Recomeçar
39 Capítulo 39
Notas iniciais
Ao som de pássaros cantando entre as árvores do jardim da mansão, Emma Swan é a primeira a acordar. Ainda de olhos fechados, ela se estica lentamente na cama e abre um sorriso. Tinha tido uma incrível e gostosa noite de sono, como há muito tempo não tinha. A cama extra macia, a temperatura quente do ar-condicionado e os braços de Regina Mills ao redor de sua cintura formaram a combinação perfeita para a loira atingir a plenitude durante o sono. Ela estava se sentindo completamente renovada.
Na noite anterior, as mulheres estavam tão cansadas do dia agitado que tiveram, que assim que se deitaram e se abraçaram, não trocaram nem dez palavras, pois logo pegaram no sono. Não puderam inaugurar a cama como tanto queriam.
Emma se vira lentamente para Regina e beija sua testa carinhosamente. A morena resmunga palavras desconexas, mas não se acorda. Swan sorri e beija de novo. Dessa vez, ela demora um pouco mais no ato. Quando se afasta, põe-se a admira a mulher à sua frente, como há muito não fazia.
Seus olhos passam pelos cabelos bagunçados no travesseiro e em sua cabeça, depois seguem para a testa, então descem para os olhos, percorrem as bochechas, passam pelo nariz e se demoram na boca, onde seus dedos tocam lentamente. Regina finalmente acorda e beija seus dedos. Em seguida, os verdes de Emma se encontram com os castanhos de Regina.
A manhã estava começando como as manhãs dos dias em Tallahassee.
•§•
Ainda com as roupas de dormir, os cabelos bagunçados e os rostos amassados, Emma e Regina aparecem na cozinha. As vozes alteradas de Henry e Ravena enquanto passavam no corredor, interromperam o momento das duas e elas preferiram se levantar e descer para tomar o café-da-manhã com eles. Então só fizeram colocar o robe de seda por cima das camisolas e desceram.
― Bom dia! ― As mulheres desejam ao mesmo tempo.
― Bom dia! ― Eles também respondem junto. Henry estava sentado à mesa e Ravena estava em pé, preparando o café-da-manhã. Estava de costas para todos.
― Dormiram bem? ― Emma pergunta à Henry e a Ravena enquanto se senta à mesa. Regina senta ao seu lado logo em seguida.
― Eu dormi muito bem! ― O garoto responde com animação. ― Eu estava com saudade do meu quarto aqui.
― Por que se acordaram tão cedo e estão tão animados? ― Mills pergunta, completamente confusa com o humor tão leve dos dois logo pela manhã. Especialmente de Henry. O garoto não costumava se acordar tão feliz. Principalmente se fosse tão cedo.
― Henry me levará para conhecer a biblioteca da cidade e depois iremos a um lugar chamado fliperama. ― A mulher se vira por um instante. ― Ele disse que lá tem muitos jogos legais que eu preciso conhecer. ― Henry abre um grande sorriso e fica a ponto de pular da cadeira, de tão animado que está.
― Tudo bem a gente ir, não é, mãe? ― De repente o garoto fica preocupado. Ele não sabia se a Rainha tinha alguma condição para poder sair.
― Se prometerem chegar antes do almoço, está tudo bem. ― Regina condiciona. Henry olha imediatamente para Ravena, que também olha para ele no mesmo instante, e depois volta a atenção para a mãe morena. Ela semicerra o olhar e arqueia a sobrancelha.
― Nós prometemos! ― Ele junta as mãos em frente ao corpo, como se fosse fazer uma oração, e as duas mães sorriem.
Ravena finaliza a preparação do café-da-manhã dos quatro, leva tudo para a mesa e se senta ao lado do garoto para iniciar a sua refeição. Cerca de 30 minutos depois, eles finalizam o desjejum e Henry acompanha a Rainha na organização da bagunça.
― E se você arrumar tudo isso com magia? ― Henry fala baixinho e olha de canto de olho para as mães, que estão conversando. Não queria que elas o escutassem incentivando o uso da magia com coisas fúteis. ― Assim nós podemos sair mais cedo e ganhamos mais tempo. ― Argumenta, tentando convencer a mulher. A Rainha olha para ele por alguns segundos, ponderando a ideia. ― Por favor? Já são quase 08:00 AM. Só teremos mais 4 horas até o almoço. ― Apela para a expressão triste. Então Ravena fecha os olhos e balança a cabeça negativamente. O garoto a tinha convencido.
― Ok! Essa sua carinha triste me convenceu. ― Ela meche a mão de forma discreta e segundos depois toda a pia está limpa e organizada. ― Vamos!
― Mães, nós já vamos sair. ― O garoto se vira para as duas torcendo para que elas não estranhem a rapidez com que terminaram. Em seguida, segue com Ravena para a saída da cozinha. As duas mulheres se levantam e seguem os dois. Ele respira aliviado por elas não falarem nada.
De repente, Regina para os seus passos, olha fixamente para o filho e franze o cenho. Emma olha com curiosidade para ela.
― Regina? ― A loira toca nela, mas a morena nem se mexe.
― Henry? ― O tom extremamente sério de Regina faz o coração do garoto bater acelerado e ele para imediatamente os passos. Ao se virar, vê as mães paradas no início do corredor que separa a sala da cozinha. Regina agora estava com os braços cruzados. ― Com quem você estava conversando ontem, que não voltou para casa com Emma?
O garoto engole em seco e olha para a mãe loira, como se pedisse ajuda, mas Emma não pode ajudá-lo a se safar de contar sobre ele e Violet.
― Eu... ― Ele engole em seco novamente.
― Você... ― Ela murmura, incentivando-o a continuar.
Ele respira fundo e decide contar a verdade. Ainda não tinham rotulado a relação, embora tenham se beijado, mas sabia que estavam à um passo de iniciarem um relacionamento. Então, de nada adiantaria adiar a notícia para a mãe.
― Eu encontrei a Violet na rua. Não estamos namorando ainda, mas estamos conversando a respeito. Quando acontecer, trarei ela até aqui para vocês a conhecer melhor. ― Fala tudo de uma vez, surpreendendo a si mesmo e Emma. Em seguida, ele se vira e vai para a sala quase correndo. Ravena o segue.
Regina fica parada, olhando para o nada, processando o que acabou de ouvir, e Emma fica preocupada.
― Regina? ― Toca em suas costas. Mills nem se mexe. Parece estar em outro planeta. ― Olha, eu sei que foi um choque ouvir que o Henry está quase namorando, mas você precisa aceitar que ele já não é mais criança e que em algum momento isso iria acontecer. ― Mills toca suas têmporas e as massageia.
― Ele brinca com game boy, Emma! ― Rebate com tom de indignação. Emma se segura para não rir.
― Sim, ele brinca de game boy, também brinca de fliperama, e de vários outros jogos mais atuais, mas ele cresceu, meu amor. Os interesses dele não mudaram, mas aumentaram. ― A morena olha para ela com uma expressão triste. Ela sabia que Emma estava certa, mas não queria aceitar que o seu príncipe havia crescido e estava criando outros interesses. Sempre o viu tão entretido com passatempos considerados para criança que não percebeu que ele estava crescendo.
― Não sei se estou pronta para esse momento da vida dele. ― Emma a abraça na tentativa de consola-la. ― Mas... ― Respira fundo. ― Você está certa! ― Swan se afasta. ― Eu preciso aceitar que o Henry cresceu e que agora ele tem outros interesses...
― Isso! ― Swan beija a amada. ― Você não vai perde-lo por isso, ok? ― Fala com firmeza e a morena assente. Embora Regina não tenha falado nada a respeito, Emma sabia que lá no fundo, parte do receio dela, era de perder o Henry. Esse receio é compartilhado por metade ou mais das mães do mundo todo. Exceto que os motivos de Regina são outros. ― Nós não vamos. ― Beija-a mais uma vez. Em seguida, vão para a sala.
Ao chegarem no cômodo, encontram Henry e Ravena sentados no sofá, entretidos com algo no celular do garoto. Emma pigarreia para anunciar a chegada das duas. Ao olhar para trás e vê as mães, o jovem Mills guarda o aparelho no bolso e se levanta imediatamente. Ele olha para a loira com uma expressão apreensiva, e ela balança a cabeça afirmativamente como um aviso de que está tudo bem. Henry respira com alívio, embora saiba que só está livre por enquanto.
― Nós vamos sair agora, vocês querem que tragamos alguma coisa para o almoço? ― Ao fazer a pergunta, ele desvia com hesitação o olhar da mãe loira para a mãe morena. Ao ver sua expressão calma, ele fica tranquilo.
― Eu vou sair também, preciso ir na Prefeitura saber como estão as coisas e retomar o meu posto. Então, quando eu sair às 12:00 PM, eu compro os ingredientes faltantes para o nosso almoço. ― Mills o responde e ele assente. Em seguida, o garoto segue para a porta com a Rainha, Emma vai até o sofá para pegar o seu celular que foi esquecido lá na noite anterior, e Regina segue para a escada, mas para antes de subir o primeiro degrau. ― Aliás, precisamos fazer umas comprinhas, Emma. ― A loira olha para ela e balança a cabeça afirmativamente. ― Eu vou subir para tomar um banho. ― Avisa e sobe as escadas majestosamente. Emma a acompanha com o olhar até ela sumir no andar de cima e tem uma ideia, então anda apressadamente até a porta para fechá-la com chave e magia assim que o filho e a Rainha saírem.
― Mãe, eu peguei o seu cartão para usar no fliperama, tudo bem? ― Pergunta com um falso tom de inocência. Sabia que avisar já na hora de sair era uma estratégia arriscada, mas estava apostando no bom humor de minutos atrás da loira.
― E você só me avisa agora? ― Ela cruza os braços e arqueia a sobrancelha. Ele abaixa a cabeça e coloca a mão no bolso para pegar a carteira. ― Tudo bem! Pode usar. ― Ele abre um sorriso grande. ― Mas não exagere.
― Eu não vou, prometo! Vou só comprar algumas fichas, picolés, e se Ravena quiser, alguns livros na livraria ao lado do fliperama.
― Ok! ― Toca nas costas dele e sutilmente empurra-o em direção a saída, afim que ele saísse logo. A Rainha já estava do lado de fora, esperando-o.
― Mas talvez ela não queria nenhum, tem tanto livro legal na biblioteca que talvez ela pegue os de lá emprestado. ― Fala com empolgação, interrompendo os seus passos na porta. Emma fica agoniada. ― A Belle me mostrou um monte de fantasia. A Ravena vai adorar. ― Diz mais para si que para a loira.
― Provavelmente. ― Outra vez toca em suas costas para incentivá-lo a andar. O garoto inicia seus passos novamente e finalmente atravessa a porta, mas logo para de novo. Emma se agonia mais uma vez e olha rapidamente para as escadas, pensando se conseguiria subir a tempo de encontrar a morena no banho.
― A senhora vai querer alguma coisa? Algum chocolate, talvez? ― Henry indaga-a, alheio a inquietação da mãe, tamanha a sua empolgação.
― Não! ― Responde com rapidez. Parecia até que não tinha processado sua pergunta e já estava com a resposta na ponta língua, só esperando ele perguntar. ― Garoto, acho melhor você ir, o tempo está passando e você prometeu chegar antes do almoço. ― Fala com seriedade para que o garoto não perceba sua inquietação e que na verdade só quer que ele vá embora logo.
― Henry! ― Escutam a voz da Rainha. A mulher já estava no portão do jardim, esperando-o.
― Verdade, mãe! É melhor eu ir. ― Swan se segura para não comemorar. ― Vamos, Ravena! ― Ele grita e finalmente desce as escadas da varanda. Dessa vez, sem interromper seus passos novamente.
Quando Henry some pelo jardim, Emma volta correndo para dentro da mansão, apressa-se em fechar a porta com chave e passa magia de ponta a ponta. Com a entrada devidamente protegida, ela corre escada acima, deixando suas roupas pelo caminho, e entra de fininho no banheiro que Regina está. O banheiro do quarto que agora é das duas.
A morena já havia iniciado o banho. Estava passando o sabonete pelo corpo. Encostada na porta, Emma aprecia a sua beleza por alguns segundos. Dos pés à cabeça, ela analisa cada curva, cada detalhe. Seus olhos brilham e um sorriso surge em seus lábios. Então, com passos lentos e silenciosos, a loira se aproxima da amada e a abraça por trás. Regina toma um leve susto e as duas sorriem. Swan beija suas costas, seus ombros e pescoço por alguns segundos e então a gira para si. Elas se olham por alguns instantes e começam a se beijar.
Logo as mãos de ambas começam a viajar pelos corpos, e em meio a beijos e carícias mais ousadas, as duas ensaboam uma à outra. Quando se enxaguam, interrompem as carícias e beijos e se sentam na banheira. Regina fica no colo de Emma. A loira olha profundamente para a amada e toca seu rosto delicadamente. Mills fecha os olhos. Os dedos de Swan passam pela testa, alcançam os olhos, descem para o nariz, acariciam as bochechas e terminam o passeio nos lábios. Então os olhares se encontram.
― Eu amo você, Regina Mills... ― Emma sussurra, com o olhar petrificado nos lindos castanhos da outra. ― Eu te amo muito. Com todo o meu ser, minha alma, meu coração. Saiba disso. ― Fala com firmeza, sem nunca desviar o olhar ou mesmo piscar. Os olhos de Mills marejam.
Emma se aproxima lentamente e une com delicadeza os seus lábios aos de Regina, em um curto beijo, mas que tanto diz. O ato sela a sua declaração. Uma tímida lágrima escorre pela bochecha molhada da morena. Swan a abraça apertado e elas ficam assim por longos minutos. Quando desfazem o abraço, a loira beija a bochecha da esposa algumas vezes e ela encosta a cabeça em seu colo. Bem aconchegadas uma nos braços da outra, Emma inicia um carinho nos cabelos de Mills, e Regina em seu braço livre.
― É tão bom estar assim com você... ― Regina murmura, quebrando o silêncio. Em resposta, Swan beija sua cabeça. ― Obrigada... ― Levanta um pouco a cabeça e olha para Emma, que a encara atentamente, já esperando que continue a falar o que está pensando. ― Graças a você eu superei o meu medo de tentar e ser feliz. O meu medo de me permitir amar e ser amada. ― A loira sorri e beija seus lábios. ― Quando conheci o Robin e soube quem ele era, pensei que isso fosse acontecer com ele... Que os meus medos iriam embora... ― Sorri ironicamente. ― Mas eu estava enganada... ― Mesmo com a cabeça encostada em Emma, ela a balança negativamente. ― Além de ele não ser a pessoa com quem eu gostaria de passar o resto da minha vida, eu fique com ainda mais medo de me permitir e tentar, depois de tudo que aconteceu. ― Faz uma pequena pausa. A lembrança de Robin morrendo a faz estremecer. ― A verdade é que, depois de Daniel, eu não pensei que poderia ter tudo isso novamente. Amor. Principalmente depois de... ― Interrompe-se e suspira pesadamente. Seu corpo logo fica tenso. Imagens de Leopold tomam conta de sua mente e ela abaixa a cabeça. Seus olhos marejam novamente, mas dessa vez não é de emoção.
― Ei... ― Swan toca delicadamente em seu queixo e a faz levantar a cabeça novamente. ― Está tudo bem. Seja o que for, se não te faz bem, não precisa falar. ― Acaricia o seu rosto e beija sua testa. A morena assente e volta a deitar a cabeça no colo da loira.
― Às vezes é difícil esquecer certos demônios... ― Fala baixinho. ― Depois que eu perdi Daniel e fui obrigada a casar com Leopold, acreditei que nunca mais encontraria amor novamente ou seria amada... Eu olhava para todos aqueles casais felizes, cheios de amor e carinho um pelo outro, dançando e sorrindo pelo salão e me perguntava por que eu não poderia ter tudo aquilo também... ― As lágrimas escorrem pelo seu rosto e molham o colo da outra. ― Eu não queria ser Rainha, não queria viver sozinha naquele enorme castelo, não queria me casar com alguém que ainda era apaixonado pela esposa e fazia comparações e exigências o tempo todo, alguém que só queria uma mulher para poder cuidar de sua filha criança, alguém que só queria saciar os seus desejos carnais e não podia ser contrariado... ― Entendendo o que a mulher estava falando, Emma a aperta em seus braços. Seus olhos também marejam e ela não se importa que eles transbordem.
― Minha mãe sabe dessas coisas? ― A morena balança a cabeça negativamente. ― Eu sinto muito por todo o mal que ele te causou. ― Beija carinhosamente a cabeça dela. ― Se eu pudesse, mudaria o passado ou faria você esquecer tudo isso... ― Fala, sentindo a raiva correr pelo seu corpo. Jamais imaginou que seu avô fosse uma pessoa tão ruim. Através dos olhos e das palavras da sua mãe, ele parecia ter sido a melhor pessoa do mundo. Mas a visão que ela, e também a sua mãe, tinha do homem, estava errada. Totalmente errada.
― Matá-lo foi a única forma que eu encontrei na época de me livrar de tudo isso. ― Confessa hesitante. Afinal de contas, era do avô da loira que ela estava falando. Avô cujo a morte foi muito sentida pela mãe dela.
― E eu não a culpo por ter feito o que fez, e também não vou julgá-la. Entendo perfeitamente os seus motivos. ― Emma diz com firmeza, surpreendendo-a. Regina olha para ela imediatamente.
― Obrigada. Isso é muito importante para mim. ― Ela enxuga as lágrimas e volta a deitar a cabeça no peito da amada. Imediatamente a mão de Swan volta para os seus cabelos. ― E já que estou confessando meus crimes, preciso confessar mais um... ― Cheia de coragem, ela olha para a loira novamente. ― Talvez esse você me culpe e me julgue. ― Emma franze o cenho. ― É sobre o Graham... ― Não era o melhor momento para esse tipo de conversa, mas ela tinha que aproveitar o assunto. Ela precisava contar todas as suas coisas para Emma. Nada podia ficar de fora. Nenhum segredo. Nem mesmo algo que poderia afetar a relação delas.
Ao ouvir o nome do amigo os olhos de Swan crescem e sua expressão deixa claro que ela entendeu o que Regina pretende dizer.
― Você... ― Emma não tem coragem de finalizar a pergunta, mas Regina a compreende e balança a cabeça afirmativamente.
― Eu estava tomada pelo ódio, pela vingança. ― Balança a cabeça negativamente, repreendendo a si mesma. ― Eu estava começando a perder o controle sobre ele, e se Graham acordasse, seria um grande perigo para a maldição, e eu não permitiria que ela fosse enfraquecida. Então eu... ― Respira fundo. ― Esmaguei seu coração... ― Fala baixinho, envergonhada.
― Por essa eu não esperava... ― É o que a loira consegue dizer, diante o seu choque com a notícia. Ela sempre acreditou que Humbert tivesse morrido por problemas no coração, bem como foi dito no hospital, e quando soube a verdade sobre a magia e a cidade, nunca cogitou que Regina ou qualquer outra pessoa o tivesse matado.
Temendo o pior após a sua revelação, Regina começa a se desvencilhar dos braços da amada para se levantar.
― Eu vou entender se você...
― Não! ― Interrompe-a imediatamente e a segura, trazendo seu corpo para junto novamente. Então segura o rosto dela com as duas mãos e olha fundo em seus olhos. ― Sim, eu estou muito decepcionada, mas é passado e eu te perdoo. Porque eu sei que você não é mais aquela pessoa, Regina. ― Emocionada, a morena começa a chorar. ― Você errou, mas eu também errei. Na verdade, todos nós erramos em algum momento. Mas isso está no nosso passado. ― Emma encosta sua testa na dela e as duas fecham os olhos ao mesmo tempo. Então Swan une seus lábios aos de Mills. ― Esse não era o tipo de conversa que eu esperava ter hoje. Especialmente agora. Acho melhor nós mudarmos de assunto.
― Perdão por estragar o nosso momento, eu queria apenas que você soubesse. Não queria esconder mais nada.
Emma puxa Regina para um abraço e as duas ficam abraçadas e em silêncio por vários minutos. Apesar da conversa, não era um silêncio desconfortável.
― Hoje de manhã, enquanto tomávamos o café-da-manhã eu me dei conta de uma coisa interessante e até engraçada... ― Swan diz, quebrando o silêncio. Elas se afastam do abraço e agora Regina fica sentada de frente para ela, com as pernas ao redor de seu corpo. Quando a morena fica bem acomodada, Emma a segura pelas costas. ― Nas duas vezes que nos conhecemos, foi no dia do meu aniversário. A primeira vez eu vim até você, em Storybrooke, e na segunda vez você quem veio até mim, em Tallahassee.
― Interessante... ― Mills murmura com tom e expressão pensativos.
― E o meu desejo naquele aniversário foi o de não continuar sozinha. Então o Henry apareceu em minha porta logo em seguida, e depois disso, eu nunca mais fiquei sozinha. ― Ela diz mais para si que para a outra. ― O que você acha disso? Foi tudo uma grande coincidência? ― Regina balança a cabeça negativamente e abre um pequeno sorriso.
― Destino... ― Aproxima-se um pouco mais da loira. ― Era o seu destino vir até Storybrooke e me conhecer exatamente nesse dia, logo depois de ter feito esse pedido. ― Toca o rosto dela e o acaricia com a ponta dos dedos. ― Essa “coincidência” foi um recado dele para nós. ― As duas riem. Regina desce a mão até o ombro de Emma e inicia um carinho ali. ― Então ele reforçou esse recado quando, de novo, fez a gente se “conhecer” em Tallahassee exatamente no dia do seu aniversário. Mas dessa vez, levando-me até você. ― Ela a beija carinhosamente. ― E eu acabei de lembrar que o nosso primeiro beijo lá, foi no dia do meu aniversário.
― Ao menos uma coisa foi no seu. ― Fala bem-humorada e as duas riem. ― Se tivéssemos planejado mais um pouco, todos os nossos momentos importantes teriam sido em datas significativas.... ― Constata entre sorrisos. ― Sabe, agora eu entendo o motivo de termos parado em Tallahassee em vez de Nova Iorque... ― Diz em tom pensativo e Regina a olha com curiosidade. ― Quando Killian me contou que foi nos procurar em Nova Iorque, eu pensei sobre isso e no momento eu não encontrei uma explicação. Mas agora eu sei o porquê...
― E por que foi? ― Mills pergunta, com a curiosidade aguçada.
― Eu sempre considerei Tallahassee o meu lar, por causa da época que vivi com Neal. Então, quando eu entendi que tinha sentimentos por você, isso bem antes de Fiona aparecer e lançar a maldição, eu passei a imaginar como seria viver uma vida com você e Henry lá. ― A revelação pega Regina de surpresa, e seus castanhos marejam imediatamente. ― Por isso a magia nos levou até lá, em vez de Nova Iorque, que era onde eu morava antes de vir para cá. A magia, mesmo sendo de maldição, realizou o meu desejo de viver uma vida em família com você e Henry no lugar em que eu me sinto em casa. ― Segura as mãos da morena e as beija carinhosamente. Regina sorri emocionada e as lágrimas transbordam por seu rosto. Emma se aproxima mais e as enxuga com pequenos beijos. Elas se olham profundamente e sorriem uma para outra.
― Tudo acontece por uma razão... ― Mills murmura com a voz entrecortada por causa da emoção. ― Bom saber que não era só eu quem ficava imaginando como seria nós três morando junto... ― Fala bem-humorada e a loira arregala os olhos e abre a boca, surpresa. Regina sorri de sua reação.
― Você também fazia isso? ― Seu tom é incrédulo. Saber que Regina tinha as mesmas idealizações a pegou totalmente de surpresa.
― O tempo todo! ― Sussurra de forma sensual e beija seus lábios com exagerada lentidão, provocando-a. A loira tenta aprofundar o contato e mudar a velocidade dos movimentos, mas Regina não permite, afastando-se e interrompendo o beijo. Emma resmunga e Mills sorri.
Com bastante suavidade, Regina passa os dedos pelas gotas de água que ainda escorrem pelo rosto de Emma, chega em seus lábios e os contorna de canto a canto. Ao passar pelo meio, ela força a entrada e Emma os entreabre um pouco. Sua respiração imediatamente fica descompassada. A morena encosta suas testas, toca os narizes e sutilmente encosta as bocas em um suave beijo. Dessa vez, ela deixa Swan aprofundá-lo. Os lábios se movem com maestria um sob o outro e as línguas se encontram em uma dança sensual.
O beijo se intensifica ainda mais e Regina segura o rosto de Emma com as duas mãos e a loira segura sua cintura e traz o seu corpo mais para perto, como se fosse possível. Ela parecia querer fundir seus corpos.
As mãos de Emma sobem pelo corpo de Regina e ela solta um gemido baixinho quando as sente tocar nas laterais de seus seios. Emma sabe perfeitamente onde e como tocar em Regina. Em dois anos ela pôde conhecer cada centímetro do corpo da mulher amada.
A necessidade por fôlego se faz presente e as bocas são obrigadas a se afastarem, mas Emma logo ataca o pescoço da outra e beija, chupa e morde toda a região com sofreguidão. Com certeza deixará marcas, mas Regina está extasiada demais com as sensações para se importar.
Depois de se refestelar com o pescoço da morena, Swan sobe com os beijos e alcança a boca de Mills novamente, mas dessa vez, com um beijo rápido e uma mordida no lábio inferior.
― É muito bom beijar você. Parece que tem mel nessa boca... ― Murmura extasiada, passando os dedos pelos lábios inchados da outra. ― Acho que eu estou viciada. ― Regina dá uma gostosa gargalhada. ― Ouvir essa risada é muito bom também. ― Fala mais para si que para a outra. ― Eu preciso garantir que ouvirei essa risada e beijarei essa boca até o meu último suspiro... ― Ela busca as duas mãos de Regina e as segura entre as suas. ― Casa comigo? De novo. ― Olha fundo nos olhos castanhos, que brilham com o pedido.
― Pensei que já fossemos casadas... Até porque, eu não trago qualquer um para a minha banheira, senhora Swan Mills. ― Fala bem-humorada, frisando o sobrenome. As duas sorriem.
― Sim, já somos casadas. ― A loira diz, voltando a ficar séria. ― Mas vamos fazer uma renovação de votos. Dessa vez, tendo todas as nossas memórias, lembrando de tudo que já passamos, sabendo quem realmente somos, o que fomos... ― Fala com empolgação.
― Sim! Vamos fazer uma renovação de votos. ― Responde com igual empolgação e beija seus lábios. Então, Emma puxa alguns fios do próprio cabelo, enrola-os até formar um círculo e pede a mão de Regina. Sorrindo bobamente, a mulher estende a mão esquerda e ela a segura delicadamente, enfia a aliança improvisada no mesmo dedo da aliança de verdade e beija em cima.
― Você, Regina Mills, é o amor da minha vida. Não importa quantas maldições nos atingir, eu sempre e para sempre vou encontrar e amar você. ― Fala olhando no fundo dos castanhos brilhantes, que logo ficam marejados de emoção mais uma vez.
― Você também é o amor da minha vida, Emma Swan, e não importa quantas maldições nos atingir, eu vou sempre e para sempre encontrar e amar você. ― Sua voz sai entrecortada por conta da emoção. Os olhos de Emma também marejam, e logo o rosto de ambas estão banhados por lágrimas. Com sorrisos estampando os lábios, elas se beijam. ― Você sabe que poderia ter feito uma aliança com magia, não é? ― Levanta a mão esquerda para admirar o mais novo acessório em seu dedo anelar.
― Eu sei, mas não teria emoção alguma, além de que eu quero comprar um anel novo, não criar magicamente. ― Fala com desdém e Regina arqueia a sobrancelha. Ela dá um sorriso amarelo em resposta. ― E uma vez na loja do Gold, eu vi uma poção do amor verdadeiro. Ela tinha sido criada com os fios de cabelos dos meus pais. Os fios tinham sido usados para simbolizar esse amor. Por isso eu tive essa ideia de usar o meu cabelo para simbolizar a aliança, que é uma representação material do nosso amor. ― Segura a mão esquerda de Mills e toca com delicadeza na aliança improvisada.
― Emma! ― Exclama com surpresa. ― Eu estou sem palavras. Você é incrível, sabia disso? ― Segura o rosto dela com as duas mãos e o acaricia.
― Eu sei, por isso você se casou comigo. ― Dá uma piscadela acompanhada de um pequeno sorriso.
― Sim, com toda certeza foi por isso. ― As duas riem, mas as risadas logo acabam quando Regina puxa Emma para si e beija sua boca com vontade. ― Por mais que eu tenha gostado de ficar nessa posição por poder te beijar a vontade, estou começando a ter câimbras. ― Faz uma careta. Em seguida, se afasta um pouco e se vira para frente, estica as pernas e se apoia em Emma, que logo a rodeia com seus braços.
― Melhor? ― Apoia o queixo no ombro dela e beija sua bochecha.
― Sim. ― Mills devolve o beijo na bochecha e depois entrelaça suas mãos. ― Eu estive pensando... ― Remexe-se, procurando maior conforto. ― Agora que nós temos nossa memória de volta, você é quem nunca viveu o desenvolvimento de uma criança, e sei que sente por não ter vivido isso com o Henry. Então, se você ainda quiser, nós podemos adotar um bebê, para que você possa viver o que não viveu com ele. ― Hesitante, ela olha para a loira, que está com um olhar perdido no chão. ― Assim como em Tallahassee você achava que eu precisava dessa experiência, eu acho que você precisa dela. ― Acaricia sua mão com o polegar. ― Uma vez você disse que devido as memórias falsas da maldição, pôde ter um vislumbre de como teria sido criá-lo... Então, se você quiser, nós podemos adotar um bebê. Infelizmente a experiência não será com o Henry, mas você terá a chance de vive-la...
Algumas lágrimas começam a escorrer pelo rosto de Emma e Regina fica preocupada. Então se vira imediatamente e fica de lado.
― Emma, eu falei alguma coisa que te incomodou ou machucou? Eu sinto...
― Não! ― Fala com desespero, interrompendo-a. ― Não é isso. É só que... ― Fecha os olhos e respira fundo. ― Eu fui pega de surpresa e fiquei emocionada... ― Enxuga as lágrimas. ― Posso pensar sobre isso?
― Claro, não precisa me responder agora. ― Segura suas mãos e faz carinho.
― Obrigada. ― Regina beija suas mãos e depois a sua boca. ― Sabe o que acabei de perceber? ― A morena balança a cabeça negativamente. ― Desde que chegamos aqui não conversamos sobre o que decidimos antes de vir para cá. ― Regina franze o cenho, sem compreender o que ela está falando. ― Sobre voltar para Tallahassee. ― Esclarece, entendendo a expressão de confusão da outra, e a morena abre a boca, demonstrando que entendeu o que ela está falando. ― Lembra-se que antes de termos nossa memória de volta, o plano era vir até Storybrooke, ajudar as pessoas que precisavam e depois voltar? ― Mills assente. ― Eu sei que já está bem óbvia qual a nossa decisão, você até já falou de voltar para a prefeitura, mas... Você quer mesmo ficar?
― Você quer voltar?
― Por muito tempo, o que eu mais queria era voltar para Tallahassee, e depois que eu entendi meus sentimentos por você, essa vontade só aumentou. ― Faz uma breve pausa e fica pensativa. Seu olhar está perdido no chão. Regina a olha com atenção. ― Tallahassee é minha casa. Eu me sinto bem lá. Mas Storybrooke... ― Um sorriso genuíno aparece em seus lábios. ― Agora, Storybrooke é minha casa também. Apesar de todos os perigos e problemas, eu me sinto bem aqui. Não me sinto protegida, mas me sinto bem. Casa é onde nosso coração está, e meu coração está todinho aqui... ― Ela olha intensamente para a morena. Seus verdes brilham e os castanhos também. ― Você, Henry, meus pais, meu irmão... ― Sorri e Regina a acompanha. ― Então, eu não sei para você, mas para mim o plano mudou. Embora Tallahassee também seja o meu lar, é aqui que eu quero ficar, onde o meu coração está.
― Então nós vamos ficar! ― Diz com animação, em tom decisivo, e essa a sua resposta à pergunta da loira.
― Sim, nós vamos ficar! ― Repete com igual animação e as duas sorriem. ― E quanto ao nosso trabalho lá? ― Pergunta genuinamente preocupada.
― Nós pedimos demissão. ― Regina dá de ombros.
― E eu vou poder voltar ao meu cargo de Xerife, Madame Prefeita? ― Pergunta sensualmente, virando Regina para frente. Em seguida, começa a beijar o seu pescoço. A morena fecha os olhos e encosta a cabeça no ombro da outra, dando mais acesso para ela, que começa a atacar a região com pequenas mordidas e chupões.
― É claro, Xerife Swan! ― Responde no mesmo tom sensual que a loira e solta um gemido em seguida.
Sem cerimônias, a mão direita de Emma desce pelo corpo da amada e a toca em seu ponto mais sensível. Ela esfrega lentamente o clitóris de Regina e depois a penetra com um dedo. Mills solta um pequeno grito de susto. Swan inicia o vai e vem com movimentos lentos, mas a mão da morena em cima da sua, a faz enfiar mais um dedo e aumentar a velocidade.
Enquanto Emma penetra Regina com força e velocidade, as bocas se encontram em um beijo voraz, repleto de mordidas, chupadas e disputa por dominância. De repente, Mills coloca a mão direita para trás, procura a vagina da loira e também a penetra.
Então, em meio a gemidos, ávidos beijos e muitas estocadas, Regina sente a chegada do clímax e diminui a velocidade de seus dedos em Emma. Não demora muito e ela se derrama nos dedos da loira. Com os mesmos dedos que penetrou Regina, Swan fricciona seu clitóris por breves segundos e também atinge o ponto alto do prazer. Logo após, Emma busca os lábios da amada e elas trocam um beijo mais calmo e carinhoso.
― Vamos dar continuidade na cama. ― A loira sussurra no ouvido de Mills, que está completamente sem forças em seus braços. Ela também estava, a sua sorte é que estava encostada à banheira. ― Eu inaugurei o banheiro da Madame Prefeita e agora estou louca para inaugurar a cama. ― Regina dá uma risada com o pouco de energia que resta em seu corpo.
― Não temos muito tempo. Eu preciso ir na prefeitura e voltar antes do almoço. ― Segura-se na borda da banheira, desencosta-se de Swan e se vira para olha-la.
― Na verdade, temos todo o tempo do mundo. ― Rebate em tom sedutor. Então, com esforço e cheia de tesão, Emma se apoia nas bordas da banheira, levanta-se de uma só vez, pega Regina nos braços, causando um gritinho de susto na morena, caminha com ela até o quarto sem se importar se estavam molhadas e molhando o chão, joga-a na cama e não perde tempo em ir para cima dela para dar continuidade ao que começaram no banho.
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