em silêncio, ela perguntou:

– O quê? Por quê?

– É um lobisomem. — revelou Natalie.

Mia olhou para os dois enquanto Castiel se aproximava entendendo a preocupação de Dean.

– Legal! Eu já cacei lobisomens algumas vezes. Então, onde vocês estão pensando em procurar primeiro? — animou-se a vampira com certa inocência.

– Desculpe, Mia... Mas você não pode vir com a gente. — lamentou Dean.

– Por que não? — estranhou ela.

– Porque é perigoso. — respondeu Castiel colocando a mão no seu ombro.

– Perigoso... Perigoso como? — não entendeu ela embora começasse a desconfiar da resposta.

– Qual é, Mia? Você não assistiu Underworld? Saga Crepúsculo? Vampiros e lobisomens são inimigos mortais desde que o mundo é mundo. Uma mordida e você estará morta em poucas horas. Você não aprendeu isso em Mystic Falls com seus amigos sanguessugas? — expôs Dean.

– Antes de ser vampira, eu sou uma caçadora também. — lembrou ela e em seguida insistiu – E eu vou com vocês.

– Não, você não vai. — discordou Dean um pouco seco e depois, tomando cuidado com as palavras para não magoar a garota, disse — Desculpe, Mia, mas nós não podemos arriscar a sua vida nisso. E sim, você é uma caçadora. Mas é uma vampira também e esse caso é perigoso demais pra você. Você pode caçar o que quiser, Mia, menos lobisomens, entendeu?

Mia pensou um pouco e muito a contragosto, respondeu:

– Ok. Entendi.

– Ótimo. — disse Dean — Bem, eu e a Natalie vamos atrás do lobinho e depois eu vou despachar o son of a bitch enquanto ela observa como se faz. Mas vocês dois devem sair dessa cidade agora, ok?

– E pra onde nós vamos? — questionou Mia visivelmente frustrada com aquela situação.

– Eu não sei... Fazer compras, motel... Vocês escolhem. Apenas saiam de Memphis o mais rápido possível e tentem não ser presos por atentado violento ao pudor no percurso, ok? — aconselhou Dean e em seguida disse para Natalie — Vamos, estagiária.

A loira o seguiu e os dois saíram da sala enquanto Mia sentia uma decepção profunda. Uma decepção consigo mesma. Ser vampira tinha as suas vantagens, mas as desvantagens sempre acabavam falando mais alto.

Castiel segurou a mão de Mia e ela parou de pensar nessas coisas e tentou esboçar um sorriso.

– Vamos. — disse ele e logo os dois também deixaram o prédio.

Do lado de fora, enquanto caminhava com Dean em direção ao Impala, Natalie sugeriu:

– Ei! Chefe... Antes de procurarmos pistas sobre o lobisomem, será que nós podemos parar em alguma lanchonete? Eu estou morta de fome.

Ao ouvir isso, Dean a olhou de canto um pouco intrigado com a semelhança entre Natalie e ele, mas por fim concordou:

– Você leu os meus pensamentos, estagiária.

Algum tempo depois, os dois estavam sentados em uma das mesas de uma lanchonete e Natalie folheava o cardápio enquanto uma garçonete aguardava que ela fizesse o pedido. Dean também tinha um cardápio em mãos, e ora olhava para as imagens dos pratos, ora discretamente para Natalie. Até que de repente ela pediu:

– Humm.. Eu vou querer um X-Bacon, uma porção de fritas e uma Coca-Cola, por favor.

Natalie fechou o cardápio e o colocou de canto. Após anotar o pedido da loira, a garçonete olhou para Dean e perguntou:

– E você?

Ele hesitou por alguns instantes, mais uma vez impressionado com a semelhança entre ele e Natalie. Em seguida fechou o cardápio e respondeu:

– A mesma coisa.

Natalie franziu a testa também intrigada enquanto se perguntava se Dean havia feito um pedido igual ao dela só para provocá-la de alguma forma ou se X-Bacon também era o seu sanduíche favorito. Convencida de que era a primeira alternativa, Natalie suspirou e pegou uma das pastas com os documentos que os dois haviam conseguido no necrotério e começou a folheá-los. Quando a garçonete se afastou da mesa, Dean resolveu se concentrar no caso e recomeçou:

– Tem algumas coisas nessa história que não se encaixam.

Sem tirar os olhos dos laudos, Natalie prosseguiu:

– Eu sei. Se foi um ataque de lobisomem por que não havia sinal de luta? E por que as portas e janelas estavam fechadas? Como o lobisomem entrou e por onde saiu?

Um pouco irritado por Natalie estar tão empenhada no caso, Dean tirou os relatórios de perto dela e trouxe-os para o seu lado da mesa. Ela suspirou irritada e então ele esclareceu:

– Você é apenas a garantia, lembra? Não a minha parceira. Então pare de agir como se nós estivéssemos nisso juntos, ok? Porque nós não estamos, loirinha.

Natalie o olhou com raiva, cruzou os braços e apoiou as costas na cadeira. Depois de contar até dez mentalmente, ela retomou:

– Dean, por que você está fazendo isso? Você pode confiar em mim. Eu já disse, eu não sou sua inimiga. E eu estou falando a verdade sobre Claire. Eu juro.

Ignorando as coisas que a loira havia dito, Dean sussurrou para ele mesmo enquanto olhava os documentos:

– Por onde o lobisomem entrou? Por que não tem sinais de luta? O lugar estava intacto... Nada fora do lugar... Nada quebrado... Por onde o desgraçado saiu...?

Natalie revirou os olhos, se apoiou na mesa, segurou a mão do Winchester o impedindo de virar a próxima página e então anunciou:

– Dean, eu preciso te pedir uma coisa.

Diante daquele gesto, Dean parou de ler o relatório e olhou automaticamente para a mão de Natalie sobre a sua. Visivelmente sem graça, ele encarou a garota por um instante e depois olhou para a mão dela novamente. Igualmente constrangida e percebendo o que havia feito quase involuntariamente, Natalie afastou a mão o mais rápido que pôde e a apoiou sobre uma das pernas.

– O quê? — quis saber Dean.

Depois de alguns instantes tentando esquecer aquele momento constrangedor, Natalie cruzou os braços sobre a mesa e continuou:

– Eu sei que você não confia em mim, Dean. E eu entendo por que. A verdade é que se eu estivesse no seu lugar, eu também não acreditaria em mim. Nós somos caçadores e isso significa que nós não podemos nos dar ao luxo de confiar em qualquer um. Muito menos em alguém que acabamos de conhecer. Mas...

– Mas? — quis entender ele saindo um pouco da defensiva.

– Mas eu estou falando a verdade, Dean. Eu juro que estou. — afirmou Natalie — E é por isso que eu quero que te pedir uma coisa.

– Eu estou ouvindo. — assentiu ele.

Natalie respirou fundo e prosseguiu:

– Quando o seu irmão encontrar Claire, confirmar toda a história, confirmar que eu não estou mentindo e que você foi um idiota por não acreditar em mim... Eu quero um pedido de desculpas. Um pedido formal de desculpas.

Ao ouvir isso, o Winchester observou Natalie por alguns instantes surpreso com o pedido e em seguida riu e respondeu com deboche:

– Vai sonhando.

– Qual o problema, Dean? Você não tem tanta certeza que eu estou mentindo? Se você estiver mesmo certo, então eu não estou te pedindo absolutamente nada. — argumentou Natalie em tom provocador — Mas se você estiver errado, então eu quero o meu pedido de desculpas. E não abro mão disso.

Dean pensou um pouco. Relutou bastante. Mas por fim, lembrou que tinha certeza absoluta que Natalie estava mentindo sobre Claire Davis e que ele não podia confiar em alguém que havia o seguido daquela forma. Com certeza, Natalie estava envolvida em algo maior do que deixava transparecer. Talvez estivesse trabalhando com demônios para encontrar os anjos caídos. Quem sabe com Abaddon? De um jeito ou de outro, não podia acreditar nela.

Pensando assim, Dean lhe mostrou a mão direita e se comprometeu:

– Negócio fechado.

Natalie sorriu satisfeita e apertou a mão dele antes de dizer:

– Fechado.

Então os dois olharam para as suas mãos juntas novamente e se soltaram rapidamente, mais uma vez constrangidos diante daquela proximidade. Em seguida, a garçonete trouxe o pedido deles e colocou duas bandejas sobre a mesa. Instantes depois, quando a mulher se afastou, Natalie deu uma generosa mordida no X-Bacon e murmurou:

– Awesome!

Dean que também havia começado a comer o lanche, tossiu engasgado ao ouvir aquilo e tomou um pouco do refrigerante. Natalie o olhou confusa enquanto ele se recuperava. Quando finalmente se desengasgou, Dean disse irritado:

– Eu também quero te pedir uma coisa. — e em seguida, pediu — Pare de falar Awesome! Só eu posso falar Awesome, entendeu? É a minha expressão favorita! Só minha! Minha palavra! Eu fui claro?

– Sua palavra? — repetiu Natalie perplexa — Desculpe, mas quando foi que você patenteou o dicionário, Sr. Awesome?

– Calada. — resmungou ele.

Natalie o observou por alguns instantes e em seguida recomeçou:

– Ok, e eu quero te pedir mais uma coisa. — e como Dean a ignorou e continuou comendo o lanche, ela continuou — Eu quero ajudar com o caso.

– Isso não está em negociação. — discordou ele imediatamente voltando a olhá-la.

– Dean, eu tenho alguns palpites. Eu posso ajudar. — insistiu Natalie — Apenas me ouça...

– Eu disse não. — reforçou Dean rispidamente fazendo a loira cruzar os braços novamente e fechar a cara.

Então Dean voltou a se concentrar nos laudos da polícia e do legista, mas não conseguia encontrar uma explicação ou sequer uma nova pista sobre o lobisomem. Natalie, por sua vez, pegou o copo de refrigerante e começou a tomar a bebida fazendo barulho com o canudo só para desconcentrar Dean. Até que dando-se por vencido e visivelmente irritado, ele fechou a pasta que examinava até então, olhou para a loira e consentiu por fim:

– Ok. Fala de uma vez.

Natalie sorriu vitoriosa e se apoiou nos cotovelos antes de explicar:

– O lobisomem que matou Margareth entrou e saiu pela porta da frente.

– Como é? — não entendeu Dean.

– Era alguém próximo dela. Alguém que tinha a chave da sua casa. Talvez um namorado. Um amigo. Sei lá... — explicou Natalie e em seguida, acrescentou — Além disso, o laudo da perícia diz que Margareth estava deitada na cama quando foi encontrada. Sem sinais de luta. Ou seja...

– Ela estava dormindo quando aconteceu. — deduziu Dean e em seguida se martirizou — Claro! Como eu não pensei nisso antes? Isso explica muitas coisas. — e em seguida, questionou — Mas o relatório da polícia menciona que Margareth era uma mulher sozinha e que não houve nenhuma testemunha.

Após pensar um pouco sobre esses pontos, Natalie prosseguiu:

– Bem, eu sugiro que a gente dê uma olhada na cena do crime. Sempre tem algum detalhe que passa despercebido pela polícia, mas que não passa despercebido pelos olhos de caçadores.

– Boa ideia. Vamos! — disse Dean e em seguida colocou algum dinheiro sobre a mesa e levantou.

– O quê? Ei! Espera! Eu não terminei... — protestou Natalie enquanto engolia o lanche e tomava o refrigerante às pressas — Além disso, eu ainda não pedi a sobremesa. E eu soube que eles têm tortas ótimas...

Dean olhou para a loira mais uma vez e em seguida balançou a cabeça como se tivesse visto um fantasma ou coisa pior. Mais do que isso. Era como se ele estivesse diante de um espelho. De uma versão dele, mas que usava maquiagem. E aquilo o intrigava e o assustava. Mais do que isso, lhe causava arrepios.

Sem perder tempo, ele recolheu os documentos sobre a mesa, deu meia volta e puxou Natalie pelo braço antes de dizer:

– Vamos. Antes que eu me arrependa.

Natalie tomou o último gole da bebida, levantou e o seguiu apressada. Quando os dois deixaram a lanchonete para trás, um homem de expressões severas, que aparentava ter no máximo quarenta anos, e que estava o tempo todo na mesa ao lado deles, colocou o copo de cerveja sobre a mesa e resmungou com ódio:

– Caçadores...

Do lado de fora enquanto andavam em direção ao Impala, Natalie anunciou:

– Eu preciso pedir mais uma coisa.

Dean revirou os olhos, abriu a porta do carro, se virou na direção da loira e indagou sem paciência:

– Você não acha que está pedindo coisas demais, não?

– Eu preciso de uma arma. — disse ela ignorando a pergunta dele. Mas Dean não respondeu nada. Apenas balançou a cabeça negativamente, riu e entrou no carro. Natalie deu meia volta e também entrou. Depois de colocar o cinto de segurança, ela insistiu — Dean, minhas coisas ficaram dentro do meu bebê, você confiscou as outras e eu preciso de alguma coisa para me proteger. Nós vamos atrás de um lobisomem. O mínimo que eu preciso é de uma arma carregada com balas de prata.

Dean girou a chave e deu partida antes de responder:

– Boa tentativa, loira, mas não vai rolar. Como você mesma disse, eu não consigo confiar em você. Como eu vou te entregar uma arma? Mas não se preocupe, está com Dean Winchester, está com Deus. Eu protejo nós dois.

– Ah... Isso me tranquiliza muito... — disse Natalie com ironia.

Dean respirou fundo tentando não ficar irritado mais uma vez. Natalie tinha o dom de tirá-lo do sério. Após alguns instantes e mais calmo, ele encerrou:

– Nós só estamos indo para a cena do crime atrás de alguma pista. Quem matou Margareth não está mais lá há muito tempo. E se for inteligente, não vai se atrever a voltar. Mas se for burro e resolver voltar, então eu acabo com ele. Relaxa, loirinha. O que pode dar errado?

Natalie o encarou por alguns instantes e em seguida cruzou os braços e olhou a rua pela janela enquanto Dean se concentrava na direção. Mas o que nenhum dos dois sabiam é que naquele momento, aquele sujeito da lanchonete, havia saído de lá. E da calçada, ele observava o Impala se afastando atentamente e com muito ódio nos olhos.

Notas finais
Gostaram??????

Eu adorei escrever tudo, tudo, tudo, mas este finalzinho... com este homem de expressões severas... Adorei! Algum palpite de quem ele seja? Tá muito fácil, gente.

Bem, foi por isso que eu citei Crepúsculo! Temos um lobisomem na fic! Corram para as colinas de novo e fiquem por lá kkkkkkkkkkkkkkkkkkk

Estava pensando aqui com os meus botões: Mia e Cas tem algumas músicas, certo? Fire, Eternal Flame... Acho que chegou a hora de colocar Fogo e Paixão do Wando pra embalar o romance destes dois coelhinhos kkkkkkkkkkkkkkkk só pra zuah, sociedade!

Entenderam o nome do capítulo? Pois é... Será que esses dois trabalhando juntos vai dar certo? E por que os dois são tão parecidos e brigam tanto?

Bem, no próximo capítulo, teremos Mia e Cas fazendo compras, Natalie e Dean enfrentando o lobinho, Claire e David tendo uma conversa decisiva e Sam... Tendo um imprinting... Bem, na verdade ele meio que já teve um imprinting pela foto, mas no próximo capítulo... Ok, parei! Parei! Parei! Vou ficar por aqui, sociedade!

Quero reviews! Bjus!

PS: Me diverti muito escrevendo este capítulo kkkkkkk espero que vcs tenham gostado.