Recomeço
12 Capítulo 12 - Fim do mal entendido
Notas iniciais
A culpa é de Lost, ok? E também de SPN e do bloguinho (tive que parar um pouquinho pra assistir a Premiere, fazer a review, atualizar o blog e tals).
Aliás, quem quiser ler minha review tá aqui ô: http://dswinchesterblog.blogspot.com.br/2013/10/review-episodio-9x01-i-think-im-gonna.html
Bem, tem uma música do Lifehouse, chamada Somewhere in between, que eu ouvi recentemente, me apaixonei, baixei e tals. E a primeira cena do capítulo, entre Mia e Castiel, foi escrita ao som desta musiketa meiga.
Eu acho que eu tinha dito que neste capítulo iríamos descobrir algumas coisinhas sobre Natalie e Claire, mas meu povo e minha pova, este capítulo já tem quase 6.000 caracteres e eu não sei onde vou parar com isso kkkkkkkkkk
Achei que ia ficar muito longo, e então resolvi deixar as tais revelações para o próximo. Preparem-se para ficar com cara de esquilo dramático.
Divirtam-se!
O dia estava amanhecendo quando Castiel começou a acordar. Ele se mexeu um pouco e abriu os olhos devagar. Olhou para o teto por alguns instantes até se acostumar com a claridade que entrava no quarto através das cortinas. Em seguida, olhou para o lado e viu Mia de costas para ele, dormindo profundamente. Não por muito tempo, se dependesse dele. Ao pensar nisso, Castiel deu um leve sorriso e se aproximou de Mia a abraçando por trás.
Ele estava sem a camisa do pijama, deixando à mostra a tatuagem na altura do peito, do lado direito, que havia feito na noite anterior. Mia estava enrolada apenas no lençol e Castiel passava os dedos suavemente pelo braço dela subindo em direção ao seu ombro e depois descia por todo seu braço. Mia se mexeu e se arrepiou um pouco diante da sensação que aquele toque lhe causava. Então, Castiel afastou um pouco os longos cabelos da garota e beijou suas costas suavemente subindo até o pescoço. Ainda de olhos fechados, Mia sorriu e murmurou:
– O que você está fazendo, anjo?
Castiel aproximou os seus lábios do ouvido de Mia e sussurrou:
– Nada.
Ela riu e se virou em sua direção ficando de frente para ele. Os dois se olharam por um longo momento e sorriram um para o outro. Apesar de Mia ser uma vampira e de Castiel ser um humano agora, os dois nunca se sentiram tão felizes como neste momento de suas vidas. Apesar de tudo que tinham passado até chegarem ali e de terem se tornado aquelas duas pessoas completamente diferentes daquelas que eram quando se conheceram, Mia e Castiel sentiam uma felicidade enorme. Uma paz enorme. Um amor enorme. E um desejo enorme um pelo outro. Eles sentiam-se amados. Do jeito que foram e do jeito que eram agora. Tudo estava perfeito apesar de tudo.
Pensando nisso, Castiel tocou o rosto de Mia suavemente e ela beijou a mão dele em retribuição. Em seguida, ela passou os dedos pela tatuagem dele com cuidado, pois imaginava que ainda estava um pouco dolorida. Então ela se aproximou e tocou o desenho sobre a pele dele com os lábios. Castiel sentiu um arrepio percorrer todo o seu corpo. Então Mia o olhou com carinho antes de subir em direção ao seu pescoço e beijá-lo ali também.
– Posso fazer uma pergunta? — indagou Castiel de repente.
Mia beijou a orelha dele, passou os dedos entre os seus cabelos e se moveu um pouco, ficando em cima dele, antes de perguntar:
– Tem certeza que você quer conversar agora, anjo?
– É importante... — argumentou ele e em seguida perguntou mesmo sem ter certeza se Mia estava prestando atenção ou não — Eu preciso saber... Você ainda tem vontade de me morder?
De repente a garota parou de beijar o pescoço de Castiel e voltou-se para o seu rosto. O olhou nos olhos fazendo certo suspense até que sorriu e confessou:
– O tempo todo. — e como Castiel a olhou um pouco confuso, ela explicou — Mas não como um vampira. Eu quero dizer... Eu não quero o seu sangue, Cas. Eu quero você. Só você.
Castiel sorriu e afastou algumas mechas de cabelos de Mia que caíam pelo rosto dela antes de dizer satisfeito:
– Boa resposta.
– Agora fica quieto. — ordenou ela enquanto roçava o seu rosto no dele e em seguida mordeu o lábio inferior dele e o beijou por fim.
Mas de repente Castiel a agarrou firme e se virou na cama ficando por cima da garota. Fingiu que ia beijá-la enquanto Mia tentava encontrar os lábios dele a todo custo, porém sem sucesso. Então foi ela que o olhou confusa desta vez. Não estava entendendo que jogo era aquele. Entendeu menos ainda, quando Castiel se afastou e levantou da cama. Então Mia sentou intrigada e perguntou:
– Ei! Onde você pensa que vai?
Então Castiel sorriu e explicou:
– Se você me quer mesmo, então venha me pegar, Mia.
Em seguida, ele andou até o banheiro e entrou. A garota ouviu o barulho do chuveiro e disse para si mesma:
– Esse anjo está me provocando.
– Você vem ou não? — intimou Castiel já embaixo do chuveiro.
Mia sorriu e levantou da cama deixando os lençóis pelo chão antes de também entrar no banheiro...
Enquanto isso, em St. Louis, Sam abriu os olhos e olhou em volta assustado. Estava sentado em um dos sofás e Claire no outro, o observando. Ao perceber que ele estava um pouco constrangido por ter pegado no sono durante a madrugada e acordado naquele momento, ela sorriu e disse:
– Bom dia.
Sam se acomodou melhor no sofá e perguntou envergonhado:
– Eu dormi?
– Sim. — respondeu Claire naturalmente.
Com certo receio, ele perguntou:
– E eu... Ronquei?
Claire franziu um pouco a testa e respondeu:
– Na verdade... Sim.
– Oh não... — murmurou Sam ainda mais sem graça.
– Só um pouco! Não se preocupe. — tranquilizou Claire achando o constrangimento dele engraçado e em seguida, acrescentou — Está tudo bem, Sam. Pessoas dormem, pessoas roncam, pessoas ficam cansadas. E pelo que eu entendi, você dirigiu por um dia inteiro até chegar aqui. É normal. Você pegou no sono. Só isso. Acontece.
– Dean ou a Natalie ligaram? — perguntou ele querendo mudar de assunto e esquecer o momento embaraçoso.
– Não. Nenhum deles. — respondeu Claire.
– Mas eles vão ligar. — tranquilizou Sam — Natalie está bem, eu tenho certeza.
Claire assentiu e em seguida levantou e anunciou:
– Venha comigo, eu fiz café.
Sam levantou e a seguiu um pouco intrigado. Quando os dois chegaram na cozinha, ele sentou à mesa e Claire começou a serví-lo. Ele a observou colocar o café na xícara e empurrar sutilmente pra ele. Em seguida, ela colocou um prato perto dele e quando Sam viu o que tinha dentro, brincou:
– É estranho. Ontem você quebrou um vaso na minha cabeça, me amarrou, me cortou e quase me afogou com aquela água benta, e hoje está fazendo panquecas pra mim?
– Bem, se você quiser, eu tenho outros vasos. – brincou ela o fazendo rir levemente e em seguida, sentou de frente para Sam e tentou explicar — É que... Eu percebi que se você tivesse vindo aqui pra me machucar, já teria feito isso há muito tempo. Mas, você até dormiu no meu sofá. – ao dizer isso, Claire percebeu que Sam voltou a ficar constrangido, e então disse rapidamente — Além disso, você me entregou a sua arma. Eu seria intolerante se não te desse pelo menos o benefício da dúvida.
– E isso não tem nada a ver com o seu interesse sobre a pista que eu tenho do anjo que você está procurando? — indagou ele um pouco desconfiado da hospitalidade da garota.
– Não. — respondeu ela prontamente e após alguns instantes pensando, explicou — Eu confesso que me intriga perceber que eu passei dois meses procurando Ezekiel, em vão, sem nenhum sucesso, até que de repente a Natalie ouve uma conversa sua e do seu irmão num bar qualquer e então você está aqui, na minha casa, na minha frente falando sobre esse anjo com a maior naturalidade do mundo. Mas eu não estou tentando te agradar para conseguir essa pista, Sam. Eu estou tentando confiar em você e acreditar que você e o seu irmão realmente podem me ajudar a encontrar Ezekiel. Só isso.
– Nós podemos. — garantiu Sam — Mas com uma condição. Que você conte toda a verdade. Começando pelo fato de você agir como se alguém estivesse atrás de você. Quem está perseguindo você, Claire?
A garota pensou um pouco e em seguida propôs:
– Vamos fazer um acordo, Sam. Quando eu conseguir falar com a Natalie, e ouvir ela confirmar que te mandou aqui e que ela está realmente bem, então... Eu conto tudo que você quiser saber.
– E devolve a minha arma. — lembrou ele.
– Fechado. — concordou Claire e em seguida tomou um pouco de café.
No hospital em Memphis, Natalie já havia recebido alta e terminava de se vestir no quarto quando a enfermeira bateu na porta e entrou.
– Como você está se sentindo, Srta. Jones?
– Como se um lobisomem tivesse me arremessado contra uma estante. — respondeu ela sem perceber e ao olhar para a enfermeira e perceber a confusão no rosto da mulher, consertou rapidamente — É brincadeira, todo mundo sabe que lobisomens não existem, não é? Eu estou ótima. Obrigada. — e em seguida, perguntou — Ah! Você viu o cara que me trouxe ontem à noite pra cá?
– Vi sim. Ele é seu namorado?
Natalie riu levemente e respondeu:
– Não nessa vida. — e enquanto arrumava algumas coisas na bolsa, perguntou — Então, onde ele está?
– Ele passou a noite inteira naquela poltrona. Parecia tão preocupado com você. — contou a enfermeira.
– Tem certeza que nós estamos falando da mesma pessoa? — estranhou Natalie.
– Acho que sim... Bem, de qualquer forma, ele está na lanchonete do hospital. — respondeu a enfermeira.
Natalie riu novamente, colocou a bolsa no ombro e disse enquanto andava até a porta:
– Claro que ele está. Onde mais ele estaria? Eu não sei de onde vem tanta fome. — ao abrir a porta e dar de cara com Dean segurando um pacote e um copo descartável com café, Natalie sorriu e pegou tudo das mãos dele enquanto agradecia — Graças a Deus! Eu estou faminta!
Natalie saiu do quarto e começou a se afastar. Dean olhou um pouco confuso para a enfermeira antes de se virar e seguir a loira pelo corredor. Natalie tomou um pouco do café, em seguida entregou o copo para Dean, abriu o pacote, tirou um croissant de dentro dele e começou a comê-lo.
– Como você está se sentindo? — perguntou Dean de repente.
– Como se um lobisomem tivesse me arremessado contra uma estante. — respondeu Natalie e em seguida lembrou de uma coisa e perguntou — Por falar nisso, e o nosso lobinho?
– A polícia encontrou o corpo dele nessa madrugada. E uma vizinha reconheceu o sujeito. Disse que o viu algumas vezes com a vítima. Parece que Margareth era uma pessoa muito sozinha até o lobisomem misterioso chegar na cidade. Então ele se aproveitou da baixa auto estima da vítima, os dois começaram a se relacionar discretamente, mas tudo que o desgraçado queria era esperar a oportunidade certa e devorar o coraçãozinho dela. — explicou Dean e após alguns instantes pensando sobre aquilo, refletiu — Essa foi a coisa mais estranha que eu já disse.
– Homens... Sempre querendo acabar com o nosso coração de um jeito ou de outro. – refletiu Natalie e em seguida, também disse – Essa foi a coisa mais estranha que eu já disse. – então ela pegou o café novamente e tomou o resto da bebida. Em seguida, jogou o copo e o pacote em uma lixeira e saiu do hospital com Dean. Os dois entraram no Impala e Natalie perguntou — E o seu irmão? Deu notícias?
Dean aproveitou aquelas perguntas, para pegar o celular de Natalie e fazê-la ficar constrangida ao contar com certo sarcasmo:
– Você recebeu uma ligação de uma pessoa muito adorável ontem à noite: Claire. A propósito, adorei o ringtone.
Natalie segurou o telefone e ficou visivelmente sem graça. Respirou fundo e começou a dizer:
– Dean, sobre o toque...
– Eu sei, você precisa trocar. — interrompeu ele.
– Não, você que precisa trocar. — afirmou ela.
Dean a olhou visivelmente irritado e resolveu mudar de assunto:
– Ok, vamos discutir essa questão depois. Agora, será que você pode ligar pra sua amiga maluca e falar pra ela parar de torturar o meu irmão.
Natalie riu, mas acatou o pedido. Em St. Louis, o celular de Claire vibrou em cima da mesa e ela atendeu imediatamente enquanto Sam a observa atento:
– Natalie? É você mesma?
– A única. — respondeu a loira do outro lado.
Claire se levantou e foi até a sala enquanto sussurrava:
– O que aconteceu? Você está bem? E por que mandou um caçador até a minha casa?
– Claire, eu vou resumir a história, ok? — anunciou Natalie e em seguida, explicou — Você pode confiar em Sam Winchester. Eu dei o seu endereço pra ele porque essa era a única forma dele e do idiota do irmão dele nos ajudarem a encontrar Ezekiel. Desculpe, mas eu tive que fazer isso ou eles teriam ido embora sem me dizer nada sobre o anjo. E provavelmente você me mataria se isso acontecesse. Ah! E quanto a mim, eu estou bem, não se preocupe. Eu só tive um pequeno acidente ontem à noite, graças ao idiota do irmão do Sam, mas eu estou bem. Resolva o que você tiver pra resolver em St. Louis e depois vá com o cabeludo pra onde ele disser que vocês precisam ir. Eu e o idiota do irmão dele te encontraremos no caminho e então poderemos finalmente encontrar o seu anjinho perdido. Beijos. Te amo também!
– Ei! Ei! Espera um pouco! Eu quero falar com o meu irmão. — pediu Dean.
– Claire, coloca o cabeludo na linha. O idiota do irmão dele quer falar... — pediu Natalie e em seguida passou o celular para o Winchester.
Claire se virou e viu Sam parado, perto da porta da cozinha, se aproximou e lhe entregou o celular:
– Sammy? — chamou o mais velho — Você está bem?
– Oi, Dean. Sim, eu estou bem, não se preocupe. Parece que finalmente conseguimos esclarecer esse grande mal entendido. Natalie estava dizendo a verdade, Claire existe e a história sobre o anjo bate. — esclareceu Sam.
Por um lado, Dean estava aliviado por finalmente a verdade ter vindo à tona, mas por outro, ele sabia muito bem o que isso significava: que ele devia um pedido de desculpas para a garota insuportável ao seu lado. Então respirou fundo e encerrou a ligação:
– Ok, Sammy. Me encontre... Você sabe onde.
Em seguida, Dean entregou o celular para Natalie e Sam entregou o aparelho de Claire.
– Só por curiosidade, mas o que a Natalie te disse? — quis saber o Winchester mais novo.
– Um monte de coisas confusas e que... Eu devo confiar em você. — resumiu Claire.
– E então? Você confia? — indagou ele.
Claire o olhou por alguns instantes e em seguida, foi até uma das estantes, abriu uma gaveta e retirou a arma que Sam havia lhe entregado na noite anterior. Então se aproximou, lhe estendeu a arma e respondeu:
– Sim. Eu confio em você, Sam.
No Impala, Dean observava Natalie guardando o celular na bolsa e lembrou:
– Irmão idiota?
– Se a carapuça serviu. — provocou ela.
Dean respirou fundo e deu partida enquanto um silêncio profundo se instalava pouco a pouco. Tentando quebrar aquele clima estranho, Natalie perguntou:
– Pra onde nós vamos agora, Sr. Awesome?
Como sabia que a loira, assim como a Mia e a maioria das pessoas, não gostava de ficar em silêncio por muito tempo, Dean fez questão de demorar a responder:
– Hotel, depois estrada, Kansas.
Natalie assentiu e mais uma vez os dois ficaram no mais completo silêncio até que a caçadora ligou o rádio dizendo:
– Um pouco de música seria ótimo.
Mas, para sua surpresa, Dean desligou o rádio imediatamente e resmungou:
– Sem músicas por hoje.
Natalie o olhou com raiva. Dean sabia mesmo como ser chato. Então ela cruzou os braços, olhou para fora e o provocou:
– Humm... Parece que alguém acordou de mau humor hoje. Só porque uma garota o salvou ontem à noite...
– Estava demorando. — reclamou ele sem tirar os olhos da estrada.
Natalie o olhou por alguns instantes, sorriu com certo sarcasmo e disse:
– Não se preocupe, Dean. Eu não vou contar pra ninguém que eu salvei a sua vida. Fica sendo o nosso segredo. Mas eu espero que você tenha aprendido a lição. Quando uma garota te pedir uma arma, dê a droga da arma pra garota, entendeu?
Ao ouvir isso, Dean encostou o carro no meio fio bruscamente e Natalie o olhou um pouco assustada.
Dean sabia que tinha cometido um erro ao não entregar a arma para Natalie. E sabia que ela não o deixaria em paz enquanto ele não admitisse isso. Então, indo contra toda à sua natureza e à vontade infinita de provocar Natalie, Dean respirou fundo e começou:
– Tudo bem... É o seguinte, loirinha, eu quero que você me ouça atentamente porque isso que eu vou dizer agora, você não vai me ouvir dizendo nunca mais, entendeu? Porque o que aconteceu ontem à noite não vai se repetir. Então eu só vou dizer esta vez.
Natalie o encarou com um sorriso cínico e provocou:
– Eu estou ouvindo, Dean. Atentamente...
Dean respirou fundo mais uma vez e então disse:
– Você estava certa, Natalie. E eu... Errado. Eu devia ter confiado um pouco mais em você e te entregado a droga da arma quando você pediu. Eu quase matei nós dois por isso... Então...
Como Dean ficou em silêncio de repente, Natalie o encarou mais uma vez e incentivou:
– Então?
– Então... Desculpe por não ter te entregado a arma. E... Obrigado. Por salvar a minha vida mesmo assim. — agradeceu Dean relutando internamente e em seguida acrescentou — Por salvar nós dois. Satisfeita?
– Ainda não. Na verdade, falta uma coisa, uma única coisinha, pra minha felicidade ser completa. — insinuou ela e Dean não demorou muito para deduzir do que a loira estava falando.
Então, mais uma vez ele engoliu o orgulho, respirou fundo e disse com muita relutância:
– Eu sinto muito por ter duvidado de você. Desculpe. Você estava falando a verdade sobre a Claire e eu te acusei injustamente de estar mentindo. Satisfeita agora?
Natalie sorriu e Dean teve vontade de morrer. Como alguém podia irritá-lo tanto daquele jeito pelo simples fato de sorrir na hora errada? Em seguida, ele ligou o carro e voltou a dirigir evitando olhar para ela.
– Viu? Nem foi tão difícil assim. — provocou Natalie, mas como Dean permaneceu em silêncio, ela encerrou — De nada, Sr. Awesome. Mas que fique claro que o que eu fiz ontem na casa de Margareth Morris... Eu teria feito por qualquer um que estivesse naquela situação.
– Não se preocupe. Está bem claro. — garantiu Dean e após alguns instantes pensando, teve uma ideia para reverter um pouco aquela situação desconfortável em que ficou e sugeriu – Quer saber? Eu acho que você também me deve um pedido de desculpas.
– Como é? – indagou Natalie surpresa.
Então com um tom provocador, Dean explicou:
– Você me seguiu, ouviu minhas conversas, colocou um localizador no meu bolso, me agrediu...
– Ok! – interrompeu a loira percebendo as intenções dele e então, após relutar um pouco, também admitiu – Eu sinto muito, Dean. Me desculpe.
O Winchester deu um leve sorriso de vitória e encerrou dizendo:
– Viu? Nem foi tão difícil assim.
Em St. Lois, antes de começar a subir as escadas, Claire anunciou:
– Eu vou fazer a minha mala.
– Você lembra que nós temos um trato, certo? Contar a verdade. Me dizer por que você quer encontrar Ezekiel. — lembrou Sam.
Claire parou em um dos degraus, se virou, segurou no corrimão e respondeu:
– Sim. Eu lembro. Eu vou cumprir a minha palavra, Sam. Não se preocupe. Você pode confiar em mim também.
Sam assentiu e Claire voltou a subir os degraus rapidamente. Ao chegar ao quarto, pegou uma mala em cima do guarda-roupa e a colocou sobre a cama. Não sabia exatamente para onde Sam iria levá-la, mas decidiu levar o máximo de roupas possíveis. Não sabia por quanto tempo ficaria fora, nem mesmo se voltaria para aquela casa. E isso a assustava um pouco. Era estranho porque há algumas horas, ela estava jantando com David e agora ela estava prestes a seguir um caçador que tinha acabado de conhecer e não tinha ideia pra onde estava indo com ele. A única coisa da qual tinha certeza é que precisava fazer isso. Era a única forma de encontrar Ezekiel. Era a única forma de ajudar a sua mãe. Mas, embora estivesse com certo medo, Sam Winchester também lhe passava confiança. O que era ainda mais estranho já que até bem pouco tempo, ele estava amarrado naquele mesmo quarto. E era ainda mais estranho porque ela tinha quase certeza de já ter visto aquele rosto em algum lugar. Tinha quase certeza de que conhecia Sam de algum lugar. Mas de onde?
Enquanto Claire arrumava a mala, Sam olhava mais uma vez para a foto dela sobre a mesa. Pegou a foto nas mãos e ficou olhando para aquele rosto por longos instantes. Tinha certeza de que já tinha visto ela antes. Tinha certeza de que conhecia Claire de algum lugar. Mas de onde?
Enquanto isso, Dean passava com o Impala em frente a uma lanchonete e ao ver um certo casal em uma das mesas, olhou sem acreditar e imediatamente procurou um lugar para estacionar.
Com um olhar apaixonado Mia observava atentamente Castiel tomando café e, por baixo da mesa, ela roçava a sua perna sobre a dele. Ao perceber isso, Castiel sorriu, mas antes de dizer qualquer coisa, Mia se antecipou:
– Nem pergunte. Eu não estou fazendo nada.
Em seguida, a garota suspirou e continuou o encarando com um ar apaixonado.
– Do jeito que você me olha, eu tenho a impressão de que você quer me devorar. – observou Castiel.
– Não me provoque, anjo. – devolveu Mia sorrindo e apoiando as mãos no queixo enquanto continuava o olhando.
Neste momento, Dean e Natalie se aproximaram da mesa e imediatamente o Winchester perguntou:
– O que vocês dois ainda estão fazendo em Memphis?
– Oh! Bom dia pra você também, Dean! — ironizou Mia enquanto Dean e Natalie puxavam duas cadeiras e sentavam — A propósito, o que aconteceu ontem à noite? Por que vocês não deram notícia? Está tudo bem? — prosseguiu a vampira.
Dean e Natalie se entreolharam lembrando das coisas que haviam acontecido na noite anterior. Mas embora Natalie quisesse contar certa vantagem, ela havia prometido que não contaria para ninguém que tinha salvado Dean. Além disso, ela não queria que ele pensasse que ela estava dando importância demais para aquilo. Ter salvado Dean ou outra pessoa daria na mesma. Ela teria se arriscado por qualquer um. Dean não significava absolutamente nada para Natalie. Pelo menos, era nisso que ela acreditava naquele momento.
Enquanto ela se convencia disso, Dean voltou a olhar para Mia e Castiel e insistiu:
– Nem adianta fugir do assunto. Eu perguntei o que vocês ainda estão fazendo em Memphis. Por que não foram embora como eu disse para irem?
Mia pensou um pouco e então respondeu:
– Desculpe, Dean, mas eu não ia fugir de um reles lobisomem. Além disso, eu ouvi no rádio que a polícia encontrou um corpo de um cara na casa de Margareth Morris esta manhã. O que me leva a crer que ele era o lobisomem e que vocês deram um jeito nele, não foi?
– É, nós demos um jeito nele. Não é mesmo, Dean? — insinuou Natalie.
– Viu? Tudo acabou bem. — tranquilizou a vampira.
– Mas poderia ter dado errado. Mia... Você se arriscou muito ficando em Memphis. Você podia ter morrido. — argumentou Dean ainda preocupado.
– Não se preocupe, Dean. Tecnicamente, eu já estou morta mesmo, então... – a garota parou de falar ao notar o olhar reprovador de Dean, e em seguida, esclareceu — Nós ficamos bem. Nós estamos bem, não é, anjo?
– Com certeza. Melhor impossível. — afirmou Castiel a olhando profundamente antes de tomar mais um pouco de café.
– Por falar nisso, o que vocês dois ficaram fazendo enquanto eu e o Sr. Awesome estávamos atrás do lobisomem? — quis saber Natalie com certa inocência.
Ao ouvir aquilo, Castiel engasgou com o café e tossiu um pouco enquanto ele e Mia se entreolharam. Em seguida, os dois responderam ao mesmo tempo:
– Nada.
Dean revirou os olhos imaginando a verdadeira resposta. Já recuperado do sobressalto que a pergunta da loira lhe causou, Castiel confidenciou:
– Ah! Na verdade, eu fiz uma tatuagem.
Então Dean riu e brincou:
– É mesmo? Nossa! Que moderno, Cas! A humanidade está te fazendo muito bem! Deixa eu adivinhar, "Mia Forever"?
Ao ouvir isso, a vampira franziu a testa enquanto pensava e então confessou:
– Humm... Eu gosto de "Mia Forever". Combina já que eu sou imortal, mas você errou, Dean. — e em seguida, ela olhou para Castiel e pediu — Mostre para eles, anjo.
Então, Castiel afastou um pouco a camisa e mostrou a tatuagem contra possessão um pouco acima do peito. Ao ver aquilo, Dean refletiu por alguns instantes e admitiu:
– Eu não tinha pensado nisso. Bom trabalho, coelhinhos.
O casal assentiu. De repente Mia lembrou de algo e perguntou curiosa:
– E o Sam? Alguma novidade?
Dean e Natalie se entreolharam e a loira fez questão de responder cheia de si:
– Bem, conforme eu havia repetido milhares de vezes, eu não estava mentindo sobre a Claire. Ela existe. E o Sam a encontrou ontem. Fim do mal entendido.
– Dean, eu acho que você deve um pedido de desculpas pra Natalie. — disse Mia fazendo o caçador ficar visivelmente constrangido.
– Na verdade... Nós já conversamos sobre isso, não é mesmo, Sr. Awesome? Ele está perdoado. — lembrou Natalie o encarando por alguns instantes e se divertindo internamente com aquela sensação de vitória.
– E então? Pra onde nós vamos agora? — quis saber Castiel mudando de assunto.
– Pra casa. — respondeu Dean aliviado pelo ex-anjo ter mudado de assunto.
Natalie olhou confusa para o Winchester e perguntou:
– Como assim "casa"? Eu pensei que nós íamos atrás do Ezekiel. E desde quando caçadores têm casa? Eu não tenho uma desde que... — de repente, a loira parou de falar e desconversou — Há muito tempo.
Dean, Mia e Castiel se entreolharam percebendo que havia certa tristeza no olhar de Natalie. Uma tristeza que ela tentava disfarçar a todo custo. Então Mia resolveu ajudá-la e continuou a conversa:
– O que o Dean quis dizer é que para procurar Ezekiel, nós precisamos ir pra um lugar que ele e o Sam chamam de casa. Meu palpite é de Ezekiel deve estar perto de lá.
– E onde fica essa... Casa? — interessou-se Natalie.
– Kansas. — respondeu Dean e em seguida levantou e acrescentou olhando para a loira — Vamos. Ainda temos que encerrar a conta do hotel e pegar as nossas coisas. Depois... Estrada e lar doce lar.
– Ok, Sr. Awesome. Vamos. — assentiu Natalie se levantando.
Antes de se afastar da mesa, Dean olhou mais uma vez para Mia e Castiel e orientou:
– Nos encontramos na próxima lanchonete de beira de estrada, coelhinhos.
Em seguida, Dean e Natalie deixaram o restaurante e entraram no Impala. Mia voltou a observar Castiel tomando café até que ele perguntou:
– Você não está com fome?
Só então Mia lembrou que ainda não havia se alimentado desde que acordou. Era incrível, mas ao lado de Castiel era como se ela esquecesse completamente que era uma vampira e que, portanto, precisava se alimentar. Então ela levantou e antes de dar um beijo no rosto dele, encerrou:
– Bem lembrado, anjo. Eu te espero no carro.
Pouco tempo depois, Mia entrou no Mustang e pegou uma bolsa de sangue no seu estoque particular. Em seguida, ela se alimentou. Só então percebeu como estava faminta. Castiel estava sugando muito as suas energias ultimamente. Ela riu ao lembrar por que...
Enquanto isso, em St. Louis, Sam estava dentro do Camaro olhando mais uma vez a foto de Claire pelo notebook. Não queria ficar encarando a garota pessoalmente, então resolveu olhar aquela foto até se lembrar de onde conhecia a garota, ou se ela apenas lhe lembrava outra pessoa. Sem conseguir chegar a nenhuma conclusão, ele resolveu ligar para Dean.
Neste momento o Winchester mais velho, estacionava em frente ao hotel. Depois que Natalie desceu do carro e se afastou e ele atendeu:
– Sammy?
– Oi, Dean. Você está sozinho? – quis saber o mais novo.
– Sim. – respondeu Dean estranhando a pergunta – Por quê? O que aconteceu?
Ao lembrar que Dean riu quando ele lhe contou que teve uma sensação estranha quando viu a foto de Claire, Sam hesitou , se arrependeu por ter ligado e tentou encerrar:
– Nada.
– Ei! Ei! — chamou Dean o impedindo de desligar — Está tudo bem? O que houve, Sammy?
O mais novo suspirou e resolveu começar aos poucos:
– Dean, aconteceu uma coisa. – e após uma pausa, disse — Quando eu conheci a Claire. Bem, na verdade... Depois que eu acordei e a conheci de fato.
– Depois que você acordou? Como assim? — estranhou o mais velho.
– Ah... Bem, eu não tive tempo de te contar há pouco, mas quando eu cheguei na casa da Claire ontem, ela não estava. Mas uma das portas estava aberta e eu... Resolvi entrar. E quando ela chegou e me viu, acertou a minha cabeça com um vaso. Eu desmaiei. — explicou Sam e ao ouvir o irmão rindo do outro lado, esclareceu — Dean, não foi nada engraçado. Ela me bateu, me amarrou e jogou água benta em mim.
– O quê? — indagou Dean enquanto ria ainda mais e depois de alguns instantes, se controlou, respirou fundo e perguntou — Então, o que aconteceu além de toda essa tragédia, Sammy? Ela te cortou com uma faca de prata?
Sam franziu a testa e resolveu deixar aquele detalhe de fora, e então continuou:
– Bem, o que aconteceu foi que... Vai soar estranho, mas eu tive e continuo tendo a impressão de que eu conheço a Claire de algum lugar. Só não sei de onde.
– Oh! Veja só! Parece que alguém teve um déjà vu. — zombou o mais velho lembrando de quando ele teve a mesma impressão em relação à Natalie e Sam lhe disse a mesma coisa.
– Eu não devia ter ligado... — arrependeu-se o mais novo.
– Espera. — pediu Dean e em seguida, tentou tranquilizar o irmão — Sammy, a Mia disse que uma garota qualquer ia quebrar um vaso na sua cabeça e uma garota qualquer fez isso. Você deve ter ficado impressionado, lembrado disso, sei lá. Foi só um déjà vu.
– Como o déjà vu que você teve pela Natalie? Depois da Mia dizer que uma garota ia tropeçar em você? Aliás, uma garota não, a sua alma gêmea. — lembrou Sam.
– Mesmo que almas gêmeas existam, com certeza, a Natalie não é a minha. Eu não a suporto. — esclareceu Dean.
– Você já parou pra pensar que talvez você não suporte a Natalie justamente porque ela é exatamente igual a você? — sugeriu Sam.
– Você está querendo dizer que eu sou insuportável? — questionou Dean ofendido.
– Esquece... — desconversou Sam.
– Ok, mas deixa eu ver se eu entendi. Então você está insinuando que a Claire é a sua alma gêmea? — recomeçou Dean.
– Claro que não. — negou Sam imediatamente e em seguida, acrescentou — Eu concordo com você, Dean. Almas gêmeas não existem. Isso é só uma invenção romântica e patética pra fazer as pessoas se iludirem, se decepcionarem e se machucarem mais cedo ou mais tarde.
– Quanto otimismo... — ironizou Dean.
– Que seja... Mas o fato é que o que eu senti quando eu vi a Claire não tem nada a ver com alma gêmea, foi uma sensação real, concreta de que... Eu a conheço. — explicou Sam.
Dean pensou um pouco e percebeu que aquela era a mesma sensação que ele tinha em relação à Natalie. E então resolveu dar um conselho que servia para o irmão e para ele:
– Dê tempo ao tempo, Sammy. Se nós já conhecemos essas garotas, em algum momento, nós vamos descobrir de onde.
Sam pensou um pouco, percebeu que realmente não podia fazer muita coisa em relação àquilo e em seguida mudou um pouco de assunto:
– Dean, você não acha estranho que duas coisas que a Mia disse que ia acontecer... Acabaram acontecendo mesmo? Na hora, eu pensei que ela tivesse dito aquelas coisas por brincadeira, e talvez ela mesma pense que foi só isso, mas... Foi estranho, não foi?
– O quê? Você acha que de alguma forma ela previu que nós íamos conhecer duas garotas malucas e que gostam de bater na gente? — indagou Dean.
Sam pensou um pouco e respondeu:
– Eu acho que... De alguma forma, a Mia ainda tem aquele dom de pressentir as coisas. Desde que ela virou vampira, ela não tem mais aqueles pesadelos, mas isso não significa que aquele lado dela deixou de existir. Eu acho que aquele lado ainda está lá, Dean. Tentando se adaptar a nova condição da Mia. Eu acho que... A Mia está mudando de alguma forma. Você não acha também?
Neste momento, Mia terminou de se alimentar e se olhou pelo retrovisor do carro. De repente notou algo diferente nos seus olhos e franziu um pouco a testa. Ela havia acabado de se alimentar, mas seus olhos avermelhados indicavam que ela ainda estava faminta. Não entendia como aquilo era possível já que se sentia completamente satisfeita. No entanto, aquela sensação de saciedade aos poucos deu lugar a uma sensação estranha e ruim. Uma forte sensação de enjoo. Rapidamente Mia abriu a porta, saiu do Mustang, correu em direção a uma lixeira, levantou a tampa e começou a vomitar todo o sangue que havia bebido momentos antes.
Vampiros não morrem e não ficam doentes. Por isso mesmo, Mia não conseguia entender por que estava passando tão mal. Parecia que ia morrer. Não conseguia respirar e não conseguia parar de vomitar aquele sangue. Era como se o seu corpo estivesse rejeitando algo...
Dean pensou um pouco e respondeu a pergunta do irmão:
– Eu não sei, cara. Pra mim, a Mia parece bem. Muito bem, aliás. Eu acho que você está se preocupando à toa. Além disso, se alguma coisa acontecer, ela sabe que nós estamos aqui. Nós e o Cas. Ela nos contaria se alguma coisa não estivesse bem ou mudando, certo? – e em seguida, encerrou – Eu preciso desligar. Nos falamos depois, ok?
– Ok. – concordou Sam e em seguida também desligou o celular.
Mia fechou a lixeira e limpou a boca com a manga da blusa. Ficou algum tempo apoiada na lixeira antes de se sentir bem o suficiente para andar. Então, caminhou até o Mustang e entrou. Instantes depois, Castiel saiu do restaurante, se aproximou e também entrou no carro. Olhou para Mia e ao perceber que ela estava um pouco branca, perguntou:
– Você está bem?
– Sim, por quê? – disse ela sem encará-lo.
– Você está meio pálida. – observou ele desconfiado.
– Deve ser porque eu estou morta, lembra? – tentou brincar ela e em seguida olhou para Castiel e mentiu para não preocupá-lo – Não se preocupe, anjo. Eu estou ótima. Tudo está perfeito.
Em seguida, Mia ligou o carro e deu partida enquanto tentava entender o que tinha acontecido com ela e se deveria contar para Castiel, Sam ou Dean. Resolveu que era melhor não dizer nada. Pelo menos por enquanto. Não queria preocupá-los com algo que ela nem sabia o que significava. Com certeza tinha sido algo isolado. Não voltaria a se repetir. Pelo menos era nisso que ela queria acreditar naquele momento.
Notas finais
Gostaram do pedido de desculpas do Dean?
E da confiança mútua que está nascendo entre Sam e Claire?
E de Mia e Cas fazendo nada?
E este finalzinho cheio de mistérios? O que será que está acontecendo com a Mia?
Eu falei que ia trazer umas complicações pra história, não falei? Eu avisei, não avisei?
Então tah...
Reviews, por obséquio, sociedade! Bjus!
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