Notas iniciais
Queria explicar pra vocês que não postamos no domingo passado, porque eu, Sidney, quem reviso os capítulos, não pude fazer, pois estava começando a minha semana de provas na faculdade. Boa leitura o/ SidneyMills*

Um ano e quatro meses antes...

A cada dia que se passava a amizade e intimidade entre as duas mulheres cresciam cada vez mais, assim como o novo sentimento descoberto, que se mantinha escondido e guardado a sete chaves, que Mills começou a ter pela outra.

Estavam cada vez mais próximas.

Desde o dia que saíram à primeira vez para o parque, depois para o jogo do Henry, e o dia em que faltou energia, Regina já tinha sua programação certa nos dias de folgas, feriados e finais de semana. Saiam para shows, nos quais o não tão pequeno Henry podia frequentar sem problemas. Certo dia até foram para um show cover do Elvis. O Henry tinha insistido a semana toda, após ver um anúncio no caminho da escola. Era praticamente o seu único assunto quando se juntavam à noite. Iam também, ao Market Square, dá uma tarde dos sonhos para o garoto, tanto na praça de alimentação quanto na área de brinquedos. Às vezes, passavam a noite em alguma lanchonete, jogando conversa fora até bater o sono. Iam ao Alfred B Maclay, lugar preferido da loira e do filho. Ou simplesmente passavam um grande dia de preguiça, que é como chamavam, debaixo das cobertas, saindo apenas para comer e fazer as necessidades fisiológicas, assistindo filmes ou colocando séries em dias.

— O Henry não para de escutar o Elvis, desde aquele dia. — Comentou Emma, certo dia, durante o trajeto da escola do filho e o hospital. A loira referia-se ao dia em que viu Regina e o filho dançando na sala da mulher.

— O garoto sabe o que é bom... — Rebateu animada. — Toda vez que ele vai lá em casa, pede-me para colocar um dos meus CDs, o mais antigo de preferência, e me chama para fazer sanduíche natural.

— Até hoje eu me surpreendo com o fato de que você conseguiu fazer o Henry gostar tanto de algo que não seja gorduroso e não faça mal à saúde. — Olharam-se no mesmo momento e sorriram.

— Acredita que ele fica querendo levar para o porteiro todas as vezes? — Indagou retoricamente, balançando a cabeça negativamente, porém sorrindo. — Disse que o Sr. Nealman adorou o meu sanduíche.

— Mas eu tenho que concordar com o Henry de que é o melhor sanduíche natural que eu já provei, e que todo mundo deveria prová-lo também. — Piscou para a morena, fazendo-a ficar levemente corada, antes de voltar sua atenção para a rua.

•§•

— Mãe, quando você vai me apresentar o Will? — Henry indagou de repente, em um dos dias de preguiça, na qual ficavam o dia todo debaixo das cobertas, apenas assistindo e comendo. Estavam em um enorme colchão na sala. — Você já o conhece, Regina? — Voltou a indagar antes mesmo de obter uma resposta da loira. O garoto estava deitado no meio das duas mulheres. Em sua barriga, descansava uma enorme tigela amarela, que mais cedo estava cheia de pipoca melada na manteiga.

— Não sei, Henry... — Emma o respondeu, na frente da outra mulher. — Só estamos saindo há algumas semanas, mas não é nada certo ainda. — Observou Regina, que estava com os olhos focados na TV. — Não posso te apresentar alguém e introduzi-lo em sua vida, sem ter certeza de que será algo sério e certo. — Ao finalizar sua pequena explicação e olhar mais uma vez para a morena, que parecia bastante concentrada no que via, percebeu que sua respiração estava bastante acelerada, mas imaginou que fosse por causa do suspense da cena do filme. — Ele trabalha no Memorial. — Falou encarando Regina, que deu sua atenção para a loira por mínimos segundos, antes de voltar para o filme.

— O mesmo hospital que o de Regina? — A loira assentiu. — Então você o conhece? — Indagou à morena, que olhou rapidamente para o menino, mas não o respondeu.

— Uh-huh... — Emma respondeu pela outra. — Mas ela não gosta dele... — Contou, fazendo a morena deixar de vez o filme e lhe encarar, porém ainda em silêncio.

Desde o dia em que soube que Emma estava se relacionando com alguém, Mills descobriu os ruins sentimentos denominados ciúme e impotência. Porém não tinha nada contra o rapaz até aquele dia. Na verdade, não tinha nada contra ele até o conhecer pessoalmente e descobrir que ele trabalhava no mesmo hospital que ela, porém em outra área, e passar a vê-lo sempre nos momentos de almoço, janta e pausa 10 ou 20, de muita intimidade com várias enfermeiras e médicas. Desde então, Will perdeu toda empatia que Mills poderia vir a ter por ele.

Como se não bastasse o ciúme que a morena sentia, o rapaz não parecia fazer a linha fiel. Regina sabia que estava sendo totalmente errada em julgá-lo por tão pouco, ou simplesmente por julgá-lo, mas não conseguia não fazer toda vez que o via de conversa com alguma mulher que não fosse paciente. E ele também não ajudava muito.

Mas para todos os efeitos, Emma achava apenas que Regina não havia ido com a sua cara mesmo.

Às vezes acontece de o “santo não bater”. Foi o que a loira pensou quando soube que a amiga não gostou do rapaz.

Mas a verdade é que Regina não teve foi coragem para lhe dizer o motivo pelo qual não havia gostado do médico. Até porque, vai que o seu ciúme estivesse a fazendo ver coisas onde não tinha? Talvez ele fosse apenas simpático mesmo. Se tivesse algo para contar a loira, seria apenas quando ele realmente saísse da linha. Se saísse.

— Por que você não gosta dele? — Henry indagou, chamando a atenção da morena para si. Sua expressão demonstrando total curiosidade.

— Não acho que ele seja uma boa pessoa para a sua mãe... — Respondeu após pensar rápido em uma resposta.

— E você conhece alguém que poderia ser bom? — Arqueou a sobrancelha, achando bastante interessante a conversa que surgiu, observando bem como Regina reagiu desde o início da conversa, ao ouvir o nome do suposto namorado de sua mãe, e vendo como as duas se encaravam no momento.

Não era a primeira vez que Henry percebia trocas significativas de olhares entre as duas mulheres e o desconforto que Regina sentia quando falavam do tal de Will.

— Não... Mas de qualquer forma, não sou eu quem deve decidir isso... — Disse, levantando-se da cama, pegando a tigela vazia e saindo da sala, indicando que aquela conversa tinha chegado ao fim.

— Uh... Eu vou tomar um banho, estou morrendo de calor... — O garoto avisou, já saindo do colchão e seguindo para fora da sala. Esperto como era, sentiu que deveria deixar as duas mulheres sozinhas.

Emma, que tinha ficado sozinha, levantou-se num pulo e seguiu Regina até a cozinha.

— Aconteceu alguma coisa? — Tocou no braço da mulher, chamando sua atenção. — Você parece chateada...

— Não aconteceu nada... — Balançou a cabeça negativamente, voltando-se para frente, continuando a encher a tigela de pipoca. — É só que eu não gosto desse cara, mas é só isso... — Assegurou. — O que importa aqui é você e como se sente. Se você está feliz, eu estou feliz por você. Ponto final. — Virou-se rapidamente e esboçou um sorriso que, porém, não chegou aos seus olhos, e Emma percebeu.

— Você sabe de alguma coisa que eu também deveria saber? — Indagou desconfiada.

Em questão de milésimos, várias imagens do homem conversando, cheio de intimidade com várias mulheres do hospital, passaram por sua mente.

— Não. — Respondeu por fim. — Eu preciso ir, minha casa está uma bagunça... — Dá a desculpa, colocando a tigela cheia de pipoca em cima da mesa.

— Fica mais um pouco... — Pediu gentilmente, tocando no braço da outra.

— Eu preciso acordar cedo... Tenho pouco tempo para colocar o apartamento em ordem. — Aproximou-se da outra e beijou-lhe o rosto de forma delicada. — Amanhã a gente se fala... — Afastou-se já seguindo para fora da cozinha. — Diga ao Henry que eu deixei um beijo. — Gritou, e então Swan escutou a porta da saída sendo fechada.

•§•

Desde o dia em que Henry percebeu que Regina estava gostando de sua mãe, bem mais que de forma amiga, e decidiu que não seria nada ruim ter a morena como sua outra mãe, tentava de alguma forma deixá-las sozinhas e atrapalhar os encontros que sua mãe tinha com o namorado que só viu por foto.

— Você tem certeza de que o Henry não vai te atrapalhar? Ainda dá tempo de ligar para um...

— Henry nunca atrapalha... — Regina respondeu, interrompendo a outra. — Estarei totalmente livre. Posso ficar com ele a noite toda. — Acrescentou encarando a linda mulher que terminava de pentear os cabelos.

Emma iria ter um encontro com o agora namorado. Usava um vestido preto, livre de detalhes e saltos vermelhos. Estava extremamente linda e cheirosa. Mills adoraria que tudo aquilo fosse para ela.

— É que talvez eu não volte hoje. — A loira confidenciou, acordando a morena que admirava sua beleza em silêncio.

— Então as coisas estão realmente sérias... — Murmurou, sentindo-se triste, mas não deixando transparecer.

— Talvez...

Nesse momento, Henry, que já estava escutando a conversa desde o começo, entrou no quarto, pronto para uma pequena atuação.

— Garoto, o que acha de dormir na casa da Regina hoje?

— Legal, mas por quê? Não pretende dormir em casa? — E após finalizar a pergunta, fez uma careta, seguida de um gemido, já começando a colocar seu plano em prática.

— Acho que não... Mas estarei aqui logo pela manhã... — Observou a expressão de dor garoto e parou o que fazia. — Você está bem?

— Eu não estou me sentindo bem... — Curvou seu corpo e caminhou lentamente até a cama, deitando-se em posição fetal, atraindo a preocupação de Emma e Regina.

— O que foi, Henry? Você estava bem até agora. O que está sentindo?

— Minha barriga está doendo. — Rapidamente as lágrimas começaram a descer por seu rosto.

— Eu vou ligar para o Will e já volto... — Tirou os sapatos e os jogou para junto da parede.

— Mãe, não precisa, eu... — Interrompeu-se fingindo sentir uma nova pontada na barriga.

— Eu não vou sair e te deixar doente... Regina, você pode olhar ele por um instante? — A morena rapidamente assentiu. — Obrigada, eu volto logo. — E então sumiu do quarto, deixando os dois sozinhos.

— A dor está muito forte, Henry? — A morena indagou, bastante preocupada com o garoto. Porém em vez de ter uma resposta, viu o menino se levantar como se nada estivesse sentindo, olhar no corredor e fechar a porta logo em seguida. — O que...?

— Não conte a ela... — Pediu, aproximando-se da mulher e se sentando na cama. — Eu não queria que ela saísse com o Will. — Confessou.

— E por que não? Você não gosta dele? Nem o conheceu ainda...

— Não é isso... — Negou rapidamente. — Porque não é com ele que ela deveria estar saindo hoje à noite.

Mas antes que Regina pudesse perguntar mais alguma coisa ao garoto, a porta se abriu, revelando uma Emma preocupada, com o celular na mão e uma xícara na outra. Rapidamente Henry voltou a fazer careta, mas agora por saber o que aquela xícara significava.

— Liguei para a farmácia pedindo remédio de dor intestinal. — Swan se sentou ao lado do garoto. — Tome esse chá... — Entregou a xícara ao menino e passou seu olhar analisador por todo o rosto dele, para ver se tinha algo mais de errado. — Vai aliviar bastante, enquanto o remédio não chega.

— Mãe, eu não gosto de chá... Isso é ruim. — Protestou e fez outra careta de dor. Agora ele realmente tinha sentindo uma pontada no estômago. Em sua mente, a palavra “castigo” se acendeu em letras garrafais e brilhosas.

— Sinto muito, querido, mas você vai ter que tomar... — Henry fez outra careta, e encarando Regina, que lhe observava de forma curiosa devido a pequena conversa que tiveram minutos antes, tomou todo o líquido da xícara.

•§•

Era o aniversário de Regina e ela estava bastante animada àquela noite. Seu plantão terminaria em menos de dez minutos e Emma e Henry iriam lhe buscar para irem comemorar. Eles haviam preparado uma surpresa para a morena.

Estava seguindo para fora do hospital para esperar por sua carona, quando encontrou Will no corredor, segurando uma criança, bastante parecida com ele, em seus braços. Ele não estava com suas habituais roupas médicas e a criança não parecia ser uma paciente sua. O sorriso que Mills carregava nos lábios havia sumido logo que o avistara.

Regina pretendia ignorá-lo, que, aliás, parecia bem assustado enquanto observava-lhe, quando escutou a voz de Emma, vinda por detrás de si, fazendo-a parar no mesmo instante. Bem ao lado de Will.

— Regina? — Chamou-a, dando passos rápidos até os dois e parando ao lado da morena. — Oi, Will... — Cumprimentou com um sorriso apenas, pois sabia que ali era o seu local de trabalho e seria antiético de sua parte e do próprio, uma intimidade maior. Porém o homem apenas moveu a cabeça de forma rápida e disfarçada. Regina ficou logo em alerta. Alguma coisa de errado tinha, para ele ter agido daquela forma. Tinha quase certeza que tinha a ver com a criança.

E ela não estava errada.

— Vamos? — Uma mulher apareceu de repente, aproximando-se dos dois e beijando a cabeça da criança. Nesse momento, Regina percebeu a grossa e dourada aliança que repousava no anular esquerdo de Will e da mulher que tinha chegado. — Nossa pequena já está livre para ir para casa. Já assinei a alta. — Sorriu ao ver a animação da garotinha. — Boa noite! — Cumprimentou animadamente, as duas mulheres presentes. — Vocês trabalham com o meu marido?

— Uh... Não... Boa noite. — Mills disse rápido, puxando Emma consigo.

Ao chegarem do lado de fora do hospital, Emma se soltou de Regina e respirando fundo, tentando segurar a raiva para não voltar lá dentro e cometer uma loucura contra o homem, sentou-se um banco.

Ao longe, Henry via tudo sem entender nada. Até tentou se aproximar, mas Regina ao perceber seus movimentos, pediu para que ele esperasse ali mesmo e não se aproximasse.

Regina se sentou ao lado da loira, e em silêncio, puxou-a para si, abraçando-a forte e fazendo um leve carinho em seus cabelos.

A morena sentiu as lágrimas da outra molharem sua roupa, e não aguentando vê-la daquele jeito, começou a chorar silenciosamente.

Ficaram alguns minutos assim, até Emma se acalmar mais, soltar-se da outra, limpar o seu rosto e se levantar em um pulo.

— Vamos? — Regina a encarou com uma expressão confusa. — Temos um aniversário para comemorar. — Abriu um lindo e animado sorriso e estendeu a mão para a outra. Sem contestar, Regina aceitou.

•§•

Após uma noite repleta de risadas e muita comida, em uma lanchonete perto do prédio onde residiam, e depois, já no apartamento de Emma, aproveitarem bastante da pequena surpresa que mãe e filho fizeram para a morena, Henry seguiu para a cama, bastante cansado, e Regina ficou ajudando Emma arrumar a enorme bagunça que fizeram. Já passava da meia noite.

Emma limpava o fogão quando Regina se aproximou dela, entregando-lhe seu celular.

Na tela, o nome de Will piscava, informando que ela estava recebendo uma ligação dele.

— Eu não vou atender... — Disse logo após ver o nome dele na tela. — Pode desligar o celular.

— Vocês precisam conversar... — Regina rebateu, porém, fazendo com bom gosto o que a loira pediu.

— Não temos nada para conversar... — Disse baixinho. A raiva lhe consumindo. — Você sabia, Regina? — Encarou a morena. Seus olhos já bastante vermelhos. — Você sabia que ele era casado? Sabia que ele tinha uma filha? Era por isso que você não havia gostado dele? — Encheu a outra de perguntas.

— Tudo o que eu sabia dele, é que era ortopedista. Apenas. — Pegou os pratos que estavam em cima da mesa e os guardou no armário. — Não trabalhamos no mesmo setor. Então eu só o via nos momentos de pausa, almoço e janta. — Sentou-se na cadeira e observou Emma enxugar suas mãos e se encostar à mesa, ficando bem próxima a si.

— Se você não sabia de nada, então por que não gostava dele? — Cruzou os braços e encarou bem a morena, que rapidamente desviou o olhar.

— Eu só não fui com a cara dele, Emma... — Levantou-se rapidamente da cadeira e seguiu para a sala, querendo fugir daquela conversa.

— Ei... — Emma correu até a outra, que já estava na sala. — Tem mais, não é?... Eu sei que tem... — Parou de frente a outra e segurou seu braço. — Por que você não me diz?

— Eu não gostava dele porque... — Lembrou-se das intimidades de Will com as médicas e enfermeiras e resolveu usar como desculpa. — Porque sempre que eu o via, ele estava de conversa com alguma enfermeira ou médica, mas não uma simples conversa, sabe? Parecia haver bastante intimidade... — A loira assentiu. — Ele não parecia fazer a linha fiel... — Acrescentou. — Eu nunca te contei porque não queria julgá-lo sem sequer uma prova...

— Uh... Mas não é só isso... — Afirmou com certeza. — Ainda tem mais, não é? — Indagou, aproximando-se de Regina, quase invadindo seu espaço pessoal, deixando-a nervosa. — Faz um tempo que eu percebi algumas coisas... — Murmurou, cada vez se aproximando mais.

— O que? — Sua respiração já começava a falhar, entregando seu estado.

— Toda vez que eu te encarava por mais de trinta segundos, você desviava o olhar, parecendo sempre estar nervosa e envergonhada... Quando eu falava do Will, eu sempre sentia que você estava desconfortável... Sempre que você me pegava te admirando muito, também ficava sem graça... Por quê? — Sussurrou, olhando fundo em seus olhos.

— Eu... Eu... — Gaguejou, extremamente nervosa com a situação. Não tinha intenção de revelar seus sentimentos para a amiga. Mesmo aparentemente ela já sabendo. Será que não havia guardado tão bem o seu segredo? Será que estava tão na cara o que sentia pela amiga, e já nem conseguia mais esconder?

— Se abre para mim, Regina... Diz a verdade... — Pediu baixinho.

— Porque... — Respirou fundo e fechou os olhos. Quando os abriu, observou Emma lhe encarando com entusiasmo, esperando sua resposta. — Porque você é especial demais para mim, Emma... — E sem esperar por uma resposta, acabou a pequena distância que ainda havia entre as duas e colou seus lábios nos finos e rosados da amiga.

Ambas não sabem ao certo, por quanto tempo o beijo durou. Um segundo ou um minuto. Mas quando Regina percebeu que não deveria ter cedido aos seus impulsos, pois aquele não era o momento certo, Emma já estava com suas mãos emaranhadas em seu cabelo, dando leves puxões.

— Emma... — Afastou-se rapidamente da mulher, que ainda tinha os olhos fechados, sentindo a boa sensação dos lábios macios da amiga nos seus. — Eu... — Olhou de um lado para o outro, sentindo-se perdida. — Desculpe-me... Eu... — Passou os dedos nos lábios e olhou para a loira, que lhe encarava, esperando sua conclusão. — Eu não sei onde estava com a cabeça... — Sua respiração estava descompassada. Estava bem nervosa. — Eu não deveria ter feito isso... Você acabou de saber que foi enganada, e eu, em vez de estar tentando te consolar, aproveitei-me da sua fragilidade e... — Balançou a cabeça negativamente. — Eu não sabia nem se você queria e fui partindo para cima assim e... — Pegou sua bolsa que estava no sofá e seguiu rapidamente para a porta. — É melhor eu ir agora... Já está muito tarde e eu preciso acordar cedo amanhã... — E então saiu do apartamento, deixando a loira só, totalmente desnorteada com a sua reação.

— Mas eu também queria... — Emma sussurrou logo após, como se a outra ainda pudesse lhe ouvir, e passou os dedos por seus lábios, logo fechando os olhos e relembrando os minutos anteriores.

•§•

Uma semana depois...

Fazia uma semana que as mulheres não se viam. Uma semana em que Regina passou a evitar de todas as formas possíveis, encontrar com Emma e falar com ela. Estava envergonhada e com medo. Com medo de encarar a loira, ouvir o que não gostaria e saber que perdeu a amizade dela para sempre, por causa de um deslize seu. Uma semana em que começou a ir para o trabalho bem mais cedo que o normal, de carro, sair bem mais tarde que o normal e pegar todos os plantões e emergências possíveis, só para ter que se ocupar e ter isso como desculpa sempre que Emma lhe ligava, pedindo para se verem.

Quando encontrou com Henry na saída do prédio, em um breve momento de conversa, o garoto lhe confessou já saber de seus sentimentos por sua mãe desde o dia em que inventou a dor de barriga, que mais tarde se tornou real, informando que havia percebido alguns dias antes. Regina ficou totalmente sem graça e nervosa quando soube, mas ele logo a acalmou, dizendo que adoraria vê-la com sua mãe e que apoiava as duas, fazendo então, ela entender a resposta que ele havia lhe nado naquela noite, quando conversaram sozinhos. Henry também disse saber o que havia acontecido com o namoro da mãe e que Will até chegou a procurar por sua mãe em seu trabalho para se explicar, mas não teve nem chance. Disse ter ficado triste e com raiva por sua mãe ter sido traída, mas ficou feliz por agora ela estar livre para poder ficar com ela. O garoto a atualizou de tudo.

•§•

Regina descia as escadas de emergência de forma bem apressada. Estava atrasada para o trabalho, pois havia dormido demais e passado do horário de se levantar.

Já estava virando a última escada quando seu corpo se chocou fortemente com outro, fazendo-a cair sentada nos degraus.

— Desculpe-me, eu... — Parou de falar assim que percebeu que a pessoa era Emma.

— Finalmente! — Estendeu a mão para a outra e a puxou para cima. — Desculpa pelo esbarrão, aliás... — Regina observou as mãos ainda se tocando e respirou fundo, sentindo o nervosismo tomar conta de si. — Será que você poderia parar de arrumar uma desculpa para fugir de mim? — Aproximou-se brevemente da outra, intimidando-a. — Por favor, não diga que está apressada para ir a algum lugar... Eu passei uma semana querendo falar com você e tudo que obtive foram breves conversas com desculpas em cima de desculpas.

Regina respirou fundo antes de respondê-la.

— Eu não sabia como agir com você, depois do que aconteceu... — Ao perceber que as mãos ainda estavam seguras uma na outra, soltou-a rapidamente. — E eu tive medo de você ter ficado chateada com o que eu fiz e...

— Chateada? — Indagou retoricamente, interrompendo-a. — Eu não fiquei chateada. — Balançou a cabeça negativamente. — Por que você achou que eu ficaria?

— Porque eu me aproveitei de você... Eu me aproveitei de um momento de fragilidade seu para ceder às minhas vontades... Porque eu te beijei sem a sua permissão... — Disse finalmente.

— Eu também queria... — Emma confessou, olhando fundo em seus olhos. — Eu também queria aquele beijo. Eu também queria ter te beijado. Eu também queria... — Repetiu, deixando Regina totalmente surpresa.

— Você...

— Você não se aproveitou de mim, Regina... — Balançou a cabeça negativamente, olhando rapidamente para o chão, mas logo voltando sua atenção para os olhos castanhos à sua frente. — Eu queria tanto aquele beijo, como você...

E sem perda tempo, pegando Regina mais uma vez de surpresa naquela manhã pouco ensolarada de Tallahassee, Emma a beijou.

Swan a prensou na parede e delicadamente aprofundou aquele contato que tanto ansiou durante a semana. Chegou até a sonhar com aquele momento.

— Eu não sei ao certo quando isso começou, mas... — Sussurrou no ouvido da morena, logo que afastaram as bocas para pegarem fôlego. — Eu gosto de você... — Confessou ainda no sussurro. — Mas eu tinha medo de perder a sua amizade, que é tão importante para mim... Eu tinha medo de fazer algo errado e como consequência ver você se afastar de mim e de Henry, que gosta tanto de você... — Beijou o rosto da morena e desencostou uma de suas mãos da parede, logo levando aos fios negros e fazendo leves carícias, enquanto Mills fazia o mesmo em sua cintura. — Eu também tive medos... — Repetiu. — E foi por isso que eu tentei deixar para lá, tentei esquecer, tentei conhecer alguém que pudesse me fazer esquecer... — Fez uma pausa e se afastou um pouco, só o suficiente para ver o rosto da morena. — Mas nada e nem ninguém conseguiu... E depois do beijo que você me deu... Depois de sentir os teus lábios nos meus, algo despertou em mim... — Encostou os lábios nos dá outra e os roçou de leve. — E então eu sabia... Sabia que não conseguiria esquecer o que sinto por você, nem mesmo se eu quisesse. — E então finalizou as palavras sussurradas com outro beijo lento e apaixonado.

•§•

Um ano e dois meses antes...

— Regina? — Emma sussurrou em seu ouvido e beijou seus cabelos assanhados.

— Uh... — Murmurou manhosa. — Hoje estou de folga, por favor, deixe-me dormir mais um pouco. — Pediu sem abrir os olhos ou sequer se mexer.

— Eu sei, mas é que eu tenho uma surpresinha para você. — Beijou os ombros dela e a puxou um pouco, para que acordasse.

— O que você tem para mim? — Indagou, abrindo minimamente os olhos e logo enxergando a linda bandeja de café-da-manhã que estava sem cima da cama, logo ao lado de sua amada.

Ao levantar-se animada com o mimo, percebeu algo diferente em meio as comidas.

— Emma... — Murmurou toda derretida, pegando a pequena caixa em cor bordô, já entendendo do que se tratava a tal surpresa da outra.

Ao abrir a caixinha e se deparar com duas alianças adornadas por uma pequena pedra vermelha, os olhos da morena lacrimejaram e Emma tomou fôlego para dizer tudo que havia ensaiado.

— Um dia desse eu estive pensando... — Começou, sentando-se de frente para a morena. — Desde quando eu te conheci, depois de Henry, ninguém me fez tão feliz como você faz. — Confidenciou, fazendo um belo sorriso crescer nos lábios carnudos. — Eu acordo pensando em você, eu durmo pensando em você, e quando durmo, eu sonho com você. — Pegou a mão da morena e a beijou, ato contínuo recebendo um carinho na face. — E eu decidi que, se você quiser, é claro... — Sorriu, fazendo a outra sorrir também. — Eu decidi que é isso que eu quero para sempre em minha vida. — Soltou a mão da morena e enxugou as lágrimas que escorriam do rosto de sua amada. — Esse amor, essa alegria, essa paz, essa felicidade que você traz a mim e ao Henry, eu quero ter para sempre em minha vida e na vida do meu garoto... Eu quero te ter para sempre em minha vida, Regina Mills... — Enxuga agora, as suas próprias lágrimas. — Eu quero que oficialmente sejamos uma família. Eu, você e... — Fez uma pausa e se aproximou mais da outra. — E o nosso filho... — Completou, pegando Regina totalmente de surpresa com suas últimas palavras, fazendo-a ficar ainda mais emocionada. — Você quer se casar comigo? — Indagou, olhando profundamente nos olhos castanhos.

— Emma... — Puxou a loira para si e a abraçou forte, enchendo-a de beijos. — Deus, você é tão linda, tão maravilhosa... Eu sou tão feliz ao teu lado... Sinto-me totalmente abençoada por ter conhecido você e ao Hen... — Interrompeu-se ao ver as sobrancelhas arqueadas da loira. — Ao nosso filho... — Disse devagar, sentindo a boa sensação de chamar Henry de filho. Afinal, o amava como um. Nada mais justo e confortante chamá-lo assim. — Você não sabe o quanto me deixou feliz ao te ver dizer “nosso filho”. — Confidenciou. — Eu pensei que isso nunca aconteceria, já que sou estéril, e por não ter muito tempo, não poderia adotar uma criança... — Confessou. Sempre teve vontade de ser mãe, mas por causa de sua condição e pouco tempo, não havia realizado seu sonho ainda. — É claro que aceito me casar com você... É claro que eu aceito fazer parte da sua vida e do Henry, para sempre... É claro que aceito ser a causa da tua alegria, ser o teu último pensamento antes de dormir, fazer parte dos teus sonhos e ser o teu primeiro pensamento ao acordar... É claro que eu aceito ser oficialmente uma família com você... E o nosso filho... — Concluiu finalmente, pegando uma aliança e colocando no dedo da outra, finalizando o ato com um singelo beijo. Emma fez o mesmo logo em seguida.

— Acho que nesse exato momento somos as mulheres mais felizes e sortudas de toda Tallahassee. — Emma comentou bem-humorada, fazendo a agora sua noiva, cair na gargalhada.

•§•

— Você aceitou? — Henry perguntou para Regina, que assistia a um programa de TV, assim que entrou em seu apartamento, no fim do dia. Havia passado o dia em um passeio da escola.

— Então você sabia? — Indagou, desligando a TV e dando espaço para o garoto se sentar no sofá.

— Eu quem dei a ideia do café-da-manhã junto... — Revela.

— Muito romântica, tenho que admitir... Onde aprendeu? — Quis saber.

— Eu andei pesquisando... — Disse de forma misteriosa, fazendo a morena sorrir de seu jeito.

•§•

Um ano antes...

O noivado ocorreu de forma simples, como ambas decidiram. No jardim de uma pousada em Greenway. E apenas Henry e alguns animais presenciaram o momento.

O casamento ocorreu dois meses depois do noivado e apenas alguns amigos mais íntimos foram convidados para a cerimônia, que seria realizada em um salão, após saírem do cartório na mesma localidade que o noivado.

Toda a decoração do local havia sido escolhida pelos três.

Sim, Henry não ficou de fora de nada.

Ao entrarem no recinto, acompanhada pelo garoto, os convidados se levantaram e aplaudiram as noivas.

— Agradecemos a presença de todos aqui. — Emma disse, olhando no rosto de cada um presente. — É com muita felicidade que compartilhamos nosso momento com vocês, que também fazem parte de nossas vidas. — E então olhou para a sua esposa. — Eu te amo, Regina Swan Mills. — Declarou-se, escutando uns gritinhos dos convidados. — E sou imensamente feliz por ter você ao meu lado.

— Eu te amo tanto, Emma Swan Mills... — Confidenciou já emocionada. Ao fundo, escutando assovios dos presentes. — E estou tão ansiosa para começarmos de fato, a nossa vida de casadas...

— Um brinde as minhas mães. — Henry propôs, erguendo uma taça com refrigerante, enquanto encarava as duas mulheres que estavam bastantes surpresas pela forma como ele falou. Era a primeira vez que Regina escutava o garoto lhe chamar de mãe. E saíra de uma forma tão natural que parecia que ele tinha feito aquilo a vida toda.

— Eu não vejo a hora de irmos para o hotel... — Emma sussurrou ao ouvido de Regina, logo que uma música animada do Elvis, escolhida pelo Henry, óbvio, começou a tocar.

— Acho que já podemos sair... — Rebateu. — Somos as noivas, ninguém irá reclamar se formos embora... — Deu de ombros. — Eu quero logo ficar a sós contigo... — Confessou.

— Eu também... — Emma beijou-lhe os lábios carnudos, pintados de vermelho sangue, e a puxa para fora do salão rapidamente. Em seguida, procurou Henry entre os convidados e o chamou. Avisou que já estava indo para o hotel com Regina e que ele deveria ir para a casa de Hensel, e despediu-se do menino.

A noite havia apenas começado e seria apenas das duas.

Emma Swan Mills e Regina Swan Mills amar-se-iam até o nascer do dia seguinte.

Notas finais
Os flashbacks estão acabando pessoal. Em dois capítulos voltamos ao ponto onde o primeiro capítulo acabou, que é o que vocês estão tão ansiosos para lerem... Esperamos que tenham curtido esse lindo e capítulo, e esperamos vocês nos comentários. A caixinha aqui está aberta para elogios, sugestões ou reclamações dos nossos serviços.