Notas iniciais
Olá... Obrigada a todos os comentários e favs... Vocês são maravilhosos (as) Desculpa se não respondemos alguns, mas vamos fazê-lo... Não desistam de nós... Esse capitulo está maravilhoso, espero que gostem... tem a playlist... link nas notas finais... xx featherIshope

Um ano e oito meses antes...

Fazia dois meses que Regina havia se mudado para Tallahassee, mas sua rotina se resumia a ir para o trabalho e voltar para casa. No hospital, sempre aparecia alguma emergência em que a presença da médica era solicitada, e por isso, chegava bem mais tarde que o normal em casa, e quando chegava, só queria tomar um bom banho quente e relaxador e ir dormir.

Fazia uma bonita manhã ensolarada de domingo quando Regina se acordou disposta, decidida a sair e conhecer alguma coisa naquela cidade em que já morava há dois meses e só conhecia o seu prédio e o hospital, que ficava a quinze minutos de caminhada de onde reside. Apesar de amar o trabalho, reconhecia que merecia um momento de descanso. Um momento só para si.

Após arrumar sua cama, tomar um banho frio para lhe despertar completamente, colocar roupas confortáveis, diferentes do seu jaleco e pijama, o que mais vestiu nos últimos tempos, tomou um delicioso café-da-manhã repleto de frutas, colocou o necessário em uma pequena bolsa e saiu de seu apartamento.

Após fechar sua porta e se virar para seguir para o elevador, viu a porta da frente se abrindo e sua única vizinha naquele andar, sair.

Elas se encontram quase todas as manhãs quando Emma não está atrasada e está saindo para levar Henry à escola e depois seguir para o trabalho, enquanto Regina está chegando do seu, após plantões noturnos, dos quais alguns são bem cansativos e estressantes, ou saindo para mais um dia no hospital. Esses encontros já faziam parte da rotina dos três.

— Bom dia, vizinha. — Emma cumprimenta com um sorriso.

— Bom dia, vizinha. — Responde, devolvendo o sorriso e acenando com a mão. Era sempre a mesma coisa. Os mesmos movimentos. Os mesmos cumprimentos. Mas apesar da repetição, não era algo automático, robótico ou apenas por educação. Era sempre verdadeiro. Das duas partes.

— Vamos, Henry... — Emma o chama, enfiando a cabeça para dentro do apartamento por um instante.

— Só um minuto... — As duas mulheres o escutam responder. Regina ainda estava parada em frente ao seu apartamento. Percebeu que os dois sairiam e pensou que provavelmente Emma faria o mesmo pedido que faz, quando se encontram.

— Hm... — A loira coçou suas costas e olhou para o chão. Parecia sem graça. — Você pode esperar a gente para descer? Assim não preciso esperar o elevador...

— Eu já imaginava que pediria. Por isso estou aqui, esperando.

— Sei que sempre peço isso para você quando vamos subir ou descer na mesma hora, mas é que...

— Sem problemas, Emma... — Abre um sorriso, acalmando a vergonha da outra. — De verdade... — Acrescenta, para dar mais credibilidade.

— Estou pronto, mãe. — Disse Henry, saindo do apartamento e fechando a porta. Ao se virar, vê Regina ali. — Oi! — Fala animado. — Você não vai trabalhar hoje? — Indaga ainda na animação, ao perceber as roupas menos formais da mulher.

— Henry! — Emma o repreende, sem graça.

— Hoje eu estou de folga, Henry, por isso resolvi sair e finalmente conhecer algo além do hospital, nessa cidade. — Entram no elevador e Regina aperta o botão do térreo. Henry olha para a mãe com um sorriso sapeca e Emma arqueia a sobrancelha em resposta. Não havia captado o seu pensamento.

— Estamos indo ao Alfred B Maclay agora. — O garoto comenta, chamando a atenção da morena, que estava no espelho, para si. — É um lugar bem legal... — Acrescenta com entusiasmo. — Às vezes, eu e minha mãe ficamos lá o dia todo, sem fazer nada. Quer ir conosco? — Regina encara o menino e depois olha para Emma, procurando algum vestígio de desgosto pela ideia. Antes de dá uma afirmativa ou negativa, queria ter certeza do que a mulher achou da ideia.

— Eu não sei se é uma boa ideia... — Responde após observar a loira e não conseguir identificar o que ela achou da ideia.

— Se você quiser, é claro que é uma boa ideia, não é mãe? — As portas do elevador se abrem e apenas Henry sai.

— Sim, claro... — Responde rapidamente, logo saindo da caixa de metal também, e observando a morena, que parecia indecisa em aceitar ou recusar o convite.

— Vamos, Regina, será legal. — Pega na mão da morena, deixando-a totalmente surpresa, e a puxa para fora do elevador. — Como você disse, não conhece a cidade. Então, agora será uma boa oportunidade para isso. O que acha?

Apesar de querer muito ir, Regina não queria atrapalhar o programa em família, que aparentemente era de lei, já que, pela forma como Henry falou, eles pareciam ir sempre ao local. Se caso aceitasse, além de conhecer um pouco a cidade sem se preocupar se estaria perdida, conheceria um pouco mais os dois únicos conhecidos que ali tinha. Não considerava os colegas de trabalho, pois falava com eles apenas o necessário, e sempre no ambiente hospitalar.

— Tudo bem, se eu não for incomodar o programa rotineiro de vocês. — Henry comemora com pequenos socos no ar e a puxa de forma animada para o fusca amarelo de sua mãe. Porém no meio do caminho, solta sua mão e começa a conversar animadamente com outro morador do prédio.

— Ele é assim, como é comigo, com os outros moradores também? — Mills indaga curiosa ao ver a animada interação entre o pequeno e um senhor de idade.

— Sim, ele conhece todos desse prédio. Tem amizade com cada morador e moradora. Até mesmo com os animais de estimação que alguns deles têm.

— Mas você é a vizinha que eu mais gosto. — Acrescenta Henry, entrando na conversa. Ele havia se aproximado sem as duas mulheres perceberem.

— Que bom, porque eu já ia ficar com ciúmes. — Rebate bem-humorada, piscando para a loira que acompanhava a interação com um sorriso discreto.

•§•

— O que tem achado da cidade desde que chegou aqui? — Emma puxa assunto logo que saem da garagem do edifício e pegam caminho para o Alfred B Maclay.

— Eu não saio muito. O trabalho me cansa bastante e o que eu quero fazer quando chego em casa, é somente tomar um banho e dormir. Então, não tive tempo de conhecer a cidade ainda e ter uma opinião. — Explica, observando pelo retrovisor, Henry se aproximar de seu banco. — E também não tenho companhia para fazer um tour por aqui. — Acrescenta.

— Agora você tem a nós. — Diz o garoto, apertando o braço da morena. — Eu e minha mãe saímos todos os domingos. É divertido, você vai gostar. — Olha para a mãe pelo retrovisor e sorrir quando ela lhe vê. — Se eu soubesse, tinha te chamado antes. — Acrescenta, voltando a olhar para a morena.

— Henry, encosta no banco. — Observa o garoto revirar os olhos e se encostar ao banco de forma irritada e balança a cabeça negativamente, fazendo-o soltar um rápido e baixo “desculpa”. — Regina... — Volta sua atenção para a mulher ao seu lado. — Prepare-se para os melhores passeios de sua vida em Tallahassee, em um fusca.

— Amarelo. — Mills acrescenta, segurando o sorriso.

— Sim. — Confirma animada. — Os melhores passeios da sua vida, em um fusca amarelo. — Reafirma.

— Você tem um gosto peculiar.

— Sim, eu tenho. — Sorri para a morena, acelerando o carro após o sinal abrir.

•§•

Após uma manhã e um almoço bastante tranquilo, repleto de conversas amenas, várias perguntas e respostas sobre a vida de ambas, fazendo-as se conhecerem um pouco mais, ultrapassando a barreira de apenas vizinhas para colegas, e uma conversa animada de um Henry eufórico contando sobre um jogo que teria na próxima semana, seguiram de volta para o prédio, no fim da tarde de domingo.

— Obrigada pelo passeio. — Diz Regina, logo que chegam ao elevador. — Eu gostei muito.

— Vamos esperar você no jogo de sexta. — Henry fala, entrando no elevador e sendo seguido por sua mãe e Regina. — Eu vou arrasar.

— Claro que você vai, campeão. — Emma bagunça o cabelo dele.

O elevador chega ao terceiro andar, e ao ter suas portas abertas, Henry é o primeiro a sair, após pegar a chave da porta com a sua mãe.

— Tchau, Regina. — Acena rapidamente e corre para a porta do apartamento, sem que dê tempo para uma resposta, logo a abrindo e entrando. As duas mulheres vinham logo atrás.

— Tchau... Até mais... — Regina coloca a mão na maçaneta e gira a chave, logo abrindo a porta.

— Até mais, vizinha. — Emma sorri, já abrindo a porta do seu apartamento e entrando. — Ah, Regina... — Volta, chamando a mulher e fazendo-a voltar também. — De que horas você sai amanhã?

— Às 7am.

— Se você quiser, posso te dar carona, já que você prefere ir andando, já que por lá no hospital não tem facilidade de estacionar.

— Não quero atrasar você e Henry.

— Não vai. ― Dá de ombros. ― O hospital é no caminho para o meu trabalho, assim que deixo o Henry na escola.

— Tudo bem, então... Até amanhã de manhã.

— Até! — E então as duas mulheres fecham as portas.

•§•

Desde o dia do passeio para o Alfred B Maclay e o jogo de Henry na semana seguinte, as duas mulheres e o garoto ficaram mais próximos. Como sempre, encontravam-se todas as manhãs na saída do apartamento e elevador, e na carona que Emma sempre dava a Regina, antes de seguir para o seu trabalho. E aos finais de semana, quase todos, saiam para passar durante o dia, e às vezes até a noite, pela capital da Flórida. Já estava na rotina dos três.

— Você não tem fotos dele quando bebê? — Regina indagou certa noite, quando chegaram de um dos jogos que Henry tinha aos finais de semana. — Geralmente é o mês em que as mães mais tiram fotos de seus filhos. — Ao olhar para Emma, viu que o sorriso que a loira carregava em seus lábios havia morrido. — Eu... Eu falei algo de errado?

— Não... — Rebateu, balançando a cabeça várias vezes, como se quisesse espantar algo da mente. — É só que... — Respirou fundo. — Eu não fiquei com o Henry quando ele nasceu. Aconteceram umas coisas e eu só o vi alguns meses depois...

— Oh, eu sinto muito, eu não...

— Tudo bem... — Disse, interrompendo a mulher rapidamente. — Você não sabia... — Tocou no braço da mulher e o apertou. — Eu vou chamar o Henry. Ele sempre demora no banho. — Apontou para a direção do banheiro. — Fique à vontade.

•§•

— Regina, você sabe com quem minha mãe tem saído? — Certo dia Henry indagou, pegando a morena e a loira de surpresa. Estavam na casa dele, após mais um passeio no Alfred.

— Henry... ― A loira o repreende.

— O que? — Deu de ombros. — Ela tem chegado em horários alternados. Antes chegava às 4pm, agora, chega às 5pm ou até mesmo 6pm.

— Henry, de verdade, eu não sei. — Regina respondeu e olhou para Emma já com um pedido mudo de explicação, pois não sabia que a mulher estava chegando duas horas mais tarde por causa das caronas. Pensava que seu horário batia com o de Emma, por isso que aceitou a volta também.

— Mãe, eu já te disse, se você estiver com alguém, pode me dizer...

— Eu sei, garoto, mas não estou com ninguém. — Disse firme. Seu rosto estava corado de vergonha. — Agora, vá lavar as mãos e a boca.

— Mas eu não acabei ainda. — Protestou, olhando para o seu pedaço de pizza.

— Lavar as mãos, Henry. — Apontou para o corredor. — Agora! — Após o menino se levantar e sair correndo para o banheiro, tornou sua atenção a Regina. — Regina, eu... Eu...

— Emma, se você está usando as minhas caronas para se encontrar com alguém...

— O que? — Indagou confusa, interrompendo-a. — Não, eu...

— De repente você passou a me oferecer caronas na volta para casa, e como Henry disse, tem chegado mais tarde, então suponho que esteja usando isso para se encontrar com alguém e seu filho não saber. — Explicou seu pensamento. — Entendo que relacionamentos são complicados, ainda mais quando se envolve um filho, mas...

— Primeiro, o Henry não sabe das caronas de volta. Então, sem essa de eu estar usando-as para me encontrar com alguém antes e meu álibi ser você. — Começou sua defesa, extremamente séria. — Segundo, eu te ofereci carona, porque além de ser o meu caminho de volta, eu gosto da sua companhia. Eu gosto de conversar contigo, gosto de passar esse tempo com você. Desde a primeira vez que fomos ao parque. — Confessou, ficando mais vermelha do que antes. — E você é nova aqui, imaginei que queria uma companhia. Uma amiga. — Fez uma breve pausa para beber um gole do seu refrigerante que já estava ficando quente. — Sem falar que eu tenho uma criança bastante pidona em casa e estava precisando de um dinheiro extra, então aceitei ficar algumas horas a mais no trabalho. — As duas sorriram.

— Uniu o útil ao agradável. — Mills comentou ainda sorrindo e Emma assentiu. — Tudo bem, Emma, mas diga a verdade ao seu filho... Ele está com pensamentos diferentes sobre a sua tardia chegada em casa.

— Eu vou dizer...

— Obrigada pelas caronas... E por tudo, também. — Regina agradeceu baixinho. — Eu também gosto da sua companhia. — Confessou sem olhar para a outra.

Após a breve conversa que tiveram, decidiram encerrar a noite de pizza, da qual Regina só compactuou porque foi chantageada por Henry, levando os pratos e copos para a cozinha, encontrando o espertinho, que havia escutado toda a conversa das mulheres e por isso não voltou antes para a sala, para não interromper, sentado em uma das cadeiras da mesa, fingindo estar bravo ainda por não ter podido comer todo o seu pedaço de pizza. Mas essa falsa raiva logo passou quando, de forma animada, Regina o convidou a se juntar as duas mulheres para limparem a cozinha.

•§•

Um ano e seis meses antes...

Emma terminava de se vestir quando as luzes do quarto se apagaram. Correu até o interruptor só para ter certeza de que havia faltado energia. Olhando pela janela, era possível ver as ruas ao redor do seu prédio, escuras, iluminadas apenas pela luz do luar. Procurou por seu celular em cima da cama e acendeu a lanterna. Direcionou a claridade em sua direção e terminou de colocar o seu vestido vermelho. Estava se arrumando para um encontro com um rapaz do trabalho.

— Henry, onde você está? — Chamou o menino, que até então, estava na sala jogando vídeo game. — Já encontrou alguma vela? Ou algo do tipo? ― Questionou, entrando na sala e o vendo procurar por algo no sofá.

— Eu estava procurando o meu celular. ― Ele respondeu, levantando-o no ar.

— Eu não vou mais sair, então vamos nos arrumar para dormir? — Sugeriu, voltando pelo corredor, entrando no quarto novamente e se sentando na cama. — É bom que amanhã não nos levantaremos com cansados por ter dormido tarde. ― Levantou-se e foi até o guarda-roupa.

— Por que não vai sair mais? Só porque faltou energia? — Seguiu a loira para dentro do cômodo, mas diferente dela, jogou-se na cama, atraindo um olhar repreensivo que não foi visto por conta da escuridão.

— Eu não vou sair no escuro e nem te deixar sozinho aqui. — Explicou, tentando em vão procurar seu pijama na gaveta do guarda-roupa. — As duas coisas são bem perigosas de se fazer. — Acrescentou. — Agora, vem aqui iluminar a gaveta, por favor.

Porém, em vez de o garoto ouvir o seu pedido, ele se levantou e caminhou para o lado oposto, indo até a janela.

— Acho que é só por aqui, mãe. Olha como está claro lá para o lado do centro... — Apontou para as luzes ao longe.

Antes que Emma pudesse rebater, escutaram batidas na porta da frente.

— Deixa que eu atendo. — Disse rápida, já correndo para a sala. No escuro que estavam, não sabia o que poderia ser, então era mais recomendado que ela fosse atender, e não o filho. — Quem é?

— Regina.

Ao reconhecer a voz da mulher, rapidamente abriu a porta.

— Eu não tenho velas nem lanterna... — Mills fez uma careta que só foi possível ser vista por causa da lanterna do celular da loira. — Tem alguma sobrando para me emprestar?

— Entra... — Deu passagem para a mulher, que logo entrou. — Acho que eu tenho algumas aqui.

— Eu estava terminando o banho... Ainda bem que deu tempo eu me enxaguar. — Comentou, sentando-se no sofá e encarando a mulher, vendo então que ela estava bastante arrumada para alguém que ficaria em casa. — Você vai sair?

— Não mais...

— Isso é apenas uma desculpa para não ir mais. — Henry apareceu, entrando na conversa. — Mãe, pode ir... — Jogou-se no sofá ao lado de Regina. — Eu fico aqui com a Regina. — E abraçou a morena.

— Você não sabe nem se ela te quer e muito menos se já tem compromissos...

— Meus compromissos eram com a cama, mas como estamos sem energia elétrica, é ruim até para dormir. — Regina disse bem-humorada, fazendo o garoto e a mãe sorrirem. — Se você ainda quiser ir, pode ficar tranquila que eu fico com o Henry. Pelo que eu vi pela janela, só faltou energia aqui pelas redondezas.

— É, mãe... — O garoto tentou incentivá-la. — Pode ir... Eu vou ficar bem com a Regina.

— Você tem certeza? — Swan indagou à Regina, olhando no fundo dos seus olhos. A morena lhe sorriu e assentiu, abraçando o pequeno também. — Então eu vou terminar de me arrumar.

•§•

— Estou indo. — Emma gritou da porta, para os dois seres bastante concentrados em observar as estrelas através do pequeno telescópio de Regina, conseguirem escutar. Aqueles momentos em que as ruas estavam apagadas eram os melhores para se conseguir enxergar as maravilhas do Universo, e eles não queriam perder essa oportunidade. — Eu volto antes das 10pm. Qualquer coisa, não hesitem em ligar. — Escutou um “ok” dos dois e saiu finalmente. Já estava atrasada.

•§•

— Você sabia que muitas estrelas que vemos hoje, já não existem mais? — Regina indagou baixinho. A concentração no que observavam estava fazendo com que eles cochichassem.

— A professora na escola falou sobre isso uma vez, mas eu não me lembro mais.

— As luzes das estrelas demoram cerca de 50 anos para chegar até nós. Então provavelmente, muitas dessas luzes que vemos, sejam só as luzes, sem a estrela. — A morena explicou.

— Legal... — Henry murmurou de forma fascinada. — O que mais você sabe?

— Hm... — Colocou a mão no queixo para buscar mais informações na mente. — Ah... A cada um minuto, uma estrela explode em algum lugar do Universo. E quando isso acontece, ela brilha mais que uma galáxia inteirinha.

— Caraca! Que massa! Onde você aprendeu isso?

— Eu gosto muito desse tipo de assunto, então desde a época da escola, eu sempre li livros e artigos na internet.

— Eu só sei o que ensinam na escola... — Comentou desanimado, fazendo Regina rir. — O sistema solar, Planetas e outros Astros, Cruzeiro do Sul...

— Eu tenho algo sobre o Cruzeiro do Sul... — Aproximou seu rosto do telescópio e o movimentou algumas vezes. — Veja! — Puxou o menino para perto. — O Cruzeiro tem 54 estrelas, mas a olho nu, só podemos ver 5. ­— Explicou animada. — Agora veja as outras 49.

Regina e Henry estavam tão empolgados conversando sobre as maravilhas do céu acima deles, que só perceberam que a energia voltou, quando, a olho nu, tentaram observar algumas estrelas e não conseguiram, devido a claridade da rua e do próprio apartamento.

— Estava tão legal... — Henry lamentou, ajudando Regina a levar o telescópio para dentro do apartamento. — Quando poderemos fazer isso novamente?

— Podemos pedir a sua mãe, um dia quando você não tiver aula, para que possamos ficar a madrugada acordados, descobrindo mais coisas. O que acha?

— Ótima ideia. — Abraçou a morena, pegando-a de surpresa. Henry andava bastante carinhoso com ela nos últimos meses, mas sempre que ele fazia algo, ela era pega de surpresa. Não que não gostasse do carinho do menino, pelo contrário, só não era acostumada a receber carinho tão gratuito assim. — O que vamos fazer agora?

— O que você quer fazer?

— Vamos jogar vídeo game?

— A ideia é legal e tentadora, mas tem um problema... — Ela coçou a cabeça, sentando-se no chão. — Eu não sei jogar. — Fez uma careta.

— Mas isso não é problema... — Estufou o peito. — Não para o incrível Henry. — Fez uma pose, ajoelhando-se ao chão e colocando a mão no queixo. — Eu posso te ensinar. — Finalizou, caindo na gargalhada junto a Regina.

— Tudo bem então, incrível Henry, vamos jogar.

•§•

— Ok! — Regina soltou o controle no chão e se levantou rapidamente. — Já apanhei demais por hoje.

— Até que você aprendeu rápido e não foi tão ruim, para quem nunca tinha chegado perto de um vídeo game antes. — Observou, desligando o aparelho e guardando os controles. — Parabéns. — Bateu palmas para a morena, que fez uma reverência em agradecimento.

— Você está com fome? — O garoto assentiu rapidamente, passando a mão na barriga e fazendo a morena sorrir. — Vamos até o meu apartamento. Farei algo para comermos.

— Minha mãe deixou dinheiro para comprar pizza. — Relembrou o aviso dito por Emma enquanto ela se arrumava.

— Vamos comer algo melhor, mais gostoso e mais saudável que pizza.

— E o que poderia ser melhor que pizza? — Fez uma expressão pensativa. — Não consegui encontrar nada em minha mente, depois do hambúrguer. — Falou com falsa seriedade.

— Você já comeu sanduíche natural? — O menino negou. — Então diz essas coisas porque nunca comeu um bem-feito sanduíche natural.

— Eu não gosto dessas coisas. — Fez uma careta.

— Você nunca comeu para saber... — Cruzou os braços. Pelos argumentos de Henry, aquela disputa estava ganha para ela. — Eu te desafio a comer e ser sincero com os comentários ao final.

— OK! Desafio aceito. — Estendeu a mão e apertou a da morena com firmeza, fechando o acordo. — Prove-me que sanduíche natural, ou ao menos o seu, é melhor do que pizza e hambúrguer. — Desafiou também.

— Fechado!

•§•

— Você curte Elvis? — Indagou ao entrar no apartamento da morena e observar a nova decoração da estante, repleta de discos, CDs e DVDs do cantor.

— O meu preferido. — Respondeu afetada.

— Minha mãe também gosta. — Comentou. — Eu gosto do Elvis também, mas o meu negócio mesmo é Imagine Dragons e Coldplay. — Pegou um dos CDs e o abriu. — Se importa de eu colocar um CD para tocar enquanto fazemos os sanduíches?

— Na verdade, eu ia pedir para você fazer isso mesmo. — Abaixou junto ao menino e escolheu um CD.

— Qual sua música preferida?

— Eu gosto de tantas que fica difícil escolher, mas “Can’t help falling in Love, Suspicious minds, A little less conversation, e Don’t be cruel” são as músicas que eu mais coloco para repetir, quando estou escutando.

— Então vamos escutar elas. — Henry colocou o CD para tocar e logo a voz de Elvis cantando “Suspicious minds” soou pelo apartamento.

Empolgada com a música, Regina se levantou do chão rapidamente e não resistiu em puxar Henry para o meio da sala, e juntos começarem a cantar e dançar.

We're caught in a trap ― Caímos em uma armadilha
I can't walk out ―
Não posso escapar
Because I love you too much baby ―
Porque eu te amo demais meu amor

(...)

E ao som de Elvis, na animação que estavam, seguiram para a cozinha para darem início aos preparos dos melhores sanduíches que Henry provaria, segundo Regina.

•§•

Estavam finalizando o último sanduíche quando “Don’t be cruel” invadiu a cozinha, contagiando Regina mais uma vez.

— Não podemos perder essa, Henry. — E mais uma vez, Regina o puxou pela mão e o levou para a sala. Aumentou o volume e entregou um controle para o garoto, logo pegando um para si também.

You know I can be found ― Você sabe que posso ser achado

Começou Regina, imitando a voz do cantor, fazendo Henry gargalhar, mas acompanhá-la na estrofe seguinte.

Sitting home all alone ― Sentado em casa sozinho
If you can't come around ― Se não puder vir
At least please telephone ― Pelo menos telefone

Don't be cruel to a heart that's true ― Não seja cruel com um coração de verdade

Baby, if I made you mad ― Amor, se eu te deixei zangada
For something I might have said ― Com algo que posso ter dito
Please, let's forget the past ― Por favor, vamos esquecer o passado
The future looks bright ahead ― O futuro brilha diante de nós

Don't be cruel to a heart that's true ― Não seja cruel com um coração de verdade

Regina segurava na mão de Henry e o girava no ar, enquanto faziam um dueto animado. Algumas vezes, ele também a girava, fazendo-a ficar um pouco curvada para que conseguisse.

I don't want no other love ― Não quero nenhum outro amor
Baby it's just you I'm thinking of ― Querida só penso em você

Estavam tão empolgados na cantoria e dança, que nem perceberam que agora já não estavam mais sozinhos. Havia uma plateia. Uma pessoa apenas, mas ainda assim, tinha, e estava adorando o show.

Henry foi o primeiro a perceber que sua mãe estava ali, vendo tudo com um largo sorriso nos lábios pintados de vermelho.

— Mãe, você chegou cedo. — Disse com dificuldade devido aos tantos movimentos que fez e o deixou com a respiração irregular. Regina rapidamente parou de cantar e rapidamente desligou o som, tentando se recompor.

— Por que parou? Eu estava gostando do que via. — Desencostou da porta, logo a fechando, e entrou no cômodo finalmente. — Hmm... — Murmurou, sentindo o cheiro de comida. — Parece que eu cheguei na hora certa. — Esfregou as mãos uma na outra. Regina agradeceu internamente, pela mudança de conversa.

— Vamos comer, então. — Henry chamou animado, correndo para dentro da cozinha.

— Primeiro lave as mãos, Henry. — Emma gritou logo que o menino sumiu de sua vista. — Ei... — Aproximou-se da morena que parecia envergonhada, guardando o CD na estante. — Não precisa ficar com vergonha... Você estava linda cantando e dançando, tão animada...

Regina levantou seu olhar, com o rosto ainda vermelho de vergonha, e sorriu em agradecimento para a outra.

— Adorei te ver tão solta... Deveria fazer mais vezes. — Sussurrou próxima à outra, que ainda estava ajoelhada ao chão.

E sem esperar por uma resposta, seguiu para o corredor que dá acesso à cozinha, por onde Henry tinha entrado e sumido.

•§•

— Como foi o seu encontro? — Mills quis saber, aproveitando que Henry tinha decido até a portaria para levar sanduíche para o amigo Nealman.

— É... Foi legal... — Fez uma careta, causando risos na outra. — Ele estava apressado. É médico, teve uma emergência logo que pedimos o prato. Mas ficou e comeu tudo só para não fazer desfeita.

— Poderia ter sido pior... — Regina comentou e as duas sorriram.

I don't want no other Love. Baby it's just you I'm thinking of. ― Não quero nenhum outro amor. Querida só penso em você.

Emma cantou de repente, pegando Regina de surpresa, fazendo seu coração bater acelerado.

Rapidamente levantou o olhar, observando a loira lhe encarar atentamente, e de forma muda, fez um questionamento sobre o que acabou de ouvir.

— Era essa a parte que vocês pararam, não era?

— Sim, era... — Seu coração batia de forma descompassada. Era possível senti-lo por outras partes do corpo.

— Bem, eu fiquei com ela na mente. — Explicou sorrindo.

— Essa música é realmente muito boa... — A loira assentiu, continuando a cantar, porém agora mais baixo. — Você vai querer mais um sanduíche?

— Com certeza. Não pararei até meu estômago dizer chega. — Disse bem-humorada, arrancando gargalhadas da outra.

•§•

— Obrigada por ter cuidado de Henry para mim.

— É sempre um prazer cuidar do Henry. Eu me divirto muito.

— Eu percebi hoje. — Murmurou, deixando a outra brevemente envergonhada. — Mas não diga isso muito alto, pois é capaz dele me expulsar de casa para você vir cuidar dele. — Sorriram. — Ele gostou muito de você...

— Eu também gostei muito dele. — Rebateu rapidamente. — De vocês, na verdade. — Acrescentou. — Foi bom eu ter me mudado para cá, afinal. — Mostrou um genuíno sorriso.

— Bem, agora eu preciso ir. Amanhã eu acordarei muito cedo. — Lembrou, fazendo uma expressão de cansada. — Obrigada por tudo, mais uma vez.

— Eu te levo até a porta... — A dona da casa ofereceu, solícita.

— Obrigada mais uma vez... — Emma se aproximou devagar da mulher e lhe deu um abraço apertado. Regina retribuiu o contato, e novamente naquela noite, sentiu seu coração acelerar. Estava torcendo para Emma não perceber.

Ao se soltarem, Regina caminhou para dentro da sua casa, fechou a porta, logo a trancando de chave, e se encostou à mesma. Relembrou os acontecimentos da noite até o momento do abraço, passou o nariz por seu braço, onde ainda era possível sentir o cheiro do perfume de sua vizinha, e escorregou até o chão.

Regina sabia.

Estava começando a sentir algo por Emma.

Algo que não deveria sentir, mas que estava sendo impossível se segurar.

Notas finais
link da playlist -> http://open.spotify.com/user/featherishope/playlist/4XlNjtbuQPG584NLxKybXW Até mais...