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8 Capítulo 8
Notas iniciais
— Como assim, “nossa família”? — Swan da ênfase no final. — Desde quando somos família? — Alterna o olhar entre Gold e Belle. Essa última, com uma expressão preocupada, a cada palavra dita por Swan. — Quem é você, afinal? — Questiona, não se importando em esconder a irritação.
— Minha única família é a Emma e o Henry, pois, meus pais morreram antes de eu vir morar aqui, e eu não conheci tios, tias, avôs, avós ou primos. — Regina diz categórica.
— E eu não tenho pais. Minha família está bem aqui... — A loira aperta a mão da esposa e lhe direciona um sorriso. — E o meu filho, que está na escola.
Gold e Belle entreolham-se soltando um longo suspiro. Não seria fácil convencer as duas, do que estavam prestes a dizer.
— Senhorita Swan, tudo o que vocês acreditam ter vivido, não passa de uma mentira. ― Gold diz com extrema calma.
— Essas memórias são falsas. — French completa, aproximando-se na mesa.
— O que? — Emma franze o cenho Emma, totalmente desacredita do que ouvia dos dois estranhos à sua frente.
— Você acredita em magia? — Belle questionou no tom mais sério possível. Precisava passar credibilidade.
— Isso é sério? — Indagou Regina, querendo sorrir. Ao que a morena assentiu, ela liberou o riso. — Vocês só podem estar brincando.
— Não, nós não estamos. — Gold sinaliza para Belle, para que a partir de agora, deixe tudo com ele. — E após o que eu tenho para contar, posso provar alguns pontos, se quiserem. — Gold intrometeu-se, no seu tom mais sisudo, fazendo Regina parar de sorrir, e deixando Emma totalmente interessada no que dizia.
— Pode ter certeza de que vamos querer. — Rebateu Emma, em tom desafiador, encostando-se à cadeira, esperando que o homem comece.
•§•
— Vocês só podem estar brincando se querem que acreditemos nessa história. — Emma comentou, após alguns minutos em silêncio, depois de ter escutado toda a história que Gold contara com a ajuda de sua amada.
— Contos de fadas? Sério? — Regina indaga em tom zombeteiro. — Se uma história dessas viesse da cabeça de nosso filho, apesar de nem ter mais idade para acreditar nessas coisas, eu até que entenderia... — Continua bem-humorada. — Afinal, acabou de sair da fase em que acredita em magia, papai Noel, Fada dos dentes e todas essas histórias... — Deu de ombros. — Mas vocês dois? Você tem o que? — Olhou para Gold. — 50 anos de idade? — Gold arqueou a sobrancelha, sentindo-se elogiado pela pouca idade que lhe fora dada.
— Não somos personagens da Disney... — Emma murmura baixinho, balançando a cabeça negativamente.
— E se fosse para ser, eu seria a Úrsula e não a Rainha Má... — Mills pontua, como o óbvio.
— O que é Disney? — É Belle quem pergunta, pegando as mulheres de surpresa, causando risadas logo depois.
— Como assim vocês não conhecem a Disney? Estão de brincadeira, não é? — Swan pergunta incrédula e o casal se entreolha, sem entender qual o motivo da descrença.
— Não somos desse mundo. — Gold rebate, repetindo o que já contou em sua história. — Vivemos por muito tempo em uma maldição, longe de toda essa realidade, do mundo real. — Aponta para o seu redor. — Não sabemos nada do que se passou aqui fora desde então.
— Para mim já chega... — Emma diz, colocando as duas mãos na mesa, preparando-se para se levantar. — Não foi para ouvir esses absurdos, que eu pedi ao meu chefe para largar mais cedo. — Levantou-se da cadeira, mas antes que se afastasse, teve o braço segurado por Gold.
— Senhorita Swan, eu...
— Afinal de contas, como você conhece até o nosso filho? — Regina pergunta, interrompendo o homem. — Porque se pensa que eu vou acreditar que a explicação é essa história que você contou...
— Se me permitirem, eu posso provar... — Ele apontou para a cadeira vazia, para que Emma pudesse se sentar novamente.
— Olha aqui, se você vai contar mais uma história de como eu quis matar a mãe da Emma, pode...
— Aqui está uma das provas... — Gold diz, interrompendo Mills, que se cala assim que vê algumas fotos na mão do homem. — Essas são para você... — Entregou algumas fotos para Regina, que tapou a boca com a mão, quando as viu. — E essas, são para você... — Entregou outras para Emma.
As mulheres se entreolham rapidamente, e voltam a analisar o que lhes foi entregue.
Nas fotos de Regina, havia uma com o Henry, ainda uma criança de colo, e uma dela, vestida formalmente, em um escritório, ao lado de Emma, que usava uma estrela de Xerife, e outro homem, que ela não sabia quem era. Mas pela história que o homem à sua frente, contara, deduziu que seria o momento em que nomeara Emma à Xerife, já que, segundo a sua história, ela era prefeita da tal cidade.
— É assim que eu conheço o meu neto... — Gold diz para Regina, que olhava sua foto com Henry, com adoração, apesar dos pesares.
— Por que acha que o nome do Henry, é igual ao do seu pai? — Belle indaga para a morena.
— Coincidências acontecem... — Mills rebateu, mais para si, do que para a mulher.
Já nas fotos de Emma, havia uma dela com Neal e Henry, onde eles pareciam estar passeando em Nova Iorque, como uma viagem em família, mas ela não tinha certeza. Uma foto com um casal que ela nunca vira na vida, mas deduziu que fossem os seus pais, pelo que lhe foi dito. E uma foto em que estava encostada em uma viatura, que tinha o nome da cidade, adesivado em sua lateral.
— É assim que nós somos família... — Agora diz para Emma, que observava em choque, sua foto com Neal e Henry.
— Você não é pai do Neal... — Fecha os olhos, negando-se a acreditar no que eles viam. — Você não pode ser... Isso é... Isso é mentira. — Mostra a foto em família com o ex e o filho, para o casal.
— Eu estou mesmo mentindo, senhorita Swan? — Indaga sério, rodando sua bengala, como alguém que não tem nada para fazer. Emma o encara com clara irritação, mas não o responde.
— O Neal não... — Swan balançou a cabeça negativamente. Não estava conseguido acreditar no que lhe era dito e mostrado. Era absurdo demais para ser real. — De onde essas fotos vieram? Eu não me lembro de nenhuma delas... — Joga-as em cima da mesa, espalhando-as.
— Storybrooke... — Regina murmurou de cenho franzido, olhando a foto de Emma encostada ao carro. Nunca ouviu falar nessa cidade. O nome lhe parecia bem fictício, aliás.
— Isso não é real... — Balançou a cabeça negativamente. — O Neal nunca viu o Henry. Ele nem sabe que ele existe... Isso... — Apontou para a foto em que mostrava os três juntos. — Isso... — Passou a mão pelos cabelos de forma desesperada. Como era possível ter fotos com Neal e Henry, se o mesmo o abandonou na cadeia, sem nem saber da gravidez? Aquelas fotos não podiam ser reais.
— Isso não é possível! — Regina completou. — Como eu posso ter foto com o Henry, ainda um bebê, se eu nem morava aqui...? — Indagava mais para si, do que para o casal à sua frente, que se mantêm calados, apenas deixando se questionarem.
— E essas pessoas... — A loira apontou para a foto em que ela aparecia com o casal. — Essas pessoas não são os meus pais... Eu nunca os conheci... Nunca nem estive nessa cidade. — Disse com certeza. De repente, voltou-se para a esposa, lembrando-se de algo que lhe fora dito. — Você tentou matar a minha mãe, Regina? — Indagou para a mulher ao lado, tão surpresa quanto.
— O que...? — Franziu o cenho, completamente confusa. Nunca nem tivera visto aquela pessoa que era sua possível sogra, quanto mais ter tentado lhe matar. — E sua mãe matou a minha? — Perguntou também, ao lembrar-se da informação.
As duas ficaram se olhando em silêncio, por alguns segundos, processando as perguntas, até escutaram um alto pigarreio vindo de Gold, fazendo-as tornarem sua atenção para ele.
— Como você conseguiu essas fotos? Como conseguiu manipulá-las tão bem? — Regina questionou, mudando o sentido da conversa, e voltando a pegar as fotos para analisá-las e tentar encontrar algo que denunciasse uma montagem.
— Não é manipulação. — Gold negou, mexendo no bolso de seu terno. — Se tomarem isso, saberão que tudo que eu disse, é verdade. — Colocou dois vidrinhos azuis em cima da mesa, chamando a atenção das mulheres.
— Você está louco se acha que vamos beber algo, ainda mais na cor azul, de um estranho... — Emma pegou os frascos e os empurrou de volta, na direção do casal. — Vamos embora, Regina. Já ouvimos coisas demais por hoje. — Levantou-se novamente, e dessa vez, não teve o seu braço segurado.
— Por favor, levem isso com vocês... — Belle pediu em tom suplicante, empurrando o vidrinho novamente. — Deem uma chance... — Regina olhou para eles, tentada a pegar. Não conseguia acreditar em tudo que lhe fora dito naquela tarde, todavia também não conseguia simplesmente acreditar que era tudo mentira. As fotos que lhe foi mostrada, e a sua esposa, eram todas muito reais para simplesmente serem desconsiderá-las.
— Por favor, não nos procurem mais e nem se aproxime de nós ou de Henry. — Emma avisou, ignorando o pedido da morena. — Vamos amor, ainda precisamos pegar o Henry na escola. — Disse, direcionando-se para a morena. Em seguida, sem esperar por respostas, afastou-se a passos largos.
Regina olhou para o casal a frente e para os vidrinhos com líquidos azuis, em cima da mesa. Mordeu o lábio, dividida entre ir embora e deixar para trás tudo o que ouviu ou pegá-los, mas ao ouvir Emma lhe chamar mais uma vez, não teve dúvidas, pegou-os rapidamente, fazendo Belle e Gold sorrirem, esse último, minimamente, e apressou seus passos para alcançar a esposa.
— Vou esperar vocês entrarem em contato... — Gold falou alto para que até Emma, que já estava mais longe, escutasse, fazendo esta revirar os olhos ao ouvir, e deu mais um sorrisinho vitorioso. Ele sabia que havia conseguido. Não teve dúvidas que fez bem em pegar as fotos quando as viu, em sua ida até Storybrooke, logo que chegou em Nova Iorque.
•§•
— Vocês brigaram? — Henry indagou de repente, ao entrarem no apartamento. Vieram todo o caminho em silêncio e ele estranhou o fato, pois isso não era comum. As duas mulheres se olharam e depois tornaram sua atenção para o menino.
— Não é nada com o que deva se preocupar... — Emma se aproximou dele e bagunçou os seus cabelos.
— Então por que estavam tão caladas durante todo o caminho? — O garoto insistiu. Sabia que algo não estava certo. — Vocês não são assim... — Acrescentou, sentando-se no sofá, fazendo pose. — Vocês decidiram que terei um novo irmão, mas não sabem como me dizer? É isso?
— Henry! — Mills se aproxima, sentando-se ao seu lado. — Não vamos ter outra criança. — Responde-o, apertando sua mão e levando aos seus lábios, beijando-as delicadamente.
— Ainda não. — Emma acrescenta, trazendo a atenção de sua esposa para si. Ao ver seu sorrisinho, ela a manda um beijo no ar. ― Nós só tivemos um dia cheio... — Também se senta no sofá, no meio dos seus dois amores, e os abraça. — São apenas problemas de adultos, como sempre... — Balança a cabeça e revira os olhos, fazendo Henry sorrir. — Mas não se preocupe... Não estamos brigadas ou algo do tipo... — Beija-lhe a cabeça duas vezes. — Agora, vá tomar um banho enquanto preparamos o jantar, tá bom? — O garoto assente rapidamente, aceitando a resposta de sua mãe, beija cada uma na bochecha e sai da sala, deixando-as sozinhas.
— Você está bem? — A morena se aproxima da amada, colocando algumas mechas de cabelo atrás de sua orelha. — Senti que ficou muito abalada com tudo que escutou do tal Gold...
— Você acha que pode ser real?
— Eu não quero pensar nisso agora... — Diz, num pedido mudo para mudarem de assunto e Emma balança a cabeça de modo afirmativo, entendendo seu pedido.
As mulheres se abraçaram e ficaram em silêncio, até serem despertadas pelo som do chuveiro, indicando que Henry tinha começado a tomar o seu banho.
— Então quer dizer que, ainda não, é? — Mills questiona, quebrando o silêncio, segurando-a pela cintura.
— Do que você está falando? — Finge-se de desentendida. Regina estreita os olhos e arqueia a sobrancelha, fazendo Emma sorrir.
— Desde quando você vem pensando em ter mais um?
— Desde quando eu vi você olhando para aquela foto do Henry bebê nos seus braços, com adoração... — Confessa. — Ou talvez, um pouco antes disso... — Acrescenta sorrindo. — Mas minha vontade ficou maior, quando eu vi a forma como você olhava para a foto, sabe? Desejando que aquilo realmente tivesse acontecido... — Explica-lhe, fazendo um carinho em seu rosto. — Eu senti que você precisa disso. Dessa experiência... Vim o caminho todo pensando nisso... — Segura suas mãos, e as beija com carinho. — Podemos adotar um bebê, se você quiser.
— Emma, eu...
— Não precisa me dizer uma resposta agora... — Sorri-lhe. — Pense bem sobre, e quando estiver pronta, me dê uma resposta... — A morena assente, e lhe puxa para um beijo.
— Vamos preparar o jantar. — Regina diz, após se afastarem. — Daqui a pouco o Henry termina o banho, e nós nem começamos. — Finaliza bem-humorada, levantando-se e puxando a loira junto.
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Após um tranquilo jantar, que deixou as mulheres mais distraídas quanto a conversa que tiveram de tarde, arrumaram toda a bagunça da cozinha, em família, com as tarefas bem distribuídas, e agora Henry já dormia em sua cama, bastante cansado do dia, Regina descansava em sua cama, lendo um livro sobre cardiologia, enquanto Emma terminava de escovar os seus dentes, para ir se juntar a sua esposa na cama.
Ao finalizar sua escovação, e sair do banheiro, encontra Regina concentrada, lendo o seu livro, usando uma de suas camisolas preferidas, que permitia ver tudo e mais um pouco, com seus óculos no rosto, deixando tudo ainda mais gostoso de ser observado.
Ao sentir a presença de Emma, Regina sorriu. Sabia que ela estava admirando-a.
— Vai ficar só me encarando, amor? — Mills colocou o livro em cima da mesa de cabeceira, e se levantou, indo ao encontro da mulher.
— Você está tão maravilhosa com essa camisola, e óculos... — Puxou a morena pela cintura, colando os corpos, e cheirou o seu pescoço, sentindo o aroma de frutas vermelhas vindo do hidrante. — E eu aqui, usando o meu pijama favorito, com os Beatles e Elvis...
— Emma, você precisa saber de uma coisa... — Diz séria. — Você é sexy para mim, mesmo não estando em algo sexy... — Sussurra, arrastando seus lábios pelo rosto da outra, e parando em seus lábios.
— Você é maravilhosa demais... — Sussurrou extasiada com a sensação dos lábios da mulher em sua pele. Estava arrepiada até o último fio de cabelo.
— Vamos terminar essa conversa em um lugar mais confortável... — Sugeriu, puxando-a consigo, e empurrando-a na cama, logo subindo em seu corpo e atacando sua boca com vontade.
•§•
Regina estava deitada com a cabeça no peito de Emma, fazendo pequenos círculos nas pintinhas que há nos seios da mulher, quando a mesma se mexe impaciente, debaixo dela. Regina sabia que algo a estava incomodando, e sabia bem o que era.
— Pode falar, Emma... — Diz, levantando-se e mostrando sua nudez, que logo fora coberta pelo lençol.
— Eu acho melhor você colocar a camisola. — Aponta para a roupa jogada ao chão. — O assunto é sério demais, para eu desviar minha atenção enquanto estiver falando, por saber que por debaixo desse lençol, você não está usando nada. — Diz séria, arrancando risadas da esposa, que logo se levantou e atendeu ao seu pedido. — Agora sim... — Sorriu. — Bem... Acredito que você já saiba do que pretendo falar...
— Sim, eu sei... — Balança a cabeça afirmativamente.
— O que você acha disso tudo? — Pega a sua mão e inicia um carinho lento, bem do jeito que ela sabe que Regina gosta.
— Emma, de verdade, eu não sei o que pensar... — Encosta-se ao espelho da cama, para ficar mais confortável. — Apesar dos absurdos, aquele homem não parecia estar mentindo... — Confessa. — E tem também aquelas fotos... Elas nãos pareciam ser falsas... Eu não consigo simplesmente não acreditar, ou acreditar...
— Eu não sei o que pensar... — Coça os olhos, em uma atitude agoniada. — Isso tudo está muito confuso... Não é possível tudo o que ele disse ser real... — Balança a cabeça de forma negativa. — Mas, e aquelas fotos? De onde a porra das fotos vieram? — Indagou-se num tom irritado. — Eu não conheço aquelas pessoas. Não conheço aquele lugar.
— O que você quer fazer? Vamos ignorar tudo o que aconteceu hoje? Ignorar aquelas fotos?
— Mas e se for real? — Indagou mais para si do que para a outra. — Você quer ter essas lembranças de volta? Quer voltar a ter a vida que aquele homem disse que tínhamos? — Encarou a esposa, que parecia tão indecisa quanto ela. — Porque, se tudo que ele falou, foi mesmo verdade, eu não quero ter essas lembranças de volta. Não quero me lembrar de tudo novamente.
— Você não quer conhecer os seus pais? Não quer saber o motivo pelo qual foi abandonada?
— Eu passei tanto tempo procurando por eles, e não obtive resultados, que agora não me anima saber, que possivelmente eu os conheço. — Disse desanimada. Mas a verdade é que estava mais é com medo do que poderia descobrir com essas tais lembranças. Tinha medo de descobrir a verdade e perder Regina. Tinha medo de saber que o que homem lhe dissera era verdade, e como consequência, não poder mais ficar ao lado da mulher que ama. — Eu não sei o que pensar, ou o que fazer... Não quero abandonar nossa vida boa e tranquila, que temos aqui, para ir atrás dessas pessoas, nesta cidade que eu nunca ouvi falar.
— Eu também não quero ter essas lembranças de volta... Elas não pareciam ser muito boas... — Diz, lembrando-se de quando escutara o homem dizer que passou muito tempo sendo odiada por todos da cidade, e que muitos queriam sua cabeça.
— Talvez devêssemos dormir e esquecer esse assunto... — Sugeriu, puxando o lençol da cama, para se deitar por baixo. — Vamos esquecer que um dia um homem apareceu em nossa porta e no dia seguinte nos disse que fazemos parte de contos de fadas...
— Talvez devêssemos beber o que eles nos deram, como uma confirmação de que tudo foi mentira... — Regina sugere, levantando-se e indo até sua bolsa, trazendo-a consigo, e se sentando na cama novamente. — Se tomarmos isso e nada acontecer, ao menos teremos a total certeza de que tudo foi realmente mentira, e aí podemos esquecer esse assunto, sem o remorso do “e se”. — Acrescentou, tirando os frascos de dentro da bolsa.
— E se isso funcionar e nossas memórias voltarem?
— Eu não gostaria que isso acontecesse, mas se sim, eu só não quero ficar longe de você e do Henry... — Aproxima-se da loira e lhe beija delicadamente. — Só não quero ver você me deixando e voltando a se relacionar com o pai do Henry...
— Não! — Rebateu rapidamente. — Regina, eu amo você. Independentemente do que lembraremos, nós ficaremos juntas. Continuaremos juntas. É você que eu amo. É você que eu quero ao meu lado até o fim dos meus dias. — Segura seu rosto entre as mãos e lhe beija, tentando demonstrar firmeza no que disse, com o ato. — Você e o Henry são os meus maiores amores... São minha família. O meu bem mais precioso...
Algumas lágrimas acabam por cair dos olhos castanhos, devido a pequena declaração, e carinhosamente, Emma as enxuga rapidamente, com pequenos beijos.
— E nós vamos contar ao Henry? — Mills sussurra a pergunta, por Emma ainda estar beijando o seu rosto. — Se funcionar, vamos contar a ele? — Pergunta preocupada. — Eu não queria esconder nada do nosso garoto.
— E não vamos... — Fala com bastante seriedade. — Não se preocupe... Se tudo for mesmo real, contaremos para ele, ok? — A morena assentiu.
— E então, vamos beber? — Balança um dos frascos nos ar.
— Você vai confiar de tomar algo vindo de um desconhecido? — Emma estava com medo de aquilo não ser nada do que lhe fora dito que era, e que ao beber, pudessem passar mal, ou até mesmo morrer. Não confiava no estranho, e muito menos no líquido, que parecia bem suspeito. Começando pela cor dele.
— Podemos tomar uma de cada vez... — Regina sugeriu. — Se for algo ruim, ao menos uma vai estar bem para socorrer a outra depois.
— Não sei... — Murmura pensativa, encarando o frasco na mão da morena, e analisando-o por completo, procurando, mesmo que de longe, algo que indicasse um bom motivo para não beberem. — Isso é muito arriscado. — Acrescenta.
— Deveríamos correr este risco, Emma. — Opina, trazendo a atenção da esposa para si. — Só assim acabaremos de uma vez por todas com essa história.
Emma fica alguns segundos em silêncio, mas logo balança a cabeça, concordando.
— É... Você tem razão... — Diz, rendida aos argumentos da outra, sabendo que ela tinha razão. — Porém, eu quero tomar primeiro. — Exigiu, convencida de que, se fosse para morrer, seria ela, e não a sua amada. Ela não aguentaria se isso acontecesse.
Regina pensa por alguns segundos, e sabendo que não conseguiria o contrário, resolve aceitar.
— Ok! Está preparada? — Swan assente e Regina lhe entrega o frasco transparente com o líquido azul.
Emma tira a tampa do mesmo, e quando está prestes a beber, Mills a impede.
— Se tudo for mesmo verdade, iremos ao Maine, ajudaremos quem precisa de nossa ajuda, e voltaremos para cá, para continuarmos nossa vida, ok?
— Ok!
— Eu te amo! — Regina se declara. Beijam-se mais uma vez e então Emma ingere o líquido de uma só vez, fechando os olhos em seguida, deixando Regina apreensiva com o que aconteceria a seguir.
Emma, ao sentir o gosto amargo descendo por sua garganta, vê várias imagens passarem por sua mente, trazendo suas memórias de voltas, em vários flashes.
Conhecendo Neal, indo parar na cadeia, Henry nascendo, abandonando Henry, Henry em sua porta, chegando à Storybrooke, conhecendo Regina, quebrando a maldição, conhecendo os seus pais, reencontrando Neal e conhecendo Killian, outra maldição e as duas com o Henry, deixando Storybrooke.
Regina, não aguentando esperar uma posição da esposa, pega o outro frasco e, sem delongas, abre-o e toma todo o líquido.
E ao sentir o gosto amargo descendo por sua garganta, fecha os olhos e várias imagens do passado invadem a sua mente.
Conhecendo Daniel, beijando-o em uma das tardes de treinamento, salvando Branca de cair de um cavalo, Cora esmagando o coração de Daniel, lançando a maldição, acordando em Storybrooke, adotando Henry, conhecendo Emma, Henry lhe rejeitando, Emma se tornando Xerife, Emma quebrando sua maldição, Robin, Zelena, outra maldição e ambas saindo de Storybrooke com o Henry.
Ao se lembrar de tudo, Regina abre os olhos, que estão repletos de lágrimas, e encara Emma, que também a observava com os olhos marejados.
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